Parte 7
- O nome do jogo é "vamos fazer a mamãe feliz"!- anunciou Sawyer aos filhos todo animado.
- Eu gosto desse jogo, papai!- disse Jake com um grande sorriso.
- Esse jogo parece bobo!- resmungou Noah.
- E por que?- indagou Sawyer ao pequeno.
- Porque você vai perder, papai.- respondeu Noah. – A mamãe diz que não gosta de nada do que você faz, então ela não fica feliz.
Sawyer ergueu uma sobrancelha. Noah notou o gesto dele e justificou-se:
- Foi o que ela disse.
- Quando foi que ela disse isso?- perguntou Sawyer.
- Uma vez.- Noah disse.
- Duas vezes.- disse Jake rindo com a mãozinha na boca.
- Uma vez!- insistiu Noah.
- Duas!- gritou Jake.
- Uma!- Noah gritou de volta ficando furioso.
- Duas!- berrou Jake.
- Hey, meninos! Parem agora mesmo!- pediu Sawyer, impressionado como as coisas saíam do controle com as crianças muito rápido.
- Palem!- disse Lucy no colo dele apontando o dedinho para os irmãos.
- Desse jogo a mamãe vai gostar, eu prometo.- disse Sawyer trazendo a atenção de volta para ele.
- E como a gente joga isso?- questionou Jake.
- Bom, primeiro, vocês precisam me dizer do que a mamãe gosta.
- E você não sabe?- retrucou Noah.
- Eu sei de algumas coisas que ela gosta.- ele disse com pensamentos maliciosos. – Mas preciso aprender mais, tipo qual é a comida que ela mais gosta?
- Pão!- disse Jake.
- Não!- reclamou Noah. – Ela gosta de ceviche!
- Sim, mas ela gosta com pão.- acrescentou Jake.
Sawyer sentiu vontade de rir, mas conteve-se porque queria parecer sério para os meninos.
- E a cor favorita dela?- ele continuou perguntando.
- Banco.- disse Lucy sorrindo.
- O que?
- Ela disse branco, papai. A cor favorita da mamãe é branco.- falou Noah.
- Muito bem.- disse Sawyer.
Ele continuou fazendo um monte de perguntas para as crianças e também pesquisou sozinho pela casa, descobrindo várias particularidades sobre Ana-Lucia que nunca tinha imaginado. Sabia que ela era policial e também que era durona e impaciente mas não sabia o quanto ela amava crianças e animais, principalmente os gatos. Descobriu também que ela amava sorvete de pistachio assim como ele, e que eles tinham se conhecido na força policial porque ele era psicólogo e tinha ajudado a traçar o perfil de vários criminosos.
Psicólogo! Sawyer exclamou em pensamento. Como ele poderia ser psicólogo? Na ilha era um manipulador que conseguia o que bem queria das pessoas, fora dela era um golpista. A ilha. Percebeu que não pensou nela a maior parte do dia. Aquela realidade agora parecia tão distante como se nunca tivesse existido. Sawyer começou a acreditar que realmente tivesse tido uma concussão acidental e que nunca caíra numa ilha, a ilha onde Ana-Lucia morria.
- Papai!- gritou Noah tirando-o de seus devaneios. – Terminamos de arrumar a mesa para o jantar. – anunciou orgulhoso. – Eu e o Jake! Nós vamos ganhar o jogo porque a mamãe vai ficar feliz.
Ele sorriu e olhou no relógio de parede da sala. Já passavam das seis horas, Ana-Lucia deveria estar chegando logo. Não sabia qual era o número do celular dela, mas acabou descobrindo-o em seu próprio telefone quando conseguiu decifrar a senha dele mesmo. Colocou Jake para falar com ela, pedindo que viesse para casa para o jantar. Ela disse que iria. Sawyer achou melhor assim, imaginou que se falasse com ela diretamente, Ana poderia ter dito não.
Seguiu Noah para a cozinha e encontrou a mesa posta como ele tinha instruído, exceto que os garfos e facas estavam colocados ao contrário ao lado dos pratos. Sawyer deixou assim pensando que Ana acharia bonitinho que os filhos tivessem arrumado a mesa do jeito deles. Com a ajuda de um livro de receitas, ele conseguira preparar o ceviche usando o arroz branco e a batata doce que encontrou na despesa; os frutos do mar ele pediu de um restaurante. Para as crianças ele tinha feito frango frito com vegetais. Fazia muito tempo que não cozinhava e percebeu que tinha gostado muito de fazê-lo novamente.
Sawyer vestiu-se com uma camisa branca de botões e jeans casual "para agradar a patroa" disse em pensamento. Deu banho nas crianças com certa dificuldade mas no final do dia tinha as crianças arrumadas impecavelmente para o jantar. Tinha até conseguido com que Lucy tirasse uma soneca antes de Ana-Lucia chegar.
Ele andou pela casa com a filha no colo revisando tudo o que tinha feito: aspirado o pó dos carpetes, colocado a roupa suja na máquina de lavar, tirado a poeira dos móveis, colocados os para guardarem seus brinquedos, passeado com o cachorro, alimentado a gata, limpado a lama da cozinha e feito o jantar. A expectativa era que ele fosse conseguir pelo menos um sorriso genuíno dela naquela noite. Até acordar naquela vida ele não tinha percebido ainda o quanto o sorriso dela era lindo.
- Papai! Papai!- gritavam os meninos sentados no sofá de frente para a janela que dava para a entrada da casa.
- A mamãe está vindo!- contou Jake segurando um pesado binóculos que pertencia ao seu avô Cortez.
- Certo!- disse Sawyer vamos todos para a cozinha agora.
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Ana-Lucia estacionou o carro na entrada da casa e caminhou para a porta falando com Kate ao telefone.
- Amiga, eu estou até com medo de entrar em casa. Já estava uma bagunça quando eu saí de manhã...eu espero que ele pelo menos tenha feito alguma coisa decente para as crianças comerem...
Ela desntrancou a porta e entrou na casa. Despediu-se de Kate e chamou pelos filhos.
- Crianças, mamãe chegou.
Mas ninguém respondeu.
- Crianças! James? Eu estou em casa.
Locke passou por ela no corredor e Ana acariciou-lhe a cabeça.
- Cadê todo mundo?
Ela entrou na cozinha que estava escura e pegou um susto quando as luzes se acenderam de repente iluminando um lugar impecável, com uma mesa servida para cinco e um cheiro delicioso de ceviche no fogão.
- Supesa!- gritou Lucy empolgada, saltitando pela cozinha ao encontro da mãe que estava sem fala.
- Acho que ela ficou feliz, papai.- disse Noah.
- Ganhamos o jogo!- comemorou Jake.
- Boa noite, amor.- Sawyer disse para Ana-Lucia com seu sorriso mais sexy enquanto Lucy abraçava os joelhos de sua mãe.
- Uau!- foi tudo o que ela conseguiu dizer.
Continua...
