Cap 25
- Ataquem! - Crouch exclamou
O caos reinou. Maldições, azarações e azarações estavam sendo lançadas. Severus era bastante habilidoso, mas ele e Lily estavam em desvantagem. Foram capazes de manter os Comensais da Morte longe por algum tempo antes de serem desarmados, encurralados e mantidos por Crabbe e Goyle
Peter se aproximou de Lily - A tiara por favor
- Como se eu fosse entregar para você - Lily rosnou enquanto lutava para agarrar Crabbe.
- Oh não Grifinório, não é assim que fazemos as coisas por aqui - Barty Crouch Jr. disse, então apontou sua varinha para a garganta de Severus e sussurrou - Crucio
- NÃO - Mary gritou enquanto observava o Sev se contorcer em agonia, recusando-se a gritar, incapaz de fazer qualquer coisa. Ela saiu correndo em direção a cena, mas Crouch manteve a maldição até que Severus estava gritando e Crabbe o soltou onde ele estava caído no chão ofegante. -Expelliarmus!
A varinha voou da mão de Crouch
- Mary corra! - Lily gritou ainda sendo segurada por Goyle, mas Mary só deu três passos antes que os Comensais da Morte a cercaram.
- Accio Varinha ! - Severus usou a distração a seu favor e a varinha negra voou para sua mão. - Fiendnectim! - Chamas azuis dispararam em direção a cada Comensal da Morte que se aproximavam de Mary
Os olhos de Peter brilharam de medo, ele não poderia perder. Os marotos iriam o matar - Bombarda - apontou para Severus novamente
Ele foi arremessado para longe, novamente estava no chão ofegante. Uma dor dilacerante o atingiu bem no meio do peito. Peter não era tão fracote quanto aparentava e Snape se arrependeu de subestimá-lo. Nem tinha se recuperado do primeiro feitiço tinha sido atingido por outro e viu sua varinha indo para longe. Seus ouvidos zumbiam alto e estava cada vez mas dificil distinguir o que acontecia à sua volta, apenas quando Crouch estava quase em seus pés conseguiu escutá-lo - Agora, agora a resposta ainda é a mesma? - o comensal perguntou.
Severus parou para observar a cena Mary parecia lutar contra os dois Corvinos ao mesmo tempo e Goyle lançava uma maldição em Lily. Não havia como vencer. Ele ainda não era forte o suficiente como seu tio - Crucio! - Escutou a voz de Peter novamente. Desta vez, a dor estava pior do que antes. Seus próprios nervos pareciam estar em chamas. Alguém estava gritando. Seus olhos giravam em sua cabeça e ela se debatia no chão. A maldição foi mantida por um longo tempo enquanto Severus lentamente escorregava para a escuridão.
Severus abriu os olhos para Crouch se inclinando sobre ele, sorrindo. Ele facilmente pegou a tiara de suas vestes e saíram correndo em direção a Floresta Negra - Nosso trabalho está feito. Vamos!
Os gritos de Lily cessaram e Severus viu Mary correndo em sua direção antes de perder a consciência completamente
Dumbledore se levantou de sua cadeira e gesticulou para Lily e Mary entrarem em sua sala. Elas explicaram o incidente e informaram da fuga dos alunos para o Floresta Negra. O diretor estava pronto para formar um grupo de buscas quando Mary tirou um artefato brilhante de suas vestes. Dumbledore observou enquanto Mary virava a tiara em suas mãos. - Certamente se parece com o emblema de Rowena - Ele andou lentamente em direção a garota - Você tem certeza que essa é a original?
Mary baixou os olhos envergonhada - Eu não tenho orgulho disso. Mas… mas… eu roubei a tiara de Lily e a substitui. Quando ela chegou no dormitório com um presente de Severus fui tomado pelo ciúmes e me deixei levar. Foi quase como se a própria tiara estivesse me explicando o que fazer - Ela colocou a tiara na mesa do diretor
- Ela fala com você? - O velho perguntou passando a mão pela barba
- Não exatamente, quando eu estou perto dela é como se ela tivesse uma presença. Uma áurea. É difícil de explicar…ela me induz como um imã. Parece que não estou sob o controle do meu corpo Eu estou ficando louca diretor? É por isso que eu tenho tanto ódio de Lily - Foi a vez da ruiva que estava no canto se envergonhar. Ela tinha beijado Severus achando que estava sob a influência da Horcrux de Voldemort quando na verdade era sua amiga que estava sofrendo as consequências
- Muito pelo contrário minha cara. Você está diante de uma Magia Negra muito forte, muito antiga e o contato diário com um objeto assim traz diversas consequências. Temos sorte que a consequência que nos trouxe foi capaz de nos salvar desse objeto cair nas mãos erradas. - Dumbledore disse
- E Severus - acrescentou Lily sombriamente. - ele não teve tanta sorte. Ele está bem?
Dumbledore deu a ela um pequeno sorriso e baixou os olhos para a tiara. - Bem. Acredito que vocês três dariam ótimos membros para uma aliança para derrotar esses Comensais. Mas ainda tem muito o que aprender sobre hierarquia. Se não estivessem esperando um movimento do Sr. Prince garanto que Snape estaria bem agora
Lily se encolheu ainda mais na poltrona que estava. Se ela não tivesse chamado Sev para provar que ela poderia ajudar Prince nada disso teria acontecido. O amigo ainda teria a namorada e não estariam machucados. Era tudo sua culpa
- Muito pelo contrário senhorita Evans - Dumbledore disse após usar Legilimência - Os comensais que enfrentaram não foram os únicos que fugiram de Hogwarts hoje. Flitch me informou que encontrou um outro grupo no oitavo andar, provavelmente procurando a tiara na sala precisa. Se vocês não tivessem removido a tiara quando removeram eles já a teriam encontrado. Fomos todos agraciados pelo acaso. Mas da próxima vez venha diretamente a mim, entendido? - Dumbledore abaixou a cabeça e olhou para Lily por cima dos óculos.
- Eu não posso deixar de me perguntar - disse Mary se dirigindo a Lily como não fazia a dias - O que tem de tão importante nessa tiara?
Antes que Dumbledore pudesse falar algo Lily tomou a frente e contou sobre Voldemort e as Horcruxes, contou que Prince estava as procurando e ela quis ajudá-lo, quis contar o porquê, e quase chegou a fazê-lo, mas sabia que não era sua história para contar
Mary agradeceu por estar sentada quando Lily despejou a verdade em seu colo. Era muita informação de uma só vez e a tiara em sua frente não estava ajudando - Mas isso não é tudo não é? Você contou a James, mas não consegue me contar não é mesmo?
Lily balançou a cabeça negativamente, Mary era alguém com quem ela realmente se importava, era diferente do que falar para um cara com quem ela pretendia nunca mais cruzar depois da formatura. Mary se levantou e saiu atordoada como na noite em que aquela maldita tiara apareceu em sua frente pela primeira vez - Mary! - Lily tentou ir atrás dela, mas o diretor segurou o seu braço
- Senhorita Evans, todos vocês tiveram uma noite muito agitada. Acredito que seja melhor dar um espaço para sua amiga. Você deve ter se sentido assim quando soube de tudo não é mesmo? - Lily apenas assentiu. Pensou em ir ao dormitório, mas se Mary estivesse lá ela não seria capaz de dar espaço a amiga. Antes que pudesse abrir a boca novamente o diretor a respondeu - O dormitório de Prince está vazio desde que ele foi atrás da taça e ainda está se recuperado na casa da irmã. Você poderia passar o resto desta noite no dormitório se preferir, a senha é raiz de asfódelo
Enquanto Mary caminhava pelo corredor para longe do escritório de Dumbledore, ela se viu indo em direção à ala hospitalar. Ela empurrou a porta da enfermaria lentamente e entrou. O quarto estava completamente escuro, exceto por uma única vela acesa na mesa ao lado da cama de Severus. Mary se sentou ao lado de Severus e o observou dormir; uma linha profunda marcando seu rosto. Mary sorriu, mesmo em seu sono Severus estava carrancudo como se algo o estivesse incomodando. Ela ficou sentada olhando para ele por um longo tempo, segurando a mão de Severus enquanto ele dormia. Ela gostava tanto dele que seu corpo chegava a doer e agoora sem a influência da tiara conseguia ver isso claramente, mas ele e Lily mantiam um segredo e ela não poderia ficaram com alguém que não confia nela. Ela se levantou para sair, mas com o mavimento Severus despertou.
- Nós temos que parar de nos encontrar assim...
- Eu tenho que ir - disse ela sorrindo gentilmente como não conseguia fazer a tempos. - Você precisa descansar.
- Por favor - Severus perguntou, a palavra presa em sua garganta seca. - Por favor fica.
Mary hesitou antes de se sentar novamente. A situação era tão parecida quando começaram a namorar, mas ao mesmo tempo tão diferente. Tanta coisa tinha acontecido, ela não sabia nem mais o que pensar
- Mary o que você viu hoje - Snape sabia que não era a melhor situação para uma conversa franca, mas ele tinha que tentar
- Lily me contou das Horcruxes e de Voldemort... - ela o interrompeu tirado a mão que ainda segurava ele - Pelo menos ela me confiou uma parte da história
- Desculpe - Snape respirou fundo - Eu… eu.. me desculpe. Mary eu queria te contar, tanta coisa que eu queria te falar... mas nunca foi minha essa história - Ele murmurou
- Eu não sei o que estou fazendo aqui, é claro que você iria falar isso. É só isso que escuto - Ela se virou para sair mas Severus tentou pegar seu braço e acabou derrubando o copo de água que estava em sua cabeceira no chão. Ela se virou com o barulho e viu Snape em lágrimas
- Ele... Prince, ele não é meu tio. Sou eu, tudo isso é culpa dele. Tudo é minha culpa - Mary abraçou Snape em uma reação automática. Severus não conseguia parar de falar e contou tudo. T-U-D-O mesmo, não deixou nenhum detalhe de sua vida passada ou o que tinha acabado de acontecer com Lily de fora, ele chorava enquanto falava e não tinha certeza se Mary tinha entendido tudo, mas ela não o soltou até que ele acabasse.
Nesse momento Severus tinha certeza que ela iria se afastar, não teria mais nenhuma chance com ela. Mas pelo contrário sentiu uma pulsação em sua mão e Mary o encarava com luz nos olhos - Tudo isso que você acabou de me falar não foi sua culpa, você não foi esse homem, por mais que tenham o mesmo DNA, você é amado
Ele estava totalmente surpreso pela reação de Mary. Por tanto tempo ele escondeu essa história. Parte por medo que Mary se machucasse, mas a maior parte que ela não entendesse que ele não era o homem que tinha feito todas aquelas atrocidades, que ele jamais pensaria em cometer nada parecido, nem o homem que passou o resto da vida tentando se redimir. Ele era só um garoto tentando orgulhar a mãe o tio.
- É muita coisa para processar Sev. Eu só queria ver se você estava bem eu acho... - Mary soltou a mão de Severus e se levantou - Eu preciso de um tempo
- Vou esperar por você mesmo, se demorar o resto da minha vida, vou esperar por você. - Severus disse com todas as suas forças - Mary eu te amo!
- Eu também - Mary disse já de costas com lágrimas nos olhos
Lily sentia falta de Severus Prince. Ela ainda não conseguia entender por que gritou com ele quando foi ao hospital. Ou o porquê beijou seu melhor amigo. Certo, ela não gostou da maneira como ele apareceu em sua frente a beira da morte e forçando-a a ver suas memórias. Mas isso já fazia muito tempo e ela já tinha superado.
Suas atitudes também não poderiam ser justificadas pela Horcrux, no fim ela estivera com Mary esse tempo todo. Lily se sentia uma adolescente perdida e cansada. Mas afinal ela não era apenas uma adolecente perdida? Ela já era maior de idade para os bruxos é claro, mas às vezes ela só queria deitar nos braços de sua mãe e esperar até que ela escutasse que tudo ficaria bem. Lily tentou não pensar em sua mãe, tinha recebido uma carta que ela estivera no hospital esses dias, mas não era nada que ela deveria se preocupar
A carta teve efeito contrário e Lily estava bem preocupada, mas não contou para ninguém. No lugar disso ela foi atrás de um pedaço da alma de um psicopata para dar de presente para o cara que ela amava. Lily entrou nos aposentos que pertenciam a Severus, eles eram muito parecidos com que ela tinha visto diversas vezes nas memórias dele. Mas ao mesmo tempo tinha tanta diferença
Ele já não era mais tão solitário, em uma mesinha se encontravam diversas cartas que ele trocava com Eileen e Sev. Ao lado também havia um porta retrato de sua pequena família e Lily podia até vislumbrar um pequeno sorriso se formando nos lábios daquele homem. Talvez agora eles teriam uma chance em um futuro. Afinal ele era um novo homem
Severus estava apoiado rigidamente contra a parede, os braços cruzados sob a capa. Estava escuro e ele estava tão parado que poderia facilmente ser confundido com uma estátua. Lily não pode ver o rosto dele com clareza, mas ela pode dizer que os olhos dele estão fechados.
Ela esperava que ele dissesse algo, mas ele permaneceu quieto. Ela não aguentou. O ar na sala estava ficando pesado com a tensão, o que enviou calafrios quentes e gelados por seu corpo. Ela queria acabar com o silêncio, mas não sabia o que dizer. Ela nem sabia o que pensar.
De repente, os olhos de Severus se abriram. Eles pareciam duas brasas pretas no escuro. Ela se sentia completamente nua sob seu olhar abrasador, mas não conseguia desviar o olhar. Por fim, ela entendeu porque aqueles olhos estavam sempre queimando.
- O que você está fazendo aqui? - ela perguntou mesmo sabendo que tecnicamente ela estava invadindo
- Por que você está na minha cama? - Ele replicou tirando o casaco - Isso está errado
Era agora ou nunca Lily pensou, se levantou e foi em direção do objeto de seu afeto- Eu sou maior de idade.
- Você é uma estudante - ele respondeu, se aproximando de Lily. Seus longos dedos empurrando uma mecha de cabelo ruivo atrás das orelhas dela, enquanto ele olhava em seus olhos verdes A adrenalina corria por todo o seu corpo
- Você sabe muito bem que a vida não é tão preto e branco. A vida real não é como os contos de fadas. Você não tem garantia de um final feliz. Então por que não pegar o que podemos conseguir? Quem sabe o que será real quando a guerra finalmente acabar? - Lily disse acabando com a distância entre seus corpos
Severus se abaixou e reivindicou os lábios dela em um beijo profundo e investigativo. - Eu te quero tanto. - Seu sussurro era um tom rouco cheio de uma promessa de mais coisas por vir se ele se apressasse e pegasse o que ela estava oferecendo tão prontamente em uma bandeja de prata.
Lily acordou com a respiração ofegante, o sol já iluminava todo o quarto. Não fazia ideia quando se deitou depois daquela noite turbulenta. Mas depois de seu sonho se sentia em paz como não sentia a tempos, finalmente sabia o que seu coração deveria fazer
