Cap 26

Severus Prince sabia para onde deveria ir primeiro, queria partir para a Guerra sem nenhum assunto inacabado. A Ordem demorou um bom tempo e muitas reuniões, mas finalmente tinham um plano, poderiam dar um fim a todas as mortes que pioravam a cada dia. Não noite antes de tudo terminar aparatou nas redondezas de Hogwarts. Faziam semanas que ele não aparecia para dar aulas e no final do semestre sua ausência tinha sido notada, mas após anos de experiência ele já sabia muito bem ignorar os alunos mais curiosos. Se dirigiu para a sala de DCAT onde tinha pedido que seu sobrinho o aguardasse.

- Então - Prince disse enquanto os dois se sentavam perto do fogo - Você sabe o que irá acontecer amanhã...

- Sim, tio. Quero dizer eu já imaginava que esse momento chegaria mais cedo ou mais tarde

- Hmm - Prince tomou um gole lento de Whiskey para tomar coragem. Normalmente ele associava a bebida com decisões precipitadas e besteiras. Mas hoje poderia ser seu último dia de vida, era o momento de más decisões. Colocou um pouco em um outro copo e ofereceu ao sobrinho - Caso alguma coisa aconteça… eu queria saber que posso contar com você. Os ideais do Lorde das Trevas, tudo isso, tem que acabar. Mesmo que a minha geração não consiga. Digo que amanhã… - Afinal saber do futuro podia não ser o suficiente para deter Voldemort, dessa vez não havia profecia alguma, ele não podia deixar de se perguntar se faltava algo para a vitória no dia seguinte ou ele havia feito tudo o que podia.

Snape olhou para o copo em sua mão. Parecia uma cena tão natural, um pai oferecendo o primeiro gole de bebida para o filho em seu escritório e deixando os negócios em suas mãos. Mas essa não era a cena. Severus sempre soube que nunca teria um momento normal com seu pai, nenhuma cena melosa de um filme, mas tudo mudou depois que sua versão mais velha apareceu. Pela primeira vez na vida ele se sentiu protegido, se sentiu amado e aparentemente tudo isso iria acabar agora, iria ficar sozinho e incompreendido novamente. Lutou contra a água que começou a se acumular em seus olhos e tentou afastar esse pensamento para aproveitar o momento

- Não pense assim Sev. Sua mãe ficará em segurança, eu garanto. Além de todos seus amigo em Hogwarts

Snape rapidamente voltou a bloquear seus pensamentos. - Eu sei - Disse francamente. Houve uma longa pausa, e Snape voltou a encarar seu copo novamente. Ele não tinha certeza de como se sentia a respeito dessa conversa. Por um lado, ele apreciava esse senso de franqueza, e isso lhe dava um estranho tipo de orgulho. Ao mesmo tempo, ele se sentia pequeno e desconfortável. Ele não gostava de pensar no passado de seu outro eu, era estranho e perturbador imaginar-lo como um Comensal da Morte, tão distante estava do homem com quem ele estava se tornando

O mais velho quebrou o silêncio. - Não tenho certeza se aproveitei a chance de me desculpar com você, Severus - Agora foi sua vez de olhar fixamente para sua bebida, mexendo-a na mão. - Eu não percebi o quanto de um legado ruim minhas ... indiscrições juvenis iriam deixar para você, mesmo voltando no tempo. Sinto muito por isso.

Snape o encarou surpreso. - Hum... tudo bem - disse ele sem jeito. - Não é como se eu estivesse nas mesmas circunstâncias que você estava em sua época. Você deu uma segunda chance para tantas pessoas. Obrigado

- Hmm - Prince disse, como se contestasse esse ponto. - Bem. Fale-me sobre esses seus amigos. Você e Mary fizeram as pazes?

O jovem concordou. - No fim foi mais influência da Horcrux do que qualquer coisa - Ele fez uma pausa para organizar seus pensamentos - Mas estou feliz que finalmente posso ser sincero com a pessoa que amo. Lily fez o que eu deveria ter feito desde o ínicio. As vezes eu posso ser um pouco… desonesto demais.

Prince arqueou uma sobrancelha e pensou por um momento. - Eu sei que você é uma boa pessoa, você é uma pessoa muito boa, e aconteça o que acontecer nesta guerra, eu só quero que você lembre que isso não muda isso. Todos nós fazemos sacrifícios para proteger aqueles que amamos

Snape sentiu as mãos de seu tio tocar em seus ombros enquanto suas palavras demoravam um momento para afundar em sua mente, agarrando-se a todas e lembrando-se delas em perfeitas condições. Seu tio tomou o último gole e o levou até a porta, disse que tinha que fazer mais uma coisa antes de sair de Hogwarts - Não importa o que aconteça amanhã, saiba que você é muito amado por mim Severus Tobias Snape

Depois dessas palavras Snape lembra de ter caminhado lentamente de volta para seu quarto, ele colocou sua varinha de volta em sua mesa de cabeceira e deixou-se cair na cama enquanto o sono o alcançava. Tentando não imaginar o pior


Lily não conseguia mais dormir em seu dormitório e como a vaga de Prince ainda estava vazia ela frequentemente ia para lá depois da ronda com James. Era o seu lugar seguro em Hogwarts, não que ela se sentisse perseguida pelos colegas de sala como Severus era, nem se sentia mais ignorada por suas amigas, mas era o único lugar que ela sentia a presença de Prince. Sonhava com ele todas as noites, se sentia amada e protegida, coisa que não acontecia mais acordada

Tinha recebido mais uma carta de sua mãe, mas estava com muito medo para abrir. Sabia que iria ficar órfã esse ano, mas Severus nunca tinha revelado como, temia cada vez mais o dia que receberia a fatal notícia.

Abriu a porta da conhecida sala que já chamava de lar e se preparava para entrar quando reparou no grande vulto preto que a observava dentro da sala - Me disseram que você poderia estar aqui - Lily estava incrédula, seria mais uma vez sua imaginação? Ou realmente Severus Prince estava em sua frente?

- É realmente você? - Perguntou levando a mão a varinha enquanto entrava

Severus observou enquanto Lily se aproximava com a varinha. Uma ponta de satisfação passou em seu rosto, pelo menos ela sabia se proteger, ele se assegurou nas aulas que ministrou. - Sim sou eu - disse mostrando a varinha e a colocando na mesa - Eu tinha que te ver uma última vez

Lily ergueu os olhos. E correu para abraçá-lo. Tanta coisa passava em sua cabeça, mas dessa vez isso era real Severus realmente estava aqui

Severus desviou do abraço de Lily e limpou a garganta - Amanhã começará a Guerra - ele estendeu a mão para segurar a mão dela. - Eu quero acabar com tudo logo. Mas preciso contar com vocês caso algo dê errado, você, Severus e agora Mary são as únicas pessoas que conhecem Tom Riddle e sabem do que ele será capaz caso vença amanhã. Eu queria que vocês estivessem mais preparados, eu queria que isso nunca chegasse em vocês, mas...

- Severus...

- Há outro motivo pelo qual eu queria vir aqui esta noite - disse lutando contra a vontade de se aproximar ainda mais dela - queria agradecer sua amizade com meu sobrinho durante o ano. Seu apoio principalmente a Sev, ele é um homem totalmente novo e terá um futuro brilhante em sua frente

- Eu não fiz nada. - Lily balançou a cabeça.

- Você fez mais do que imagina. Sua existência foi o meu catalisador para voltar e tentar consertar tudo, seu amor salvou Harry, salvou Sev e me salvou. Eu te amo Lily Evans, muito obrigado por tudo

Severus olhou para a mesa enquanto Lily apertava a mão dele. Ela se moveu para o lado dele da mesa e estendeu a mão para beijá-lo. Seus lábios se apertaram, separando-se timidamente e Severus estendeu a mão para colocar a mão na bochecha de Lily. Ela se afastou lentamente e Severus engoliu em seco enquanto ela descansava a cabeça em seu peito.

- Sinto muito - Lily suspirou. Mas na verdade não sentia. Seu beijo não era como James, ou como o jovem Severus, ou como seus sonhos, era muito mais. Era como se finalmente tivesse alcançado a paz. Naquele segundo era como se não houvesse nenhuma preocupação com sua mãe ou com a guerra. Não existia mais ninguém além dos dois

Severus começou a acariciar seus longos cabelos ruivos enquanto Lily ouvia seu coração bater mais devagar contra sua orelha. - Lily, você tem certeza? - E então várias coisas aconteceram quase ao mesmo tempo: Severus olhou para Lily, seus lábios colaram-se com a força de muitos meses de sede e saudade, e antes que ele percebesse, a mente de Severus tinha ido para algum lugar além do alcance de sua razão.

Foi um beijo confuso, cheio de saliva e dentes e maxilares em choque, mas a habilidade de Severus de se preocupar com sua técnica havia desaparecido, junto com suas dúvidas sobre a moralidade da situação. Tudo o que importava era o sabor de sua pele e o cheiro de seu cabelo e a sensação de seu corpo macio contra sua dureza. Isso precisava acontecer e precisava acontecer agora.

O que quer que esteja passando pela mente de Lily, ela parece ser movida pelo mesmo desejo. - Eu tenho desejado isso ... há muito tempo - disse Lily sem fôlego, como se tivesse ouvido as perguntas que Severus estava fazendo em sua mente. Ele parou o que estava fazendo naquele momento, olhou profundamente em seus olhos e de alguma forma sentiu que ela estava dizendo a verdade. Seus corpos se uniram em um ato de amor, Severus Prince agora sabia que poderia morrer em paz

- Eu tenho que ir - ele resmungou, ficando muito, muito relutantemente de volta a seus pés

- Eu sei - Lily disse tentando parar a fina lágrima no canto de seu rosto. Ela queria poder fazer algo, mas sabia que absolutamente nada poderia mudar o destino de Severus aquele momento. Ela só poderia ter fé. Ele se afastou em direção a porta e deu mais uma olhada em seu amor, antes de mudar de ideia.

- Sev? -Lily disse, bem quando ele estava prestes a sair

- Sim?

- Eu vou estar te esperando

Ele parou e acenou com a cabeça, mas não podia se permitir olhar para ela novamente. Agora, a visão dela teve um efeito de deterioração em sua sanidade


A última parada de Severus Prince foi com a pessoa que tinha possibilitado toda sua redenção, onde sua primeira e segunda vida tinham começado. Onde seria sua despedida final, ele não podia esperar muito mais, a destruição estava se aproximando, a morte se aproximava, embora nenhum deles pudesse ver da residência Prince.

Todas as Horcrux estavam reunidas em sua frente e o caldeirão que um dia tinha sido de seus antepassados estva com Eileen preparado com veneno de Basilisco. Era a última coisa a se fazer antes de partir para a batalha. A Ordem não podia se dar o luxo de esperar o fim do semestre para ter novos recrutas, a cada dia que se passava mais e mais familias eram dizimadas pelos comensais e o ministério cada dia mais afundado, eles não podiam mais adiar esse momento

- Está na hora - Eileen sussurrou apressadamente.

- Está na hora - ele concordou com um aceno de cabeça apertado. Severus disse afastando-se dela enquanto ela jogava a capa de invisibilidade sobre sua cabeça. - Tenha cuidado, mãe - ele acrescentou em um sussurro rouco, lutando contra o desejo irresistível de colocá-la em um corpo amarrado e mantê-la escondida, qualquer coisa para mantê-la segura.

- Você também- ela sussurrou em resposta. - E estou orgulhosa de você - ela disse baixinho, tocando rapidamente sua bochecha antes de se começar a jogar o diário e os outros artefatos no caldeirão. Severus não conseguiu responder, não era hora. A adrenalina já corria por seu corpo, preparando-o para lutar, ele estava entorpecido para tudo o mais. Ele fez a única coisa que pôde pensar em fazer, acenar com a cabeça bruscamente enquanto passava por ela para pegar uma capa para si - uma preta simples - jogando-a sobre a cabeça e os ombros antes de deixar a segurança do Fidelius pela última vez, e deixando sua mãe na porta.

Aparatou em Little Hangleton, na Inglaterra. O fim do jogo estava começando.

Quando Severus viu uma fênix cintilante Patronus correndo pelo céu, chamativo como sempre pensou sobre Dumbledore. Os membros da Ordem quase podia sentir a força fluindo através de seus corpos e correram mais rápido em direção à batalha