Disclaimer: Lost e seus respectivos personagens não me pertencem. Esta fanfiction não possui fins lucrativos.

Gênero: Universo Alternativo/ Romance/Drama

Sinope: Sawyer está de luto pela morte repentina de Ana-Lucia. Tentando entender quem ela era, ele acaba adormecendo em uma árvore ao lado de seu túmulo. Quando acorda Sawyer se depara com o impossível: Ana-Lucia está viva e eles já não estão mais na ilha.

Censura: M

Spoilers: Two for the road, Season 2

Shipper: Sana

Pedido de Natal

Parte 1

Não havia neve naquela ilha, mas Sawyer sabia que estavam muito perto do natal, apenas alguns dias à frente; não que ele realmente se importasse, não que fizesse alguma diferença naquele lugar, mas era um jeito de contar o tempo. Lembrar dessa data só servia para isso mesmo porque ele não tinha muitas memórias felizes sobre o Natal.

O clima na comunidade também não era de festa. Uma pessoa tinham sido morta naquela tarde, uma mulher: Ana-Lucia. Sawyer tinha acabado de aprender o sobrenome dela: Cortez. Mal podia acreditar que algumas horas atrás ele estivera fazendo amor com esta mesma mulher no meio da selva. Tudo aconteceu tão rápido. Num minuto ele a tinha entregue em seus braços, no minuto seguinte ele descobrira que ela tinha roubado sua arma, no próximo momento ela estava morta com um tiro no peito, a tez pálida, os olhos inertes.

- Son of a bitch!- ele exclamou consigo mesmo e apertou os olhos, evitando não chorar por aquela tragédia. Ele jamais chorara por ninguém naquela ilha.

Libby também tinha levado um tiro, mas milagrosamente sobrevevira, ainda que estivesse totalmente inconsciente e não pudesse contar a eles o que acontecera. Tudo o que sabiam era que o homem que estava sendo mantido prisioneiro na escotilha havia atirado em Michael e depois nelas antes de fugir. Michael também estava vivo e demandava que eles fossem atrás do homem e por mais que ele se compadecesse da dor do amigo que precisava encontrar o seu filho, sentia que precisava de um tempo pra abosrver a morte de Ana-Lucia. Ela acabara de ser enterrada e ele se sentia de luto.

Depois de muta conversa entre Jack, Locke, Michael, Kate e Sayid foi decidido que eles partiriam pela manhã bem cedo. Sawyer havia sido convidado por Michael para se juntar a eles, mas insistia que Sayid deveria ficar e cuidar do acampamento. Não parecia muito lógico para ele que Michael não quisesse que um soldado experiente como Sayid os acompanhasse naquela missão, mas Sawyer atribuiu isso ao estado emocional dele.

Naquela noite, depois que todos se recolheram às suas tendas, Sawyer resolveu caminhar pela praia sozinho, curtindo a brisa marinha, perdido em seus próprios pensamentos quando suas pernas acabaram levando-no para o cemitério aonde várias pessoas da comunidade estavam enterradas, incluindo ela.

Sawyer ficou diante do túmulo de Ana-Lucia, lembrando-se dela, de sua voz zangada, do seu medo naquela ilha, do seu amor por crianças, de sua determinação e até mesmo de seu sorriso que ele tivera uma única oportunidade de ver quando ela estava seus braços.

- Oi, chica.- ele disse com um sorriso amargo. – Desculpe eu não ter dito nada no seu funeral. Eu não sabia bem o que dizer...- ele olhou para a cruz que tinha sido feita por Bernard para o túmulo dela. – Poxa, você foi embora muito rápido, gatinha. Devia ter pegado o meu telefone, a gente poderia ter...- ele riu, mas estava triste. – Droga! Não tenho nenhum cigarro pra fumar em sua honra.

Ele se acostou a uma árvore perto do túmulo dela e admirou as flores frescas que o cobriam. Sun as tinha trazido durante o velório.

- Sabe de uma coisa, Lulu?- ele continuou falando. – Se existisse mesmo Papai Noel e eu pudesse fazer um pedido, ia pedir pra poder te ver mais uma vez e tirar aquele sorriso petulante do seu rosto lindo! Lu, a gente se divertiu, disso eu tenho certeza! Poderia ter sido muito mais...muito mais...

Sawyer ficou ali um bom tempo, recostado contra a àrvore e acabou adormecendo.

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Sawyer abriu os olhos de repente e se deparou com uma porta semi aberta na frente dele com uma luz muito fraca vinda de dentro. Remexeu-se tentando se lembrar aonde estava e o que estivera fazendo e a lembrança de que adormecera no cemitério veio à sua mente. Mas então por que havia uma porta aberta na frente dele?

Estava na escotilha é claro, seu cérebro raciocinou, mas se estava na escotilha aquele quarto era novo porque ele não se lembrava de jeito nenhum daquele lugar. Percebeu que estava deitado em uma cama, coberto com um lençol macio, usando apenas uma cueca boxer azul-marinho.

Sentou-se na cama, nervoso e confuso quando então notou que havia alguém deitado ao lado dele.A pessoa estava quase totalmente coberta pelo lençol. Devagar, ele ergueu o lençol revelando a mulher que dormia ao lado dele placidamente.

- Ana-Lucia!- ele exclamou chocado.

Ela se espreguiçou na cama devagar, se esticando toda, o lençol escorregando-lhe até a cintura, revelando sua barriga parcialmente coberta por uma camiseta branca de alcinhas.

- Amor, por que tá acordado?- ela indagou com voz de sono. – Teve um pesadelo?

Sawyer piscou os olhos azuis, chocado, completamente sem fala.

Ana franziu o cenho e se sentou na cama.

- James, você está bem?- ela indagou preocupada.

Ele engoliu em seco, lembrando da imagem dela morta na escotilha, de seu corpo sendo colocado em uma cova fria e das pessoas chorando ao redor. Mas ali estava ela, bem na sua frente, mais viva do que ele jamais a vira: Ana-Lucia Cortez. Seus olhos escuros encaravam os dele confusos, mas Sawyer certamente estava muito mais confuso do que ela.

"Só pode ser um sonho."- a mente dele insistia. Num impulso ele esticou o braço e a mão dele tocou o ombro dela; a pele dela era macia e quente, incrivelmente real ao toque dele; Sawyer nunca tivera um sonho tão vívido.

- Você parece tão real...- a frase simplesmente saiu dos lábios dele.

Ana-Lucia sorriu e de repente o surpreendeu, empurrando-o na cama, fazendo com que ele se deitasse de costas contra o colchão. Ela então subiu no corpo dele, sensualmente, deixando o lençol de lado.

- Baby, é claro que eu sou real! Do que está falando?

- Ana-Lucia, eu vi você...- ele ia dizer "morta", mas ela não deixou que ele terminasse a frase quando cobriu a boca dele com a sua.

Sawyer sentiu a pressão agora familiar dos lábios dela nos seus e não conseguiu evitar beijá-la de volta.

- Está tudo bem, cowboy. Eu estou aqui...- ela sussurrou.

- Sim, você está...- ele disse com um sorriso lago. Sabia definitivamente que estava sonhando e resolveu aproveitar aquele sonho como se nunca mais fosse acordar.

- Eu nunca pensei que ia te ver de novo, Ana.

Ela beijou embaixo do queixo dele e desceu beijando-lhe o peito.

- Foi só um sonho, James.

Ele se virou com ela na cama, colocando o corpo pequeno dela debaixo do dele. Ana-Lucia gemeu baixinho quando sentiu o corpo musculoso dele contra o seu.

- Mamãe!- disse uma voz de criança, muito dengosa, seguida do barulho de pequenos passos.

- O quê?!- exclamou Sawyer ainda mais confuso.

- Amor, arreda pro lado...- sussurrou Ana tentando sair debaixo do corpo dele. – Hola, mi amor...- ela disse em espanhol, se levantando da cama e indo atender a criança.

- Não consigo dormir.- queixou-se um menino pequeno que Ana acalentou em seus braços.

- Teve outro pesadelo?- ela perguntou suavemente.

O garotinho assentiu. Sawuer ficou olhando para ele estático. Não deveria ter mais que cinco anos.

- Posso dormir com você e o papai?- ele pediu esfregando os olhinhos que eram muito azuis, contrastando com seus cabelos escuros.

- "Papai!"- a mente de Sawyer gritou.

- Pode sim, querido.- disse Ana trazendo-o para a cama.

Sawyer arredou mais para o lado para que Ana-Lucia pudesse deitar o menininho entre eles.

- Seu pai também teve um pesadelo, Jake.- ela disse acariciando os cabelos negros do menino.

- Foi, papai?- o garoto perguntou olhando bem nos olhos dele. Sawyer estremeceu.

- James?- Ana disse olhando para ele.

- Eu vou beber um copo de água.- foi tudo que ele conseguiu dizer antes de deixar o quarto, fechando a porta atrás de si.

Sawyer caminhou pelo corredor acarpetado da casa que definitivamente não era a escotilha. Havia outros três quartos mais à frente e uma sala de TV grande e aconchegante do outro lado, além de escadas que levavam ao andar de baixo.

Ele andou pela sala que tinha um jogo de sofá de couro marrom com almofadas vermelhas e amarelas adornando-o. A TV de 70 polegadas ficava em cima de uma lareira elétrica embutida na parede que era feita de tijolos coloridos. Acima da lareira havia vários porta-retratos oito por doze. O primeiro que chamou a atenção dele foi um feito de madre-pérola que exibia uma fotografia dele e Ana-Lucia no que parecia ser seu casamento.

- Son of a bitch!- ele exclamou, perplexo. Como poderia ser isso? Como ele já não estava mais na ilha? Como poderia ter se casado com Ana-Lucia e tido um filho?

- James?- ele ouviu a voz dela vinda detrás dele. Colocou o porta-retrato de volta no lugar e virou-se para ela.

Ana-Lucia estava mesmo ali diante dele, usando uma camiseta branca e uma calça de moletom cinza, os cabelos soltos. Ela estava franzindo o cenho exatamente como ele se lembrava que ela fazia na ilha, quando estava preocupada.

- Eu vou ligar pro Jack.- ela disse.

- Pro Jack?- ele retrucou, surpreso. – O Jack também está aqui?

- Eu sabia que você tinha batido a cabeça com muito mais força do que pensou.

- Batido a cabeça?

- James, por Dios!- ela exclamou. – Você não se lembra? Você e o Jack estavam pegando as caixas de ornamentos de natal na garagem ontem, quando uma caixa pesada caiu na sua cabeça.

Sawyer não tinha qualquer recordação do que ela estava dizendo. Aquilo tudo era muito bizarro.

- Qual a última coisa de que se lembra?- ela perguntou cruzando os braços diante do peito.

- Da ilha.- ele respondeu. – Estávamos na ilha.

- Sim.- ela concordou.

- Então sabe do que eu estou falando?

- Claro, James.- ela respondeu. – A ilha onde nós passamos nossa lua de mel.- ela apontou para um dos porta-retratos no batente da lareira.

Ele pegou o porta-retrato e viu a foto deles sentados em uma praia com uma floresta muito verde ao redor e uma montanha muito familiar de fundo.

- A ilha!- ele exclamou. Tinha certeza de que aquela era a ilha aonde o Oceanic 815 tinha caído.

- Ana-Lucia aonde estamos? Em que ano estamos?- ele perguntou sentindo-se zonzo.

- Estamos em Dharmaville nos Estados Unidos, aonde moramos desde que nos casamos em 2004. James, estamos em 2014.

A vista de Sawyer escureceu de repente. Ana-Lucia apressou-se a ampará-lo quando o corpo dele caiu desacordado num baque surdo no sofá de couro.

Continua...