Parte 5

Sawyer saiu da casa acompanhado pelos dois filhos pequenos, prestando atenção em tudo ao seu redor; ainda era muito cedo de manhã, mas a pequena cidade de Dharmaville já estava bastante movimentada com pessoas praticando jogging juntas, crianças brincando nos jardins e idosos passeando com seus cachorrinhos de estimação.

À medida em que caminhava com os meninos, ele ia sendo cumprimentado pelos vizinhos que simpaticamente acenavam para ele e pronunciavam o seu nome: - Hey, James!/- Tudo bem, James?/ - Mande lembranças para a Ana.

Sawyer apenas sacudia a cabeça e sorria porque não fazia ideia de quem eram aquelas pessoas. Ele avistou o mercado do outro lado da rua e começou a caminhar na frente, deixando os meninos para trás.

- Papai!- chamou Noah quando eles estavam prestes a atravessar a rua. Mas Sawyer sequer virou para ele. – Pai!- ele chamou mais alto enquanto procurava segurar a mão do irmão menor.

Sawyer finalmente parou e se voltou para as crianças.

- Papai, você tem que segurar nas nossas mãos quando atravessamos a rua.- disse Noah, agarrando a mão dele. – Isso é irresponsabilidade!

- Oh!- Sawyer exclamou. – Me perdoe.

- Tudo bem.- disse Noah. – Uma pena que a mamãe vai ficar zangada quando souber disso.

- Como é?- retrucou Sawyer enquanto os meninos o conduziam para o mercado, atravessando a rua no sinal vermelho.

- Não se preocupe, papai. A gente não conta nada pra mamãe.- falou Noah com um sorriso de covinhas. – Se você...

Jake completou a frase por ele:

- Slurpee!- ele deu um pulinho.

Sawyer ergueu uma sobrancelha e sorriu de lado pensando: "O moleque é mesmo meu!"

- Ok!- ele concordou e os meninos vibraram, correndo para dentro do mercado sem esperar por ele. – Ei!- Sawyer chamou indo atrás dele.

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Ana-Lucia bateu na porta da casa que ficava à três casas da família Ford e sorriu quando a vizinha abriu a porta.

- Oi, Ana.

- Oi, Kate.- disse Ana. – Desculpa aparecer assim tão cedo.

- Tia Kate!- disse Lucy se esticando para ir para o colo dela.

- Oi, princesa!- disse Kate pegando-a no colo. – Não esquenta. Já estou acordada há horas.- ela acrescentou com um bocejo colocando Lucy no chão assim que as duas adentraram a sala de visitas.

- E a Ava?- perguntou Ana.

Kate apontou para um bercinho no meio da sala onde uma nenê rechonchuda dormia.

- Nenê!- exclamou Lucy empolgada.

- Shiiii..Lucy!- pediu Ana-Lucia. – Não vamos acordar a nenê.

Lucy imitou o gesto da mãe com o dedinho e assentiu, ficando bem quietinha.

- Já tomou café, amiga?

- Não, eu só dei o mingau da Lucy. O James foi comprar leite com os meninos e daqui a pouco está de volta.

Kate assentiu e ofereceu o sofá para que elas se sentassem. Lucy ficou permabulando pela sala, brincando com um dos bichinhos de pelúcia de Ava.

- E como está o James?- Kate perguntou.- O Jack me falou que ele ficou estranho depois que aquela caixa caiu na cabeça dele. Será que ele teve uma concussão?

Ana deu um suspiro.

- Concussão ou não, alguma coisa aconteceu depois desse acidente.- ela disse. – Primeiro que ele parece ter esquecido quase tudo sobre a nossa vida, incluindo as crianças, mas ele certamente não se esqueceu de mim. No entanto, ele fica me olhando como se não me visse há muito tempo...

- Que estranho.- comentou Kate.

- Ele teve um pesadelo ontem à noite e eu sinto que alguma coisa aconteceu comigo nesse sonho que o impressionou bastante. Desde então, James tem sido extremamente carinhoso comigo, louco de tesão cada vez que olha pra mim...

Kate arregalou os olhos verdes, surpresa.

- Sério?

Ana-Lucia assentiu.

- Hoje de manhã cedo, ele fez amor comigo de um jeito que a gente não fazia há um bom tempo. Foi maravilhoso!

- Uau!- exclamou Kate.

- Como se...

- ...vocês não estivessem brigados.- Kate completou por ela. – Acha que ele não se lembra da briga? De toda aquela conversa sobre separação?

- Eu não sei, Kate.- disse Ana. – Mas quando ele acordou do pesadelo noite passada, eu senti algo diferente, como se a minha raiva inteira tivesse passado e então eu o tratei com carinho e ele correspondeu...agora eu estou me sentindo balançada.

Kate sorriu.

- Bem, só posso dizer que isso me deixa muito feliz. Ana, você e o James nasceram um pro outro. Quando você me contou que estavam querendo se separar, eu nem acreditei.

- Casamento, filhos... é tudo muito complicado.- falou Ana.

- Mas o amor de vocês é maior.

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Ana-Lucia foi para casa pensando no que Kate dissera; talvez ela tivesse razão, talvez aquela fosse uma nova oportunidade de eles se entenderem; era natal afinal de contas e ela queria muito um milagre de natal para salvar sua família.

Ela entrou em casa pela porta da cozinha, carregando Lucy em seus quadris.

- Hey, baby, aqui está o leite.- disse James com orgulho mostrando a garrafa sobre o balcão da cozinha enquanto os meninos dançavam ao redor dele segurando copos grandes de slurpee.

- Oh my!- Ana exclamou buscando paciência nos conspícuos de seu ser.

Continua...