06 de agosto de 2017.

James.

Saí do porão assim que Lily foi embora, tentando entender o que tinha acontecido. Ok, talvez ela não tenha gostado da minha música. Não, é impossível. Ela me olhou nos olhos e disse que tinha gostado, e ela não mentiria para mim sobre isso. E quando mente, o que é raro, forma-se uma ruguinha na sua testa. Ela mentiu sobre o brownie, e mentiu sobre estar bem. Mas por quê? O que eu fiz?

Ela estava bem e feliz até...acho que até eu parar de cantar.

Eu preciso falar com ela, preciso ver o que aconteceu...mas eu não posso agora. Ela pediu um tempo, pediu um espaço, e eu preciso respeitar isso, independente do que tiver acontecido.

Voltei para casa e resolvi tentar me distrair brincando com Snuffles, que coitado, agora tem nove anos e já está começando a ficar ceguinho.

Passeei um pouco com ele e antes de entrar em casa, olhei o horário no relógio do celular. 18:44. Lily entrou em casa há aproximadamente uma hora e meia.

Que dia é hoje? Seis? Ah, Lily está de TPM. Começa sempre na segunda semana do mês, desde que ela menstruou, aos 13 anos, e pelo bem da minha sanidade mental, eu tive que aprender para não enlouquecer com essa mulher.

Resolvi continuar o passeio com Snuffles, dessa vez indo para o mercadinho que fica na rua de trás.

-E aí, James? –cumprimentou Claire quando entrei –Está sumido.

-Oi, Claire –respondi, sorrindo –eu estava em Londres com a Lil e agora estou passando o resto das férias com os meus amigos.

-Queria ter essas férias –nós rimos –não sei porquê inventei de trabalhar nas últimas férias antes de entrar na universidade. Não bastava eu ter trabalhado nos últimos dois verões? Ah, lembrei o motivo, preciso de dinheiro para entrar na universidade –eu ri alto.

-Muito justo. Me vê uns chocolates? –ela assentiu.

-Quais? O bombom que a Lily gosta? –assenti –Temos 15, quantos você quer?

-Todos.

-Queria eu ter um namorado prestativo assim –ela suspirou.

-Não somos namorados –murmurei envergonhado e ela arregalou os olhos.

-O quê? Você vem aqui há três anos, todo mês, comprar chocolate para quando a menina está de TPM, e não namora com ela? –corei –Se você faz isso por uma amiga, não consigo nem imaginar o que você faria por uma namorada! James Potter, namora comigo!

-Oh, nosso menino aqui está comprometido com a melhor amiga para sempre, mas eu estou totalmente disponível para você, querida –disse Sirius, entrando no mercadinho.

-Larga de ser idiota –bati em sua cabeça e paguei os bombons –Não liga para ele, Claire.

-Oh, eu ligaria se tivesse o número –ela sorriu maliciosa para o meu amigo.

-Já que você faz questão –ele anotou o número em um caderno que estava aberto no balcão.

-Ok, eu vou deixar vocês conversando –saí, mas tenho a impressão que eles nem me ouviram.

Peguei a coleira de Snuffles e seguimos então para a casa de Lily. Toquei a campainha e Helena atendeu.

-Oi, James. Veio ver a Lily? –perguntou, me dando passagem.

-Sim, ela estava meio desanimada mais cedo e resolvi trazer uma companhia para ela ficar mais feliz –apontei para Snuffles, que latiu.

-Oh –ela não tinha reparado no cachorro –então vá direto para o quarto dela e não deixe Petúnia ver –eu ri, assentindo.

Bati na porta do quarto de Lily e ela gritou um "entre".

-Lils? –chamei abrindo a porta –Onde você está? –ela saiu do banheiro, cheirando sabonete e enxugando o cabelo na toalha.

-Oi, James –ela sorriu e se abaixou –e oi para você também, Snuffles –meu cachorro latiu, animado. Ele a amava –Como você está, hum? Faz dois dias que eu não te vejo! –ele começou a pular, fazendo graça para ela, que ria. Cachorro esperto, conquistando a ruiva –Você estava passeando com James? Cuidou bem dele? –bufei.

-Eu trouxe bombons –a atenção dela voltou para mim –mas se você continuar a me tratar desse jeito, eu acho que eu terei que dar para a Lene...

-Me dê isso, Potter –ela tirou a sacola da minha mão e eu ri. –Obrigada.

-Como você está? –perguntei, sentando na cama enquanto ela comia um bombom.

-Eu estou bem, James. Não precisa se preocupar –ela revirou os olhos.

-Como você está de TPM, eu vou te dar um desconto –ela riu, indo em direção ao banheiro para pentear os cabelos molhados –Posso? –apontei para a escova e ela anuiu, me estregando e sentando na cama, de costas para mim.

Eu penteava o cabelo dela desde os 10 anos, e ela adorava. O cabelo dela é tão macio, tão cheiroso que sempre me deu vontade de enfiar o nariz ali e ficar ali por horas. Mas não tinha como eu dizer isso sem parecer louco, né? Por isso, sempre que eu podia, eu os penteava.

Quando tínhamos 10 anos, seu cabelo era na altura do ombro, mas com o tempo, ele foi crescendo até chegar na cintura e ela resolveu que iria só cortar as pontas e deixar nesse comprimento, e eu preciso dizer que eu achava lindo.

Eu comprei até uma escova cara, que era a que ela usava, para deixar lá em casa, que era muito útil em dias que brincávamos na chuva e íamos direto para lá e em viagens, já que eu sempre levava, porque ela sempre esquecia a dela.

-O que ficou fazendo todo esse tempo? –perguntei e ela ficou com o corpo rígido –e não me diga que é brownie porque eu não vou cair nessa, ruiva.

-Eu só estava pensando –deu de ombros.

-Pronto –entreguei a escova para ela, que a colocou no banheiro, voltando logo depois para colocar Snuffles em cima da cama e deitar a cabeça no meu colo, acariciando o pelo do cão com uma mão, e comendo os doces com a outra. –Pensando em que?

-Tudo e nada ao mesmo tempo. –deu de ombros novamente e eu ri.

-Quer fazer alguma coisa? –perguntei, fazendo cafuné –Ou quer ficar quietinha um pouco?

-Quietinha –eu anuí, e ela fechou os olhos.

O tempo foi passando e eu fui percebendo que ela parou de comer, parou de fazer carinho em Snuffles e que sua respiração ia ficando mais pesada. Ela apagou.

-Lily, you light up my world like nobody else. The way you that you flip your hair gets me overwhelmed. But when you smile at the ground it ain't hard to tell…you don't know, you don't know you're beautiful…and that's what makes you beautiful. –murmurei, antes de cair no sono.

10 de agosto de 2017.

Lily.

-Amiga, por favooooooor –Lene insistiu pela milésima vez –eu achei que a ideia da banda tinha sido ótima, mas agora você só fica tocando e cantando, com medo de errar no dia da gravação. Lily, é para ser divertido, não uma tarefa de casa!

Estávamos na minha casa, e Lene estava insistindo para eu me arrumar para a festa do Frank de 17 anos. Eu tinha dito que não ia, justamente por não ter tempo, mas isso era uma grande mentira.

A verdade é que James iria na festa, assim como todo mundo do Ensino Médio que estuda em Hogwarts, e Mary McDonald confirmou presença. Eu realmente não precisava ver os dois juntinhos, não agora.

-Lene, é sério, nós vamos gravar "Count on me" depois de amanhã e eu preciso estar afinadíssima! Não posso errar nada, e para isso, eu preciso ensaiar.

-Eu entendo isso, Lils –ela disse, sentando ao meu lado na cama –mas você também precisa se divertir! São as nossas férias do Ensino Médio, e eu quero aproveitar isso com a minha melhor amiga. Ano que vem já estaremos no último ano! –e ela me lançou aquela carinha de pidona em que ninguém no mundo conseguia negar.

-Tudo bem, tudo bem –ela deu um gritinho animado.

-Vamos nos arrumar lá em casa porque as amigas da Petúnia vieram se arrumar aqui –ela foi em direção ao meu closet –a Alice está vindo também. Vamos fazer uma tarde das meninas!

-Claro, Lene –revirei os olhos, seguindo ela –esse não! Tá doida? –apontei para o vestido que ela segurava –é muito curto e decotado!

-Ok, ok –ela revirou os olhos –mas você vai arrasar nessa festa, então não inventa de ir de moletom, mulher.

-Eu vou de vestido, mas um menos decotado –ela assentiu, pegando cinco vestidos.

-Estou levando esses aqui, então pega aqueles três saltos –ela apontou para os mais altos que eu tinha e eu bufei –você vai com um deles, Lily Evans.

-Não, eu vou de tênis –discordei, pegando três opções –e não se fala mais nisso.

Eu tinha alguns saltos pois minha mãe era viciada, não saía de casa sem, e os que ela não queria mais, iam para mim e Petúnia. Eu não os usava e nem fazia questão, mas minha mãe disse que era importante ter alguns pretos, nude, dourado e prata, caso tivesse alguma festa.

-Que mau gosto –resmungou –agora pega os brincos, a sua base, seu pó e seu corretivo. Não tenho nada tão branco quanto você lá em casa.

-Precisa mesmo me chamar de pálida? –peguei o que ela pediu.

-Precisa –ela concordou –agora pega os acessórios e vamos!

Peguei um par de brincos discretos e um colar delicado que dizia "ruiva", um presente de James do meu último aniversário. Ele disse que Lily era como todo mundo me chamava, mas "ruiva" era algo só dele quando me deu.

James. James. James.

Acho que vou enlouquecer de vez se continuar pensando nele com tanta frequência. Se é que já não enlouqueci!

Continuar na banda com ele parecia ter se tornado uma tortura, principalmente quando estávamos ensaiando a nossa música. Sempre que olho para ele enquanto cantamos, ele me lança uma piscadela e um sorriso que ele só reservava para mim. O sorriso torto. Ah, se ele soubesse o quanto as minhas pernas tremem quando ele faz isso.

Eu até pensei em começar a evitá-lo, mas eu não consegui pensar em uma boa desculpa para isso. E James me conhece melhor do que eu gostaria, de forma que contar uma mentira estava fora de cogitação.

Agora nessa festa...eu tenho até medo do que isso vai virar! Mary estará lá, e eu não sei se consigo vê-los juntos sem chorar ou vomitar. Ou os dois.

-Lily, o Aluado aqui é o Moony, para de pensar tanto, saia desse mundo da lua e vamos! –Marlene me repreendeu, me empurrando para fora do quarto.

Esses apelidos esquisitos desses meninos eu nunca entendi direito. Afinal, para criar algo assim, precisa de muita imaginação. Moony foi criado já que ele está sempre pensativo, sempre em outro mundo, no mundo da lua. Padfoot é porque ele é um cachorro que só brinca com o sentimento das mulheres. E Prongs, eu nunca entendi exatamente. Algo a ver com ele ser um veado e só pensar em uma menina o tempo todo.

Uma menina. Mary. E o que faz menos sentido ainda, é que ele não estava com ela quando criaram o apelido. Na verdade, ela nem estudava em Hogwarts. Talvez James tivesse interessado em outra na época. Será que ele gosta das duas?

Assim que chegamos no quarto de Lene, espalhamos tudo em cima da cama. Alice se juntou a nós dois minutos depois, cheirosa e com os cabelos molhados.

-Vocês nem tomaram banho? –chocou-se, tirando as roupas da mochila.

-São 16hs, amiga –revirei os olhos para ela –a festa é daqui quatro horas!

-Estamos atrasadas! –exclamou Lene, indo para o banheiro tomar banho.

Alice começou a secar o cabelo enquanto eu esperava a minha vez de entrar no chuveiro. Como Lene e eu somos amigas há anos, fazemos questão de deixar roupas íntimas uma na casa da outra, para situações como essa e festas do pijama de emergência.

A última emergência que tivemos foi quando Alice e Frank brigaram feio, ficando uma semana inteira sem conversar. Ela ficou tão arrasada que tivemos a obrigação de fazer uma noite das meninas para distraí-la.

-Então –comecei, quando ela parou com o secador para mover uma piranha para a outra mecha do cabelo –como vai ser essa festa?

-Como assim, Lily? –ela me olhou sem entender –Uma festa como qualquer outra!

-Não, mas...agora eles estão no último ano Ensino Médio! Os pais dele estarão lá?

-Não, eles viajaram –bufei.

-Viu? Uma festa de terceiro ano do Ensino Médio não tem pais! –ela revirou os olhos. –Você só não está impressionada porque ele é um ano mais velho e você já foi a várias festas dos amigos mais velhos dele.

-É, pode ser –nós rimos –mas o que você quer saber exatamente? Vai ter bebida, vai ter jogo da garrafa, vai ter 'Eu nunca'. –gemi.

-Eu detesto esses jogos. Eu sempre acabo falando algo bem constrangedor ou ficando com um cara nada a ver –ela riu.

-Ai, Lily, foi só uma vez! E Severus Snape não é tão feio –bufei.

-O cabelo dele escorria óleo! –ela gargalhou –Não foi nada divertido! E ele babou.

-Quem babou? –perguntou Lene, saindo do banheiro com um roupão –Lils, toma banho rápido, não temos muito tempo.

-Severus Snape babou –respondeu Alice rindo.

-Ai, eu fiquei com tanta dó de você, Lily –gargalhou Lene –Sua cara de nojo quando ele saiu de perto! E você ainda foi boazinha e demonstrou que gostou pro cara não passar vergonha!

-Não me façam lembrar dessa cena –fiz uma careta, indo tomar banho.

-Acho que o Sirius ajuda a gente a organizar a roda –ouvi Lene murmurando para Alice enquanto abria a porta devagar para não me perceberem, quando acabei o banho.

-Claro que ajuda, mas você acha que vai funcionar? É claro que eles se gostam e são absurdamente adoráveis, mas...ah, oi Lily –Alice corou ao me ver na porta.

-De quem vocês estavam falando? –cruzei os braços.

-Da Mary com o...-interrompi Lene, antes que ela dissesse "James".

-Já entendi –bufei –agora vamos, estamos atrasadas –elas se entreolharam, tentando entender a minha mudança súbita de humor –Lene, você faz a minha maquiagem?

-Claro, Lils –ela me olhou estranhamente –mas vai secando o cabelo primeiro que eu vou passar um babyliss no meu. –assenti.

Alice ficou quieta, continuando a pintar as unhas de vermelho. Logo após, com o cabelo seco, Lene fez a minha maquiagem enquanto Alice fazia a própria.

Quando estávamos de cabelo, unhas e maquiagem prontos (três horas e meia depois), fomos para a escolha de roupas, que foi definitivamente a mais difícil para mim. As duas já ficaram maravilhosas logo na primeira opção: Lene com um vestido justo e vermelho, que acentuava suas curvas e não era muito curto e Alice com uma saia preta justa e um body rendado, com uma jaqueta de couro por cima.

Combinando com os looks, elas usaram, respectivamente, salto alto nude e uma bota de salto preta. Elas estavam divinas! Já eu...nada me agradava.

-Lily, mas esse vestido ficou lindo! Preto ficou bem em você –disse Alice, pela milésima vez.

-Lice, é muito justo! –Lene revirou os olhos.

-Ok, larga de ser tão santinha! Você não quer arrasar uns corações hoje? –bufei.

Só tinha um coração que eu queria arrasar e ele definitivamente não me olharia dessa forma.

-Ou será que você não quer que ninguém te olhe como mulher ao invés de te olhar como a criança que conhece há anos? –arregalei os olhos.

-Lene, -comecei, sentindo a respiração falhar –não sei do que você está falando.

-Ok –interrompeu Alice, antes de Marlene replicar –esse não. Mas olha esse verdinho aqui, Lils! Eu trouxe como uma opção para mim, mas já que não vou usar mesmo, experimenta.

Bufando, vesti o macaquinho verde água que Alice me entregou.

-Lily, é esse! –Marlene soltou um gritinho.

-Você ficou linda! –exclamou Alice, sorrindo.

Fui para frente do espelho e me olhei, arregalando os olhos ao ver meu reflexo. O macaquinho era curto o suficiente para mostrar as minhas pernas branquelas, mas longo o suficiente para ser discreto. Ele era decotado o suficiente para mostrar que eu tinha peito (que eu tentava esconder desde os 13 anos, quando eles começaram a crescer), mas conservador o suficiente para ninguém visse nada demais. Era perfeito.

-Alice, é lindo! –ela bateu palmas animadas –Vou com ele mesmo.

-O salto dourado que você tem em casa vai ficar perfeito com ele, Lils –disse Lene.

-Eu vou de All Star –resmunguei, calçando o tênis –Nada de salto! Eu já tropeço o suficiente sem eles.

Alice riu baixinho.

-Preciso concordar com a pequena ruivinha, morena –comentou ela –Não queremos que o desastre com o macarrão se repita –Marlene riu alto.

-Eu nem estava lá, mas o vídeo que o James fez foi sensacional!

-Vocês nunca vão esquecer isso? –resmunguei, colocando o colar.

-Nunca –responderam em uníssono, rindo mais ainda.

-Chega de rir da minha cara e vamos –falei quando elas se acalmaram, pegando a minha bolsa branca –Já são 20:15.

-Vamos –Alice pulou da cama, animada –Frank deve estar me esperando.

Pegamos uma carona com Paul, pai de Lene, e elas entraram na casa de Frank, de onde saía uma música alta e várias luzes coloridas. Após terminar a ligação com o meu pai, segui para dentro da casa.

10 de agosto de 2017.

James.

-Elas já chegaram? –perguntei a Remus, pela terceira vez desde que entramos na festa.

-Eu não vi, Prongs –bufou –Você faz justiça ao seu apelido cada vez mais, hein veadinho?

Bati em sua cabeça com força.

-E para quem anda no mundo da lua, Moony, você anda reparando demais em mim –ele bufou novamente.

-Elas chegaram –disse Sirius, sorrindo para a porta –A Mckinnon arrasou no visual hoje, hein? Quem será a próxima vítima?

Olhei para a porta pela primeira vez desde que elas passaram por ela, e precisei concordar com Padfoot. Marlene veio querendo arrasar algum coração! Alice não ficou muito atrás, visto que o aniversariante olhava para ela de olhos arregalados e queixo caído.

-Caramba –o ouvi murmurar, quando nos aproximamos –Alice, você está fantástica! –ela corou.

-Você gostou? –sussurrou constrangida.

-Você está linda –ela sorriu para o namorado, o beijando. Revirei os olhos.

-Olá, meninos –Lene nos cumprimentou sorrindo –Vocês estão gatos!

Eu não sei os outros dois, mas eu estava gato mesmo! Vesti uma calça preta jeans, um tênis Vans vermelho que combinava com a minha camisa também vermelha, de gola polo. Peguei um relógio de ouro, que era herança de família e me senti o maior idiota do mundo por fazer tudo isso só para ser notado por ela.

-Você também está gata, Lenezinha –Sirius piscou para ela –Que tal você arrasar o meu coração hoje ao invés de um dos babacas que vierem?

-Sirius Black, se controle –Lily resmungou, entrando na festa –Nada de pegar a minha amiga.

Lily estava...uau! Aquela coisa verde que era uma mistura de vestido com shorts destacava a cor dos olhos dela absurdamente. E acho que essa foi a primeira vez que eu a vi de maquiagem. Ela não precisava usar, claro que não, era linda de qualquer jeito, mas com aquela quantidade sutil que dava um corzinha na sua pele branquela a deixava...maravilhosa.

-Lily, você está...-fiquei sem palavras a olhando.

Remus me deu uma cotovelada forte e eu tossi, me recompondo.

-Você está linda –completei fracamente, a fazendo sorrir.

-Obrigada, James. Você também não está nada mal. –nós rimos.

-Preciso concordar com o veado, Lils –se intrometeu Sirius –Eu nunca te vi tão arrumada. Você está fantástica!

-Obrigada –corou.

-James! –me senti sendo abraçado por alguém com cabelos escuros e crespos –Nossa, eu não te vejo há mais de um mês! Caramba, você cresceu! E está lindo! Andou malhando?

-Ah, oi Mary –sorri para a minha amiga, quando ela me soltou –Você viu? Estou mais gato ainda, e ninguém achava que isso era possível –ela riu.

Mary McDonald era uma amiga minha atualmente. Não éramos de ficar mandando mensagem um para o outro nem nada assim, mas conversávamos na escola quase todos os dias. Ela era alta, pelo menos uns 15cm mais alta que a pequena ruiva, que tinha só 1,55m. Tinha cabelos encaracolados e a pele negra. Era linda e todo mundo via isso. Ela dificilmente passava sem ser percebida.

Ano passado passamos um tempo "namorando". Nós ficávamos, conversávamos, mas nunca desenvolvemos sentimentos sérios um pelo outro, de maneira que o "término" foi tranquilo e continuamos amigos.

Agora estamos mais próximos porque ela me revelou que está gostando de Remus e me pediu ajuda para dar oportunidade para os dois conversarem. Como Moony é meio tímido, e eu já notei que gostava dela mesmo que minimamente, eu concordei com a ideia.

-Ah, Jimmy, não seja tão metido –nós rimos.

-Oi, Mary –Lene se intrometeu na conversa –Você está linda.

-Marlene! –elas se abraçaram –Você é que está, gata. Vermelho, hein? Quem é o pobre coitado da vez?

-Acho que sou eu –Sirius disse, suspirando de forma dramática.

-Ah, Pads, de coitado você não tem nada, cachorro –ele latiu com o meu comentário, brincando.

-Preciso concordar com o Jimmy –Mary continuou –Acho que nessa relação aí, não tem pobre coitado nenhum.

-Não tem nenhuma relação aqui –Marlene revirou os olhos –Cachorro, me deixa em paz e vai correr atrás de outro pedaço de saia.

-E você acha que eu vou conseguir depois de ter olhado para você, linda desse jeito? –Marlene bufou.

-Black, deixe a Lene em paz –disse Lily –Já te falei, minhas amigas não.

-Ah, qual é Lily –a ruiva estreitou os olhos para Mary –eles formariam um casal bonitinho.

-Você acha? –Lily trincou os dentes. Essa irritação toda só pelos flertes de Sirius? Essa ruiva na TPM é difícil, hein? –Fácil para você dizer, não vai ter que recolher o coração despedaçado dos dois depois.

-Eu não vou ter meu coração despedaçado –Sirius bufou.

-Muito menos eu –Lene concordou.

-Viu? –Mary apontou, falando com Lily –Nada para se preocupar, ruiva, relaxa.

Todos prendemos a respiração. Lily só deixava uma pessoa chamá-la de ruiva, e essa pessoa era eu. Resolvi interferir antes que ela pulasse no pescoço de Mary.

-Moony, que tal você levar Mary para uma volta nos jardins? O céu está estrelado. Lily, vem aqui –puxei ela pela casa, chegando na cozinha.

-Por que você não me deixou falar nada? –rosnou para mim –Agora ela vai ficar achando que pode me chamar assim! Potter, não precisa defender a sua namoradinha, eu não ia machucá-la. E mesmo que fosse, ela teria alguém para consolá-la depois.

-Lily, eu só queria evitar algo desnecessário –ela bufou desacreditada –é sério. Você iria ser grossa, ela iria ficar irritada, vocês iam discutir...enfim, sem necessidade de armar uma cena no aniversário do Frank.

Ok, pelo jeito que ela está me olhando, não foi a coisa certa de se dizer.

-Armar uma cena, Potter? Você acha que eu iria armar uma cena? –cruzou os braços.

-Ruiva, eu não quis dizer assim. Eu só queria evitar qualquer discussão!

-Tá bom, James Potter –ela virou as costas para mim e pegou um copo em cima do balcão, bebendo tudo em um gole só.

-Lily, o que você bebeu? Tá louca? A gente não bebe as coisas sem saber o que é! –retirei o copo da mão dela, cheirando. –Isso é cerveja, sua maluca.

-Ótimo –ela resmungou, saindo do cômodo.

Tentei ir atrás dela, mas a festa já estava cheia. Encontrei um monte de conhecidos no caminho, que vieram me cumprimentar e passei um tempo batendo papo com cada um. Eu iria atrás da ruiva depois.

Quando o relógio marcou meia noite, Alice chamou todos para cantarmos parabéns. Cantamos, todos na maior animação, principalmente os que beberam uma quantidade alta de álcool.

-Agora –Frank começou, quando fizemos silêncio –vamos fazer o jogo da garrafa! –ouvi gritos animados e procurei Lily pelo olhar.

Droga, nem com o cabelo chamativo dela era fácil de achá-la com a pouca altura.

-Apenas quem namora pode não participar –completou Alice –eu e o aniversariante estaremos só observando!

Foram ouvidas vaias e eu revirei os olhos.

-Façam um círculo –continuou Frank –em volta do tapete. Lice, ponha a garrafa no centro, por favor.

-Vem, Prongs –Sirius me puxou, sentando na rodinha que estava se formando.

Procurei Lily com os olhos novamente para finalmente achá-la conversando animadamente com Lene, afastada de nós dois. Sorri para ela, que quando me viu, revirou os olhos. Ok, ela ainda estava brava.

-A primeira rodada vai ser –Alice gritou, rodando a garrafa –de Edgar Bones e Hestia Jones!

O casal engatinhou para o meio da roda, dando um selinho rapidamente.

-Que beijo mais sem graça –gritou Sirius –Você faz melhor que isso, Bones!

Edgar olhou para o meu amigo com raiva, mas enlaçou Hestia e a beijou com vontade. Eles foram aplaudidos.

-Benjy Fenwick e Mary McDonald –chamou Alice.

Lily dessa vez gritou animadamente e a olhei confuso. Ela me viu a observando e estreitou os olhos para mim. O que eu fiz?

-Gideon Prewett e Amelia Bones!

Mais alguns nomes desconhecidos foram chamados até...

-Sirius Black e Marlene Mckinnon!

Eu vi meu amigo abrir um sorriso malicioso enquanto Marlene bufava, chegando até nós dois.

-Abuse da sua sorte, Black, e James só vai te ver novamente no caixão. –ameaçou.

Sirius revirou os olhos e a beijou de forma feroz. Olhei enjoado para a cena e desviei os olhos para Lily, que fazia uma careta. Nos entreolhamos e rimos. Acho que o humor dela estava melhorando...

-Chega, vocês dois –Frank interrompeu depois de vários minutos. Minutos demais –Depois vocês continuam –os dois riram e se afastaram.

-Remus Lupin e Mafalda Hopkirk!

Remus corou e se aproximou dela, a beijando com delicadeza. Revirei os olhos para a cena.

Mais alguns nomes foram chamados até...

-James Potter...

Senti o coração acelerar e as mãos suarem frias. Fechei os olhos e pensei: "Lily Evans. Lily Evans. Lily Evans".

-Emmeline Vance! –meu queixo caiu e eu tive que me controlar para não resmungar.

Me aproximei de Emmeline e dei um selinho nela, de forma rápida. Quando ia me afastar, os dedos dela se enroscaram no meu cabelo e me puxaram para mais perto, de forma que fosse impossível me afastar sem ser grosseiro. Deixei que sua língua entrasse na minha boca apenas para diminuir o ritmo do beijo e sair de perto dela.

Voltei para o meu lugar atordoado. Procurei Lily com os olhos, mas ela e Marlene não estavam mais ali. Me virei para Pads:

-Cadê ela? –ele engoliu em seco.

-Levantou e saiu, Lene foi atrás dela –xinguei baixo –Vai lá, idiota.

Levantei e fui para o jardim a procura de Lily, contudo, ela não estava lá. Nem na cozinha. Nem na sala em que todos jogavam. E nem em nenhum cômodo disponível da casa.

-Droga –praguejei pela décima vez –Cadê você, Lily?

Mas eu a achei, fora da casa e sentada na calçada, beijando um cara. Lily. Beijando. Cara qualquer. Beijando. Na boca. Merda.

-James –senti uma mão em meu ombro e olhei para Lene –vamos voltar para a festa. Deixa ela aí –ela me puxou e eu estava tão atordoado que a segui.

Lily. Beijando. Cara idiota. Um idiota que não era eu. Beijando. Lily. Na boca. Merda.

~ J&L ~

Gostaram? Sem música dessa vez, mas acho que tem um ciúme se instalando...

Mylle Malfoy: Muuuito lerdos, né? Trouxas demais hehehe! E será que teremos um Shawn Mendes por aqui? Vamos ver nos próximos capítulos! Obrigada pelo carinho de sempre! Beijos e até sexta que vem!