18 de setembro de 2017.

Lily.

-E cinco, quatro, três, dois, um...-conduziu Sirius.

You're insecure, don't know what for

You're turning heads when you walk through the door

Don't need make-up to cover up

Being the way that you are is enough

Everyone else in the room can see it

Everyone else but you

Baby, you light up my world like nobody else

The way that you flip your hair gets me overwhelmed

But when you smile at the ground it ain't hard to tell

You don't know oh oh

You don't know you're beautiful

If only you saw what I can see

You'll understand why I want you so desperately

Right now I'm looking at you and I can't believe

You don't know oh oh

You don't know you're beautiful oh oh

But that's what makes you beautiful

So come on, you got it wrong

To prove I'm right I put it in a song

I don't know why, you're being shy

And turn away when I look into your eyes

Everyone else in the room can see it

Everyone else but you

Baby, you light up my world like nobody else

The way that you flip your hair gets me overwhelmed

But when you smile at the ground it ain't hard to tell

You don't know oh oh

You don't know you're beautiful

Olhando para a porta do porão, que tinha acabado de ser aberta, parei de cantar e tocar. Não acredito nisso.

If only you saw what I can see

You'll understand why I want you so desperately

Right now I'm looking at you and I can't believe

You don't know oh oh

You don't know you're beautiful oh oh

But that's what makes you beautiful

James me olhou confuso, e aos poucos, o resto da banda também parou. Só James que continuou como se nada tivesse acontecido.

Baby, you light up my world like nobody else

The way that you flip your hair gets me overwhelmed

But when you smile at the ground it ain't hard to tell

You don't know oh oh

You don't know you're beautiful

-Ok, o que aconteceu? –ele perguntou, guardando a guitarra –por que vocês pararam?

-O que ela está fazendo aqui? –cruzei os braços, tentando conter a irritação.

Marlene, que estava de costas para ela, virou-se, arregalando os olhos.

-Como você entrou na minha casa?

-Ora, meus tios abriram para mim –Emmeline Vance deu de ombros, como se viesse para cá todo final de semana.

-O que você está fazendo aqui? –Sirius perguntou, olhando para as duas primas com receio.

-Eu convidei –James disse, nos fazendo olhar espantados para ele –Qual é, o Frank e a Alice estão quase sempre ensaiando com a gente, qual o problema de eu ter chamado uma amiga?

-Amiga? –dei um passo para trás, como se tivesse sido esbofeteada.

-Sim, amiga –Vance respondeu –Algum problema, Evans? Não sabia que vocês dois tinham um acordo de amizade exclusiva.

-Não temos –falei, quase rosnando –mas normalmente não somos amigos de vacas como você.

-Lily –James me repreendeu com o olhar.

Ele está realmente do lado dela? O que eu perdi?

-James –Remus quebrou o clima tenso instalado –por que você não nos avisou que teríamos uma convidada para o ensaio hoje? Somos uma banda, você não pode fazer as coisas que nos envolvam sem nos consultar.

-Por que eu deveria avisar? –ele puxou os cabelos, subitamente irritado –Ninguém me conta nada por aqui mesmo.

-Do que você está falando, Prongs? –Sirius perguntou.

-Nada –ele suspirou –já que a minha convidada não é bem-vinda, nós estamos saindo.

-James...-murmurei.

-O que é, Lily? –ele virou para mim, já na porta, segurando a mão da Vance.

-Nada, vá embora logo –o olhei com irritação.

Ele bufou, apertou a mão da garota e saiu puxando-a.

-Que merda acabou de aconteceu aqui? –Lene perguntou, se jogando em um dos pufes.

-O que deu nele? –me perguntei em voz alta, me jogando ao lado de minha amiga.

-Ele está esquisito desde a noite do show –Remus completou, sentando no chão e colocando a cabeça em minha perna.

-Ele não fala comigo –Sirius assentiu, empurrando Lene para o lado para dividir o pufe.

-Ei, seu grosso –Marlene deu uma cotovelada nele.

-Ele não responde as minhas mensagens, e mal fala comigo na escola –suspirei pesadamente –não sei o que está acontecendo com James esse ano, mas ele não está normal.

-Isso com certeza ele não está –Sirius bufou.

Ficamos em silêncio por um tempo, cada um perdido em seus próprios pensamentos.

-Eu sei tocar guitarra –Lene quebrou o silêncio.

-O quê? –Remus perguntou, levantando o rosto para observá-la.

-Nós sabemos que você sabe –Six deu de ombros –mas por que esse comentário agora?

-Podemos continuar o ensaio. Eu toco no lugar de James, e Sirius, você e Lily cantam a parte dele.

-É uma boa ideia –me levantei –nós não precisamos perder nossa tarde de ensaio só porque ele está agindo como um idiota.

-Lily...-Remus segurou a minha mão, ainda sentado no chão –se tem alguém que pode tirar isso dele, é você.

-Não tenho interesse –fiquei na defensiva –se ele quer continuar com aquela lá, fingindo que não está agindo como um completo imbecil com a gente, deixa ele.

-Não finja que isso não te magoa, amiga –Lene sorriu tristemente, levantando-se junto à Sirius –não precisa fingir conosco.

-Ok, isso me magoa –levantei as mãos em rendição –porém, eu não vou ficar correndo atrás dele feito um cachorrinho. Se ele quer ficar com a Vaca Vance, ele que fique, não tenho nada com isso.

-Ok –Sirius disse rapidamente, antes que Marlene ou Remus pudessem dizer algo –deixemos esse assunto para depois. Vamos ensaiar.

Fui rapidamente me posicionar no teclado e eles logo me seguiram, fazendo o mesmo.

-What makes you beautiful? –Remus sugeriu.

-Não –neguei rapidamente.

Não queria tocar essa música sem James aqui. Principalmente porque tem chance de ele ter escrito para ela...

-Qual então? –questionou Lene.

-Já sei –pulei animadamente –eu escrevi essa aqui –saí de trás do teclado e peguei umas folhas em minha mochila –já faz um tempo, e acho que pode ser a nossa próxima canção. –entreguei as partituras para eles –espero que gostem.

-Nós tocamos e você canta, ok? –falou Sirius, olhando fixamente para o papel em sua mão.

-Ok. Você puxa.

-Cinco, quatro, três, dois...

20 de setembro de 2017.

James.

-Pai, o senhor está falando sério? –perguntei para ele, sem desviar o olhar do meu novo Aston Martin Rapide.

Caralho, esse carro era meu sonho de consumo, e agora está aqui, na minha frente.

-Claro que estou. Eu e sua mãe demoramos para te dar porque queríamos que você tivesse carteira antes, e como você a recebeu ontem...estava na hora de receber o presente.

-Meu Deus, pai. Obrigado –tirei os meus olhos de meu carro 0Km para abraçá-lo forte –Eu amei o presente. Obrigado mesmo.

-Por nada. Agora vá lá dar um beijo na sua mãe, e chame o Sirius. Preciso dar o presente dele também.

Olhei para o Yamaha R1 estacionado ao lado do meu carro e soltei um sorriso bobo. Padfoot vai enlouquecer!

-Mãe –a encontrei no jardim, cuidando de algumas flores –acabei de ver o presente. Obrigado –a puxei para os meus braços, girando-a do mesmo jeito que faço com Lily.

Só as duas mulheres da minha vida podem receber esse carinho.

-Que bom que gostou, meu filho –ela riu, sem fôlego, quando a coloquei no chão novamente –Só...juízo. Se bater o carro, você fica sem.

-Tudo bem –concordei rapidamente –não vai acontecer, fica tranquila. Vou poder ir com ele para a escola?

-É claro, querido –ela acariciou meus cabelos –e leve Lily com você também, sim? Não quero ela andando de um lado para o outro de bicicleta sendo que você tem um carro desses na garagem.

-Claro, mãe. Não posso deixá-la de fora dessa –dei-lhe um beijo na testa –agora vem, vamos chamar o Sirius para ver o presente dele.

-Essa reação eu não posso perder.

Subi para chamá-lo enquanto minha mãe ia direto para a garagem.

-Pads –entrei em seu quarto sem bater, e percebi tarde demais que foi um erro –Caralho, foi mal.

Saí rapidamente, respirando fundo e tentando apagar essa cena da minha cabeça.

Padfoot estava acompanhado, de uma garota. Eles se agarravam tanto que eu nem consegui vê-la. Ele estava em cima dela na cama.

Só consegui perceber que tinha cabelo preto, bem preto. Só.

Senhor, que nojo. Quero apagar essa imagem da minha cabeça imediatamente.

-Prongs –ele disse, saindo do quarto –foi mal. Deveria ter te avisado.

A boca dele estava inchada, e manchada com um batom vermelho. Seu cabelo permanecia em uma bagunça completa, pior até que o meu. Suas roupas amassadas e tortas.

Apagar. Cena. Agora.

-Quem era? –baguncei meus cabelos, fazendo uma careta –Mamãe e papai sabem?

-Ninguém –respondeu rapidamente. Rápido demais –e claro que eles não sabem! Ela veio pela janela.

-Ela escalou a árvore? –fiquei incrédulo.

-Ela faz isso há anos. Eu mesmo não teria feito melhor, não se preocupe. A chance de ela cair é menor que 1%.

-Caralho, Pads. Não é bom ficar trazendo qualquer uma...-não consegui completar a frase, já que ele me agarrou pelo colarinho antes.

-Ela não é qualquer uma, seu babaca. Não fale assim dela novamente –me apertou mais forte.

-Calma, calma –levantei as mãos em rendição e ele me soltou –Foi mal, cara. Não falei por mal.

Suspirei pesadamente antes de abrir um sorrisinho malicioso.

-Então quer dizer que alguém finalmente conseguiu mexer com o seu coração de gelo? –meu risinho foi involuntário.

-Não exagere, Prongs –bufou, dando um soco em meu ombro –Só é complicado.

-Você gosta dela?

-Gosto –respondeu sem nem pestanejar. Olha, que avanço –mas não é tão simples assim. Ela não quer compromisso.

-O quê? –perguntei incrédulo –Você finalmente quer se amarrar a alguém e ela não quer?

-Sim –bufou –eu a pedi em namoro e fui recusado.

-Caralho –gargalhei –Você...pediu...ela...em...namoro...e ela...disse...não –falei entre risadas.

-Para com isso, babaca –me deu outro soco, dessa vez mais forte, cortando meu riso –não é engraçado.

-Ok, ok, foi mal –segurei a risada, me forçando a ficar sério –e quem é?

-Não posso dizer –desviou o olhar do meu. Estranho.

-Como assim "não pode"?

-Ela pediu segredo. –deu de ombros, como se não fosse nada demais esconder um relacionamento do melhor amigo.

-Você está mesmo comendo na mão dela –soltei uma risadinha.

-E você pode dizer muita coisa sobre o assunto, né? Começou a sair com a Vance há uma semana e já faltou dois ensaios. –o olhei com culpa.

-Desculpa, cara –murmurei, olhando para os meus sapatos –Não foi intencional. Ela só precisava de mim.

-Precisava de você ou não te queria perto de Lily?

-O quê? –arregalei os olhos.

-Retardado –sibilou –é óbvio que ela tem ciúme da Lily e fica arrumando desculpas para te manter ocupado. Dois ensaios, Prongs, dois.

-Eu sei, Pads, desculpa. Mas Emme não é assim! Eu sei que você vê a Emmeline que enchia o saco das meninas quando eram mais novas, mas eu juro que ela mudou. Ela é boa de papo, divertida, soltinha, fofa...

-E você é cego –bufou –mas como eu sei que é um cego teimoso, vamos mudar o tópico da conversa. O que você queria? Por que me interrompeu?

-Ah, isso –abri um largo sorriso –ganhamos presentes.

-Presentes? De que? Meu aniversário é só daqui dois meses.

-É um presente atrasado, na verdade. Não posso te dar spoilers, vem ver –desci as escadas, indo em direção a garagem, com ele em meu encalço.

-Puta que pariu –ele arfou quando viu a moto.

-Olha a boca –minha mãe repreendeu, mas estava sorrindo.

-Isso...-ele se aproximou do veículo –é para mim?

-É –meu pai respondeu –você tirou a carteira três meses atrás, mas queríamos dar para os dois juntos. Então, parabéns por terem passado na prova, meus filhos.

Essa foi a primeira vez que meu pai chamou Sirius de "filho". Minha mãe o chamava dessa maneira o tempo todo, antes mesmo de ele se mudar para cá, mas meu pai...nunca.

Por isso, não foi surpreendente ver Padfoot olhando para o meu pai tentando conter as lágrimas que desciam sem parar por seu rosto.

E não foi surpreendente também ver que estávamos os quatro chorando.

-Pai –ele falou baixinho, correndo para os braços do meu velho. Nosso velho –obrigado.

-Você merece, filho –eles se abraçaram com firmeza.

Me aproximei de minha mãe e passei meus braços por seu ombro, e ela se aconchegou em mim, soluçando.

-Eu tenho dois filhos –sussurrou –obrigada, Jesus.

Quando o momento emocionante passou, ligamos para Remus, que pegou a bicicleta e veio para casa o mais rápido possível.

-Não acredito que vocês ganharam isso –ele olhou abismado para os veículos –sortudos da porra.

-Você vai para a escola comigo todo dia –levantei a sobrancelha para ele –você faz parte do termo.

Ele riu suavemente.

-Sobe na moto, Prongs –Sirius acenou para mim e eu o segui –Vamos dar nossa primeira volta no quarteirão. Moony, chama as meninas.

Ele não esperou resposta e saiu acelerando. Caralho, isso é incrível. O vento veio forte, mas mesmo assim, a preocupação foi deixada de lado. Só nos deixamos levar pela sensação.

Sem que eu percebesse, já estávamos gritando animadamente, fazendo as pessoas olharem pela janela.

-James Potter –ouvi uma voz raivosa quando desci da moto e guardei o capacete –não faça isso com o meu coração, seu imbecil arrogante. –mãos pequenas foram me dando socos nada gentis em meu peito –Você acha que é imortal? Deixa eu te contar uma coisa: você não é! E você poderia ter morrido! E se tivesse morrido, eu nem teria me dado ao trabalho...de...velar...o...seu...corpo –mexas ruivas foram saltando do coque malfeito,enquanto ela perdia o fôlego.

Eu tentei me afastar, tentei não olhar para ela daquela maneira, tentei esquecer esses sentimentos.

Inútil.

Cada vez que eu a via, meu coração disparava com toda a força, meu estômago revirava e eu me perdia em sua beleza.

Linda para caralho.

-Ei, ei, ruiva –segurei seus pulsos para que ela parasse de me agredir –está tudo bem. Eu não morri, deu tudo certo. Não precisa me matar com as próprias mãos.

-Você merece –soltou seus pulsos e tentou inutilmente arrumar o cabelo.

-Esquece isso, ruiva –ri suavemente, dando um beijo em sua testa.

Qual é, não deu para não encostar a boca nela, mesmo que não tenha acontecido da forma que eu queria

–Você viu meu carro? –questionei, apontando para o dito cujo.

-Eu vi –gritou animadamente –James, parabéns. É lindo! E você sempre sonhou com ele! Meu Deus, eu não acredito que seu pai te deu.

-Nem eu –ri em resposta –achava que ele só ia me dar quando eu entrasse na faculdade.

-Esse é o acordo dos meus pais –bufou.

-Bom –tirei uma mecha rebelde de seu olho –tudo que é meu, é seu, ruiva. Você ganhou um motorista particular para ir à escola agora.

Ela riu, contente.

-Olha só, muito obrigada, gentil senhor.

-Na verdade, essa foi uma das condições para eu poder ir de carro para a escola em primeiro lugar.

Suspirei dramaticamente.

-Eu sabia que tinha um motivo para eu amar a Euphemia –deu um sorriso de lado, exalando charme. Linda.

-Agora, quer ser a primeira a experimentar? Não andei com ele ainda –ela mordeu o lábio inferior, fingindo refletir.

-Só não acelere muito –apontou o dedo para a minha cara –Sou muito jovem para morrer.

-Sim, senhora –assenti rapidamente, pegando sua mão e puxando-a comigo para o carro.

Abri a porta do passageiro para ela.

-Primeiro as damas –fiz uma reverência.

-Assim você até me faz esquecer do motivo de estar brava contigo –bufou, mas sorriu levemente.

Encrencado, mas não muito.

-Desculpe –fiz uma careta, quando me posicionei atrás do volante –por ter tido pouco tempo para você esses dias e ter faltado os ensaios.

-Não vai mais acontecer? –ela levantou a sobrancelha.

-Você me desculpa? –insisti, saindo com o carro.

-Não, se você tiver a intenção de fazer isso com frequência. James, nós nos desculpamos quando fazemos algo de errado, nos arrependemos e nunca mais pretendemos cometer o mesmo erro. Você pode até se sentir mal, mas se for acontecer de novo, me poupe das suas desculpas inúteis.

Me senti pior ainda.

Ela tinha razão. Eu não poderia me desculpar. Por mais que os pedidos de ajuda de Emme durante momentos importantes com os meus amigos nos atrapalhasse, eu admito que me sentia melhor longe de Lily.

Eu a amava, não só como amigo, e isso estava me matando.

Prometi para mim mesmo que daria uma chance para Emmeline e para mim mesmo quando vi Lily e Amos aos beijos na festa de boas-vindas de Hogwarts.

Eu não conseguia me manter por perto sabendo que o coração dela pertencia a outra pessoa. Doía demais.

E doía mais ainda que ela estivesse mantendo esse relacionamento em segredo. Eu sei que eles estão constantemente trocando mensagens, ligações, conversando nas aulas e nos intervalos. Saindo às vezes, até.

Eu só não entendia o motivo de não ter me dito.

Eu sou ou não sou o melhor amigo?

Não sou. Não depois de tudo que andei aprontando com eles nessa última semana.

Doía fazê-lo, mas era preciso.

-Você está certa –falei depois de um minuto de silêncio –Eu não posso me desculpar. Sempre que Emme me chamar, eu vou atrás dela. Sinto muito estar fazendo isso com vocês.

-Mas não sente o suficiente para parar de fazer, não é? –sorriu tristemente para mim –Tudo bem –respirou fundo, levando meu silêncio como resposta –me deixe em casa, James. Por favor.

-Ruiva...

-Não me chame assim –disse bruscamente, limpando as lágrimas que eu não tinha notado que caíam –Só James Potter, meu melhor amigo, tem esse direito. E esse James que está na minha frente só tem a aparência daquele James que um dia eu conheci. Eu não te reconheço mais!

-Lily, também não é assim –encostei em uma rua qualquer, virando-me para olhá-la –não exagere.

-Exagerar? –ela arfou. Merda. Coisa errada a se dizer –James, você falta ensaio em cima de ensaio. Você não me espera para me acompanhar de bicicleta até a escola como nós fizemos nos últimos oito anos. Você não senta mais comigo nas aulas. Você não almoça comigo. Não estuda comigo. Não compõe comigo. Não canta comigo. Quem é você? James Potter que eu conheci nunca, nunca, viraria as costas para uma amizade.

-Ruiva, não faz isso –tentei me aproximar, mas ela levantou a mão, me parando.

-Não, James. Você não faz isso. Não me faça perder o meu melhor amigo por uma garota. Que por sinal é minha, sei lá, inimiga de infância? Por que você está me trocando dessa forma? Sem nem me dar explicações? O que está acontecendo?

-Lily, é complicado –minhas lágrimas acompanharam as dela.

-Claro, complicado –riu, mas não tinha graça nenhuma no som. Era frio e distante.

Meu Deus, quando chegamos nesse ponto?

-Me deixe em casa, Potter. Por favor –eu vi no seu rosto que não tinha como argumentar.

Liguei o carro e fui rapidamente até sua porta. Estacionei, e quando levantei para sair, ela me interrompeu.

-Não. Eu posso abrir a porta sozinha –e saiu –Não preciso de carona amanhã. Obrigada por oferecer.

-Ruiva...é isso? Acabou? –o aperto que eu sentia no peito não poderia ser medido em palavras.

-Nunca vai acabar –suspirou –Você ainda tem um espaço enorme na minha vida, mas precisamos de espaço, tá? Estamos nos afastando muito, brigando muito...melhor cada um seguir o seu caminho por ora. E quando você cair em si, tiver consciência da merda que está fazendo, aí você volta. Mas agora...só, não dá mais.

Ela não esperou uma resposta, virando de costas para mim e entrando em casa. Sem olhar para trás, nenhuma vez sequer.

Porra.

O que eu estou fazendo? Vale a pena? Perder a amizade de Lily? Não, não vale. Nada vale mais no mundo que ela.

Mas eu não posso desistir agora. Antes de ir atrás dela novamente, e implorar de joelhos por seu amor, preciso esquecê-la, romanticamente falando.

Não posso destruir nossa amizade por um sentimento assim.

Mas talvez...eu já esteja destruindo.

[20/9: 17:47] James Potter: Ganhei um carro de presente. Quer dar uma volta?

[20/9: 17:48] Emmeline Vance: Que máximo! Já era a hora, né? Vem cá me pegar ;)

23 de setembro de 2017.

Lily.

-Nós vamos mesmo fazer um clipe sem James? –mordi o lábio inferior, aflita.

-Vamos –Lene disse, determinada –eu prefiro mil vezes ficar atrás das câmeras, mas é necessário. Lançamos "what makes you beautiful" ontem e já deu mais de 20 mil visualizações. As pessoas estão gostando, então não podemos parar só porque ele não faz questão da nossa companhia.

-Concordo –disse Sirius, para minha surpresa –Prongs é meu irmão e eu o amo, mas se ele quer continuar agindo como um completo imbecil, é melhor deixá-lo de lado.

-E nós –Alice apontou para ela e Frank –juramos que vamos fazer o melhor para que essa gravação saia perfeita.

-Mas eu sou, sozinha, o centro dela –gemi.

-Lily, é uma música de amor calminha –Remus interviu –e foi escrita por você. Tem que ser algo mais pessoal. Um clipe no quarto é exatamente o que precisamos.

-E seu par romântico vai ser o Moony aqui –Sirius bagunçou o cabelo dele –Sei que nossos fãs vão reclamar, já que você e Prongs estão sempre grudadinhos nos clipes, mas vão ter que lidar com isso.

-E onde será a nossa cena romântica? –indaguei.

-No parque de diversões, é claro –Alice respondeu, revirando os olhos –Tem algo mais romântico que isso?!

-Foi o nosso primeiro encontro –Frank explicou, sorrindo bobamente para a namorada.

-Sim, sim –Marlene fez um gesto de descaso –fofinhos e blá blá blá. Precisamos dar um jeito no equipamento –disse apreensiva –quem os pagou foi Fleamont, então não sei se deveríamos devolver...

-Claro que não –Sirius bufou –eu também sou filho dele.

-É verdade –os olhos dela brilharam –às vezes eu esqueço.

-Eu não –ele deu de ombros.

-Então ótimo –arregacei as mangas –já gravamos na gravadora da mãe de Remus, então só precisamos do clipe. Como sempre, teremos uma parte no porão.

-E como sempre, eu vou escolher os looks –completou Alice.

-Certo –falou Remus, com calma –E as cenas do quarto. Como Petúnia saiu com o namorado...–fiz uma careta de desgosto.

Meu querido cunhado, Vernon Dursley, não tinha como ser mais nojento. Ele era irritante, já que só falava da empresa que herdaria do pai, de seu carro incrível e de como ele se destacava na faculdade. Não dava para conviver com o cara.

-Vamos gravar essa parte agora. Depois vamos para o porão e outro dia fazemos as cenas do parque de diversões, ok? –continuou Remus.

-Combinado –Frank assentiu.

-Lily, vamos escolher a sua roupa. Remmy, a sua está em cima da cama de Sirius, vá se trocar. Lene, Six e Frank, vão trazendo o equipamento. –Alice comandou.

-Não esqueçam meu teclado –acrescentei.

Sirius e Marlene tinham se adiantado, uma hora antes já estavam devidamente vestidos. Essa parte era só minha e eu precisava admitir que isso me trazia um intenso frio na barriga. Medo de errar, de passar vergonha...e um grande incômodo por não ter James aqui para me acalmar.

Como meu melhor amigo fazia falta.

-Ficou fofa –Alice sorriu, olhando para o meu look –sei que não é muito próprio para um clipe, mas moletom é perfeito para a cena. Você está sofrendo por amor no quarto, não dava para ser um vestido colado –deu de ombros.

Me olhei no espelho e fiz uma careta. Eu vestia uma calça preta de moletom com a parte de cima larga e verde. Não minto que as uso, mas é sempre para ficar em casa, nunca para aparecer no YouTube.

-Precisamos só de um rabo de cavalo para completar –ela sorriu.

Quando terminou de me arrumar, o resto do grupo chegou com os nossos equipamentos. Cada um foi ajudando da maneira que pode, e eu fiquei responsável por ficar longe de tudo. Acredita? Olha o abuso.

Pelo visto, me consideram desastrada demais para tocar em algo.

-Melhor deixar a acortina aberta ou fechada? –Frank perguntou para Lene, que deu uma analisada geral.

-Fechada, definitivamente fechada –sua cara se transformou em uma carranca do nada.

Todos seguimos o seu olhar e nos deparamos com James e Vance sentados, na cama dele, nos olhando fixamente.

Quando me recuperei do choque, rapidamente corri para fechar a cortina, tentando evitar os tremores de meu corpo.

Ciúme. Era isso que eu sentia. Nojo. Desgosto. Rancor. Mágoa. Tudo ao mesmo tempo.

-Você consegue –Remus sussurrou em meu ouvido –não deixa que eles te abalem. Você é mais forte que isso, Lils.

Anuí, agradecida. Fechei os olhos, me concentrando e comecei então, a seguir o comando de Lene.

Aos poucos fui me soltando, fingindo que estava sozinha no cômodo.

Tive que fingir que estava em uma ligação deitada na cama, comi chocolate deitada no chão, forcei algumas lágrimas não tão falsas a saírem, me agarrei a bichinhos de pelúcia e tudo que uma garota de coração partido tem direito.

-Agora é a parte mais simples –falou Frank, quando acabamos com o drama –É só tocar o teclado.

-E cantar –Sirius completou.

Assenti para eles, fechando os olhos e imaginando o rosto de James em minha frente.

Sem ter controle, um filme passou por minha mente. Várias lembranças de nós dois, cantando juntos, nos beijando nesse mesmo quarto anos atrás, viajando para a casa de meus avós, indo para o show de nossa banda favorita...

E a letra veio rapidamente, sendo cantada com o coração.

Oh, there he goes again
Every morning is the same
You walk on by my house
I wanna call out your name
I wanna tell you how handsome you are
From where I'm standing
You got me thinking
What we could because

I keep craving, craving
You don't know it, but it's true
Can't get my mouth to say the words
They wanna say to you
This is typical of love
Can't wait anymore
Won't wait I need to tell you
How I feel when I see us together forever

In my dreams, you're with me
We'll be everything I want us to be
And from there, who knows?
Maybe this will be the night
That we kiss for the first time
Or is that just me and my imagination?

We walk, we laugh, we spend our time
Walking by the ocean side
Our hands are gently intertwined
A feeling I just can't describe
And all this time we spent alone
Thinking we could not belong
To something so damn beautiful
So damn beautiful

Concentrar em cantar estava cada vez mais complicado. Eu sentia que ia me desmanchar em lágrimas a qualquer instante.

"Não Lily, foque. Você consegue", falei para mim mesma.

I keep craving, craving you
Don't know it, but it's true
Can't get my mouth to say the words
They wanna say to you
This is typical of love
Can't wait anymore
Won't wait I need to tell you how I feel
When I see us together forever

In my dreams, you're with me
We'll be everything I want us to be
And from there, who knows?
Maybe this will be the night
That we kiss for the first time
Or is that just me and my imagination?

Imagination.

Imagination.

In my dreams, you're with me
We'll be everything I want us to be
And from there, who knows?
Maybe this will be the night
That we kiss for the first time
Or is that just me and my imagination?

I keep craving, craving
You don't know it but it's true
Can't get my mouth to say the words
They wanna say to you

-Cacete –ouvi alguém dizer, me fazendo abrir os olhos e voltar para a realidade –Lily, você canta muito –era Sirius dizendo –Sério, eu já sabia, mas te colocar sozinha nessa música vai ficar incrível.

-Concordo –Alice suspirou –você me deixou arrepiada.

-Não só você –Frank sorriu para a namorada.

-É que dessa vez ela cantou com a alma –Remus me olhou com um sorriso de leve –Antes estava mais no automático.

Não podia negar. Eu me forçava a não pensar em nada enquanto cantava das outras vezes. Mas agora...eu não consegui impedir o fluxo de pensamentos, de emoções e de lembranças.

-E a gravação ficou ótima. Boa notícia, não vai ter que repetir –Lene me lançou uma piscadela e eu ri.

-Má notícia, hora de trocar de roupa para gravarmos no porão –Alice sorriu amarelo.

Todos suspiramos, nos organizando. Me deixaram sozinha com Lice no quarto, levando cada um, um equipamento diferente.

-Acho que precisamos de algo mais menininha hoje –ela encarou meu guarda roupa –quero dizer, coração partido precisa de algo mais simples e menos sexy.

-Concordo. Acho que calça jeans fica perfeito.

-Uma colada, porque depois desse moletom –ela apontou para as minhas roupas –você precisa mostrar que é linda.

Eu ri, pescando uma calça jeans escura e rasgada.

-Que tal? –perguntei quando a vesti.

-Perfeita –ela aplaudiu animadamente –e de blusa, que tal um cropped com uma jaqueta por cima?

-Mas não era para ser simples?

-Sim, por isso a jaqueta. E o cropeed não precisa ser todo preto e com um grande decote, ele pode ser floridinho ou rosinha –encarou novamente as opções –que tal esse aqui? –me mostrou um cropped fofinho, azul bebê.

-Ótimo –concordei, me vestindo. –Tênis?

-Sapatilha baixa –apontou para a preta.

Soltamos meu cabelo, e o arrumamos com o babyliss nas pontas, deixando-o mais delicado.

A maquiagem nem precisou ser modificada.

Nos posicionamos atrás dos instrumentos e começamos a tocar. Diferente das outras vezes, tivemos que repetir tudo mais de 20 vezes. A adaptação de Lene foi um pouco mais difícil, e mais dolorosa para mim, mas ainda assim, o resultado final ficou impecável.

Os próximos dias foram se passando arrastados. Eu via, todos os dias, James se aproximar mais de Vance. Aos poucos, eles saíram de uma amizade para algo a mais.

Agora, eles andavam de mãos dadas por todo o colégio, se beijavam durante o almoço para todo mundo ver e carregavam alianças de prata nos dedos.

Amos acabou se aproximando mais de mim, em contrapartida. Ele se tornou um grande amigo, um ótimo ouvinte e um incrível ombro para chorar. Ele me mantinha em pé quando eu só queria ser levada para baixo, me obrigava –e auxiliava –nos estudos, não deixando que meu desempenho escolar fosse prejudicado, e ainda me dava carona para a escola, quando podia.

Fiquei com receio de que ele começasse a confundir meus sentimentos –novamente –mas quando levantei a questão, ele só deu de ombros e falou que está trabalhando no processo de me superar. E ele estava falando sério.

Ele e Mary McDonald se aproximaram muito também e o aconselhei em mais um momento sobre como conversar com ela, flertar, chamá-la para sair e tudo mais.

As visualizações no canal foram aumentando, assim como as propostas para tocarmos em shows. Tivemos um em Beaxbatons e outro em Durmstrang, colégios de Londres.

As viagens eram bem cansativas. Sirius teve que pegar a caminhonete do pai emprestada e Lene o carro da mãe. Passamos dois finais de semana na cidade para os shows, na casa de meus avós.

Alice e Frank nos acompanharam nas duas, e na segunda, Amos conseguiu ir também –e com a Lene no palco, ele foi de grande utilidade.

Não vou mentir, James faz falta. Muita. Eu e Sirius com certeza somos o que mais estamos sofrendo, mas estão todos abalados.

Ele não deu mais notícias, apesar de continuar no grupo do WhatsApp e ser avisado constantemente dos ensaios, gravações e shows.

Até mesmo as pessoas que estão assistindo nossa vida pelas redes sociais começaram a comentar, pedindo-o de volta.

A #JilyBackTogether ficou em alta no Twitter, mas foi brutalmente respondida por Emmeline Vance com uma foto dela aos beijos com o meu ex amigo.

Muitas coisas na minha vida estavam indo bem –muito bem –mas a saudade de James estava me matando.

-Lily, amor –minha mãe me chamou, batendo na porta do quarto –posso entrar?

-Pode, claro –respondi sem nem me importar em sentar para recebê-la.

-Querida –suspirou –eu não sei o que está acontecendo entre você e James, mas isso precisa acabar. Não dá mais para vocês ficarem sem se falar dessa maneira.

-Mãe –gemi, colocando um travesseiro em minha cabeça –não quero falar sobre isso.

-Lily, mas já faz um mês! –ela tirou o travesseiro da minha mão –Senta, agora.

Obedeci rapidamente ao notar seu tom de mãe.

-James está lá embaixo.

-O quê? –arfei.

-Ele quer falar com você e eu estou te obrigando a falar com ele. Filha, eu sei que essa briga não foi culpa sua, mas você não pode deixar o rancor fazer com que você perca essa amizade. Eu vejo vocês dois juntos desde que eram crianças, e sei que um amor como esse é raro. Eu não vou permitir que o orgulho te faça perder seu melhor amigo.

-Mas mãe...-suspirei pesadamente –ele que parou de falar comigo. Parou de ir nos ensaios, nas apresentações, não quer mais almoçar conosco, nem fazer trabalho em grupo...nada.

-Então ele está agindo como um idiota –ela deu de ombros –Lils, vocês são adolescentes, e acima disso, são seres humanos. Vocês vão errar, e vão acertar. Vocês vão brigar e vão fazer as pazes. E se esse menino está lá embaixo esperando para te pedir perdão, então eu quero que você pelo menos ouça o que ele tem a dizer.

Pensei uma, duas, três vezes no que ela disse e cheguei a conclusão de que ela estava certa, como sempre. Se James queria agir com imaturidade, problema dele, eu não iria ser infantil daquele modo.

-Eu vou ouvir –me levantei, nem me importando em tirar o pijama e as pantufas de bichinho –mas não garanto que vou perdoá-lo.

-É o suficiente –ela me deu um beijo na testa –Não seja tão dura com ele.

Revirei os olhos e desci.

Era só o que me faltava, minha mãe começar a levantar bandeira do "Time James".

-O que você quer? –cruzei os braços para ele quando abri a porta.

-Ruiva –eu o olhei com ódio e ele rapidamente limpou a garganta –Lily...eu só preciso falar com você. Por favor –me estendeu a mão.

-O que você quer falar pode ser dito aqui –levantei a sobrancelha em desafio.

-Tudo bem –puxou os cabelos com força e contive o instinto de tirar a mão dele dali –eu não vim pedir desculpa –meu queixo caiu. Cara de pau –e eu sei que sou um grande cara de pau, mas eu não vim para isso. Uma pessoa muito sábia me disse uma vez que não é para pedir perdão se tiver a intenção de continuar a cometer os mesmos erros. E honestamente, a chance de eu continuar a cometê-los é muito grande.

-O que você quer? –sibilei, me preparando para fechar a porta na cara dele.

-Não –ele colocou um pé na frente –só me escuta, por favor. Eu...não aguento mais. Ficar sem você, eu digo. Eu sinto sua falta. Por favor, me deixa me reaproximar.

-Para que? Para você me esnobar novamente como se eu não fosse nada? Não, obrigada.

-Lily –ele respirou fundo –nem eu sei o que estou fazendo aqui, tá? A questão é que você é minha melhor amiga, eu te amo e eu quero você de novo na minha vida. Só que...eu preciso que você entenda que agora eu tenho uma namorada...

-Potter, eu não acredito que você veio aqui para esfregar seu namoro com a Vaca Vance na minha cara. Já não basta os beijos na escola? –cruzei os braços.

Eu não acredito na ousadia dele!

-É disso que eu estou falando. Eu quero me aproximar de você novamente, aos poucos...mas eu namoro agora. Então não dá para você chamar a minha namorada de vaca.

Meu queixo deve ter ido parar do outro lado do mundo.

-Potter, qual é o seu problema? Você acha que pode sumir por um mês e voltar como se nada tivesse acontecido? E ainda por cima, tentando enfiar uma namorada imbecil na minha goela como se eu te devesse alguma coisa? –deu um soco forte em seu ombro, e ele deu um passo para trás –Não vai rolar. Não quero mais saber de você.

-Ruiva –antes que eu tivesse tempo de pensar, ele me jogou em seu ombro –Senhora Evans, daqui a pouco eu a devolvo.

-Claro, querido –minha mãe soltou uma risadinha.

-JAMES POTTER, ME PÕE NO CHÃO AGORA –gritei, esmurrando suas costas –AGORA!

-Não enquanto você não me ouvir –respondeu, segurando minhas pernas com mais firmeza.

O caminho todo até seu jardim foi comigo o batendo e ele andando como se não tivesse sentindo nada.

E claro, os meus gritos.

-Me escuta –ele falou, quando me colocou na grama e me prendeu ali, com ele –por favor –e me lançou o olhar James Potter.

Sim, o olhar James Potter. O olhar que ele reservou só para mim –ou pelo menos era só para mim –para me convencer a fazer algo. E sempre, sempre funcionava.

Tenho vergonha de assumir que funcionou novamente.

-Fala rápido.

-Ok –ele respirou fundo antes de continuar –ruiva, eu sei que estou agindo como um grande babaca. Eu sei disso. Sei que faltei a mais ensaios do que estive presente anteriormente, sei que não apareci em apresentações importantes, que não estou no clipe de outubro, sei de tudo isso. E sei também, que eu não mereço um segundo da sua atenção.

-Então por que insiste em tê-la? –cruzei os braços contra o peito.

-Porque eu não desisto do que eu amo. E eu amo você, ruiva. –fingi que as palavras não me abalaram –Eu novamente, não vim pedir perdão. Eu realmente gosto da Emme –senti uma pontada forte no estômago, que tentei a todo custo esconder –e quero ficar com ela, tá? Então vou continuar levando-a para jantar, para a escola, sentando com ela na sala e tudo mais. Mas eu cansei de tentar negar você na minha vida. Eu sinto a cada dia que estou perdendo você e não consigo suportar isso!

Ele puxou novamente os cabelos e dessa vez, não consegui me conter e o impedi.

-James, o que você quer dizer com isso? Quer voltar para a banda e para as nossas vidas como se não tivesse passado semanas sem olhar na nossa cara?

-Sim –pisquei –por mais cara de pau que isso seja, eu quero, Lils. Eu gosto de cantar e até tenho uma música nova para nós. Eu vou continuar com a Emme, vou continuar andando com os amigos dela, mas também quero ficar com vocês.

-Você quer entrelaçar os dois mundos?

-Quero.

-Não vai rolar –ri, sem humor –eu e Lene não gostamos da Vaca Vance e ela não gosta da gente. Não vamos fingir que somos amiguinhas só para você ficar feliz. Principalmente depois de tudo que você fez. –ele suspirou.

-Eu sei, e nem quero isso. Só preciso de uma outra oportunidade. Você pode me dar isso? –me olhou com esperança –Se vocês realmente s conhecerem, vão conseguir se dar bem.

-Não, James –neguei rapidamente –eu não vou virar amiga dela. Mas acho que posso te dar outra chance. Só uma. –e naquele momento, eu sabia que era uma grande mentirosa.

Eu não aguentaria negar mais uma ou outra chance a ele, por mais idiota que isso me tornasse.

-Sério? Obrigado, ruiva –levantou-se em um pulo, me puxando consigo, e me dando aquele nosso abraço.

Coloquei minha cabeça em seu pescoço e respirei seu cheiro, me sentindo em casa novamente.

Casa. James é o meu constante. É em seu abraço que eu me sinto novamente em casa.

Me julguem.

10 de outubro de 2017.

James.

-Não –essa foi a única palavra dita por Marlene.

-Lene, por favor –Lily insistiu –só uma outra chance. Se ele faltar mais um ensaio, ele está completamente fora.

-Não.

-Lene –Moony interferiu –poxa, somos amigos dele há mais de 10 anos. Podemos dar outra chance.

-Não.

-Mas os fãs estão pedindo sem parar –essa foi a vez de Alice.

-A #Jily no Twitter não para –completou Frank –vai ser bom para a banda tê-lo de volta.

-Não.

-Lene –Sirius suspirou pesadamente, indo sussurrar algo que não conseguimos ouvir em seu ouvido –Por favor. –a vi amolecer em seus braços.

Esses dois andam meio estranhos.

Porém, quem sou eu para dizer algo? Não estive por perto no último mês.

-Aff, tá bom –abri um sorriso largo e comemorei com os outros –mas –falou em tom cortante –você só está novamente na banda. Não quero interagir com você fora dela, enquanto ainda estiver namorando a vaca da minha prima, capiche?

-Tudo bem –levantei as mãos em rendição –e não fale assim dela –Lily soltou um muxoxo ao meu lado.

-E a música nova precisa ser boa –apontou o dedo para mim e tremi de medo ao olhar em seus olhos ameaçadores –e nada de prima vaca nos ensaios. Nunca. Sem exceção.

-Ok –assenti.

Melhor não me envolver nas brigas de família, né?

-A música se chama "Kiss you" –me posicionei na guitarra –já ensaiei com Lily e ela gostou –ela sorriu para mim.

Linda para caralho.

Como era difícil fingir que já tinha a esquecido.

Eu sei que não é justo fazer isso com Emmeline, porém, ela é legal e atraente. Ficar com ela era fácil. Por alguns poucos minutos, quando eu não estava comparando-a com Lils, eu até achava que estava apaixonado.

Ah, quem eu quero enganar? Eu sempre estava comparado-a com Lily. Em como seus olhos azuis poderiam ser mais bonitos se tivessem o tom de verde brilhante de Lily. Em como sua boca poderia ser mais vermelha e carnuda como a de Lily. Em como os seus cabelos, perfeitamente lisos e loiros poderiam ser mais ruivos e ondulados. Em como suas mãos poderiam ser mais branquinhas, cheias de sardas e gordinhas. Em como o seu rosto poderia ser mais fofinho, com cara de bolacha e com as sardas espalhadas em volta do nariz e bochecha. Em como ela poderia ser mais curvilínea e mais baixa. Em como seu corpo poderia se encaixar perfeitamente em meu abraço.

Em como eu queria que ela fosse outra pessoa.

-Prongs? –Padfoot bateu em minha cabeça –Pare de babar nela.

-Respeite Emmeline –completou Moony, em tom sério, me fazendo olhar para o chão, envergonhado –Vamos, ela já entregou as partituras.

-Cinco, quatro, três, dois...-comandou Pads.

Oh, I just wanna take you anywhere that you like
We could go out any day, any night
Baby, I'll take you there, take you there
Baby, I'll take you there, yeah

Oh, tell me, tell me, tell me how to turn your love on
You can get, get anything that you want
Baby, just shout it out, shout it out
Baby, just shout it out, yeah

And if you-u-u
You want me too-o-o
Let's make a mo-o-ove
Yeah
So tell me, girl, if everytime we
To-o-ouch
You get this kind of ru-u-ush
Baby, say yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah

Soltei um sorriso largo, me deixando meu corpo me conduzir. Caralho, como eu senti falta disso.

Senti os olhos de Lily em mim e a olhei, piscando para ela, que sorriu e corou em resposta.

Linda demais.

If you don't wanna take it slow
And you just wanna take me home
Baby, say yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah
And let me kiss you

Oh, baby, baby don't you know you got what I need?
Looking so good from your head to your feet
Come a, come over here, over here
Come a, come over here
Yeah

Oh I just wanna show you off to all of my friends
Making them drool down their chinny-chin-chins
Lily, be mine tonight, mine tonight
Lily, be mine tonight
Yeah

Ouvi um arfar nada discreto de Alice e me virei para Sirius, desesperado. Ele sorriu largamente para mim, claramente segurando a risada.

Não olhei para Lily e fingi que nada tinha acontecido, para disfarçar e dizer que ela ficou louca depois.

Merda, como eu sou um imbecil.

And if you-u-u
You want me too-o-o
Let's make a mo-o-ove
Yeah
So tell me, girl, if everytime we

To-o-ouch
You get this kind of ru-u-ush
Baby, say yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah

If you don't wanna take it slow
And you just wanna take me home
Baby, say yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah
And let me kiss you

Let me kiss you
Let me kiss you
Let me kiss you
Let me kiss you
Come on!

Na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na na na

Yeah
So tell me, girl, if everytime we

To-o-ouch
You get this kind of ru-u-ush
Baby, say yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah

If you don't wanna take it slow
And you just wanna take me home
Baby, say yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah

Everytime we
To-o-ouch
You get this kind of ru-u-ush
Baby, say yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah

If you don't wanna take it slow
And you just wanna take me home
Baby, say yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah
And let me kiss you

-Você só vai poder ficar na banda por causa dessa música –Marlene disse, me olhando duramente –agora vamos ensaiar nosso repertório. Vamos cantar semana que vem em um pub aqui perto.

-Vamos? –perguntei, sem conseguir segurar a língua.

-Vamos, e agora que você decidiu aparecer novamente, seria bom você abrir as mensagens do grupo e olhar o calendário que o Frank mandou semana passada.

-Anotado –falei rapidamente. –Qual a próxima?

-Vamos começar com "Count on me" –Alice respondeu, me olhando com simpatia.

Ok, fingir que eu não fiz besteira vai ser um trabalho impossível, mas pelo menos eles estão me dando outra oportunidade.

E eu vou aproveitá-la.

~ J & L ~

Oieee, gente! Desculpem a demora, as minhas sextas estão mais corridas do que eu esperava que tivessem!

Gostaram do capítulo?

Ciúme tá simmmm, correndo solto, e vocês que lutem com esses dois burros heheheh!

James está começando a agir como um idiota, não é mesmo? Vontade de dar um leve soco heheh.

AAh, a Mylle Malfoy aceeeeertou! Música do Shawn Mendes aí para vocês!

As músicas do capítulo foram (NOVAMENTE!) "What makes you beautiful", "Kiss you", do One Direction, e a novidade: Imagination, do Shawn Mendes (que eu imagino sendo cantada pelo cover da Amanda Nolan)!

Gostaram das escolhas?

Beijos e até sexta que veeeem!

Mylle: Oie! Siimmm, esses dois ficam nesse climão, brigando e fazendo as pazes, mas sem realmente contar o que está passando na cabeça deles! Insegurança que fala, né? Para saber mais da banda...acho que só lendo mais dos próximos capítulos mesmo heheh! Espero que tenha gostado do capítulo! Beijo e até sexta que vem!