Cap 8
- Você quer ir à biblioteca? Estudar hoje? - Mary MacDonald perguntou ao encontrar Snape no refeitório após o café da manhã. Severus assentiu, dois dias seguidos ele teria companhia. E Severus não pôde deixar de sentir uma pequena pontada de esperança no futuro. Mas depois se voltou para sua realidade
- Tem certeza de que é sensato sermos amigos, Mary? - Ele perguntou calmamente, aterrorizado com a resposta dela. Ele nunca teve alguém de verdade além de Lily em sua cabeça ainda era estranho outra pessoa querer sua amiga
- O quê? Você não quer mais ser amigo? - ela parecia magoada, e a última coisa que ele queria era machucá-la. Ele queria protegê-la, mantê-la segura
- Claro que quero que sejamos amigos. É apenas, bem, você não acha perigoso?
- Você se acha perigoso? - ela perguntou. Severus virou-se para encará-la
Sem dizer uma palavra, ele se levantou e ofereceu a mão a Mary, ela deu um pequeno sorriso e assentiu, pegou a mão dele quando se virou para sair, pegando sua bolsa cheia de livros.
Severus pegou a bolsa dela enquanto atravessavam juntos o castelo, ainda de mãos dadas. Em silêncio, Mary e Severus lentamente se dirigiram para a biblioteca. Os estudantes estavam começando a ir para fora agora que o café da manhã havia terminado, para estudar ao ar livre ou passear perto do lago. Alguns olharam para os dois amigos andando de mãos dadas, mas Mary não o soltou.
- Que foi? - Severus perguntou notando uma tensão se formando em Mary
- Só espero que não encontremos Potter e seus companheiros, só isso. Você sabe que é provável que eles estejam procurando por você ou procurando por problemas
- Hmmm, definitivamente quero evitá-los. E meus colegas de quarto - ele zombou - Bem, todo mundo realmente
- Mas não eu. Certo? - ela perguntou, com certeza ela não estava na lista dele para ser evitada
- Relaxe, você está salva - ele disse calmamente, tranquilizando-a. Ela sorriu em resposta e eles voltaram ao silêncio.
- Mary? - A voz de Lily soou. Eles estavam tão ocupados escapando dos sonserinos e dos marotos que não perceberam que estavam indo em direção a ruiva - O que você está fazendo com ele?
- Lily eu… - Severus tentou começar uma frase. Era a primeira vez que eles tinham se encontrado desde… Bem desde que tudo mudou. Tinha tanta coisa que ele queria dividir com ela
- Estamos indo estudar na biblioteca Lily, Severus precisa de uma ajuda com aritmancia e eu ia pedir uma ajuda em poções, quer se juntar a nós?
Antes que Lily pudesse se recuperar do choque em vez seu ex-amigo de mãos dadas com Mary, Potter se intrometeu na cena - O que temos aqui então?
- Não é da sua conta, Potter - ela afirmou com firmeza, quase como uma máquina
- Resolveu perseguir Mary agora também, Seboso?
- Como Mary já afirmou, não é da sua conta Potter, então vá embora e nos deixe em paz - Severus disse entre dentes.
- Agora isso não é muito amigável, não é? - ele sorriu antes de voltar sua atenção para as meninas - Vamos Lily, Mary, venham estudar conosco. Você sabe que somos muito mais amigáveis
- Severus é perfeitamente amigável comigo, obrigado. E eu já te disse que não. - Mary estava começando a ficar irritada e podia sentir a paciência de Severus se esgotando. - Vamos - ela disse gentilmente e o afastou, ela sabia que não demoraria muito para que o azar começasse.
- Você não vai estar dizendo isso quando esse comensal te atacar… - Sirius Black acrescentou entrando na conversa.
- Black, Potter eu não tenho a menor intenção de voltar com esses joguinhos. Só estou indo estudar com a minha amiga na biblioteca. Não sei quantas vezes terei que repetir, mas eu não quero ser um comensal, nunca, jamais. Não importa o quanto vocês afunilam minhas amizades a resposta sempre será a mesma. Já não posso dizer o mesmo do seu amiguinho Peter, você viu aquele rato hoje?
Isso foi o suficiente para empurrar Sirius para o limite e ele puxou sua varinha
- Basta - Lily disse com força, esperando que alguém escutasse
Severus soltou a mão de Mary e entregou a bolsa a ela. Relutantemente Mary começou a se virar. - Vocês podem me atacar pelas costas se quiserem, mas eu realmente não estou aqui para brigar. Mary eu te ajudo depois… Lily sempre foi tão boa em poções quanto eu, acho que ela pode te ajudar - Severus disse se afastando dos grifinórios.
- Sim, corra, Seboso - Ele queria ter tido a oportunidade de falar com Lily novamente e estava ansioso para estudar com Mary. Mas sabia se entrasse em um duelo com Black perderia a chance de uma amizade com as duas no mesmo segundo. Black continuou falando, mas ele já não ligava mais
No fim da tarde James estava sentado largado na beira do sofá da sala comunal enquanto polia sua vassoura com se nada tivesse acontecido. Ao seu redor se encontravam os Marotos, Alice e Marlene. Lily queria ficar com suas amigas, mas a presença de Peter lhe dava calafrios desde que Severus tinha lhe mostrado o futuro
- Com certeza ele estava com medo que eu o derrubasse em um feitiço só - comentava Sirius pretensiosamente sobre o incidente daquela manhã enquanto colocava os braços delicadamente em volta de Marlene
Peter e Remus riram - Eu não acredito que vocês ainda estão falando daquele seboso - Pettigrew disse tentando chamar a atenção de James que continuava focado em sua vassoura
- Você não sabe nada sobre Severus - Lily disse ferozmente em direção a Peter, balançando a cabeça. E com isso, ela finalmente se levantou e entrou em seu dormitório. Em segurança, ela jogou a bolsa no chão, sentando-se na cama esticando-se sobre o estômago, deixando um grito abafado de frustração no travesseiro.
Como ela suspeitava, eram apenas alguns minutos antes de ouvir a porta se abrir novamente. Mary e Alice estavam no quarto e provavelmente estavam ansiosas por fofocar. Tudo o que ela realmente queria era ficar sozinha em silêncio, francamente, ela não tinha mais energia para afastar as perguntas e encarar o julgamento delas.
- Tudo bem Lily? - Mary perguntou baixinho, sentando-se na cama de Lily - Você não foi a biblioteca depois do incidente
- Eu já estou ficando farta dessa frase Mary. E não seria eu que deveria estar fazendo essa pergunta? O que você estava fazendo com Severus Snape?
- Ele é meu amigo - Mary disse defensivamente
- Como Mary? Ele nem sabe que você existe… Se esse for um esquema para falar comigo pode dizer para ele tirar o cavalinho dele da chuva
- O que? Não. Desde que ele me salvou de Mulciber, eu, bem. Eu quis conhecê-lo. Ele é bem legal
- Você diz isso agora, mas só espere até ele causar sua morte - Lily disse ironicamente
- Como você pode dizer isso Lily? Você nem sequer olhava para Severus desde que ele te chamou de... - Alice começou
- Obviamente - Lily repetiu de volta para ela
- Mas hoje você iria defendê-lo como fazia antigamente, não ia? - continuou Mary
- O que exatamente você está me perguntando? - Lily questionou, ficando frustrada
- Você quer ser amigos de novo?
- Não é sobre isso. Estou farta disso, Mary. Potter e seus amigos continuam machucando-o, e não há razão para isso! - ela gritou, temperamento ainda furioso
- Você está com ciúmes Lily? Vai sair com ele ou algo assim? - Alice disse sentando-se na cama ao lado provocando Lily
- O que não! - Lily disparou rapidamente, chocada com a mudança repentina do tópico
- Ele gosta de você, você sabe - Mary disse em tom de voz bem baixo, quase como uma triste reflexão
- Ele sabe que não é recíproco - Lily disse, revirando os olhos, realmente sem vontade de discutir sentimentos dela e de Severus. Ela estava surpresa com a repentina amizade de Mary com Severus. Mas não pensava nele assim, não estava com ciúmes. Tinha medo onde Mary estava se metendo, apenas isso.
Desde criança sua mãe brincava que eles acabariam juntos, e ela chegou até a imaginar que sim. Mas com o passar do tempo seu sentimento foi mudando, era quase como se ele fosse da família e a ideia de namorar foi ficando cada vez mais distante. Até que por fim a própria ideia de amizade desapareceu por completo.
Ou tinha desaparecido até o Severus do futuro aparecer em sua frente. Desde aquele dia, meses atrás ela não conseguia pensar em outra coisa além da vida daquele homem. Suas escolhas, seus anseios e seus sofrimentos. Ele era um fantasma que não a deixava sonhar em paz. Ela perdia o sono e o presente pensando naquelas memórias.
Nem mesmo a revelação que ela se apaixonaria por James, se casaria e teria um filho que salvaria o mundo mágico a deixava mais tranquila. Se ela amaria James, por que ela só pensava naquele homem que apareceu em sua frente sangrando e que seria responsável por sua morte? Ele pensava na morte dela tanto quanto pareceu naquele dia?
E por onde aquele homem estaria? Lily tinha certeza que o tinha visto saindo furiosamente do escritório de Dumbledore no dia em que Mary foi atacada. O que ele estava fazendo lá? Severus Snape sempre foi um livro aberto para ela, mas aquele homem que agora se chamava Severus Prince era um mistério que ela não tinha certeza que deveria desvendar
- Bothrops - disse Snape, destrancando a sala comunal da Sonserina. Ele passou pela porta e sacou a varinha, precaução que adotou desde o duelo com Mulciber.
Ele sentiu o peso dos olhares de outros membros de sua casa enquanto se dirigia para as escadas que levavam ao seu quarto. A maioria de seus colegas de casa estava em outro lugar, estudando, andando em Hogsmeade quando o fim de semana chegava ao fim, ou mexendo com Magia Negra nas masmorras mais profundas, mas havia outros cinco sonserinos na sala e Snape suspeitava que ele não fosse um bater com qualquer um deles.
- Traidor de sangue - alguém murmurou. Snape sentiu sua raiva aumentar, mas manteve-a baixa. Apenas ignore o bastardo, ele pensou.
- Amante de sangue ruim - alguém assobiou. A raiva no peito de Snape ficou mais quente com essa afronta a Mary, mas ele se manteve calmo. Você não precisa de mais detenção.
Atrás dele, as molas de um dos sofás rangiam. Snape virou e avistou Evan Rosier. O outro sonserino levantou-se do sofá e colocou a mão no bolso das vestes, como se estivesse pegando sua varinha. Snape já estava com a varinha, mas ainda não a tinha levantado. Melhor não começar uma briga, se puder evitá-la, pensou.
- Posso ajudar? - Snape perguntou neutro. Os dois se entreolharam por um longo minuto e Snape pôde sentir a tensão aumentar na sala comunal. Os outros sonserinos se inclinaram para frente, com olhares famintos no rosto, querendo ver o traidor de sangue punido. Snape apertou a varinha com mais força, caso um deles tentasse expelliarmus.
Foi Rosier quem desviou o olhar primeiro. - Não importa - ele murmurou, afundando de volta no sofá.
- Boa - Snape se virou e voltou para a escada, mantendo seus movimentos fortes e confiantes. Se você mostrar medo, eles virão atrás de você. Sua tática vinha funcionando até agora, mas preferia não relaxar
Snape entrou no quarto que dividia com Avery, que não estava lá. Ele rapidamente tirou as vestes e vestiu a camisola cinza, depois ao redor da cama. Ninguém foi bisbilhotar. Não seria bom puxar as cobertas e explodir algo em seu rosto. Seu tio tinha o ensinado como se proteger no verão e ele estava utilizando todas as dicas.
Depois que ele teve certeza de que sua cama não havia sido adulterada, Snape deslizou para debaixo das cobertas. Ele lançou um feitiço de segurança adicional apenas para ter certeza e, apenas para ter certeza, fez uma última verificação nos arredores, impedindo o acesso não autorizado a sua cama. Então ele apagou a luz e enfiou a varinha debaixo do travesseiro. Enquanto estava deitado no escuro, refletiu sobre Mary possivelmente, sua primeira amiga que fizera fora da Sonserina desde, bem, desde Lily.
Isso não era ruim, ele pensou antes que o sono o reivindicasse. Nada mal.
