Azkaban, 14 de Dezembro de 1998
Querida Hermione,
Estou sozinho sentado em um dos cantos de uma cela de paredes imundas e desgastadas pelo tempo, olho, pela janela minúscula, o sol se pôr. Já me imaginei fugindo por ela várias vezes o que, provavelmente, me levaria a uma morte lenta e dolorosa, afinal os guardas fizeram questão de ressalta à quantidade de feitiços que a envolve. E Mesmo se pudesse fugir, os dementadores não tardariam a me pegar. A lembrança deles me faz sentir frio e o vento assobiando do barulho que aqueles monstros fazem quando estão minando toda sua felicidade, dá medo. Mas está anoitecendo e daqui a pouco, não poderei mais escrever, assim deixo os meus companheiros de lado, por hora...
Sempre me perguntei porquê as pessoas são tão previsíveis. Por que vivem presas a um ponto de vista qualquer e singular, quando poderiam ter muito mais! Quem não seria feliz com uma conta bancária como a minha? Ter uma posição social invejável? Ser bajulado só por carregar um sobrenome? Nunca compreendi o motivo das pessoas se conformarem com tão pouco, vivendo suas vidas medíocres como se só isso bastasse. Eu nunca me conformei. Sempre tive do bom e do melhor. As melhores roupas, vassouras, livros etc..
Meu pai me ensinou desde criança, a fazer o melhor e ser o melhor. Por isso, qualquer pessoa com uma condição financeira abaixo da minha, não era digno do meu respeito, muito menos da minha amizade. Os Weasleys não passavam de pobres coitados reprodutores. Nunca vi uma gentalha gostar tanto de fazer filhos. Não ter o que fazer dá nisso.
Depois que tudo aconteceu, passei a me perguntar a razão da minha vida ter virado um pesadelo, no qual, vivo acordado atualmente. Agora eu entendo e aprendi da pior maneira. Ao longo da minha vida, neguei de todas as formas, assumir que poderia estar errado. Meu orgulho Malfoy era maior que a razão. Não quis ver o que havia me transformado. Num cara mimado e cheio de preconceitos. Que não aceitava ouvir um não como resposta. Que se achava melhor e superior a todos. "Não vou mentir, ainda me acho um pouco, além de possuir uma beleza exótica".
Sei que fui mesquinho e cruel. Principalmente com você, meu amor. Queria poder voltar no tempo para romper todas as barreiras que criei ao meu redor. Talvez, minha miserável vida, teria tomado um rumo diferente. Talvez.
Pareço contraditório? Não ouse concordar. Eu me recuso a ouvir!
Não estou louco como afirmam. Sou perfeitamente racional, meu temperamento é naturalmente aceitável e sociável. As circunstâncias na qual me encontro são apenas reflexos dos pontos de vistas singulares que um dia questionei. Viver preso em uma cela imunda e ver minha vitalidade sendo sugada, dia após dia, não se comparam em nada com a dor que sinto por sua falta. É como morrer um pouco a cada hora, a cada dia, a cada respirar.
Será que uma pessoa pode se autodenominar como louco? Um louco de fato teria consciência sobre isso? Melhor não saber a resposta. Tenho medo de começar a questionar o que é real ou ilusão.
Entreguei-me tanto a um amor... Proibido, inesperado e arrebatador. E agora, sinto todas as consequências. Por não o ter vivido por completo...
Não sei o que anda acontecendo comigo. Às vezes estou bem, em outras vezes sinto vontade de quebrar tudo ao meu redor. De extravasar toda a minha raiva, de fazer alguém sofrer, chorar e morrer. O ódio já invadiu por completo meu coração, forte e intenso como uma tempestade a dor da sua ausência o transformou. Não consigo mais sair dessa solidão. Eu sinto cada parte do meu corpo pedindo socorro, meus olhos transmitem a dor de um corpo com a alma destruída. O que anda nessa cela é apenas uma carcaça, de um corpo que a muito não sabe o significado da felicidade.
Draco Malfoy
– Pai não fique triste. Se você sofre, eu sofro também. Fale mais sobre você e a mamãe para mim. Como vocês começaram a namorar? – Meu pequeno pediu curioso. Sorri ao vê-lo. Não me considero um homem solitário por completo. Não quando, se tem um filho para lhe fazer companhia. Scorpius Malfoy meu herdeiro, vem todas as tardes me visitar. O garotinho loiro de olhos castanhos renova minhas forças quando penso não ter mais. Hoje ele chegou mais cedo, para minha alegria. Conto os minutos para sua chegada. Ele me deixa feliz.
– Papai! – O garoto exclamou, batendo o pé impacientemente.
– Senta aqui, no colo do papai. – Ele se sentou. – Vou te contar tudo o que aconteceu. – "Menos as partes inapropriadas para sua idade". Pensei.
Brigávamos o tempo todo. Sua mãe era teimosa, mandona e defensora das causas perdidas. E isso me tirava do sério. E o que mais me irritava era aqueles amiguinhos idiotas dela que ela defendia a todo custo. Uma vez ela até chegou a me bater...
Pai isto você já me disse! Quero saber quando vocês se beijaram pela primeira vez. – Scorpius falou impaciente, revirando os olhos. Este garoto realmente é meu filho.
Uma vez a encontrei, sozinha, dormindo em cima de alguns livros na biblioteca. Estávamos na semana de provas e ela como sempre se matava de tanto estudar. Como sou uma "boa" pessoa fui fazer a gentileza de acorda-la. No susto. – Dei uma risada ao lembrar- me do seu rosto, vermelho de raiva.
O que você fez?
Derrubei alguns livros, que estavam na prateleira em cima dela. – Soltei uma gargalhada. Sou um péssimo exemplo para meu filho.
O que ela fez quando descobriu que foi você?
Correu na minha direção e me acertou com um livro. Ela estava muito brava tive que a segurar e tomar o outro livro que ela pegou para me acertar novamente. Foi nesse momento que... Relembrar desta parte, em especial, me deixava nostálgico.
Se beijaram! – Meu filho deu um pulinho de alegria.
Sim, nos beijamos.
E depois?
Ela me deu um tapa. Me chamou de doninha e ameaçou me azarar.
E o que você fez? Que garoto curioso! Puxou Hermione.
A beijei novamente. De novo... E de novo... Até ela não ter mais argumentos e ficar sem ar. Aquele dia foi um dos mais especiais da minha vida. Não imaginei que eu pudesse gostar dela. Depois de vários encontros as escondidas. Com o tempo, fui me apaixonando pelo seu jeito de falar, pelos seus gostos, pela sua inteligência. Não era para acontecer de forma alguma. Mas aconteceu... Scorpius? – Chamei percebendo que não havia ninguém no meu colo. – Scorpius? – Chamei mais alto. - Mas onde aquele menino foi parar?! – Ouvi passos, logo vi Potter na porta da minha cela, com os habituais pergaminhos que trazia.
- O que faz aqui Potter? Você viu meu filho? – O testa rachada enrugou as sobrancelhas para mim e me olhou com pena. Detestava que me olhassem com pena, mesmo que não houvesse mais ninguém que eu visse.
- Não há nenhum Scorpius aqui Malfoy, ele se foi... Só aceite... – Não respondi, não é como se ele fosse digno de qualquer atenção minha e do que diabos ele estava falando?! Scorpius sempre vinha me visitar...
Azkaban, 20 de Dezembro de 1998
Querida Hermione,
Maldita hora que você me correspondeu! Que você sorriu para mim. Porque simplesmente não virou as costas? E seguiu com sua vida ao lado dos seus amigos idiotas. Sei que fui o culpado. Estive preso dentro da minha própria liberdade, fui escravo dos convencionalismos ditados por meu pai. O que sentíamos um pelo outro não precisava obedecer nenhuma regra. Por que coloquei tantos empecilhos, tantas paredes entre nós?
Sei que errei. Aliás, errei no começo, meio e fim. Não posso culpar os ensinamentos da minha família por tudo. O preconceito sanguíneo foi semeado em mim desde a infância. Contudo, a decisão de deixá-lo crescer e vingar foi somente minha. A minha ignorância foi meio caminho para o preconceito que cultivei ao longo dos anos. Minha tia Andrômeda cresceu sobre os mesmo ditames sociais de preconceitos aos nascidos-trouxas e não se deixou manipular. Fez suas próprias análises e tirou suas conclusões. Não deixando ninguém a influenciar. Invejo sua coragem. Mesmo depois, de expulsa e deserdada da família, não deixou de seguir o que achava certo, nem abandonou seus princípios.
Depositei nos conceitos defendidos por meu pai toda a confiança do mundo. Já dá para imaginar no que deu? Sim, deu merda, como você pode ver. Ao lembrar-me dele minha tristeza aumenta. Tenho feridas não cicatrizadas no coração e uma culpa permanente na consciência. Por ter feito o que fiz. Independente de suas ações, ele ainda era meu pai e eu o amava.
Estou sentindo uma tristeza tão grande que chega a doer. Dói muito... Porque o amor dói tanto para quem ama? Ninguém merece sofrer tanto na vida, ninguém! Se ao menos tivesse as visitas da minha mãe. Porém, desde, o julgamento não a vejo, e isso já faz bastante tempo. Cheguei a pensar que fosse ela a me presentear com penas, tintas e pergaminhos. Mas logo descobri ser o Potter, o que pouco me importa desde que ele continue trazendo...
Draco Malfoy
Azkaban, 16 de Janeiro de 1999
Querida Hermione,
Hoje Sonhei com você, novamente. Relembrei em sonhos o que vivi com você. Sentada em baixo de uma árvore, com um grosso livro nas mãos. Você lia tão calmamente, pareceu não notar minha presença. Seus olhos brilhavam a cada parágrafo. Seus cabelos cacheados extremamente volumosos se moviam suavemente como uma brisa do mar. Sem querer encontrei nos seus traços algo que me prendia. Quando você olhava para mim eu derretia por dentro. O que sentíamos estava além da luxúria.
Nunca entendi sua obsessão por livros. – Murmurei baixinho te assustando. Confesso que senti um pequeno ciúme. Sim, isso é infantil da minha parte. Sei que é. Mas ver você ali, sozinha, sem nenhum dos seus amigos a tira colo. Gastando seu tempo em livros, enquanto, poderíamos estar fazendo algo mais produtivo, como transar por exemplo.
A guerra estava próxima, tínhamos que aproveitar o máximo de tempo possível juntos.
Malfoy! Você me assustou, não faça mais isso. – Hermione ralhou comigo. Não pude deixar de sorrir. – Não é obsessão, é paixão.
Malfoy? Ontem à noite, durante nossa quente sessão de amasso, você me chamou de Draco inúmeras vezes enquanto gemia. O que mudou de ontem para hoje? Nunca vi alguém corar tão rapidamente. Só de lembrar seus gemidos de prazer enquanto nos amávamos senti uma pontada na virilha. Olhei para seu busto com malicia. A noite toda nós brincamos um com o outro, provocando, acariciando, fodendo. Todos os toques, todos os sussurros e gemidos de prazer, tudo que eu compartilho com ela parece tão certo.
Nada mudou. Agora quer parar de me olhar dessa maneira!
Que maneira? Ah, já sei. – Passei a olhar cada parte do seu corpo. Como se eu fosse foder você, aqui de baixo dessa árvore em plena luz do dia.
Draco, quer parar com isso! Imagina se alguém passa aqui e ouve isso. Pensa no problema que vai dar.
Ver nos dois juntos já é um problema, minha linda.
Realmente... Quero te dizer uma coisa. Na verdade, estou procurando coragem para te contar.
Não me diga que mudou de lado e decidiu seguir o Lorde das Trevas? – Falei com ironia.
Não seja ridículo! Isso nunca vai acontecer. – Hermione ficou brava e fechou o livro com força. Droga! Perdi a chance de ficar calado.
Só estava brincando. Você esta muito extressadinha. Já sei do que você está precisando... Nada que outra noite de sexo selvagem não resolva.
Já chega! Vou voltar para o castelo...
Não ouse levantar. Agora me fale. Falei autoritário.
Perdi a vontade.
Tudo bem. Depois você me conta. – Preferi mudar de assunto, antes que eu fosse azarado. Livro novo? Perguntei a respeito como se realmente quisesse saber.
Seu olhar mudou e um tímido sorriso apareceu.Hermione possui três tipos desorrisos.O devastador, o tímido e o irresistível.
Sim. Ganhei do meu pai de aniversário. O nome dele é o Morro dos Ventos Uivantes.
Nome estranho. Torci o nariz. Nada do mundo trouxa me agradava, mas fingi interesse. Não quis iniciar um novo desentendimento por besteira.
É um clássico da literatura trouxa. Estou adorando o ler...
Não a deixei continuar. Certamente, ia começar a falar sem parar sobre o tal livro. A puxei para mim e roubei um beijo. Mesmo surpresa a principio, me correspondeu do jeito que eu gostava. Nossas bocas se desejavam com intensa paixão. Amei o jeito que ela me retribuiu, tocando minha rigidez que pulsava dentro das calças. Mesmo sem toca-la eu sabia que uma piscina se formava entre suas coxas.
Quero entrar em você – murmurei, beijando seu pescoço.
Aqui não! Está louco?
Sim. Por você.Desejo-te tanto que chega a doer.Estava ficando muito excitado. Não consigo tirar meus olhos de cada centímetro de seu corpo.
Também te desejo, mas vamos para outro lugar...
Já sei! – Peguei sua mão e arrastei para a entrada da floresta proibida.
Agora tenho certeza você está mesmo louco. – Hermione estancou no chão, se recusando a me seguir.
Não seja boba, não vamos entrar na floresta. Só ficar na borda. Onde tem muitas árvores e não corremos o risco de alguém nos ver. Além disso, olha o tempo que está se formando, duvido que alguém venha para essas bandas. Vamos, dá tempo de uma rapidinha!
Draco, seu tarado! – Hermione me deu um tapa no ombro. Mas decidiu me seguir.
Realmente o tempo estava mudando e a chuva não tardaria a cair.Gotas de chuva escorriam por nossos corpos nos molhando. Hermione usava uma camiseta branca por baixo de seu uniforme. Que colou aos seus seios, revelando os bicos. Um trovão a assustou. Gesticulei para ela se aproximar.Jáestávamos completamente molhados. Nossas roupas colaram contra nosso corpo. Nos protegemos da chuva debaixo de uma árvore com grossas folhagens.
Hermione me deu o sorriso número três. O irresistível. Que fez meu coração disparar. Os únicos sons que passaram a ser perceptíveis eram o da chuva caindo e os trovões ao longe. Eu senti como se algum monstro sexual tivesse acabado de emergir em mim e a quisesse devorar rápido e com força. Eu a quero como nunca quis alguém. Tirei sua camiseta ensopada. Depois, deslizei o zíper da sua saia e, enquanto a puxa para baixo, inclino capturando seu lóbulo entre meus dentes e o mordo de leve.
Vamos ficar doentes. Ela virou a cabeça e tomou minha boca com paixão.
Não me importo de pegar um resfriado. Levantei meus braços para que ela possa tirar minha camisa. Sua língua úmida lentamente se arrasta pelos contornos da minha orelha.Àquela boca quente me levava à loucura.A única coisa que eu conseguia pensar era em fazer sexo selvagem com ela.
Não podemos demorar...
Com voracidade retirei sua calcinha. Abri sua feminilidade e a acariciei seu clitóris para logo o lamber. Eu estava faminto. E ela muito molhada, em todos os sentidos. Liberei meu membro duro e pulsante e a penetrei. Meu corpo começou a se mover contra o seu de forma selvagem.
Entrava e saia com rapidez penetrando na sua fenda molhada com força. Hermione gemia enquanto puxava meus cabelos, mordia e arranhava meu corpo. Minhas mãos acariciam seus seios, descendo pelas laterais de seu corpo quente e sedoso.
Um êxtase puro e fervilhante irradiava pelo meu corpo.
Minhas estocadas enviavam labaredas de fogo por nossos corpos. Eu ofeguei. Um delicioso orgasmo se aproximava. Acelerei os movimentos a possuindo com estocadas ainda mais fundas. Hermione amoleceu de baixo de mim e gemeu alto anunciando que havia gozado... Não demorou muito e eu também atinjo meu clímax. Ofegamos pela força do orgasmo. Beijei suas pálpebras. Esta sem dúvidas havia sido um dos melhores fodas da minha vida.
Azkaban, 8 de Fevereiro de 1999
Querida Hermione,
Acordei suado, senti em meu peito um vazio completo. Como é possível ninguém ter visto o que fazíamos? O brilho que emanava dos nossos olhos quando trocávamos longos olhares e sorrisos maliciosos nas aulas e nos corredores. Aqueles olhares diziam mais do que uma tarde de conversa.
Vou até a janela, olho o céu e vejo que já está amanhecendo. Ouço o chilrear dos passarinhos voando em bandos para muito longe dali. Queria poder fazer o mesmo... Voltei a rascunhar o que sinto. Gosto de escrever. Escrever virou minha forma de desabafo e de fuga. Isso me deixa em demasiado tempo longe de minha tristeza, essa que me corrói todos os dias e alaga meu espirito com sofrimento.
A guerra estava perto do fim. Havia pessoas duelando por todos os lados e corpos caindo inertes no chão. Meu corpo estava dolorido, meu braço esquerdo sangrava, mas não iria parar para lhe dar atenção. Precisa achar Hermione. Nada me impediria de parar de procurar.
Potter matou de uma vez por todas o Lorde das Trevas. A esperança de saber que Hermione provavelmente estaria junto de seus amigos, me fez aguentar toda a dor que sentia. Caminhei durante alguns minutos, perguntando a esmo se alguém a tinha visto. De primeiro, ficaram surpresos pela pergunta e depois só apontavam o dedo indicando onde a haviam visto pela última vez.
Eu precisava encontra-la e dizer o quanto a amava. Meu peito doía com uma sensação ruim, com um mau presságio. Ignorei todos esses sentimentos e continuei. Avistei minha mãe ao longe, sua figura pálida em nada lembrava a mulher que possuía muita classe e elegância. Quando ela me viu, correu ao meu encontro e me abraçou com força.
Senti tanto medo de algo ruim acontecer a você. – Minha mãe me abraçou novamente. Uma lágrima de alívio escorreu em sua face suja.
Mãe se acalme! Estou bem. Preciso saber se você viu Hermione Granger? – Perguntei com urgência. Minha mãe levantou uma sobrancelha em surpresa. Mesmo atordoada, respondeu.
Durante os duelos vi seu pai duelando com uma garota. Não tenho certeza se era ela...
Interrompi minha mãe bruscamente. Meu estômago gelou.
Meu pai? Diga-me como é essa garota?
Sim. Ela tinha tamanho mediano. Cabelos espessos castanhos... – Não esperei ela terminar, sai correndo em disparada. Meus ouvidos se recusavam a ouvir o que minha mãe gritava. Hermione precisava de mim mais do que nunca. Corri feito um louco.
Um pouco distante do centro da batalha, os avistei. Próximo à beira de um penhasco. Os dois duelavam. Hermione estava visualmente cansada com a varinha em riste ela pronunciava azarações a todo o momento. Ela bravamente se defendia como podia. Ela inteligente, meu pai experiente, aquele duelo poderia durar horas...
Em um segundo de descuido, meu pai conseguiu derrubar a varinha de Hermione. Com um sorriso de triunfo Lucius Malfoy se preparou para proferir a maldição da morte.
NÃO! – gritei com toda força presente em mim. Ambos me olharam instantaneamente. Hermione estava muito debilitada, o duelo sugou todas suas forças.
Meu filho, que bom que chegou! Poderá assistir essa sangue-ruim tendo o que merece.
Não! O senhor não vai fazer nada! A guerra acabou. O lado do Potter ganhou. Não a nada que possamos fazer para mudar. O Lorde está morto! Devemos nos entregar. – Esbravejei. Minhas pernas tremiam e meu braço machucado doía. Nunca enfrentei meu pai daquela forma.
Harry Potter ganhou? – Meu pai perguntou. Ele não acreditava. Tinha dado como certa a vitória de seu mestre.
Sim!
Seus olhos ganharam uma cor sinistra. Sua face, antes sem expressão alguma, agora demostrava todo o ódio que sentia. Ele apertou a varinha.
Então, tenho mais um motivo para mata-la.
Pulei na frente de Hermione. Meu pai recuou espantado com a minha atitude.
O que significa isso? – Gritou.
Você não vai fazer nada com ela! – Gritei de volta. Hermione soltou um gemido de preocupação.
Saia da minha frente seu inútil!
NÃO!
Desde quando defende sangue- ruins? Saia da frente dessa vádia agora!
Não vou sair! Você não fará nada de mal para a mulher que amo.
Mulher que você ama? Não acredito no que estou ouvindo. Você só pode ter enlouquecido. Não permitirei que suje o nome da família se juntando a essa sangue- ruim. Antes disso vou mata-la.
Com um feitiço ele me jogou para longe. Atordoado pelo tombo não ouvi as maldições que ele pronunciava. Hermione se debatia no chão contorcendo em dor. Ele jogou outra maldição.
Hermione levou as mãos à barriga protetoramente. Mesmo com a vista embaçada vi sangue escorrendo entre as pernas de Hermione. Rapidamente uma poça de sangue a circundou. Não entendi o motivo do sangramento. A forma que ela segurava o ventre e chorava copiosamente dizia mais alguma coisa, além da dor que sentia...
Pare! Esta matando meu filho. Me arrestei pelo chão atrás da minha varinha. Meu pai continuou a desferir maldições. Protego! – Gritei. Impedindo que atingisse Hermione.
Ele me olhou e virou a varinha para mim.
Estupefa!
Protego!
Meu pai estava fora de controle. Lançava feitiços na minha direção. O ódio o cegou.
Você nunca terá um filho com essa sangue- ruim!
De repente, meu pai se virou para Hermione e proferiu as palavras da morte.
Avada Kedavra!
Foi tão rapido que pisquei diversões vezes para tentar entender o que aconteceu. Eu não estava acreditando. Ela... Ela estava...
Tudo a minha volta perdeu o sentido. Emoções se misturavam. Revolta, descrença e ódio. Minha vontade era de gritar sem parar.Naquele momento meu coração se despedaçou. Meu peito foi esmagado em profunda dor.
Hermione estava morta.
Meu filho estava morto.
E eu estava morrendo...
Meu pai abaixou a varinha e deu uma gargalhada, me tirando do transe que me encontrava.
Em uma ação muito rápida, sem pensar, repeti a maldição que foi usada para matar a mulher que eu amava. Meu pai arregalou os olhos cinza em surpresa. Ele não espera isso de mim, nem eu. O corpo dele pendeu para o lado, sua proximidade com a borda do penhasco fez com que seu corpo caísse em queda livre.
Corri para Hermione que jazia no chão sem vida. Mesmo após sua morte suas mãos permaneciam sobre o ventre protetoramente. Abracei-a e assim permaneci por longos minutos. Afundei meu rosto na curva de seu pescoço e me neguei a levanta-lo. Não vi quando os aurores chegaram, mas pude ouvir alguns lamentos e múrmuros de tristeza, que reconheci ser de Potter e Weasley, eles choravam por sua amiga morta. Antes de ser puxado com brutalidade do corpo de Hermione. Sussurrei em seu ouvido o nome que daríamos ao nosso filho.
Por que estou tão melancólico? Maldita solidão! Maldita nostalgia! Já tentei de alguma forma diminuir o que estou sentindo. Tempo perdido.
Não diga isso papai. Eu te amo. – Scorpius me repreendeu em um sussurro infantil. Um arrepio perpassou meu corpo. Eu tremo. Ele se sentou altivo na cama de pedra fria. Como um verdadeiro Malfoy. Esse garoto estava lendo minha mente?
Eu também te amo, meu filho. Mas é tão difícil... Por que? Tivemos que nos separar. Parecia tudo tão perfeito, Hermione e eu... Já deveria ter imaginado que o pouco de felicidade que vivemos juntos. Teria um preço a pagar. Por que saiu tão caro? Nunca reclamei de altos valores, mas esse preço custou minha alegria de viver.
Você não está sozinho. Você tem a mim! Nunca vou te abandonar... O olhei. Dei uma sacudida de cabeça.Esse é o meu medo...Gritei por socorro tantas vezes, que desisti, solidão maldita. Mexeu comigo de dentro para fora. No coração e na mente. Confundindo meus sentidos e rasgando minha alma. Não, não posso virar as costas para meu filho. Ele é fruto do nosso amor. É o que ainda me resta.
Sabe o que é irônico meu filho?
O que?
Meu pai matou meu filho e, eu, matei meu pai.
Qual o nome do seu filho que o vovô matou?
Scorpius Malfoy.
Harry espere! Rony chamou o amigo. – Por que continua a levar esses pergaminhos? O ruivo acelerou os passos para alcançar o jovem auror que carregava tintas e pergaminhos.
Você sabe muito bem! – Harry dobrou mais um extenso corredor da prisão de Azkaban. Rony o seguiu.
Ele esta louco, acha que o filho está vivo! Por que ainda traz essas coisas para ele?
Faço isso por Hermione. Ela ficaria feliz de saber que de certa forma ajudo o homem que ela amou. Harry sentia muita saudade de sua amiga.
O pai dele a matou! Ele não merece piedade.
Não fale isso Rony. Você não tem ideia do quanto ele amava Hermione. Ele está sofrendo...
Eu também a amava!
Mas você já reconstruiu sua vida, ele não. Só espero que ele tenha forças para se manter vivo até eu conseguir o tirar daqui. Ele merece uma segunda chance...
