Cap 6

Naquele dia antes...

Pelas contas de Severus nessa época eram apenas cinco horcruxes, o Lorde das Trevas tinha encontrado sua cobra depois da primeira guerra e ainda não existia Harry. Ele e Dumbledore tinha decidido ir bem busca do medalhão primeiro, seria a missão perfeita para estabelecer a confiança que ambos precisavam. Regulus com certeza ainda não tinha o roubado, mas se era algo que um Black conseguiu fazer ele também poderia.

Ele não sabia, mas eu seu mais novo estava travando uma batalha contra os futuros seguidores de Voldemort ao mesmo tempo em que eles estavam em pé sobre um alto afloramento de rocha, cercado pelo mar por todos os lados. Havia um enorme penhasco escuro por perto que provocava arrepios em sua espinha apenas de olhar para ele.

- Está aqui? - Dumbledore questionou o homem que apareceu em seu escritório a menos de um mês, e o fez questionar todas suas certezas. Ele sabia que Severus ainda não havia contado tudo, mas estava disposto a segui-lo para descobrir mais sobre ele

- Sim, logo ali. - Ele apontou para uma fenda fina no penhasco.

- Acho que teremos que nadar? - Dumbledore disse com um sorriso provocador

Snape assentiu e lançou vários feitiços repelentes à água em suas roupas. Eles desceram a rocha, indo em direção ao mar. As pedras mais próximas ao penhasco estavam escorregadias com a água do mar e tomavam cuidado para não escorregar. Quando chegaram à última das pedras, Snape tirou a capa, encolheu-a e colocou-a no bolso. Eles acenderam suas varinhas, apertaram-na entre os dentes e deslizaram na água. Estava gelado.

Eles logo alcançaram a fissura no penhasco e nadaram através dela. Levou-os para um túnel escuro, parcialmente cheio de água. Ela se sentiu feliz por não ter sido maré alta.

Depois que eles nadaram por um bom tempo, e seus dedos das mãos e pés começaram a ficar dormentes, eles finalmente chegaram à caverna. Eles subiram alguns degraus de pedra e finalmente tiveram chão sólido sob os pés mais uma vez.

Eles começaram a atravessar a caverna, procurando qualquer coisa que pudesse parecer uma entrada. Albus não tinha idéia do que estava procurando o que era muito desconfortável para um bruxo como ele. Mas Severus não parecia estar tendo maior sorte. Tudo o que ele fez foi caminhar pela caverna, de vez em quando parando para tocar em uma parte da parede da caverna. Depois de cerca de um quarto de hora

- Acho que a entrada está aqui - Finalmente celebrou Severus

- Então o que fazemos agora?- Prince apenas balançou a cabeça, levantou a varinha e murmurou um encantamento. Por um momento, um contorno arqueado ficou visível, brilhando na caverna escura. Então se foi novamente.

Prince suspirou, guardou a varinha e continuou a observar a parede da caverna.

Dumbledore odiava se sentir sem noção. - O que você está fazendo?

- Estou tentando me lembrar de uma coisa- ele retrucou. - Talvez, se você tiver a gentileza de ficar quieto por um momento, eu possa realmente ter sucesso.

Ele calou a boca abruptamente, deixando Severus desvendar o segredo da passagem por conta própria. Era nítido que teriam um longo caminho para traçar nessa parceria, mas era o preço a se pagar para acabar com Tom Riddle. Prince permaneceu em silêncio por vários momentos terrivelmente longos, e então, finalmente, ele falou tão baixinho que ela pensou que poderia ter imaginado, se não fosse por seus lábios se movendo. - Ah! Entendo.

- Esta passagem me lembra algo que eu já vi antes - disse ele, pegando sua varinha mais uma vez. Algo que o Lorde das Trevas mostrou uma vez a seus seguidores. Agora, se bem me lembro ...

Ele murmurou algo e no momento seguinte um corte apareceu em seu braço. O sangue escorreu e ela se encolheu involuntariamente. Prince pressionou o antebraço contra a parede da caverna e a passagem reapareceu. Desta vez, ele permaneceu no lugar, mesmo quando ele puxou o braço para trás.

-Conseguiu meu rapaz!

Severus apenas usou sua varinha para fechar o corte e depois passou pela passagem, olhando por cima do ombro para ver se o velho bruxo ainda o seguia

Eles haviam entrado em uma caverna de teto alto e estavam na beira do que parecia ser um grande lago escuro. A única luz que penetrava a escuridão era um leve brilho esverdeado que brilhava longe do que parecia ser o meio do lago. Eles ergueram as varinhas acesas um pouco mais alto.

- Siga-me e não toque na água - Severus avisou, antes de partir para a escuridão. Eles andaram e andaram, nunca sendo capazes de ver mais do que alguns metros à frente. Momentos depois, um pequeno barco verde medonho apareceu à superfície. O barco veio flutuando na direção deles.

A viagem de barco foi breve, mas Dumbledore identificou um grande número de Inferis no lago, concluiu que eles seriam um grande problema para saírem da caverna. Finalmente pisaram na margem e Severus saiu abruptamente do barco indo em direção uma vasilha

- Da última vez que você fez isso acabou morrendo depois. Apenas se assegure que eu consiga a Horcrux - E começou a beber avidamente a água sem titubear. O mundo inteiro se apagou o único foco do ex-comensal era conseguir aquele medalhão. Diversas vozes começaram a gritar em sua cabeça para parar. Seu corpo queria regurgitar a água, mas quanto mais o mundo lutava contra ele mais ele se focava em sua missão. Quando se deu por si estava de volta ao barco - Por favor... água...

Dumbledore se sentiu chocado ao perceber o quão fraco ele parecia. Mas precisava completar a missão. Subiu ao púlpito e trocou a horcrux por um medalhão que ele transfigurou. Segundo informações daquele homem Tom vinha a este lugar regularmente para checar a peça e eles ainda não queriam alertar Voldemort - Água. Sim, eu vou pegar você. Não se preocupe, você ficará bem - quem sabia o que poderia acontecer quando Severus fosse deixado à sua própria sorte em seu estado atual. Ela rapidamente conjurou um copo, apontou a varinha para ele e sussurrou -Aguamenti

Água fria e clara inundou a ponta da varinha no copo e depois desapareceu novamente. - Aguamenti!- ele repetiu, um pouco mais forte desta vez. Mais uma vez, o copo momentaneamente se encheu de água - e então o líquido desapareceu novamente. Ele foi finalmente forçada a concluir que algo ou alguém tornara impossível conjurar água enquanto estava na ilha. Ao seu lado, Severus estava tendo problemas crescentes para respirar

- Sinto muito, meu caro, mas não consigo pensar em mais nada para fazer. Petrificus Totalus. - e então ele endureceu e instantaneamente se tornou como uma prancha. Ela lançou um feitiço locomotor e levantou Severus no barco. Ele não entrou exatamente da maneira mais graciosa, mas a questão era que ele estava em segurança no barco. Qualquer coisa era melhor que um homem se debatendo no meio de vários Inferis.


Na manhã seguinte...

- Ainda bem que você está consciente - Severus disse ao se aproximar da cama onde Mary estava na enfermaria. Depois de se certificar que seu tio estava bem Dumbledore o deixou ver Mary

- Foi apenas uma batida - Mary MacDonald se ajeitou na cama - Você não precisava fazer isso, Se- ve- rus - disse com uma preocupação evidente em sua voz.

- Ele não deveria ter feito isso com você ou com mais ninguém - A dor de falar o fez estremecer. Ele acordou naquela manhã com uma dor terrível ao longo do lado da cabeça, da mandíbula até a têmpora. Ele imaginou que acabaria por desaparecer, assim como os machucados das "brincadeiras" de James Potter e Sirius Black desapareciam dentro de alguns dias, mesmo sem cura mágica. Mas a dor dificultava a conversa.

- Você poderia ter sido expulso - argumentou ela. - E o pai dele ...

- Eu não ligo para o pai dele - Snape falou. E quanto a expulsão nada podia lhe parecer mais distante. Depois da briga Dumbledore o levou ao seu escritório onde encontrou seu tio se encontrava inconsciente. O diretor o agradeceu por ajudar a aluna enquanto ele não estava na escola e o pediu para ajudar a acomodar o Severus mais velho no sofá. Saiu de lá sem nem ao menos uma advertência. Pelo contrário Dumbledore explicou o estado de seu tio com a maior calma do mundo, como se quisesse que Snape gostasse dele. Foi a primeira vez que o diretor tinha olhado diretamente para ele. Mas preferiu não comentar sobre nada disso

Mary suspirou e mudou de assunto. - Você está machucado?

Snape balançou a cabeça, mas a dor desse movimento o fez estremecer novamente.

- Você é um péssimo mentiroso - disse ela, exasperada. - Deixe-me ver.

Ela se inclinou para frente e afastou os cabelos dele. Seu toque eletrificou Snape e o jovem bruxo sentiu seu pulso começar a acelerar. Uma expressão de nojo atravessou seu rosto quando ela olhou para o machucado enorme escondido debaixo dos cabelos longos de Snape.

- Você não mostrou isso a Madame Pomfrey? - ela perguntou. - É tão grande quanto a minha mão!

- Não - ele disse fracamente.

Ela balançou a cabeça. - Honestamente, ela precisa prestar mais atenção a esse tipo de coisa. - Snape mal se conteve de revirar os olhos.

- Segure firme- Pelo canto do olho, Snape a viu agitando sua varinha em um padrão particular e dizendo um encantamento que soou como uma música em voz baixa.

A dor desapareceu. Snape esfregou o lado da cabeça. Sem dor, mesmo então. - Obrigado, Mary - ele disse. - Onde você aprendeu como fazer isso?

- Você deveria prestar mais atenção na aula de feitiços do que em Lily- disse ela.


O sol estava começando a aparecer através das janelas de um pequeno quarto enquanto seu único ocupante acordava lentamente. Ele tentou se sentar, mas a súbita corrente de sangue em sua cabeça o deixou tonta demais; seus membros e cabeça estavam muito pesados e ele sentiu como se tivesse sido drogada. Ele notou o quanto sua cabeça começou a doer, pulsações surdas ecoando pelo crânio e ergueu as mãos para sentir uma ferida. Porém não encontrou cortes óbvios nem ataduras. Ele jogou as mãos para trás em frustração quando um velho com uma barba branca muito comprida entrou casualmente em no quarto.

- Albus! - Severus exclamou - Conseguiu realizar a troca?

Dumbledore assentiu com a cabeça e tirou o medalhão do bolso o entregando para Severus

- Como você está se sentindo, Sr. Prince?

- Você não o deve manter muito próximo, essas coisas tem o poder de nos influenciar negativamente - Severus respondeu dando de ombros - Irei levá-lo para a mansão Prince que está abandonada até que possamos destruí-lo

Severus ameaçou se levantar mais uma vez, mas Dumbledore o bloqueou - Devo insistir que você descanse um pouco, você ingeriu muito veneno

- Eu já perdi um dia inteiro aparentemente, não posso perder mais tempo até traçar um plano para conseguir a próxima Horcrux

- Severus mais novo parece que é tão impaciente quanto você para mudar o mundo - Dumbledore insinuou se sentando atrás de sua escrivaninha

Seu plano havia dado certo e o comentário despertou a curiosidade de Severus - O que ele fez?

- Aparentemente nocauteou Mulciber e salvou a jovem Mary MacDonald de sérios problemas. Ela desmaiou de uma batida na cabeça, mas sem nenhuma grande avaria. - Severus forçou sua memória para se recordar de Mary MacDonald. Se lembrava vagamente de uma jovem de cabelos negros que andava com Lily, mas morreu logo após a formatura, ferimentos antigos que nunca sararam propriamente se ele não se enganava

- Como ele está? - Severus perguntou preocupado, mas com orgulho do menino. Esse Severus Snape com certeza já era alguém bem melhor do que ele jamais foi

- Em um estado melhor do que o seu - o velho brincou - Ele veio até o meu escritório e expliquei a sua situação, mas ele não me pareceu nem um pouco surpreso

- Não o meta nisso - Severus cerrou os dentes irritado

- Vejo que você já o ensinou a trancar a mente, parece que irá seguir alguns de seus passos afinal - Dumbledore disse desafiador

- Ele já tem problemas demais para lidar sozinho nessa escola. Ele não irá se meter nessa guerra - Se levantou e saiu pela porta, sem se importar em ser visto. Apenas querendo sair da rede manipulativa de Dumbledore que ele havia se enfiado novamente