Cap 11

Porém nem tudo era perfeito em sua vida, por mais ansioso que Severus estivesse para voltar para Hogwarts ele não se sentia nem um pouco confortável se escondendo para poder ver a namorada. Ele e Mary entraram na sala de aula deserta e Snape fechou a porta atrás dele, protegendo-a para que não fossem interrompidos.

- Eu acho que isso pode ser mais confortável do que essas cadeiras- disse Mary, procurando um espaço vazio com sua varinha. Um sofá fofo se materializou na frente deles.

Snape deu um passo para o lado. - Damas primeiro - disse ele.

- Que cavalheiro - disse ela, sentando-se no sofá. Ele se sentou e passou um braço em volta dela. Ela se inclinou e apoiou a cabeça no ombro dele.

- Então, Sev, o que você queria me mostrar?

- Uma coisinha que minha mãe me ensinou depois do Natal - ele disse. Um belo show de luzes mágicas.

Ele sacou a varinha e diminuiu as luzes até que o quarto estava quase escuro como breu. Então ele varreu sua varinha pelo ar à sua frente, o encantamento complexo percorrendo sua mente.

Um fluxo de luz multicolorida irrompeu de sua varinha. A energia vazou de sua varinha por quase um minuto, derramando no chão. Snape sentiu Mary se inclinando para frente e viu seus olhos arregalados observando atentamente a cena.

Enquanto a massa cintilante reunia-se em volta das mesas, trepadeiras brilhantes subiam pelas cadeiras e mesas até a maior parte da sala de aula brilhar com uma luz azul e laranja alternada.

Então as energias ficaram verdes e prateadas - as cores da Sonserina - antes de explodirem. Os fragmentos de poder mágico rapidamente se transformaram em pássaros,águias e corvos, que dançavam no ar.

- Que lindo!- Mary disse suavemente.

- Ainda não acabou - Snape sussurrou. - Olhe

Os pássaros rapidamente se reuniram, fundindo-se em uma massa corporal. Essa massa floresceu um anel de prata

- Você gostou? - perguntou pegando o anel no ar - Era da minha mãe e ela pensou que seria um bom presente...

Ela sorriu. - Sev, isso foi maravilhoso! Ela se inclinou para frente e o beijou na testa.

Snape sentiu seu coração parar momentaneamente enquanto colocava o anel a mão de Mary

- Você deve estar de bom humor, amante de sangue ruim - disse Rosier abrindo a porta - Vocês ainda estão pelados?

Snape fez uma careta. Pronto agora não era apenas com Potter e companhia que ele teria que lidar

- Cale a boca, Rosier.

- Por que você não tenta me fazer, Snape?

- Você não aprendeu a não me desafiar, Rosier? Preciso lhe ensinar outra lição? - Ele sabia que ameaça não duraria muito tempo, mas pelo menos os Sonserinos achavam que Dumbledore estava do lado dele e isso ainda os intimidava

- Você não terá sempre a vantagem - disse Rosier. - Eu tenho um amigo poderoso agora, que pode me ensinar Magia Negra que você só pode sonhar.

Magia Negra que você só pode sonhar. Essa frase parecia familiar. Era o que Lucius tinha prometido para o seu outro eu. Mas nem aquilo foi o suficiente para proteger aqueles que ele amava, a magia de Voldemort era apenas uma ilusão de poder, nada mais.

Snape levantou uma sobrancelha. - Você parece gostar de se gabar, Rosier. Mas deveria tomar mais cuidado para quem você vende a sua alma

Rosier sorria maldosamente - Vou lhe dar uma pequena dica. Quando ele virar o ministro Hogwarts não vai aceitar sangue sujos como vocês. Crucio! - ele apontou a varinha para Mary, antes que ela pudesse reagir Severus se jogou entre feitiço e a namorada. Ele mordeu o lábio, tentando não lhe dar a satisfação de gritar. Severus podia provar o sangue enquanto lutava, apertando os olhos com força. Ele só tinha presenciado esse feitiço nas memórias de seu tio, mas senti-lo era excruciante

- Expelliarmus!- ele ouviu Mary gritar. A maldição foi levantada e Severus caiu para trás. Olhos ainda fechados, ofegantes. Severus abriu os olhos, piscando contra a luz

- O que está acontecendo aqui? - veio a voz chocada da professora McGonagall, examinando rapidamente a situação,

- Sev! Você está bem?- Mary perguntou, alarmada com o estado dele, pálida, ensanguentada e ligeiramente se contraindo. Ele assentiu suavemente, embora não estivesse bem. Longe disso.

- Você está bem, Mary? - ele perguntou, isso era tudo o que importava para ele. Seu tio só tinha memória de um ataque que Mary sofreu, mas será que durante o ano teriam tido mais? Ou isso era culpa do relacionamento deles? Ela estava em perigo?

- Estou bem, você não está. Você precisa ir à ala hospitalar - ela disse com firmeza. Severus assentiu, tentando se levantar.

- O que aconteceu aqui?- McGonagall perguntou novamente.

- Rosier usou a Maldição Cruciatus em Severus- Mary disse a ela.

- Isso é verdade, senhor Rosier? - McGonagall perguntou a ele. Ele não parecia chateado, apenas parecia satisfeito consigo mesmo. Rosier sorriu, recusando-se a responder. - Estou muito decepcionada com você - Rosier bufou. Como se ele se importasse em desapontar um grifinório e alguém que resistisse ao seu Lorde das Trevas. - Você acha que pode se levantar, senhor Snape? - McGonagall perguntou, voltando sua atenção para ele. Severus assentiu lentamente.

- Só preciso de um minuto - disse ele. Mary o abraçou tentando conter as lágrimas. Severus a abraçou em troca, lutando contra as lágrimas.

- Srta. MacDonald, se você puder acompanhar o Sr. Snape à ala hospitalar.

- Professora McGonagall não é a primeira vez que Mary é atacada. Eu gostaria de saber primeiro da punição antes de me dirigir ao hospital. Não importa quem é o pai dele. O meu tio é o herdeiro Prince e ficaria muito feliz em utilizar sua influência aqui em Hogwarts

- Se Rosier realmente usou o Cruciatus, o mínimo que verá é a expulsão - ela disse sem rodeios. - Mas deixe isso com os professores Sr. Snape


Fazia quase um ano desde que Severus apareceu machucado em sua frente. Tinha dias que Lily estava bem e nem lembrava de todas as memórias que viu. Tinha dias que os flashes não lhe deixavam dormir e uma preocupação lhe tirava todo o ar. Mas esses não eram os dias mais difíceis, era apenas o dia que ela estava vivendo hoje. Mais uma vez, a sala comunal estava cheia de conversas quando Lily entrou pelo retrato. Não foi surpresa que a primeira pessoa que a recebeu na multidão na sala comunal foi James Potter. - E ai tudo bem? - Ele perguntou, sua energia lembra um filhote ansioso.

- Sim James, igual ontem, semana passada, no outro mês ou qualquer dia em que você me fez essa pergunta

- Deixe-a em paz, James. - Marlene berrou do outro lado da sala. Como um companheiro de equipe de Quadribol, Marlene e James já eram bastante íntimos. Lily sempre se perguntava por que James simplesmente não redirecionava sua energia de flerte para seu colega de equipe, eles já eram bastante amigáveis.

Não que não fosse lisonjeiro.

James era bonito, engraçado e de uma família bem estabelecida. Lily podia se ver se apaixonando por ele, se não fosse por sua maldade. Suas ações, provavelmente de natureza infantil, mas com resultado malicioso, eram algo que ela não podia ignorar. Nos últimos dias, no entanto, ele estava limpando sua barra, suas brincadeiras recentes pareciam reduzidas e de natureza menos destrutiva. Nem mesmo chegou a enganar Snape para perseguir Lupin como havia acontecido na outra vida. Não que Severus fosse lhe contar, mas ela duvidaria que Mary ou Alice não comentassem o fato.

- Você realmente é um pomo Evans. - James continuou com um sorriso frio no rosto, bagunçando o cabelo com um movimento aparentemente casual, mas obviamente deliberado.

Os olhos de Lily se estreitaram. - O que isso significa?

Um olhar de horror cruzou seu rosto. - É que você é tem um rosto como um pomo de ouro. Digo é rápida como ele… - Ele parou, aparentemente lutando com as palavras e com a expressão.

Sirius de repente apareceu e se agarrou diretamente ao lado de James. - O que Pontas aqui está tentando dizer é. Você é linda

- Certo. - James assentiu, reforçado pelo apoio de seu melhor amigo.

Lily, um pouco lisonjeada, reprimiu um sorriso e respondeu friamente. - Obrigada

Com um suspiro, Lily virou e foi para o seu quarto, tentando o seu melhor para suprimir esse sentimento de culpa. Era para ela estar se apaixonando por ele, eles deveriam começar a namorar no próximo ano. Se casarem e terem um filho.

Ela não podia negar que James era fisicamente atraente, quando ele não estava sendo um idiota completo. Lily se viu imaginando como seria simplesmente ceder a suas frequentes tentativas de cortejá-la e simplesmente fazer com que ela gostasse de um encontro. Essa linha de pensamento sempre seria acompanhada por um arrepio de culpa. Uma culpa que não tinha o direito de promover um lugar dentro dela. Uma culpa de que ela estava traindo alguém que a havia traído primeiro.

James tinha sido horrível para Snape, não havia como negar. Mas Snape tinha sido igualmente horrível de volta. Houve hospitalizações frequentes de ambas as partes. Lily lembrava-se distintamente uma vez no terceiro ano, James enfiava um baço de tritão nas costas das vestes de uma amiga na aula de Poção. A retaliação de Snape foi derrubar o caldeirão do garoto da Grifinória, derramando o conteúdo fervendo sobre ele, escaldando-o tanto que ele teve que passar um dia na ala hospitalar, tudo por uma simples brincadeira inofensiva.

Não. Um ato longe demais, um erro demais. Ele não fazia mais parte da vida de Lily. Ela não deve considerá-lo nas decisões que tomou por mais tempo.

Embora as ações de James tenham sido igualmente repreensíveis nos últimos anos, nos últimos dias ele parecia ter se acalmado. Além de uma ou duas brigas menores, ele não fez nada muito escandaloso, ele certamente não parecia mais perseguir Snape. Se ele estava disposto a mudar, quem era ela para manter seu passado contra ele?

Mas o mesmo valia para Snape? Ela estava tentando ao máximo não pensar no velho amigo. Mas ele realmente estava mudando, depois do incidente com Mulciber cortou os laços com todos seu amigos aspirantes de comensais. Nunca mais o viu com um livro de artes das trevas na mão. Fez amizade com Alice, inesperadamente. E tinha Mary… Os dois pareciam realmente apaixonados. Desde o recesso de Natal sua amiga tinha um sorriso bobo que não saia de sua cara. Eles pareciam estar nas nuvens, mesmo tendo que enfrentar os olhares incriminadores dos Sonserinos e Grifinórios

E por fim tinha o Snape adulto. Ele era a pessoa que mais tinha errado em uma só vida. Mas passou metade dela tentando mudar e até ganhou uma segunda chance. Pelas memórias que ela viu ele provavelmente estaria em uma caçada emocionante pelas partes da alma de Voldemort. Ela não podia deixar de sentir um orgulho quando pensava o quanto ele tinha enfrentado na vida por causa dela. Era a coisa mais lisonjeira que alguém já tinha feito por ela