Decidi dar alguns passos à frente e ficar ao lado dela.

- Lamento. - Foi a única coisa que eu disse enquanto assistia a cena.

Ela virou um pouco a cabeça para direcionar seu olhar para mim, eu dei a ela um meio sorriso, entendendo sua dor.

- Quem é você? - Ela me perguntou muito desanimada.

- Laura. - Respondi e olhei para o chão. - Ouvi dizer que seu nome é Ângela. - Comentei e ela não disse nada. - Tem um nome legal.

Fui interrompida pelos soluços de Rani que estava sendo segurada por um médico e havia uma senhora do outro lado da cerca que estava feliz em vê-la viva. Então um som chamou minha atenção, foi Claire quem deu um tapa na cara do político. Eu sorri para isso, ele mereceu.

- Vamo agente, anime-se. - Eu só disse para me afastar dela.

Fui até Leon e dei um tapinha em seu ombro e depois segui meu caminho e o deixei sozinho.

Um médico veio até mim e me levou para uma ambulância, sentei ao lado e ele fez um check-up rápido. Com um oftalmoscópio ele verificou meus olhos, também com um depressor de língua examinou minha boca e garganta. Ele me fez algumas perguntas sobre como perdi um lado do meu sapato e eu disse a ele o que aconteceu.

Ele descansou a cabeça de um estetoscópio no meu peito e se preparou para ouvir se havia algo de errado comigo. No momento em que ele alcançou minhas costas, levantou minha camisa e definitivamente viu os arranhões da queda ao salvar Rani. Ele me perguntou "como" isso aconteceu e eu o expliquei.

Ele começou a curar o ferimento, enquanto eu percebia que Leon observava Ângela de perto e ela ainda olhava na direção do aeroporto.

Abaixei minha cabeça e não pude deixar de lembrar o que tinha acontecido lá. Eu ainda não conseguia entender porque o deixamos, eu sei que foi uma decisão dele, mas deve haver uma cura. Não entendo.

Como isso pôde acontecer?

O que é que os faz se transformar nessas coisas?

Não é o mesmo que aconteceu na Espanha.

Meus pensamentos foram interrompidos quando percebi que o médico estava com uma seringa na mão. Ele explicou que se tratava de um antivírus e justamente naquele momento vi que alguns caminhões estavam entrando no perímetro, neles estava inscrito um logotipo "Wilpharma Pharmaceutical Company".

Fiquei perplexa e foi então que o médico injetou uma dose em mim, me assustei um pouco, mas depois me acalmei.

O médico disse que ele tinha acabado e me deixou ir. Aí com um pouco de dor nas costas me levantei, olhei em volta, soldados caminhando armados, profissionais médicos fazendo seu trabalho, não vi mais ninguém.

Resolvi caminhar, não sabia o que fazer, perdi minha bagagem, meus documentos, de novo sozinha neste mundo, droga. Embora ... eu não estivesse totalmente sozinha, preciso falar com a loira.

Cheguei a uma parte solitária, não tinha ninguém ou assim pensei, até ouvir a voz do Leon, quando ia me aproximar dele percebi que ele estava falando ao telefone com alguém, não demorei muito para reconhecer a voz de Hunnigan. Decidi me esconder e ouvir a conversa.

- Depois de receber a confirmação da USAMRIID de que o vírus usado no ataque era mesmo o vírus T, eu levei o meu plano ao presidente. - Hunnigan disse ao telefone. - Ele o implementou com um ato especial de emergência. Todos os militares envolvidos no ataque foram vacinados.

- Os terroristas fizeram exigências? - Leon perguntou.

- Não, ainda não. Mas o FBI capturou um membro do exército do general Grande em Los Angeles há añguns momentos. Quando o interrogarmos, talvez ele nos dê uma informação que estabeleça uma ligação entre este ataque terrorista e o da Índia. - Informou Hunnigan.

- Talvez obtenhamos pistas do paradeiro dos ex-funcionários da Umbrella Corporation. Devem ser eles que estão negociando o vírus no mercado negro. - Comentou a loira.

Então eu não o ouvi mais falar e decidi me aproximar dele.

- Então você ouviu tudo, correto? - Ele perguntou.

- Do que você está falando? - Questionei tentando passar despercebida, mas ele me olhou com aquele olhar penetrante e profundo que resolvi rir. - Ok, desculpe, eu ouvi tudo.

Kennedy suspirou em negação.

- Então a Umbrella ainda existe? - Eu perguntei.

- Mais ou menos. - Ele respondeu.

- Que pena ... - Comentei algo triste. - Posso te ajudar em algo?

- Eu não quero que você se envolva nisso, Laura.

- Oh Leon, por favor, loira. - Eu disse tentando brincar. - Olhe para mim, perdi tudo, meus pais, meu tio, minha amiga, meus documentos e até meus sapatos. - Eu falei séria.

- É muito perigoso. - Disse o americano.

- Eu sei. - Afirmei olhando em seus olhos. - Mas um guarda me salvou e eu vi ele morrer, sendo comido por aquelas coisas, também abandonamos o outro agente, por quê? Por que, Leon? - Perguntei a ele à beira das lágrimas.

- Foi sua decisão. - Ele respondeu friamente.

- Eu sei que você já passou por coisas piores do que eu, mas não posso deixar de continuar vivendo com isso, como se nada tivesse acontecido.

Leon Kennedy ficou em silêncio e eu abaixei minha cabeça. Suspirei e olhei para ele novamente.

- Você pelo menos tem dinheiro para me emprestar? - Eu perguntei. - Preciso de sapatos novos.

- Me acompanhe. - Disse.

Intrigada, o segui, mas logo ouvi as reclamações de Claire.

- O que está acontecendo?! Por que as drogas da Wilpharma estão sendo trazidas aqui? - Discutiu com os dirigentes da referida empresa.

- É a vacina. - Interrompeu um homem branco de cabelos acinzentados e óculos.

Eu pude ver Claire surpresa, ela parece já tê-lo conhecido antes. Naquele momento, Ângela se aproximou de nós e nós três ficamos olhando a cena.

- Você? O que está fazendo aqui? - Perguntou a ruiva.

- Ele é o diretor de pesquisas da Wilpharma. - O senador interrompeu. - Deixe-me apresentar Frederick Downing. - Foi ele que desenvolveu a vacina contra o vírus que você tanto conhece.

- Quer dizer a infecção no terminal ... - Claire disse confusa.

- Pensou que tinha criado pela Wilpharma, não? - Perguntou o senador soltando uma risada zombeteira. - Totalmente ridículo. Uma inoculação. É nisso que trabalhavam, em um modo de prevenir outras epidemias.

- Mas...

- Claire, é verdade. - Leon interrompeu caminhando com Ângela e eu os segui, ficando um pouco para trás sem saber o que fazer.

- Você sabia?

- Sim, eu não sabia que seu uso seria sancionado tão rápidamente. - Kennedy respondeu.

- Então, os testes humanos realizados na Índia ...

- Um grupo de terroristas colocou as mãos no vírus T. - A loira explicou. - Todos os membros do grupo mantido pelo General Grande foram infectados, então não temos detalhes. O governo dos EUA obteve autorização dos dirigentes da Índia para ministrar a vacina nas comunidades próximas. A vacina desenvolvida secretamente pela Wilpharma foi um sucesso. A taxa de infecção foi mantida a mais baixa possível.

Fiquei pensando, isso é muito maior do que aconteceu na Espanha.

- Por que não usaram a vacina para isto? - Angela interrompeu com raiva, segurando Leon pelo paletó. - Se tivessemos sido inoculados antes de entrarmos no terminal, Greg teria ...

- A inoculação teria sido possível se a Terra Save não tivesse feito oposição ao nosso trabalho. - Frederick falou. - Se tivéssemos podido seguir os procedimentos apropriados como estava programado, os estoques médicos do governo teriam sido enviados a qualquer lugar dos EUA em 12 horas.

- Mmeu Deus. Então... - Disse a ruiva. - É tudo culpa nossa.

- Eu acho que você tem razão. - O senador comentou ironicamente.

Angela soltou Leon e foi embora. Claire se dirigiu para uma das tendas do exército. Leon me deu uma olhada e seguiu a ruiva. Eu estava um pouco confusa olhando para o nada.

Então notei o senador e o Sr. Downing olhando para mim. Eu os encarei.

- Parece que você ouviu conversas de adultos, garota. - O senador falou comigo.

Eu levantei uma sobrancelha tentando ignorá-lo. Frederick pigarreou.

- Vou fazer uma ligação, senador, já volto. - Ele disse pegando seu celular e me deu um meio sorriso.

Olhei para ele fazendo o mesmo gesto e o político sorriu como se tivesse executado um plano maligno. Suspirei e fui embora.

Andava por aí pensando no que fazer, tinha alguma coisa errada comigo, não sei por que, talvez intuição, além disso não gostei nada desse Davis.

Fiquei atrás de um acampamento e vi que o o diretor de pesquisa estava ligando para seu telefone, quando percebeu minha presença ele se assustou e foi quando ouvimos uma explosão.

Fiquei surpresa com o tremor que senti no chão e Frederick guardou seu dispositivo.

- O que foi isso? - Ele perguntou confuso.

Nós dois vimos as chamas de longe e corremos para ver o que aconteceu. Caminhões da Wilpharma explodiram. Isso parecia um ataque.

Os soldados e médicos com extintores tentaram apagar o fogo, muitos gritaram, as chamas atingiram os que estavam por perto.

Fiquei surpresa, vi que o fogo estava queimando num médico e um soldado tentou ajudá-lo. A tensão do momento me forçou a tirar o extintor de outro e comecei a derramar no corpo do médico que gritava de desespero.

A temperatura estava tão alta que demorou apenas alguns segundos para o meu corpo começar a suar, não queria imaginar o que aquele homem sentia se queimando vivo.

O militar conseguiu tirá-lo do fogo e eu consegui apagar as chamas que o consumiam, o profissional sofreu queimaduras graves, mas não se mexeu. O soldado tomou seu pulso.

- Ele está vivo, ele está vivo, precisamos de ajuda aqui rápido! - Disse aquele com roupa camuflada e outro médico veio ajudá-lo.

Afastei-me deles, observando enquanto o moviam, deixei cair o pequeno tanque no chão e direcionei meu olhar para Frederick, ele estava simplesmente atordoado observando o fogo.