Prólogo
-Eu tenho um problema, Severus.
-Meu Senhor? - Severus estava em pé na frente de uma mesa, Voldemort do lado oposto. Nagini, flutuando ao seu lado dentro de uma esfera estrelada, enrolou-se e girou. O Lorde das Trevas de olhos vermelhos levantou sua varinha, e Severus reconheceu, a Varinha das Varinhas que ele havia tirado da tumba de Dumbledore.
-Por que isso não funciona para mim, Severus?- ele perguntou suavemente.
-Meu, meu senhor? Eu não entendo. Você, você realizou uma mágica extraordinária com essa varinha.
-Não. Eu realizei minha mágica usual. Eu sou extraordinário, mas esta varinha... não. Não revelou as maravilhas que prometeu. Não sinto diferença entre esta varinha e a que adquiri de Ollivander todos esses anos atrás. - Houve uma pausa. - Não fez diferença.
Severus não respondeu. Ele sabia o que estava acontecendo, temia. Estava aqui, chegou o momento. Voldemort começou a andar pela sala, e Severus engoliu.
- Pensei muito, Severus ... você sabe por que te chamei de volta da batalha?
Sim, ele sabia, ele sabia. E ele não podia escapar. Ele olhou para a cobra e se perguntou ... Se chegar um momento em que Lorde Voldemort pare de enviar a cobra para cumprir suas ordens, mas a mantenha segura ao lado dele, sob proteção mágica, então, acho que será seguro contar a Harry.
-Não, meu senhor, mas eu imploro que você me deixe voltar. Deixe-me encontrar Potter.
- Você parece Lucius. Nenhum de vocês entende Potter como eu. Eu não preciso encontrá-lo Potter virá para mim. Eu conheço a fraqueza dele, veja bem, a única falha dele. Ele odiará ver os outros caidos ao seu redor, sabendo que foi sua culpa. Ele vai querer parar com isso a qualquer custo. Ele virá.
- Meu Senhor - Severus pensava que seria capaz de lidar com isso com calma e racionalidade! O terror tomou o poder de todas as fibras de seu ser, e ele podia sentir suas mãos e joelhos tremendo.
- A Varinha das Varinhas não pode me servir adequadamente, Severus, porque eu não sou seu verdadeiro mestre. A Varinha das Varinhas pertence ao mago que matou seu último proprietário. Você matou Albus Dumbledore. Enquanto você vive, Severus, a Varinha das Varinhas não pode ser verdadeiramente minha.
-Meu Senhor! - Severus gritou e, finalmente, teve o bom senso de pegar sua varinha e erguê-la alta, apontando para o inimigo.
- Não pode ser de outra maneira. Eu devo dominar a varinha, Severus. Domine a varinha, e eu finalmente domino Potter. - Voldemort jogou a Varinha das Varinhas no ar, e Severus se afastou, preparado para um contra-ataque, e por um segundo nada aconteceu. Uma onda de alívio varreu dentro dele.
Aconteceu tão rapidamente que ele não percebeu até que fosse tarde demais. De repente, Nagini rolou para a frente. Tom Riddle falou em língua de cobra e Nagini atacou. Severus gritou de agonia quando suas presas perfuraram a pele de seu pescoço e rasgaram as veias para dentro - seus joelhos vacilaram e ele caiu no chão, ainda enjaulado, sentindo o veneno de Nagini fluindo através de seu corpo e o sangue jorrando da ferida em seu pescoço.
- Lamento - disse uma voz impiedosa ao longe, e de repente ele caiu de lado. Ele levou a mão ao pescoço e pressionou, tentando impedir que o sangue deixasse seu corpo, mas era inútil, ele ia morrer. Como ele havia dito antes, não havia como escapar. Sua visão já estava vacilando, e ele podia sentir o sangue no chão o molhando.
Do nada, eles estavam lá - um par de profundos olhos verdes olhando nos dele. Era Harry, era ele.
A cobra. Lorde Voldemort parou de enviar a cobra para cumprir suas ordens, mas a mantinha segura ao lado dele, sob proteção mágica, então, acho que será seguro contar a Harry. Era a cobra
Também tinha que dizer que, na noite em que Lord Voldemort tentou matá-lo, quando Lily lançou sua própria vida entre eles como um escudo, a Maldição da Morte repercutiu em Lord Voldemort, e um fragmento da alma de Voldemort foi explodido e se trancou. para a única alma viva que resta naquele edifício em colapso. Parte de Lord Voldemort vive dentro de Harry.
Sim, a hora estava aqui, era agora ou nunca, ele não tinha muito tempo com o maior esforço, ele levantou o braço e agarrou as vestes de Harry e o puxou para mais perto.
- Pegue ... isso... - falar custou tanto esforço agora - Pegue... isso...
Ele sentiu suas memórias deixando seu ser moribundo ...
E ele terminou ele havia dado a Harry Potter sua contribuição final ... Ele havia lhe dado toda a sua ajuda, e agora tudo dependia dele ... Sim, ele sabia que Harry seria bem-sucedido, tinha certeza de que Lord Voldemort iria cair para sempre, e ninguém mais teria que se preocupar com o mundo em que viviam ... E ele ajudou. Em sua vida ele não conseguiu cuidar de Harry Potter. Falhou com vários, com sua mãe, com Lily... Mas com sua morte poderia fazer alguma coisa ... Ele só queria salvar a vida de alguém. Harry Potter estava seguro, e ele havia dado a vida por isso ... pelo filho de Lily ...
Lily...
-Olhe... para... mim... - ele sussurrou para o garoto, sentindo-se fisicamente mais fraco a cada segundo, mas com menos medo de morrer agora...
Olhos esmeralda olhavam de volta para ele, e os cabelos pretos do garoto se transformavam em longos cachos vermelhos escuros, e seu rosto agora era de Lily. E ele não estava mais com medo. A morte não o assustou. Ele dera a vida por todo o bem do mundo. Ela ficaria tão orgulhosa. E quando os olhos verdes começaram a desaparecer, ele acolheu a morte. Ele finalmente veria Lily novamente ...
A escuridão o cercou e, por uma fração de segundo, ele pensou que estava de volta à floresta Negra. Ele abriu os olhos e piscou várias vezes. O último lugar que teria passado por sua mente apareceu diante dele.
Ele parou em um pequeno playground e sentou-se atrás de um arbusto, estava cansado. Enquanto lágrimas cresciam em seus olhos negros, ele pegou uma flor do mato próximo. Um lírio branco. Quando foi a última vez que ele esteve lá? No entanto, uma pergunta mais urgente veio à sua mente. Por que ele estava lá?
Ele vasculhou o cérebro em busca de uma resposta. Uma série de imagens cintilaram em sua mente, uma cobra rastejando em sua direção. Voldemort, examinando a Varinha das Varinhas com seus longos dedos brancos e um par de olhos esmeraldas.
Ele estava morto. E, no entanto, ele estava ...vivo.
Ele olhou em volta, tentando encontrar uma resposta para sua pergunta, mas encontrou o lugar vazio. Ele estava sozinho. O que foi isso? Uma espécie de limbo entre a vida e a morte, ele pensou ... Em algum lugar no meio. O lugar onde ele teve a opção de viver eternamente na forma de um fantasma, ou como os próprios fantasmas o chamavam 'além'.
Quando este último pensamento se formou em sua mente, o vapor começou a aparecer ao seu redor. Severus se virou e olhou através do arbusto. Ele deu um passo à frente de onde vinha um brilho. A luz inundou o local onde ele estava, e uma névoa fina e prateada o recebeu. Ele olhou para dentro dela e viu uma figura em pé silenciosamente assistindo, esperando…
Quanto tempo tinha passado? Dezenove, vinte anos desde a última vez que a vira? Desde que ela esteve tão viva pela última vez?
-Mãe?
Cap 1
-Mãe... - Seu contorno estava cada vez mais forte e definido. Ele hesitou por um momentouma pequena parte dele estava decepcionado que não era Lily que o esperava. Mas também por que seria ela? Ele a deixou na mão e não conseguiu protege-la. Assim como falhou em proteger sua mãe que estava de pé em sua frente.
Como se para provar a afirmação, Eileen deu um sorriso radiante como se acordasse de um sonho bom e se aproximou
-Eu não entendo... - Severus respondeu. Ele tinha certeza de que não havia nada após a morte, tudo aquilo ainda era inacreditavel em sua mente
- A maioria das mortes é bastante direta. No entanto, algumas vezes algumas encontram uma espécie de encruzilhada; algumas como o jovem Harry e você , por exemplo. Potter tinha um destino a completar, mas o seu destino, e eu acho que isso é empolgante, é um pouco incomum.
- Então por que estou aqui?
-Você gostaria de voltar Severus?- Eileen perguntou com um brilho nos olhos.
Severus balançou a cabeça - Não - Ele disse com firmeza. Por que ele voltaria? Para um mundo sem Lily, ele queria descansar, se livrar de tudo.
-Eu acho que sim. Você vê Severus de vez em quando, temos homens cheios de arrependimentos. - Severus olhou para sua mãe com um rosto confuso.
-É claro que todos nós temos arrependimentos, mas há alguns homens que têm arrependimentos profundos e esses arrependimentos os ancoram no mundo dos vivos. - Ele queria se assegurar que sua mãe não estava sugerindo que ele seria um fantasma, uma memória patética de quem ele era quando estava vivo. Seu maior arrependimento já estava morto, voltar não faria diferença alguma agora.
-Severus, você não pode continuar. - Ela disse com um pequeno sorriso
- Não tenho medo de continuar, mesmo que eu vá para o inferno que meu pai falou quando estava bêbado. - Severus disse com raiva. Era como sua adolescência outra vez. Sua mãe nunca o escutava e fazia o que achasse melhor, mesmo que isso a matasse e levasse a vida do filho para o buraco junto
- Não, meu garoto, você está enganado. - Ela ainda tinha aquele sorriso em sua face. Severus queria finalmente descansar, ele queria paz. Porém esperou em silêncio. Em sua mente, Severus estava pronto para continuar. Ele não queria mais viver, ele havia cumprido seu propósito. Ele ao menos protegeu Harry. Não protegeu? Ele queria saber sobre Harry. - O garoto também morreu?
Ela olhou para o filho -Sim, bem, a parte de Voldemort que residia nele está morta. Harry decidiu voltar e lutar
-Ele derrotará o Lorde das Trevas?- Ele perguntou encorajado pela resposta.
-Ele vai. Harry terá uma vida longa e feliz. Ele será um auror e terá três filhos com Ginny Weasley. Um deles terá seu nome. Segundo ele, você era o homem mais corajoso que ele conhecia.
- Quão grifinório da parte dele. - Severus soltou uma pequena risada. - Mas para onde eu vou então?
-Eu pensei que você nunca perguntaria. - Ela o abraçou e depois se afastou - Boa sorte, Severus.
- Mãe, espera! Você tem que me explicar. - Mas a mulher não ouviu ou não quis escutar. Ele tentou andar em sua direção, mas descobriu que estava enraizado no lugar
Ele caiu através da névoa, espiralando para baixo, até entrar na completa escuridão. Ele esperou alguns segundos e então abriu os olhos. Para sua surpresa ele ainda estava no parque de sua infância. Mas não era sua mãe que estava lá.
Ele não podia acreditar no que estava diante dele. Uma garota estava sentada no balanço, parecia ter 15 anos, cabelos ruivos e lindos olhos verdes olhando para o horizonte, observando tudo e o nada ao mesmo tempo. Ele simplesmente olhou para ela por alguns momentos, antes que a emoção reprimida de 21 anos chegasse aos seus olhos. Lágrimas escorreram por seu rosto e seu peito ardia de felicidade. Lily está aqui, finalmente posso vê-la novamente.
Severus quis gritar mas sua garganta ardia como se a cobra o tivesse atacado de novo. Foi quando sentiu o sangue escorrendo por seu corpo e se deixou cair ao chão
Lily ao escutar o barulho se virou e viu o homem de vestes pretas estirado ao chão, quando se aproximou viu o rosto de Severus, seu amigo de infância. Mas aquele não poderia ser Severus, era um homem de quarenta anos com uma ferida profunda no pescoço e Severus seu amigo, bem seu ex-amigo, tinha apenas 15 e nem o seu pai conseguiria machucá-lo tão profundamente.
Tomou coragem e colocou as mãos em sua garganta para estancar o ferimento. Pelas suas vestes era um bruxo, mas o que ele estaria fazendo em uma vizinhança trouxa? E o mais importante, o quê o havia atacado? Pareciam marcas de um animal, dentes, mas não havia veneno aparente, somente o rasgo… algum animago talvez? Será que ele ainda estava por perto? Sem outra escolha Lillian fez dois feitiços para estancar o sangramento.
Era a coisa mais idiota de se fazer, ele poderia ser um ladrão, um assassino, um estuprador, um comensal da morte… Seus pensamentos pioravam a cada segundo. Mas ela não poderia deixar aquele homem largado no parque. O que o atacou poderia estar nas redondezas pronto para terminar o serviço. Seu coração se acalmou quando lembrou que sua família estava na casa do namorado de sua irmã em um almoço para o qual ela foi especialmente desconvidada. Respirou fundo levitou o corpo até seu quarto.
Nervosamente colocou uma toalha molhada na cabeça desse Velho Severus, como ela resolveu chamar o homem do parque, e esperou. Ele acordar ou a carta de expulsão de Hogwarts, o que acontecesse primeiro...
