Cap 17

O dia 9 de janeiro caiu em um domingo, aniversário dos Severus. Lily estava animada, mas sabia que o melhor amigo não gostava muito da data. Ele não conseguia suportar a ideia de mais comemorações. Embora gostasse do Natal, ele não poderia aceitar mais presentes tão cedo. Decidiram se encontrar próximo do lago em um lugar bem calmo sem Sonserinos a vista, obviamente Alice e Mary estavam junto

Severus não conseguiu o que queria, não inteiramente. Lily insistiu em dar a ele um presente uma veste de bruxo, este vermelho groselha. Após a sobrancelha levantada de Severus, Lily disse - Existem outras cores além do preto. De qualquer forma, combina com você.

Pelo menos ela tinha bom gosto e conhecia sua preferência por vestes de mago.

Infelizmente, Alice andava com eles por muito tempo e ofereceu muitos parabéns e o presente de um livro. Os agradecimentos murmurados de Severus não foram nem a metade tão amargos quanto seriam se o presente fosse algo impraticável. Pelo menos Alice tinha bom senso.

Por fim chegou a vez de Mary - Feliz aniversário - ela disse ao namorado, entregando um presente para ele quando ele se sentou ao lado dela. Ele acenou com a cabeça, dando a ela um sorriso tímido enquanto abria a caixa.

- Um relógio de bolso - ele sorriu - Obrigado - ele sussurrou, inclinando-se para dar outro beijo em seus lábios.

- Você gostou? - ela perguntou, esperando ter escolhido um que fosse apropriado.

- É perfeito - ele a assegurou, retribuindo o sorriso. Mary relaxou

- Então, agora que os presentes já foram dados o que ainda está te incomodando? - Mary perguntou chamando a atenção das amigas - É sobre o ataque de ontem? - Ela perguntou a ele. Severus suspirou. Isso foi um sim então.

- É realmente difícil pensar, quanto mais falar sobre - ele disse calmamente. - Vocês conseguem sentir que algo está para começar não conseguem?

- Disseram que eles eram pais de nascidos trouxas, eu não consigo nem imaginar o que eu faria se atacassem meus pais - Mary disse

- Frank sempre fala da tensão que está se formando entre os aurores, um grupo extremista está ficando cada vez mais ouriçado - Alice começou - Frank e os irmãos Prewett estão pensando em se juntar a alguma aliança para combatê-los, e eu claramente assim que acabar Hogwarts irei me juntar

- Podem contar comigo - Mary disse sorridente

- NÃO! - Lily e Severus gritaram em uníssono e desespero

- É muito perigoso! - Severus complementou, sabia muito bem o que poderia acontecer. Na vida antiga Mary nunca foi da Ordem pois morreu antes, foi enfraquecida pelo ataque no ano anterior e nunca havia se recuperado. Mas Snape não conseguiria nem imaginar o que faria de sua vida caso Mary morresse. As sombras de sua vida anterior se repetiram, mas não teria luz alguma para trazê-lo de volta

- Claro que é! - Alice protestou - Mas fazer nada também será. Mary e Lily são nascidas trouxas, exatamente o tipo de alvo que esses loucos estão atrás, pelo menos assim temos a chance de nos defender

- Qual chance? Somos apenas adolescentes que estão dando os primeiros passos no mundo mágico sozinhos - Severus apontou tentando não se irritar

- Nós somos tão capazes quanto os Sonserinos que vão entrar para o grupinho deles esse ano

- Nós estamos tendo uma aula Defesa Contra Artes das Trevas decente pela primeira vez em todos os nosso anos aqui. Esses caras já vem com Maldições de casa, aprendem desde o berço. Como você acredita que sobreviveria contra Bellatrix Lestrange? - Severus praticamente vomitou o argumento

- Podemos trocar de assunto por favor? - Lily pediu como em um choro. Tentando não se lembrar da vida de Alice

- Nós podemos entrar depois do treinamento de Auror, não é como se essa situação se resolvesse magicamente em um ano, que tal assim? - Mary disse tentando acalmar o namorado. Severus apenas acenou com a cabeça e relaxou um pouco o ombro. Nem tinha reparado o quão tenso estava. Só esperava que seu tio conseguisse acabar com a guerra antes disso acontecer

- Ok ok. Acho que teremos que contar com Frank por um tempo. Mas só espere eu acabar meu treinamento de Auror, você está ferrado pocionista Severus - Alice brincou

- Contanto que eu não vire professor eu me contento com pocionista Severus - Snape mais calmo tentou entrar na brincadeira para acamar Lily que ainda estava branca como uma parede

- Tudo bem Lily? - Mary disse ao reparar na amiga

- Acho que eu comi algo que não me fez bem no café - Lily disse ainda tentando tirar as imagens que voltaram a sua cabeça. A guerra estava chegando, ela não poderia fazer nada, iria morrer logo. Seus pais morreriam logo, suas amigas iriam morrer logo. Sentia um ataque de pânico de aproximando cada vez mais

- Lily quer que eu te acompanhe até o castelo? - Severus disse reparando que a amiga precisava conversar

- Não Sev, aproveite o seu dia. Eu preciso de um pouco de ar só isso - Disse lutando contra sua respiração enquanto se afastava do grupo - Feliz Aniversário! Mary, não deixe ele se preocupar demais

Mary sorriu e apertou o braço do namorado que se levantava para seguir a amiga - Deixe Sev, daqui a pouco ela volta. Eu entendo ela, nossos pais não conseguem se proteger como sua mãe e os pais de Alice, ela só precisa de um tempinho, deve estar preocupada

- Você não tem nem ideia - Severus disse, um pouco culpado por ficar com a namorada enquanto sua melhor amiga se afligia. Mas não conseguia achar nenhuma palavra para confortá-la no momento, talvez fosse melhor Lily ter um tempo sozinha mesmo


Apesar de uma vida inteira de madrugadas e madrugadas, Severus não era uma pessoa matutina. A ética de trabalho que seu desgraçado pai havia instalado nele significava que muitas vezes ele acordava antes das seis, pelo menos nas manhãs em que conseguia dormir um pouco. Havia apenas um dia do ano em que ele se permitia um repouso adequado, cancelando qualquer aula matinal que pudesse ter e geralmente não mostrando o rosto até pelo menos o almoço. E naquela manhã de domingo em particular no início de janeiro, esse era o seu plano. Pelo menos tinha sido até que Poppy o mandou de flu ao amanhecer pedindo sua ajuda. Ele passou as próximas horas tentando desfazer o dano do feitiço que a Srta. Wilson tinha conseguido infligir a si mesma (não havia nada de errado com o nariz dela), e quando ele voltou para seus aposentos, seu bom humor havia sumido.

Esfregando a mão no rosto, ele suspirou.

Era pedir demais ter um, apenas um, dia em que não houvesse emergências e ele pudesse passá-lo como quisesse? Verdade seja dita, ele não comemorava seu aniversário há quase 30 anos, então nem sabia por que se importava. No ano passado recebeu uma carta de sua mãe, um relógio do Severus mais novo, que não tirou mais do pulso inclusive, mas só, aida estava sozinho no meio da Albânia.

Alvo, na vida passada, sempre marcaria a ocasião dando a ele um par de meias escandalosamente extravagantes as quais Severus sempre aceitou e então prontamente enfiava na gaveta inferior de seu cômoda. Nenhum dos dezesseis pares de meias foi usado. Aparentemente alguns hábitos não mudam mesmo em uma viagem temporal e um par de meias verdes estava em sua cômoda, junto de outra carta bem afetuosa de sua mãe, acompanhada de um livro sobre educação infantil desta vez. Seu eu mais novo havia prometido encontrá-lo no jantar pois queria dar o presente ao vivo desta vez. Ao encher um copo de Whiskey, coisa que só se permitia uma vez ao ano, sorriu ao prospecto de ter algum plano para o dia de hoje

Severus mal se encolheu quando uma batida na porta o tirou de seu transe, ainda era muito cedo para que Sev viesse, provavelmente seria mais alguém para pedir um favor e acabar com mais horas de seu dia.

- Podemos conversar, professor? - Nem em seus maiores sonhos ele imaginaria essa cena, pensou em se beliscar, mas tinha medo de acordar. Era Lily!

-Oh?- Foi tudo que saiu de sua boca

- Você vai me convidar para entrar ou vamos falar no corredor?

Olhando para ela, ele apenas abriu mais a porta e se afastou ainda incrédulo com a jovem em sua frente. Enquanto olhava ao redor da sala, Lily percebeu que nunca tinha estado nessa sala antes nas memórias, estava tudo bem diferente. A sala de estar em que eles tinham acabado de entrar era coberta com estantes embutidas, que fechavam até a porta à esquerda, que provavelmente levava ao quarto dele. Não permitindo que sua mente se desviasse nessa direção, ele voltou a se concentrar. Na parede direita havia uma grande lareira rodeada por um sofá de aparência confortável e duas poltronas. Na parede oposta à porta pela qual eles entraram, havia uma grande janela com uma grande mesa embaixo dela. Havia várias fotos mágicas na mesa, e ele reconheceu o cabelo escuro de Severus em mais de uma delas.

Olhando para ela, se perguntando se os olhos dela sempre foram tão intensos ele falou. - O que você gostaria de falar?

Uma miríade de emoções passou por seu rosto antes de finalmente se estabelecer em dor. Fez algo que ele não queria pensar na boca do estômago. - Vai ficar tudo bem? Você vai me proteger? - Poderia parecer a coisa mais egoísta do mundo, mas Lily não queria morrer. Talvez o chapéu seletor tinha errado, mas o que ela menos se sentia era corajosa

Ele foi pego de surpresa pelo tom mordaz dela. - Eu estou tentando- E meus pais?

Sua boca se abriu, depois fechou novamente. Ela estava certa, é claro. Imediatamente, ele se sentiu um pouco nauseado. - Eu, eu não sei como, eu não estava por perto na morte deles. Não sei se consigo evitar - A desculpa soou fraca até para seus ouvidos. Como ele pôde ser tão estúpido? Ele nunca nem pensou em salvar os pais dela, não fazia ideia do que poderia fazer, deveria ter algo. Ele tinha que acabar com isso logo

Cerrando os punhos para esconder que suas mãos estavam tremendo, ele olhou para o chão. Ele não suportou encontrar os olhos dela, ver a raiva e a traição em seu rosto. Isso era como no dia em que ele mostrou as lembranças; ele fazendo algo estúpido, que lhe custou a consideração de uma mulher brilhante. Ele não tinha desculpas na época e não podia oferecer nenhuma agora. - Peço desculpas, sinceramente. Não vou pedir perdão, porque não mereço.

- Severus, olhe para mim. - Lily disse finalmente se acalmando

Hesitante, ele obedeceu. Ela estava mordendo o lábio e seus olhos estavam ligeiramente vidrados. Ela piscou duas vezes e então falou. - Eu te perdôo.

- Você me perdoa? - As palavras pareceram estranhas em sua boca. Sua visão se estreitou. Isso era demais. Seu peito se apertou. Havia esperança, ele não podia acreditar


Lily ficou na torre o resto do dia tentando colocar seus sentimentos em ordem. Na manhã seguinte caminhava para o Corujal antes do café da manhã quando escutou as vozes de James e Sirius no corredor. Não é que Lily estivesse se escondendo, mas não queria cantadas logo cedo. Se colocou entre duas pilastras esperando que a dupla saísse para que enviasse sua carta

- Perto o suficiente. - James suspirou. - Deixe-me adivinhar… seus pais de novo?

- Eles me mandam uma carta por semana para me criticar e glorificar a causa deles depois do ataque. Achei que tinha cortado os laços quando me tiraram da árvore genealógica e tudo mais. Eles acham que eu voltarei para aquele hospício com o rabo entre as pernas quando reparar que estou errado - Sirius disse frustrado

- Eu ainda não entendo porque você ainda as lê. Eu já teria queimado assim que recebesse, elas dão um ótimo alvo - Sirius olhou por um momento se ele estava prestes a protestar, argumentar, para ser seu habitual ego beligerante. - Mas vamos você está com cara que precisa dividir o fardo. Qual foi a maluquice dessa vez?

- Eles estão extasiados . Receberam do próprio Você-sabe-quem um cálice ou um copo que colocaram no centro da casa de Londres. Aparentemente teve até uma festa celebrando o copo

James bateu a mão no ombro do amigo. - Festas por pratarias! Bom acho que é oficial, você é o único Black são...

- Não podemos esquecer de Andrômeda - Sirius disse rindo enquanto se afastavam do corujal

- É verdade… você teve notícias da pequena… - Lily tentou continuar acompanhando a conversa, mas eles já estavam longe demais para que ela acompanhasse