Cap 5
Era o primeiro dia de mais um ano letivo e já faziam muitos anos que este dia não revelava nenhuma surpresa para o diretor de Hogwarts. Contudo após o entardecer o patrono de um bode apareceu em sua janela, a voz de seu irmão o informava firmemente sobre a visita de um homem. E aparentemente este homem seria capaz de mudar a guerra que iria ser travada contra o crescente poder de Tom Riddle
De dentro de seu escritório, Dumbledore ouviu a batida alta e clara. Curioso para saber quem era aquele homem solicitando uma audiência com ele na crescente hora tardia, ainda mais por intermédio de seu irmão Abelforth. Dumbledore chamou a porta aberta com um mero aceno de mão. Quando ele viu o homem parado ali, um sorriso apareceu no rosto envelhecido.
- Ora, boa noite - Dumbledore o cumprimentou amavelmente. - Entre, a que devo esse prazer?
Quando Severus entrou na sala, ele fez uma careta quando a saudação nauseabunda de Dumbledore. Claro, Severus estava acostumado com os teatros de Dumbledore, principalmente de sua outra vida como professor, mas ele teve a sensação de que essa não seria a última vez que ele teria que testemunhar a alegria e o brilho de Dumbledore nesta vida.
- Eu não chamaria exatamente de prazer - Severus murmurou, sentando em seu lugar de sempre. - O que eu gostaria de discutir com você não é nada agradável.
- Ah - disse Dumbledore, finalmente se contendo um pouco. O velho mago sentou-se atrás da mesa. - Posso pegar algo para você beber? Chá, talvez? Ou um doce de limão? Senhor… - O velho mago tentou ler a mente do visitante, mas o homem era como um bloco vazio. Isso apenas indagou ainda mais a curiosidade do velho que parecia estar se divertindo pela primeira vez em muito tempo
Severus olhou para o pote de doces na mesa do diretor enquanto Dumbledore apontava para eles. - Não, obrigado. - Severus disse com aparente desgosto, mais porque Dumbledore parecia muito zeloso em vê-lo. - Prince. Severus Prince
Dumbledore riu, o brilho voltando aos seus olhos antes que ele ficasse sério novamente. - Sr. Prince, o que devo pensar ou fazer sobre você? É melhor colocarmos todas as cartas na mesa, não é?
Severus ficou em branco, escondendo todas as emoções enquanto considerava a situação. Desde que tinha voltado considerava se deveria contar ou não a Dumbledore sua antiga vida. Mas por fim concluiu que não havia razão para não fazê-lo. Queria manter Lily e todo mundo com quem se preocupava em segurança e a confiança do diretor seria inestimável. Ele sabia que Dumbledore só queria o melhor para todos, embora seus métodos possam ser questionáveis. - Eu estou morto.
A pergunta de Dumbledore cobria cada centímetro de seu rosto, mas ele esperou uma explicação.
- Em 1998, aos trinta e oito anos, morri e fui mandado de volta para cá - Severus cruzou os braços em um desafio silencioso, desafiando Dumbledore a dizer que estava enganado ou louco.
- Essa é uma ... situação única - disse o diretor.
- Bem, foi isso ou passar a eternidade como um fantasma. - Os pensamentos agitados de Dumbledore refletiram em seu rosto. - Você duvida de mim, Albus? - Severus usou o antigo tom familiar que sempre usava quando falava com o diretor.
- Não. - Dumbledore não comentou sobre o uso de seu primeiro nome. - Não vejo porque alguém inventaria essa mentira, ainda mais se dando o trabalho de me contactar pelo meu irmão... - Severus sabia que Albus estava usando a Legilimência, mas deixou que o velho confirmasse sua história - Presumo que você queira ajudar na luta contra Voldemort?
- Eu só quero que meus amigos estejam seguros.
- E você já cometeu todos os erros da juventude. - Dumbledore balançou a cabeça. - Estou feliz que você escolheu me dizer isso. Sem dúvida, você será um aliado valioso.
- O mesmo para você, Albus. - Severus sorriu. - Embora eu aprecie isso se você guardar isso para si mesmo.
- Não precisa nem pedir- disse Dumbledore. - Eu sou muito bom com segredos.
- Confie em mim, eu sei - Severus murmurou sombriamente.
As horas voaram. Dumbledore fez uma série de perguntas e Severus explicou, mas apenas o que ele não considerou muito pessoal. Ele contou como Dumbledore e Voldemort lhe ensinaram magia avançada, mas deixou de fora a verdadeira razão de sua mudança em questão ao Lorde das Trevas, Lily. O filho dos Potter e a profecia também nunca entraram na conversa. No entanto, Severus contou a Dumbledore sobre os Horcrux e o que o diretor disse em sua vida anterior, menos algumas coisas.
Finalmente era hora de iniciar seu plano para salvar a todos
A primeira vez que vi Severus foi realmente no meu primeiro dia de Hogwarts. Lembro-me de embarcar no trem e procurar nos compartimentos um lugar livre para sentar. Eu estava atrasado, então a maioria deles já estava cheia. Finalmente cheguei a um que estava quase vazio, contendo apenas uma menina e um menino. A garota era extremamente bonita, com cabelos ruivos e olhos mais verdes que uma pessoa já viu. Ela parecia amigável. Não prestei muita atenção ao garoto, pois me dirigi a ambos com um - Olá - . Eu sorri enquanto caminhava no compartimento para me sentar.
- Está cheio - O garoto zombou. Pela primeira vez, olhei para ele corretamente. Ele já tinha vestido as roupas da escola, o que eu achei estranho. Ele tinha longos cabelos negros que passavam pelo rosto. Ele tinha um ar sobre ele, eu não conseguia entender, mas de alguma forma ele parecia não amado. Os olhos notáveis da garota não eram nada comparados aos dele, que eram ... pretos?
- Sev não seja tão rude, oi eu sou Lily.- Ela sorriu me estendendo a mão
- Eu sou Mary. -Eu respondi, surpresa com o que Sev disse, abrindo a porta para sair.
- Não vá embora! - Lily disse rapidamente - Sev não quis dizer isso. Você quis dizer? - Ela lançou-lhe um olhar de aviso.
Eu esperava que ele a ignorasse e me dissesse para sair novamente, mas para minha surpresa, ele resmungou - Não - e suspirou.
Eu não acho que gostei muito dele, ele foi rude e condescendente. Mas havia algo nele que me fascinava. - Então você é 'Sev' então?- Eu perguntei.
- É Sev-er-us para você. - Ele cuspiu com ódio.
Afastei-me dele sentindo-me um pouco inferior. Lily sentiu a tensão e conversou comigo por alguns minutos sobre trens. Eu gostava muito dela, mas não conseguia me concentrar muito na conversa com os olhares da morte que o garoto, Severus, estava me dando. Isso causou arrepios na minha espinha. Como ele poderia me odiar tanto, quando ele nem me conhecia?
A viagem de trem acabou, mas não até Lily praticamente falar sobre todos os assuntos. Ela ignorou o amigo devido ao mau humor dele. Isso só o fez olhar para mim com mais ódio.
Lily me avisou de alguns dos outros estudantes desagradáveis em nosso ano. Severus e Lily já tinham tido um encontro hostil com um grupo de garotos que estavam em outro compartimento.
Lily era legal o suficiente, mas eu não sabia o que fazer com Severus. Depois de refletir sobre seu personagem por algum tempo, de repente percebi que não deveria me importar com o que ele pensa de mim. Afinal, Severus era apenas um garoto que conheci em um trem, que me odiava sem motivo. Esta foi a minha primeira vez em Hogwarts. Havia coisas muito mais importantes com que se preocupar.
- Episkey- Era a mesma voz do trem
- Você tem certeza que quer fazer isso, Sev? - Mary MacDonald recobrava a consciência enquanto escutou a voz de Mulciber.
Severus Snape assentiu sombriamente. Parte dele disse que isso era loucura, Mulciber tinha o dobro do seu tamanho e seu pai era um Comensal da Morte, mas outra parte dele não dava a mínima. Ele tinha prometido ao seu tio que não entraria em confusões em Hogwarts e em menos de um mêsjá estava quebrando o acordo. Ele resolveu seguir Mulciber quando o viu saindo no meio da noite do dormitório em direção a torre da Grifinória
Mulciber tinha mandado uma mensagem anônima para uma aluna da Grifinória marcando um encontro em um local que sabia que não havia monitores. Tudo não passava de um plano para torturá-la. Ele machucou uma aluna apenas por causa de seu status sanguíneo, uma voz sombria e irritada em sua cabeça rosnou. Ele deve pagar. Seu eu antigo estava fazendo mudanças pelo mundo, já era hora dele fazer algo na escola.
- Langlock!- O feitiço instantaneamente prendeu a língua de Mulciber no céu da boca. Isso deve impedi-lo de pedir ajuda. Inferno, pode até impedi-lo de lançar feitiços. Um sorriso feroz cruzou o rosto magro de Snape. Isso tornaria as coisas muito mais fáceis. Usou esse tempo para fechar o resto dos ferimentos de Mary e colocá-la em um canto seguro
- Uht de ell está indo! - Mulciber gritou com a língua imobilizada. Ele sacou a varinha, mas Snape foi mais rápido.
- Confrigo! - Uma explosão de poder mágico atingiu Mulciber, fazendo-o cair pelo corredor em direção ao beco sem saída. Snape o seguiu, esperando prender o sonserino maior contra a parede levando o duelo para o mais longe possível de onde Mary estava se recuperando
- Estupefaça! - Mulciber conseguiu gritar, o feitiço Langlock já estava acabando. Snape conseguiu desviar o feitiço, mas o impacto o deixou assombroso, permitindo que Mulciber se levantasse.
- O que há com você, Snape? - Mulciber rosnou.
Snape se endireitou e fixou o olhar no sonserino maior. - Você provavelmente sabe, Mulciber.
Mulciber riu maliciosamente. - Você voltou muito estranho destas férias. Acho que você não achou o que eu fiz muito engraçado. Você deve ter passado tempo demais com trouxas e aquele aborto que é a sua mãe
Snape rangeu tanto os dentes que doeu. - Reducto! - ele gritou, apontando sua varinha para uma parede próxima. Pedaços de tijolo explodiram nas paredes. - Depulso! - Os destroços voaram em Mulciber, uma tempestade de pedra que quebraria todos os ossos do corpo do outro sonserino se todos atingissem.
- Protego!- Mulciber sorriu maliciosamente e começou a desviar o tijolo voador. - Você terá que fazer melhor que isso, Snape.
Então um pedaço o atingiu na mandíbula, limpando o sorriso do rosto. Snape sorriu. - Você fala demais.
Mulciber xingou e cuspiu sangue. - Tripudio! - Snape sentiu uma onda de poder mágico se aproximar dele.
- Protego! - Ele sentiu a magia que Mulciber havia mandado recuar, mas não antes que o feitiço o levasse dois saltos em direção à entrada do corredor sem saída. Deve ter sido o que ele usou em Mary.
- Reducto! Depulso! -Mulciber tentou usar o truque de Snape contra ele.
- Protego!- Snape respondeu. Depois de todo o seu treinamento no verão com seu tio suas defesas estavam melhores. Seu escudo era mais eficaz que o de Mulciber; bloqueou todos, exceto dois pedaços de tijolo e Snape conseguiu evitá-los. Eu sou um alvo menor do que ele.
- Depulso! - Snape enviou os destroços voando de volta pelo corredor.
- Estupefaça! - Ambos gritaram o feitiço ao mesmo tempo e, embora ambos tentassem se proteger, nenhum dos dois conseguiu. Os dois bruxos voaram em direções opostas. Quando Snape conseguiu se levantar, Mulciber já estava andando novamente.
- Tentando fugir? - Snape provocou.
Mulciber olhou furioso. Apenas chegando perto o suficiente para torcer o pescoço, seu pequeno traidor.
- Duvido que você tenha sucesso - disse Snape casualmente. Então seus olhos se fixaram em Mulciber. - Talvez depois que isso acabar - ele sussurrou. - Você aprenderá a guardar seus feitiços para si mesmo.
Mulciber bufou. - Por que você se importa? Ela é apenas uma sangue-ruim.
Ambos estavam tão ocupados no duelo que não ouviu os passos atrás dele. - Silencio ! - Albus Dumbledore recitou. Os jovens pararam e olharam confusos para o diretor. Ele carregava um corpo nos ombros, mas não qualquer corpo, era o Severus mais velho - Mulciber para o escritório de Horácio agora. Sr. Snape me acompanhe por favor - O sangue do jovem Severus gelou, mas seguiu silenciosamente
O dia quase raiava, mas aparentemente as surpresas não haviam acabado
