12 de agosto de 2017.
Lily.
-ISSO ESTÁ HORRÍVEL! –ouvi Lene gritar mais uma vez –Podem parar! Não vai dar para gravar com vocês cantando desse jeito.
-O que está errado dessa vez, Marlene? –James perguntou, arrepiando os cabelos, em um gesto de irritação.
-Tudo! –ela exclamou, abrindo os braços –Está um clima horrível nessa sala! Horrível! Vocês estão totalmente fora de sintonia! A Lily não levanta a cabeça nenhum segundo, você está cantando como se estivesse dizendo "eu estou irritado e entediado", Sirius pegou toda a raiva de vocês dois e colocou na bateria e o Remus está olhando como se não soubesse o que está acontecendo!
-Eu realmente não sei o que está acontecendo –ouvi Remus se defender.
-ÓTIMO! –berrou Sirius –Vocês são todos uns idiotas –ouvi o barulho de uma porta bater e imaginei que Six tivesse saído por ela.
-Lily, tem como você levantar a merda da cabeça e me contar o que está acontecendo? –Marlene me perguntou, e eu levantei os olhos para observá-la.
-Eu não sei –respondi.
-Ah, não sabe? –o tom sarcástico de James não passou despercebido.
-Não –o olhei com raiva –eu não sei. Você está sem olhar na minha cara desde a festa e eu não sei a droga do motivo!
-Oh –Remus disse, olhando para nós dois –acho que eu peguei o que houve.
-Pegou o que? Não tem nada para pegar aqui! –James resmungou.
-Ok –Marlene suspirou –a gravação será adiada. Vocês dois vão conversar e eu vou falar com o Sirius.
-Eu vou com você –disse Remus, saindo com ela.
Suspirei pesadamente, sentando no pufe que ficava o outro canto da sala, longe dos instrumentos.
Vi pelo canto do olho James organizar os instrumentos e sentar no chão, longe de mim.
Eu não estava entendendo o que estava acontecendo, afinal, desde os sete anos, quando nos conhecemos, nós nunca ficamos mais do que 12 horas sem conversar. Nunca. E agora, ele não olhava na minha cara e eu nem sabia o porquê.
E se tinha alguém com o direito de estar brava, essa pessoa era eu. James beijou Emmeline Vance. De todas as pessoas, Emmeline Vance.
Tudo bem que não foi exatamente culpa dele, mas mesmo assim. Era Emmeline! A vaca da Vance! A prima maldosa da Marlene que implicava com nós duas sempre que nos via.
A louca que colocou o pé para eu tropeçar, que coloca até hoje a família toda de Lene contra ela, que nos prendeu no banheiro, e que beijou todos os namorados e ficantes que eu já tive enquanto eles ainda estavam comigo. Essa vaca beijou James! E ele a beijou de volta!
Flashback – 11 de agosto de 2017 – 01:43h.
A cena passou na minha cabeça em câmera lenta, e eu só consegui reagir quando vi os lábios se encostando, saindo correndo para qualquer outro lugar que tivesse ar. Eu precisava de ar. Me sentia claustrofóbica.
Lene veio correndo atrás de mim, mas quando me achou, já era tarde demais.
Eu, Lily Evans, a ruiva certinha, e que nunca tinha bebido na vida até então, virei uma garrafa de Vodca. Não uma inteira, ela já estava quase na metade, mas mesmo assim.
-Lily? Meu Deus! –ela exclamou, tirando a garrafa das minhas mãos –Você perdeu o juízo?
-Não. Ele perdeu o juízo –solucei –ele perdeu. Ele beijou. Beijou a vaca. Vance Vaca. Vaca Vance. Namorada de James. –falei tudo isso rapidamente, soluçando entre as palavras e cambaleando para fora da casa.
-Lily, amiga, não fica assim. Foi só um jogo. Eles não estão juntos –Lene me segurou firme, para que eu não caísse.
-Ainda. Eles vão namorar. Idiota. Imbecil –xinguei.
-Evans? Você bebendo? –ouvi uma voz mais a frente, mas estava tudo tão embaçado que eu não enxerguei quem era –Mckinnon? O que está acontecendo?
-Diggory –Lene cumprimentou –Por que não está lá dentro?
-Eu acabei de chegar –ele se aproximou –Quanto ela bebeu?
-Uma garrafa de Vodca –ouvi o garoto arfar.
-Ela enlouqueceu? Tá querendo entrar em coma alcóolico? É a primeira vez que ela bebe?
-Chatos. Vocês dois –me desvencilhei de Lene e fui andando para a rua –Todo mundo bebe. Todo mundo bebeu. Mas Lily Evans não pode! Ela não pode! Ela é muito nerd para beber!
-Não é isso, Lily –os dois me alcançaram rapidamente –Amiga, você nunca bebeu uma lata de cerveja antes, e bebeu uma garrafa de Vodca de uma vez hoje!
-E daí? –resmunguei, me jogando na grama que ficava na frente da casa –Ele bebeu.
-Ele quem? –Diggory perguntou –Tudo isso é por um garoto?
-Não, Amos. Deixe ela comigo e vai para a festa –vi Lene o empurrar.
-Eu não vou deixar duas garotas na rua bêbadas às duas da manhã! –ouvi ele exclamar.
-Eu não estou bêbada –Lene trincou os dentes –Ela está. E eu posso cuidar dela.
-Ok –Amos suspirou –eu vou pegar uma garrafa de água para ela. Não saiam daqui. –revirei os olhos.
-Eu estou bem –resmunguei.
-Eu estou vendo, ruiva –Marlene sentou ao meu lado e o garoto entrou na casa.
-Não me chame de ruiva. –ela bufou.
Ficamos um tempo em silêncio até Amos voltar, com a garrafa em mãos e empurrando para mim.
-Eu não quero –recusei, de forma não muito entendível.
-Ela quer –Lene afirmou –Beba, agora –bufei.
-Não –fechei os olhos, e a cena do beijo apareceu em minhas lembranças. Por que aquilo doía tanto?
-Vai te fazer bem –Amos sentou do meu outro lado –É serio. Confia em mim. –abri os olhos e o fitei por um instante.
E por algum motivo, talvez pelo jeito que ele me olhava, de forma terna e carinhosa, eu confiei. E eu bebi a garrafa rapidamente.
-Eu vou pegar mais –Lene entrou para a casa.
-Então –ele começou, depois de um minuto de silêncio –Quem é ele? Tem que ser muito importante para fazer Lily Evans beber. –eu ri pelo nariz. Eu me sentia menos bêbada.
-Um idiota qualquer –dei de ombros.
-Não é um idiota qualquer, Evans. É o Potter, né? –arregalei os olhos e tentei disfarçar meu nervosismo –Todo mundo sempre soube que ia rolar alguma coisa entre vocês. A escola toda já fez apostas de quando seria isso.
-O quê? –a informação, o álcool e a cena de James beijando Vance me deixaram tonta. Muito tonta.
-Ei, calma –ele colocou as mãos na minha cintura, para que eu não caísse deitada –Desculpe, eu não devia ter dito nada.
-Tudo bem –murmurei, colocando a cabeça no ombro dele. Não tinha forças para discutir.
Tinha alguma coisa nele, que me fazia confiar. Que me fazia ter certeza que estava tudo bem. E por isso, eu abri a boca e comecei a contar o que aconteceu.
-Deixa eu ver se eu entendi –ele disse depois que eu joguei tudo nele –Vocês são melhores amigos desde sempre, você se apaixonou por ele, não é correspondida porque ele gosta de Mary McDonald e ele beijou a sua inimiga Emmeline Vance no Jogo da Garrafa?
-Exatamente –suspirei.
-Isso é uma merda –disse com sinceridade e eu ri.
-É mesmo. E eu não acredito que eu bebi Vodca. Aquilo tem um gosto horrível, sabia? –ele assentiu, sorrindo –Como vocês tomam aquilo? Como eu consegui tomar aquilo?
-Acho que depois do primeiro gole você se acostuma –deu de ombros.
-Você é legal, Diggory –disse sorrindo. Ele sorriu de volta.
-Você também é, Lily Evans. –ele suspirou antes de continuar -Eu sempre te vi como a certinha da escola, que é popular, inteligente, não quebra regras. Mas você não é isso. Quero dizer, é sim. –isso era para ser um elogio? –Você é nerd, certinha, mas...é muito mais que isso. Você é meio sem noção, espontânea e extremamente impulsiva –o olhei incrédula por um tempo até começar a rir. Ele me chamou de impulsiva? –Eu estou impressionado com você, Evans.
-Ninguém nunca me chamou de impulsiva antes. –ele me lançou um sorriso de lado. Como eu nunca tinha reparado na beleza desse garoto? –Deve ser porque essa foi a primeira vez que eu fui impulsiva –ele me deu um empurrãozinho de leve.
-Bom, já que eu só estou conversando com você hoje porque você foi impulsiva e bebeu para caralho, então seja assim mais vezes –eu não tive como não sorrir.
O fitei por um tempo. Amos Diggory é um garoto um ano mais velho que eu, da sala de Frank, e eu nunca tinha olhado direito para ele. Ele é alto, uns cinco centímetros a mais que James, de cabelos loiros e lindos olhos azuis piscina, daqueles que te hipnotizam.
Ele faz parte do time da escola, de forma que tenha um corpo desejável e bem atlético, com ombros largos e uma barriga de tanquinho (não que eu já tenha visto, mas pela marcação da blusa colada em seu peito, isso era meio que um fato), é amigo de longa data de Frank e além de tudo isso, como eu notei agora, é extremamente simpático e fofo. Deve ser por isso que todas as mulheres daquela escola correm atrás dele. Ele tinha um charme inegável e natural.
-Eu vou ser –aproximei meu rosto do dele –pronto para uma atitude extremamente impulsiva agora? –baixei os olhos para seus lábios, mostrando as minhas intenções.
-Pronto –ele me olhou de forma carinhosa e determinada.
Nos aproximamos, colando as nossas bocas. E foi bom. Bom como um beijo bêbado. Da minha parte, pelo menos. Não me deu friozinho na barriga, não me deixou toda arrepiada, mas foi bom. Foi seguro. E era dessa segurança que eu estava precisando naquela noite.
-Desculpe –ele murmurou quando nos afastamos –Eu...você bebeu, e eu me aproveitei de você. Desculpe. –ele me olhou com nervosismo, engolindo em seco e apertando os próprios punhos com força.
-Você não se aproveitou de mim –ri pelo nariz, pegando suas mãos para acalmá-lo –eu tô realmente meio tonta e bem bêbada, mas eu estou consciente do que estou fazendo. Quero dizer, desde que eu bebi água.
-De qualquer forma –ele sorriu timidamente, passando o polegar pela minha bochecha. Parecia mais calmo e aliviado–Isso não vai se repetir. Não enquanto você estiver com esse bafo de Vodca –gargalhei, dando um soco em seu ombro.
-Você é rude, Amos Diggory.
-E você é impulsiva, Lily Evans –sorrimos, cúmplices.
-Desculpa interromper –Marlene chegou, limpando a garganta –mas eu preciso que você beba isso.
Peguei a garrafa de água e bebi, me sentindo menos bêbada novamente. Foi um alívio.
-Quer ir para casa? –ela me perguntou, olhando de soslaio para Amos.
-Está cedo ainda, Lene. Não precisa se preocupar comigo, vá jogar lá como todo mundo. Eu vou ficar bem.
-Eu cuido dela –Amos garantiu e Lene o olhou com desconfiança.
-Não, Lily –ela disse com firmeza –Já são mais de duas da manhã. Nós já aproveitamos a festa o suficiente por hoje.
Sabendo que quando ela usava esse tom de voz ela era irredutível, anuí.
-Tudo bem –levantei, tropeçando –Wow, eu estou tonta. –Lene que me segurou, girando os olhos.
-Claro que está, Evans, você bebeu. Diggory, você pode pedir um Uber, por favor? Não quero que meu pai venha buscar a gente e a veja nesse estado. –ela apontou para mim, que estava com dificuldade de ficar em pé.
-Não, eu levo vocês –ele se voluntariou.
-Você nem entrou na festa, Amos –discordei –Fica tranquilo, vamos ficar bem. –eu não estava soluçando mais, mas a minha fala estava lenta.
-Vamos, eu já tenho 17 anos e estou no carro do meu pai. É mais seguro que deixar vocês duas com um desconhecido.
-Você tem carteira? –ele assentiu –Ok, então vamos aceitar a oferta.
-Obrigada –agradeci, sorrindo levemente. Ele me olhou e sorriu de volta.
-Não há de quê. Só vou falar com o Frank antes, nem dei os parabéns.
-Temos que ir nos despedir também –Marlene concordou.
Fomos em direção à porta da casa, mas no meio do caminho senti meu estômago embrulhando e cambaleei para um arbusto e vomitei.
-Ai, Lily –Lene disse e senti o nojo em sua voz –Pega mais água, Diggory.
Vomitei umas três vezes seguidas, com Marlene segurando meu cabelo. Quando me recuperei, respirei profundamente e suspirei. Olha o que James Potter fez comigo. Não se apaixonem pelo melhor amigo de vocês.
-Aqui –Amos me estendeu a garrafa e eu bebi tudo de uma vez –Mais devagar senão você vai...vomitar –disse a última palavra enquanto eu gorfava mais uma vez. –Eu vou pegar mais água.
-O que está acontecendo aqui? –ouvi uma voz irritada –Lene? Diggory? Lily, você está vomitando?
-Ela bebeu, Sirius –Lene disse calmamente, acariciando meu cabelo –Diggory está nos ajudando.
-Lily bebeu? –ele estava chocado –Eu vou matar o Prongs.
-Não vai matar ninguém, Sirius, e não vai contar isso para ninguém –Marlene o repreendeu.
-Hum –ele ficou quieto por um instante –e enquanto a Lily passava mal você jogava seu charme para o Diggory? –senti o ciúme em sua voz.
Oh, Sirius, não fale uma idiotice dessas.
-Sirius –adverti, mas já era tarde demais. Lene estava puta, com razão, aliás.
-Black, cale a sua maldita boca ou eu vou pessoalmente cuidar para que você seja incapaz de falar novamente. Eu não sou sua namorada, e eu não vou ouvir qualquer merda que você tenha a dizer por um ciúme estúpido, então você se coloque no seu lugar e me respeite –Marlene disse, claramente perdendo a paciência. Essa é a minha amiga!
Ele ficou quieto por um instante, refletindo e respondeu depois de suspirar:
-Desculpe, eu fui um idiota machista e possessivo. Você não mereceu isso, Lene. Foi mal, sério –eles se encararam por um tempo até ela assentir, mostrando que o desculpava –E como você está, Lils? –ele se virou para mim.
-Melhorando –sorri levemente.
-Aqui –Amos estendeu a água para mim quando chegou.
-Obrigada, Amos –sorri para ele, que piscou para mim e bebi um gole da água –Vou com calma dessa vez, eu juro –ele riu.
-Podemos ir? –Lene se pronunciou depois que eu dei mais uns goles e aparentava estar melhor –Acha que consegue aguentar dez minutos de carro, Lily?
Pensei por um instante, e quando senti meu estômago embrulhar só de pensar em estar em um carro em movimento, percebi que não iria rolar.
-Não consigo –disse com sinceridade –Podemos ir a pé?
-Eu acompanho vocês –Amos se voluntariou novamente.
-Não precisa –garanti, tocando em seu braço –você já fez muito por mim. Entra na festa e aproveita!
-Não posso deixar vocês duas sozinhas assim –ele cruzou os braços contrariado.
-Não vai deixar –disse Sirius –eu levo as duas.
-Six –comecei –não precisa. Nós podemos nos virar. E vocês esqueceram onde nós moramos? Não tem perigo aqui! –eles me olharam céticos.
-Claro que tem –Sirius falou –Tem babacas como os Malfoy, Mulciber e Lestrange soltos por aí. Não vou deixar vocês sozinhas.
-Tem certeza? –mordi o lábio inferior –Eu não quero te atrapalhar.
-Vocês são as minhas melhores amigas –incluiu Lene, que o olhou com menos agressividade agora –Não me atrapalham.
Assenti, e olhei para Lene, que também concordou.
-Obrigada por tudo, Amos –o abracei –De verdade.
-Não há de quê, Lily –ele sorriu com carinho. –É...você pode, hum –ele hesitou, corando –me passar seu número?
-Claro –sorri, pegando seu celular e salvando o meu contato –De novo, obrigada por tudo. Me manda mensagem depois –ele anuiu, me abraçando e dando um beijo de leve em minha testa –Vamos? –chamei os dois, que nos olhavam em uma mistura de curiosidade e estranhamento.
-Vamos –Lene respondeu, puxando nós dois –Até mais, Diggory.
Tempo atual – 12 de agosto de 2017 – 16:22hs.
-Lily, eu...-James começou, me tirando do transe –Por que você não me contou? –o olhei sem entender.
-James, eu honestamente não sei do que você está falando –ele respirou fundo.
-Amos Diggory –disse, passando a mão no cabelo –Eu vi vocês se beijando. –abri a boca, em espanto.
-Ah –foi só o que eu consegui dizer.
James tinha visto? É por isso que ele estava todo esquisito sem falar comigo? Ele estava com ciúme? Ou com raiva por eu não ter contado do meu suposto interesse no cara? É, tá mais para a segunda opção.
-Vocês estão juntos? –perguntou depois de um tempo de silêncio.
-Não, foi só um beijo –sua expressão suavizou instantaneamente.
Eu não precisava dizer que ele estava me mandando mensagem todo dia e que estávamos nos falando 60% do nosso tempo, né?
-Então você não está namorando? –neguei –Porra, eu sou um idiota. –puxou o cabelo com força.
-Para, James –me aproximei rapidamente, tirando a mão dele do cabelo e a segurando. Me arrepiei com o contato. Frio na barriga, frio na barriga –Já te disse que não gosto quando você faz isso. Você vai ficar careca um dia –ele riu.
-Desculpe –murmurou, olhando rapidamente para as nossas mãos entrelaçadas.
Corei e soltei-a rapidamente, desviando o olhar.
-O que aconteceu? –perguntei por fim –Por que você está me evitando?
-Eu...não sei –ele suspirou, colocando a cabeça no meu colo –Acho que eu fiquei com raiva achando que você estava namorando e todo mundo sabia, menos eu.
-James, você sempre foi a primeira pessoa a saber quando eu iniciava um namoro. Por que agora seria diferente? –o olhei com firmeza, mexendo em seu cabelo.
-Eu não sei –suspirou, fechando os olhos –Fui irracional, desculpe. Acho que fiquei com ciúme.
-Ciúme? –repeti a palavra em choque. Ele engoliu em seco.
-É –ele confirmou –Não queria perder a minha melhor amiga –ah, esse tipo de ciúme.
Como eu pude pensar que ele me enxergava de outra maneira?
-Você não vai me perder, nunca. Principalmente por um namorado –ele sorriu.
-Igualmente –ele prometeu –Eu nunca vou te abandonar, ruiva. Me perdoa por ter sido um idiota?
Sorri involuntariamente para os olhos castanhos esverdeados do meu amigo, que brilhavam com esperança.
-Perdoo, seu grande idiota –ele riu, sentando e me puxando para mais perto –Agora me dá um abraço.
Quando pensei que ele iria me abraçar, ele se levantou com rapidez, me puxando em seguida para ficar na sua frente, em pé.
-É para já –ele enlaçou seus braços em minha cintura e me levantou, nos rodando.
Ele começou a fazer isso quando fizemos nove anos, assim que ele finalmente ficou mais alto que eu. Agora, ele tem 1,85m e é 30cm mais alto. Oh, o mundo dá voltas. Quem iria imaginar que aquele garotinho que eu conheci aos sete anos e era o mais baixinho da turma chegaria nessa altura um dia?
-JAMES –gritei, gargalhando alto –assim você vai derrubar alguma coisa!
-Eu sou cuidadoso, ruiva –disse quando me colocou no chão –Não saio por aí tropeçando e derrubando as coisas, diferente de certas pessoas.
Dei um soco em seu ombro, rindo. Ele realmente nunca ia esquecer aquela história, mas naquele momento, eu não podia me importar menos.
-Sorvete? –me ofereceu seu braço, como um cavalheiro.
-Sorvete –concordei, pegando o braço oferecido.
Assim que chegamos na sala da casa dos Mckinnon vimos nossos amigos sentados no sofá, conversando baixo, acho que para não escutarmos. James limpou a garganta, chamando a atenção deles.
-Desculpe por ter sido um grande babaca com vocês hoje –ele disse –especialmente com você, Pads. –ele e Sirius se encararam –Eu não deveria ter dito aquelas coisas, não foi justo jogar o meu mau humor em cima de você.
Sirius levantou, aproximando de nós dois com uma expressão irritada.
-Eu não vou aguentar suas merdas de novo, Prongs. Da próxima vez, você resolva seus problemas antes de jogar tudo em mim como se fosse minha culpa –ele disse duramente, dando um soco no estômago de James, que arfou.
-SIRIUS! –Lene exclamou, vindo rapidamente para o nosso lado.
-Deixa, Lene –Remus interferiu, parado entre os dois e os olhando com um semblante sério.
-Você está bem? –perguntei para James, que estava se recompondo.
-Estou –respondeu sem me olhar –Eu sei, Pads. Não vai mais acontecer.
Sirius se aproximou, a expressão suavizando.
-Idiota –eles se abraçaram com força e eu sorri. A amizade desses dois era meio doida, mas era linda.
-E desculpe por ter estragado o clipe –James continuou, dessa vez olhando para Lene e Remus.
-Todos nós estragamos –Remmy revirou os olhos –Deveríamos ter resolvido tudo antes de começar a tocar.
-Deveríamos –Lene concordou –Mas agora já está tarde. Deixamos a gravação para outro dia.
-Sorvete? –perguntei, me pronunciando e recebendo sorrisos em resposta.
-Sorvete! –disseram em uníssono, rindo e saindo da casa.
15 de agosto de 2017.
James.
-Vocês que escreveram isso? –Frank perguntou, quando terminamos de ensaiar "Count on me".
-Sim –Lene respondeu –Lily e James, na verdade. Eles são muito talentosos.
-São mesmo –Alice concordou, dando pulinhos animados –Não acredito que vocês só me contaram agora que as músicas eram autorais!
-Só duas são autorais –falei com calma –o resto são alguns covers.
-Não importa –fez um gesto displicente –posso ajudar vocês? –seus olhos brilharam –Por favor? O Frank ajuda a Lene a organizar tudo e eu ajudo nos looks para os clipes! Ah, eu posso ir atrás de uns lugares para vocês tocarem!
-Lugar para tocar? Alice, você não acha que está exagerando? –Lily perguntou, olhando para a amiga com paciência.
-Ela não está –interferiu Sirius –Precisamos mesmo nos apresentar, Lils.
-Não agora –falou Remus –Ainda está cedo. Temos o que? Uma semana de banda?
-Tá, a gente resolve isso depois –Marlene disse –Está na hora de arrumar tudo para gravar o clipe. Alice, você vai ajudá-los a ficarem lindos e maravilhosos. Tem que ser um look bem clean, já que essa parte vamos gravar no parque e na sorveteria. Frank, você fica aqui e me ajuda com as câmeras. Inclusive, temos que agradecer o seu pai por ter deixado você comprar essas duas câmeras caríssimas, James –eu bufei.
-Lene, ele nos ouviu tocar, achou que nós temos talento, tem um amigo que mexe com essas coisas, pediu umas dicas e nos deu de presente o equipamento. Sério, ele está tão feliz com isso quanto a gente, então não precisa agradecer –eles reviraram os olhos.
-James –Lily me chamou –nós estamos muito agradecidos por ele confiar na gente para isso e apoiar nosso sonho maluco. Por mais que você esteja sendo modesto, nós precisamos sim, agradecê-lo.
-Tá bom –foi a minha vez de revirar os olhos –Depois nós preparamos uma torta de limão para ele de presente, pode ser?
-Pode –ela concordou, sorrindo. Linda.
–Enfim –Lene continuou –O resto de vocês, vão para a casa tomar banho e colocar uma roupa que tenha a aprovação da nossa nova consultora de moda –Alice deu um gritinho animado, abraçando a amiga –E Sirius, volta rápido que vamos precisar da sua ajuda –ela o olhou intensamente, e ele assentiu.
Eles estão aprontando alguma, eu tenho certeza disso.
Fomos então cumprir com a tarefa de nos arrumar, eu e os meninos indo todos lá para casa, onde já tínhamos levado umas roupas para vestir. Lily e Alice seguiram para a casa da ruiva.
-Como estou? –Sirius perguntou quando ficou pronto –Particularmente acho que estou maravilhoso, mas não sei o que a doida da Alice vai achar.
-Ei –Alice disse, entrando no meu quarto, com uma cara de ofendida –Eu não sou doida, Sirius Black. E sim, eu aprovo o seu visual.
Sirius estava com uma calça jeans rasgada no joelho, uma polo branca, uma jaqueta de couro que era praticamente seu uniforme e uma bota preta. Ele estava muito Sirius Black.
-Só coloca isso aqui –ela entregou para eles três anéis prateados e uma corrente –dão um chame adicional –Pads revirou os olhos, mas aceitou.
-Agora eu posso ir? –perguntou, se olhando no espelho para arrumar o cabelo mais um vez. Ele era viciado nesse cabelo, fala sério. Era igual ao Jesse, de Full House.
-Pode –ela acenou, olhando para Remus, que estava sem camisa –Remie, que tal uma camisa xadrez? É estilosa e meio nerd –pegou a tal camisa e colocou na frente dele, como se estivesse demonstrando –Que tal?
Ele deu de ombros, pegando a camisa xadrez preta e branca e vestindo-a.
-James, você estava um arraso na festa de Frank –eu ri, sabendo que era verdade.
-Eu estou sempre um arraso, Alice –ela revirou os olhos.
-Metido. Enfim, acho que uma jeans e uma camisa de gola polo, como aquela da festa, fica perfeito. E precisa ser da mesma cor que a da Lily, já que vocês estão fazendo um dueto –assenti, me perguntando como seria a roupa dela. –Então sua blusa precisa ser azul clarinha.
Fui em direção ao meu closet, pegando as três blusas azuis que eu tinha e mostrando para ela.
-Esse tom vai combinar mais –ela apontou para a segunda camisa e eu a vesti rapidamente.
-O que mais eu preciso? –perguntou Remus, que estava sentado na cadeira da minha escrivaninha –Ou eu já posso ir?
-Você tem um All Star de cano alto preto? –ela perguntou, pensativa –Acho que combinaria mais, Rem.
-Não, mas o Prongs tem e ele calça o mesmo número que eu –peguei o tênis no armário e joguei para ele –Valeu.
-Ótimo –Alice bateu palmas animadas –James, usa aquele relógio de novo –meninas reparavam tanto assim no que eu vestia? Como que ela lembrava do relógio que eu usei na festa? –Você fica um charme nele. E tira a lente de contato, fica melhor com esses óculos –bufei.
-Alice, eu detesto essa porcaria –apontei para os óculos que estavam guardados na minha cômoda há alguns meses, desde que passei a usar a lente. Eu era míope desde pequeno, muito míope.
-Mas você fica uma gracinha com ele, Jay –ouvi uma voz na porta do quarto e olhei para Lily, que sorria para mim –Escuta a Alice, você vai ficar maravilhoso.
Eu fiquei muito chocado com a visão dela para conseguir falar alguma coisa. Ela estava, novamente, de tirar o fôlego. Ela passou uma maquiagem muito parecida com a da festa, que destacava a cor dos olhos dela e não era nada exagerada. A diferença, é que dessa vez ela usava um batom vermelho. Porra, ela queria me matar? Como que eu conseguiria me concentrar em qualquer coisa com ela daquele jeito? Com esses lábios totalmente beijáveis na minha frente destacados desse jeito?
Sem contar a roupa que ela estava usando. Era uma espécie de maiô, só que não era usado para entrar na piscina (Lene já tentou explicar isso para o Sirius mais vezes do que eu podia contar) azul, da mesma cor que a minha blusa, e era colado no corpo dela. Muito colado. Colado demais para o meu próprio bem. Quando ela arrumou todas essas curvas?
Ela usava uma saia também, meio rodadinha preta, e uma bota de salto da mesma cor. Certeza que essa bota foi ideia da Alice. Lily detesta salto, sai tropeçando em tudo e cai quase toda vez. Porém, acho que ela andou praticando, parecia bem equilibrada naquele negócio hoje.
Seus longos cabelos estavam alisados, com as pontas cacheadas e com uma parte presa em uma trança delicada. Essa mulher vai gerar um ataque cardíaco hoje, e eu estou achando que serei a vítima.
Segui-a pelo olhar, enquanto ela entrava no quarto e ia direto para o meu criado mudo, mexendo na gaveta.
-Achei –ela se aproximou de mim, e colocou os óculos em meu rosto –Viu? Ficou lindo! –ela sorriu para mim com o batom vermelho.
-Lily pelo menos tem bom gosto –Alice riu –Agora, vamos para o seu tênis –ela entrou no closet com Lils.
-Disfarça, seu idiota –disse Remus, me dando um tapa na cabeça –Para de babar e reage.
-Ficou muito óbvio? –murmurei, olhando para a porta do closet.
-Ficou, mas acho que ela não percebeu. Ela é tão sonsa quanto você, Prongs –bufei, pegando o relógio em cima da mesa e colocando-o –Mas se você não se concentrar no clipe, não vai ter jeito de alguém não notar.
-Vou tentar me concentrar, juro –assegurei.
-Que tal esse aqui? –perguntou Alice, saindo do cômodo com Lily em seu encalço.
Olhei para o tênis que ela segurava e assenti, colocando a meia e o par. Era um Vans, igual ao que eu tinha usado na festa de Frank, só que azul marinho. Eu realmente amava essa coleção e tinha um de cada cor.
-Aaah, eu preciso tirar uma foto de vocês –Alice bateu palmas, animadamente. Ela era assim, meio doidinha, divertida e estava sempre empolgada com alguma coisa –Vocês dois vão arrasar nesse clipe! –ela pegou o celular e apontou para nós dois –Façam uma pose! –olhei para Lil e rimos, nos aproximando –James, abraça a Lily pela cintura. Isso, vira de frente para ela –olhei diretamente para os olhos verdes destacados da ruiva, que corava com a nossa aproximação –Amiga, coloca as duas mãos no cabelo dele. Anda, Lily –ela mordeu o lábio inferior, me olhando, e fez o que Alice pediu –Isso, vocês estão lindos!
Sorri para ela, que sorriu de volta para mim. As bochechas dela tinham atingido um tom de vermelho intenso, me fazendo sorrir ainda mais. Ela era linda demais.
Quase sem perceber, me aproximei lentamente dela, de forma que nossos corpos estivessem grudados agora. Ela fechou os olhos, deixando que eu chegasse mais perto. Ela estava me dando permissão para me aproximar? Ela deixaria que eu a beijasse?
Rocei meus lábios nos dela, e sorriu levemente em resposta. Cheguei ainda mais perto, pronto para beijá-la.
-Por que vocês estão demorando tanto? Oh –ouvimos a voz de Lene, e nos desvencilhamos rapidamente, corados.
-Nós só estávamos... –comecei, sentindo a minha voz falhar, e limpei a garganta –Tirando uma foto.
-Foto? –Lene nos olhou estranhamente –Que foto?
-A que a Alice...-Lily continuou, procurando a amiga pelo olhar, que em algum momento tinha saído com o Remus –Oh –ela me olhou apavorada.
-A Alice, ela...-tentei explicar, olhando para Lily, que parecia estar na mesma situação que eu.
-Ok, vocês dois estão me confundindo –Marlene disse –Mas estão atrasados para a gravação. Vamos! –ela nos empurrou para fora, quando ficamos estáticos, envergonhados demais para reagir.
O caminho até a casa de Marlene foi silencioso. Eu e Lily andávamos afastados, constrangidos. O que tinha acontecido? Ela iria mesmo me beijar? Ela deixaria que eu a beijasse?
Se sim, o que isso significa? Seríamos amigos? Amigos com benefícios? Amizade colorida? Namorados?
-Aleluia vocês chegaram –disse Sirius assim que entramos no porão –Andem, precisamos gravar essa parte antes do almoço para dar tempo de ir para a sorveria e para o parque.
-Ok, todos em seus lugares –falou Frank, posicionando a câmera principal –Aqui já está gravando.
-Alice, liga a Soft Box –a iluminação preencheu o ambiente –Ótimo, obrigada. Lembrando que vamos no Estúdio da mãe de Remus depois de amanhã para realmente gravar a música. Inclusive, obrigada Remie, por nos conseguir uma gravadora. Aqui, nós estamos focando no clipe. Então não tem problema errar alguma nota, ou algo do tipo. Se concentrem em interpretar o papel. Se soltem! Finjam que são os melhores amigos que eu sei que vocês são –nós rimos –E sorriam! Pronto, aqui está gravando.
-5, 4, 3, 2...-disse Sirius, em contagem regressiva antes de começar a tocar.
Logo após, eu, Lily e Remus acompanhamos e a música realmente começou. A música era inicialmente lenta, tocada só no violão e teclado, mas conseguimos adaptá-la para um pop rock que ficou sensacional. Depois, faríamos a versão lenta, só eu e Lily. Mas isso era um clipe para depois...
If you ever find yourself stuck in the middle of the sea
I'll sail the world to find you
If you ever find yourself lost in the dark and you can't see
I'll be the light to guide you
Find out what we're made of
When we are called to help our friends in need
Olhei para Lily confiante. Ela sorriu para mim, respirou fundo e começou a me acompanhar no refrão.
You can count on me like one, two, three
I'll be there
And I know when I need it
I can count on you like four, three, two
You'll be there
'Cause that's what friends are suppose to do
Oh, yeah
If you tossing and you turning and you just can't fall asleep
I'll sing a song beside you
And if you ever forget how much you really mean to me
Everyday I will remind you
Oh
Find out what we're made of
When we are called to help our friends in need
Comecei a me soltar, dando um sorriso de orelha a orelha para a câmera e fazendo mais movimentos. Minha empolgação passou para o resto do grupo, que me acompanhou sorridente.
Lily estava radiante, cantando animadamente e fazendo com que fôssemos só uma parte sem importância do seu show. Ela estava arrasando, roubando toda a atenção para ela e seus cabelos que dançavam conforme seus movimentos. Não consegui evitar um olhar apaixonado.
Como se sentisse o meu olhar, ela me olhou de volta, sorrindo bobamente para mim. Pisquei para ela e cantei com ainda mais empolgação.
You can count on me like one, two, three
I'll be there
And I know when I need it
I can count on you like four, three, two
You'll be there
'Cause that's what friends are suppose to do
Oh, yeah
(Ooh, ooh, ooh, uh, uh)
(Ooh, ooh, ooh, uh, uh)
(Yeah, yeah)
You'll always have my shoulder when you cry
I'll never let go, never say good-bye
You can count on me like one, two, three
I'll be there
And I know when I need it
I can count on you like four, three, two
You'll be there
'Cause that's what friends are suppose to do
Oh, yeah
(Ooh, ooh, ooh, uh, uh)
You can count on me cause I can on you.
Finalizamos, ofegantes e sorrindo.
-Ficou PERFEITO! –gritou Alice, empolgada –Meu Deus, isso vai ser um sucesso! Vocês foram incríveis!
Rimos de sua animação, colocando os instrumentos de lado e nos aproximando.
-Ficou realmente muito bom –elogiou Frank –Vocês estavam leves, sorrindo, e em perfeita sintonia.
-Estou impressionada –disse Lene, por fim –E olha que as minhas expectativas estavam altas! –rimos.
-Então não teremos que repetir? –perguntou Sirius.
-Não, está perfeito –respondeu ela, fazendo com que gritássemos em vitória.
Sirius se aproximou dela e a abraçou com força, girando-a, da mesma forma que eu fazia com Lily.
-Estamos livres! –riu empolgado, colocando-a de volta no chão.
-Sirius Black –ela disse de forma ameaçadora, e todos demos um passo para trás –Não faça isso nunca mais! Nunca mais! Eu quase morri do coração, seu imbecil –ela deu um tapa no ombro dele.
-Não seja tão dramática, Lenezinha –ele disse com um beicinho.
-Ok, parando vocês dois –interrompeu Frank, girando os olhos –Acho que precisamos de água para ir para a segunda parte do clipe, né?
-Vamos para a cozinha –concordou Marlene –vocês tem 10 minutos para descansar e vamos para o parque.
Assentimos, seguindo-a para o outro cômodo da casa. Olhei para Lily de lado, que estava sorrindo e distraída, conversando com Frank.
-Vocês se beijaram? –sussurrou Moony para mim, me segurando para que ficássemos para trás.
-Não –resmunguei –a Lene chegou e atrapalhou tudo. Mas eu vi, ela ia me corresponder –passei a mão pelo cabelo, exasperado –Só que agora as coisas devem estar pesando na cabeça dela, né?
-Realmente –ele acenou em concordância –Não vai ser fácil sair dessa zona de melhor amigo, cara.
-Eu sei –suspirei –mas acho que ela nem quer sair dela, sabe? Estava esses dias beijando aquele Diggory.
-Isso não significa nada, e você sabe disso, Prongs –ele me encarou.
-Mas ela está conversando com ele todo dia no WhatsApp agora, Moony –ele não escondeu a surpresa –Ela não me falou nem nada do tipo, mas anda meio estranha. Tá sempre sorrindo para o celular, mostrando umas conversas para a Marlene quando acha que eu não estou vendo.
-Ok, mas isso não significa que eles estão namorando, Prongs.
-Eu sei que eles não estão. Ela me prometeu que me contaria se estivesse, mas mesmo assim, deve sentir algo por ele. Toda garota de Hogwarts sente –baguncei os cabelos.
-Toda garota de Hogwarts sente algo por você também, babaca –ele me empurrou de leve –e pelo Padfoot. Sem contar que a Lily é diferente. Precisa de muito mais que um rostinho bonito e popularidade para fazê-la se apaixonar.
-Eu sei. Mas eu sou o melhor amigo, e vou ficar assim para sempre. Ela não gosta de mim desse jeito –ele revirou os olhos.
-Deixa de ser teimoso. Você mesmo disse que ela queria te beijar, ué –minha vez de revirar os olhos. Acho que estávamos todos passando tempo demais com Lily, já que era a sua mania.
-Mas você tinha que ser a cara de susto dela quando a Lene chegou. Não foi um susto de "quase fomos pegos", foi um de "olha o que nós quase fizemos!". –puxei meu cabelo com força –Ela se arrependeu. –Remus bufou.
-Você nunca vai saber se não falar com ela, James.
-Para ouvir com todas as letras que eu sou idiota por ter me apaixonado pela minha melhor amiga e que ela nunca vai me olhar desse jeito? Não, obrigado, eu passo –ele me deu um tapa.
-Teimoso.
-Meninos, andem logo que nós já vamos para o parque –chamou Alice –e vocês nem beberam água. –assentimos e entramos na cozinha.
A parte de gravar no parque foi sem dúvida constrangedora. Eu e Sirius não tivemos muito problema, mas Lily e Remus queriam se esconder quando alguém passava a ficava nos observando.
Éramos um bando de adolescente, três com câmeras e uma soft box na mão, e quatro retardados andando para um lado e para o outro no parque mais movimentado da cidade. Tínhamos que fingir estar conversando, sair correndo do nada, nos abraçarmos, essas coisas.
-Lils, eu sei que é difícil, mas até o Remus já tá soltinho e você aí, como se quisesse ser enterrada nesse exato momento –brigou Lene.
-Eu quero –ela disse, bufando –Eu não consigo fingir naturalidade quando tem câmeras apontando para mim e um monte de gente me olhando como se eu fosse louca.
-Mas Lily...-começou Alice.
-Deixa comigo –interrompi –Lily, vem aqui –puxei-a para longe deles –Olha para mim –ela me olhou, quando sentamos em uma banco vazio e mais isolado –Eu sei que você tá nervosa com isso, eu também estou, mas nós precisamos que você se esforce mais.
-James, eu estou tentando, mas não dá –ela disse com raiva.
-Ruiva –falei com suavidade e ela me olhou com mais calma. Ela sempre cedia ao apelido –vamos ignorar a câmera, ignorar as pessoas, ignorar os gritos da Marlene, e nos divertir. Essa música é sua, é nossa, é da nossa amizade e ela é especial. Queremos que o mundo todo saiba o quanto nós significamos um para o outro, então quando estivermos gravando, olha para mim. Olha para mim e pensa no que você sentiu quando começou a escrever essa letra. Olha para a Lene e pensa em tudo que vocês já passaram juntas. Olha para a Alice e veja a amiga maluca e animada que você ama –ela riu levemente –Olha para o Frank e sinta dó porque ele tem uma namorada que definitivamente não bate bem da cabeça –ela riu alto –Olha para o Remus e veja seu amigo nerd que vive em outro mundo e é bom demais para nós, meros mortais. Olha para o Sirius e veja o cachorro sem vergonha que faria tudo por você sem hesitar. Olha para mim e veja tudo isso misturado. Toda a nossa amizade, todo o nosso companheirismo, as brincadeiras que fizemos desde crianças, tudo isso. Isso somos nós. Essa é a nossa amizade. Essa é a música. Não deixe que os olhares estranhos e os holofortes tirem isso de você, ruiva.
Ela me olhou por um tempo, refletindo. Aos poucos, fui conseguindo tirar um sorriso dela.
-Você é ótimo em discursos motivacionais, Jay –eu ri.
-E tem algo nesse mundo em que eu não seja ótimo, Lils?
-Em ser modesto –ela me deu um tapa e eu ri ainda mais –Mas obrigada. Você ajudou, e muito –ela segurou minhas mãos entre as dela. Precisei conter o arrepio –Você é o melhor amigo que uma garota pode ter, sabia? –ela me abraçou.
Melhor amigo. Amigo. Para sempre amigo. Só amigo.
Essa palavra está começando a me enjoar.
-E você a melhor, ruiva –me enfiei em seu cabelo e respirei fundo, sentindo o cheiro de seu shampoo de chocolate.
-Vamos, eles devem estar nos esperando –ela levantou, estendendo a mão para mim.
Tenho certeza que era só para me ajudar a levantar, mas mesmo assim, entrelacei nossos dedos e segui em direção aos outros, em um aperto firme para que ela não soltasse.
-Vai conseguir, Lil? –perguntou Remus, quando voltamos.
-Vou, estou mais tranquila –ela sorriu para ele.
Como ela estava um pouco mais a frente e de costas para mim, fiz um gesto para todos os outros, sinalizando que era para começar a gravar sem que ela visse.
-Ruiva –chamei, quando todos foram arrumar o equipamento, de forma que ela virasse para me olhar e dessa vez ficasse de costas para eles –acho que depois disso, você está merecendo uma tortura, sabe? –ela me olhou sem entender –Você nos fez gravar mais de 10 vezes sem ter resultado nenhum –ela abriu a boca, incrédula com a minha fala.
-Ora, Potter...-mas antes que ela pudesse terminar de ralhar, eu a puxei rapidamente para mais perto de mim, colocando as mãos em sua cintura e fazendo cócegas nela. Bem no ponto fraco –JAMES! –ela gritou rindo.
Ficamos um tempo nessa, só nós dois, até Sirius e Remus entrarem em cena quando Alice fez um sinal. Pads puxou Lily de mim, colocando-a no ombro como um saco de batatas e Moony me deu um cascudo.
Quando me soltei dele, fui atrás de Padfoot para resgatar uma Lily que não parava de berrar para soltá-la.
-Peguei, calma –falei rindo, quando a tirei do colo de Sirius.
Ela estava no meu colo, no estilo nupcial. A olhei profundamente antes de colocá-la no chão e rodá-la, do jeito que faço desde os nossos nove anos de idade.
-Ficou ótimo! –disse Alice, quando soltei Lily –Acho que conseguimos boas cenas agora! Ficou muito espontâneo.
-Vocês gravaram isso? –Lily arregalou os olhos –James! Você me enganou!
-Bom, mas deu certo, né? –pisquei para ela –Agora você está mais solta e já conseguimos alguma coisa.
-Dessa vez você se safou, James Potter –ela me olhou sorrindo.
-De qualquer forma –interrompeu Sirius –ainda precisamos da cena correndo e da sorveteria.
-Acho que podemos apostar um corrida –sugeriu Remus.
-Boa, Moony –concordou Padfoot –Sabia que tinha um motivo para eu ser seu amigo.
-Cala a boca, idiota –ele bateu em Sirius.
-Bom –se pronunciou Frank –acho que realmente fica mais natural se for uma corrida mesmo.
-Eu vou perder, mas ok –Lily revirou os olhos –Só tentem ir um pouco mais devagar, sabe? Eu estou de salto.
-O salto não é o problema, ruiva –discordei –Ele só é um acréscimo. Você naturalmente já sai tropeçando em tudo e tem perninhas curtas demais para nos alcançar –levei um soco no ombro. –Ouch, Lils.
-Você mereceu –ela deu de ombros.
-Então tira o sapato, Lily –disse Lene –Não vai fazer diferença mesmo.
-Vai ficar mais despojado –acrescentou Alice –Mas somos adolescentes cantando uma música de amizade, então vai ser até melhor.
-Só eu descalça? –ela reclamou.
-Eu tiro o meu tênis por você, ruiva –girei os olhos, mas sorri quando ela me lançou um sorriso agradecido.
-Eu não tiro –disse Sirius –Não vou sair descalço em um vídeo. O que as garotas vão pensar? Que eu sou um pé de Toddy? Nem a pau.
-Larga de ser idiota, Padfoot –dissemos eu e Moony, em uníssono.
-Então está decidido –disse Marlene, em um tom de quem encerra a conversa –Todo mundo descalço –Sirius bufou, mas tirou a bota, assim como todos nós.
A corrida foi um tanto quanto divertida. Eu ganhei, o que acontecia desde que eu tinha cinco anos, já que eu sempre fui meio magricelo e rápido. Remus ficou por último e Lily e Padfoot dividiram o segundo lugar.
-Viu, Potter? Eu posso ter perna curta, mas até que corro rápido –ela provocou.
-Mas ainda assim, eu ganhei de você, Evans –ela revirou os olhos.
-Eu deixei você ganhar –bufei –é sério. Eu sou bem mais rápida que você, mas fiquei com dó do seu pobre ego. Ele não aguentaria perder para alguém com as perninhas curtas, né?
-Eu sou um desastre –disse Remus, se jogando no banco –e estou morrendo.
-Fracote –gargalhou Pads.
-Deixa ele, Six –repreendeu Lily –Ele precisa de um cafuné. Deita aqui, Remie –ela apontou para o próprio colo, e ele deitou, satisfeito –Meu pobre garotinho cansado.
Olhei boquiaberto para a cena, assim como Sirius. Que filho da mãe...! Ele fez de propósito só para ser mimado depois.
-Ok, coloquem os sapatos –disse Alice, depois que os três checaram se a filmagem estava ok –Vamos para a última cena.
-Não é melhor almoçarmos antes? –indagou Lily –Já são 15hs!
-Mas aí vamos perder o fio da meada –discordou Marlene –É melhor acabarmos aqui antes.
-Concordo –disse Frank –Se pararmos agora, ninguém vai querer voltar para gravar a última cena.
-Mas nós vamos tomar sorvete antes de almoçar? –reclamou Moony, ainda deitado no colo de Lily. Folgado.
Ok, eu estou com inveja. E com ciúme. Droga.
-Não seja dramático, Remus –bufou Alice –é só não tomar muito.
-Tem sorvete de chocolate, idiota –falou Sirius –Então não reclame, seu chocólatra ambulante.
Fomos então para a sorveteria. Pedimos, no dia anterior, a autorização dos donos para gravar ali por alguns minutos e eles concordaram na hora.
Posicionamos o equipamento e fomos nos servindo, enquanto éramos gravados.
-Eu amo sorvete –suspirou Lily, pegando um colherada e enfiando na boca.
Remus sempre foi viciado em chocolate, o que não é mistério para ninguém, mas Lily era outra louca. O pote dela tinha seis sabores, todos de chocolate. Diamante negro, nutella, Sonho de Bombom e o resto eu nem sei mais o nome. Nunca vi duas pessoas que gostassem tanto de doce quanto esses dois.
Os dois cheiros que me vinham a cabeça ao falar em Lily são os próprios lírios, pelo seu nome e por serem suas flores favoritas. O jardim de sua casa era cheio de lírios e petúnias, então dá para imaginar como era o cheiro da casa. O segundo cheiro é chocolate. Lily sempre tem um chocolate na mochila, no quarto e até seu shampoo tinha esse cheiro.
-James –Sirius me chamou, me tirando dos meus pensamentos a respeito do cheiro de Lily. James Potter, você é patético –Você tem alguma coisa...bem aqui –e ele colocou o sorvete de sua casquinha no meu nariz, soltando uma estrondosa gargalhada.
-Muito engraçado, Padfoot –bufei, mas não segurei a carranca por muito tempo, já que estavam todos rindo.
-Eu não acredito que você realmente caiu nessa, James –disse Lily, quando se recuperou da gargalhada. –Achei que você fosse mais esperto que isso.
-Esperto assim? –indaguei, lançando a minha casquinha no cabelo dela.
Lily ficou vermelha, e mais vermelha a cada segundo. A risada de todos na sorveteria era alta, sendo a do Sirius destacada. Ele estendeu a mão e fizemos um high-five.
-JAMES POTTER, VOCÊ É UM HOMEM MORTO! –berrou ela, literalmente pulando em mim para me bater.
Quanto mais ela me batia, mais eu ria. Quando comecei a perder a paciência com seus socos, segurei seus pulsos com firmeza, puxando-a para mais perto. Quando a vi tão perto de mim, o riso foi perdido em meus lábios.
Moony limpou a garganta, nos tirando do transe e me fazendo cair na real. Resolvi disfarçar então, começando novamente a fazer cócegas nela.
-Remie, me salva –Lily pediu, ofegante.
Remus revirou os olhos e riu, tirando Lily de perto de mim e colocando-a em seu colo, para ele mesmo fazer cócegas nela.
Parei de observar os dois quando Pads me lançou mais sorvete na cara, me fazendo revidar jogando tudo em seu cabelo. Ele me olhou com raiva, afinal, ninguém tocava no cabelo de Sirius Black e jogou mais em mim. Quando o ataquei novamente, Marlene interrompeu, antes que virasse um guerra de sorvete:
-Ok, ok, ficou ótimo –ela disse –Pode soltar a Lily, Remie. Sirius, não taca isso em ninguém –Pads girou os olhos mas obedeceu.
-Agora...podemos almoçar! –comemorou Alice.
-Lily? –perguntou alguém, atrás de mim, entrando na sorveteria –Meu Deus, o que aconteceu com o seu cabelo?
Olhei com raiva para Amos Diggory, que se aproximou de nós.
-Amos! –ela disse com animação, pulando para abraçar o cara. Merda.
-Oi, galera –ele nos cumprimentou, quando ela finalmente tirou os braços do pescoço dele. –O que aconteceu aqui? –riu olhando para a nossa situação.
Estávamos realmente meio cômicos. Três de nós com um equipamento de filmagem na mão e quatro de nós descabelados e lambuzados de sorvete.
-Estávamos gravando –Lily explicou, puxando uma cadeira para ele sentar.
Cruzei os braços, irritado. Ele precisava mesmo sentar com a gente?
-Ah é, você me contou –ele assentiu, me fazendo crispar os lábios.
-Pois é –ela continuou –a gravação foi um sucesso, né gente?
-Foi –concordou Remus. Traidor –Nós primeiro gravamos no porão cantando, aí depois no parque brincando e agora aqui, nessa guerra de sorvete.
-Saquei –ele acenou em concordância –Me mandem o link depois, eu quero ver isso –revirei os olhos.
-Pode deixar –Lily sorriu para ele. Que idiota.
-Mas e aí, qual de vocês escreveu a música? –ele perguntou –A Lils não quis me contar. –Lils? Eles já tinham essa intimidade toda?
-Foi ela –respondi, me segurando para não soltar um comentário sarcástico –Nós dois, na verdade. É uma música sobre nós dois.
-Sobre a nossa amizade –Lily me corrigiu, me olhando feio.
-E é linda –acrescentou Sirius, com um sorriso irônico. Ele estava comigo nessa –Você tem que ver o clipe, Diggory, tem umas partes que ficaram muito boas. Tipo o quase beijo que esses dois pombinhos deram aqui mesmo, depois da guerra de sorvete. –engasguei com a minha própria saliva, assim como Lily.
-Black –Lily o olhou com ódio –Não foi isso que aconteceu. –ela se dirigiu para Diggory agora –Ele jogou sorvete no meu cabelo e eu comecei a bater nele, mas ele me parou quando começou a fazer cócegas em mim, sabe? Não foi nada disso que o Sirius disse, ele exagera às vezes.
-Nossa, já estão no nível em que precisam dar explicações um para o outro, Evans? –dessa vez a acidez saiu de mim, antes que eu pudesse controlar –Não sabiam que estavam tão...íntimos.
-James –dessa vez Lene me repreendeu –fica quieto. Vem, -ela me puxou pelo braço –precisamos almoçar. Tchau Lily, tchau Amos –os dois acenaram para ela.
Vi pelo canto do olho o resto do grupo se despedir e nos seguir, deixando-os a sós. Merda.
-Vocês não podem se meter na vida da Lily desse jeito –Marlene brigou comigo e com Sirius, no caminho para casa –O que ela faz ou deixa de fazer, é da conta dela. E se ela quiser ficar com o Diggory, ela vai ficar e vocês não tem o direito de se meterem nisso –bufei.
-Ótimo –resmunguei –eu vou para casa.
-Mas íamos todo mundo almoçar lá em casa –Alice disse, em um tom chateado. –Íamos na piscina, lembram?
-Lice –falei, depois de respirar fundo –Obrigado pelo convite e por ter nos ajudado hoje. Você é fantástica e eu te amo –ela sorriu –Mas eu realmente preciso ficar um pouco sozinho.
-Tudo bem, James, eu entendo –ela assentiu, vindo me abraçar –Escreve o que você está sentindo, vai ser melhor –ela sussurrou para mim.
Assenti para ela, mostrando que tinha entendido o recado e fui na direção oposta, para a minha casa.
Lá, depois de tomar banho, deitei na cama e fiquei pensando no dia intenso que tive hoje. E aí, surgiu mais uma música, quando eu consegui finalmente excluir Diggory da minha cabeça e focar nos meus dois quase beijos com Lily.
Oh, I just wanna take you anywhere that you like
We could go out any day, any night
Lily, I'll take you there, take you there
Lily, I'll take you there, yeah
Oh, tell me, tell me, tell me how to turn your love on
You can get, get anything that you want
Lily, just shout it out, shout it out
Lily, just shout it out, yeah
And if you-u-u
You want me too-o-o
Let's make a mo-o-ove
Yeah
So tell me, girl, if everytime we
To-o-ouch
You get this kind of ru-u-ush
Lily, say yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah
If you don't wanna take it slow
And you just wanna take me home
Lily, say yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah
And let me kiss you.
~ J & L ~
Tivemos duas músicas aqui "Count on me" do Bruno Mars DE NOVO HEHEHE (inclusive, eu pensei que seria em uma versão pop rock nesse capítulo. Procurei no YouTube e achei um cover ótimo de um cara loirinho cantando, então escutem se quiserem se sentir mais dentro da história) e "Kiss you", do meu queridinho 1D (One Direction!).
E descobrimos o que aconteceu com a Lils para ter beijado outro cara na festa do Frank, hum?
Gostaram?
Beijos e até sexta que veeem!
