Carregado de tensão, aperto o telefone com força quando mais um número desconhecido me liga. Das primeiras vezes que atendi, todos queriam saber o que eu estava sentindo, os motivos de não estar com ela no carro e, principalmente, como é que Bella e eu escondemos tão bem o nosso casamento e a gravidez.

O hospital mais próximo estava tão longe agora, com uma pequena, mas crescente, multidão cercando o prédio. Coloco meu boné, sou cercado por meus seguranças e adentramos, o mais rápido que conseguimos, a recepção. Respiro fundo quando ergo a cabeça e as pessoas ao menos tem o respeito de não me encarar nesse momento.

Estou em frangalhos.

- Boa noite, estamos aqui por Isabella Swan Cullen. - Emmett pergunta e eles pedem nossos documentos. Tiro o boné e é quase cômico que reconheçam meu enorme cabelo bagunçado. - Vamos Edward!

O sigo e durante o caminho, o médico me avisa que meu motorista está vivo, tem um ombro deslocado e reclama de dores nas costas e no pescoço, está imobilizado e vai permanecer assim até sair de perigo. Peço que Emmett faça uma visita a Bill e continuo meu caminho até o quarto da minha esposa.

Agora todo mundo sabe que estamos casados e grávidos.

Ela está deitada na cama. Olha para o teto e sua mão acaricia a barriga inchada. Vejo que ela ainda tem o protetor de pescoço e há duas enfermeiras ao lado dela. Uma delas segura a mão de Bella e ao me aproximar mais, percebo que ela treme muito e que está desmanchando em lágrimas.

- Por favor, traz ele aqui, eu não posso fazer isso sem ele. - A voz esganiçada e cansada de Bella me assusta. Ela está sentindo dores.

- Ele já chegou senhora. - O médico me deixa aproximar e nos olhos dela se renovam lágrimas. - Espero que ele te acalme.

Aperto sua mão. Afasto sua franja da testa e ela tenta sorrir. O monitor cardíaco me avisa que seu coração bateu um pouco mais acelerado. Eu não sei o que dizer. Se me perguntarem o que eu estava pensando a uma hora atrás, eu responderia sem controlar: Pensei que tinha perdido minha família.

- Você vai ficar bem, estamos bem. - Sussurro e beijo castamente a sua testa, desviando do curativo ali.

- Eu estou com medo.

- Não tem mais o que temer, nosso bebê está bem.

- Bebês.

- Como disse? - Me afasto um pouco.

- São dois bebês. - Ela riu e voltou a chorar.

Eu ri e minhas lágrimas escorreram depressa. Meu coração acelera e eu logo alcanço seu ventre. Dois bebês. Eu abraço parcialmente seu corpo e sou sacudido com meu choro cada vez mais forte. Eu quase perdi tudo.

- Amor. - Ela me chama, mas não deixa de deslizar suas mãos por minhas costas. Ela sabe que isso me acalma.

- Obrigado por me fazer ainda mais feliz, Bella. Eu te amo, te amo muito. - Dou selinhos em sua boca. A mão dela faz seu caminho por meu cabelo e para na minha orelha.

- Eu também te amo. - Ela sussurrou. Ela apertou os olhos e o monitor cardíaco fez um barulho diferente. - Edward. - Ela arfa e se curva um pouco.

- Alguém pode me ajudar? - Digo depois de chegar a porta. Uma das enfermeiras vem. Checa os sinais dela. Bella está desacordada. - O que houve? Ela estava bem.

A enfermeira puxa o lençol e há sangue abaixo da cintura de Bella.

Muito sangue.

O pensamento volta com força.

Eu perdi tudo.