Leon, Angela e Claire vieram até nós e olharam para todo o caos.

- O que houve? - Kennedy perguntou, abordando o oficial da Wilpharma.

- Os caminhões levando a vacina... - Ele respondeu ainda em estado de choque.

- Quanta vacina sobrou? - Ele questionou direto ao ponto.

As duas mulheres e eu nos aproximamos deles.

- O que trouxemos hoje era tudo o que conseguimos reunir das amostras da vacina dentro da empresa. - Explicou Frederick. - E quase tudo foi perdido.

- Onde estão os dados de fabricação?

- Acha que estão atrás disso também? - Downing perguntou.

- Poderia ser? - O senador interrompeu. - Por que não nos diz quais são as exigências deles?

Kennedy ficou em silêncio.

- Se não quer falar, vou direto ao Presidente. - O político ameaçou e o agente se viu com a espada no pescoço contra a parede.

- A verdade. - Eu falo.

- Verdade? - Davis perguntou confuso.

- Eles querem a verdade. A arma viral da qual o vírus T da Umbrella Corporation derivou-se. Eles querem revelar que o governo dos EUA estava envolvido. - Comentou a loira.

Fiquei pensando ... Isso significa que o que aconteceu em Raccoon City foi causado pelo governo. O que Leon está revelando pode custar-lhe a cabeça.

- O governo estava mesmo envolvido? - Angela perguntou.

- A prova se foi com a fumaça em Raccoon City. - Kennedy explicou.

- Espere, a verdade não desapareceu, nunca houve nenhuma. - O senador falou um pouco alterado.

Pude ver que o de cabelos acinzentados baixou o olhar, cobrindo parte do rosto com uma das mãos. Percebi que o senador estava se contradizendo enquanto eles discutiam. Certamente era verdade o que o agente loiro havia dito.

- Se não obtiverem a informação, o que acontece? - Claire interrompeu.

- Vão espalhar o vírus T em todas as áreas povoadas dos EUA. O prazo límite é meia-noite. - Leon respondeu.

- É dentro de quatro horas. - Angela informou.

- E não sobrou vacina. - Adicionou o político.

- Consegue descobrir onde estão os terroristas? - Questionou o diretor de pesquisas.

- Tenho uma pista da identidade de um deles. - Respondeu a ruiva.

Todos nós olhamos para ela com atenção.

- Logo depois que a primeira vítima infectada apareceu no terminal, notei um homem na entrada. O nome dele é Curtis Miller. - Ela explicou.

- Eu o conheço, é um desses fanáticos protestando contra a construção da nova unidade de pesquisa. - Declarou senador Davis.

- Se a exigência dos terroristas estão é a revelação das informações sobre o que realmente aconteceu em Raccoon City, então ele pode...

- Não pode ser. - Angela interrompeu Claire e nós olhamos para ela estranhamente.

Ela estava muito preocupada.

- Curtis Miller é ... meu irmão mais velho. - Ela falo. - Meu irmão não faria algo assim.

- Ele foi preso por ameaçar a Wilpharma. - O senador argumentou.

- Ele só reivindicou que publicassem a informação. - A agente o defendeu.

- Infelizmente o resto do mundo não vê assim. Se diz que ele não é terrorista, por que não o traz aqui paara se explicar agora?

Angela rosnou com raiva e foi embora. Nós cinco olhamos para ela perplexos.

Após um breve silêncio, todos seguiram caminhos diferentes e eu fiquei sozinha observando as chamas.

O que devo fazer agora?

Baixei a cabeça e olhei para os meus pés, um lado estava sem sapatos. Fechei os olhos e voltei a me lembrar de como o perdi.

Só se eu tivesse agarrado sua arma ... Como eu não percebi? Eu estava realmente assustada?

Droga, como sou fraca!

Suspirei.

Caminhei rapidamente em busca de Kennedy e o encontrei ao lado da agente. Ela estava se equipando com várias armas e munições, o que parecia muito estranho para mim.

- Então vão para a guerra e não me convidaram. - Eu os interrompi sarcasticamente.

Os dois olharam para mim, mas Ângela ainda estava de mau humor. Leon se aproximou de mim e nos afastamos da mulher.

- Pega isso. - Disse o loiro tirando dinheiro de sua carteira. - Peça um táxi e compre sapatos novos. - Ele sugeriu.

- Fala sério? - Perguntei e peguei o dinheiro.

- Sim, então vá para o meu departamento. - Ele me deu algumas chaves.

- Seu departamento? - Eu encarei ele. - Eu nem sei o endereço.

Ele me deu um pedaço de papel onde estavam escritos os nomes das ruas e o número do andar.

- Leon, mas ... - Eu ia dizer alguma coisa, porém fiquei calada.

Na verdade, ele é muito rápido, calculou muito bem. Eu sabia perfeitamente bem que argumentar em ajudá-lo nesse assunto seria em vão. Então eu suspirei.

- Você ia dizer alguma coisa? - Ele questionou.

- Não. - Eu recuei.

- Está bem. Hunnigan sabe que você irá ao meu departamento, então não se preocupe e se sinta segura. - Ele me entregou um cartão. - Na gaveta da mesinha de cabeceira encontra um telefone, qualquer emergência liga aí.

- Entendido. - Eu concordei.

Observei Leon Kennedy se afastar e subir com Angela na van da equipe de resposta especial.

- Se cuida, loira. - Murmurei e olhei para a chave em minha mão.

Acho que isso seria melhor do que entrar em seu trabalho. Eu me pergunto como será o seu departamento? Será amplo? Haverá passagens secretas? Armas escondidas?

Acho melhor parar de pensar nisso, não seria certo me intrometer muito. Não acredito que um agente do governo me confiou seu departamento. Espere, é "o seu departamento"?

De qualquer forma, espero que ele tenha um console de playstation e alguns videogames para acabar com o tédio.

Decidi caminhar com o papel, o cartão, o dinheiro e a chave no bolso.

Saí da zona de segurança onde estavam os militares e os médicos, alguns quarteirões depois encontrei um táxi e entrei nele. Pedi a ele que me levasse ao shopping mais próximo.

Minutos depois chegamos ao destino e paguei o que era devido pelo serviço.

Fui ao shopping, era um lugar grande, com várias lojas e barracas de comida.

Pude ver em uma tela a notícia do incidente ocorrido no aeroporto. Sim, foi uma catástrofe.

- Senhorita, como posso ajudá-la? - Um guarda se aproximou de mim.

- Olá! Venho fazer compras, como podem ver, preciso de sapatos e roupas novas. - Falei sorrindo com o uniformizado. - Calma, não estou aqui para roubar, trouxe dinheiro.

- Entendi. Aproveite o lugar. - O guarda acenou com a cabeça sorrindo e foi embora.

Eu pareço tão mal?

Arrumei meu cabelo com as mãos e olhei para os pés, soltei uma leve risada e entrei em uma das lojas.

Lá comprei calçados esportivos, camiseta e calça. Quando me troquei no vestiário, pude notar os ferimentos nas minhas costas. Eu apenas fiz uma careta e terminei de me vestir.

Ao sair da loja, vi o guarda novamente e me despedi dele.

Chamei um táxi fora do shopping e dei-lhe o endereço do departamento.

No caminho, não pude evitar de olhar para a lua pela janela do carro, ela estava na fase de primeiro quarto.

- É lindo, não é? - Oo motorista falou.

- Sim. - Afirmei pensativa.

- A natureza cria maravilhas e o homem cria monstros. - Ele opinou.

De repente, cruzando a rua, vi um homem alto e atarracado com cabelos longos e um olhar suspeito. Este cara foi para a entrada principal de alguns edifícios que estavam ao longe.

Nós o deixamos para trás e eu mal consegui assistir enquanto ele atacava dois guardas com uma pistola. Não consegui ouvir os tiros, mas me intrigou.

- Senhor, você viu isso? - Perguntei-lhe.

- Ver que? - Ele respondeu confuso enquanto continuava dirigindo.

Em um piscar de olhos, pude ver as palavras Wilpharma Corporation. Isso me fez pensar por um breve momento.

- Eu preciso saber a hora. - Falei com o motorista.

- São dez da noite. - Ele respondeu.

Logo me lembrei das palavras de Leon ...

"Vão espalhar o vírus T em todas as áreas povoadas dos EUA."

"O prazo límite é meia-noite."

Droga, eles vão atacar a Wilpharma.

Avisei o taxista para parar e paguei pelo serviço. Ele ficou muito confuso, mas não tive tempo de explicar.

Saí do carro e corri para a entrada principal, onde encontrei os dois guardas mortos.

Droga!

De repente, pude ver um carro cinza vindo em minha direção em alta velocidade, resolvi me esconder atrás da cabine de segurança para que ele não me visse. Infelizmente, não consegui ver quem era e ele se afastou na estrada.

Quando voltei aos corpos dos guardas, ouvi a voz de alguém no rádio de um deles.

"Detectamos um intruso no prédio da cúpula aérea, no nível zero, repito, nível zero, não o deixe escapar."

Peguei o rádio e olhei algumas placas que indicavam o endereço e os nomes dos prédios, uma delas dizia "Laboratório Air Dome".

Espero encontrar Leon, droga, não tem telefone aqui.

Respirei fundo e corri na direção do prédio mencionado no rádio.