An Unexpected Partner
Capítulo 4 – Milk
Eu acordei com um peso extra em cima da minha barriga, o que provavelmente foi isso que me fez acordar, considerando o quão deliciosa era aquela cama e o quão bem eu dormi.
Assim que abri os olhos bem sonolenta eu olhei para a minha barriga, que aparentemente virou cama de um lindo gato branco que parecia pesar uns 6 kg de tão gordo e peludo. Sua cara era tão gordinha que automaticamente eu sabia que era um rapaz.
— Anw, como você veio parar aqui meu amor? – falei, a voz grogue de sono enquanto tirava minha mão debaixo do cobertor e estendia até o pequeno felino e fazia carinho em sua cabeça, o gato abriu seus grandes olhos azuis e bocejou. Eu ri baixinho fazendo carinho.
Ok. O gato deveria ser de alguém, ele estava muito bem cuidado, ele deveria estar escondido em algum canto com o tumulto da mudança, eles geralmente não gostam de tumulto.
Bom, agora eu provavelmente ficaria ali até o digníssimo sentir vontade de sair. O problema é que agora que acordei eu quero ir ao banheiro.
— Rapaz, acho que vou ter que te tirar daí – eu falei, mas não tive nenhuma reação, das duas uma, ou ele era surdo, ou estava me ignorando, mas sabendo que ele é um gato, eu ia apostar na última.
— Ok rapaz, eu tenho necessidades assim como você – falei e então peguei o gato delicadamente e coloquei ele para deitar no outro lado, ele olhou para mim ofendido e se ajeitou na cama e voltou a dormir me ignorando. Eu dei uma risadinha e me levantei e fui rapidamente fazer minhas necessidades.
Assim que saí do banheiro, eu bocejei e olhei para a cama, aonde o gato havia ido para um dos travesseiros e deitado em cima. Nem é folgado. Tirei minha camisola e peguei uma calça quentinha e um cardigan. E fui até a cama, sem resistir ao charme do gorduchinho.
Assim que me deitei de barriga para baixo coloquei meu rosto próximo ao do gatinho.
— Você é tão fofinho – falei com voz infantil, comecei a passar a mão no gatinho que começou a ronronar e eu suspirei totalmente rendida – de quem é esse nenê lindo? Quem é o nenê mais lindo?
Ele então se esticou e virou a barriga para mim. Qual a probabilidade de ele me unhar toda se eu enfiar a cara nesse buchinho? Acho melhor não arriscar. Continuei fazendo carinho até conseguir puxar o gatinho para perto e conseguir aconchegar ele em meus braços. Ele bocejou e seu bafo atingiu meu rosto, fiz uma careta, mas continuei fazendo carinho.
Quando dei por mim, eu tinha dormido de novo, e o gato estava quase me sufocando com seu peso que ele havia apoiado em meu pescoço.
Me afastei ganhando um miado de protesto e olhei para o relógio. Era quase meio-dia. Porra, dormi demais.
— Tanto quanto você é um ótimo parceiro de cama, eu acredito que não tenho o mesmo pique que você, Sr. – falei para o gato, fui no banheiro e escovei meu dente, penteei meu cabelo e fiz um coque frouxo e sai pela porta. Desci as escadas até a cozinha onde minha mãe e Carlisle estavam cozinhando juntos.
Eu ainda levaria tempo para me acostumar com isso.
— Bom dia, ou melhor, boa tarde – falei para eles, me sentando na bancada – fazia tempo que eu não dormia tanto assim.
— Às vezes é bom tirar um dia para descansar – Carlisle falou para mim, após falar bom dia.
— Bom dia querida – minha mãe falou beijando minha testa, eu sorri para ela.
— Onde estão todos?
— Alice está no quarto lendo um livro, Emmett saiu para comprar uns ingredientes que estão faltando para nós e Edward está lá fora louco atrás do seu gato.
— O gorducho é do Edward? – perguntei surpreendida.
— Gorducho? – minha mãe perguntou confusa.
— Gato branco, grande e bem gordo – falei.
— Esse seria o Milk sim – Carlisle falou – ele está com você?
— Dormiu comigo – falei – está lá na minha cama dormindo, inclusive.
— Ah que bom, ele estava tão preocupado – minha mãe falou – vá lá avisá-lo, Bella, ele está lá fora procurando.
— Tá bom – falei revirando os olhos e me levantando.
Assim que sai na garagem pude ouvir o som distante da voz de Edward. Ele claramente era apegado ao gato, considerando que ele estava debaixo de uma chuva fina nesse frio do caralho, no meio da floresta procurando por um gato.
Isso era tão doce da parte dele, definitivamente um lado dele que eu não conhecia, e confesso, não esperava essa dedicação a um bichinho vindo dele.
Segui sua voz por entre as árvores, seu tom era claramente de alguém preocupado.
— Milk – ele chamava.
— Edward – gritei, me aproximando ainda mais da sua voz, que a cada passo que eu dava ficava mais forte.
— Bella? – ele gritou confuso e então eu o encontrei entre algumas árvores.
— Ei, vamos para casa está chovendo – falei, limpando meu rosto molhado da chuva, apesar de ser uma chuva fina, ainda molhou minha roupa o suficiente para eu tremer de frio – seu gatinho está lá dentro.
— Você o achou? – ele perguntou, o alívio claro em seu rosto – graças a Deus, onde ele estava?
— Acho que ele entrou no meu quarto em algum momento antes de eu ir pra cama ontem, e quando eu entrei eu fechei a porta. Ele dormiu comigo. Eu só o vi hoje cedo quando ele me acordou com seu peso em cima de mim – falei.
— Ele dormiu com você? – ele perguntou espantado – eu deveria ter imaginado, mas não acredito que ele se aconchegou com você, ele não é um gato muito sociável, na verdade acreditava que era o único que ele gostava.
— Ele adotou você fortemente então – ri – agora vamos, eu estou morrendo de frio.
— Sim, obrigado Bella – ele falou e seguimos de volta para casa em um silêncio confortável.
Assim que abrimos a porta vimos Milk, ele estava sentado no último degrau da escada que subia para os quartos. Assim que ele nos viu veio até nós e começou a se esfregar nas pernas de Edward, que rapidamente o pegou no colo o aconchegando contra seu peito.
— Milk, você me preocupou – ele falou já se afastando e levando o gato com ele.
Fui até meu quarto correndo e tirei a roupa úmida, e entrei de baixo do chuveiro quente para me aquecer. Assim que saí do banho coloquei outra roupa quente.
Aproveitei para arrumar minha cama, aproveitando que o gatão saiu, e peguei alguns livros de contabilidade e lista de preços dos produtos que eu e Rosalie tínhamos que comprar e desci de novo, me sentando na mesa perto da cozinha.
Eu estava com fome, mas eu iria esperar o almoço. E comecei a fazer as contas e logo um corpo peludo começou a roçar nas minhas pernas, me fazendo levar um susto. Eu ri baixinho e me virei pro lado da cadeira vendo o grande gorducho deitado debaixo dos meus pés.
— Mas você é folgado em menino? – perguntei.
— Ele gostou mesmo de você – Edward falou me assustando, já que eu não havia percebido que ele estava ali parado observando-me.
— Ele é uma graça Edward – falei sinceramente – onde o achou?
— Ele estava perto de uma lata de lixo do lado de fora do meu dormitório na faculdade. Eu só o peguei, meu colega de quarto não se importava, então ele ficou comigo.
— Que bom que ele lhe achou – falei – a maioria não tem tanta sorte.
Ele assentiu.
— Quando vim pra cá fiquei preocupado, já que aqui não tem veterinário, fiquei aliviado quando soube de você e Rosalie.
— Não se preocupe, eu cuidarei desse rapaz, ele ficará forte e saudável – eu falei me abaixando para coçar atrás de suas orelhas.
— Obrigado Bella – ele falou dando um sorriso pra mim, e então ele se afastou e eu voltei a olhar para as minhas contas meio surpreendida pela percepção que eu e Edward tivemos em menos de 24 horas uma interação que não envolve trocas de farpas.
—x—x—x—
3 dias depois...
— Quanto está o aluguel dessa casa? – perguntei enquanto observava melhor os detalhes.
— US$ 1200 – o corretor falou. Eu olhei para Rosalie e inclinamos a cabeça em nossa comunicação silenciosa, era um bom preço, por um espaço realmente bom.
— Tem possibilidade de reforma? – eu perguntei, porque teríamos que inevitavelmente mexer em algumas coisas.
— Infelizmente não – o corretor falou me fazendo fazer uma careta. Isso era perda de tempo.
— Então não serve para nós – Rosalie disse – olha, nós precisamos de um local espaçoso com um grande quintal, onde poderemos fazer uma espécie de estábulo para aceitar animais de grande porte.
— Isso vai ser difícil – o corretor falou.
— E é por isso que estamos lhe pagando – falei – encontre esse lugar. Veja até mesmo entre lugares para vender.
— Isso pode levar um pouco mais de tempo.
— Não podemos perder tempo, preciso que você foque seus esforços nisso. A cada dia que perdemos, mais tempo leva para começarmos a fazer dinheiro.
— Darei o meu melhor srtas.
— Bom – Rosalie falou – vamos Bella.
Eu e Rosalie saímos da casa e fomos até a picape, assim que entramos eu dei partida.
— Era uma boa casa.
— Muito boa, o quintal é enorme.
— Ele só fez a gente perder nosso tempo vindo aqui, falamos desde o início o que queríamos.
— Isso é mais cansativo do que pensei que seria – Rosalie disse.
Concordei, enquanto suspirava. Nem abrimos a clínica e já estávamos cansadas.
— Podemos fechar o contrato em relação aos materiais? – perguntei.
— Sim, vai levar algumas semanas para chegar, teremos que ir buscar sem Seattle. Não entendo isso de não poder entregar aqui.
— Eu também não, vamos nos programar, o prazo para estar tudo lá é duas semanas. Hoje eu já vou colocar o pedido no correio, deve chegar por volta de sexta feira em Seattle, umas duas semanas para providenciarem tudo. E então ir lá pegar e pagar.
— Bom, pelo menos uma coisa conseguimos resolver hoje – Rosalie disse.
— Pelo menos uma coisa.
— Sim, bom, agora vamos falar sobre coisas boas. E aí? Como está sendo a estadia na residência Cullen?
— Estranhamente divertida – falei – o que é uma baita surpresa, sabe. No sentido de que eu realmente não acreditava que iria gostar tanto. Emmett é hilário, a Alice é realmente muito legal, minha mãe e Carlisle são absolutamente nojentos, mas o mais surpreendente na verdade é o Edward.
— O que tem ele?
— Você sabia que ele tem um gato? O nome dele é Milk. Ele é obcecado pelo gato dele. Obcecado. Ele cuida do gato como se fosse o filho dele.
— Isso é realmente fofo – Rosalie falou.
— Eu sei. Quem diria? Eu jamais imaginaria.
— E como vocês dois estão reagindo um ao outro? – Rosie perguntou.
— É quase como se tivéssemos um acordo mútuo de que não iríamos atrapalhar o relacionamento de nossos pais, então assim. Não interagimos muito, mas quando interagimos é de forma cordial um com o outro. É estranho, e hoje vamos ter a aula de dança.
— Eu tinha me esquecido sobre isso, eles realmente vão fazer isso com vocês?
— Vão – eu falei gemendo – não me leve a mal, eu amo dançar, eu amo de verdade, mas eu não consigo me imaginar tendo Edward como parceiro de dança.
— Nem eu consigo imaginar vocês dois – Rosalie riu.
— Venha fazer aula com a gente, vamos – eu pedi.
— Vou pensar.
— Pensa com carinho viu.
— Tá bom garota, agora vamos no Embrace's Restaurant, que eu to com fome e quero um milk shake e panquecas com muita calda e talvez, só talvez, uma fatia de torta de maçã.
— Está com fome mesmo, hem – falei surpreendida.
— Acordei tarde hoje e pulei o café por estar atrasada.
— Se você tivesse dito a gente tinha passado em algum lugar antes – falei enquanto estacionava na frente do Embrance's.
— O importante é que vou comer agora – ela disse saindo do carro animada.
O Embrance's Restaurant foi inaugurado aqui em Forks na década de 20, e decorado no melhor estilo Diner, ele tem um formato de vagão de trem, ele tinha um longo balcão onde você poderia sentar e pedir sua comida, mas também algumas mesinhas com sofás acolchoados uma atrás da outra que acomodava melhor pequenos grupos. O chão era um eterno jogo de xadrez com a mistura de lajotas pretas e brancas, a parede era de um azul esverdeado berrante que dava um tom alegre ao ambiente. E sempre estava lotado. Era um dos melhores points de Forks, e na nossa adolescência nós viemos muito aqui depois da aula.
Assim que entramos o cheiro de comida nos atingiu além do barulho de conversa e fritura, o lugar estava cheio como sempre, mas rapidamente conseguimos achar uma mesa desocupada, onde nos sentamos. Eu e Rosalie preferíamos a mesma, pois o acento era muito mais confortável que as banquetas no balcão.
Logo uma garçonete veio nos atender, fizemos nossos pedidos rapidamente.
— Não mudou muita coisa – falei.
— Não mesmo, espero que a comida continue boa.
— Eu também espero.
— Você não sabe o que eu descobri – Rosalie disse, o olhar divertido em seu rosto.
— O que?
— Jacob Black se assumiu gay.
— Mentira – falei, meus olhos se arregalaram ao pensar no meu namorado do 1 ano do ensino médio. Eu sempre soube que ele era gay, afinal, ele olhava muito pra bunda dos meninos e ele não queria me foder, então isso foi um bom indicativo na época, mas o pior foi quando eu tive a prova. Edward havia me feito encontrar Jacob beijando um menino no baile de formatura, eu fiquei devastada.
— Verdade, ele se casou inclusive e voltou a morar em La Push.
— Que bom que ele assumiu, deve estar bem mais feliz – falei, e realmente deveria, esconder quem você verdadeiramente é deve ser horrível.
— Com certeza.
Logo nossa comida chegou. Rosalie tinha realmente seu milk shake com panquecas, e eu pedi um chá gelado e um pedaço de torta de frutas vermelhas. Eu e Rosalie fomos conversando sobre a clínica, cartões de visita, slogan da nossa marca e outras coisas que ainda faltavam ser definidas.
Foi um susto quando duas pessoas se sentaram ao nosso lado.
— Olha quem imaginaria que encontraríamos vocês aqui – Emmett falando se jogando do lado de Rosalie e lhe jogando um olhar sedutor, Edward se sentou ao meu lado, eu sorri para ele, não um sorriso completo, aquele sorriso por educação.
— E Aí Emm – falei – Edward. O que fazem por aqui?
— O mesmo que as damas, viemos comer, eu preciso de bacon, ovos e panquecas com muita calda – ele respondeu.
— Não queríamos cozinhar – Edward ressaltou.
— Ah a preguiça – falei balançando a cabeça positivamente – isso eu entendo bem.
Logo uma garçonete se aproximou e eles fizeram seus pedidos, aproveitei para pedir uma coca e Rosalie pediu seu pedaço de torta de maçã.
— Edward, quando vai começar a trabalhar no hospital de Forks?
— Daqui a dois meses – ele disse – eu tirei um tempo de férias depois da faculdade, Deus sabe que eu preciso de um descanso.
— Quem vê pensa, ele está sempre estudando – falei bufando – toda vez que vejo ele, ele tem uma cara enfiada num livro.
— Só porque eu estou parado, não significa que eu parei de estudar, afinal, medicina é uma profissão ampla demais, se eu me especializar em mãos eu posso passar a vida estudando e provavelmente sempre vai surgir algo novo.
— O ruim de áreas médicas – Rosalie falou concordando – sempre se descobre algo novo. Você deveria estar estudando também, Bella.
— Eu estou, só não passo o dia todo fazendo isso. Até porque eu ficaria doida, minha mente precisa de descanso.
— Eu te entendo Bella, tem dia que eu só quero ficar na cama relaxando, ou no sofá vendo televisão – Emmett disse – principalmente depois de uma semana de treino pesado.
— Deus me livre, eu não nasci pra vida de esporte não – falei e olhei para Edward – você ainda nada?
— Às vezes – ele disse – não tanto quanto eu gostaria.
— Que pena – comentei e logo a comida chegou e os meninos passaram a comer em meio a conversa. Eu só percebi o quão fácil foi manter uma conversa agradável com Edward quando estávamos saindo, nos quatro rindo de uma história que Emmett contou da faculdade e eu me apoiei em Edward para não cair no chão de tanto rir.
— Como diabos você se mete nessas coisas? – Edward perguntou incrédulo – Andar nu no campus em plena luz do dia?
— Eu estava bêbado.
— Você faria isso até sóbrio – Edward bufou o que me fez rir ainda mais.
— Parem vocês – Rosalie disse entre risos – eu estou com dores já.
— Ei, sabe o que seria uma boa? – Emmett perguntou depois de alguns minutos, eu estava apoiada na minha picape agora.
— O que? – perguntei.
— Vamos na Hell's Candy, em Port Angeles, hoje à noite depois da aula de dança?
— E tem aula de dança hoje? – perguntei com uma careta.
— Tem – ele riu – às 16 horas, dá tempo de irmos para casa, tomar um banho, trocar de roupa e ir.
— Por mim pode ser – Rosalie falou.
— Eu topo – Edward disse.
— Claro, vamos lá, vai ser divertido.
— Ótimo, vamos lá Edward, te vejo mais tarde em casa Bella, até depois loirinha – Emmett disse puxando uma mecha de cabelo de Rosalie.
Assim que ele saiu eu olhei para Rosalie sorrindo maliciosamente.
— Até depois loirinha – imitei a voz de Emmett.
— Vai se foder, Bella – Rosalie disse me afastando para abrir a porta da picape e eu dei volta rindo antes de entrar no carro e dar a partida.
