Cap 22

Já havia passado tanto tempo naquele emaranhado de objetos que Snape não tinha mais noção alguma de que horas eram. Ele caiu contra uma velha cadeira de balanço de madeira. - Este certamente é um esconderijo engenhoso - ele resmungou. - Riddle deveria ter pensado em esconder todos os seus horcruxes aqui.

De seu lugar mais abaixo, Severus podia ouvir Lily rindo. Ele seguiu a voz dela e encontrou Lily balançando a varinha no ar. Ela havia trazido um smoking velho à vida, animado para que as roupas pretas dançassem no ar acima da cabeça. Severus sorriu para ela enquanto Lily continuava rindo, infantil, enquanto ela manipulava o traje com sua varinha. Como eles brincavam antes de vir para Hogwarts

- Espera! - Severus pulou para frente e passou por Lily, que deixou o smoking cair em uma pilha amassada no chão. Ele subiu alto em uma das enormes pilhas de lixo; ele clamou quase até o topo e estendeu a mão para pegar algo brilhante entre os pertences aleatórios. Ele desceu e entregou o item a Lily, uma tiara de prata.

- O diadema! - Lily exclamou, tentando limpar a poeira grossa. - Há algo escrito nele.

Lily terminou de limpar a poeira para revelar o diadema brilhante por baixo. Ela leu uma inscrição em voz alta. - Raciocínio além da medida é o maior tesouro de um homem ... Merlin! - Ela olhou para Severus. - Isso realmente era da Rowena Ravenclaw!

- Finalmente! - Disse Severus aliviado, ele não queria desapontar a amiga, mas estava morrendo de sono e fome, não sabia o quanto mais iria conseguir aguentar

Lily deu um breve grito de alegria - Precisamos levar isso para Albus.

- E vamos... mas por hora acho que é melhor deixar isso escondido com você. Eu vou mandar uma carta para meu tio primeiro - Severus disse trazendo a razão novamente para a sala


Assim que conseguiu se mexer um pouco mais Severus Prince fez questão de voltar para casa. Odiava hospitais, porém mais do que tudo temia que algum comensal estivesse procurando o invasor da casa dos Black, não podia arriscar a segurança de Eileen ou quem estivesse do seu lado. A mulher que um dia chamara de mãe cumpria nessa vida com fervor o trabalho de cuidadora, como nunca cuidou em sua vida passada.

Eileen pegou a pomada curativa receitada e passou um pouco em seu dedo. Enquanto ela suavemente alisava sobre a pele com bolhas, ela olhou para seu irmão. - Eu sinto muito que você tenha que passar por isso - ela murmurou honestamente. - Eu não queria que isso acontecesse.

Severus Prince respirou fundo - Eu sei disso.

Eileen hesitou. - Você sabe que não precisa passar por tudo isso sozinho, não é… Eu estou melhor, eu consigo até fazer alguns feitiços agora. E tem minhas amigas, tem tanta gente que faria isso por você Sev

- Eu não quero falar sobre isso - Severus interrompeu duramente.

Eileen o encarou por um longo momento antes de decidir deixar para lá. - Claro. - Os dois ficaram sentados em silêncio por um longo tempo até que a mulher quebrasse o silêncio - Ela é muito jovem para você.

Severus olhou para ela confuso. - Não entendi o que você está querendo insinuar

- Eu não quis dizer em idade, meu pai era uma vida mais velho que minha mãe e isso nunca foi um problema para eles - Eileen disse rigidamente. - Mas você já experimentou tanta coisa nessa vida e ela parece tão inocente. Não conseguiu se expressar direito coitadinha

- Ainda não estou acompanhando seu raciocínio. Eu e Lily não temos nada e nunca teremos, eu não sou digno de nada com ninguém

A bruxa decidiu não apontar que Lily não estava na mesma página sobre esse assunto. No dia anterior ela viu a cena de quando a mais nova deixou o quarto de Severus. Mas ao mesmo tempo não podia discordar mais do discurso do bruxo acamado - Eu acho que tudo que você é são as coisas que você faz... Quem pode dizer o que é realmente bom e mau? Quem pode nos dizer quem é digno ou não de afeição? Todos não merecem uma chance para o amor?

Ela terminou com a pomada. - Pronto - ela disse baixinho - tudo terminado. Em um ou dois dias você já estará andando de novo e mais um pouco já estará totalmente recuperado


Snape quase não teve tempo de dormir antes de levantar atrasado para as aulas depois da aventura com Lily na noite anterior. Ele passou a manhã inteira em estado de sonambulismo entre as aulas mais preocupado com as consequências de retirar a Horcrux do esconderijo do que com sua formação. E ainda restava avisar seu tio que agora eles tinham todos os pedaços disponíveis de Voldemort, assim que ele se recuperasse poderia ir para a batalha

Porém não era isso que mais o afligia, desde que acordou Snape procurava sua namorada por todo o castelo, mas nem sinal de Mary. Lily também não fazia ideia de onde a amiga poderia estar. Ela disse que estava preocupada, pois tinha certeza que Mary a viu escondendo a tiara, logo depois ela sumiu, nem na aula de feitiços elas se encontraram

Sua busca finalmente chegou ao fim na torre de astronomia, onde Mary estava olhando para o terreno cheio de alunos através de uma das muitas janelas. As aulas haviam terminado meia hora atrás, então a torre foi deixada deserta, exceto os dois

- Mary?

- O que você quer, Snape? - perguntou sem se virar para encará-lo.

- Eu estava preocupado com você, nossa parece que eu não te vejo a um tempão. Ontem eu e Lily acabamos nos entendendo em um projeto e... - Snape não tinha muita experiência com garotas, na verdade nenhuma, mas algo que ele sempre aprendeu assistindo filmes é que se a garota estava brava como Mary aparentemente estava a culpa provavelmente era dele. Mesmo que até o momento ele não fizesse ideia o porque ela estava brava

Houve uma pausa. - Eu fiquei sabendo - Desde que James entrará na sua mente com aquelas suspeitas Mary estava agindo apenas na emoção, a razão tinha sido deixada totalmente de lado. Ela sempre julgara sua mãe por ficar com ciúmes de seu pai toda vez que ele falava com alguma mulher na rua e agora ela se encontrava na mesma posição. E o que a deixava mais frustrada era nem saber o porquê ela estava com tanta raiva. Lily e Snape sempre foram amigos, sempre. Mas ontem ver James simplesmente derrotado mexeu muito com ela e depois só foi piorando... nem ela entendeu a atitude que teve na noite anterior, parecia que seu corpo ela controlado por uma raiva maior que ela

- Bem, umm ... - ele parou com um sorriso malicioso. - Eu não sei exatamente o que fiz, mas me desculpe e prometo que não vai mais se repetir. - Disse fazendo um "xis" no peito se aproximando para um beijo

Um olhar de desgosto ficou aparente no rosto de Mary e ela se virou para olhar para ele. - Você está brincando comigo? James já me mostrou mais do que o suficiente de sua aventura de ontem, você sabe muito bem o que você fez

- James? - Agora Snape estava realmente confuso, o que o Maroto tinha a ver com o comportamento de Mary? - Do que você está falando Mary?

Os olhos de Mary se estreitaram. - Eu não acredito que você não ia me falar nada. Até Lily teve decência com o garoto que amava ela - ela disse, sua voz cheia de sarcasmo.

- Mary do que você está falando? - Severus perguntou, levantando a voz.

- Você e Lily. Ontem. Você a levou para aquele lugar. - Mary se virou e esmurrou Severus o peito com toda a força que tinha - Eu não acredito que você fez isso comigo e tem a cara de pau de se fazer de inocente

- Mary! Mary! Para - Severus disse tentando controlar os braços da namorada - Não aconteceu nada! Lily é minha amiga e apenas isso. Tinha uma coisa que ela queria muito e estava lá

- Eu imagino muito bem a coisa que ela queria de lá - Disse Mary se desvencilhando dos braços do namorado

- É isso que você realmente pensa de mim? - Os olhos de Snape se fecharam por um momento, e quando ele os abriu, seu rosto estava calmo.

- Você levou ela para aquela sala não levou?

Severus assentiu - Mary não aconteceu nada, aquela sala muda de acordo com o que a pessoa deseja. Lily é uma amiga minha e só. Eu juro pela minha magia. Você viu uma tiara que estava com ela hoje não viu? Ela estava procurando por isso, só isso Mary

- Por que só vocês dois foram procurar essa tiara? Por que você não me chamou? Ou Alice? - Mary disse tentando colocar seus pensamentos no lugar, mas uma raiva externa ainda a consumia, ela já não sabia se estava com raiva de Snape ou dela mesma, mas sabia que queria uma explicação melhor do que aquela. Ela sempre respeitou muito a amizade de Severus e Lily, mas desde o encontro de Lily e James ela sentiu uma mudança na ruiva que a preocupava. Lily estava apaixonada e claramente não era por James. Só poderia ser por Severus então, o melhor amigo

- Desculpe eu não queria te envolver nisso, era coisa nossa. Apenas isso. Mary de onde está vindo esse ciúmes todo? Lily sempre foi minha amiga, sua amiga. Você sabe que nada jamais vai acontecer entre a gente

Mary parou, limpando seu rosto de raiva e dor. - James me contou que Lily terminou com ele por você, ela até o fez fazer um voto de silêncio, aparentemente vocês tem uma história e tanto

- Eu não acredito que Lily fez isso… ela não podia. Ah! - Severus disse em frustração, saber muito sobre o futuro poderia mudar muita coisa, dessa vez para o pior.

- Por que você não fala para mim, Sev? Por quê? Eu não mereço saber toda a verdade como James?

A voz de Mary cortou o coração de Severus - Não é minha história para contar… Mary você tem que entender eu te amo tanto… - Como ele ia contar que o Severus que Lily está apaixonada não é ele? É um Severus de uma dimensão, de um tempo totalmente diferente, de uma vida diferente. Aquele Severus que ama romanticamente Lily, não ele.

- Como você pode dizer que me ama se não confia em mim Severus?

- Mary… eu quero te contar tudo eu juro. Mas não é seguro!

- Nisso podemos concordar, eu não me sinto mais segura com você. Acabou Snape - ela disse em uma voz livre de emoção e saiu da torre, deixando o bruxo sozinho com apenas sua expressão chocada e seus pensamentos culpados.

Snape se virou para olhar pela janela, deleitando-se com a brisa leve soprando suavemente em seu cabelo quando uma única lágrima caiu no chão lá embaixo.


Um grito que tiraria a poeira do canto mais escuro da Travessa do Tranco rasgou o ar da noite.

Nenhum ser na Londres Bruxa poderia ignorar aquele som e nos segundos que levaram para deixar suas aconchegantes lareiras para investigar, a padaria implodiu. Tudo o que encontrariam era um grande forno em forma de cebola cercado por tocos enegrecidos onde antes estavam as paredes, e o ar brilhando com poeira, tudo iluminado por um símbolo brilhante - prata e verde contra o céu

A Marca Negra foi vista pela primeira vez naquela noite