An Unexpected Partner
Capítulo 14 — Castelo de Areia
Acordei no outro dia, a cabeça doendo horrivelmente. Minha cabeça latejava tanto que era tudo que eu conseguia processar no momento. Eu me movi um pouco e foi quando eu percebi que estava deitada sob um corpo quente e que nossas peles estavam muito, mas muito nuas.
Eu me assustei levantando a cabeça de uma vez, fazendo um gemido de dor passar por meus lábios. Minha vista estava tão embaçada que levei um tempo para tentar me orientar no quarto escuro. Mas quando consegui eu percebi que eu estava em cima de Edward.
Eu estava em cima de Edward.
Uma sensação gelada desceu por minha espinha enquanto minha mente clareava e eu tentava entender o que aconteceu.
Oh meu deus, eu fiz sexo com Edward Cullen.
Eu tentei lembrar da noite anterior, mas tudo que me vinha à cabeça eram pequenos flashs de memória, mas eu conseguia lembrar da tequila. Das muitas doses de tequila. E de... eu beijando Edward Cullen.
Eu.
Euzinha.
Eu, Isabella Marie Swan, beijei Edward Cullen.
Eu acho que vou passar mal.
Eu me desvencilhei do corpo de Edward. E olhei para seu corpo nu por um momento e fiquei realmente impressionada, porque era um corpo nu muito bom.
Mas essa não era a questão no momento.
Como diabos eu fiquei com Edward Cullen? Eu nem gosto dele. Oh deuses, isso vai ser fodido.
Fui para o banheiro sem fazer o menor barulho, pois eu não tinha a menor condição de falar com ele. Eu entrei no banheiro silenciosamente e liguei a luz.
Fiquei cega momentaneamente e minha cabeça latejou ainda mais. Quando finalmente consegui enxergar sem minha cabeça parecer que vai explodir eu dei uma olhada no meu corpo pelo espelho e fiquei gelada novamente.
Eu tinha marcas de mãos nos meus seios que estavam um pouco avermelhadas, chupões em meu pescoço, lábios inchados, meu cabelo parecia que um pássaro fez um ninho nele. Mas indiferente a tudo isso, meus olhos estavam focados na minha virilha onde patinhas de gato estavam tatuadas caminhando em direção a minha barriga.
Patinhas de gato preta.
— Minha mãe vai arrancar meu couro na base do tapa — murmurei e passei o dedo na área machucada da minha nova tatuagem.
Virei de lado, com medo de encontrar alguma coisa, e realmente encontrei, minha bunda vermelha com marcas de dedo e... O que diabos? Uma mordida. Eu pisquei algumas vezes olhando para aquilo. E respirei fundo algumas vezes, o pânico crescente subindo pelo meu peito.
Eu poucas vezes tive uma crise como essa, eu realmente sentia que iria perder a cabeça. Meu corpo tremia, meu pulmão parecia que não iria encher de ar o suficiente. Eu queria me esconder, eu olhei para o chuveiro e na minha ressaca e pânico crescente eu ainda conseguia lembrar que talvez isso pudesse me ajudar.
Então entrei no banho e deixei a água escorrer pelo meu corpo por um longo tempo, tempo o suficiente para que eu conseguisse respirar, e minha mão parecia tremer, mas por dentro eu ainda sentia que precisava fugir.
Então foi aí que tomei a decisão de sair. Eu precisava sair. Eu precisava me acalmar. Eu não conseguiria olhar para Edward agora e nem falar sobre isso.
Eu precisava de espaço e tempo.
Então comecei a me lavar rapidamente, lavei meu cabelo para amenizar a confusão que estava. Sai do banho correndo, me secando o melhor que consegui. Eu já ia sair quando eu parei, e encostei a orelha na porta do banheiro ouvindo se tinha algum indício de que Edward havia acordado, mas não ouvi nada.
Por favor, não acorde. Por favor, não acorde.
Abri a porta e espiei antes de sair, e vi que ele ainda dormia. Fui até minha mochila e peguei minhas roupas limpas e as coloquei rapidamente. Peguei minhas botas, minha bolsa com carteira e tudo mais e a chave do hotel e saí silenciosamente dando uma última olhada para Edward.
No corredor eu respirei aliviada, como se um peso grande saísse de mim. Calcei minha bota no corredor, me apoiando na parede, algumas pessoas passaram por mim, mas eu as ignorei.
Fui andando até a recepção do hotel e sorri para a atendente.
— Oi, você, hm — parei e pensei — você teria algum remédio para ressaca?
A mulher riu antes de abrir uma gaveta e tirar um comprimido me entregando, eu agradeci e tomei de uma vez. Desceu rasgando sem a água, mas tudo bem. Eu tinha problemas maiores no momento.
— É, você poderia dizer para o meu colega que eu saí — eu falei, achando melhor deixar um recado para Edward, para que ele não surte e saia me procurando. Tive então uma ideia que me ajudaria a ter mais tempo para mim — diga a ele, que ele poderia ir para casa com o carro, que eu o encontro em nossa cidade.
A mulher anotou tudo num papel e sorriu para mim, eu agradeci novamente e sai do hotel.
Respirei bem fundo e olhei em volta. Eu não sabia o que fazer, mas andar parecia uma boa. E foi isso que eu fiz.
Enquanto eu andava pela cidade sem rumo, tendo atenção de ficar em ruas movimentadas para minha segurança eu tentei lembrar da noite passada. Ainda mais agora que eu sentia minha dor de cabeça passando.
Eu e Edward estávamos nos beijando, eu que o beijei. E foi bom, foi realmente bom. Eu não conseguia lembrar o que me fez beijá-lo.
Pensando sobre isso eu consegui me lembrar de alguma coisa...
— Você tem certeza de que quer fazer isso? — Edward me perguntou, seus lábios próximos ao meu e eu assenti e mordiscando seu lábio inferior antes de me virar para o outro homem ali e assentir.
— Sim, eu quero tatuagem. Uma homenagem para Milk Shake, eles são meus também — falei para Edward e então olhei de novo para ele — assim como você.
Meu. Eu o chamei de meu.
Meu Deus, que vergonha. Será que eu me aproveitei de Edward? Afinal ele deve estar tão bêbado quanto eu. Mas se as marcas no meu corpo foram indicações ele me queria.
Mas como ficaria agora? Eu não acho que queria ter algo com ele, mas fica estranho agora que nossos pais vão se casar. Seremos meio-irmão, isso não seria certo.
Acabei parando na frente de uma Starbucks, e resolvi entrar para comer alguma coisa e beber alguma coisa. Pois eu já me sentia desidratada depois de ontem e ainda estar andando faz um tempo sem ter bebido e nem comido nada.
Comprei uma água e pedi um moca quente, e um pedaço de bolo de chocolate. Eu precisava de açúcar no sangue. Me sentei em uma mesinha perto da janela e pude olhar o tráfego do lado de fora.
Fechei os olhos por um momento. O que eu fiz? Estávamos indo tão bem. Agora eu estraguei tudo. Estragamos tudo.
Eu me sentia realmente mal, meu coração doía, parecia que estava sendo apertado dentro do meu peito. Pude sentir lágrimas se acumulando em meus olhos. Eu não sabia o que fazer.
Eu sabia agir como a Bella inimiga jurada de Edward. Eu sabia agir como a Bella amiga de Edward. Eram territórios que eu conhecia, eu sabia lidar com eles. Mas eu não sabia como ser a Bella que beijou e dormiu com Edward.
Gostaria de voltar no tempo e mudar as coisas.
"Listen to your heart, when he's calling for you 'take a listen to it', listen to your heart, there's nothing else you can do 'take a listen to it' I don't know where you're going, and I don't know why, but listen to your heart, before you tell him goodbye (Ouça seu coração, quando ele esta chamando por você 'de ouvidos a ele', ouça seu coração, não há mais nada que você possa fazer 'de ouvidos a ele', não sei para onde você esta indo, ou porque, mas ouça seu coração, antes que você o diga adeus).
Pisquei, surpreendida, enquanto de repente me tornava ciente do mundo à minha volta e Listen to your heart do Roxette tocava na rádio. Eu olhei e percebi que havia bebido e comido tudo que havia comprado e nem percebi.
E surpreendentemente já se passava das 15 horas. Eu estava ali sentada a horas. E outra coisa que eu percebi é que eu tinha chorado, já que meu rosto estava inchado.
Eu limpei minhas lágrimas, peguei minha bolsa e comprei mais uma água e sai do Starbucks, fui para rua e fiquei esperando um táxi passar. E todos que avistei não pararam, mas finalmente um parou.
— Eu gostaria de ir para a rodoviária, por favor.
E assim que eu fechei a porta do carro o taxista deu partida. E eu me encostei no banco.
Eu não estava mais perto de me acalmar do que estava na hora que acordei.
Merda.
—x—x—x—
Assim que cheguei em casa eu olhei e vi que Edward não havia chegado ainda. Por um momento fiquei preocupada, será que a mulher esqueceu de dar meu recado? Mas depois fiquei aliviada, eu não estava pronta para falar com ele ainda.
Subi as escadas até a porta e a abri com a chave. Olhei em volta e vi que Emmett e Rosalie estavam ali sentados um do lado do outro se beijando no sofá. Quando eu entrei, eles se afastaram no susto.
Eu não tive forças nem para provocar os dois. Só acenei.
— Bella, oi — Rosalie disse meio desconcertada — eu é... como foi lá? Deu tudo certo?
— Hurum, tudo certo — falei andando em direção a escada — Eu e Edward viemos separados, logo ele chega. Eu estou com muita dor de cabeça, vou pro meu quarto, depois nos falamos melhor.
E antes que qualquer um deles pudesse falar algo eu subi as escadas e entrei no meu quarto, e tirei minha roupa e pegando um pijama fofo que eu gostava e me enfiando debaixo das cobertas, mas não consegui dormir. Levantei e coloquei um vinil qualquer na vitrola e voltei para a cama. Logo começou a tocar I Want To Know What Love Is do Foreigner. Bufei, deitando na cama e colocando o braço sob meus olhos.
Minha mente não conseguia parar de girar em círculos de memórias. Quanto mais tempo passava, mais eu tinha flashes de memória.
"I've got nowhere left to hide, It Looks like love has finally found me (Naõ tenho mais lugar para me esconder, parece que o amor finalmente me encontrou)"
Do seu corpo sob o meu, de meus lábios em seu corpo, de seu toque brusco e desesperado. Da sensação de tê-lo dentro de mim. Se eu fechasse os olhos eu podia lembrar a exata sensação. E isso só fazia eu ficar ainda mais perdida.
Levantei de supetão e desliguei a música. Eu não sabia o que queria. Não sabia se estava pronta para decidir sobre isso.
—X—X—X—
Uma hora depois a porta do meu quarto abriu de uma vez e eu me assustei olhando para ela. E um Edward muito chateado olhava para mim.
Foda-se, eu não estava pronta para isso.
— Fugindo de novo, não é Isabella?
— Desculpe? — perguntei confusa.
— Você. Fugindo de novo — ele falou, seus olhos cheios de raiva para mim.
— Eu não fugi — eu falei, mas parei, porque tecnicamente eu fugi sim — olha, eu não estou sabendo lidar com isso agora.
— E então você fugiu, como sempre faz.
— Eu não faço isso — falei, agora ficando um pouco irritada.
— Ah você faz sim — ele disse se aproximando — mas você é cega para as coisas, então você não vê o que faz.
— Ah, então você me conhece melhor do que eu, então.
— Não, mas eu sei ver o óbvio — ele disse de forma sarcástica — Quando minha mãe foi embora, e eu comecei a te tratar mal, ao invés de me confrontar e enfrentar, você fugiu escolhendo o caminho mais fácil, me tratando mal de volta. Quando seu pai morreu, você fugiu do seu sofrimento, o que antes era uma birra de crianças virou uma briga séria, você virou quase uma valentona descontando tudo em mim. Você lembra? Quando eu te mostrei a verdade sobre Jacob, o que você fez? Adivinha só — ele gesticulou sua voz exasperada, com um misto de raiva e sua expressão era quase frenética — você fugiu de novo. E agora eu e você fodemos e o que você faz? Foge.
Edward então riu, uma risada sem nenhum humor e eu fiquei ali olhando para ele. Eu nunca tinha visto ele assim. E apesar de tudo que ele fez, ele nunca falou comigo assim também. E isso me deixou com raiva. Que direito ele tinha de falar comigo assim?
— E quem você acha que é para falar comigo assim? Você não é nada meu. Não tem esse direito. Como eu ajo ou deixo de agir diante das coisas na minha vida não é da sua conta.
— Com certeza não é da minha conta. Eu desisto, Bella. Desisto — ele falou então a sua postura mudou completamente, seus ombros caindo e seu rosto perdendo toda a raiva, ficando somente triste e até decepcionado — Eu desisto de você. Você não consegue ver o que está bem a sua frente, não consegue lidar com as coisas. E pensar, que achei que teria alguma chance com você, que você me deixaria amar você. Eu deveria saber melhor que isso.
Então ele riu de novo, novamente a risada sem humor.
— Eu realmente deveria ter imaginado isso — então ele jogou a chave da caminhonete para mim e saiu do quarto batendo a porta e eu fiquei ali parada sem saber como processar tudo que ouvi. E como um castelo de areia já rachado eu simplesmente desmorono.
