An Unexpected Partner

Capítulo 15 — Mãe

2 dias depois...

— Um, dois. Direita, três, quatro, para trás, cinco e seis — Charlotte dizia enquanto continuava junto com Peter mostrando os movimentos, a música hoje era Cereless Whisper do George Michael, e parecia até de propósito.

De novo eu errei, pisando nos pés de Edward que tinha uma expressão estoica em seu rosto. Ele estava me ignorando a dois dias. Na verdade, estávamos nos ignorando. Eu ainda estava furiosa com ele, magoada e um pouco triste.

Suas palavras ressoando em minha cabeça sempre que fecho os olhos. Tento me concentrar em outras coisas, principalmente estando tão próxima dele e lembrando agora de tudo que fizemos juntos.

Eu estava muito distraída, e isso estava complicando as coisas em tudo que eu fazia. A sorte é que na questão da obra, Rosalie percebeu que eu precisava de um tempo e estava supervisionando tudo. Nós ainda não conversamos. Eu precisava do meu momento agora e Rosalie me conhecia bem o suficiente para perceber isso. Que quando eu estivesse pronta, eu iria até ela.

Tropecei de novo nos meus pés, e se não fosse pelo braço firme de Edward em minha volta eu teria caído.

— Parou — Charlotte falou e olhou para mim e para Edward — o que aconteceu? Vocês dois estavam indo tão bem, o que está acontecendo que mudou isso?

— Eu só não estou me sentindo bem — falei — prometo que farei melhor.

Ninguém comentou nada, principalmente porque a maioria já sabia que algo estava errado, mas não sabiam o que. Então todos ficaram quietos. Edward também não falou nada e logo voltamos à prática.

— Tudo bem, Bella. Mas o casamento está bem aí, não pode perder o ritmo.

— Não perderei — respondi, e respirei fundo antes de me virar de novo para Edward, e sem olhar para seu rosto, voltamos aos passos. Eu fiz o meu melhor para não errar mais até o fim da aula.

Assim que saímos Edward saiu primeiro, ele se despediu de todos falando sobre o hospital, e foi embora. Era assim que ele fazia agora, ele passava a maior parte de seu tempo no hospital, mesmo eu sabendo que ainda não havia começado a trabalhar ainda, ele passava o dia lá.

Fomos para casa e assim que eu entrei me despedi de todos e fui para meu quarto. O lugar em que venho me isolando aqui dentro. Assim que entrei vi Milk, ele dormia na minha cama e eu sorri.

Fui até ele e o peguei no colo o abraçando, ele miou protestando, mas não fez nada para tentar sair. Sentei na cama e me abracei nele e tentei pensar em qualquer coisa insignificante.

Eu estava me sentindo cada vez pior ao longo desses dois dias, eu tentava por um alfinete, eu tentei encontrar uma solução, eu conversei comigo mesma, nada funcionou e eu só parecia ir cada vez mais ladeira abaixo.

Minha mente me questionava tudo, e eu sentia até mesmo que meu corpo respondia ao meu sofrimento, pois eu realmente não conseguia ir além.

Parecia que uma bolha havia sido estourada sob meus sentimentos e estava tudo vindo para mim ao mesmo tempo. Era muito para suportar, acabei soltando Milk enquanto um gemido saiu por meus lábios.

Eu passei a ver tudo embaçado por causa das lágrimas acumuladas em meus olhos. Outro gemido escapou, e eu me abracei. Não vou ruir, não agora, não aqui. Eu não quero isso. Eu não quero isso.

Ouvi a porta do quarto ser aberta, mas não consegui forças para ver quem era, eu estava ocupada demais tentando puxar o ar e evitar que eu caísse no choro. Logo senti braços acolhedores me envolvendo e reconheci minha mãe automaticamente pelo cheiro.

Ela tinha cheiro de casa, um aroma que eu conhecia desde sempre, que era dela. Eu não sabia como descrevê-lo, só que ele era bom e era o cheiro dela.

— Shh, querida — minha mãe falou e tudo que eu segurava soltou, eu senti meu corpo relaxar enquanto um gemido agonizante saia de meus lábios e a torrente de lágrimas saia de meus olhos, me aninhei contra minha mãe, me embrulhando como uma bola para caber em seu colo e chorei.

Eu só chorei.

Não sei quanto tempo levou para que eu parasse de chorar, mas minha mãe ficou ali comigo o tempo todo, passando a mão em meus cabelos e me abraçando.

Quando finalmente o choro foi diminuindo eu respirei pesadamente e deitei a cabeça em seu pescoço e fiquei ali só respirando seu cheiro e me acalmando.

— Pronto, meu amor, passou — minha mãe murmurou — está tudo bem.

— Eu sinto falta do papai — falei, minha voz rouca de choro. Eu não sei por que eu diria aquilo agora, mas foi o que saiu — eu sinto muita falta dele.

— Eu sei, eu também sinto falta dele — mamãe disse.

— Por que você sente falta dele? Você tem Carlisle agora.

Senti o tremor de sua risada contra meu corpo, mas não tirei meu rosto de seu pescoço.

— É isso que pensa? Que por estar com Carlisle eu não posso sentir falta de seu pai?

— Não sei, mas acho que sim.

— Não, Bella, não é assim que funciona. Seu pai foi meu primeiro amor, ele era meu tudo, eu o amei profundamente e fui muito feliz com ele. Viver com ele só me trouxe coisas boas, por causa dele eu tenho você. E ele foi um excelente marido, eu não deixei de amar ele. Não, realmente não. Acredito inclusive que o amarei até após a morte. Mas isso não me impediu de amar de novo. Carlisle é um amor que veio na hora certa, quando eu estava pronta para ele. E eu me permiti sentir, eu o amo profundamente, ele me faz muito feliz. Acredito inclusive que poderia ser o amor da minha vida. Mas um não anula o outro de forma alguma.

— Mas e se papai estivesse vivo hoje?

— Eu ainda estaria com ele — minha mãe falou — eu acho muito difícil que eu poderia ter prestado atenção em Carlisle se fosse o caso. Eu só tinha olhos para o seu pai, da mesma forma que hoje eu só tenho olhos para Carlisle — minha mãe deu de ombros — é o tipo de mulher que eu sou. Mas infelizmente seu pai não está mais aqui. Mas felizmente Carlisle está e estamos felizes juntos. A vida me deu oportunidades e eu estou aproveitando, eu estou amando, eu estou vivendo e sendo feliz.

Eu fiquei em silêncio absorvendo isso e de certa forma um peso que não fazia ideia que sentia saiu do meu peito.

— Isso estava lhe incomodando, não é? — ela perguntou e eu balancei a cabeça positivamente — você sempre teve dificuldade de se expressar, guardar tanto para você não faz bem, eu já lhe disse isso.

Eu assenti novamente e manhosamente esfregando meu rosto contra seu pescoço.

— O que mais está te incomodando? Foi as coisas que Edward disse dois dias atrás? — ela perguntou, e eu enrijeci — sim, eu ouvi o que ele disse. Ele não mediu muito as palavras, não é mesmo? Mas de certa forma, acho que era exatamente o que você precisava ouvir.

— Eu não fujo — resmunguei levantando a cabeça um pouco para olhar para ela, que me olhava carinhosamente.

— Sim, você foge e sabe disso — ela disse calmamente — você tem medo de sentir fortes emoções, não sabe como lidar com elas. Quando algo ameaça te sufocar, você evita o confronto, passa para outro tópico.

Eu fiz uma careta, eu não gostava quando jogavam coisas sobre mim na minha cara.

— Está vendo, você sabe disso, é por isso que está tão irritada.

— Ok, ok — eu falei e me sentei olhando para ela — sim é verdade. Eu não sei o que fazer.

— Bom, vamos aos poucos então. Você e Edward tiveram uma noite juntos — ela falou e eu balancei a cabeça.

— Por favor, não vamos falar sobre isso. Você é minha mãe, eu fico com vergonha.

Minha mãe revirou os olhos.

— Ok, então você e Edward, aconteceu, e como você se sente sobre isso?

— Eu me sinto confusa. Eu não gosto do Edward, por que eu gostaria? Nós passamos a maior parte da vida brigando, e de repente eu estaria apaixonada por ele? — bufei e balancei a cabeça — não é assim que funciona.

Minha mãe ficou olhando para mim, com aquele olhar de quem sabe tudo e o rosto plano sem me dizer nada do que ela poderia estar pensando sobre.

— Hm, então você não gosta dele? — ela perguntou.

— Não — falei convicta.

— Ok, então vamos fazer algumas perguntas e você vai me responder honestamente.

— Tudo bem.

— Ok, vamos lá, quando Edward fez você tropeçar, lembra? A primeira vez que ele fez algo ruim para você que deu início a tudo isso. O que você sentiu?

Eu parei e pensei nisso. Era difícil lembrar de emoções que senti quando era tão jovem, mas uma emoção era a mais forte que era a primeira que me vinha à cabeça quando eu pensava nisso.

— Eu me senti traída.

— Por quê?

— Porque ele era meu melhor amigo, e eu gostava muito dele e nunca imaginei que ele pudesse fazer algum mal contra mim.

— Ok, e quando ele fez você ver Jacob com aquele garoto. O que você sentiu?

— Eu me senti traída novamente, não por ele, mas sim por Jacob. Apesar de ter desconfiado dele, eu nunca pensei que ele fosse capaz de fazer isso comigo, já que eu gostava muito dele e tínhamos uma amizade até muito forte. Mas quanto a Edward eu não sei, eu estava focada demais em Jacob para pensar sobre isso.

— Então pensa agora. O que você acha da atitude de Edward?

Eu parei e pensei sobre. Eu nunca gostei de ser enganada, então se eu pensar bem, eu fico agradecida com isso. Ele me ajudou a perceber que estava sendo enganada e evitar que ficasse ainda mais tempo naquela situação.

— Acho que agradecida.

— Certo, e o que você acha dele? — ela perguntou, ainda sem revelar nada sobre o que pensava de tudo isso.

— Como assim? — perguntei confusa.

— Como um homem, não como Edward, o amigo de infância, o inimigo mortal, como Edward. O que você acha dele? Bonito, feio, chato, engraçado. O que você acha?

— Ele é muito bonito, muito bonito mesmo, eu não posso negar isso. Ele tem um sorriso que realmente pode deixar uma mulher de pernas bambas, e ele é divertido, e ele é de uma forma bem idiota, muito fofo quando se trata dos gatinhos. É engraçado de ver, mas tão fofo. E ele realmente sabe conversar sobre qualquer coisa e ele é bem simples até, nunca se queixa de nada e para ele tudo está bom.

Minha mãe assentiu, e sorriu para mim.

— Só mais uma pergunta. O que sentiu quando o beijou pela primeira vez?

— Eu estava bêbada, eu não sei — falei dando de ombros.

— Pensa sobre isso, você deve lembrar do beijo.

— Lembro, mas lembrar o que eu senti? Não sei — falei dando de ombros.

— Pensa sobre a resposta está aí em algum canto.

— Eu... — eu fechei os olhos e lembrei daquele momento e sorri — eu senti que aquele foi o melhor beijo da minha vida, e que eu poderia beijá-lo pelo resto da minha vida.

Pisquei abrindo os olhos, meu corpo todo enrijecendo enquanto eu percebia o que falei em voz alta para minha mãe que agora me olhava sorrindo com uma cara de quem sabe das coisas.

— Meu deus, eu amo o Edward — falei de forma chocada.

— A muito tempo, se eu tiver que chutar — ela disse — na verdade vocês dois eram muito óbvios, da mesma forma que ele estragava todos os seus relacionamentos, você estragava os deles.

— Mas, mas eu pensei que...

— Que você estava se vingando. É eu sei, era essa a sua desculpa — minha mãe falou revirando os olhos enquanto balançava a cabeça.

— Era uma boa desculpa — assenti, mas ainda atordoada com tudo que eu não havia percebido. Como eu havia conseguido enganar tanto a mim mesma por tanto tempo?

Então lembrei que ele desistiu. Que ele desistiu de mim. E isso me partiu o coração e de repente meus olhos se encheram de lágrimas.

— Eu estraguei tudo não foi? Ele desistiu de mim.

— Não meu amor, ele quer desistir de você. É diferente. Ninguém deixa de gostar de alguém da qual gosta tanto tempo da noite para o dia. Você ainda tem tempo de falar com ele e vocês resolverem tudo isso.

— Você acha?

— Eu sei — ela respondeu e me puxou para seus braços — agora se deite e descanse, você está com uma carinha de quem não dorme faz um bom tempo. Amanhã será um novo dia e você poderá resolver sobre tudo isso.

Eu assenti e me deitei no colo da mamãe novamente e fechei os olhos e enquanto ela fazia cafuné na minha cabeça eu dormi profundamente.