Cap 12

Mary sentou em uma cadeira ao lado da cama de Severus na ala hospitalar. Como no dia que ela conversou com o namorado pela segunda vez na vida. Novamente os dois acabaram aqui, em uma cama de hospital. Severus estava dormindo pacificamente no momento, a dor do Cruciatus o cansando completamente. E ela se culpou. Se não fosse por ela ser filha de trouxas ele nunca teria sido atacado. Maldito sangue trouxa, se ela não fosse defeituosa Severus estaria bem

Ela estava com raiva de si mesma também. Ela deveria estar pronta para um ataque, mas eles estavam com a guarda tão baixa naquele momento. Talvez se tivesse uma educação mágica desde o principio poderia ter lutado melhor. Sim, ela se sentiu zangada e culpada, mas não sabia como isso poderia ter sido alterado. O fato de ela não ter sido machucada apenas a fez se sentir pior. Severus suspirou enquanto dormia, seu rosto virando na direção dela. Ela apenas continuou segurando a mão dele, vigiando.

Uma tosse educada chamou sua atenção.

- Professor Dumbledore, senhor - ela começou. O diretor não disse nada para começar, apenas puxou uma cadeira para se sentar ao lado dela. Mary não sabia o que dizer para ele, apenas voltou sua atenção para Severus.

- Obrigado, por me fornecer sua memória do ataque - ele continuou. Mary assentiu novamente, o que mais ela poderia ter feito. - Essa deve ter sido uma situação assustadora, compreendo que é o segundo ataque que a senhorita sofreu - disse ele. Ela assentiu novamente.

- Eu, eu sou uma sangue ruim. Os sonserinos não gostam disso. É minha culpa que esses ataques acontecem. É a segunda vez que os puros sangues conseguem me vencer

- Acredito que o seu feitiço tenha salvado a vida do jovem Severus senhorita. Você deveria estar orgulhosa

- Mas ele ainda está nessa cama - Disse com lágrimas se formando em seus olhos

- Severus deve ficar bem em um dia ou dois, Srta. MacDonald - ele finalmente disse. Mary assentiu.

- Ele vai ficar bem - ela concordou.

- A senhorita acredita na pureza do sangue? - ele perguntou gentilmente.

- Não importa o que eu acredito diretor, é a realidade - ela disse calmamente.

- Claro que importa. Eu acredito que nada justifica esse tipo de tortura, não importa de quem você nasceu, nem quem você ama, ou qualquer outra coisa. Ninguém deveria ser torturado. Por isso é uma maldição imperdoável. - Mary assentiu tentando fazer seu coração assimilar aquilo que sua mente já sabia. - O Sr. Rosier foi expulso - disse o diretor - Ele não irá a Azkaban porque ainda é considerado criança. Mas ele, e somente ele é o culpado de tudo isso. Eu te prometo Mary que no próximo ano tentarei cuidar mais de vocês para que ataques como esse não aconteçam nunca mais nessa escola

Mary deu um suspiro de alívio.

- Obrigada - um pequeno sorriso alcançou seus lábios pela primeira vez desde esta manhã.


Desde que ficou sabendo do incidente de Severus e Mary o coração de Lily estava tomado por completa angústia e arrependimento. Um ano inteiro sem falar com o ex-amigo enquanto ele estava mudando totalmente de rumo da vida. Ele estava se tornando uma pessoa melhor que ela jamais tinha sido e ela estava perdendo por orgulho e confusão.O mais discretamente possível, Lily ergueu os olhos do prato e atravessou o corredor em direção à multidão de lufanos. Severus e Mary agora tomavam suas refeições em territórios neutros, mas sempre aos olhos dos professores.

Comportamento tão contraditório com o garoto que ela conhecera, comportamento que falava muito sobre o homem em que ele tinha se transformado na outra vida. Um homem que ele se tornara apesar de todas as probabilidades, apesar da escuridão que se agarrava ao seu coração. O homem que escolheu derramar aquela escuridão, por um amor que nunca havia sido devolvido. O outro Severus era um homem que nunca fora amado. Mas que cada dia que se passava ela sabia que era mais digno que ninguém de sentir o amor.

Lentamente, os olhos de Lily deixaram Severus para olhar a mesa do café da manhã. Seus olhos o encontraram, o garoto da Grifinória cuja vida se entrelaçava com a dela, seus olhos castanhos a observando com uma intensidade feroz. Sentiu um calafrio na espinha e um pavor que não previa. Olhando para aquele menino ela via uma história de conto de fadas, um futuro breve, mas bonito. Harry o filho deles. Ela tinha tanto orgulho de Harry e ele ainda nem existia. Mas não via amor, não via paixão...

Lily voltou-se para o prato de torradas e feijão, a fome escorrendo através de sua névoa de exaustão e pensamentos perturbados.

- Hey Sev. - Ele sentiu o cotovelo angular de Mary espetar-se ao seu lado, puxando-o para fora de seu café da manhã - Lily tem andando muito estranha já faz um tempo. E eu sei que ela sempre fala que não está preparada. Mas ela realmente parece que está precisando de um amigo. Ela tem estado uma bomba emocional ultimamente e não para de olhar para você

Ele puxou os olhos da mesa para a ruiva, a poucos centímetros de distância. Um sorriso tocou seu rosto, um sorriso que confundiu muito o jovem e acalmou seus pensamentos sombrios e abanou aquela chama odiosa de esperança. - Você realmente acha que eu deveria?

Mary puxou sua mão e deu um beijo - Por favor… tenho um pressentimento que você é o único que a entende

Tomou coragem e atravessou o salão - Lily? Posso me sentar?- Snape perguntou quando ele deu um passo ao lado dela. Honestamente, era demais esperar que ela quisesse simplesmente desfrutar da companhia dele.

Lily, no entanto, balançou a cabeça, um sorriso hesitante nos lábios. Isso fez Snape se sentir nervoso e idiota esperançoso em medidas iguais - Podemos ir para um canto conversar? - ela perguntou, ainda sorrindo seu sorriso bonito, mas confuso. Ela pegou sua mão e o puxou para uma sala de aula vazia.

- Tudo bem - disse ele assim que a porta foi fechada atrás deles. - O que está acontecendo? Mary anda tão preocupada

- Sev - ela disse com os olhos mareados - Eu acredito que te devo desculpas.

Ele a abraçou e eles ficaram parados por o que pareceram horas enquanto ela chorava em seu ombro. Finalmente ela conseguiu se recompor e sentou em uma das cadeiras

- Lily eu que deveria te pedir desculpas. Eu juro que me arrependo daquilo que eu disse, eu era um idiota cercado de mais idiotas ainda. Não vou dizer que foi fácil ou rápido ver o quanto eu estava errado no ano passado. O meu outro eu, ele...

- Não - ela interrompeu. - Por favor, não vamos falar sobre ele

Snape suspirou. - Lily, mas ele é a razão de você estar assim, não é? - Ele inalou antes de continuar. - Ele te mostrou as memórias também, não mostrou?

Lily assentiu.

- Eu nem consigo como foi para você assimilar tudo sozinha, digo é uma loucura não é? - Snape disse se sentando ao seu lado

- Ele estava morrendo sabe… na minha frente. - Ela se segurou para não recomeçar a chorar. - E no momento seguinte ele estava me mostrando a minha morte. Eu só tenho mais 3 anos de vida e não posso falar disso com ninguém

- Eu não sei para você, mas depois que eu senti a minha morte, foi como se minhas entranhas tivessem sido todas reviradas

- Acho que eu morri um pouquinho no dia que vi aquilo e ainda não consegui voltar - As mãos de Lily estavam cerradas por tanto tempo que ele suspeitava fortemente que suas unhas perfuravam a pele em alguns lugares.

Severus separou suas mãos e olhou no fundo dos olhos da amiga. - Lily você ainda não morreu. Você consegue sentir minhas mãos, não consegue? - Ela assentiu novamente - Você ainda está aqui. Você não pode deixar de viver porque sabe que vai morrer

Ela trancou os olhos de esmeralda nos dele. - Sev...

- E tudo tem mudado tanto Lily. Minha mãe estava viva e feliz, pela primeira vez desde que a conheço. Ela tem até um emprego agora - Lily sentiu seus ombros relaxando - E tem Mary, ela não se machucou tanto no ataque. Eu tenho um quarto para mim agora sabia? E o que mais...

- Seu cabelo não está mais tão oleoso - Lily brincou

Snape fez uma careta. - Viu o que é uma morte em comparação ao meu cabelo

- E toda sua personalidade inclusive - disse ele. - Eu nunca te vi tão… feliz

- Bom isso é tudo a Mary

Ela olhou para ele por um longo momento - Eu senti tanta falta de poder falar assim com alguém

- Eu senti muito a sua falta. Sabe quando eu beijei Mary a única coisa que passava na minha cabeça era: Lily nunca vai acreditar quando eu falar para ela

- Acho que vou ter que contar para sua namorada isso - Lily riu. Riu como não fazia em quase um ano. Ano que ficou longe de seu melhor amigo, ano que sua vida mudou completamente. O pior ano de sua vida na verdade. Mas pelo menos agora tinha alguém para dividir o fardo e por uma pequena fração de tempo parecia que tudo ia ficar bem.


Severus Prince estava frustrado, exausto, possesso, perdeu seis meses em uma busca inútil na Albânia. A pista de Rabastan fora totalmente inútil. Escavou cada milímetro daquele país e nada, já estava ficando sem paciência a meses e tudo o que queria era um bom motivo para sair dali. O estopim foi quando recebeu a carta de Severus contando do incidente com Mary, já era mais do que hora de voltar para casa. O semestre de Hogwarts já tinha acabado e era o momento perfeito para seguir o plano, mesmo sem a taça. Com uma chave de portal aparatou em Hogsmeade

Severus caminhou pela larga rua de cascalho de Hogsmeade. Tudo estava quieto tão cedo, mas as luzes estavam acesas nos apartamentos acima das lojas, onde seus donos moravam, se levantando e se preparando para outro dia.

Ele começou a subir a inclinação que levava aos portões de Hogwarts. Quando chegou ao pico, viu o diretor em pé na frente dos altos portões de ferro através dos quais Hogwarts, seus longos cabelos brancos como a neve e barba ondulavam à brisa, e seus olhos azuis brilhando por trás dos óculos dourados de meia-lua. Ao seu lado um gato cinzento malhado com uma marca de óculos nos olhos observando a cena

- Bom dia, Severus - Dumbledore o cumprimentou.

- Vejo que você contou para a professora McGonagall. Quem mais você está envolvendo nisso Albus? Pensei que tínhamos um acordo - Severus disse irritado

- Pelo que eu me lembre você partiu para Albânia sem data de retorno. Precisei me adiantar caso você não voltasse - disse dando de ombros enquanto Minerva assumia sua forma humana

- Bom dia Severus - Minerva disse - Espero que tenha feito uma boa viagem

- Sr. Prince, ainda não somos amigos - Severus disse secamente - Espero que você não esteja reunindo nenhum grupo de seguidores fanáticos também Albus - Severus queria resolver tudo antes que a Ordem da Fênix fosse criada, não adiantaria nada caçar Horcruxes enquanto Lily se colocava em perigo constante.

- Nos siga por favor, embora eu tenha certeza de que sabe subir até o castelo, eu o levarei até a porta da câmara