NARUTO pertence a Masashi Kishimoto.
DO I WANNA KNOW pertence a banda Arctic Monkeys.
Do I Wanna Know?
Escrita por N. Owens
Betada por Delirium de uma noite de verão
Are there some aces up your sleeve
Have you no idea that you're in deep?
I've dreamt about you nearly
every night this week
A lua cheia o fazia sentir-se próximo dela.
Como se aquela brancura mais que candida, pudesse se igualar a dela. A sombra tímida, criada pelo satélite, sem deixar que seus apreciadores percebessem sua meiga intensidade, parecia se alimentar, de forma voraz, dos pensamentos do moreno.
Haviam passado algumas semanas desde que a herdeira Hyuuga deixara a vila da Folha em uma missão de rastreamento, ainda sem retorno.
Sasuke seguia sua rotina. Seus clones continuavam ajudando na reconstrução da vila, trabalhavam como escolta para os anciãos da Folha, e seguiam alertas para quaisquer menções sobre o paradeiro do time oito, enquanto o moreno passava seus dias sozinho, dentro do distrito Uchiha, sendo vigiado por membros da Anbu. Ele podia sentir seus olhares pesando em suas costas, eles o temiam, porém eram muitos. O fato de ter seus clones trabalhando pela vila o deixava mais fraco, o que não era nada divertido.
O ímpeto do jovem homem fazia-o trabalhar dia e noite no que ele esperava ser uma reabertura do distrito Uchiha; esperava por reformar as casas e apartamentos e alugá-los, de modo que um dia, suas lembranças fossem semelhantes às de antigamente, dias ensolarados e lotados de gente.
Esse era um dos desejos ocultos do sobrevivente, não o havia expressado a nenhum de seus amigos próximos – especialmente a rosácea, já que esperava que ela aquietasse seu coração em relação a si. O jovem passara a desejar coisas, das quais não ousaria falar em voz alta, mesmo estando sozinho, não se atreveria a dizê-las. Não, não ainda.
Amanhã, ele dizia a si mesmo.
Um mês depois de passar seus dias pensando em quando a garota lunar retornaria, Sasuke começa a utilizar-se das noites para sonhar com ela, apenas para entreter-se, claro. Pensar na herdeira Hyuuga fazia-o não pensar em seu passado, o que ajudava a mantê-lo são.
"Neve.
Olhando para o céu, ele via a lua.
Pálida e nua, ela lhe devolvia o olhar cheio de mistério. Ele vinha a achá-la poética. Ela sempre o encarava, silenciosa, desviando o olhar, como se o petróleo em seus olhos viesse a manchar sua alvura.
Todavia, naquela noite de núpcias, sua pele pálida se banharia no olhar de uma outra dama. Sua prometida. Ele sabia.
Seu peito forte era salpicado com o rubi. Algumas gotas haviam escorrido por suas mãos, e a necessidade de lavá-las alimentava sua ânsia, porém não se comparava ao desejo ardente que lhe subia pela virilha, chegando a seus lábios, que ofertavam um sorriso silencioso, quase imperceptível.
Ao abrir a grande porta amadeirada, pode sentir um forte aroma nupcial, sua prometida certamente lhe esperava ali – e de certo, a mesma se dirigiu ao seu encontro devagar, de modo que o fez questionar se ela queria estar com ele. Entretanto, ao se aproximar, buscou pelas mãos dele, e tentou segurá-las pelas pontas dos longos dedos do homem, que instintivamente as puxou de perto dela, como uma criança tímida que temia um sermão. Sem olhar diretamente para ela, soube o que fazer.
Ele trajava o negro, e o sangue do animal que caçara anteriomente lhe servia como luvas.
– Vou lavar-me – ele disse, com a voz rouca pela falta de uso.
Retirou as vestes escuras de seu corpo após adentrar o lavatório. Deixou a porta deliberadamente entreaberta, para que ela pudesse vê-lo. Sentia-se à vontade perto dela. Com seu olhar lunar, observou-o desnudar-se com a luxúria de ser novamente despido pelo desejo tímido que brotara no corpo magro e feminino dela.
Posicionou-se dentro da fria banheira metálica que haviam lhe providenciado para aquela noite; a água parecia isenta de calor, assim como o coração daqueles que viam-se alheios ao amor. Ele só pode fazer o que os mesmos fariam, banhar-se no frio translúcido, que acanhado, tornava-se rubro.
O animal que matara como oferta a aquela ocasião não morrera com serenidade e mansidão. Lutara até o último instante, e isso poderia ser verificado pela expressão impressa em sua face felina, que mesmo inanimada, rugia com fúria.
Em alguns momentos, seu corpo alvo se despira do sangue animalesco, que era finalmente domado pela água acarminada.
Pôde ouvir os passos da dama de branco, quando ela finalmente cansou-se e decidiu cessar o contato visual com o que se passava no lavabo.
Sentiu um impulso de perguntá-la o que ela havia feito naquele dia tão esperado, mas não a conhecia. Todavia, se via no ímpeto de olhá-la, como se, em seu íntimo, algo lhe dissesse que já a vira.
Retornando ao quarto, podia encontrar a figura formosa recostada na cama; com seu corpo revirado, a face direcionada em torno dos travesseiros estofados, seus cabelos, tão escuros quanto a noite lhe rememoravam mirtilos – sua fruta favorita. A pele, entretanto, cheirava a gelo e canela, combinação mais que singela. Poética, como a dama rochosa com quem iniciara a noite.
Não sentia urgência em tocá-la. Aquela noite poderia durar tanto quanto precisassem. Sem pressa, aproximou-se na tentativa de nomear o rosto alvo, que servia como rochas a cascata escura que eram seus cabelos, levemente azulados.
– Linda. – Ele pensou em voz alta, ao estender a mão para tocar-lhe a face leitosa.
Olhos grandes, cheios de vida e outono se abriram, de modo a revelar-lhe sua tão singela surpresa; assemelhava-se a uma pequena criança, logo após presenciar um truque de mágica.
– Sa… – Interrompida; um pequeno suspiro havia-lhe roubado a voz inesperadamente. Ele tocou-lhe os lábios carnudos, em um ato ágil, e roubou-lhe a primeira carícia de sua vida adulta, assim como presenteou-a a própria.
Sentiu seu pau latejar.
Com a outra mão, começou a desvendar o terreno desconhecido que era o corpo dela, que se contorceu levemente ao sentir seu estômago se encher de borboletas. Ele apertava-a por todos os espaços de matéria que conseguia encontrar.
– Não se mexa – disse, oferecendo todo seu desejo ao beijá-la. Almejava que ela soubesse o quanto ele a queria.
Meio desajeitada, ela tentava ao máximo não se mover muito, porém, o desejo corria em seu corpo e não mais poderia esperar. A outra mão do moreno trouxe o corpo dela pra mais perto de si.
Ela se contorceu com o aperto novamente, e pousou suas pequenas mãos no dorso de seu prometido, o arranhando levemente, conforme as mãos dele transitavam por seu corpo, investigando todos os possíveis lugares ainda inexplorados. Elas desceram de seus ombros a sua barriga, e por fim encontrara um novo local, já meio úmido, gritando ávido por ele.
O latejo parecia querer matá-lo, e sem pensar muito ele deixou que ela o visse, e ao contrário do que esperava, ela sorriu. O que fez com que uma imensa onda elétrica percorresse seu corpo, vindo de suas entranhas.
– Me diga o seu nome – Ele pediu, enquanto ela acariciava-o desajeitadamente.
Ele se sentia conectado a ela, seus corpos começaram a se entender após a batalha de egos dar lugar a uma aliança inquebrável, seus olhos vidrados nos dela, que o contemplavam. ele poderia jurar ver uma chama azul arroxeada dançar em seu olhar alvo.
De onde a conhecia?
Ela tinha o rosto enrubescido, e arfava; seus olhos eram brilhantes e seus lábios estavam entreabertos. Ela usou uma de suas mãos para afastar a mecha de cabelo molhada que se agarrava à testa dele.
– Você é meu, Sasuke. – E deliberadamente, ajeitou-se na frente dele, para que seus corpos se alinhassem melhor. Ele sentiu uma leve surpresa ao ouvi-la falar seu nome tão docemente, sem sufixos, sem respeito algum. E ao contrário do que pensou, seu ego não foi ferido, aquilo era extremamente excitante.
Seu pau tocava a entrada da vagina dela, que parecia pulsar.
– Você está pronta? – Perguntou às pressas.
– S-sim. – Sua voz soou firme, porém fraca.
Ela pareceu se contorcer levemente quando ele a adentrou. Sasuke sentia-se envolto em um calor familiar, seu corpo parecia estar em chamas, e então uma corrente elétrica o envolvia.
Ela o abraçou, envolvendo sua matéria.
Foi então que, enquanto gemia, olhou no fundo dos olhos da jovem mulher, e os reconheceu. Os claros, brilhantes, leitosos, alvos, brancos, perolados, lunares, olhos de Hyuuga Hinata. E junto a isso, o momento de êxtase que tanto esperava, o alcançou.
Ele começou a mordiscar-lhe os seios, e ela passou a gemer mais alto, o que Sasuke achou sexy, e o fez se mover mais vigorosamente, enquanto ela continuava a murmurar palavras incompreensíveis. Pode sentir o corpo dela se estremecer conforme se contorcia, certamente ela estava experienciando explosões de energia dentro de si, ou ao menos ele estava.
Enquanto sentia-se derreter dentro dela, em sua vastidão até então inexplorada, ouviu-a falar baixinho:
– Eu te amo.
Seu estado de êxtase parecia não ajudar em nada após as palavras dela tomarem lugar em sua mente, conseguia vê-las flutuando em sua frente. "Eu te amo", em carvão, em carmim, em lunar, em todas as cores que remetiam a ela. Linda.
Desmanchando, ele a olhou como um todo e podia sentir seu corpo se desfazer; a matéria que a mantinha ali estava a derreter em suas mãos, e toda a explosão e êxtase que sentia havia dado lugar a uma angústia. Suas entranhas se entrelaçaram, se tornando nós apertados que se entrelaçavam com seus outros órgãos.
– Não – Ele falou com a voz abafada. – Hinata, não! – Podia vê-la tentar agarrá-lo, mas já era tarde demais, seus dedos se tornaram nada mais que lembranças.
A neve havia parado, mas o frio o envolvia".
–NÃO! – Acordou aos gritos, com seus olhos vermelhos brilhando no escuro, o sharingan ativado, assustando o pequeno ser que agora dividia o lar consigo.
Levou apenas alguns segundos para que se desse conta de que tudo aquilo havia sido um sonho. Sasuke não baixou sua guarda, e resolveu checar em volta da casa e fora dela. Suas lembranças eram tão nítidas, que o fizeram considerar estar em um genjutsu.
Porém, ao que tudo indicava, tudo estava normal. Havia sentido o chakra dos Anbu que o vigiavam oscilar por um momento, o que o havia deixado tenso, mas sabia que aquilo era uma reação esperada, já que por mais que houvessem perdoado seus crimes, ele ainda se sentia tratado como um prisioneiro em liberdade condicional. Podia sentir uma ave voando para longe, provavelmente entregando relatórios a Hokage sobre seus gritos. Tudo isso por um sonho.
Ou pesadelo.
Para o moreno não havia dúvidas que se interessava pela garota Hyuuga, era a pessoa menos chata em toda a vila. Quase não o aborrecia e achava interessante tê-la por perto. Tudo aquilo era um grande teatro, claro. Ele estava ali para honrar sua amizade com o jovem uzumaki, e apenas isso. Ouvi-lo dizer que Sasuke deveria achar uma namorada o fez pensar, mas ele era muito introvertido para se relacionar com mulheres. Com qualquer um, na verdade.
Mesmo com toda a destruição da Vila da Folha, ainda haviam mulheres disponíveis e carentes de romance, mas ao contrário do que inicialmente pensara, percebera que a admiração e atração que geralmente podia sentir nos olhos das garotas de sua infância, haviam sido substituídos por medo. Mesmo que se sentissem atraídas por ele, muitas vezes elas mudaram seu curso ao se deparar com o Uchiha. Algumas ainda tentavam a sorte, mas eram claramente loucas, ninguém gostaria de se envolver com o que chamavam de louco sádico.
Sentou-se à mesa, a qual a gata subira e esfregava-se em seu dorso. Aquele pesadelo só poderia significar uma coisa. Que todos os seus esforços para se interessar em alguém haviam dado certo, e aquilo certamente o preocupava. Sentia-se confuso, como se em sua cabeça houvesse duas vozes que diferiam em opinião.
"Hyuuga", uma delas sussurrava, em uma voz sugestiva.
"Lixo", a outra dizia. "Sozinho", às vezes ela pausava, como se esperasse que ele absorvesse a informação. " Desprezível".
A pequena criatura miou, como se soubesse o que ele pensava, ou ouvia, e se pronunciou. Infelizmente Sasuke ainda não era fluente na língua dos gatos e em nada a opinião dela contou. Ele era um um homem contorcido, privado de amor, e nunca saberia oferecê-lo a ninguém.
O dia amanheceu sem muita demora, e havia voltado ao trabalho. Olhar o banco com o que trabalhara no dia em que estava com ela não ajudava-o a trabalhar mais rápido. O que estava esperando? Que ela voltasse da missão e viesse visitá-lo? Que ao adentrar sua casa, deixasse-o adentrar em suas muitas camadas de roupas? Ah, ele com certeza só precisava bater uma.
Não podia, entretanto, deixar de relembrar a conversa que realmente tiveram, que não envolvia esses despidos, tocando um ao outro loucamente.
A ideia que lhe ocorreu, ainda parecia um deleite em sua mente. Talvez aquela não fosse uma má ideia. Sabia estar errado ao querer ter qualquer tipo de contato com a garota, mas tornava difícil não fazê-lo, quando aquilo o afastava de seus pensamentos usuais. Era certamente mais divertido tocá-la toda noite em seus sonhos, do que a exaustão do trabalho dos clones, a falta de comida pelo racionamento de alimentos, e o aborrecimento de sentir-se observado todos os dias, como um cão enjaulado.
Às vezes imaginava como seria se abrisse mão de tudo, destruísse a vila e a si mesmo, não se importava com ambos, e sabia que em breve talvez o devesse fazê-lo, pois preferia morrer do que tornar-se cego e invalido.
A gata brincava com uma de suas cuecas. Ela ainda era muito pequena, e escondia-se dentre sua pilha de roupa suja, especialmente a cueca preta que ele havia usado recentemente, ela se escondia dentro dela e as vezes saltava para fora, na tentativa de surpreender o antigo obi que Sasuke costumava vestir, pensou na possibilidade de mudar seu guarda-roupas, mas provavelmente não teria dinheiro para tal. Teria que sair em missões pagas, ou roubar alguém. Tsc, não é como se ele quisesse se vestir para impressionar ninguém. A blusa e calça pretas iam ser suficientes, talvez ele devesse só procurar um casaco.
Enquanto se despia das roupas sujas, Sasuke imediatamente sentiu uma ondulação em seu chakra, um de seus clones havia visto o jovem com cara de cachorro voltar à vila; ele era do time oito, o que significava que Hinata estaria de volta. Banhou-se rapidamente, e tornou a vestir-se, o pequeno felino estava aninhado em sua pilha de roupas dormindo pesadamente.
Uchiha Sasuke deixou sua casa pensando em quantas vezes havia sonhado com a Hyuuga naquele tempo a qual não a vira, e gostaria de saber como se sentiria ao vê-la novamente.
O moreno era um exímio torturador. De si próprio, inclusive.
Muito obrigado por ler e pelos reviews no capitulo anterior.
