A/N : Provavelmete irão me odiar, mas adolescencia é sobre fazer besteiras e escolhas questionáveis, no fim é um aprendizado para nossa vida, assim como esse capitulo será para o futuro das personagens

Cap 23

Duas semanas se passaram e os jornais já começavam a identificar o grupo como comensais da morte. Eles atacar diariamente casas de nascidos trouxas e alguns puros sangues que não se aliavam a sua causa. Até a contagem desta tarde 542 mortes confirmadas e o número subia a cada dia, finalmente o ministério tinha começado uma investigação.

Fabian Prewett caminhava do lado de fora da residência trouxa silenciosa, seus olhos penetrantes examinando a rua deserta. Um lampejo de movimento se registrava ao seu redor e ele automaticamente levantou sua varinha, mas era apenas Gideon, saindo pelo buraco aberto deixado quando a porta foi arrancada de suas dobradiças. Os raios laranja do sol brincam no rosto pálido de seu irmão, tentando em vão afastar o brilho verde doentio da Marca Negra acima. Gideon sacudiu a cabeça com força enquanto Fabian subia os degraus, lançando um olhar cauteloso final para a rua.

- Acho que Dolohov passou por aqui - Gideon disse em voz baixa enquanto Fabian observa a carnificina. Ele indicou o corpo de um menino cujo único sinal de lesão é um filete de sangue preto escorrendo de sua boca. Fabian estremeceu, lembrando quando encontrou o primeiro corpo com sinais da maldição infame de Antonin Dolohov, a agonia mortal de suas entranhas se transformando em fogo líquido. Eles estavam no rastro do bruxo a dois dias seguidos, mas pareciam sempre um passo atrás. O comensal atacava sem nenhum padrão que fizesse sentido, parecia que procurava por algo, pois todas as casas apareciam reviradas, mas além de serem vítimas com parentesco trouxa os mortos não tinham nada em comum.

Fabian balançou a cabeça bruscamente e depois acrescentou - Eu diria que Dolohov não estava sozinho. Aqueles dois - ele gesticulou para um homem e uma menina, ambos ensopados de sangue - parecem mais com o que vimos perto da casa dos Lestrange, muito sinal de torturas

Gideon concordou - Espere até ver a mãe - Ele conduziu Fabian escada acima, onde o corpo de uma mulher jazia no corredor, grotescamente contorcido e deformado.

- O trabalho de um Lestrange, com certeza. Talvez mais de um - disse Fabian - Mas o que ela estava fazendo aqui em cima com seu filho lá embaixo? - Ele indagou mesmo que no fundo achasse que já soubesse a resposta, desejando desesperadamente estar errado.

- Um bebê - confirmou Gideon severamente. - Dolohov de novo.

O intestino de Fabian se contorceu. Ele tinha visto tudo isso tantas vezes nessa semana que já deveria estar cansado, mas de alguma forma as crianças sempre parecia mais cruel

- Você poderia reportar ao ministério sozinho? - ele perguntou quando eles voltam para o térreo.

A boca de Gideon se torce em um sorriso irônico. - Apenas se você guardar os bolinhos que nossa irmã distribuir no final da reunião da Ordem


- Merlin, isso é ruim - Remus disse enquanto afundava no banco da Grifinória, puxando uma cópia do Profeta Diário para si.

- Sim, cara. Eu vi - James disse baixinho. O Salão Principal estava surpreendentemente silencioso para o número de alunos lá, nenhuma conversa alta, apenas sussurros abafados enquanto alguns se amontoavam. Receoso.

- Três famílias foram assassinadas - Remus sussurrou - Três. Em uma noite!

- Eu sei, Moony, eu sei. - disse James em seu tom desanimado com a vida que se tornará habitual para o maroto desde que Lily deu um pé na bunda oficial e acabou com suas esperanças

- E você pode garantir que minha família estava bem no meio disso. - Sirius rosnou olhando em direção ao seu irmão que comia na mesa da Sonserina.

- Mas por quê? Por que essas famílias? - Perguntou Remus.

- Bem, é meio óbvio, não é? - Sirius disse, inclinando-se sobre o ombro de Remus para ler o artigo.

- Me esclareça

- Bem, esta aqui, Felicity Campbell, ela era nascida trouxa e ocupava uma posição importante no escritório para o uso impróprio de magia. Eles assassinaram ela e seus pais trouxas que criaram uma bruxa. E aqui diz que Michael Jones era um trabalhador do Ministério nascida trouxa também. Voldemort está tentando se livrar dos nascidos trouxas do Ministério. Eles provavelmente são apenas os dois primeiros que ele encontrou. Haverá mais por vir. - Sirius disse com uma expressão sombria no rosto.

- Então duas famílias foram assassinadas porque tinham um parente que era nascido trouxa e tinham um trabalho importante no Ministério?

- Bem, sim - James concordou - Ele vai querer colocar seus próprios homens nessas novas vagas ou pelo menos esperar que eles sejam preenchidos com pessoas que sejam mais simpáticas à sua campanha

- Bem, e a terceira família? - Perguntou Peter

- Apenas trouxas. Provavelmente um ataque aleatório, só por ser trouxa, ele não precisa de mais motivos para ir atrás deles - Sirius suspirou.

Remus suspirou, olhando de volta para a fotografia em movimento na primeira página: uma horrível Marca Negra verde no céu. Prova de que vidas inocentes foram massacradas. O medo na sala era palpável. Os alunos estavam com medo; havia muitos nascidos trouxas em Hogwarts e se os Comensais da Morte tinham como alvo as famílias daqueles que trabalhavam no Ministério, o que os impedia de atacar as próprias famílias dos alunos?

- A Marca Negra vista em três locais, três famílias assassinadas - Remus leu no jornal - Medo no Ministério como trabalhadores alvos de Comensais da Morte. Aurores chegaram depois que Comensais da Morte fugiram de cena , nenhuma prisão foi feita - Remus franziu a testa. Eles nem sabiam quem era o responsável, eles só sabiam que eram os Comensais da Morte porque a Marca havia sido lançada, porque eles queriam enviar uma mensagem para o mundo bruxo.

- Como diabos eles vão ser parados? - Remus perguntou, balançando a cabeça.

- Não faço ideia, o Ministério quis enterrar suas cabeças na areia nos últimos anos - disse Sirius - Deliberadamente não viu as festas promovidas pelos Malfoy, pelos Lestrange, céus pelos meus pais…

- E enquanto isso foi construído um exército e agora está começando uma guerra, não é?

- Mmm, e onde está nosso exército? Como vamos lutar contra um louco? - James perguntou com uma carranca.

- Eu não acho que devíamos brigar, ainda estamos na escola - Remus apontou.

- Concordo com Remus, eles nos matariam no primeiro ataque - Peter disse se esquivando

- Bem, Dumbledore deve estar fazendo algo. Ele não está montando um exército para ficar contra ele? - James rebateu com uma chama de vida no olhar.

- Não faço ideia - Remus deu de ombros, embora parecesse totalmente provável. Dumbledore era um bruxo poderoso, e havia rumores de que Voldemort o temia. Se o Ministério não estava preparado para lutar, então Dumbledore deve estar. Afinal, ele havia eliminado Grindelwald, por que não faria o mesmo de novo?

- Tem que ser Dumbledore. - Sirius argumentou.

Do outro lado da mesa Lily escutou o debate dos marotos e assim como eles ela estava impaciente para saber se acabariam com isso logo. Sua vida estava em jogo, mesmo que ela não se casasse com James e tivesse um filho dele como ela saberia se alguma outro profecia não seria feita e ela acabaria morta novamente?

Lily queria se juntar ao debate, mas além da presença repugnante de Peter ela já não era mais bem vinda perto dos marotos depois de dizer o que sentia por James. Lily pensou em ir conversar com Mary e as outras meninas de sua sala, mas desde sua jornada para pegar o diadema com Snape a amiga virou a cara totalmente para ela e parecia que cada dia que passava o ódio de Mary por Lily aumentava. Resolveu andar a esmo a procura de um espaço para si

- O que está te preocupando? - Uma voz a alcançou por detrás. Lily virou sorridente ao ver seu melhor amigo, pelo menos ele não a tinha abandonado. Ele era o único com quem ela podia ser ela mesma e contar tudo o que afligia seu coração. Fora que tentar animá-lo do seu término era uma boa distração para a guerra

- Bobagens… mas como você está? - ela perguntou, olhando para os rosto solene do amigo

- Estou indo… - Severus suspirou - Mas é sério Lily, como você está andando com essa tiara para todos os cantos? Você tem certeza que não está te afetando? Não quer deixar um pouco comigo? - Ele perguntou com nítida preocupação, nas lembranças de seu tio estar perto de uma Horcrux por tanto tempo teria efeitos colaterais

- Eu estou bem, o único momento que ela ativa comigo é de noite que eu ficou um pouco mais chatinha, mas de resto tudo normal - Lily disse apontando para seu corpo

- Bem, mas você já sabe, no menor sinal que você está perdendo o controle você passa ela para mim, ok? - Lily bateu continência concordando - E de novo desculpa por ter que guardar isso por tanto tempo. Meu tio e Dumbledore aparentemente estão tendo uma briga de egos sobre um plano e ele prefere que a tiara fique longe do diretor

- Sev você sabe que não tem problema algum, fui eu que te meteu nesse. Aliás seu tio brigou muito com você?

- Dado o estado dele foi minha mãe quem respondeu as cartas e posso afirmar que ela não estava nem um pouco feliz. Mas acho que depois de ver o estado de Severus eles entenderam que precisamos do máximo de pessoas do nosso lado - Severus disse olhando para a mesa dos Marotos


Quando escutou um barulho de aparatação Prince sentiu um tremor percorrer a espinha. Sabia que não era nenhum comensal da morte, eles não aterrissaram tão suavemente, mas em sua antiga vida tinha vivido o suficiente para saber que não era uma boa notícia - Dumbledore eu deveria imaginar - disse ao atender a porta

- Eu insisto, Severus. Sente-se - Dumbledore pediu gentilmente entrando. - Me desculpe não ter visitado meu professor de Defesa contra artes das trevas no hospital, mas eu estive meio ocupado com alguns assuntos

- A Ordem? - Prince sibilou, plantando os pés em um pisoteio quase de birra, seu corpo estava quase plenamente recuperado, mas um fisgo de dor atingiu sua perna ao fazer isso, o que o motivou a sentar- se no sofá

O silêncio respondeu, mas o pesado fardo do conhecimento estava diante dele sem a necessidade de uma resposta. Dumbledore cruzou as mãos, seus olhos azuis brilhantes olhando calmamente por trás dos óculos de meia-lua. - Prince deixe-me perguntar. O que acontecerá com os alunos que vão embora nos próximos dois anos? - Dumbledore perguntou em um tom solene.

Essa foi uma pergunta provocada, porque os dois sabem o que acontece. - A maioria sobrevive - Severus respondeu com uma curva dos lábios, não apreciando essa manipulação emocional.

- E o que acontecerá com os alunos que permanecerem, se não tivesse uma Ordem para lutar contra Você-Sabe-Quem? - Dumbledore perguntou, tão calmo quanto qualquer coisa.

- Era para acabarmos isso antes de uma guerra acontecer... - Prince rangeu os dentes.

O diretor baixou a cabeça em reconhecimento. - É verdade. Mas graças um certo ataque isso já não é mais uma possibilidade não é mesmo? Prefiro enfrentá-lo agora, enquanto temos todas as cartas em nossas mãos. Afinal você me contou tudo o que sabia, não contou Prince? - Seus olhos azuis pareceram endurecer de uma forma que Snape não conseguiu identificar

Lentamente, Severus balançou a cabeça. - Receio que você já encontrou um método para descobrir o resto não é mesmo? - Prince sempre soube que era um risco revelar suas memórias para Lily e seu sobrinho, mas foi o movimento certo a se fazer no momento, ele não poderia passar mais uma vida mentindo para as pessoas que amava

- Você tentou esconder que me matou, por causa de uma maldição... uma maldição que com o conhecimento prévio eu poderia anular... - O velho acusou o professor - Não é apenas sua vida que está em risco aqui, a Ordem irá ajudar

- Foi para um bem maior como você mesmo diria, nada de bom sairá daquele anel, era melhor você apenas saber que teria que destruí-lo

Aqueles olhos azuis ficaram distantes enquanto aquelas grandes sobrancelhas espessas franziam em pensamentos desconfortáveis. - Talvez eu seja como você descreve. Capaz de fazer coisas terríveis para encontrar a vitória nesta guerra. E justificar todas as minhas ações pelo bem maior a ser conquistado. - Dumbledore levou a mão à sua grande barba, acariciando o comprimento em um lento movimento contemplativo. - Mas não somos tão diferentes assim, não é?

- Não ouse comparar eu não quero suas glórias e seus... - Severus começou a levantar a voz e levou a mão a varinha

- Severus! - Eileen que acabara de entrar a sala havia presenciado o fim da cena e já podia imaginar o que iria acontecer a seguir. Tinha visto aquele comportamento em Tobias diversas vezes e o que mais se arrependia é que não conseguiu proteger esse Severus de agir como o pai às vezes - Não faça nada que Tobias faria - disse em um tom de aviso

Ele acusou Dumbledore de segundas intenções em tudo isso, mas Prince era o mais hipócrita naquele ponto. Ele não queria ajuda da Ordem apenas por ego, mas depois de sua quase derrota para recuperar a taça finalmente percebeu que se nessa vida não confiasse nas pessoas em sua volta acabaria morto e sem salvar ninguém novamente. Em sua vida passada os membros da Ordem eram pessoas que não confiavam em Severus, nunca o viram como aliado, por isso ele tinha morrido sozinho, talvez nessa vida o resultado fosse diferente - Eu só quero acabar com isso logo, aceito todas suas condições - suspirou fundo - Quando é a próxima reunião da Ordem?


Estava escuro na jardim, então devia ser tarde da noite, embora ela não tivesse ideia que horas. Severus estava deitado ao lado dela, quase perfeitamente imóvel. Ela rolou para o lado com cuidado, não querendo perturbá-lo. Parecia uma vida inteira desde a última vez que dormiram na grama assim. Ela se apoiou no cotovelo, tentando estudá-lo sob a luz fraca que vinha de baixo da porta.

- Não é educado ficar encarando, Lily - Severus sussurrou, seus olhos ainda fechados, ainda perfeitamente imóvel. Por um momento, ela quase pensou que tinha imaginado sua voz.

- Eu não estava encarando - ela sussurrou de volta

- Já está de noite, você está sentindo alguma coisa vindo da tiara? - Severus disse abrindo os olhos e se levantando

- Estranhamente não, você está? - Lily perguntou arrumando as costas e sentando de frente para Severus que apenas balançou a cabeça negativamente - Às vezes eu me pergunto se afeta as meninas que estão no quarto comigo, mas nós não estamos nos falando no momento para eu me perguntar… - Lily deixou a voz cair, por mais que ela tivesse Severus ela se sentia um pouco sozinha sem suas amigas em seus últimos meses em Hogwarts, mesmo quando ela não estava bem com seus pensamentos no ano anterior elas sempre estavam lá para ela. O gelo que ela estava levando nessas últimas semanas estava a começando a abalar

- Lily me desculpe por tudo isso… Eu tentei falar com Mary eu juro, mas não importa o que eu faça ela não acredita em mim

- Eu entendo o que deve parecer para ela, realmente eu não desgrudo de você e terminei com o garoto mais popular da escola. Olha só, deve ser quase o horário do toque de recolher e eu estava deitada na grama quase no seu colo

- Isso não é justo, nós sempre fazíamos isso. Você sempre foi minha melhor amiga e ela sempre soube disso. Ela até me ajudou a voltar a falar com você. Eu não entendo…Ela sabia que uma hora ou outra voltaríamos a nos falar e ela sempre esteve ok com isso. Agora de repente...

- Os sentimento às vezes são complicados de se entender Sev… Ela pode estar passando por alguma coisa e não é mais ok eu ser tão sua amiga assim

- Não precisam ser. Olhe eu e você, eu sempre soube o porquê você ficou chateada comigo. Eu sabia o que tinha que arrumar, eu estava completamente errado. Mas agora? Eu vou ter que deixar de ser uma pessoa com amigos para ficar com ela? Não faz sentido nenhum… De todas as pessoas no mundo Mary seria a última que pensaria assim

- Bom nossa relação sempre foi mais simples - Lily concluiu não sabendo mais o que falar para consolar o amigo

- Sim… minha mãe achava que ficaríamos juntos - Severus disse tentando se distanciar da dor que estava sentido pelo término e focar em tempos mais alegres

- Meus pais planejaram nosso casamento uma vez - Lily brincou

- Essa seria uma boa - Severus não conseguiu conter a gargalhada - Pelo menos eu me casaria com a única pessoa capaz de me entender - disse enxugando as lágrimas que se formaram no canto dos olhos

Lily se aproximou de Severus que parou de gargalhar. Ela chegou perto até a ponta de seus narizes encostarem, seus pensamentos pareciam correr mais rápido do que o normal e ela não conseguia desligá-los novamente. Lily conseguia ouvir a batida firme e reconfortante de seu coração. Ela estudou a face de Snape antes de fechar os olhos e deixar seu corpo tomar controle. Seus lábios se encostaram