Cap 7

Lily estava deitada no chão. Os braços de Lily estavam esticados em direção a um monte de cobertores. Seus cabelos ruivos se espalhavam por cima dos ombros. E um bebê chorava ao fundo, abafado pelo som da tempestade que se formava do lado de fora

Uma luz verde é a única coisa que seus olhos conseguem perceber antes que ela acorde. Lily se mexeu para debaixo das cobertas, sua respiração estava pesada. Ela se apoiou nos cotovelos, olhando para o travesseiro enquanto se esforçava para respirar. Severus… Voldemort… Harry... a noite de Halloween assombrava seus sonhos, mesmo depois de semanas. Na escuridão da sala, Lily agarrou os lençóis como se fossem um salva-vidas.

Olhos temerosos permanecem abertos, por instinto, mais do que tudo, ela pegou a varinha até que uma pequena luz acendeu. A familiaridade de seu próprio quarto a assustou por um segundo.

Não, não, isso não estava certo. Ela estava morta, não estava? Lily quase podia ter certeza de que havia morrido, mas isso não podia estar certo, seu coração acelerado e o suor repugnante que se agarrava ao seu corpo lhe diziam o contrário. O pesadelo que se agarra foi rapidamente se dissolvendo em sua mente enquanto ela se tornava totalmente consciente, tremendo entre as cobertas.

Segundos viraram minutos, e sua respiração se acalmou lentamente. Ela ainda estava viva. Estava em Hogwarts na segurança de seu dormitório. Com a cama de Alice na direção de seus pés, Mary a sua direita e Marlene do outro lado

- Lily? - A voz de Alice ecoou do outro lado do quarto. - Está tudo bem?

- Sim só foi um pesadelo… - Lily respondeu ainda com as mãos tremendo tentado se endireitar na cama

- Você anda tendo muito desses - foi a vez de Mary falar enquanto caminhava em direção a cama da amiga ainda meio sonâmbula

- Não foi nada eu já disse - Lily tentou se desvencilhar de Mary que agora estava sentada em sua cama e passou a mão em suas costas

- Você está gelada

- Estou bem Mary, pode voltar a dormir, me desculpe...

- Eu entendo, depois que Mulciber me atacou eu tive muitos problemas para dormir. A imagem dele com a varinha apontada para a minha cara… - Mary estremeceu ao se lembrar - Se não fosse vocês, eu não sei como teria superado. Falar me ajudou bastante… Você sabe que estamos aqui por você. Pode nos falar qualquer coisa, pode te ajudar com os pesadelos

- Sim Lily, desde o verão… bem… - Alice comentou saindo da sua cama com cuidado para não acordar Marlene que ainda dormia como uma pedra

- Você anda meio estranha… Aconteceu algo na sua casa? Sua irmã fez algo? - Lily negou com a cabeça as perguntas de Mary, puxando as cobertas ainda mais para perto

- Eu sei que tiveram grandes mudanças. Você e Severus… Ele ainda mora perto de você não é? Alguém te ameaçou ou aconteceu alguma coisa com você no verão? Você pode nos contar… - Foi a vez de Alice chegar na cama de Lily

- Eu já disse que não é nada! Não aconteceu nada!- Lily interrompeu já ficando irritada - Eu só gostaria de uma noite de sono decente se vocês me permitirem - Lily apagou a varinha e se virou de lado esperando que as amigas entendessem o recado e a deixassem em paz.


Depois de conseguir a primeira Horcrux Severus Prince estava quebrando sua cabeça procurando a próxima, se sentia mais estagnado do que nunca. A tiara de Ravenclaw era uma escolha óbvia, mas ele temia que o Lorde das Trevas tivesse espiões em Hogwarts cuidando dela. Ela estava segura e seria melhor deixá-la para o fim. O anel estava atualmente nos dedos de Tom e teria que ser destruído em batalha.

O diário já estava com os Malfoy, ele se lembrava de Narcisa comentando sobre o presente inusitado que o Lorde lhe havia dado em seu casamento. Porém, infelizmente, agora ele não tinha mais acesso a mansão como antes. Ele esperava que quando se apresentou no mistério no verão como Lorde Prince atrairia Lucius ou algum sangue-purista do círculo dos comensais, mas até agora ninguém tinha feito contato. Talvez ele precisasse se candidatar à algum emprego no ministério, algo de alto cargo que chamasse atenção para ser convidado para um jantar. Era somente disso que ele precisava, um jantar para colocar seu plano em prática. Depois disso seus dias de espião estariam enterrados para sempre

E por fim tinha a taça Hufflepuff, que ele não fazia ideia de onde estava. Bellatrix ainda era apenas a mulher de Rodolphus, um comensal sem muito prestígio. Foi somente após Severus revelar a profecia que Bellatrix começou a se destacar e garantir seu lugar no círculo interno do Lorde das Trevas. Ela foi a responsável por localizar os Longbottoms e ganhou o direito de torturá-los. Provavelmente foi somente nesta época que ela ganhou a taça.

Ele ouviu passos atrás dele e virou a cabeça para trás para ver sua mãe. - Olá mãe! - Disse relaxando os ombros

- Oi.. -Eileen cumprimentou timidamente. Um dos resquícios do tempo que viveu com Tobias.

Com uma folga no rosto, ele perguntou - Você recebeu uma carta de Severus?

-Sim - respondeu Eileen- Ele é um bom menino, você deve saber. Acho que ele tem uma amiga nova

- Bom - Severus concluiu não conseguindo conter um sorriso que se formava no canto de sua boca

Eileen deixou o olhar cair sobre a mesa da mesa e esperou. - Vou mandar algumas poções que andei preparando para ele. Para o cabelo. Eu fazia para você antes... você sabe, até ele… - Severus se aproximou de sua mãe e pegou a sua mão

Severus olhou para sua mãe e reparou que seus cabelos estavam mais sedosos e com brilho. Achou que era efeito de sua separação e seu corpo recuperando o espírito. Mas saber que isso era efeito dela voltando a usar a sua mágica o deixou ainda mais feliz - Você pode fazer um pouco para mim também? - Ele queria incentivá-la cada vez mais - Você ainda é a melhor pocionista que eu conheço

Com os olhos envelhecidos lacrimejantes e a boca entreaberta, a mãe pegou o rosto nas mãos desgastadas pelo tempo. - Me perdoe...

- Perdoá-la? - Severus disse - Você só se casou com o homem que amava. Mesmo que ele se mostre um animal imundo e bêbado, não há crime em se apaixonar

- Severus - disse Eileen com tristeza em sua voz - Me desculpe. Por demorar tanto para perceber. Para fazer algo sobre ele… Você salvou a minha vida

- Eu te perdi uma vez e não podia fazê-lo novamente - ele sussurrou.

Sua mãe começou a chorar lágrimas amargas. Severus aproximou a mãe e fez o possível para acalmá-la enquanto chorava. Ele encontraria uma saída para seu enigma, nem que fosse preciso virar um espião novamente. Ele salvou sua mãe e agora salvaria Lily, custe o que custasse.


Severus Snape teve uma semana difícil. Os marotos testavam seus velhos truques nele. Era como se soubessem onde ele estava todas as horas do dia. Ele sabia que era o mapa estúpido deles eles deveriam ter o desenvolvido agora. Deveria ser assim que Lily achou que James tinha mudado, ela apenas tinha parado de ver as agressões que ele sofria. Sua melhor tática para escapar até agora era se esconder em lugares com o maior número de testemunhas. Resolveu ir estudar no pátio então

- Então o que você está lendo? - Uma voz o pegou se sobre salto e sua mão correu para o bolso da varinha. Mas quando se virou era Mary MacDonald - Me desculpe eu não quis te assustar - Ela disse levemente. Severus não tinha muitos amigos e não se lembrava de alguém além de Lily ter prestando atenção nele.

- Eu tenho um teste de aritmancia na segunda-feira. - Ele respondeu cautelosamente, talvez essa garota precisasse de sua ajuda.

- Oh, eu posso ajudá-lo. Minha mãe tem muitos livros como este. Ela me ensinou a lê-los. - Ela abriu o livro e o ajudou a resolver alguns dos teoremas. Ela sentou-se muito perto dele e sorriu para ele sem motivo. Ele estava um pouco desconfortável; ele podia sentir a perna dela contra a dele. Ela riu quando ele percebeu

- Você não precisa fazer isso. Não precisa me agradecer assim - Severus disse sem jeito, suas únicas amizades além de Lily surgiram apenas por conveniência. Ele não queria mais amigos desse tipo

- Ah, me desculpe eu pensei que… - Seu sorriso se desmantelou. Ela pensava que eles poderiam ser amigos. Afinal ele tinha a salvado. Será que ele não queria ser amiga que uma nascida trouxa?

- Como você resolveu esse? - Severus perguntou vendo o sorriso de Mary desaparecer de seu rosto. Ele até conseguiria resolver a matéria sozinho, mas sempre preferiu estudar com Lily, a companhia lhe fazia bem e o tempo para acabar a lição sempre era menor. Talvez Mary pudesse virar uma boa companhia também

Ela explicou o problema. - Posso te fazer uma pergunta?

- Se for sobre aritmancia eu temo que você saiba muito mais do assunto do que eu. Mas posso tentar

- Por que você me salvou? Por que você e Lily brigaram? O que aconteceu com ela no verão? - Mary disse de uma vez como se não vomitasse naquele instante as palavras não iria conseguir nunca mais

- Uol. Isso foi mais do que uma pergunta

- Me desculpe…

- Não tudo bem.. é que - Severus não sabia por onde começar. Ele mal conhecia Mary e nem ele mesmo entendeu o porquê a salvou aquele dia. Um impulso Grifinório talvez? Tentar se afastar ao máximo de todas as escolhas que ele tinha feito em outra vida? Por que era o certo? Além do mais haviam muitos segredos que não eram dele para revelar para a menina que estava em sua frente

- Tudo bem se não quiser falar, podemos voltar para aritmancia

- Olhe, até o ano passado eu era um completo babaca, um idiota. Potter e seus amigos tinham todo o direito em me julgar. Eu só queria virar um comensal da morte e acreditava que era melhor que todo mundo, ou na verdade, queria que os outros acreditassem nisso. Eu queria ser aceito a qualquer custo - Mary se afastou um pouco - Mas recentemente eu tive uma espécie de revelação, eu vi o que aconteceria comigo e com todos a minha volta e não era nada legal, foi o maior erro que eu poderia cometer. Agora eu só estou tentando arrumar minha vida. Lily teve mais do que uma cota de motivos para nunca mais querer me ver, depois do incidente no fim do ano passado ela nunca mais me dirigiu a palavra e eu não te julgaria se você também não quisesse falar comigo

Ao contrário de todas as suas expectativas Mary MacDonald abraço Severus - Obrigada