Cap 21

Snape só pode ficar no hospital por um dia para visitar o tio. Na manhã seguinte ele e seus amigos já haviam retomado as aulas

- Sev! - Ele se virou e viu Lily correndo em sua direção.

- Você está animada demais… O que você quer? - disse Severus com uma sobrancelha levantada.

- Mary me disse que vocês usaram a sala precisa. Você pode me levar lá? - Severus olhou para a amiga confuso - É onde está aquela última coisa que Dumbledore e seu tio precisam - Ela explicou

- Ele me mandou ficar longe disso - disse Severus sem entusiasmo. - Você se esqueceu de onde acabamos de vir? Esse negócio é perigoso Lily...

- Sev… eu vou morrer fazendo nada ou lutando. Eu passei já muito tempo com medo e me escondendo sem fazer nada e pra quê? Severus se machucou e por minha culpa, porque ele quer me salvar enquanto fico aqui esperando como uma princesa de conto de fadas. Eu não sou indefesa Sev, e nem você. Não precisamos fazer as coisas sozinhos

- E pelo que me lembro a última vez que você o viu você saiu bem furiosa do recinto. Por que a mudança repentina?

Ela mordeu o interior da boca e ficou em silêncio. Não era repentina. Ela vinha sentindo dentro dela a tempos e a discussão no hospital só a fez perceber o que seu coração sabia desde que assistiu todas aquelas memórias no verão de seu sexto ano. Ela queria proteger Severus Prince tanto quanto ele queria protegê-la

Snape viu nos olhos de Lily uma determinação que não via a tempos na melhor amiga. A conhecia muito bem para saber que ela não mudaria de ideia, era melhor que pelo menos ele estivesse junto caso algo desse errado. E afinal era a Horcrux mais fácil, não deveria ter motivos para alarde - Se ele descobrir que eu estava envolvido eu te mato - Disse para a melhor amiga revirando os olhos

Lily deu um sorriso, para decepção de Severus, virou-se rapidamente para uma careta. Era como se a briga do quinto ano nunca tivesse acontecido. Ele era seu bom e velho amigo Sev que estava lá para ela em todas as horas, sem perguntar o porquê ou como, ele sempre a ajudaria. Lily não sabia como tinha sobrevivido um ano inteiro sem isso.

- Por mais que eu adorasse, acho que não escaparemos disso - ela suspirou.

Chegaram na frente da sala precisa. Lily fechou os olhos e murmurou algo silenciosamente. Em um instante uma porta clara apareceu. - Sim! - Lily gritou e bateu palmas.

Ela abriu a porta e correu para o quarto antes que Severus pudesse detê-la. Ele a seguiu, o teto da sala monstruosa elevava-se acima deles e dentro de suas enormes paredes havia pilhas de lixo. Severus e Lily começaram a andar devagar pelo labirinto de itens empoeirados.

- Eu não entendo - disse Lily balançando a cabeça. - Este não pode ser o lugar certo.

- Tem que ser - Severus resmungou. - Basta olhar para todo esse lixo.

Eles olharam em volta para as montanhas de itens descartados ao seu redor. Eles estavam cercados por brinquedos antigos, livros, móveis, roupas e até armas empoeiradas. -Deve haver os pertences de milhares de estudantes aqui - disse Lily

- Perfeito! Nós nunca vamos encontrar o diadema entre todo esse lixo. - Severus respondeu enquanto Lily pegou sua varinha.

- Accio diadema ... accio Diadema Corvinal ... accio horcrux ...

As tentativas de Lily de convocá-lo pareciam inúteis, nada funcionou. Ela enfiou a varinha com raiva. Severus pegou um livro próximo e leu o título.

- Deve haver algumas coisas bem antigas aqui - disse ele, jogando o livro de lado.

Lily riu e continuou sua busca, jogando itens que considerava inúteis de lado e brincando com os outros. Seguindo sua liderança, Severus também começou a vasculhar as numerosas pilhas.


Lucius Malfoy sempre soube que esse momento acabaria chegando, podia sentir as trevas chegando através de sua Marca Negra. Andava em ovos sempre que o Lorde era mencionado, aquele bruxo era poderoso demais e tinha humanidade de menos. A cada reunião perdia cada vez mais suas feições de homem e se parecia mais com um predador. Lucius temia aquele bruxo mais do que qualquer coisa na vida.

Ao contrário de tantos outros Comensais da Morte, ele não estava nessa empreitada por fé no Lorde das Trevas, mas por simples status. Não estava nem um pouco disposto a morrer por uma causa, só queria mais dinheiro e um herdeiro. Se aliou por pressão de seu falecido pai e a família de sua nova esposa

O bruxo sentiu sua Marca Negra queimar novamente e estremeceu. Não demorou muito e ouviu o som da aparatação não muito longe. Vários momentos depois, a porta de sua mansão se abriu.

Lucius rapidamente se levantou e saiu para o corredor, não queria que o Lorde visse Narcisa, se fosse para morrer seria melhor que só ele fosse afetado. Ele então olhou em volta e viu que o Lorde não veio sozinho, trazia em um feitiço de aprisionamento vários outros Comensais da Morte. Por vários momentos, todos os Comensais da Morte apenas ficaram lá, tinham aparência de terem passado por vários momentos de tortura. Estava assustadoramente silencioso. Lucius reconheceu Walburga e Orion Black, tios de sua esposa, e Rastaban Lestrange

O Lorde das Trevas olhou para ele por um longo momento antes de dizer em um tom de voz desapontado. - Vocês perderam os meus presentes, deixaram serem roubados. Uma lição está claramente em ordem.

- Meu Lorde… seu presente está totalmente seguro nesta mansão, eu mesmo o vi hoje - Lucius disse rapidamente.

- Você está tentando insinuar que eu não sei o que eu estou falando? - o Lorde das Trevas perguntou, sua voz enganosamente suave.

Lucius não pôde deixar de encarar seu mestre por um longo momento. Qualquer palavra que saísse de sua boca poderia ser considerada uma ofensa ao Lorde, estava estudando qual seria seu próximo movimento

- Você está em posse de uma cópia inútil. Não sinto o poder do diário aqui, como não senti nenhum poder na casa dos Black - o Lorde das Trevas respondeu, sua voz aumentando ligeiramente de volume. Mas o Lord das Trevas nunca precisou falar alto para ser ameaçador e intimidador.

- E eu realmente sinto muito por isso, eu não sei como isso foi capaz de acontecer - Lucius retornou. - Por favor, deixe-me compensar você.

Voldemort mirou a varinha para Lucius que gritou quando a dor começou a correr em suas veias, começando onde a varinha o estava apontando. Ele começou a sentir sua mente escurecer e o poder do Lorde das Trevas aprisionar sua alma. Era uma dor agonizante, mas ele não se permitiria gritar, sua esposa poderia aparecer

A dor pareceu durar horas, tanto que Lucius sentiu seus joelhos começarem a ficar fracos. Finalmente, o Lorde das Trevas afastou a varinha do braço de Lucius que parou de choramingar.

- Suas almas já estão condenadas - O Lorde das Trevas gargalhou e Lucius engoliu seco se preparando para o feitiço final - Mas hoje vocês quatro ganharam uma segunda chance, ainda há algo que vocês podem fazer por mim

- O-obrigado, meu senhor... - Lestrange disse em sua voz baixa

- Vocês irão recuperar aquilo que foi perdido, vocês tem até o solstício para completar essa missão. Eles ainda não estão destruidos eu consigo sentir, mas o tempo deles está passando, assim como o de vocês

- Mas meu Lorde, não temos nenhuma pista. Nosso ladrão pegou tudo o que achou de valor, nem deveria saber do presente que o senhor havia nos dado, não deve ter conexão nenhuma com a troca de Lucius - Walburga abriu sua boca pela primeira vez desde que entrou a mansão Malfoy

- Sim meu Lorde, nós fomos tão lezados quanto o senhor, não acha que nossa pena deveria ser diferente? - Seu marido completou

- AVADA KEDAVRA - Uma luz verde saiu da ponta da varinha do Lord das trevas e atingiu o casal Black, que cairam duros no chão, ainda com os olhos abertos - O Lord das Trevas sorriu para eles - Mais alguma objeção?

Os dois comensais restantes apenas balançaram a cabeça negativamente. Lucius sentiu o ar voltando aos seus pulmões quando o Lorde fechou a porta de sua casa. Ainda estava tentando assimilar o que havia acontecido quando sentiu Narcisa chorando em seus braços. Ele estava vivo, era isso que importava naquele momento


Sirius Black jogou a cabeça para trás, rindo como uma criança, enquanto Peter Pettigrew se juntava à diversão. Sentado ao lado deles, Remus Lupin permaneceu um tanto sério, o que não era tão surpreendente, já que aquele assunto em particular para rir nunca o divertiu muito. O fato de James Potter ser tão sério era a coisa mais estranha, no entanto.

- Qual o problema com você? - Sirius perguntou a Potter, olhando para seu amigo com muita curiosidade.

James não respondeu, ele apenas olhou para o chão com uma expressão engraçada no rosto.

- Olá! - Sirius gritou alto ao pular na frente de James, que ficou imediatamente assustado, o que fez Sirius e Peter rirem de novo.

- O que diabos você está fazendo? - James gritou de volta, a raiva rapidamente aparecendo em seu rosto

- Ei, cara - Sirius disse, ainda rindo e jogando os braços ao redor da cabeça de James. - Pare de ser um bebê ... vamos lá Pontas! - Sirius tentou agarrar James com mais força, o que provocou e transformou a raiva de Potter em fúria absoluta.

- Me deixe em paz, Sirius! - James gritou, libertando-se do abraço do amigo; virando as costas para três adolescentes estupefatos.

O ar no dormitório ficou repentinamente tenso e um silêncio desconfortável cobriu os quatro grandes amigos. Todos na Grifinória estavam supostamente dormindo e o silêncio ecoava por toda a torre

- Qual é o problema dele? - Sirius murmurou baixinho para Remus e Peter.

- Ele está agindo de forma estranha a tarde toda - Peter disse tão baixo quanto. - Na verdade desde que Lily...

-Shiiiiiiiiiii - Black silenciou Peter o mais rápido que pode

- Devíamos deixá-lo em paz, então - disse Remus, sem tentar esconder suas palavras de James.

- Sim, certo - Sirius disse com uma voz irritada. - James! -Ele gritou.

- Fique quieto - Disse Remus. - Você vai acordar todo mundo.

- Eu não dou a mínima - Sirius disse entre dentes caminhando até onde James estava parado longe dos outros, mas James se moveu novamente.

- Sinto muito, pessoal - disse James, aparentemente organizando seus pensamentos. - Eu só ... preciso fazer algo. Já volto.

- Onde você está indo? - Peter perguntou.

- Você quer que a gente vá também? - Remus ofereceu. Sirius parecia ainda ferido pela atitude anterior de James. Ele não disse nada.

- Não - James disse e desapareceu de vista.

- Você acha que ele foi ver a Lily? - Disse Remus.

- Eu não sei e não me importo - Sirius disse em uma voz pouco convincente.

- Ele estava muito depois do encontro, mas ontem ele acordou todo estranho - Disse Peter. - Sim, depois disso ele começou a agir de forma estranha. Talvez Lily tenha terminado com ele?

- Impossível - Sirius disse teimosamente.

James agarrou sua capa de invisibilidade e estava prestes a sair da sala comunal quando reparou em uma sombra no canto da sala .James fixou os olhos ardentes na silhueta que se aproximava em sua direção. Sua frustração anterior foi completamente apagada, dando lugar a um sorriso travesso familiar. - Mary? - ele disse, seu sorriso crescendo e brilhando.

Mary pegou sua varinha; ela estava na escuridão total até que murmurou - Lumos - e toda a sala era dela para olhar. Para sua grande surpresa, não havia nada fora do comum. - Quem está aí?- Mary perguntou, lutando para esconder seu medo.

Houve um silêncio mortal incrível, que lhe permitiu ouvir o som que estava se esforçando para permanecer oculto: respiração acelerada e passos trêmulos e leves. Seu coração batia forte, zumbindo em seus ouvidos agora menos medo e mais excitação nela. - Mostre-se - disse Mary, encontrando coragem, se lembrando de tudo o que Severus tinha a ensinado, se lembrando de toda a força que ela tinha

- Abaixe sua varinha - disse a voz baixa e intensa de James Potter.

Ela ainda não conseguia ver ninguém. - Você é louco - ela murmurou, sua voz quase inaudível, um sussurro baixo e nervoso. - O que você está fazendo?

Ele ergueu a capa ao redor dele, permitindo que ela visse seu rosto inseguro - O mesmo que você. Estou esperando Lily...

Mary ainda estava segurando sua varinha, a luz brilhando diante do rosto de James, e ao invés da arrogância que ela temia, ela viu outra coisa. Medo talvez? Não, era uma expressão derrotada

- Ela e Severus ainda não voltaram de seu passeio do final da aula, não é? Eles não estão em nenhum lugar do castelo, o que será que eles estão fazendo até essa hora juntos? Quem diria que ela seria tão rápida depois de me dispensar porque está apaixonada por ele? Eu pensei que eles teriam mais consideração com você

Não deixe ele te enganar... Mary pensou, seu coração batendo mais rápido do que nunca. Durante seu tempo em Hogwarts ela tinha sido atacada de diversas formas, mas as palavras nunca machucaram quanto as palavras de James agora

- Se eu fosse você nem perderia mais o meu tempo esperando uma amiga de volta. Você não faz nem ideia de tudo o que ela me contou, o quanto ela e o seu Severus estão escondendo de você... - James sussurrou - A história deles, nossa... Foi difícil de acreditar, mas tudo fez tanto sentido. O porque ele mudou tanto, porque ele se aproximou de você… Você só foi uma vítima na história deles assim como eu. Ela quase me enganou direitinho, mas tudo o que ela sempre quis foi ficar com Severus

- Tudo bem - disse ela, olhando para baixo. Ela guardou a varinha, percebendo que seu rosto provavelmente mostrava muita emoção, o que ela não podia permitir que ele visse. - Vou entrar no seu jogo - disse ela, lutando para soar descuidada. - O que Lily te disse?

De alguma forma a escuridão absoluta em que eles estavam agora, causou um sentimento engraçado se espalhar bem no fundo de Mary. Ela estava confusa e com raiva como nunca teve antes - Confie em mim, não eles não são o que você pensa. - Ele continuou. Sua voz tranquila e a qualidade suave de seu tom, um tom que ela tinha certeza que ele nunca tinha usado com ninguém antes - Onde as palavras falham, as ações realmente falam… eu fiz um voto de silêncio, mas eu posso te mostrar - Ele sacou um pedaço de papel do bolso - Olhe! Olhe no mapa! Os dois surgiram no sétimo andar

Quanto mais James falava mais o sentimento estranho tomava conta do seu ser Mary perdeu o sentido das pernas e se deixou desfalecer, não não não… Sétimo andar? Eles estavam na sala em que Sev a tinha levado? Onde eles tinham estado juntos? James a segurou enquanto Mary lutava contra as lágrimas