Lily ficou perto da janela aberta e o vento soprou em seus cabelos, lá fora, o pátio vazio reluzia na luz da lua cheia. Apenas os monitores e Filch estavam no comando do castelo hoje, mas nenhum dos alunos pareceu reparar na ausência dos professores em Hogwarts e se dirigiam para seus dormitórios normalmente. Seu coração apertou mais um pouco pensando na batalha que estava sendo travada naquele instante, um calafrio percorreu seu corpo.

Sev e Mary se juntaram a ela, todos estavam extremamente preocupados com o resultado de hoje - Você parece perturbada - Mary apontou colocando uma mão no ombro da amiga

- Estou com um pressentimento - Lily admitiu - como no Dia dos Namorados… - disse essa parte como um sussurro para si mesma

- Severus sabe muito bem o que está fazendo, dessa vez ele não está agindo por impulso algum. Ele pensou nesse plano por muito tempo- disse Sev - Por enquanto, vamos nos concentrar em fazer o nosso melhor aqui e estar lá quando ele precisar de nós

- É hora de termos fé na Ordem, quer treinar um pouco para espairecer? - Sugeriu Mary

- Os marotos podem estar usando a sala precisa para lidar com Lupin hoje… - Lily pensou que uma distração cairia bem agora, mas queria estar apeas com seus amigos. - Dumbledore andou dividindo algumas informações com alguns Grifinórios… - Ela completou o pensamento

- Sem casa dos gritos, sem sala precisa e sem nenhuma parte do castelo que os Sonserinos não conheçam.. Isso quer dizer que nos resta a Floresta Negra? - Severus indagou

- Prefiro lidar com Centauros irritados por treinarmos de noite do que ser atacados por Lobisomens… - Mary disse

- Para a Floresta Negra então… - Lily concordou finalmente deixando de lado o sentimento que a atormentava desde que Severus Prince se despediu


Severus e sua mãe dispararam uma trovejante onda de fogo em direção ao Lorde das Trevas que varreu a parte inferior de seu corpo. O Lorde das Trevas gritou de dor e cambaleou para o lado. A força da explosão arrancou seu corpo das pernas em chamas. Ele caiu no chão e olhou sem acreditar para os tocos carbonizados que terminavam em seus joelhos.

Dumbledore respirou fundo e apontou sua varinha para o Lorde das Trevas.

Seu antigo aluno estava pálido e ofegante, como nunca estivera desde que o tinha visitado no orfanato. - Vá em frente, Albus - o Lorde das Trevas sibilou. - A morte não vai ser o fim para mim. Ou você quer me fazer implorar?

- Eu não tenho essa intenção, Tom - Dumbledore disse calmamente caminhando em direção a mão decepada. Seus olhos foram imediatamente colados ao anel à sua frente, e assim que ele viu a pedra que o adornava, o símbolo esculpido em seu corpo estava tudo bem ali. Foi muito fácil. Ele sabia exatamente o que tinha que fazer, sua imaginação mais selvagem, sua ambição uma vez esquecida ao longo da vida agora estava à sua frente. Tudo o que ele construiu ao longo de sua vida e assistiu desmoronar na morte daqueles que mais amava estava diante dele, brilhando ao luar. Alvo tirou todas as maldições que tinha visto nas memórias de Lily e se sentiu preparado, agora ele simplesmente estava lá, parecendo um anel comum. Mas de ordinário aquela peça não tinha nada. Com o anel, ele poderia vê-los novamente, poderia desfazer seu erro

Ele estendeu a mão coberta de rugas e pegou o anel. A pedra cintilou, e ele deslizou a aliança dourada em seu dedo, no momento exato em que colocou o anel em seu dedo, ele se sentiu completo. Até que de repente, como se ele tivesse sido atingido por um raio, uma dor consumidora o atingiu, fazendo-o uivar e gritar enquanto desabava no chão, nem seu poder era o bastante para aquela maldição. Uma tortura desconhecida como ele nunca tinha experimentado antes começou a envolver seu corpo, frio e duro como o aperto da própria Morte, estrangulando toda a vida dele. Tentando recuperar o comando de seu próprio corpo, ele se concentrou no desejo de pegar sua varinha e apontá-la para a mão que tinha o anel. A tarefa foi excruciante, já que cada momento de agonia implorava a ele para apenas deixar seu corpo sucumbir à maldição e morrer. Com a mão esquerda trêmula, ele segurava a varinha e, com uma demonstração final de determinação, cravou-a na mão, pensando que desta vez seria diferente do que tinha acontecido na outra vida de Severus

Derramando tanta magia quanto podia no feitiço, ele observou a maldição negra rastejando por seu braço, deslizando como uma cobra, lentamente começando a recuar, finalmente estabelecendo-se apenas envolvendo sua mão, deixando uma marca negra e murcha. Ele sentiu uma sensação de calor e formigamento ao redor de seu corpo quando este voltou ao controle, e sua mente finalmente aceitou a temeridade de suas ações.

Ele sabia que poderia obliterar o objeto amaldiçoado e acabar com Voldemort, mas isso realmente seria o bem maior? Não, ele tinha que tentar reviver Ariana, era o objetivo de sua vida. Ele sentiu uma leve pontada de dor da maldição lutando contra sua tentativa de parar seus efeitos.

Severus Prince observava a cena de longe lutando para manter os olhos abertos - Oh Albus, o que você está fazendo? - Dumbledore tirou um pacote de suas vestes, Severus não podia acreditar que era a capa de Potter. Ele tinha todas as relíquias, todos os seus medos estavam sendo confirmados e ele não tinha forças para impedir...

Era agora ou nunca, era a chance de desfazer o mal que tinha feito no passado e salvar sua irmã, tinha que se concentrar. Ele colocou a capa sobre sua mão e pegou um frasco cheio de lágrimas de Fênix, estava pronto para começar o ritual quando a avistou. Ariana estava na frente dele, seu cabelo loiro esvoaçando ao redor dela. Ela o viu olhando para ela e sorriu daquela maneira vazia que sempre fazia antes de sua morte.

- Está tudo bem, Ari. Finalmente estou fazendo o que deveria ter feito todos esses anos - Albus disse tomando o conteúdo do frasco. Ela olhou para ele com aqueles olhos azuis e ele desejou, não pela primeira vez, nunca ter conhecido Gellert, e que ele nunca se ressentiu de cuidar dela. Ela era apenas uma criança, tão jovem e ele havia tirado sua vida dela. Ela estendeu a mão e tentou pressionar a mão contra o rosto dele. - REFOCILLO

Um escárnio ecoou ao redor da cena e Albus automaticamente se virou e sentiu seu coração pular uma batida. Com os braços cruzados sobre o peito, um jovem Gellert Grindelwald estava de pé. A figura do jovem Gellert sorriu agradavelmente, traindo a fúria ardente escondida atrás de seus olhos azuis deslumbrantes. - Oh, não tão rápido meu caro Albus

Albus foi empurrado para trás e, por um segundo louco, pensou que foi Gellert quem o agarrou. Mas não, Minerva McGonagall estava na frente dele estendendo a mão para tirar o anel. Albus a empurrou, mas Bellatrix se aproveitou da situação e em menos de um segundo apenas o barulho de aparatação foi deixado de onde o Lorde das Trevas se encontrava ferido.


O estalo da aparatação ecoou alto pela floresta Negra, seguido por outro estalo nauseante de carne macia encontrando o chão frio. Bellatrix estava ofegante no chão, desviando os olhos de seu furioso Mestre diante dela.

Ela falhou com ele. Todos haviam falhado com ele, mas o fracasso dela foi de longe o pior, porque ela era de longe sua seguidora mais devotada. O fracasso para ela era muito mais pessoal e era muito mais profundo do que os erros idiotas de tolos como Avery ou MacNair. Ele estava severamente machucado e ela deveria ter agido antes. Ela tinha que ter feito mais, mas jurou que agora seria diferente, voltariam mais fortes do que nunca.

A adrenalina batia forte em suas veias, seu coração disparado, sua mente girando, lágrimas de vergonha brotaram de seus olhos. Tudo aconteceu tão rápido, quando viu seu mestre caído ao chão sem sua mão, sem sua varinha o instinto agiu antes de sua mente. Tinha que salvar seu mestre e o empurrão de Minerva foi a brecha perfeita

Voldemort estava cheio de ódio e nojo. Esta patética criatura quebrada encolhida no chão como um animal apavorado era seu melhor comensal. Ele nem ao menos sabia seu nome e era ela que tinha tomado alguma atitude enquanto o desgrassado de Dumbledore sucumbia ao poder do anel e consequentemente a sua maldição.

Em pouco tempo estaria livre do velho mago, mas a que preço? Seu corpo estava todo fragmentado e suas Horcruxes destruidas, demoraria anos para recompor tudo o que ele perdeu esta noite. Ele fumegou enquanto sua mente repassava as consequências do fracasso mais recente de seus Comensais da Morte. Um farfalhar no chão o fez virar bruscamente

- Mestre, me desculpe, mas a batalha, eu não pensei. Apenas tinha que lhe tirar de lá - Bellatrix se desculpou com voz rouca. Embora ela mal pudesse vê-lo por causa do sangue e lágrimas em seus olhos.

- É o mínimo que uma criatura como você poderia fazer - ele zombou - me de sua varinha, essa guerra ainda não acabou...


A/N : REFOCILLO quer dizer ressuscitar em Latim. Esse feitiço não existe no mundo de HP