Cap 20

Na noite do dia dos namorados …

Ei, você está bem, Lily? - James perguntou, direto ao ponto.

- Hm? Oh, sim. - respondeu Lily, deixando James enfiar a cabeça em uma alcova escura onde ouviu algum barulho. Acontece que era apenas uma das armaduras menores, andando pelo castelo.

James esperou por ela, uma mão no bolso, a outra pendurada ao lado do corpo, pronto para pegar a mão dela novamente assim que estivesse ao alcance. - Eu fiz algo de errado mais cedo?

Lily olhou para ele e suspirou. - Você foi perfeito

- Bem, acho que seria melhor se você falasse sobre isso - James pressionou gentilmente, mesmo que estivesse um pouco nervoso sobre o que a estava incomodando e o que isso significava para ele.

Lily se recusou a falar pelo resto das patrulhas. Ela estava com medo de que isso se transformasse em uma briga, e ela não queria briga nos corredores, à noite, quando eles deveriam estar patrulhando. Logo, porém, eles terminaram e voltaram para os dormitórios dos diretores. Assim que eles passaram pelo buraco do retrato, James a parou.

- Agora, estamos sozinhos, em nossa própria sala comunal, você não vai me dizer o que está incomodando você agora? - Ele perguntou lançando um Muffliato para maior privacidade

Lily respirou fundo pelo nariz e suspirou. - Acho que deveria. Só não sei como começar...

- Que tal no começo?

- Parece um bom lugar para começar. Bem ... Você está feliz?

James ficou surpreso por um segundo. - Claro que estou. Finalmente consegui a garota que amo, vejo um lindo futuro para nós… meus amigos no nosso casamento, Sirius dando em cima de todas as suas amigas que já tem namorado. Severus de dama de honra... - ele respondeu, sua voz hesitante e um pouco insegura.

- Oh, pare de dizer isso! - Lily não queria destruir os lindo sonhos de James, e pensar que em outra vida isso teria sido verdade - TVocê tem apenas 17 anos, praticamente ainda somos crianças! - Lily começou a andar, torcendo as mãos.

- Me desculpe se eu fui rápido demais...

- Não, não foi. Você não tem nada que se desculpar comigo. Você é um cara maravilhoso no fundo e eu demorei muito tempo para ver isso

- Deixe me adivinhar, você vai dizer: problema não é você sou eu - James estava desconfiado e realmente não gostou para onde isso estava indo, o dia tinha sido maravilhoso o que tinha dado errado em tão pouco tempo?

- Não… sim. Me desculpe James. Eu sei que teríamos um futuro lindo, eu, você, Harry e seus amigos. Sirius e Lupin amariam nosso filho mais que a própria vida, mesmo que pouco tempo que eu vivesse com você eu seria tão feliz

- Eu não estou te entendendo Lily, você diz que não quer nada, mas já imaginou todo o nosso futuro? - James disse confuso

Lily se virou, com raiva de si mesma pelas lágrimas que brotaram de seus olhos, contra seu controle. - Estou dizendo que não é você, sou eu o problema

- Evans pare de sacanagem e me diga o que te fez mudar de ideia assim? - Potter disse mudando o seu tom

A bruxa também ficou mais séria, respirou fundo e secou as lágrimas - James Potter preciso que você faça um voto de silêncio

James que só queria entender o por quê estava sendo chutado concordou sem hesitar

- James eu tenho um segredo… Eu vi o nosso futuro, James, foi lindo, eu te amava de todo o coração até o meu último suspiro. - As lágimas lutavam para retomar seu rosto - Tivemos um filho, Harry e ele foi um bruxo excepcional, depois dele nosso mundo nunca mais foi o mesmo. Mas infelizmente eu não sou mais aquela Lily que viveria tudo aquilo. Ver o futuro me fez mudar. Me desculpe James, eu queria poder concretizar aquela visão, mas mesmo se eu aprendesse a te amar não conseguiria mais fazer isso de coração inteiro

James ficou quieto durante esse pequeno discurso de Lily. Ele estava tentando descobrir o que ela queria dizer. - Você está dizendo ... - Ele estava tentando formular algum pensamento, mas foi muita informação para digerir. Lily tinha visões? Era uma profecia? O que tudo aquilo significava?James não disse nada. Ele não se moveu. Ele mal conseguia pensar em uma frase completa.

- Me desculpe James de verdade, você merece alguém tão melhor

- Como eu posso confiar que o que você acabou de falar é verdade? - finalmente disse

- Porque eu sei que Lupin é um Lobisomem, e os marotos se transformaram em animagos para ajudá-lo, Sirius é um cachorro, você um cervo e Peter é um rato. Literalmente, ele vai trair todos vocês e se juntar aos comensais, ele, ele é a razão pela qual nosso filho cresceu órfão

- Mas e o nosso futuro? E o nosso filho? O que irá acontecer com o mundo mágico então? - Os segredos dos marotos e o futuro que Lily descrevera ainda ecoava em sua cabeça

- Harry não será o rapaz que mudará o mundo mágico, mas nós podemos fazer isso. Podemos acabar com aqueles seguidores loucos, podemos crescer casar e ter filhos. Poderemos criar esses filhos em um mundo de paz. Mas não será junto um do outro James. Me desculpe, mas eu amo outro

Ele continuou piscando, tentando dar sentido àquilo, tentando ver se havia alguma maneira de consertar, embora tivesse quase certeza de que não.- É Severus? - Ele perguntou machucado

Lily apenas assentiu - O dia em que ele apareceu na minha porta minha vida inteira mudou, foi como se por 16 anos eu só estava esperando aquele momento para minha vida finalmente começar

- Lily, você está me dizendo que? - Quando James achou que não poderia se surpreender mas Lily jogou a última bomba em seus pés. Bem, ele suspirou mental e audivelmente, se isso a deixa feliz, acho que é o melhor. Ele continuou tentando se convencer disso. Não estava funcionando. O que pareceu uma eternidade depois, mas na verdade foram apenas cinco minutos, ele foi capaz de se levantar e caminhar lentamente até seu quarto. Ele deixou a porta se fechar e desabou na cama, tentando não se afogar em sua miséria. E a pior parte, não poderia dividir esse fardo com mais ninguém


Agora...

Um pequeno grupo aparatou na residência dos Prince, era o lugar seguro para onde a ordem tinha levado Severus para se curar de sua ultima empreitada

- Você está horrível, tio - Snape disse ao entrar no quarto com as mãos dadas a Mary e Lily logo atrás. Dumbledore tinha dado permissão para que elas o acompanhassem.

O mais velho sorriu para eles quando eles entraram, sua voz soando incrivelmente fraca. Três travesseiros o sustentavam. Eileen segurou uma de suas mãos nas dela, seus olhos, mostrando um pouco de vida após as muitas horas em que estivera naquela cadeira, olhando diretamente para ele morrendo de preocupação.

- Nada disso, absurdo - Prince chiou, tentando levantar a outra mão para limpar o rosto de Eileen, mas seu corpo estava enfraquecido demais e caiu suavemente em seu estômago. Seus olhos deixaram o rosto da mãe, caindo sobre Lily, que estava parada na porta com olhos arregalados, assustados e confusos. - Lily - ele sussurrou, os olhos se iluminando, um pequeno sorriso se formando em sua idade, rosto bonito. Quando Lily não se mexeu, Snape, colocou uma mão gentil nas costas dela, cutucando-a levemente.

- Vá Lily - ele murmurou, e ela deu um passo desajeitado para a frente.

- Devemos sair - Eileen murmurou se levantando - vamos dar um tempo para eles dois - Snape assentiu, tendo um vislumbre final de Lily enquanto ela corria para seu eu mais velho antes que sua mãe fechasse a porta.

Ela esperava que ele dissesse alguma coisa, mas ele permaneceu quieto. Ela não aguentou. O ar na sala estava ficando denso de tensão, o que provocou calafrios quentes e gelados percorrendo seu corpo. Ela queria matar o silêncio, mas não sabia o que dizer. Ela nem sabia o que pensar.

De repente, os olhos de Severus se abriram. Pareciam duas brasas negras no escuro. Ela se sentiu completamente nua sob seu olhar abrasador, mas não conseguiu desviar o olhar. Por fim, ela entendeu porque aqueles olhos estavam sempre ardendo.

Severus a amava. Isso era claro. Mas ele ainda era apaixonado por ela como ela estava apaixonada por ele? Mesmo seu eu mais novo apaixonado por outra. Tudo o que ele estava fazendo ainda era por ela, ou ele só a via como a amiga de infância? Com todos os acontecimentos não teve a chance de contar para ninguém o que aconteceu entre ela e James no dia anterior e o que realmente se passava em seu coração

- Parece que sempre te encontro flertando com a morte - disse Lily com a voz suavizada

- Eu só quero te manter segura. - Ele disse limpando a garganta - Eu não quis aborrecê-la - ele disse se desculpando. Por um momento passageiro, ele parecia aquele garoto de nove, doze ou quatorze anos novamente tão sensível e sincero que Lily ficou impressionada com o desejo de fazer tudo ao seu alcance para fazê-lo feliz e mantê-lo assim pelo resto da vida.

Por que ela acabou fazendo exatamente o oposto disso, ela não sabia.

- É claro que você não quer. O que você pretendia fazer era me manipular com culpa, para que eu fizesse o que você quer - disse ela sem rodeios. - Você não acha que eu não te vi quando contava para Mary que eu estava tentando me apaixonar por James e saiu correndo?

Ela não tinha ideia de onde vinha a raiva em sua voz. Ela acabara de passar por uma série de emoções tempestuosas, mas nenhuma delas tinha raiva. No entanto, toda vez que ela abria a boca, algo cruel parecia surgir. E o silêncio dele era o que mais a perturbava. - Pelo amor de Deus, Severus! Já faz anos! Por que você não pode simplesmente falar comigo como uma pessoa normal?

- Eu tentei! Merlin sabe que eu tentei! - ele gritou. Seus olhos estavam cheios de desespero agora, e sua voz tremia. Mais uma vez, ela teve que desviar os olhos e se esconder atrás de sua ira.

- O que você quer que eu diga? Como devo me sentir agora?

Essas eram, de fato, perguntas muito válidas. Como ela deveria se sentir? Qual foi a coisa certa a fazer? Dizer que o amava e ele não deveria mais fazer o que veio do futuro para fazer? Que a vida dele valia tanto quanto a dela e ela não conseguia imaginar o que faria se aquele homem morresse? A agulha de sua bússola moral estava girando como louca, e ela não conseguiu parar. Uma força poderosa dentro dela estava atraindo-a para Severus, mas outra estava lhe dizendo para cobrir os olhos e os ouvidos e esperar que tudo acabasse. Em algum lugar ao longo da linha, aqueles que contradizem se chocaram e resultaram em palavras amargas e dolorosas. Ela desejou poder ter desaprendido o que acabara de aprender, e que o relacionamento deles pudesse voltar a ser seguro e descomplicado.

Severus apenas ficou boquiaberto, mortificado por sua indignação.

- Bem? - ela continuou. - O que você espera que eu faça nesta parte do seu plano?

- Nada - ele respondeu sombriamente, deixando cair o queixo.

- Nada? - ela disse venenosamente. - Eu deveria ter te deixado para morrer? Vá em frente, me diga como isso acaba. Você começou isso. Diga-me o que você quer deste jogo ridículo, para que possamos finalmente acabar com isso!

Seu rosto estava corado, e ela sentiu como se estivesse irradiando calor enquanto respondia sua pergunta por ele dentro de sua mente. Isso a fez sentir coisas que eram muito e muito repentinas, e tudo isso a assustou.

- Isso foi um erro - disse Severus. - Obrigado por me salvar. Mas pedirei demissão de Hogwarts assim que eu pegar a Tiara. Não importunarei mais

- Sim, foi mesmo - respondeu ela, e saiu pela porta. Sentia a raiva que estava apertando seu coração finalmente a libertou de suas garras. Ela começou a ofegar tanto que teve que se sentar. Depois que a tempestade dentro dela passou, ela gradualmente percebeu a extensão do dano que acabara de causar a ele. - Lily, sua idiota - ela gemeu, puxando os cabelos em remorso. - Eu te amo Severus Prince, como nunca amei ninguém…. Eu não vou te deixar morrer


Albus suspirou enquanto afundava em sua cadeira de costume, atrás da mesa de seu escritório. Foi uma longa noite, para dizer o mínimo. Relatórios chegando a ele de membros da Ordem, no departamento de Auror, ele sabia que havia espiões dentro do Ministério, ele tinha membros da Ordem tentando descobrir exatamente quem. Mas a operação teve que ser adiada para o salvamento de Severus, que até aquele momento não fazia ideia que Dumbledore tinha reunido a Ordem. Ele estava exausto, mas ainda havia trabalho a ser feito, descobriu muitas coisas com o breve encontro com a senhorita Evans, ela parecia saber bem mais do que aparentava e um breve olhada em sua mente forneceu muito mais pistas do que ambos os Severus tinham fornecido em quase dois anos.

- Como vão as coisas no Ministério, Albus? - Minerva perguntou a ele enquanto servia o chá.

- Tão bem quanto se poderia esperar - ele suspirou.

- Entendo - Minerva bufou. - O ar está tão tenso que parece que uma guerra irá começar a qualquer segundo

- Eu diria que já está profetizado - Albus concordou

- Uma profecia? - Minerva perguntou. - Você acredita nisso, Albus? - ela perguntou desconfiada.

- Eu seria um tolo se não levasse em consideração todas as informações - disse ele com um suspiro.

- As profecias estão sendo tratadas como informação agora?

- Não é tão simples assim - Albus disse, eles certamente estavam no ponto de inflexão agora, seria preciso tão pouco para empurrar a guerra de um jeito ou de outro. Se caísse de um jeito, Severus teria sucesso e eles ficariam livres de Voldemort sem nem ao menos terem que lutar. Se caísse o outro, Voldemort venceria e as informações da senhorita Evans seriam a única coisa capaz de salvá-los de anos de trevas.

- Você sabe que se chegar ao ponto de uma guerra nem mesmo você será capaz de vencê-los sozinhos, precisamos saber o que você sabe. Acho que a Ordem está a muito tempo trabalhando no escuro, não é mesmo Albus? - Minerva falou enquato o diretor tentava se despreender de suas preocupações

Ele nunca se sentiu tão poderoso e imponente ao mesmo tempo. Ele gostava de pensar que estava no controle, que poderia fazer os movimentos certos para trazer a Luz à vitória, mas o destino poderia ser mais do que um pouco instável. Muito de sua fé foi colocada em Severus e sua habilidade de acabar com isso, em parte devido às memórias, em parte devido a um sentimento de familiaridade que sentiu ao conhecer o professor. Mas e se essa guerra não seguisse os mesmos passos do passado daquele homem? Será que depositou todas as suas fichas na pessoa errada? - Acho que está na hora de uma reunião com todos os nossos membros Minerva