Cap 14

Severus Snape se encontrava eufórico e apreensivo ao mesmo tempo sentado na poltrona de sua sala. Era a primeira vez que via seu eu mais velho em um longo período de tempo. E embora tenham mantido contato por cartas havia uma grande parte de sua vida que ele tinha omitido em suas palavras

- Sev.. - Severus Prince sorriu - O que é tão importante que tivemos que falar pessoalmente?

Snape pigarreou - Eu não queria te escrever isso, porque bem, eu não sei como você iria reagir com isso. Eu sei que não era o que você queria para mim… Mas…

O mais velho ficou branco como papel. Seu sorriso desaparecera completamente e tomou a mesma cara que tinha quando Potter aparecia em sua frente Seus primeiros pensamentos eram que ele não conseguiu alterar o passado. Severus tinha virado um comensal, era a única coisa que passava em sua cabeça - Vamos me mostre logo a marca - Severus disse secamente para o mais novo

- Que? - Snape perguntou confuso se afundando ainda mais na poltrona. Severus Prince o olhava com misto de ódio e decepção

- Seu braço, ande - Severus se aproximou do adolescente e agarrou seu braço - Onde está sua marca? - Disse arregaçando suas mangas - Quando planeja fazer isso?

O jovem estava totalmente paralisado nunca tinha o visto assim. Era quase como, quase como se visse um reflexo de seu pai. Ele ficaria assim?

- Me responda menino - Severus Prince aumentou seu tom de voz

- Do que você está falando?

- Você irá vir um comensal, não irá? - Disse embargado em desespero

- Não, meu deus! - Snape estava confuso, meio segundo antes ele tinha certeza que seria assassinado e agora sua versão mais velha parecia que iria chorar - Não. Nunca. Depois do que fizeram com você! Com Lily! Como eu poderia? Por quê?

Prince deixou seu corpo cair lentamente ao chão enquanto soltava o braço do menino e uma lágrima caia de seus olhos de alívio. - Me… me desculpe. Eu… quando… quando você falou que não era algo que eu queria. Eu achei. Me desculpe

Snape sabia que deveria se sentir ofendido. Seu eu não tinha confiança nele. Seu discurso tinha mudado completamente e era algo que deveria deixá-lo magoado. Mas ao mesmo tempo tinha pena do homem que se encontrava em sua frente. Ele se torturou por tanto tempo antes de morrer, deveria acreditar que não tinha salvação. E agora deveria achar que tinha falhado tentando salvar sua alma. - Eu tenho uma namorada - disse por fim

- Que?

- Estou namorando Mary MacDonald - Snape respondeu didaticamente

- Era disso que você estava falando então? Me desculpe, me desculpe mesmo. Nossa ual - Prince estava mais envergonhado que qualquer coisa nesse momento. Como pode duvidar do adolescente? Mesmo que por um segundo

- Sim eu estava com medo de sua reação, mas nunca achei que poderia ser tão ruim assim - E foi silenciado por um abraço apertado

- Acho que nunca estive tão feliz por alguém assim nas minhas vidas - O mais velho falou se afastando um pouco

- Nossa se eu soubesse que essa seria a sua reação eu nunca deveria ter falado aquilo no início

- Seria melhor mesmo. Eu sempre soube que você está fazendo o seu melhor. Você enfrentou seus amigos, desfez laços. Eu não sei porque duvidei de você naquele segundo. É que tanta coisa me passou na cabeça. Achei que tinha falhado com você nesses meses que parti e…. Estou muito orgulhoso de você. Me desculpe

- Tudo bem - Severus Snape disse querendo se esquecer da acusação de antes e voltar a falar com o seu tio como sempre

- Mas então me conte sobre ela. Como ela é? Nunca conversei com ela na minha vida anterior - Snape deveria ter notado o leve tom rosado do rosto do homem nessa pergunta. Ele não fez. Ele deveria ter notado o homem mudar para uma postura envergonhada. Ele não fez. Ele notou, no entanto, o jeito que Prince não olhou em seus olhos enquanto contava sobre a namorada

O homem limpou a garganta - Bem. É só que, como seu pai não está aqui, acho que esse dever cabe a mim, afinal na minha passagem como professor de Hogwarts muitas vezes fui eu que tive que assumir isso

- Qual dever? - O mais novo perguntou confuso

- Você está fazendo sexo?

Snape pulou cerca de um metro no ar - O que?

- Quero dizer, você... você... você tem...

- Não, eu.. não, é claro... o que… - Snape agora não sabia o que era pior, Severus a ponto de lhe matar ou tendo aquela conversa e voltou a se enfiar na poltrona

Os dois estavam olhando para qualquer lugar, menos um para o outro. Respirando fundo, Prince sentou no sofá e se inclinou e apoiou os cotovelos nos joelhos. - Esteja seguro. Sempre use proteção. Tenho um grande livro de feitiços...

Snape olhou para ele horrorizado, o rosto congelado. Por um momento, se perguntou se vomitaria. Na verdade, tinha vontade de vomitar. - Nós realmente não precisamos fazer isso

Depois de vinte minutos aprendendo sobre o assunto, Snape ficou completamente assustado com a experiência e Prince parecia estar lidando ao decidir que a situação era como se flagrasse seus alunos e passasse um sermão. Isso significava que o homem estava realmente se divertindo. Naquela tinha se decidido, iria voltar a dar aulas. Afinal se tudo estava mudando, por que ele não poderia mudar também?


Uma garoa fria acompanhou a pequena procissão fúnebre, enquanto se dirigiam da capela ao cemitério particular. Ninguém disse uma palavra enquanto caminhavam pela chuva, as mãos afundando mais nos bolsos, os rostos cinzentos voltados para o chão.

O padre fez outro recital sombrio enquanto todos se reuniam ao redor da sepultura recém-escavada. O cheiro de terra úmida e lírios pairava no ar, e o tamborilar da chuva nos guarda-chuvas enchia o silêncio deixado pela multidão. Ninguém falou quando o caixão foi lentamente abaixado na terra. Apenas sua mãe chorou, e suas lágrimas se misturaram com a chuva enquanto se adiantava para espalhar o primeiro punhado de terra sobre o caixão de seu marido.

James assistiu a partida e sentia em seus ossos a angústia, tudo o que queria eram mais memórias de seu pai. Queria ter apresentado uma namorada ao pai. Queria que ele tivesse o visto casar, ter filhos, construir um lar. Mas agora já era tarde, muito tarde, pois o corpo de seu pai estava selado para sempre debaixo do chão, e nos últimos anos seria apenas o cinza opressivo do céu naquele dia que ele se lembrava. Mesmo com todos seus amigos por perto James se sentia mais sozinho do que nunca


Petúnia engoliu em seco e empalideceu quando deu um passo para trás ao abrir a porta. - O que você está aqui sua aberração?

- Vim conversar com a sua irmã, ela está? - Snape disse o mais gentilmente possível tentando parecer amigável

- Ela não anda mais com o seu tipo mais - Petúnia disse rispidamente fechando a porta

- Ela me perdoou pelos meus erros o passado, você sabe, saímos quase todos os dias nesse verão, eu vim jantar aqui outro dia - Snape disse colocando o pé na porta antes que a menina fechasse a porta completamente em sua cara - E espero que um dia você possa me perdoar também. Me desculpe Srta. Evans

- Por que você está fazendo isso?

Severus levantou uma sobrancelha. - Fazendo o quê? Por favor, elabore, Srta. Evans.

- Eu sei que você está tramando alguma coisa. Você sempre foi mau comigo. Apenas acabe com isso. Me assuste! Faça o seu pior! - Ela respirou fundo. - Você é apenas uma aberração!

- Eu não vou ser mau. - Severus respondeu.

- Mas você costumava...

- Eu cresci! Eu não planto mais aranhas no cabelo das pessoas, Srta. Evans. Ou ainda pareço assim para você? Eu fiz alguma coisa desde o verão passado para assustá-la? Paz e sossego é tudo o que eu quero

- Você acha que eu vou comprar esse teatro? Ouça você mesmo, aberração. Você está me dizendo que não pretende ser assustador? Você é pior que o meu professor de matemática! Você está fazendo isso de propósito, como sempre. Admita isto!

- Senhorita Evans, posso lembrá-lo que você começou isso?

- Pare de me chamar assim!

- Desculpe?

- Não me chame de Srta. Evans.

- Você não quer que eu te chame de Petúnia, não é?

A incerteza encheu seu rosto. - Não … - Ela torceu os dedos nervosos e desviou o olhar.

- E eu entendo, Tuney está fora de questão.

Petúnia mordeu o lábio.

- Então estamos ficando sem opções - Severus zombou.

- Tudo bem … - ela murmurou. - Me chame de Petúnia. - Um tremor de medo apertou suas mãos.

- Você poderia ir chamar Lily, por favor?

Lily entrou em cenas assim que sua irmã saiu da porta e puxou seu amigo para o jardim para conversarem com mais privacidade. - Quem é você e o que você fez com Severus Snape? - Ela alisou sua camiseta muito grande, que poderia ter passado por um vestido.

- Quanto você ouviu? - Severus a encarou e seus olhos se suavizaram.

- Desde ... quando você perguntou a Tuney como deveria chamá-la. Desculpe ... Foi difícil não ouvir da sala de estar. E não ousei entrar. - Ela pegou uma margarida do chão e girou entre seus dedos -Estou feliz que você conseguiu resolver ... um pouco.

- Então eu estou feliz por me desculpar. - Ele sorriu um pouco.

- De jeito nenhum! - Lily levantou um dedo proibitivo. - Você não pode se desculpar com minha irmã e ser feliz com isso!

Severus levantou uma sobrancelha.

Lily fez o mesmo. - Severus Snape pode um dia amadurecer além de brincadeiras infantis, até aprender a perceber quando ele está perdendo a paciência. - Ela se inclinou para frente, braços cruzados. - Mas ele nunca vai se desculpar com minha irmã. E ele certamente nunca ficará feliz com isso.

- Pessoas mudam?- Ele ofereceu.

- Você perdeu totalmente o seu jeito - Lily balançou a cabeça.

- Talvez eu tenha. Você sabe porque … - ele murmurou

Severus ficou inquieto e se sentou no chão. Ela se juntou a ele, mãos cruzadas enquanto seu olhar passada dele para flor em sua mão

- O que foi Sev?

- Eu contei para o meu tio de Mary… eu sei que você não gosta que eu fale dele, mas tivemos uma conversa interessante e tem algo que eu preciso te perguntar - Disse ficando vermelho

- Ai Meu Deus! Não acredito que ele falou disso com você. Eca! E você quer falar disso comigo?

- Lily não! Por favor sem mais conversas constrangedoras - Snape disse balançando os braços ainda mais constrangido que antes

- Sim ele falou, mas não é disso que eu quero falar com você, ou com ninguém realmente

- O que está te incomodando então?

- Ele me pediu para te perguntar se ele poderia aceitar o convite de Dumbledore para dar aulas em Hogwarts

-Por que ele quer minha opinião? - Lily disse jogando a florzinha de sua mão para longe

- Ele quer sua permissão a realidade. Ele quer saber se você não irá se sentir desconfortável ou algo assim.

- É claro que eu vou me sentir desconfortável com ele lá Sev. Foi por causa dele que eu morri, e ele vai estar lá, tão perto, ele… ele... - Ela começou a hiperventilar

- Lily, lily, respira - Severus pegou a mão da amiga e começou a respirar fundo e devagar com ela até que ela se acalmasse - Ok, Lily, melhor?

Ela apenas balançou a cabeça positivamente. Desde o verão passado ela tentava esconder seus ataques de pânico de todos, mas desde que voltou a falar com Sev eles estavam menores e o amigo sempre a ajudava a voltar ao normal.

- Eu vou falar para ele que é melhor não. Eu estava meio cabreiro com a ideia mesmo

- Não - Lily o interrompeu - Nós precisamos de um professor decente de Defesa contra Artes das Trevas, melhor ele do que um comensal

- Como você sabe que ele daria DCAT? - Ele estreitou os olhos.

- Não me olhe assim, é o único cargo que ele aceitaria pra voltar para lá

- Sério Lily? Tudo bem mesmo? - Sev disse ainda preocupado com a amiga

- Sim Sev- Disse apertando a mão do amigo - Se eu tiver um ataque desses de novo por causa dele eu sei que você estará lá para me salvar

- Sempre...