TenTen e Neji eram amigos desde de pequenos, cresceram juntos, durante muito tempo TenTen fez o possível para esconder os reais sentimentos em relação ao Hyuuga, não podia se imaginar perdendo a amizade de uma vida, mas também não queria continuar fingindo que era a melhor amiga e companheira, ela queria mais, queria amar e ser amada. Em um momento de coragem ela se declarou e acabou sendo duramente rejeitada.

TenTen não podia reclamar muito do fora que tinha levado, se Neji não a tivesse rejeitado, ela jamais teria conhecido Hidan.

Capítulo I: Rejeição

TenTen estava parada de frente para Neji com a face corada e encarando o chão como se fosse a coisa mais interessante do mundo, metida em seu uniforme escolar com o cabelo preso em dois coques, a morena de belos olhos castanhos esperava uma resposta do garoto a sua frente.

Neji estava petrificado há cinco minutos, repentinamente seu uniforme escolar parecia abafado demais, ainda que fosse inverno, e ele cogitou seriamente cortar os longos fios castanhos devido o calor que sentia, não precisava de um espelho para saber que estava com a face vermelha, o que ele considerava ridículo, nunca ao longo dos seus quinze anos de vida se imaginou naquela situação tão constrangedora.

Os olhos perolados encaravam a garota a sua frente, sem dúvida TenTen tinha um tipo de beleza que fugia as outras garotas da escola, ela tinha um jeito mais moleca de ser, por isso ela era sua melhor amiga, estudavam juntos desde do maternal, eram vizinhos, e agora ela simplesmente resolveu se declarar, talvez não tenha sido tão do nada, já tinha algum tempo que ele notara os longos olhares que ela lhe lançava, mas penso que se ignorasse fortemente ela não teria coragem, estava errado.

TenTen sentia o corpo todo tremer e não era de frio, sabia que o rosto encontrava-se afogueado, mas se não se declarasse antes das férias perderia a coragem, sabia que Neji viajaria de férias com a família e ele poderia conhecer alguma outra garota, precisava dizer o que sentia de uma vez por todas, ao menos era o que todas as suas amigas diziam, ela admitia que não tinha planejado muito bem a conversa, apenas o puxou para o canto afastado e despejara sobre seu melhor amigo que gostava dele há dois anos, mas ele simplesmente ficava parado na sua frente, abrindo e fechando a boca feito um peixe fora d'água e com o rosto ficando ora vermelho, ora mais pálido que o normal, já estava começando a se arrepender e pensando em dizer que era brincadeira quando ele começou

— TenTen – ele engolira a saliva para continuar, aquela situação toda era tão surreal — Eu agradeço pelos sentimentos, mas infelizmente não sou capaz de correspondê-los — Se fosse qualquer outra garota que não lhe despertasse interesse ele teria dito um alto e sonoro não, mas ela era sua melhor amiga não podia ser grosseiro — Eu te vejo do mesmo modo que vejo a Hinata e Hanabi, espero que você consiga superar isso e que ainda sejamos amigos.

Podia jurar que o narrador de sua vida estava agora dizendo "Finish Her", aquilo tinha doído e ela queria cavar um buraco e se esconder, já era horrível o bastante ser rejeitada, mas ouvir que ele a via como uma irmã lhe tirara o chão dos pés, jamais devia ter escultado os conselhos da Haruno, o que fora mesmo que ela dissera? Ah sim! "O não você já tem, corre atrás do sim", correu atrás da humilhação, isso sim, ela sentiu os olhos arderem, mas não choraria, não poderia tornar aquilo ainda mais difícil e degradante.

— Você nem mesmo está se permitindo tentar — ela o encarou em expectativa — Nós poderíamos dar certo como casal também, nos conhecemos há anos, sempre nos demos bem…

— Não faz isso por favor — Ele pediu segurando-a pelos ombros — Você é minha melhor amiga e além do mais eu já tô conhecendo outra pessoa.

TenTen deu dois passos para trás sem acreditar que aquilo fosse verdade, Neji estava saindo com alguém? Queria morrer de vergonha por ter insistido quando ele disse não. Queria dizer alguma coisa, mas para sua completa surpresa Ino Yamanaka veio na direção deles e sem se importar com a presença da morena, puxou-o pela gola da camisa e lhe deu beijo cinematográfico.

Neji tentou evitar que alguém soubesse sobre Ino o máximo possível, não estavam namorado, era apenas um lance físico e mais nada, apenas comentou que estava conhecendo alguém para não dar mais esperanças a TenTen, mas ele nunca poderia imaginar que a Yamanaka agiria daquele modo tão repentinamente, e agora ele se sentia um canalha por ter magoado a única garota por quem tinha um profundo respeito e admiração.

— Oi Rapunzel boy — disse a loira enquanto enrolava um mexa do cabelo dele entre os dedos— Sentiu minha falta?

— Eu não gosto desse tipo de demonstração de afeto — disse afastando a loira de si — A escola inteira está olhando pra nós.

— Quem você quer enganar? Você só não queria ferir os sentimentos da sua amiguinha, porque todo mundo sabe que ela tem uma queda por você, mas agora ela já entendeu que você não quer.

— Fez isso de propósito? — perguntou contendo a vontade de estrangular a loira — Eu já tinha rejeitado a TenTen, não precisava que você viesse humilhá-la

— Rapunzel boy, você é bonitinho, mas o mundo não gira ao redor de você — ela sorriu de um modo travesso — Fiz isso pra provocar o Sai, e nem me olha assim que eu nunca fiz segredo que você é só um passatempo até ele voltar pra mim.

Neji conteve o ímpeto de xingar a loira, sabia que a mesma tinha um relacionamento ioiô com Sai há três anos, e que nesses intervalos ela usava outros garotos para fazer ciúmes e a recíproca era verdadeira, mas ela tinha ido longe demais, mas também não tinha tempo para discutir, precisava achar a morena e se explicar, se é que tinha algo pra ser explicado.

TenTen estava tão desnorteada com o que tinha acabado de ver, que nem se deu conta que em meio a sua fuga desesperada, ela tinha ido para uma parte perigosa da cidade, só notou o quão longe estava do bairro tranquilo e seguro que vivia, quando viu as paredes velhas de um condomínio abandonado. Engoliu em seco e apertou fortemente o casaco contra o corpo protegendo-se do frio e do medo que lhe fazia tremer, estava perdida em um bairro que não conhecia.

Ela caminhou tentando encontrar um ponto de ônibus ou táxi para voltar pra casa, mas a cada passo que dava adentrava ainda mais o bairro desconhecido, às ruas desertas pro horário a deixavam de certa forma aliviada, depois de muito andar, ela finalmente encontrou um ponto de ônibus, só precisava atravessar a rua e pegar o primeiro ônibus que a levasse pra fora daquele lugar, mas infelizmente aquele não era seu dia de sorte, pois saindo de um beco vinha um grupo de homens e pela expressão deles, sabia que estava muito encrencada.

Tentou recuar e voltar por onde tinha vindo, mas acabou esbarrando em alguém, ao virar-se deu de cara com um homem que não deveria ter mais do que vinte anos, cabelo platinado, olhos dele eram de um tom vinho, e o mesmo estava com os botões da camisa aberta e exibia um sorriso malicioso nos lábios

— Ora ora o que temos por aqui? — TenTen congelou ao sentir a mão dele segurando-lhe pelo cotovelo — Não tá um pouco longe de casa garotinha?

— E-eu me perdi…

— E eu te achei — ela até tentou livrar-se dele e correr, mas ele obviamente era mais forte — Aqui não é lugar pra uma gracinha feito você, mas hoje é seu dia de sorte — enrijeceu as costas ao sentir ele puxá-la e prensar contra a parede curvando-se em sua direção — Se aqueles caras tivessem te visto, você ficaria muito bagunçada, seria difícil sua família reconhecer o cadáver.

Ela sentiu os olhos encherem de lágrimas, que droga de dia estava tendo, Neji a rejeitara e não bastando isso, beijou outra na sua frente como se ela não fosse nada, fora idiota o suficiente para correr sem olhar onde ia e agora morreria no auge dos seus quinze anos, nem mesmo tinha beijado ainda. Sem se importar com o que seu possível assassino pensaria ela começou a chorar e soluçar fortemente.

Hidan, aquele era o nome do homem que prensava TenTen contra o muro, não sabia o que fazer, só queria assustar a garota, ninguém iria machucá-la, era verdade que aquela era área mais pobre da cidade, e que o crime imperava acima das leis, mas eram duas da tarde, ninguém cometeria um assassinato em plena luz do dia, ele só evitou que a menina fosse assediada por um grupo de bêbados, não conseguia entender o motivo de suas boas intenções sempre serem vistas daquele modo.

— Ei ei ei para com isso! Desse jeito vão achar que eu te machuquei ou coisa pior. — no entanto a garota começou a chorar mais ainda e ele começava a ficar nervoso pois estavam chamando atenção demais — Ah qual é? Não precisa chorar eu levo você até o seu bairro, foi só uma brincadeira.

— Você jura? - questionou tentando se acalmar — Eu só quero ir pra casa.

— Meu nome é Hidan — ele disse afastando-se dela e a passando o braço por sobre os ombros dela, e começando a andar — Aqui não é lugar pra criança andar sozinha independente do horário, mas ninguém ia te matar não, no máximo você seria molestada.

— Mo-mo-mo-molestada?!

— Talvez nem isso — disse conferindo o corpo da garota e fazendo-a corar — Você não é lá muito atraente, poderia até ser confundida com um menino se não fosse a saia.

Hidan esperou pelo ataque que nunca veio, a garota simplesmente suspirou e continuou a andar, claro que ele só estava provocando, fazia parte da sua personalidade sádica, mas a reação dela fez parecer que ela concorda com o que tinha ouvido, e ele não sabia lidar com pessoas assim.

— Certo, não nos conhecemos eu nem sei seu nome … — ela tentou dizer o nome mas ele a interrompeu — Mas está na cara que você está tendo um dia de merda, embora eu não ache que gente rica possa ter dias de merda, e nem venha dizer que não é rica, porque essa escola aí é bem cara. — TenTen não sabia o que dizer, e mesmo que soubesse ele não parar de falar e falava muito rápido — Então me conta aí o que abalou o seu mundinho perfeito?

Ela não conhecia aquele cara, ele não a conhecia, falar com estranhos não era algo que ela fazia, mas falar com suas amigas também não ajudaria em nada, então ela simplesmente começou a falar

— Sou apaixonada pelo meu melhor amigo há dois anos, resolvi me declarar e ele disse que me vê como uma irmã – Hidan fez um careta de dor ao ouvir a frase, aquilo era pior que uma facada, a não ser que a família do cara praticasse incesto, mas ele acreditava que não era o caso — E pra piorar tudo eu resolvi insistir pra que ele me desse uma chance, aí ele disse que estava conhecendo outra pessoa e antes que eu pudesse ter reação apareceu a Yamanaka e beijou ele.

— Caralho! O não você já tinha e foi atrás da humilhação, admiro a coragem …

— Você não entende! — ela se soltou dele e virou para falar encarando-o pela primeira vez — Pessoas como você que todos acham bonito nunca me entenderiam! Quando eu vi a Yamanaka eu me senti um lixo porque ela é toda padrão, alta, loira, olhos azuis, um corpo perfeito e eu sou isso que você está vendo.

— Eu nunca me vi como um tipo bonito, mas obrigado — o sorriso convencido no rosto dele fez com ela sorrisse para logo depois perceber o que dissera e querer enfiar a cabeça num buraco — Você teve um dia de merda mesmo, isso explica conseguir se perder dentro de uma cidade pequena, mas você acha mesmo que vale a pena ficar sofrendo por quem não te quer?

— E o que eu deveria fazer? Sorrir e fingir que não sinto nada?

— Eu sou religioso sabe? — TenTen nem conseguia esconder a descrença ao ouvir aquilo e o sorriso de lado que ele deu só tirava ainda mais a credibilidade dele — É sério! Sou muito religioso e então estou sempre praticando amor ao próximo.

— Como assim?

— Se não deu certo com uma, que venha a próxima.

Por um momento ela sentiu a queixo despencar, não acreditava no que tinha ouvido, mas no segundo seguinte estava chorando de tanto rir, era a coisa mais absurda que já tinha ouvido na vida e nem sabia porque ainda estava dando ouvidos a um desconhecido, mas ele tinha um olhar que a deixou confortável apesar dele parecer completamente problemático e insano.

— Olha só, ela sabe sorrir — Hidan segurou a garota pelo queixo analisando o rosto — Oh dos coques você até que é bonitinha se olhada de perto.

Ele achou graça do embaraço da garota e voltou a passar o braço por sobre os ombros dela, enquanto a guiava em direção ao bairro dela. TenTen estava tendo um dia de merda, porém, estava sendo igualmente incrível, não esperava ter uma aventura como aquela.

— Garota de coques chegamos. — ele apontou para o outro lado da rua e ela reconheceu a rua da escola onde estudava — Boa sorte com a friendzone.

— Meu nome é TenTen — disse enquanto abria a mochila e tirava a agenda e uma caneta, rabiscou qualquer coisa em um pedaço de papel entregando pra ele — Foi um prazer, Hidan.

Ela saiu correndo antes que se arrependesse do que tinha acabado de fazer e ele ficou estático segurando o pedaço de papel dobrado, dando com os ombros ele voltou a caminha na direção de casa enquanto abria o papel, acabou dando uma gargalhada ao ler o que estava escrito."Caso você se perca no meu bairro e queira ser um pouco religioso me ligue", Hidan voltou a caminhar com as mãos dentro dos bolsos enquanto exibia um sorriso predatório na face, aquela garotinha realmente não sabia o tipo de amor ao próximo que ele gostava de praticar, mas ele poderia ensinar, definitivamente poderia, e ele duvida que ela sequer fosse lembrar de qualquer coisa que tenha existido antes...

Capítulo II : Férias

Neji tinha corrido todo o percurso da escola até sua casa procurando pela morena de olhos amendoados, mas não a encontrou em nenhum lugar, começando a ficar preocupado com a integridade física da amiga, ela saíra correndo e parecia tão angustiada, poderia ter sido atropelada ou coisa pior, ele até queria dar mais uma voltar na cidade e procurar pela amiga, mas precisava arrumar as malas para a viagem de férias que faria com o tio e as primas.

Inicialmente era pra ele ficar em casa sozinho, mas como Hanabi iria para uma escola de crianças superdotadas, e a Hinata iria para um acampamento artístico, o tio insistiu que ele lhe acompanhasse durante sua viagem de negócios. Suspirando frustrado por não poder resolver as coisas com a melhor amiga antes de partir, ele entrou em casa e não viu a morena chegando em casa finalmente.

Dentro de casa ele organizava as malas com uma precisão cirúrgica, ouvia Hanabi correndo pela casa de um lado para o outro recolhendo tudo que precisava enquanto Hinata cantarolava qualquer coisa. Hiashi parecia ser o único que compartilhava uma personalidade parecida com a sua.

Antes de viajar ele já tinha resolvido as coisas com a Yamanaka, ou ela teria resolvido com ele, de qualquer modo ela já tinha colocado nas redes sociais que estava em relacionamento sério com Sai. Parando para pensar a maioria dos seus colegas tinham algum tipo de relacionamento de longa data. Yamanaka e Sai, Naruto e Sasuke, Sakura que tinha um relacionamento complicado com irmão universitário de Sasuke, Kiba e Shino que não se assumiam, mas também não se largavam, Hinata que era noiva de Gaara por uma questão comercial, Lee, TenTen e ele eram os únicos solteiros, Lee porque estava focado em ter um condicionamento físico perfeito, ele que não queria se prender a ninguém e gostava de casos passageiros, mas sempre acreditou que TenTen gostasse de ser solteira ou tivesse preferências parecidas com a dele, claro que vários colegas já tinham lhe dito que a amiga era apaixonada por ele, mas como ele poderia acreditar?

TenTen era uma garota incrível, divertida, inteligente, companheira, se ele se sentisse remotamente atraído por ela não veria problema algum em dar uma chance, o problema é que sempre que olhava para a morena, ele a via do mesmo modo que via o Lee, a personalidade cativante não cobria a falta de atrativos físicos, e por mais superficial que fosse, ele gostava de garotas padrão.

Neji ainda tentou mandar mensagem para amiga, mas ela não estava on-line e não atendia as ligações, teria que deixar para resolver as coisas quando voltasse de férias, até lá ela já teria superado essa paixonite por ele.

TenTen chegou em casa e jogou-se na cama de bruços, ela sempre achou que quando finalmente se declarasse para o amigo ele lhe confessaria que também gostava dela e os dois teriam um lindo beijo apaixonado, mas infelizmente as coisas deram errado, no fundo ela sabia que o Hyuuga nunca olharia pra ela de outra forma que não fosse como amiga, mas também não poderia passar o resto da vida sem saber o que aconteceria, ela apostou todas as fichas e perdeu, vida que seguia.

Ela queria encostar na porta e começar a chorar enquanto deslizava até ficar sentada no chão, numa pegada meio filme adolescente dos anos noventa, ou ficar deitada na cama chorando igual nas novelas, mas a grande verdade é que ela já tinha chorado tudo que tinha para chorar, e tirando o constrangimento de ter sido rejeitada, não via motivos para ficar se lamentando. Gostava do moreno, doía vê-lo com outra, mas não poderia obrigá-lo a gostar dela e não podia ficar remoendo aquilo eternamente, com o tempo ela conseguiria esquecê-lo.

O encontro com Hidan fora sem dúvida uma grata surpresa, apesar de tá escrito na testa dele que ele era um imã pra confusão, ela definitivamente tinha gostado do jeito leve que levava a vida e também ele era bem bonitinho, se ele ligasse talvez ela pudesse superar Neji mais rápido, não que ela fosse esse tipo de pessoa, mas desde que ela deixasse tudo muito claro, não teria problema algum sair com outra pessoa.

TenTen era uma pessoa prática, não gostava de dramas desnecessários, sabia que estava longe de ser uma pessoa padrão e não se preocupava com isso, sabia também que o melhor amigo podia ser bem superficial quando se tratava de relacionamentos, mas diferente do que qualquer um poderia pensar, ela não tinha problema algum com a própria aparência. Seu corpo era um pouco mais musculoso que o das outras garotas porquê ela praticava muitos esportes e artes marciais, usava o cabelo daquele modo pois achava foto, e se vestida com peças confortáveis para o dia a dia, ainda que fossem largas e até mesmo um pouco masculinas, era parte do seu estilo e da sua personalidade, e se alguém tivesse que gostar dela, seria do jeito que ela era.

Hidan não podia ter ficado mais surpreso, a garota de coque era interessante em vários níveis diferente, olhando o número anotado no papel ele avaliava os pós e os contras de ligar e marcar um encontro, enquanto fumava mais um cigarro e olhava para o teto do apartamento onde vivia, morar na parte pobre da cidade nunca lhe incomodou, trabalhar em uma farmácia e fazer bicos como entregador aos finais de semana nunca lhe causou vergonha, mas também não era o seu sonho de consumo.

Sair com garotas nunca foi algo difícil para ele, mas ele evitava por achar tudo muito complicado e entediante, sair com uma garota igual à dos coques seria uma experiência nova, afinal ela ainda era uma colegial e ele já estava na faculdade para a surpresa da grande maioria que o conhecia, ela era rica e ele vivia naquele buraco, provavelmente a garota nunca tinha feito nada de errado na vida e ele só não tinha sido preso ainda por pura sorte, valeria a pena sair com alguém tão diferente e que em algum momento tentaria mudá-lo ou começaria a exigir mais do que ele poderia oferecer?

Por outro lado tinha o fato tentador de que ela era totalmente diferente de todas que já tinha conhecido e a personalidade dela parecia ser tão leve e sem frescuras, ela parecia tão tangível e provavelmente ele seria o primeiro homem na vida dela, o que lhe dava a chance de ser ele mesmo e tentar criar boas lembranças para a garota, e com um pouco de sorte ela até poderia curtir ficar com ele em um lance leve e sem cobranças, maldita garota de coques que não saia do seu pensamento e o fazia querer iniciar algo que não deveria.

Hidan não queria parecer desesperado, mas também era o tipo que gostava de tudo feito de imediato então, no que ele considerou um momento de loucura e falta de senso ele enviou a mensagem para a garota convidando-a para sair e para sua surpresa ela aceitou e pela velocidade da resposta parecia que ela estava esperando pela inciativa dele. Cinco minutos depois de convidar a garota ele lembrou que estava sem dinheiro nenhum e se amaldiçoou por ser tão precipitado, agora teria que sair para trabalhar em uma sexta-feira a noite.

TenTen não sabia o que dizer, tinha sido ousada e louca ao entregar o papel com seu telefone para um completo desconhecido, mas ao menos não fora rejeitada uma segunda vez no mesmo dia, era verão no final das contas e todo mundo tinha uma paixonite de férias, porque ela não poderia ter?

Capítulo III: Encontro

TenTen tinha combinado de se encontrar com Hidan na praça da cidade, o dia estava escaldante e como ela não tinha aula ou treino optou por vestir uma camiseta branca com short jeans e tênis, talvez a camiseta fosse muito grande ou short muito curto, o fato é que parecia que ela estava usando apenas a camiseta, ela estava com mochila de pano nas costas, seus pais sempre diziam que ela fora uma tartaruga em outra vida por isso sempre inventada de carregar algo nas costas, ela dava risada, mas não sai de casa sem blusa, água, guarda-chuva e curativos, e como ela não sabia quais eram os planos de Hidan, acabou levando sanduíches e uma toalha também.

Hidan quase tinha dormido demais, não sabia direito o que fazer, não era do tipo que tinha encontros, normalmente saia direto para o motel e nunca mais via a garota, tinha feito uma boa quantia de dinheiro na noite anterior então poderia levar a garota de coques no cinema, shopping, boliche, restaurante caro, o que ela preferisse. Antes de sair de casa ele olhou novamente no espelho, parecia desleixado com usando a camiseta larga com calça cargo e tênis velho nos pés, colocou o dinheiro na carteira e prendeu um boné no cós da calça, se ela queria sair com ele que fosse do jeito que ele era.

Hidan não acreditou quando a viu parada na praça, de todas as roupas que imaginou que ela poderia usar, aquela certamente não era uma, mas ele tinha gostado, observando o corpo da garota ele não pode negar que todo o conjunto lhe agradava bastante.

— Esperou muito? — ele questionou aproximando-se dela — Camiseta legal.

— Cheguei agora — ela respondeu observando o visual dele, Hidan parecia ser do tipo que praticava esportes radicais — Gostei desse boné — ela disse já retirando o boné do cós da calça dele e colocando na cabeça — E aí o que vamos fazer?

— O que você quer fazer? — Hidan achou divertido e ousado o modo como ela se portava perto dele — Normalmente nos finais de semana eu saio pra andar de skate ou patinar.

— Você podia ter dito isso ontem, ai eu teria trago meu skate.

— Você se veste bem e anda de skate, quando nos casamos?

A risada dela ecou pela praça chamando atenção de quem passava por eles, por alguns segundo ele ficou encantado com a cena, o sorriso dela era radiante e fez com ele sorrisse também, não um sorriso de deboche ou malícia, mas um sorriso leve e despreocupado. TenTen não podia negar que Hidan exercia um efeito reconfortante sobre ela, era estranho porque ele era um estranho, mas sentia-se confortável o suficiente para ser ela mesma perto dele.

Os dois conversaram por algum tempo tentando decidir o que fazer, do meio pro fim optaram por ir ao parque de diversões que tinha na cidade durante as férias de verão. O dia prometia ser cheio de agradáveis surpresas.

Neji não podia sentir-se mais entendiado, ficar o dia inteiro em reuniões de negócios em pleno sábado não era o modo que imaginou iniciar suas férias, queria ir pra praia, queria sair com garotas bonitas, ou jogar basquete com os amigos.

Perto do meio dia o tio liberou ele para fazer o que quisesse, mas para completar sua falta de sorte, estava chovendo então ele só podia ficar no quarto do hotel mexendo no celular e assistindo qualquer coisa que passasse na televisão. Ele tentou novamente ligar para TenTen, sentia-se mal por não ter falado com ela pessoalmente, mas o telefone dela continuava dando como fora de área ou desligado e ela nem mesmo tinha visualizado suas mensagens. Olhando os stories dos amigos, viu que Lee tinha participado de um treino intensivo nas montanhas e estava cheio de escoriações. Sasuke e Naruto estavam na casa de campo do loiro, ambos postaram fotos colhendo frutas, andando a cavalo e tomando banho de cachoeira, Neji sentiu inveja.

Sakura estava na casa da madrinha e aparentemente tinha terminado o namoro com o irmão de Sasuke, ele fez uma nota mental de investir nela quando voltasse as aulas caso ela ainda estivesse solteira. Ino tinha postado algumas telas que Sai pintou e algumas fotos deles fazendo arranjos florais na floricultura da mesma.

Hinata tinha postado algumas fotos do acampamento de artes e outras fotos com Gaara e a família dele, diferente do que ele imaginou os dois pareciam bem felizes exibindo as alianças de noivado e os presentes de casamento que vinham recebendo.

E para sua completa surpresa, TenTen tinha acabado de postar vários stories, ela tinha ido ao parque de diversões e estava acompanhada de um sujeito que ele nunca tinha visto antes. Pelo visto ele tinha se preocupado atoa, pois em todas as fotos ela estava sorrindo de forma radiante e parecia uma criança indo pela primeira vez ao parque. Neji pensou que fosse algum amigo dos treinos de artes marciais ou alguém que ela conheceu andando de skate, mas a medida que as fotos iam passando, ficava cada vez mais nítido que o homem de cabelo platinado era bem mais que um amigo, a última foto tinha sido claramente tirada pelo homem que a acompanhava, ela estava sentada com as costas apoiadas no peito dele, tinha um balde de pipoca do lado e aquele obviamente não era o quarto dela.

Neji voltou as fotos do storie da amiga, várias vezes, não tinha nome de quem estava com ela, não tinha nem mesmo uma legenda, mas ela parecia bem íntima daquele cara e aquilo lhe parecia incabível, quer dizer, ela tinha se declarado tinha pouco mais de vinte e quatro horas.

Para piorar tudo seu celular começou a encher de mensagens, e por mais que não quisesse ler, ele sabia que não daria para ignorar para sempre. Ino estava debochando dizendo que aparentemente ele tinha sido superado, Lee lhe perguntava se ele conhecia o novo amigo de TenTen, Hinata perguntou se estava tudo bem com ele, de algum modo sua prima era única pessoa de seu convívio que acreditava piamente que ele sentia algo pela morena de coques, coisa que ele obviamente não sentia, para provar isso ele até mesmo curtiu um dos stories.

Neji começou a procurar em todas as redes sociais da amiga, se ela tinha adicionado alguém remotamente parecido com o cara das fotos, claro que para justificar o comportamento ele usou a desculpa de não ter nada melhor para fazer, infelizmente para ele, TenTen ainda não tinha adicionado ninguém e ele teria que ficar na curiosidade até terminar as férias ou até que a amiga resolvesse responder suas mensagens.

TenTen não tinha dúvidas de que aquele era o melhor dia da vida dela, Hidan era divertido, não se incomodava nem um pouco com o jeito meio moleca que ela tinha. Os dois foram em todos os brinquedos, tiraram fotos no carrossel ela em um pato e ele em uma vaca ambos fazendo careta e quase caindo, tentaram tirar foto na xícara maluca, mas saiu um monte de borrões, na montanha-russa a foto saiu hilária com vento puxando os lábios deles pra trás. Eles foram na barraca de pesca e ele conseguiu um saco de balas e ela um urso gigante. Comeram cachorro quente e algodão-doce.

Já era fim de tarde e tinha começado a garoar quando eles saíram do parque, ainda rindo do escorregão que ele tinha levado na fila do bebedor de água.

— Se eu soubesse que encontros podiam ser tão divertidos, teria feito antes — ele comentou ainda sorrindo — Quer ir para casa ou continuar ?

— Tá começando a chover, mas não quero ir pra casa — ela disse tirando o guarda-chuva de dentro da mochila — O que você sugere.

— Minha casa fica perto daqui, se você correr como se tivesse fugindo de um ganso, a gente chega antes da chuva.

TenTen não respondeu, apenas o puxou pela mão e saiu correndo em direção ao bairro que no dia anterior lhe fizera tremer de medo. Hidan lhe guiava pelas ruas estreitas e mal iluminas, mas mesmo que tivessem corrido ao máximo, a chuva os pegou faltando menos de dez metros para chegar na casa do mais velho.

— Não é nenhum palácio, mas cá estamos — ele disse abrindo a porta da casa e guiando-a até a sala — Ainda bem que era chuva e não um ganso.

Ela deu risada, sabia que gansos podiam ser assustadores, mas aparentemente ele tinha tido uma experiência bem ruim. Observou enquanto ele sumia pelo corredor e voltava com uma toalha e par de chinelo.

— Vai tomar um banho e tirar essa roupa molhada — Hidan estendeu a tolha e os chinelos para a mesma — Não quero que você fique doente ou coisa parecida.

— Não precisa — a verdade é que ela estava com medo, já tinha sido loucura ir até a casa de um completo estranho — Eu vou ficar bem.

— Não precisa ter medo, eu vou tá na cozinha preparando pipoca e sopa de caneca — ele não era tão insensível ao ponto de não tomar o olhar receoso dela — Eu tenho muitos defeitos, mas não sou nenhum pervertido.

— Eu não quis dizer isso — ele achou divertido o fato dela tentar justificar um medo totalmente lógico — E também eu nem tenho roupa pra trocar.

— Você é muito teimosa — ele saiu pelo corredor e voltou com blusa de moletom nas mãos e o que parecia ser uma cueca boxer — Roupas limpas e secas, agora vai logo tomar um banho.

—Você venceu.

Hidan mostrou onde ficava o banheiro e como prometido foi para cozinha preparar sopa e pipoca. Sentindo que morreria congelado, ele removeu a roupa úmida e vestiu um roupão, assim que a garota saísse do banheiro, ele tomaria um banho fervendo para livrar o corpo do gelo que o fazia quase tremer.

TenTen sentiu-se tensa de tomar banho na casa de um completo estranho, mas não pode deixar de reparar que para alguém com a aparência tão desleixada, Hidan era muito limpo e organizado, o que ela julgava ser impossível para um homem, afinal o quarto dos dois melhores amigos era um caos de roupas e material escolares espalhadas pelo chão junto a embalagens de comida e jogos.

Sabendo que não estava na sua casa e que ele provavelmente também queria tomar banho, ela se apressou em terminar o banho, como tinha molhando os cabelos optou por lavá-los, mesmo que tivesse que deixá-los secar ao natural. Assim que terminou de se secar sentiu-se sem graça por vestir a cueca obviamente nova, mas não se preocupou muito, era melhor do que ficar em roupas molhadas.

Hidan observou quando ela apareceu metida em sua blusa, que ia quase até os joelhos dela, os cabelos soltos e úmidos e a roupas dela que estavam molhadas nas mãos. Sem dizer nada ele pegou a tolha que ela utilizou e as roupas da mesma jogado na máquina de lavar.

—Eu vou tomar banho antes que eu congele — ele ligou a máquina e pegou uma toalha seca em um armário que ficava na área externa — Quando terminar o ciclo de lavagem você coloca na secadora que fica do lado, tem chá no balcão da cozinha e a sopa tá quase pronta, não deixa queimar.

— Tá bom.

TenTen se perguntou se ele tinha algum tipo de toc ou coisa parecida, ela ficou na cozinha observando a sopa que já estava quase pronta. Hidan tomou banho o mais rápido que conseguiu, vestiu uma calça e uma blusa e voltou para onde a garota estava.

— Demorei muito? — ela negou com a cabeça observando ele mesmo colocar as roupas na secadora e voltar para servir sopa para ambos — Você quer secar o cabelo? Se quiser eu tenho secador.

— Eu não consigo secar meu cabelo sozinha — ela respondeu rindo, não esperava que ele fosse tão prestativo e temia que ele esperasse algo em troca de tanta gentileza — Você é bem organizado.

— Antes eu dividia minha casa com um amigo e ele era meio obsessivo com isso de limpeza e tudo no lugar, quando ele se mudo eu já tinha me acostumado com essa rotina.

— E o que você faz da vida?

— Eu sou estudante de engenharia química — ele sorriu debochado diante do olhar de espanto dela— Eu trabalho numa farmácia durante a semana, e as vezes faço uns bicos como entregador.

Ele tinha um emprego fixo que pagava pouco, mas o suficiente para que ele conseguisse viver sem precisar se prostituir ou vender drogas, e considerando o tipo de gente que frequentava o campus, ele era um vencedor. Por mais triste que fosse a grande realidade era que a faculdade da cidade era muito cara, então quem estudava lá ou era rico ou era bolsista, que era o caso dele, mas ser bolsista significava apenas ter os custos do curso pago, a pessoa ainda precisava se sustentar, ele tinha dado sorte de já ter um emprego ao entrar na faculdade, mas conhecia muitas pessoas que iam pelo caminho menos glorioso, não julgava, afinal um ser humano ainda precisa do mínimo para viver, mas não se imaginava correndo risco de ser preso, morto ou ficar gravemente doente.

Aos olhos dela, ele parecia cada vez mais interessante, Hidan era diferente dos garotos com quem convivia, vinha de um mundo diferente do seu, mas não era aquilo que lhe fazia sentir-se bem ao lado dele e sim o fato dele não esperar que ela fosse outra pessoa.

Depois que terminaram de tomar a sopa e já não estavam mais morrendo de frio, Hidan levou-a até o quarto dele para assistir a um filme e secar o cabelo. Ele tinha feito um balde enorme de pipoca e ela sabia muito bem como normalmente terminava aquele tipo de situação, mas não estava realmente se incomodando, ela tinha decidido que aquele seria o seu verão louco, o que ela contaria aos netos quando estivesse mais velha.

Hidan não se incomodou de secar o cabelo da garota, na verdade achou até muito relaxante o processo de ficar jogando o jato de ar e movendo os fios sedosos com os dedos, ele não entendia o motivo de alguém com o cabelo tão bonito usar sempre preso, mas também não conseguia imaginar a garota sem os coques. TenTen trançou os cabelos e enrolou nos dois coques que sempre usava, enquanto ele ligava a televisão e escolhia qualquer filme de terror.

Quando ele se jogou na cama de puxou-a para sentar com as costas apoiadas no peito dele, ela ficou um pouco tensa, já tinha beijado um ou outro garoto nos jogos de verdade ou desafio, mas toda sua experiência acaba ali.

— Você tá muito tensa — ele sussurrou contra o ouvido dela — Relaxa, não precisamos fazer nada além de assistir ao filme.

— Desculpa — ela disse tensa mexendo no celular e olhando as fotos que tinham tirado — Foi um dia muito divertido.

— Podemos ter outros dias assim, se você quiser — ele disse olhando as fotos também — Você vai postar?

— Te incomoda? — ela questionou relaxando no abraço dele, ele fez que não com a cabeça enquanto movia os dedos em movimentos circulares ao redor das coxas dela — Dá um sorriso para foto.

— Coquezinho, essa chuva vai durar a noite toda — ele disse depositando um beijo no topo da cabeça dela — Avisa pra sua família que você vai passar a noite fora.

TenTen sorriu relaxando e assistindo ao filme junto com ele, ela mandou uma mensagem para mãe e como era esperado não teve nenhum questionamento, às vezes ela queria que os pais fosse mais rígidos com ela.

Hidan estava surpreso de conseguir passar todo aquele tempo com uma garota sem nenhuma segunda intenção, obviamente ele sentia-se atraído por ela, mas também não estava com pressa, se fosse para algo acontecer, seria no tempo dela e se não fosse poderia ter conquistado uma nova amiga, alguém que lhe deixava confortável o suficiente para passar a noite junto sem ser transnado.

Eles estavam relaxados, assistindo ao filme de terror mais trash que já tinham visto, não dava nem para sentir medo com efeitos especiais tão toscos, TenTen quem tomou a iniciativa ao se afastar do peito dele apenas para sentar-se no colo do mesmo, era uma completa loucura e ela sabia, mas ela não teria quinze anos pra sempre, se não fizesse o que tinha vontade agora, quando faria?

O sorriso predatório que surgiu nos lábios dele fez com que ela corasse, Hidan não podia negar que tinha gostado do fato dela ter feito o primeiro movimento, deixaria que ela fizesse da forma e no ritmo que achasse mais confortável, queria que ambos curtissem aquele dia.

TenTen engoliu a saliva tomando coragem de finalmente juntar seus lábios aos dele, e diferente do que pensou, o beijo não foi afoito e cheio de urgência, Hidan era calmo de um modo quase sádico, não permitia que o beijo se aprofundasse ou tivesse um ritmo mais intenso, era como se ele estivesse tentando memorizar cada ação ou simplesmente não quisesse que o beijo terminasse tão cedo, as mãos dele continuavam apoiadas na cama enquanto as delas permaneciam apoiadas nos ombros dele.

Lento, suave, quase como um sopro, ele não tinha pressa, teria a noite toda para beijá-la, e ela ainda estava muito nervosa, embora não percebesse, com calma ele prendeu o lábio inferior dela entre os dele, sugando-o e ouvindo o suspiro que ela deixou escapar antes de aprofundar um pouco mais o contato, a sensação da língua dela em contato com a dele foi muito bem recebida, assim como as mãos que agora embrenhavam-se por seu cabelo.

"Isso é bom" foi a única coisa que ela conseguiu pensar enquanto o beijava e sentia as mãos dele subindo-lhe pelas costas e puxando-a para mais perto, do ângulo que estava ela ficava um pouco mais alta que ele o que fazia com que seus seios ficasse na altura do rosto dele, ou talvez fosse o fato de que ela tinha levantado o tronco um pouco mais na intenção de poder beijá-lo com mais intensidade. Por mais que estivesse curtindo o beijo, e ele estava, Hidan precisou para o que fazia e afastar-se um pouco da garota.

Era uma cena linda de se observar, ela com os lábios um pouco inchados e vermelhos a face corada, ele devia tá em igual situação e com os cabelos desgrenhados. TenTen não sabia o motivo dele ter parado o beijo, por um momento pensou que tivesse feito algo errado, mas ele soltou um suspiro antes de sorrir, ele tirou a blusa que estava usando, ficando apenas com calça e passou a mão pelos cabelos tentando arrumá-los antes de puxá-la para perto dele novamente.

TenTen tremou ao sentir os lábios dele próximo de seu ouvido, distribuindo beijos por seu pescoço de um forma lenta e torturante, ela deixou que ele percorresse com os lábios toda a extensão de seu pescoço, sentiu quando a mão dele deslizou até a barra da blusa que ela vestia.

Hidan parou de beijá-la para puxar o moletom que cobria o corpo dela, observando o modo como ela ergueu os braços para facilitar o processo, foi a vez dele de engolir em seco, ela observou o modo como as pupilas dele dilataram ao vê-la usando apenas a cueca boxer dele, sentiu vontade de cobrir os seios com os braços, mas ele não permitiu.

— Uau! Você é linda — ele disse enquanto removia a calça que usava, ficando também só de cueca — Você já fez isso antes?

— Não — ela respondeu enquanto observava o corpo dele de forma quase hipinótica —Eu nunca fiz nada parecido.

— Você não é obrigada a fazer nada que não te deixe confortável — disse enquanto voltava a beijar-lhe o pescoço e ombros, deixando que a mãos percorressem livremente as costas e os seios dela, fazendo com que ela arfasse — Eu paro a hora que você quiser é só falar.

Ele voltou a beijá-la, desta vez com mais sofreguidão e desejo, as mãos dele tocavam-lhe por toda a parte e ela mal conseguia assimilar tudo que sentia ou velocidade que acontecia, sentia os lábios dele sugando-lhe os seios ao mesmo tempo que as mãos dele apertavam-lhe as nádegas, ela não percebia que seus lábios beijavam os ombros dele e que suas mãos apertavam e arranhavam toda pele que tivesse ao seu alcance.

O contato de pele contra pele, o suor que começava a cobrir o corpo de ambos, ela nem mesmo percebeu que estava deitada sob o colchão, só foi se dar conta quando ele removeu a última peça de roupa que cobria o corpo dela. Ele não pode deixar de achar maravilhoso o modo como ela estava totalmente entregue, faria a experiência ser a melhor possível, com um sorriso sacana ele finalmente chegou ao ponto onde queria.

TenTen deixou escapar um ofego ao sentir os lábios dele beijando-a na sua região íntima, o modo como os lábios e a língua dele moviam-se causava sensações estranhas, ao mesmo tempo que queria que ele continuasse, queria escapar daquela sensação torturante, suas pernas estavam sobre os ombros dele e seus pés se contraiam, ela segurou o lençol com a mão e arqueou as costas quando achou que não aguentaria mais.

— Aí meu Deus…

Hidan sorriu contra a pele dela, era delicioso saber que ela tinha atingindo o orgasmo através dos lábios dele, dava uma sensação de trabalho bem-feito, o corpo dela ainda tinha alguns espasmos e só de tocar com a ponta dos dedos sobre o clítoris ela se contorcia.

— Tão sensível — ele beijou os lábios dela roçando seu corpo ainda coberto pela cueca contra a região que ainda estava sensibilizada — Você quer continuar?

Ela queria responder, mas era difícil formular qualquer frase coerente quando a boca dele beijava tão perto da sua orelha e os dedos percorriam sua pele vagarosamente lhe provocando pequenos arrepios por toda a parte. A risada dele contra a pele do pescoço dela era um claro sinal de que ele a estava provocando, ele afastou-se apenas para beijá-la novamente, enquanto as mãos dela de modo tímido ocupava-se em retirar a última peça de roupa que lhe cobria o corpo.

Aquele gesto podia ser considero como uma desejo para continuar, esticando a mão até a gaveta da cômoda ele pegou o preservativo, e o tubo de lubrificante, embora ela estivesse bem molhada e relaxada, ele preferia não correr o risco de tornar o ato mais doloroso do que já seria.

— TenTen – ela estranhou ouvir seu nome sendo chamado pela voz dele, mas era bom até — Isso pode doer um pouco, se você achar que não aguenta me fala que eu paro.

— Certo.

Ela observou enquanto ele colocava o preservativo e o modo como ele passou lubrificante nos dedos antes de começar a massageá-la com os mesmos, aproveitando para lubrificar um pouco mais a região ao mesmo tempo em que a beijava com toda a urgência que sentia, lentamente ele encaixou-se na entrada dela e começou a penetrar.

Cravou-lhe as unhas sobre os ombros e contraiu o quadril, sabia que doeria, mas não imaginou que seria tão desconfortável.

— Tenta relaxar — ele disse beijando-a sem forçar o corpo contra o dela — Se você ficar tensa vai machucar nós dois.

Soltando o ar que nem reparou que tinha prendido, permitiu-se relaxar diante dos beijos que ele distribuía pelo seu pescoço, ombro e colo, enquanto lentamente entrava dentro dela, a dor ainda existia, a sensação dos músculos da assoalho pélvico estirando, ao mesmo tempo que tinha a boca dele sugando-lhe o seio esquerdo e os dedos da mão direita estimulando-a no ponto certo.

Quando ele finalmente colocou-se inteiro dentro dela, permitiu deixar escapar um gemido dos lábios, sabia que ela ainda sentiria dor, e que levaria um tempo para que ela se adaptasse, não queria que fosse bom apenas para ele.

— Você quer parar? — perguntou beijando a face dele com delicadeza — Não se sinta obrigada a continuar, podemos para quando você quiser.

— Você já me disse isso várias vezes — ela sorriu o encarando, olhos nos olhos, ele pulsando dentro dela — Eu quero isso, ainda incomoda, mas é uma dor suportável.

No momento que ele começou a mover-se não foi do modo que ela imaginou ou da forma que suas amigas sempre diziam, ele saiu dela minimamente e voltou quase tão lentamente quando lhe beijava, ela sabia que ele estava fazendo um esforço imenso para não ir mais forte e machucá-la, sentiu-se grata por perder a virgindade com alguém tão atencioso, ouviu uma vez que Neji, alguém com ela sempre sonhou em ter sua primeira vez, tinha transando com Shion, era primeira vez dela, e ela tinha dito para amigas que tinha doído muito, sentindo agora todo o cuidado de Hidan, para que ela também sentisse prazer, ela ficou feliz.

Ele estava fazendo o melhor para não machucá-la, sabia que dificilmente ela conseguiria um orgasmo só com a penetração, por isso os movimentos curtos e lentos, para que conseguisse roçar sua pélvis contra a dela e a fricção estimulasse o clítoris. TenTen enlaçou a cintura dele com as pernas o que facilitava o processou de afundar-se dentro dela de um modo mais profundo.

A dor não tinha passado, mas o prazer estava presente, movia o quadril de encontro com o dele em busca de mais contato e quando ele foi gradativamente aumentando o ritmo das estocadas, ela percebeu que estava finalmente sentindo-se bem, mesmo que ainda fosse dolorido. Ele puxou o corpo dela mais pra baixo e ficando de joelhos sobre a cama, ainda com as pernas dela envolta da cintura dele, ele voltou a estocar com mais força, a visão dos seios dela balançando cada vez que ele entrava nela, era excitante e o deixava louco.

TenTen não sabia que expressão tinha na face enquanto ele entrava nela, mas ficou deliciada com o modo como fechava os olhos e deixava escapar alguns gemidos, dava pra ver as veias dos braços e do pescoço dele tensionando.

Ele poderia facilmente passar o resto da noite dentro dela, mas sabia que aquilo a faria sentir dor por dias, por esta razão ele não se preocupou em refrear o orgasmo que estava prestes a lhe atingir, apenas preocupou-se em estimulá-la no ponto certo de modo que ela também conseguisse gozar.

A sensação de chegar ao orgasmo pelo estímulo dos dedos dele ao mesmo tempo em que era penetrada, era diferente de quando gozou na boca dele, mas igualmente boa. Hidan não conseguiu evitar de chegar ao clímax quando o corpo dela começou a contrair tão deliciosamente. Retirou-se lentamente de dentro dela, tomando o cuidado de remover o preservativo e descartar no lixo que ficava próximo a cama.

Ela estava mole, sentia que nem mesmo conseguiria andar, quando ele deitou ao lado dela, TenTen observou que um dos seus coques tinha soltado, ele a abraçou e beijou o topo da cabeça dela.

— Você tá bem? Te machuquei?

— Estou ótima — ela disse já querendo adormecer — Foi maravilhoso.

— Ei, não dorme! — Ele levantou da cama e puxou-a pelos braços — Precisamos tomar banho, não é bom dormir sujo.

Quando ela levantou da cama sentiu tudo doer, principalmente a região interna da coxa, e isso porque ela nem tinha ficado por cima. Ele deixou que ela tomasse banho primeiro enquanto trocava a roupa de cama, ela não tinha sangrado, mas era o mais higiênico a ser feito. No banho ela sentiu a região íntima um pouco sensível mas notou que não houve sangue como a maioria das amigas.

Hidan entrou no banho e ela ainda estava embaixo da água, ele aproveitou para lavar as costas dela e verificar se não tinha deixado nenhuma marca visível. Ela virou de frente para ele envolvendo-o com os braços e puxando-a para um longo beijo. Ele fez com que ela envolvesse a cintura dele com as pernas e a encostou contra a parede, ficava mais confortável o beijo, mas não teria um segundo round aquela noite, ela ficaria com muita dor se o fizesse.

O banho demorou um pouco mais do que o esperado, ele queria saber se ela estava bem, se queria comer algo, e ela achou a adorável todo aquele cuidado, geralmente seus amigos lhe tratavam como se fosse um menino e não uma garota.

Eles já estavam deitados na cama, ele estava usando um calção para dormir e ela estava vestida em uma camiseta dele. Deitada com a cabeça no peito dele e quase adormecendo ela fez a pergunta que não queria calar.

— Depois de hoje você ainda vai querer me ver?

— Você é bem insegura né? — ele perguntou enquanto fazia carinho no braço dela — Eu gostei de te conhecer e gostei de ficar com você. Se você quiser podemos continuar saindo, o sexo não precisa ser uma regra, eu gostei de passear com você, conversar…

— Eu quero continuar saindo com você, não só pelo sexo — ela respondeu o encarando — Mas não vai ser ruim se pudermos fazer isso mais vezes.

— Pervertida — ele comentou rindo e puxando-a para deitar sobre o corpo dele — Gostei muito de você garota de coques.

Ela o beijou mais uma vez ainda deitada sobre o corpo dele, e depois deitou apoiando a cabeça no peito dele, pegou o celular e pediu para que ele salvasse o número nos contatos dela, ele fez e salvou o número dela também. Depois ele adicionou nas redes sociais dele e tirou uma foto dos dois deitados juntos, postando com a legenda "Em ótima companhia".

No hotel Neji percebeu que passou a noite toda verificando se tinha alguma atualização nos stories da amiga, mas foi no facebook que ele viu que ela tinha sido marcada em uma foto. Ele não conseguiu acreditar, TenTen deitada abraçada com aquele cara, obviamente era uma foto pós sexo, ela até mesmo estava com os cabelos soltos, coisa que ele nunca tinha visto em anos de amizade.

— Me amava porra nenhuma.

Irritado com as mensagens que começaram a chegar, ele desligou o telefone e foi dormir de péssimo humor e sem nem saber o motivo, era bom que ela tivesse encontrado alguém pra ela, ele deveria ficar feliz, mas justificou o mal humor, dizendo a si próprio que estava chateado por ter ficado tanto tempo preocupado e ela transando com um estranho qualquer.

Capítulo IV: Quase o começo de alguma coisa

Dormir com Hidan foi uma experiência nova para ela, na verdade nunca tinha dormido com outra pessoa, mas não podia negar que era muito bom sentir os braços dele a envolvendo. No meio da noite tinham acordado e pedido pizza para comer, ela sentia-se feliz, relaxada e levemente dolorida.

Hidan acordou mais cedo naquele domingo, era a primeira vez que uma das suas conquistas passava a noite com ele, era a primeira vez também que ele trazia alguém para sua casa. Ele ficou observando a morena que dormia ao seu lado, tão única, tão perfeita e naquele momento fazia parte da vida dele. Ele pegou o celular e tirou uma foto do rosto dela amassado no travesseiro, a saliva escorrendo no canto da boca, os cabeços desgranhados e a boca aberta, qualquer um acharia a cena cômica, mas ele achava incrível como ela ficava atraente até dormindo.

TenTen moveu-se sobre o lençol revelando as pernas torneadas e fato de que tinha dormindo usando apenas uma camiseta, tão deliciosamente tentadora, mas ele não podia, mesmo que ela quisesse, sabia muito bem que ela precisaria de tempo para se adaptar a ter uma vida sexual ativa, mas nada impedia que ele lhe acordasse com alguns beijos. Ela acordou sentindo um leve carinho próximo a sua orelha, depois sentiu um beijo na face e ela poderia passar o resto da vida daquela forma;

— Ei, tá acordada? — ela fez que sim com a cabeça, mas estava longe de querer levantar — Eu vou buscar nosso café da manhã, pode ficar dormindo se quiser.

— Bom…

— Preguiçosa — ele sussurrou beijando os lábios dela de leve — Tá chovendo ainda, fica na cama.

Ela sorriu escondendo o rosto no travesseiro e voltando a dormir, era muito gostosa a sensação de aconchego que a aquela cama lhe trazia, como seu celular fazia barulho de mensagem chegando, ela fez um esforço para ver quem era. A primeira mensagem era uma foto enviada por Hidan, ela dormindo toda largada. Depois tinha quinhentas mensagens de Neji querendo conversar e ela não estava com paciência e por último tinha a mensagem dos pais dizendo para ela usar preservativo, TenTen sentiu a face corar, mas ignorou, o sono falava mais alto.

Hidan saiu para comprar o que para ele era o melhor café da manhã do mundo, pão na chapa com açúcar e requeijão e pão de queijo, a chuva não iria embora tão cedo e ele agradeceu o fato do bar da esquina também vender comida, voltou correndo pra casa e sentiu o celular vibrar no bolso, os amigos tinham desmarcado a sessão de rpg, com aquela chuva ele não iria de qualquer forma, ele tinha planos mais interessantes que envolviam sua cama, pipoca, filme ruim e uma certa garota de coques.

Ela ainda tava na cama, mas já não tinha sono, precisava levantar tomar banho, escovar os dentes e ligar pra mãe avisando que chegaria tarde. Meio dormindo, meio acordada ela foi até a lavanderia e encontrou suas roupas secas, mas só usaria a calcinha mesmo, tava frio demais para ficar de short.

Ao entrar no banho, ela viu que Hidan tinha deixado uma escova de dentes nova sobre a pia e uma toalha limpa, quem diria que logo ele seria tão gentil. Hidan chegou e ouviu o barulho do chuveiro, finalmente a preguiçosa tinha despertado, ele preparou o café e montou numa bandeja no balcão da cozinha. Sabia que em algum momento ela teria que ir pra casa, mas queria aproveitar o máximo de tempo na presença dela, não que estivesse apaixonado ou coisa do tipo, só que era raro encontrar pessoas com quem se consegue criar uma conexão verdadeira, não queria perder o que ele considerou um encontro de almas.

Ela ouviu quando a porta do banheiro foi aberta, sorriu quando sentiu os braços dele envolvendo-a embaixo do chuveiro, Hidan beijou os ombros dela indo até o lóbulo da orelha.

— Eu trouxe café da manhã — ela apoiou a cabeça no ombro dele conforme os dedos longos apertavam o seio direito dela e outra mão descia até a região que agora pulsava — Você me deixa louco.

— Hidan — ela suspirou o nome dele enquanto ele movia os dedos sobre seu ponto sensível — Tão bom…

Ele fez com que ela recostasse apoiando as mãos na parede fria enquanto descia beijos por toda a extensão das costas lisas e firme, ela deixou escapar um gemido ao sentir os lábios dele sobre suas nádegas que eram afastadas pelas mãos firmes e experientes.

Ela abriu a boca em busca de ar, enquanto sentia os beijos dele que naquele ângulo só aumentavam o prazer, ao mesmo tempo que sentia-se levemente constrangida a excitação fazia-se presente e pulsante, queria ele dentro dela desesperadamente. Hidan riu do modo sofrido como ela buscava cada vez mais prazer, mas não iria além do que estava fazendo, não queria machucá-la.

Se não fosse os braços dele lhe sustentando, ela teria desabado no chão ao atingir o orgasmo, aquilo tinha sido ainda melhor do que na noite anterior. Quando ela virou-se para beijá-lo percebeu que ele ainda estava duro, mas que não tinha a intenção de penetrá-la.

— Você quer eu…?

— Relaxa — ele disse ainda distribuindo beijos pelo pescoço e ombros dela — Posso resolver sozinho.

Não era justo do ponto de vista da morena e deixando a timidez de lado, ela começou a imitar o que ele tinha feito. Hidan até tentou evitar, não queria que ela se sentisse na obrigação de lhe fazer sexo oral, mas quando a boca dele envolveu seu membro, foi impossível segurar o gemido e impulso de levar a mão até os cabelos dela. TenTen não sabia o certo o que fazer e foi se baseado nas reações do corpo dele, no modo como ele apertava a própria perna, nos ofego, no jeito que ele deixava escapar alguns gemidos, até o modo como a pele ficava eriçada.

Hidan tentou avisar e afastá-la, mas aparentemente ela estava entretida com a recém-descoberta da própria sexualidade, foi inevitável chegar ao orgasmo dentro da boca dela, observou o modo com o líquido escorreu pelo canto da boca.

— Desculpe, eu tentei te afastar.

TenTen aproveitou a água quente para lavar a boca, claro que ela sabia que ele atingiria o orgasmo em algum momento e como seria, mas saber que estava sendo a responsável pelo prazer dele, ouvir seu nome escapando dos lábios dele, a sensação de ter poder sobre ele, lhe fizeram continuar. Suas amigas sempre diziam que o cheiro e gosto eram horríveis, mas ela não sentiu nenhum cheiro e o gosto só lembra algo vagamente adstringente, não saberia definir.

Hidan observou ela cuspir e lavar a boca, e quase gargalhou, para alguém que há menos de vinte quatro horas só tinha beijado em jogos de verdade ou desafio, ela estava se revelando uma caixinha de surpresas.

Terminaram de tomar banho e forma para cozinha, ele não tinha certeza se elas gostaria do café da manhã, não sabia o que ricos comia, para sua surpresa TenTen não só estava comendo, como revelou que amava pão na chapa com açúcar e requeijão.

TenTen observou que ele carregava um crucifixo no pescoço e lembrou-se da brincadeira sobre ser religioso, repentinamente ela quis sanar sua curiosidade.

— Você é religioso de verdade?

— Eu fui, quando criança — ele disse de modo sério e com um olhar distante — Hoje eu vejo que ter fé não é o bastante.

— Não precisamos falar sobre isso, se você não quiser — ela sabia que eles tinham uma química incrível e imediata e ficou bastante surpresa de conseguir ler a emoções dele com tanta facilidade — Eu só perguntei por causa do crucifixo.

Hidan pensou muito sobre falar ou não de seu passado para a garota à sua frente, nunca falava sobre isso com ninguém, nem mesmo com os amigos, mas de alguma forma sentia que se fosse pra desabafar com alguém, teria que ser com ela. Então ele lhe contou sobre a ferida aberta que ele carregava há mais de dez anos.

Hidan nascera em uma cidade do interior, uma dessas cidades que todos se conhecem e tem algum grau de parentesco. Seu pai era o líder religioso local, assim como seu avô, bisavô e como ele seria um dia. Hidan parecia-se muito com o pai fisicamente, mas tinha herdado da mãe a personalidade leve e descontraída.

Sua mãe era uma mulher incrível, não era nenhuma beldade, mas era simática e todo a sua volta a amavam e respeitavam, então, um dia quando ainda era um adolescente, ela ficou doente, muito doente, e seu pai contrariando a todo o bom senso e recomendação dos mais velhos, não quis levá-la ao médico, segundo ele a ciência era maligna e não era certo brincar de Deus, seu pai lhe dissera que Deus curaria sua mãe, mas não curou, ela piorou a cada dia, afundou-se em dor e desespero por quase um ano.

Foi uma manhã repleta de sol quando sua mãe levantou-se da cama, ela não estava sentindo dores e parecia tão serena, eles passaram o dia em família e no final da tarde ele a encontrou morta sobe o sofá da casa. Quando levaram o corpo para a funerária, um médico fez a autópsia para determinar a causa da morte, sua mãe tivera câncer de ovário, o médico disse que com o tratamento adequado ela teria sobrevivido.

O enterro de sua mãe foi a última vez que ele falou com o pai e foi apenas para chamá-lo de assassino. Durante muito tempo Hidan odiou Deus e o culpou pelo destino da mãe, e então ele fez toda a sorte de coisas erradas que poderia fazer, arrumou brigas, usou drogas, quase foi preso uma ou duas vezes, mas essa fase também durou pouco, não tardou para que ele percebesse que se tinha algum culpado era o seu pai e a ignorância dele.

Ele não fez as pazes com Deus ou voltou a ter alguma religião, mas não odiava mais e acreditava que ter fé era necessário, mas tinha aprendido da pior forma que só acreditar não adianta em alguns casos.

TenTen não esperava ouvir algo do tipo, claro que ela já tinha notado que ele tinha um jeito debochado e irônico de ser, e talvez por isso a história de vida dele tenha causado tanto impacto, mas Hidan não era mais um adolescente, já tinha aprendido a lidar com os próprios traumas e feito terapia.

Hidan ficou curioso sobre a vida da garota, tudo que ele sabia é que ela não era pobre e que tinha levado um fora do cara que gostava, mas queria conhecê-la melhor, não só transar com ela, queria realmente saber da história e dos sentimentos dela.

— E você coquezinhos? Religião? Algum trauma preocupante? Divorcio dos pais?

— Sinto muito — ela respondeu com a boca cheia de pão — Não sou nem a pobre menina rica.

E era verdade, TenTen vinha de uma família classe média, não era rica igual à maioria dos colegas, sua mãe era dona de um antiquário, meio hippie e dava aulas de massoterapia e seu pai era instrutor de defesa pessoal e fotografo pericial, ou seja, ela cresceu em um lar onde um dialogo era algo natural e não forçado por terapia família, na verdade nunca nem mesmo viu os pais alterarem a voz quando discordavam de algo.

Seu pai lhe ensinara artes marciais aos cinco anos e sua mãe lhe ensinara como fabricar incenso e cultivar maconha, não que ela fumasse ou que eles tivessem cultivo dentro de casa, não mais pelo menos, depois de quase ser presa por tráfico a mãe dela resolveu que era melhor utilizar outro tipo de coisa para relaxar.

TenTen conhecia Lee desde de que se entendia por gente, o garoto treinava igual louco na academia que tinha perto da casa dela, e Neji ela conheceu quando iniciou o ensino fundamental, apesar da arrogância natural do Hyuuga e do jeito excessivamente animado, os três tornaram-se amigos, infelizmente os amigos lhe viam como outro garoto e não com uma menina, quando era pequena não se incomoda, até achava divertido, mas quando entrou na adolescência, a situação mudou de figura e ela começou a sentir-se inferior as outras garotas.

Neji era o seu melhor amigo e a medida que foram crescendo ela não pode deixar de reparar em como ele era bonito, o segundo mais disputado da escola, quando Sasuke assumiu-se gay, o assédio sobre o amigo ficou ainda maior e diferente do Uchiha, o amigo não dispensa ninguém, na verdade, ela era a primeira garota que ele tinha dispensado.

TenTen falou também sobre seu amor pelos esportes de alta performasse e por acampar sempre que possível. Ela também do seu hobby por fabricação de armas brancas, e como seu avô tinha lhe ensinado a forjar espadas, falou de como ela conseguia racionalizar a maioria dos sentimentos e odiava viver com dramas desnecessários e por isso Neji já era um assunto superado.

Hidan encarava a garota a sua frente com verdadeira devoção, era uma sitônia perfeita, completavam-se em nível de personalidade e modo de ver a vida. Do lado de fora ainda chovia torrencialmente, mas eles estavam no chão da sala discutindo qual filme assistiriam e combinando uma viagem para o próximo fim de semana, quando Hidan ficaria de férias da faculdade.

Neji não conseguia acreditar na falta de sorte, além das inúmeras reuniões de negócios que era obrigado a participar com o tio, o tempo ficava cada vez pior que significava que ele era obrigado a ficar trancado no quarto do hotel assistindo televisão ou verificando através das redes sociais a felicidade dos amigos.

Ele poderia utilizar as áreas de lazer do hotel, mas qual era graça de vir a uma cidade litorânea e não ir até a praia? Além das férias horríveis tinha o fato incomodo que TenTen ainda não se dera ao trabalho de responder suas mensagens, por um lado ele se questionava quem era aquele cara, por outro ele acreditava que tudo aquilo era apenas parar demonstrar que estava bem e não sair por baixo depois do fora que levou.

Naquela noite em particular ele estava sentindo-se ainda mais irritado, isso porque ela tinha visualizado suas mensagens, mas ainda não tinha dado uma resposta, não diria sinal de vida porque a timeline dela continuava a se bombardeada de fatos dela sozinha, café da manhã, ela com o cara estranho, controle de play stations, livros de rpg e churrasco, a única parte boa era que a Haruno tinha respondido sua mensagem dizendo que estava com a madrinha em uma convenção em uma resort próximo ao hotel onde ele estava perdendo seus dias, ela disse que eles poderiam jantar juntos em um bistrô que ficava do outro lado da rua, mas ela não tinha certeza ainda se valeria a pena tomar chuva só para jantar com a rosada.

Algumas horas mais tarde ele estava se arrumando para jantar do outro lado da rua, Sakura provavelmente seria a única opção que teria durante essas férias chuvosas e também não tinha nada melhor para fazer o tio estaria em um jantar de negócios, se desse sorte terminaria a noite em boa companhia.

Sakura tinha brigado outra vez com Itachi, ele queria passar as férias com os amigos acampando no meio do nada e ela queria ir para praia, ou viajar para outro país, mas Itachi nunca gastava mais do que o necessário e ela não entendia qual a vantagem de vir de uma família rica se vai se comportar como alguém pobre, ele até mesmo morava na parte pobre da cidade, coisa que ela sempre achou repulsivo.

Itachi era um homem lindo, inteligente e rico, mas tinha modo muito simplista na opinião dela, e isso era motivo constante de brigas, ela vinha de uma família rica, seria médica um dia e queria aproveitar o máximo do que o dinheiro poderia lhe proporcionar e ele vinha com aquela história de que dinheiro não trazia felicidade, que tinha coisas que o dinheiro não comprova e naquelas férias em particular esse discurso tinha lhe feito terminar com ele, claro que ela esperava que ele fosse correr atrás dela e ceder as suas vontades, mas já tinha dois dias e ele não mandara nenhuma mensagem.

Sair para jantar com Neji talvez fosse um erro, mas agora que TenTen estava saindo com Hidan, talvez ela conseguisse descobrir se Itachi estava sentindo sua falta ou não. Apesar do jeito fútil, ela amava o namorado.

Dizer que a noite tinha sido frustrante seria eufemismo de sua parte, Sakura tinha passado a noite falando do namorado e tentando saber se ele tinha alguma informação do Uchiha mais velho, ao menos tinha descoberto que TenTen estava saindo com um tal de Hidan, que era estudando de engenharia química.

Passar a tarde com Hidan tinha sido maravilhoso, assistiram filmes e jogaram videogame, Hidan, para sua completa surpresa, cozinhava muito bem. Quando a chuva deu uma trégua ele levou-a até sua casa, os dois forma andando para prolongar o tempo juntos, ele tinha pedido para que ela fosse acampar com ele e os amigos no próximo final de semana e de alguma forma aquilo significou muito para a morena, não que eles estivessem namorando ou algo do tipo, mas certamente ele a considerava o suficiente para apresentar aos amigos.

Quando entrou em casa teve que aguentar os sorrisinhos maliciosos da mãe e os comentários que a deixavam totalmente corada, mas ao menos tinha uma mãe legal e não precisava ficar mentindo sobre o que fazia. Depois de tomar banho ela pegou o celular para ver se Hidan tinha mandado alguma mensagem, não que ele tivesse prometido, mas ela não pode evitar de checar e para surpresa dela, ele tinha mandado mensagem avisando que já estava em casa.

TenTen sabia que tinha um assunto a resolver com Neji, mas, ainda assim, tinha protelado ao máximo a situação, mas agora precisava responder as inúmeras mensagens. Reunindo toda a coragem mandou uma mensagem para ele dizendo que tinha ficado bem, que não estava chateada com o que tinha acontecido e pedindo desculpa por tê-lo preocupado atoa. Disse que esperava que ele estivesse se divertindo tanto quanto ela e que quando ele voltasse conversariam pessoalmente.

Neji não estava satisfeito com a noite que tivera, tomou chuva para ir até o restaurante do outro lado da rua, gastou uma fortuna em um jantar que tinha se resumido a Sakura falando e falando e, por fim, dizendo que precisava ir pra casa pois estava cansada, ele também estava cansado de tanto ouvi-la, se passasse mais meia hora naquele lugar esqueceria o próprio nome.

TenTen finalmente dera o ar da graça, mas para sua completa descrença a amiga parecia apenas arrependida de ter se declarado e demonstrou muita maturidade ao dizer que ele conversariam pessoalmente, mas que da parte dela tudo estava resolvido e a amizade continuava a mesma.

Na verdade ele deveria sentir-se aliviado e feliz por ela não está magoada ou sofrendo com o que tinha acontecido, mas seu ego estava ferido essa que era a verdade, parte dele tinha gostado de saber que mais uma garota havia sucumbido ao seu charme, então quando viu todas aquelas postagens, seu ego e sua autoestima sofreram um duro golpe, parecia muito errado que logo ele tivesse sido superado tão rápido.

Ainda teria mais duas semanas inteiras de reuniões intermináveis, ao menos Hinata viria na próxima semana e ele teria alguma companhia, porque ao que tudo indicava, aquele seria o verão mais chuvoso da última década.

Hidan não sabia direito o que pensar dos últimos dias, tinha conhecido TenTen por acaso e não esperava que fosse revê-la algum dia, foi realmente uma surpresa que logo ela tivesse tomado a iniciativa de chamá-lo para sair e até mesmo tomou a iniciativa de transar com ele, sem dúvida ela era uma mulher de personalidade forte e determinada, claro que ela ainda era uma adolescente e tudo era novidade e muito provavelmente ela só queria ter uma história para contar aos netos, caras iguais a ele não se casavam com garotas iguais a ela, e tudo bem, ele sabia lidar com isso, na verdade era até melhor, dessa forma ninguém sairia machucado.

Aquele seria seu último verão no país, quando às aulas retornassem ele terminaria a faculdade fora do país, passaria os próximos quatro anos estudando e estagiando em uma grande empresa de cosméticos. Por isso tinha resolvido não se envolver com ninguém, não que ele fizesse isso antes, mas tinha decido que nem mesmo sairia com alguém, ele só não esperava que uma adolescente de coques fosse aparecer na vida dele.

Tinha convidado TenTen para ir acampar com ele e com os amigos, aquele seria também o último verão com os amigos de longa data, era para ser uma viagem especial e por esse motivo queria também que ela participasse, queria que ela guardasse na memória esse verão, era egoísta da sua parte, mas queria chegar um dia no final da vida e saber que tinha feito diferença na vida de alguém, que tinha se tornado uma lembrança feliz para alguém.

Capítulo V: Conversas

A semana se arrastou de uma forma interminável do ponto de vista de TenTen, tudo que ela queria era poder ficar novamente na presença de Hidan, não que ela estivesse apaixonada ou coisa do tipo, mas sua mãe uma vez lhe dissera que amor e sentimentos são controláveis e a pessoa consegue reprimir, mas o desejo e a atração física criava quase uma dependência e que por isso era tão difícil às vezes sair de certos relacionamentos, por piores que fossem. Claro que na hora ela achou quer era só mais uma das loucuras da mãe, mas lá estava ela ansiosa, esperando uma mensagem, uma ligação, querendo ouvir a voz de uma pessoa que ela mal conhecia, uma ânsia quase insuportável.

Depois de dois dias TenTen chegou a conclusão de que estava tendo sua primeira paixão, e aquilo a assustou-a, não era um sentimento terno e calmo como o que sentia por Neji, o que sentia por Hidan era voraz e a consumia de uma forma quase louca, sem ter o que fazer ela resolveu que precisava conversar com a alguém, mas com todas as amigas viajando, sobrou apenas a mãe.

Respirando profundamente ela encontrou a mãe na sala terminando de meditar, TenTen era uma cópia do pai, mas os olhos eram os da mãe. Ela nunca conseguiu entender como duas pessoas tão diferentes poderiam ter formado uma família, mas também nunca tinha parado para ouvir a história dos pais.

— Mãe — a mulher de longos cabelos negros, pele branca e com os mesmos olhos dela a encarou — Eu queria conversar…

— Eu sabia! — a mulher levantou super-animada — Chegou o meu momento, finalmente minha filha quer uma conversa de mãe pra filha, e seu pai disse que isso nunca aconteceria.

TenTen riu da animação da mulher e sentiu-se um pouco culpada por nunca permitir que sua mãe fosse também sua melhor amiga. Ambas sentaram-se no sofá e a mais nova começou contando sobre como se sentia em relação ao melhor amigo e sobre sua tentativa de declaração frustrada. Sua mãe lhe disse que ao menos ela não viveria com uma dúvida eterna.

A mais velha, ouviu pacientemente e sem interromper, enquanto a filha falava sobre o cara mais velho com quem estava saindo e de como tinha sido a primeira vez dela, internamente ela se sentiu feliz pela filha.

— … e agora eu não consigo para de pensar nele.

— Não consegue parar de pensar nele ou em fazer sexo com ele?

— Mãe! — ela sentiu a face esquentar — Eu acho que é um pouco das duas coisas.

— Não precisa ficar com vergonha — a mãe disse rindo — Ao menos vocês transaram em um local seguro usando proteção e ele foi gentil, minha primeira vez em um show de rock, num canto escuro com cara vomitando do lado.

— Misericórdia, eu nunca imaginei o papai agindo assim.

A mulher começou a rir da filha, era bonitinho que ela tivesse essa imagem dela, mas a verdade é que o marido não tinha sido nem o vigésimo homem dela, e ela nem recordava do primeiro. TenTen não pode deixar de se surpreender, mas sua mãe também lhe disse que sexo não tem que está diretamente relacionado ao amor.

— Seria lindo se a única pessoa que passasse na nossa vida, fosse a pessoa certa, mas na maioria das vezes não é assim. — a mais velha tinha um sorriso calmo no rosto — Você pode ter um sexo ótimo com um completo estranho, assim como também pode amar muito alguém e odiar transar com essa pessoa.

— Mas você e o papai…

— Eu e seu pai era para ser só uma noite — ela achou bonito o modo como sua mãe falou sobre o pai, o modo como os olhos dela ainda brilhavam — Mas eu sentei de um jeito que ele não conseguiu esquecer — TenTen ficou vermelha com o comentário da mãe — Ao menos era o que ele dizia toda vez que me procurava, mas quer saber da verdade, tivemos uma conexão rara, algo que acontece uma ou duas vezes na vida.

— Então vocês se apaixonaram na primeira noite juntos?

— Não, longe disso — a mais velha foi até a cozinha preparar chá e foi seguida pela filha — Muitas vezes saíamos só para conversar, passávamos meses sem nos falar, mas quando nos encontrávamos era como se tivesse passado só um minuto.

TenTen ficou um pouco confusa, até que sua mãe explicou que o amor dela pelo marido foi algo construído nos detalhes do dia a dia, que primeiro veio a paixão avassaladora e que eles pareciam dois coelhos transando por todos os cantos, quando essa chama inicial passou e já não era mais novidade, eles perceberam que existia algo além e aí assim resolveram iniciar um relacionamento.

Sua mãe lhe disse também que o que ela sentia por Neji não tinha simplesmente acabado, só estava jogado mais para o interior e soterrado pela novidade que era o Hidan, mas sua mãe também lhe alertou que a conexão que ela tinha criado com Hidan, era algo verdadeiro e único e que provavelmente eles ainda seriam bons amigos, mesmo que a paixão e a atração física acabasse junto com o verão.

A conversa com a mãe tinha lhe tirado um peso dos ombros, sua mania de sempre tentar racionalizar os sentimentos faziam com ela as vezes complicasse o que era para ser simples, ouvir sobre a história dos pais, fez com que ela percebesse que não precisava ter medo de se apaixonar por Hidan ou coisa do tipo, que deveria aproveitar o momento e parar de querer manter tudo sobre controle sempre.

Neji nunca ficou tão feliz em ver a prima como naquele momento, até mesmo a presença de Gaara parecia um presente dos deuses, estava tão cansado daquele quarto de hotel, redes sociais e chuva, que qualquer companhia seria benquista.

Gaara era um sujeito calado e apático, não entendia muito bem o que a prima via nele, mas era nítido o quanto sentia-se bem na presença um do outro. Hinata com sua serenidade sempre melhorava seus dias ruins, a morena sentou-se de frente para ele ao lado do noivo.

— Como você está se sentindo em relação a TenTen? — Neji quis fingir que não tinha entendido a pergunta da prima — Te incomodou o fato dela ter ficado com outro tão rápido ou o fato de que ela está com outro?

— Não me incomodou — ele disse desviando o olhar — Eu só fiquei preocupado com o jeito que ela saiu correndo.

— Sério? — quem questionou foi o ruivo — Sempre achei que vocês fossem um casal ou que você gostasse dela em segredo.

— Não sei de onde você e a Hinata tiraram isso — respondeu rindo — TenTen é minha melhor amiga, é até o um alívio que ela esteja com outra pessoa.

Gaara o olhou em confusão, desde que fora a casa dos Hyuuga pela primeira vez e conheceu a morena, lhe pareceu óbvio os sentimentos de Neji por ela, afinal por qual outro motivo ele convidaria a morena para o jantar de noivado da prima? Não era uma festa, era algo apenas para família, nem mesmo os amigos próximos foram convidados.

Hinata sempre compartilhou da mesma opinião de Gaara, desde de que tinham dez anos, era perceptível os sentimentos do primo pela melhor amiga, Neji era protetor e gentil com TenTen de um modo que só costumava ser com Hanabi e ela. Para Hinata, a morena de coques era a eleita do primo, mas então veio adolescência, os hormônios, Sasuke declarando-se gay abertamente, várias garotas começaram a se declarar para o primo, e TenTen passou a ser vista como uma menina feia na escola e o primo era algo constate de provocações dos outros garotos. Na semana seguinte Neji já tinha saído com todas as garotas da sala, e ela observou TenTen sofrer em silêncio.

— Se você diz— ela sorriu de um jeito quase sapeca — Eu achei que ela fez um casal muito bonito com Hidan, ela me disse que ele é incrível, bonito, inteligente sensível e que foi incrível o final de semana.

— Vocês conversaram durante o fim de semana? — ele perguntou quase de modo incrédulo — Que bom que ela está feliz.

Repentinamente a presença da prima já não era mais tão agradável, foi um duro golpe descobrir que tinha sido ignorado de forma proposital pela melhor amiga. Gaara observou as reações de Neji, claramente irritado pelo modo que os lábios estavam comprimidos formando uma linha fina, o peito estufado e o modo como ele mordia a bochecha por dentro, Hinata tinha lhe acertado em um ponto fraco.

Hinata não entendia o motivo do primo não aceitar os sentimentos por TenTen, para ela a morena era uma pessoa incrível, linda, inteligente e divertida, o que mais ele poderia querer? Além de tudo, TenTen era autêntica, e era tão óbvio que ela o faria o homem mais feliz do mundo e ainda assim ele insistia em ser superficial e agora se ele não acordasse logo, perderia TenTen para um cara que talvez nem fosse melhor que ele, mas que tinha enxergado a preciosidade que era a amiga.

Hidan já estava a meia hora sendo alvo de inúmeras piadas do grupo de amigos com quem andava na faculdade, mas ele não ligava de fato, TenTen valia cada piadinha maldosa dos amigos e no fim ele merecia, afinal ele sempre fazia piada de tudo. Quando Itachi começou a sair coma Haruno, ele foi o primeiro a chamar o Uchiha de pedófilo, papa anjo e etc. Como diria Tobi, o mais novo do grupo, o mundo não gira, ele capota. E agora era a vez de Hidan ser chamado de pedófilo, o que de certa forma não deixava de ser verdade.

Ele queria bater nos amigos, mas teria que aguentar as brincadeiras, era a primeira vez que ele assumia alguém por assim dizer, não que ele estivesse em relacionamento sério com TenTen, ou coisa parecida, mas levaria ela na viagem de férias, algo que nem mesmo o Itachi fazia com a namorada, e eles já estavam juntos há quase dois anos, então obviamente os amigos ficariam rindo e pegando no pé dele.

— Deixem o Hidan em paz — Konan veio em sua defesa, o que era algo raro — Não é todo dia que um milagre acontece — tava bom demais para ser verdade — Tirando o fato dela ser uma criança, a garota é cega? Perdeu alguma aposta ou algo do tipo?

— Obrigada, por insinuar que ninguém se interessaria por mim — respondeu conformado — Na verdade, eu também não sei o que ela viu em mim, mas estamos aí.

— TenTen é uma garota bonita e inteligente — comentou Itachi, que conhecia a garota — Sempre achei que ela ficaria como o Hyuuga, sorte a sua Hidan, ela não é surtada igual a Sakura.

Todos fizeram uma careta ao ouvir o nome da rosada, Sakura não era a pessoa mais agradável do mundo e já tinha conseguido brigar com quase todos os amigos de Itachi, na verdade ela só não brigou com os que ela não conheceu pessoalmente, Hidan se questionava o motivo do Uchiha manter aquele namoro, já que parecia que nem mesmo Itachi suportava a garota. De qualquer modo ele estava feliz pelos amigos não fazem objeção a presença da morena.

A semana parecia não passar nunca e TenTen já não conseguia controlar a ansiedade pela viagem de férias. Já tinha feito e desfeito às malas um milhão de vezes e continuava sem saber o que levar, claro que já tinha acampado antes, mas agora era diferente.

Na sexta-feira a noite TenTen era uma pilha de nervos, estava ansiosa, com saudade de Hidan e insegura de conhecer os amigos dele.

Quando Hidan chegou para buscá-la, TenTen achou que não conseguiria andar ou respirar, o coração parecia que sairia do peito e suas mãos suavam horrores, não conseguia acreditar que logo naquele momento estava tendo uma crise ansiedade.

Hidan tinha esperado a semana inteira para rever TenTen, então a quando Pain estacionou a van que os levaria para o acampamento, a última coisa que ele esperava ver era a morena de coques ficando branca feito uma folha de papel e começando a chorar, enquanto caia sentada sobre a calçada de casa.

Tudo aconteceu em câmera lenta para ele, sair do carro, correr até a morena, mesmo sua voz parecia distante enquanto ele a via arfar em busca de ar e contorcer as mãos de jeito estranho ao mesmo tempo que chorava e tremia, ele não se lembra de ter gritado por socorro, mas viu um casal sair da casa e ajudar a levar a morena para a sala.

— É uma crise de ansiedade — não soube dizer em que momento Konan tinha saído da van e entrado na casa, mas agradeceu aos céus por ter uma amiga estudante de enfermagem — Ela já teve isso antes?

— Fazia alguns anos que isso não acontecia — respondeu o homem que lembrava demais a morena que ainda ofegava no sofá — Por sorte eu ainda tenho os calmantes dela.

— Desculpa — ela pediu chorosa — Eu não vou conseguir viajar com vocês.

— Não precisa pedir desculpa coquezinhos — ele disse abraçando-a — Vai ficar tudo bem, eu tô aqui.

Konan foi com ele até a porta, ela disse que poderiam remarcar a viagem, mas ele disse que não seria justo que os amigos fossem na frente e quando TenTen estivesse melhor eles iriam. Ele voltou e ficou do lado dela enquanto ela se recuperava.

— Tá melhor?

— Estraguei suas férias — ela respondeu sentindo-se culpada — Sinto muito.

— Ei, ei, ei — ela ajoelhou na frente dela — Você não estragou nada, quando você tiver melhor podemos viajar.

Ela queria chorar de verdade, e não conseguia conter às lágrimas, não recordava a última vez que teve uma crise tão forte, no geral conseguia se controlar, mas daquela vez não deu certo e seus pais já tinham ligado para o psiquiatra.

Foi alívio não ser julgada por Hidan, ainda conseguia recordar a primeira vez que teve uma crise perto dos amigos, por sorte Neji achou que era uma crise de asma, o Hyuuga sempre falava que esse tipo de coisa era frescura.

Seus pais foram gentis em deixar que Hidan passasse a noite com ela, e ela ainda tinha o desejo de fazer a viagem de férias, por mais assustador que tenha sido o dia. Ao se acomodarem na cama da morena, ela ainda estava com medo de ser rejeitada ou que aquele episódio fizesse com que ele desistisse dela.

— Hidan…

— Eu achei que você ia morrer — ele disse sem a encarar — Quase infartei.

— Sinto muito, eu achei que estivesse curada.

— TenTen — ele a encarou sentado-se de frente para ela — A gente diz sinto muito para coisas que podemos controlar, depressão, ansiedade, ou qualquer outro transtorno psicológico não é algo que a pessoa escolha ter.

— A maioria das pessoas não pensa dessa forma, obrigada. — ele deitou do lado dela e ela aproveitou para deitar a cabeça no peito dele — Amanhã nós viajamos, um pouco de ar puro vai me fazer bem.

— Tudo que você quiser — ele disse depositando um beijo na testa dela — Bons sonhos.

Capítulo VI: Pesadelos

No dia seguinte após a crise de ansiedade TenTen sentia-se outra pessoa, sentia-se completamente bem, ela acordou primeiro que Hidan então correu para preparar o café da manhã de ambos e trazer para o quarto, seus pais deram um sorriso malicioso ao vê-la na cozinha o que há fez ficar completamente vermelha, embora tenha apenas dormido ao lado dele e nada mais.

Quando voltou ao quarto ele já estava sentado na cama bocejando e espreguiçando-se, ela parou alguns segundos para poder observar melhor a cena, quando ele abriu os olhos e a viu parada no meio do quarto segurando a bandeja, sorriu e levantou-se indo até ela e depositando um beijo no topo de sua cabeça.

Hidan retirou a bandeja das mãos dela e colocou sobre a cama, abraçando-a logo após e puxando-a para perto de si o máximo possível, era ridículo, mas teria que reconhecer que se importava mais do que o indicado com ela.

Não falaram muito enquanto foram tomar banho, embora houvesse um desejo latente entre eles, naquela manhã eles apenas tomaram banho, sem toques, sem beijos, apenas tomaram banho e silêncio e voltaram ao quarto para comer o que a morena tinha preparado. Ele sabia que precisava conversar com ela antes da viagem, não queria correr o risco de piorar o quadro de ansiedade dela.

— TenTen — ela o encarou esperando que ele dissesse seja lá o que fosse — Eu ia falar com você após a viagem, mas prefiro falar antes…

— Pode falar.

— Eu gosto muito de você — começou em um tom lento — Eu não esperava te conhecer, se tivesse sido antes eu largaria tudo por você, mas…

— Você tem namorada? — perguntou já com lágrimas nos olhos — Você vai se casar ou algo do tipo?

— Não! — ele se apressou em dizer — Não é nada sobre relacionamento, eu só arrumei emprego em outra cidade, esse é meu último semestre aqui.

Ela respirou aliviada, não suportaria a ideia de ser amante de alguém ou coisa parecida, embora doesse a ideia de que tinham apenas mais uma semana para viver seu amor de verão, ela já tinha se preparado para algo assim desde do começo.

— Eu já estava preparada para que isso durasse só o verão — ela o encarou segurando às lágrimas — Não tem como fazer isso funcionar a distância, tem?

— Teria, mas você tem alguém no seu coração — ele respondeu sincero — Não seria justo com nenhum de nós.

— Hidan…

— Se eu tivesse te conhecido no começo do ano — ela suspirou — Eu lutaria por você, mas não é pra ser.

Ele não imaginou que a aquela conversa pudesse ser tão dificil, ou que sentira tanta vontade de chorar como estava sentindo. Ela o abraçou com força como se tivesse medo de perdê-lo ou de que ele fosse apenas uma miragem. Ficaram daquele modo, dentro do abraço um do outro por algum tempo, ambos tinham lágrimas que não queria deixar verter, não tinha razão para chorar, estavam tendo algo único que levariam para sempre em suas memórias.

— Ainda quer viajar? — ele questionou disfarçando a voz embargada pelo choro que segurava — Podemos fazer outra coisa se você quiser.

— Eu quero viajar — ela disse enfiando a cara contra o peito dele — Vai ser a melhor viagem de todas.

Tenten não sabia ainda, mas aquela talvez fosse ser a lembrança mais dolorosa que ela teria em sua vida.

Neji nunca antes tivera uma noite de sono tão ruim, não lembrava exatamente o motivo, mas sabia que tinha tido inúmeros pesadelos, embora não conseguisse recordar dos sonhos, acordou suado e ofegante. Uma sensação de angustia lhe afligia de forma quase física.

Mesmo que os pesadelos não tivessem lhe tirado o sono, os gemidos da prima no quarto que dividiam certamente tirariam, não que as paredes do hotel fosse finas ou que Hinata fosse do tipo escandalosa, mas naquele andar só tinha os Hyuuga hospedados, seu tio não tinha voltado do coquetel que fora e com todo aquele silêncio, era óbvio que ele ouviria qualquer ruído que fizessem no quarto ao lado, e aparentemente Hinata e Gaara eram incansáveis.

Talvez no fundo ele estivesse com inveja da prima, mas era bom saber que ao menos alguém se divertia na família, o ruim era descobrir que esse alguém não era ele, mas por hábito do que por necessidade ele pegou o celular para olhar a vida dos colegas, TenTen tinha postado um partiu acampar e por algum motivo ele sentiu um arrepio estranho, sabia que a amiga amava aquele tipo de coisa, mas estava com um mau pressentimento.

Que ele estava sendo totalmente irracional, não restava a menor dúvida, do contrário não conseguiria explicar o motivo de ter feito as malas e deixado um bilhete dizendo que voltaria para casa na recepção do hotel, não sabia o motivo de está embarcando em um trem às seis da manhã de um domingo, que ironicamente estava ensolarado, ele simplesmente sentiu a necessidade gritante de voltar para casa e procurar a amiga, precisava ter certeza de que ela estava bem.

3 dias depois…

Aquela era para ser as férias da sua vida, como tudo podia ter terminado daquela forma? TenTen não sabia responder, no momento ela se concentrava em respirar e não desmaiar enquanto chorava sobre o caixão de Hidan, não podia acreditar que tinha perdido o seu primeiro amor de uma forma tão estúpida…

A viagem tinha sido fantástica, pegaram o ônibus até o local mais próximo de onde ficaram acampados, e depois fizeram o restante do percurso andando, toda hora TenTen parava pra fotografar a paisagem incrível. Chegaram no acampamento já no final do dia, diferente do que ela imaginou os amigos dele lhe trataram de forma acolhedora e queriam saber se ela estava melhor. Como era de esperar, ela se de bem com todos os amigos dele, e mais uma vez Hidan sentiu-se frustrado por perder uma garota tão incrível.

Comeram ao redor de uma fogueira, comida enlatada e batata doce assada, a conversa fluía de forma animada e era possível ouvir o som das risadas ao longe, ela não conseguia sentir-se mais feliz.

Ela e Hidan dormiram na mesma barraca ao som de grilos e picadas de pernilongo e nem isso tirou o encanto do momento, era até divertido ver que um homem daquele tamanho surtava com a ideia de ser picado por algum inseto. Quando ele finalmente achou o repelente e besuntou ambos com o spray com cheiro de citronela, ele finalmente a abraçou e beijou, se ela soubesse que seria sua última noite com ele, teria aproveitado mais.

Naquela noite, dentro daquela barraca, foi mais do sexo para ele, foi muito mais do que uma despedida de algo bom que teria que deixar para trás, ele disse no ouvido dela, enquanto ouvia os suspiros de prazer e era abraçado por completo, ele disse as palavras que nunca achou que diria para alguém, e ela sorriu antes de beijá-lo e sussurrar às palavras que ele nunca pensou que seria digno de ouvir um dia.

De madrugada a chuva tinha caído de forma calma e constante, ao menos era o que parecia de dentro da barraca, enquanto adormecia embalada pelas batidas do coração dele, Hidan não pensava em mais nada que não fosse os dois e em aproveitar ao máximo os últimos dias ao lado dela, ele não tinha como saber que seria sua última noite para qualquer coisa.

Na manhã seguinte despertaram com o canto dos pássaros e um arco-íris adornava o céu, o dia estava quente e chuva da noite anterior tinha deixado céu incrível, antes de desmontarem as barracas e subirem a serra em direção as quedas d'água, todos tiraram uma foto para guardar de recordação, ele ainda fez uma foto beijando TenTen, iluminados por um raio de sol que desfocou o rosto dele.

Todos tiveram um pouco de dificuldade em subir a trilha, tinha muita pedra solta e estava escorregadia por causa da chuva da noite anterior, mas para compensar a dificuldade a chuva tinha enchido os rios e as cachoeiras estavam de tirar o fôlego, eles mal podiam espera para mergulhar e receber toda aquela energia positiva.

O final da trilha dava em uma clareira incrível, o rio naquela parte era bem tranquilo e dava para nada sem maiores preocupações. O fato era que ninguém ali entendia muito sobre acampar, trilhas e os perigos que poderia envolver tal fato. Todos estavam dentro da água divertindo-se em espirrar água uns nos outros, aquele foi começo do fim de toda a alegria recém-construída dentro dela.

Homens de um modo geral tem uma tendência de serem competitivos entre si sobre coisas sem sentido, quando Tobi, veio correndo e saltou na água, automaticamente, Deidara disse que conseguia um salto melhor e pulou de uma rocha que tinha no meio do rio que estavam. Não demorou muito para que às coisas começassem a sair do controle e cada vez mais envolvidos fossem buscando alturas maiores que superassem os saltos anteriores.

Quando Pain saltou de uma rocha de mais ou menos um metro, ele constatou que o rio não era tão fundo e que um salto de uma altura maior poderia machucar seriamente o mergulhador. Infelizmente Hidan já estava praticamente no topo da cachoeira e não conseguia ouvir o que os outros gritavam por causado barulho da água que batia contra as rochas.

TenTen olhava aflita enquanto ele subia cada vez mais, Itachi tentou alcançar o topo da queda d'água pela trilha lateral, mas a vida é como é, e nada poderia evitar que começasse a chover forte repentinamente, assim como também ninguém conseguiu evitar que a mão e o pé de Hidan escapasse da pedra onde se apoiava e menos ainda conseguiram evitar que ele caísse de cabeça.

Se aquele local do rio fosse um pouco mais fundo, se a correnteza não tivesse ficado mais forte, se ele não tivesse batido a cabeça em no fundo de forma forte o bastante para fazer barulho, se tudo tivesse acontecido de um jeito diferente, então talvez Hidan ainda estivesse vivo, mas a verdade é que tudo aconteceu tão rápido, embora, ela tivesse visto em câmera lenta.

A água tornando-se carmim, o corpo dele flutuando e sendo arrastado pela correnteza, Itachi ligando para o resgate, enquanto Pain tentava puxar o corpo do amigo para margem, sem muito sucesso e quase sendo arrastado junto rio abaixo.

As horas seguintes daquela manhã lhe pareciam uma espiral de pesadelo, ela não lembrava de ter se atirado no rio e nadado até Hidan com toda a força que seu corpo tinha, não lembrava de quase ter se afogado várias vezes, não sabia dizer onde cortou a perna ou como quebrou uma costela, mais tarde quando conseguiu sabe-se lá como chegar na margem arrastando Hidan junto, tudo que ela focava era em fazer as manobras de ressuscitação, mesmo com vozes atrás dela dizendo para parar que ele já estava morto.

Ele tinha morrido na queda, traumatismo craniano, mas encontraram várias fraturas no corpo, incluindo uma perfuração ocasionada pela fratura no estreito, os guardas deduziram que essa última tinha ocorrido devido a pressão constante da manobra de ressuscitação, quando chegaram TenTen empurrava com cada vez mais força, eles tiveram pena do desespero dela.

Todos estavam chocados demais com o que tinha acontecido, todos estavam sofrendo com morte de Hidan, mas todos concordavam que para TenTen aquele era um trauma muito grande, foi necessário sedá-la para que ela soltasse o corpo. Para o Uchiha mais velho, restou a parte mais difícil de tudo, avisar a família de TenTen que ela estava internada e organizar o velório do amigo, sentia-se culpado por não ter conseguido chegar a tempo.

Quando Neji foi até a casa de TenTen no dia seguinte, já passava das dez, ele viu o Uchiha mais velho saindo de lá, ouviu o barulho dos passos apressados e a voz chorosa da mãe da amiga, quando se aproximou da porta quase foi derrubado pelo pai da amiga que saia apressado, ninguém lhe disse nada ele só foi empurrado para dentro do carro a abraçado por uma mulher que chorava como se alguém tivesse morrido.

Algumas pessoas diziam que ele era um gênio, mas naquele momento ele se considerou a mais burra das criaturas, como pode demorar tanto para perceber que algo tinha acontecido, o Uchiha estava com olheiras mais profundas que o normal e parecia ter chorado, o desespero dos pais da amiga e somando todas peças ele teve dificuldade para respirar, não podia ser ela a vítima, não podia, era o que ele repetia mentalmente, queria perguntar o que tinha acontecido, mas o medo da resposta era maior, então seguiu quase sufocado dentro do abraço estrangulante da mãe da amiga, a viagem relativamente curta até o hospital, pareceu durar uma vida, e foi somente quando entrou no hospital e ouviu que amiga estava sedada para ficar mais calma que ele conseguiu respirar novamente.

Os médicos permitiram a entrada dos pais para que eles pudessem vê-la, mas a mesma permaneceu adormecida, Neji teve pena do estado da amiga, tão machucada e provavelmente era culpa do suposto "namorado" que ela tinha encontrado nas últimas semanas, os pais dela não lhe contaram nenhum detalhe do que tinha acontecido e ele não fez questão de perguntar lhe parecia claro o que tinha acontecido.

Depois de muita insistência os médicos permitiram que ele entrasse para vê-la, era estranho ver a amiga com os cabelos soltos, mentalmente ele se perguntou onde tava o tal Hidan enquanto amiga estava em um leito de hospital.

De todas as pessoas do mundo a última que ela esperava encontrar naquele momento era Neji, em parte porque ele estava em outra cidade, em parte porque não queria ter que lidar com temperamento do amigo naquele momento, sabia que tinha sido sedada o corpo ainda tava mole e duvidava que a voz fosse sair com força o suficiente, olhando ao redor constatou que estava recebendo morfina, ela entendia facilmente o motivo de algumas pessoas ficarem viciada, não sentia nenhuma dor física, mas seu coração estava em pedaços, duvidava que um dia fosse superar os eventos daquela manhã.

— Você acordou — Neji disse mais para iniciar uma conversa do que por qualquer outro motivo — Seus pais estão lá fora, mas seu namoradinho até agora não deu as caras.

TenTen sentiu os olhos encherem de lágrimas ao ouvi-lo falar sobre Hidan, sentiu raiva da forma como ele falou, se Hidan estivesse vivo, certamente estaria com ela no mesmo quarto, quem ele pensava que era para está sempre julgando todos ao redor?

— Eu quero que você saia. — não era a resposta que o Hyuuga esperava ouvir, e isso foi facilmente perceptível — Pede pro meu pai entrar.

Ela não deu chance dele responder ou prolongar o diálogo, virou o rosto na direção oposta e esperou que ele saísse, o que ele fez após alguns minutos, parado sem saber como reagir a clara rejeição de sua presença, quando seu pai entrou acompanhado do médico, tudo que ela queria saber era quando seria o enterro de Hidan, e mesmo o médico dizendo que ela deveria ficar internada até se recuperar, fez questão de deixar claro que iria de qualquer forma, o pai dela assinou o termo de responsabilidade comprometendo-se a levá-la de volta assim que terminassem o sepultamento.

Agora

TenTen observou todo o velório de Hidan como se estivesse dentro de um pesadelo, seus pais tinham ido também, mas era Konan quem a amparava em sua dor, em alguns momentos enquanto o caixão era carregado ela pensou que desmaiaria em parte pela dor que sentia em todo o corpo, em parte porque não conseguia parar de chorar e encontrar forças para seguir em frente, Konan ficou ao seu lado o tempo todo, quando a primeira pá de terra foi jogada sobre o caixão, ela não conseguiu mais manter-se de pé e tudo ficou escuro.

Os pais dela vieram correndo e levaram-na para o hospital, o médico disse que os danos causados ao corpo não eram tão severos, mas que os danos emocionais poderiam agravar muito o quadro psicológico dela.

Uma semana depois do enterro.

Neji não entendia o motivo de ter sido tão duramente rejeitado pela amiga, tinha sido solidário e em troca ela pedira que ele deixasse o hospital, tudo bem, que agora ele sabia que o tal Hidan estava morto, mas, ainda assim, achava a reação da morena muito exagerada, não tinha nem quinze dias que ela conhecia aquele sujeito, o evento todo deve ter sido traumático, mas já estava na hora dela começar a superar. Logo ás aulas voltariam e ela não poderia continuar reclusa dentro de casa sem querer receber ninguém ou atender ao telefone.

Hinata lhe disse que ele estava agindo como um completo babaca e que a falta de empatia dele era surpreendente, sua prima insistia que somente o fato de ver alguém morrer já era traumático o suficiente e que TenTen tinha perdido alguém que amava, que se ele realmente fosse um bom amigo estaria apoiando-a e não cobrando e julgando como ele sempre fazia.

Neji achava ridículo que todos o tornassem um vilão, quando tudo que ele estava fazendo era tentar trazer TenTen de volta a realidade, antes que ela desenvolvesse algumas dessas frescuras modernas que às pessoas insistiam em chamar de doença, até mesmo seu tio lhe repreendera dizendo que depressão, ansiedade, bipolaridade ou qualquer outro transtorno, são doenças sérias e que milhares de pessoas tiravam a vida anualmente por causa disso, Neji apenas revirava os olhos, talvez ele fosse mais forte e equilibrado que a maioria das pessoas, porque nunca que ele ficaria assim só porque alguém morreu.

Capítulo VII: Volta, Revoltas e Reviravoltas

Quando TenTen era mais nova, ela costumava assistir filmes românticos e achar todas as mocinhas exageradas, toda aquela história de se apaixonar no primeiro encontro e amar pra sempre pura besteira. E se alguém dissesse que ela estaria um dia chorando a morte trágica de um quase namorado, ela simplesmente riria, porque era absurda demais toda aquela ideia. Olhando agora, ela gostaria muito mais de está vivendo o clichê de se apaixonar pelo homem mais velho e todos serem contra o relacionamento ou clichê de ter que se separar de quem ama e anos depois reencontrar aquela pessoa e o sentimento continuar ali, seria preferível a realidade que estava vivendo agora.

Trancada em seu quarto ela olhava as fotos com Hidan no celular, e era impossível não chorar ao lembrar-se da forma como ele morreu. Se tivesse entrado na água mais rápido para resgatá-lo, se não tivesse entrado na água e pedisse para ele ficar com ela tomando sol, se não tivessem viajado, ele ainda estaria vivo? Ou ele realmente tinha que morrer naquele dia? Sentia-se culpada por não ter evitado a morte dele, embora, sua psicóloga tenha dito que ela não deveria sentir culpa por algo que estava além do seu controle.

Os dias após a morte de Hidan foram duros e torturante, sentia-se morta por dentro, tinha medo de sair de casa, tinha medo de ter que falar com alguém e perguntarem sobre ele. Ela tinha até mesmo desativado todas as redes sociais e ainda assim sentia-se sufocada pelas pessoas e as perguntas que elas faziam ainda que silenciosamente.

Tinha se recusado a receber visita dos amigos o restante das férias, não queria sair do quarto, mal tinha forças para tomar banho sozinha ou comer, seus pais estavam preocupados que ela ficasse depressiva, mas ela não estava, ela só precisava se permitir ficar de luto o tanto que fosse necessário.

Ela melhor do que ninguém sabia que todos estavam preocupados com ela, mas naquele momento ela seria egoísta e se daria o direito de ficar de luto, de sofrer o quanto achasse necessário, não se forçaria a curar antes do tempo, não fingiria que tudo estava bem, não se tornaria uma pessoa incapaz de entrar em outro relacionamento por traumas não superados.

Olhando novamente a última foto que tinha ao lado de Hidan, ela se permitiu chorar outra vez, era tão difícil ter que continuar a viver e sabendo que perdeu alguém que amava tanto e tão profundamente. Seriam dias difíceis, porque ao mesmo tempo que queria fugir de tudo que lhe trouxesse dor, queria insanamente guardar cada mísera memória dele.

Foi em uma tarde fria que ela recebeu a visita de Itachi, não que ela quisesse aceitar a visita, mas ele disse que precisava conversar com ela, então ela deixou que ele entrasse em seu quarto. Itachi parecia mais abatido do que de costume.

— Itachi eu…

— Eu sei que você quer ficar sozinha — ele interrompeu antes que ela dissesse algo mais — Eu tó fazendo o inventário do Hidan — ele suspirou sentando na beirada da cama — De algum modo todos acharam que eu era o mais apto a pegar as coisas dele e tirar da casa.

— Eu não sabia que você estava fazendo isso…

— TenTen eu sei o que você está passando — ele disse sem encarando o chão — Já estive no seu lugar, eu queria dizer que essa dor vai passar, mas a verdade é que sempre vai ser uma ferida aberta.

— Tão motivador — ela tentou brincar e ele deixou escapar o que deveria ser um sorriso — As coisas do Hidan serão doadas?

— Quase tudo já foi doado — ele comentou pegando uma mochila que ela nem tinha visto — Eu não sabia se você ia querer alguma coisa dele, então eu trouxe uns moletons e algumas roupas que achei por lá.

Naquela manhã ela chorou mais um pouco enquanto guarda os moletons que foram de Hidan e ouvia Itachi falar sobre Izumi e a morte lenta que ela teve devido ao câncer. Para o espanto de todos foi Itachi Uchiha quem conseguiu fazer com que TenTen saísse do quarto pela primeira vez em dias. Sentados no quintal dos fundos, ele falou pela primeira vez em anos sobre Izumi.

— Era difícil pra mim vê-la sofrendo — ele deu um trago no baseado, que até então TenTen jamais imaginou que ele fumasse — Era desgastante ir ao hospital vê-la melhorar, levar para casa só para dois dias depois ela precisar ser internada por alguma infecção, nos dias finais ou ela estava gritando de dor ou estava dopada de morfina.

— Isso ainda te machuca? Tanto tempo depois?

— É como eu te disse — ele passou o baseado para ela que acabou dando um trago — Sempre vai ser uma ferida aberta, alguns dias vão sangrar e doer e em outros vai tá quase cicatrizado, mas nunca totalmente.

— Eu não quero esquecer o Hidan — ela comentou tragando novamente e sentindo a paz característica que a droga lhe trazia das poucas vezes que usou — Eu só quero ter tempo para me curar.

— As vezes eu esqueço de como era a Izumi e isso me mata por dentro — ele soltou a fumaça antes de encarar TenTen — Mas isso não quer dizer que eu deixei de amá-la.

— Você seguiu em frente — ela comentou olhando para o céu — Se apaixonou novamente, eu não sei se um dia vou conseguir.

— Um amor não anula o outro TenTen — ele disse também encarando o céu — Você vai amar outras pessoas e continuar amando o Hidan, mas eu não a Sakura ou coisa parecida, eu sou o Sasuke possível dela.

— Você namora a Sakura só para que ela não fique atrapalhando a felicidade dele com o Naruto?

— Basicamente.

— Você é uma caixinha de surpresas — ela comentou com a voz pastosa — Quem diria que você tem um coração.

— E você — respondeu ajudando-a a se levantar — Está chapada.

Os dois deram risada e foram para a cozinha, felizmente o pai dela estava em horário de trabalho ou seria um longo sermão sobre a utilização de maconha dentro de casa. Quando Itachi foi para casa, TenTen reuniu forças para organizar o quarto e a própria bagunça que estava em seu interior.

Era o momento de dar o primeiro passo para superar, parada de frente ao espelho ela soltou os coques e se observou pela primeira vez com os longos cabelos soltos, não ficava tão ruim e deveria ser um começo, usar coques lembrava o jeito que ele a tratava e só fazia com que ela se sentisse ainda mais infeliz.

Neji realmente não conseguia entender todo aquele isolamento de TenTen, ela já tinha chorado no enterro do cara e durante o tempo que ficou internada, não tinha motivo para ficar trancada dentro de casa lamentando algo que não podia ser remediado.

Hinata quase lhe batera quando ele disse que achava que TenTen estava sendo muito dramática, mas do ponto de vista dele, todo aquele drama era desproporcional ao que eles tinham vivido, mas todos diziam que sentimento não se media pelo tempo de convivência e ele apensa tinha preguiça de iniciar uma discussão.

Ele sentia falta da amiga sentada ao seu lado durantes às aulas, se continuasse daquele modo ela perderia o ano, voltar para escola era tudo que ele precisava para sentir-se bem revigorado, ali não tinha chuva, tédio ou reuniões de negócio e de quebra ele estava novamente ficando com alguém.

Aparentemente o relacionamento de Sakura com o Uchiha mais velho tinha acabado definitivamente, e ela estava buscando consolo em seus braços, não que ele se importasse de está sendo usado, mesmo porque ele só queria sexo de qualquer forma.

Duas semanas ficando com a Haruno e ele pode entender o motivo do Uchiha não querer voltar, Sakura era mimada e pegajosa, estava sempre colada com ele e mal dava espaço para que ele conversasse com Lee, quando qualquer outra garota chegava perto dele, por mais que fosse algo relacionado aos estudos, ela tinha ataque de fúria bastante vexatório.

Ela falava o tempo todo sobre roupas, sapatos, maquiagem e celebridades. Neji achava a Yamanaka fútil, mas a verdade é que com a loira ele conseguia ter uma conversa minimamente interessante, ele já estava começando a se o sexo com ela valia todo aquele esforço.

Neji estava encostado no portão de entrada da escola, enquanto a rosada falava sem parar sobre qualquer coisa que ele já tinha deixado de ouvir, quando ele a viu atravessando a rua. A Haruno parou de falar e encarou a garota que chegava com raiva visível, mas ele não estava de fato prestando atenção nas reações da sua atual ficante.

Lógico que ele esperava que cedo ou tarde TenTen retornasse a escola, mas a garota diante de si não lembrava em nada a morena que ele conhecia desde a primeira séria do fundamental. TenTen estava com os longos cabelos trançados sobre o ombro e pela primeira vez estava usando um uniforme do tamanho correto, agora ela se parecia com todas as demais garotas.

— TenTen! — ele ouviu o grito de um Rock Lee que vinha correndo rápido o bastante para levantar poeira — Você está de volta, eu senti tanto sua falta.

— Oi Lee — a voz dela também estava diferente, estava mais baixa e suave — Também senti sua falta.

Neji esperava que a morena parasse para falar com ele, e por um instante realmente pareceu que ela o faria, mas então Sakura o agarrou em beijo cinematográfico e a amiga passou direto com Lee, aquela foi a primeira vez que ele agiu com grosseria com uma ficante. Ele empurrou-a contra a parede.

— O que você pensa que está fazendo?! — A garota se encolheu contra a parede — Eu queria ter falado com a minha amiga e você agiu igual uma louca.

— Eu não sou louca! — ela gritou empurrando ele de forma brusca — Você está comigo, tem que me dar sua total atenção, não tem que olhar ou falar com outras garotas.

— Aí chega! — gritou já exasperado bagunçando os longos fios no processo — Não dá, você é gostava, mas não vale o esforço de ter que aturar seus surtos.

— Neji…

— Sakura, paramos por aqui — disse de forma direta — Não dá pra ficar com você, considere nosso lance finalizado.

Sakura nunca antes sentiu-se tão humilhada em sua vida, quem ele achava que era para descartá-la daquela forma, porque todos achavam que podiam simplesmente descartá-la? Ele saiu andando para a sala de aula, mas ela jurou que aquilo não ficaria daquele jeito, Neji pagaria por aquela humilhação ou ela mudaria de nome.

Neji quis dizer que o motivo de andar tão rápido era porque estava atrasado para aula, mas a grande verdade era que ele estava ansioso para conversar com amiga, saber se ela já tinha superado todo aquele drama, mas para sua completa surpresa TenTen estava sentada próxima a Lee na primeira fileira e não no lugar que costumava sentar.

Ela olhou para ele esboçou um sorriso triste, e ele entendeu que algo realmente tinha se quebrado entre os dois e que ele teria que se esforçar um pouco mais se quisesse novamente ser amigo dela.

Semanas passaram-se desde o retorno de TenTen às aulas, a garota ainda exibia um olhar triste disperso na maioria das vezes, Neji sentia-se profundamente incomodado com aquele distanciamento, mas não queria dar o braço a torcer e admitir que estava errado no modo como vinha agindo.

Para seu completo alívio Sakura parecia ter esquecido de sua existência, mas a experiência tinha lhe servido de lição e ele tinha decidido passar um tempo sem ninguém, muita dor de cabeça por pouco resultado.

Nesse período sem ficar nenhuma menina e observando TenTen de longe, ele começou a reparar em coisas que antes ele não era capaz de perceber, como o formato amendoado dos olhos dela ou fato de que a amiga nunca teve uma espinha sequer.

Neji não notou a aproximação do amigo até que ele estivesse ao seu lado

— Não é mais fácil pedir desculpa? — Neji não deu a Lee o privilégio de vê-lo assustado — Orgulho não leva ninguém a lugar algum e você tá perdendo a amizade de uma pessoa incrível.

— Ela se distanciou do por vontade própria — comentou com a voz irritada — Eu não fiz nada que precise ser desculpado.

— Se você diz…— Lee sentou-se na carteira que ficava ao lado da Neji — Mas sabe, é na dor que conhecemos nossos amigos, talvez esse tempo todo só a TenTen tenha sido sua amiga.

Neji não teve tempo de responder pois o professor entrou em sala, ele passou o restante de aula refletindo sobre as palavras do amigo, será que ele realmente vinha sendo um amigo tão ruim assim?

Sakura não tinha engolido a forma como Neji a dispensara, inicialmente ela culpou TenTen, mas logo depois ela viu que a garota era só mais uma vítima do Hyuuga, da mesma forma que ela. A Haruno não era necessariamente uma pessoa ruim, mas certamente era alguém precisava de ajuda médica, mas como Sakura ignorava os constantes pedido de sua madrinha de que fizesse terapia e se automedicava, aquela foi a receita para a tragédia que em breve aconteceria.

Uma vez que ela botou na cabeça que era uma vítima e que Neji era um homem vil que precisava ser contido, antes que fizesse mal para outras garotas, nada poderia impedi-la de cumprir sua missão e vingança pessoal.

Nas semanas que seguiram após ser dispensada ela observou cada garota que Neji saiu e depois descartou como lixo, observou como todas tiveram a autoestima abalada e sofreram por causa dele, a pobre TenTen não só tinha sido rejeitada como ele ainda tinha feito algo para que Hidan morresse, talvez ele usasse magia negra ou algo do tipo. Com medo de ser pega em um feitiço ou coisa parecida, ela manteve uma distância segura enquanto preparava seu plano de contenção.

Neji era bom em esportes, então o ginásio da escola seria o lugar onde executaria seu plano, não tinha como dar errado, e no fim todos a agradeceriam.

Quando uma garota do primeiro ano veio lhe dizer que TenTen o esperava no ginásio da escola, ele ficou feliz pela primeira vez em dias, finalmente ela voltaria a falar com ele, e essa onde de felicidade lhe impediu de ver que aquele não era o perfil de sua amiga, para sorte dele Ino tinha ouvido sobre o encontro dos dois e por diversão resolveu espalhar o boato de que os dois ficariam no ginásio.

Tão logo o boato percorreu toda a escola uma grande quantidade de alunos quis ir até o ginásio para observar e registrar o momento e isso incluía a própria TenTen o que gerou uma certa confusão nos presentes, porque se TenTen estava ali, quem esperava Neji no ginásio?

Neji chegou na porta do ginásio, estava vazio aquele horário, mas a porta encontrava-se aberta e a luz estava acesa, provavelmente TenTen o esperava nas arquibancadas. Assim que ele cruzou a porta, ouviu o barulho da mesma sendo fechada, ao virar-se para ver se a amiga tinha entrado e ele foi atingindo em cheio e jogado ao chão.

Sua face doía e ele sentia o sangue escorrendo pelo nariz e a boca, devido ao impacto da queda ele sentia também que tinha esfolado os braços no piso. Estava tentando organizar os pensamentos em meio a dor que sentia, fazendo um esforço ele conseguiu focar a visão e viu Sakura e um taco de basebol ensanguentado.

Ele não era um cara religioso, mas naquele momento enquanto Sakura vinha na sua direção com a clara intenção de agredi-lo novamente com o taco e ele tentava desesperadamente sair do alcance dela, ele rogou a Deus por ajuda, tinha certeza que se ela o acertasse novamente no mesmo local ele terminaria morto.

Sakura havia se escondido atrás da porta do ginásio, foi tão fácil atrair o Hyuuga que ela quase não acredita, um único golpe e tudo estaria acabado era o que ela pensava enquanto se posicionava para acertar a cabeça dele, porém o vento fez com que a porta fechasse o barulho o fez virar, ela que também tinha se assustado não conseguiu empregar força o bastante no golpe.

Não era uma assassina insana, então ela realmente estava ficando irritada de ter que ficar movendo-se toda hora de lugar porque Neji teimava em se arrastar para fora do seu alcance, ela queria terminar rápido, mas ele não estava facilitando para que um golpe certeiro fosse desferido.

— Para de se mover! — Gritou acertando o joelho esquerdo dele com taco, o grito de dor ecou por todo o ginásio — Psiu! Se você gritar as pessoas vão nos descobrir.

— Você está louca — ele murmurou ofegante pela dor, tinha certeza que sua rótula fora quebrada — Para com isso, por favor!

— Onde tá toda aquela empáfia? — Sakura questionou rindo e acertando o calcanhar da perna direita ao ponto de ouvir o barulho dos osso sendo quebrados — O grande Hyuuga que se acha melhor que todos, pedindo por favor.

Depois de muita confusão ficou claro para os alunos da escola que TenTen não tinha marcado nenhum encontro, mas foi somente quando a garota do recado descreveu a mandante que todos ficaram preocupados, afinal qual motivo Sakura teria para mentir sobre a identidade para Neji? Enquanto corriam até a ginásio um gripo foi ouvido, TenTen reconheceu a voz do amigo imediatamente e correu para o local.

Quando a porta foi aberta por uma TenTen esbaforida, a cena parecia saída de um filme de terror, sangue espalhado pelo chão ,Neji deitado sem conseguir se mover e Sakura prestes a acetá-lo na cabeça. Não era preciso ser um gênio para saber o que aconteceria se o golpe atingisse o Hyuuga.

Ela tinha acabado de se recuperar de uma fratura nas costelas, o médico tinha dito para fazer repouso e evitar esforço pelos próximos noventa dias, mas lá estava ela atirando-se sobre a Haruno e imobilizando-a enquanto não chegava ajuda.

Sakura era bem mais forte do que ela previa e quando acertou uma joelha na costela a pouco curada, ela quase perdeu as forças, mas naquele momento ela estava lutando pela sua sobrevivência e pela vida Neji, tinha falhado com Hidan, não cometeria o mesmo erro.

TenTen sempre foi contra o emprego de violência para resolver qualquer situação, mas naquele momento tudo que ela pode fazer foi nocautear Sakura com um potente soco no queixo e esperar que outro aluno chegasse, já que ela mal conseguia respirar de tanta dor.

Os outros alunos chegaram com o professor Kakashi e a enfermeira Shizune, Neji estava desmaiado, mas ainda respirava e o pulso estava estável, TenTen por outro lado tinha a respiração irregular e a enfermeira suspeitou de uma perfuração pulmonar. O resgate tinha chego rápido, felizmente as habilidades de fofoca da Yamanaka tinha utilidade em alguns casos, ela ligou para polícia e para resgate antes mesmo de saber o que estava acontecendo.

Como base no que tinham colhido de informações, por precaução Sakura foi algemada a maca, enquanto Neji e TenTen eram removidos para unidade de terapia intensiva. Os pais da morena de coques, tinham chego a conclusão de que não aguentariam receber outra ligação daquele tipo, mas para a tranquilidade de todos, TenTen tinha apenas uma escoriação na mão direita e um roxo onde fora chutada, de resto nenhum dano, o médico disse apenas que o motivo do desmaio foi fraqueza porque ela não vinha se alimentando corretamente.

Sakura assim que acordou contou em detalhes tudo que fez para proteger ela e todas as outras garotas do monstro sem coração que era Neji, embora, ela fosse responder por tentativa de homicídio doloso e lesão corporal grave, os médicos já tinham feito uma avaliação clínica e eles concluíram que a mesma não estava em pleno uso de suas faculdades mentais e que não poderia ir para uma prisão comum.

Tsunade que tinha criado a garota como se fosse sua filha, sentiu pela primeira vez que tinha falhado não só como médica, mas também como mentora, Sakura vinha demonstrando comportamento delirante há algum tempo e ela preferiu ignora, ignorou até mesmo quando os antipsicóticos começaram a desaparecer de seu consultório, agora tinha chego em um ponto que não dava mais para fingir que tudo ficaria bem, foi com dor no coração que ela concordou que o melhor para Sakura e para quem convivia com ela, era a internação em um manicômio judicial, ao menos até que ela estivesse estável e pudesse responder legalmente por seus crimes.

Neji foi o que mais sofreu danos, o primeiro golpe não chegou a causar traumatismo craniano, mas gerou um coágulo que para ser dissolvido comprometeu mais de oitenta por cento da visão periférica do olho direito, a mandíbula havia se lesionado e ele passaria um tempo sem comer sólidos. A lesão do calcanhar, embora fosse mais severa em termo de fraturamento, não foi tão severa quando a do joelho, três meses no gesso e fisioterapia e o pé estaria novinho em folha, não se podia dizem o mesmo do joelho esquerdo do rapaz, o osso tinha esmagado de um jeito que não daria para corrigir com cirurgia, infelizmente ele não conseguiria mais dobrar aquela perna e ficaria manco.

Hiashi Hyuuga recebeu com preocupação na notícia de que o sobrinho tinha sofrido um atentado daquele nível, quando os médicos lhe disseram que tudo ficaria bem e que ele estava fora de perigo, ele não comemorou junto com as filhas e o genro, ele aguardou com a paciência que a idade lhe dera, e assim que sua família fez silêncio, ele ouviu o médico falar sobre cada sequela que o sobrinho teria e suspirou pesadamente, Neji era cheio de vida e claro que a perda da mobilidade da perna não era nada aos olhos dele, não era nada comparado ao que poderia ter acontecido, mas como seu sobrinho reagiria ao saber daquela notícia, o garoto era forte e isso era um fato, mas todo mundo tem uma fraqueza e ele desconfiava que aquela seria a fraqueza de Neji.

Capítulo VIII: Tempos de angustia

Ele caminhava no escuro, não conseguia ver nada e sentia dificuldade de andar, era como se estivesse sendo puxado para baixo, repentinamente tudo ficou vermelho como se seus olhos estivessem cobertos de sangue, ao olhar para baixo ele pode ver mãos segurando-o e puxando-o para que o parecia ser um rio de pinche no qual lentamente ele afundava. Ao olhar para cima ele pode ver os olhos esmeraldinos o encarando e som da risada enquanto ela o acertava com inúmeros golpes sem que ele pudesse se defender.

Tudo estava escuro e ele tentava desesperadamente sair daquele rio, mas quando mais lutava mais afundava e em meio aos seus gritos por socorro, ele escutou alguém chamando o seu nome ao longe

— Neji! Neji! Neji!

Neji acordou repentinamente na cama do hospital, e a primeira coisa que viu a sua frente foi o rosto preocupado da sua amiga TenTen, os olhos cor de chocolate lhe encaravam com genuína preocupação.

— Neji, você tá aí?

— TenTen… — ele estava confuso, sua cabeça doía e não sabia ao certo onde estava — Onde eu estou?

— Você está no hospital — ela respondeu segurando a mão dele com cuidado para não tirar o acesso — Eu vou avisar aos médicos que você acordou.

Ele estava confuso, recordava-se de ir até o ginásio e de ser atacado pela Haruno, depois tudo ficou confuso, via alguns borrões e teve a vaga impressão de ter ouvido a voz da amiga, mas não tinha certeza se ouviu mesmo ou foi uma alucinação devido aos machucados.

Quando o médico retornou ao quarto acompanhado de seu tio, ele sentiu uma certa apreensão, era como se ele estivesse prestes a receber uma bomba em seu colo. Talvez ele ainda estivesse sonhando, tinha que ser isso, do contrário ele não conseguiria aceitar, tudo que o médico lhe dizia, mas ao olhar para o tio ele teve certeza de que não estava em um pesadelo, o prognóstico era bem real, ficaria manco e nunca mais conseguiria ver com a mesma capacidade.

— Neji, você compreendeu tudo que eu expliquei? — o médico olhou para o jovem com certa piedade — É normal um pouco de confusão depois do que te aconteceu e…

— Eu vou matar aquela lunática! — ele gritou tentando levantar-se da cama e arrancando o soro que estava no braço, por sorte o médico fora rápido em contê-lo — Me solta! Eu vou acabar com aquela louca!

— Para com isso! — seu tio gritou já bem irritado — Não piore o seu quadro clínico, além do mais, aquela garota já está trancafiada em um manicômio e no que depender de mim, ela nunca mais verá a luz do sol.

Assim que o médico deixou o quarto e ele se viu sozinho, finalmente ele se permitiu afundar em sofrimento e angústia, como seria sua vida a partir daquele momento? Sakura tinha destruído mais do que sua autoestima, ela destruíra boa parte do seu futuro. Ele já não poderia dirigir ou pilotar uma moto, não poderia correr, jogar basquete ou andar skate. Sakura em poucos minutos conseguiu destruir sua vida de um modo que ele nunca conseguiria reconstruir.

Receber a visita dos amigos e do restante da família lhe pareceu uma longa tortura, odiava o modo como todos o encaravam com pena e pareciam prestes a chorar. TenTen veio visitá-lo já no final do horário de visitas, diferente dos outros ela não o encarava com piedade ou coisa parecida.

TenTen sentou-se na poltrona que tinha de frente para cama de Neji, ela estava feliz que ao menos com ele não tinha falhado, não conseguira salvar Hidan, mas o amigo estava vivo, levaria algumas sequelas, mas estava vivo e isso era tudo que importava.

— Você me deu um grande susto — disse ao acaso, ele não parecia muito atento de qualquer forma — Quando eu entrei naquele ginásio e te vi e todo aquele sangue, eu pensei que fosse tarde…

— Obrigado — a voz dele estava um pouco estranha devido a lesão do maxilar — Meu tio disse que você se machucou.

— Não foi nada grave — ela respondeu aproximando-se da cama — Como você está se sentindo? Não fisicamente, o seu emocional.

— Eu queria matar a Sakura — tornou com uma expressão de ódio na face — Eu queria ter morrido.

Doeu ouvir aquela frase sendo proferida por Neji, doeu saber que o amigo era tão fraco ao ponto de desistir da vida na primeira dificuldade, doeu saber que ela tinha arriscado sua própria saúde para salvá-lo e ele não valorizava o esforço feito por ela, doeu lembrar que se Hidan tivesse tido uma única chance que fosse, ele se agarraria e lutaria pela vida até o último segundo, doeu quando ela com a face banhada por lágrimas atingiu o rosto dele com um tapa.

— Nunca mais me diga algo assim! — TenTen continuou estapeando ele — Nunca mais diga que queria morrer!

— E do que me adianta continuar vivo? — ele questionou tentando evitar os tapas da amiga — Eu perdi tudo! Olha pra mim, TenTen! Eu sou um inválido!

— Você está longe de ser um inválido! — ela gritou de volta, acertando outro tapa no rosto dele — Você perdeu parte da visão de um olho, e daí? É só virar o rosto e olhar para direita! — ela gritou novamente e começou a chorar — Não pode dobrar a perna, mas ainda pode andar!

— Fácil para você falar, você não perdeu nada…

— Você é um filho da puta egoísta! — ela gritou batendo nele várias vezes — Como você pode abrir a boca e dizer que eu não perdi nada, quando o Hidan está morto! Eu não te salvei para você ficar aí sentindo pena de você mesmo.

— TenTen…

— Você tá vivo! Vai voltar para casa, para as pessoas que você ama — TenTen estava chorando de soluçar a essa altura — Vai envelhecer e construir uma família, como pode dizer que queria morrer? Como pode?

Foi naquele momento que ele finalmente percebeu o quão egoísta estava sendo, cego dentro de sua própria dor, ele foi incapaz de pensar em como as pessoas que o cercavam tinha se sentindo com aquela situação toda, ele não parou para pensar em como TenTen sentia-se em quase perder alguém querido em tão pouco tempo após a perda do namorado.

Neji sentiu vergonha, logo ele que sempre julgou-se tão superior aos demais, que sempre acreditou ser mais forte, ele eram que estava caindo primeiro, ele quem estava desistindo diante da primeira dificuldade que vida lhe apresentava, de algum modo quando TenTen deixou aquele quarto em lágrimas, ele soube que talvez estivesse fadado a ficar estagnado no mesmo local, enquanto ela sumia do seu campo de visão e gradativamente da sua vida.

4 meses depois

Neji ficou hospitalizado tempo demais para o gosto dos médicos, embora todos os procedimentos tenham sido um sucesso, ele simplesmente não progredia nas terapias aplicadas, mesmo após retirar o gesso e os pinos do tornozelo, ele continuava alegando não conseguir pisar e se locomover.

O mau humor do Hyuuga já era de conhecido por toda a junta médica e até mesmo seus amigos foram deixando de visitá-lo gradativamente, até que com dois meses de internação ele parou de ser visitado e seu tio ligava uma vez ou duas na semana, o médico insistia em dizer que ele precisava se ajudar, que agora noventa por cento do sucesso do tratamento dependia dele, mas para ele, nada mais valia a pena e ele só queria que as pessoas o deixassem sozinho em sua melancolia.

A equipe do hospital não poderia nunca dizer que não tentaram de tudo para ajudá-lo na recuperação dos movimentos da perna, mas a grande verdade era que não da para ajudar quem não quer ser ajudado. Foi com pesar que o médico deu alta ao jovem, não adiantaria mantê-lo internado, quando claramente o problema encontrava-se na mente e não no corpo. Foi indicado que ele fizesse terapia, mas o jovem deu um ataque de fúria dizendo não ser louco.

A volta de Neji para casa, causou um certo desconforto aos Hyuugas, nãos que eles estivessem com algum tipo de preconceito por ele ter ficado manco ou pelo fato de que agora ele usava uma cadeira de rodas e a casa teve que passar por modificações para melhor acomodá-lo, mas pelo fato de que ele trancara-se no quarto e fazia questão de manter-se o dia inteiro deitado no mais completo breu, recusando-se até mesmo a tomar banho e comer.

TenTen não tinha voltado ao hospital depois que Neji despertou, ela estava com raiva do amigo, com raiva da ingratidão dele. Como ele podia rejeitar a dádiva que era ter escapado de um ataque tão brutal quanto aquele? Ela não conseguia parar de pensar que o mundo e era injusto e que a vida dava pérolas aos porcos, Neji ficava lamuriando-se da vida que teria, sendo que ainda nem tinha tentando seguir em frente, Hidan morreu sem ter a chance de lutar, se fosse o inverso, certamente o mais velho estaria feliz só de poder continuar vivo.

Foi uma surpresa muito grande quando Hinata apareceu em sua porta um mês após Neji receber alta, não que a morena não fosse uma visita constante em sua residência, afinal, as duas eram amigas, mas foi uma surpresa que a Hyuuga mais velha estivesse na sua porta as cinco da manhã de um sábado

— Hinata?

— Eu não aguento mais! — a morena passou por ela e subiu as escadas em direção ao seu quarto — Neji está em um estado deplorável e eu não sei o que fazer.

A morena de coques observou o misto de tristeza e raiva na expressão da mais nova, Hinata realmente estava desesperada, a dona da casa questionou-se se seus pais sentiram-se do mesmo jeito durante o período que ela ficou de luto.

— Ele ainda tá trancado dentro do quarto sem tomar banho?

— Sim — a mais nova suspirou contendo as lágrimas — Ele vai morrer se continuar assim.

— O Neji precisa de terapia — TenTen disse enquanto ia ao banheiro fazer sua higiene matinal — E principalmente, ele precisa parar de ser ver como um pobre coitado.

Hinata sabia que a morena estava certo, todos sabiam disso na verdade, mas Neji estava cada vez pior, o mesmo insistia em se ver como a vítima de toda a história, não que ele não fosse, mas ele tinha se acomodado nesse papel, com tempo parecia que ele queria todos tivessem pena dele e até mesmo ele agora via-se como alguém digno de pena.

A família já tinha feito tudo que os médicos recomendaram para que ele melhorasse, tinham contratado os melhores psicólogos do país, mas ele simplesmente recusava-se a falar com quem quer que fosse, então ela resolveu apelar para única pessoa que, no seu ponto de vista, poderia salvá-lo.

— Eu sei, mas ele não aceita ajuda — TenTen teve pena da Hyuuga, sabia o quanto Hinata amava Neji, eram como se fossem irmãos — Eu queria que você fosse falar com ele, eu sei que você está irritada com ele…

— Olha… — um longo suspiro escapou de seus lábios — Eu estou sim irritada com ele, mas eu nunca negaria ajuda para um amigo.

— Obrigada!

TenTen foi até a casa dos Hyuugas naquele dia, ela pediu apenas para que a deixassem a sós com Neji, acreditava que seria mais fácil dessa forma, também não queria que alguém interferisse na conversa deles.

Quando ela abriu a porta do quarto teve que se controlar para não vomitar com o mau cheiro do local, se perguntou há quanto tempo o Hyuuga não tomava banho ou tirava o lixo, tinha pratos com resto de comida por cima da mesa de estudos, roupa suja, a janela fechada tornava o ar vicioso e para piorar tudo estava escuro demais. Ela sabia melhor do que ninguém o quão difícil poderia ser aquele período e também sabia que a melhor forma de lidar com Neji naquele momento era pela força, conversar não ajudaria, então ela fez o que precisava.

A morena adentrou o recinto e acendeu a luz na cara do Hyuuga que estava deitado olhando para o teto como se já estivesse morto, atravessou aquele mar de poeira e roupa suja até a janela e sem fazer muito esforço arrancou as cortinas da parede e abriu a janela totalmente, luz solar e ar fresco faria bem ao ambiente, após sair chutando todo o lixo que achou pelo caminho para o corredor, foi a vez dela olhar para o amigo que estava deitado ainda sem se mover.

— Levanta ou eu te levanto, escolhe.

— Me deixa em paz, TenTen.

Dando os ombros ela o puxou para fora da cama e saiu arrastando até o chuveiro jogando-o embaixo da água fria, como ele ainda não tinha se adaptado a nova condição física e insistia em ficar na cama o dia todo o resultado não poderia ser outro que senão ele caído no chão do box quase se afogando embaixo da água fria.

Sabia que estava sendo cruel com o amigo e que não deveria sentir-se tão bem com aquilo, mas no momento ela estava agindo movida pela raiva e por mais que ele tentasse fugir das mãos que arrancavam suas roupas quase rasgando o tecido ele não conseguia.

Aquela era sem dúvida alguma a pior manhã da vida de Neji, não só fora arrancado da cama da forma mais bruta possível, como estava sendo esfregado com uma esponja de lavar louça com toda a força que TenTen tinha, ele não sabia ao certo quanto tempo estava debaixo daquela água fria, mas sabia que a pele já estava toda vermelha de tanto ser esfregada e que o couro cabeludo estava dolorido de tanto que ela esfregava o shampoo.

Quando finalmente ela mudou para água morna, ele achou que tivesse acabado, mas ela continuou lavando e esfregando cada parte do corpo dele, isso incluía até mesmo sua genitália e os dentes, era humilhante que a amiga o visse daquele modo.

— Vai se secar sozinho ou quer que eu faça isso também?

A contragosto ele estendeu a mão para pegar a toalha que ela oferecia, enquanto ele secava sentado sobre o cesto de roupa, ela retirava a roupa de cama e tudo que era sujeira que tinha no quarto, talvez ele não devesse ter passado tanto tempo deitado, estava com séria dificuldade para fazer algo simples como se vestir.

Aquele quarto estava imundo, mas TenTen foi rápida e jogar o colchão pela janela junto com os carpetes, não valia a pena limpar aquilo o mau cheiro já estava impregnado. As roupas sujas que estava corredor ela juntou e colocou em saco de lixo, não era como se fosse fazer falta para o Hyuuga, quando ele saiu do banheiro se arrastando apoiado na parede, ela fez com que ele sentasse na poltrona do quarto e sentou-se no chão de frente para ele.

— Seu tio vira te buscar para terapia e de lá você vai para fisioterapia. — quando ele tentou dizer algo ela fez sinal para que ele não falasse nada — Eu não estou perguntando se você quer ou não, você vai!

— Você não pode decidir por mim…

— Posso! Eu tô salvando você de si próprio e daqui uns meses você irá me agradecer.

Hiashi ficou surpreso ao chegar em casa e encontrar uma fogueira no quintal queimando o colchão e os carpetes do quarto de Neji, mas preferiu não comentar nada, já era um grande alívio saber que ele começaria o tratamento, ainda que contra a vontade, fora reconfortante ver o sobrinho limpo após quase dois meses vendo-o sujo e deitado sobre a cama esperando pela morte.

Hanabi e Hinata ajudaram a morena de coques a fazer a limpeza do quarto de Neji, elas até mesmo pintaram as paredes com cores um pouco mais claras e o colchão novo chegou no mesmo dia. Quando Hinata pediu ajuda, ela esperava que TenTen fosse conversar com o primo, igual todos fizeram, nunca imaginou que ela usaria força bruta para iniciar a mudança na vida do primo e até sentiu-se estúpida por não ter tentado isso antes.

1 mês depois

Neji não podia dizer que gostava da fisioterapia ou de ir ao psicólogo, mas tinha que admitir que era preferível aquilo ao tratamento de choque que TenTen tinha utilizado, a primeira semana inteira fora acordado pela morena e jogado dentro do banheiro para tomar banho, no oitavo dia ele preferiu ir com as próprias pernas, ainda que não conseguisse andar e precisasse de apoio e uma cadeira para tomar banho.

Ela trouxe toda a matéria acumulada e obrigou-o a colocar os estudos em dia, ela até mesmo trouxe as avaliações para que ele não perdesse o ano letivo, no início foi complicado se abrir com o médico ou aceitar o fato de que precisaria usar uma muleta dali para frente, mas após um mês ele tinha que admitir que sua qualidade de vida tinha melhorado muito.

Os médicos eram muito positivos sobre a melhora dele e ele teve que admitir que não queria morrer, não mais, com ajuda especializada ele percebeu que tivera muita sorte e que ainda tinha muito para descobrir, com o tempo os amigos voltaram a visitá-lo e alguns até mesmo pediram desculpas por abandoná-lo quando ele mais precisava, mas como ele poderia cobrar algo dos amigos quando ele mesmo se abandonou?

Talvez a conversa mais difícil de todas tenha sido a que ele teve com TenTen, não era fácil engolir o orgulho e pedir perdão por ter sido um péssimo amigo a vida toda e por não ter apoiado-a quando ela mais precisou e acima de tudo, não fora fácil agradecê-la por não desistir dele, quando ele mesmo já tinha desistido.

Ela sorriu para ele, de um modo que ele já não via há alguns anos e o abraçou, aquela foi a primeira vez que ele chorou na frente de outra pessoa. TenTen ainda vinha todo dia para ter certeza que ele não estava desistindo e para estudar e toda aquela proximidade vinha mexendo com ele, era estranho vê-la com os cabelos soltos ou preso em um rabo de cavalo, era estranho quando ela usava roupas do tamanho certo e não largas como ele estava acostumado desde sempre.

Neji pegou-se observando o formato dos olhos e do sorriso da morena, a forma como ela cruzava as pernas ao sentar e o modo como ela mordia a ponta do lápis quando tinha dúvida em alguma coisa, repentinamente ele pegou-se admirando-a como mulher pela primeira vez, e isso o deixou desconcertado.

TenTen ficou feliz em saber que o choque de suas ações motivaram Neji a seguir em frente, era bom ver o amigo voltando a ser o mesmo Hyuuga orgulhoso de sempre, mas era estranho ficar tão próxima dele novamente, em parte porque ainda tinha muita mágoa envolvida entre ele, em parte porque os sentimentos que ela achou que tinham morrido, pelo visto só estavam escondidos em algum canto do seu coração.

Não era mais tão ingênua ao ponto de não notar o modo como ele a encarava e observava, sabia que o amigo finalmente estava vendo-a como mulher, mas ela não sabia se era o certo, não sabia se deveria ou não permitir que aquele sentimento voltasse a ganhar forma, Neji estava fragilizado, mas ainda era Neji. As garotas da escola ainda o achavam sexy, e o fato dele ter ficado manco não tinha reduzido o fã clube dele, pelo contrário. Agora ele estava frágil e precisando do apoio dela, mas e quando ele estivesse bem, ele ainda olharia para ele do modo que olhava enquanto estudavam ou ela voltaria a ser apenas a melhor amiga?

E lá estavam eles estudando em uma tarde insuportavelmente quente, Neji já tinha tirado a camisa, não fazia sentido sentir-se constrangido na frente da amiga, depois de ter passado uma semana sendo lavado e esfregado igual um pano de chão por ela, ele só não esperava que TenTen fosse sentir-se confortável o suficiente para ficar apenas com o top que usava por baixo da camisa do uniforme e a saia.

Ele nem lembrava mais o que estava estudando, tudo resumia-se em observar o modo como peito dela subia e descia regularmente e forma definida do abdômen dela, por algum motivo bem idiota, ele sempre achou que ela tivesse o corpo mais musculoso tipo a Sheeva do mortal kombat, e agora ele quase sentia vontade de rir, TenTen tinha um corpo perfeitamente normal, tão o mais bonito que o das outras garotas com quem já tinha ficado.

Não notou que ela estava falando com ele, até que ela o balançou pelos ombros, tinha certeza que estava com face corada por ter sido pego no flagra.

— Tô te chamando há mil anos — ela disse rindo da cara de bobo que ele estava — No que você estava pensando?

— Em você...

Um silêncio constrangedor seguiu após a resposta do Hyuuga, e ele se deu conta que tinha verbalizado o pensamento quando uma TenTen um pouco sem graça pegou a camisa para colocar de volta e começou a guardar os materiais na intenção de partir.

— TenTen espera! — ele se apressou em segurar o pulso dela — Desculpa, não precisa ir para casa.

— Já tá ficando tarde — ela sorriu gentil, enquanto soltava o braço da mão dele — Nos vemos amanhã.

Aquela foi a primeira vez em quase meio ano que Neji levantou da cama e andou sem nenhuma ajuda, e isso tudo apenas para chegar antes na porta do quarto e impedir que ela fosse para casa, ele sabia que se deixasse provavelmente seria a última vez que se veriam.

— Fica, por favor! — Ele estava ofegando do esforço — E me ajuda a voltar pra cama antes que eu caia.

— Idiota! — ela disse apoiando o braço dele sobre o ombro — Você ainda não pode fazer esse tipo de esforço.

Neji tinha ganhando peso no último mês, e naturalmente ela não tinha condições de apoiar o peso dele e foi inevitável que ambos caíssem sobre a cama, ela tentou levantar o mais rápido que pode, mas novamente ele a puxou fazendo com que ela caísse sobre o peito dele.

— Neji…

— A gente não pode ficar fugindo disso pra sempre — ele disse encarando-a — Você gosta de mim e eu tô gostando de você também.

— Não, não é verdade! — ela foi rápida em negar e tentar levantar-se — Você só está confuso, quando voltar para escola, vai perceber que me vê apenas como amiga e...

Ele não queria ouvir, não queria pensar ou ser racional, mas também não queria magoar a amiga novamente e embora tivesse com vontade de beijá-la naquele momento, ele preferiu puxá-la para um abraço.

— Eu não estou carente ou algo do tipo, eu só percebi que fui um grande idiota com você todo esse tempo. — ele deixou que ela se levantasse finalmente — Não vou pedir pra você me dar uma chance, mas não foge de mim, não foge do que tá acontecendo.

Ela não respondeu nada ao sair do quarto e ele pensou que tivesse se precipitado em tudo que disse, mas cinco minutos depois ela abriu a porta do quarto e disse da porta.

— Não esquece de terminar os exercícios de matemática — ela sorriu enquanto fechava a porta outra vez — Até amanhã.

Pela primeira vez em quase meio ano ele sorriu verdadeiramente, ela voltaria, não podia pedir mais do que isso.

Capítulo IX: All About Us

Neji pensou que não fosse conseguir, mas tinha conseguido passar de ano e tudo graças aos esforços de TenTen, foi difícil voltar para as aulas presenciais, mas estava se esforçando, a terapia vinha lhe fazendo muito bem, embora quase tenha entrado em depressão. Com exceção do joelho, todos os outros danos causados por Sakura foram revertidos, incluindo sua visão, essa última foi um mistério para os médicos, ele acreditava que fora consequência de uma hemorragia nasal que tivera, mas os médicos diziam não ter relação.

Foi um processo longo até que aprendeu a se locomover sem a ajuda das muletas, agora ele já conseguia fazer quase tudo sozinho e só utilizava a bengala quando tinha que andar grandes percursos, infelizmente para ele TenTen não tinha falado nada sobre sua quase declaração, e ele, tinha deixado de lado como medo de ser rejeitado.

Neji acreditava que sua deficiência reduziria seu sucesso com as garotas, mas, na verdade, ele vinha sendo assediado com uma frequência assustadoramente maior, o que era bom para o seu ego, mas péssimo para suas tentativas de aproximação romântica com TenTen, todas essas garotas se declarando só reforçava a ideia que ela tinha de que aquela declaração foi em um momento de carência.

TenTen não podia ter ficado mais feliz, um mês depois do episódio no quarto de Neji, ele tinha voltado às aulas, tudo bem que seria só uma semana de aula e entrariam de férias novamente, mas ele tinha voltado, já conseguia fazer tudo sozinho, era reconfortante saber que seu amigo estava bem outra vez.

O tempo que passaram juntos estudando era algo que ela levaria para sempre em suas memórias, assim como ele dizendo que estava gostando dela, infelizmente sair daquele quarto estourou a bolha cor-de-rosa na qual ela estava vivendo, bastou o Hyuuga pisar na escola e as garotas começaram a se declarar para ele, para ser franca o fã clube dele estava absurdamente maior.

Ela quase acreditou que poderia dar certo, com um sorriso conformando ela observou quando a Yamanaka, que estava outra vez solteira, aproximou-se dele, ela não quis ficar para terminar de ver a cena, já sabia como terminaria e não precisava se machucar deliberadamente.

Foi uma surpresa encontrar Itachi no pátio da escola, o moreno sorriu ao vê-la, ela tinha que agradecer todo apoio que recebeu por parte dele.

— Itachi? Quanto tempo! — ela o abraçou e depositou um beijo na face do mesmo — O que tá fazendo por aqui?

— Aparentemente meu adorável irmãozinho desceu o braço em um professor que supostamente estava assediando o Naruto.

— Eu jurava que professor estava assediando o Sasuke...— TenTen tampou a boca com as mãos ao perceber que estava falando demais e ver o modo como a expressão de Itachi tinha mudado para uma de completa fúria — Deve ter sido só um mal entendido.

— Eu também espero que seja.

— E como estão os outros ? — ela disse para quebrar o clima tenso, mas acabou ficando triste ao lembrar da última vez que os viu — Eles estão bem?

— Não é a mesma coisa sem ele, mas estamos seguindo em frente.

TenTen sentiu os olhos marejarem e achou que desabaria naquele momento, ainda doía falar sobre Hidan, ela ainda sentia falta dele de uma forma quase tangível, para sua surpresa Itachi a abraçou, ela sorriu em meio ao abraço, sem perceber que chamavam atenção de outros alunos e sem notar que ao longe Neji encarava toda aquela cena com raiva.

O Uchiha mais velho sabia que não precisava ter abraçado a garota, mas ele queria descobrir até onde o Hyuuga iria por ela, afinal, TenTen era a ex de seu amigo e ele não deixaria que alguém a magoasse, ela era sua responsabilidade também, jurou ao amigo que zelaria por ela, então era natural que quisesse descobrir se os sentimentos dele eram fortes e verdadeiros.

Neji caminhava o mais rápido que sua perna permitia, ele não podia acreditar na cara de pau da Yamanaka, até parece que ele ficaria outra vez com ela ou com qualquer outra garota, ele precisava provar para TenTen que estava falando sério, que tinha sido um idiota, mas que tinha mudado, que a queria verdadeiramente.

Chegar no pátio e vê-la abraçada ao Uchiha mais velho fez com que seu sangue borbulhasse de ódio e o que era aquele olhar na face dele? Itachi o estava desafiando? Sua vontade era de agredir aquele imbecil com a bengala, mas não podia. Quando a diretora pediu que ele entrasse, Neji aproveitou para se aproximar de TenTen.

— O que ele queria com você?

— Que susto, Neji! — a morena virou-se com a mão sobre o peito — Tá querendo me matar do coração por acaso?

— Se você não estivesse tão concentrar em abraçar o irmão do Sasuke, teria notado minha presença.

— Itachi é meu amigo — ela disse sem querer iniciar uma discussão — Como foi com a Yamanaka?

Neji sentiu vontade de se estapear, claro que ela tinha que ver a cena da Yamanaka, era muito ingênuo da parte dele acreditar que os deuses o ajudariam. TenTen o encarava com divertimento, era engraçado ver o modo como ele tentava formular uma desculpa.

— Ela queria ficar comigo — Neji acreditou que era mais fácil dize a verdade — Fazer ciúmes pro Sai, mas eu não aceitei.

— Porque não?

— Eu falei sério aquele dia — ela não notou quando ele aproximou, mas recuou alguns passos ficando presa entre ele a parede — Eu gosto de você.

— Temos aula agora — aquela tinha sido a tentativa mais idiota de mudar de assunto que ele já tinha visto — Vamos?

— Não, não vamos. — Neji a puxou pela mão em direção a saída da escola — Precismos conversar e dessa vez você não vai fugir.

TenTen poderia ter se soltado e voltado para aula, mas ele tinha razão, não poderia ficar fugindo daquela conversa o resto da vida, então ela não reclamou enquanto o seguia em silêncio até parque que tinha perto de onde moravam, eles sentaram-se em um banco mais afastado e permaneceram calados por um tempo que ela não saberia precisar ao certo, mas foi Neji quem começou o dialogo.

O Hyuuga abriu o coração para a mulher a sua frente, não só sobre que estava acontecendo no último semestre, mas sobre tudo que ele sentia já há alguns anos. Ele falou sobre como se sentia em relação a amiga quando mais novos, como foi superficial em relação a questão da aparência, ele falou sobre como sentiu-se perdido ao ouvi-la se declarar e que ficou furioso ao vê-la com Hidan, ele contou até mesmo sobre os sonhos que tivera na noite que antecedeu o acidente na cachoeira.

Ouvir tudo que Neji tinha a dizer não foi fácil, mas TenTen sabia que ele estava sendo sincero e tentando mostrar o que sentia, ela ainda guardava magoas em relação a ele e ainda não tinha esquecido o que viveu com Hidan.

Para o Hyuuga não foi fácil ouvi-la dizer que ainda tinha sentimentos muito forte por Hidan, que ainda não tinha superado e que talvez nunca superasse o que viveram e ele sabia que o outro sempre seria presente na vida deles, caso ela o aceitasse, e que ele teria que conviver com isso e engolir o ciúme irracional que sentia ao ouvi-la dizer que o amava.

Não fora capaz de negar que gostava de Neji, que os sentimentos por ele nunca deixaram de existir, mas também estava sendo sincera ao dizer que tinha medo de tudo aquilo, medo da forma volátil com que ele lidava com os relacionamentos, medo de ser só um capricho na vida dele.

Eles conversaram até o entardecer, e não chegaram a nenhuma conclusão, mas ao menos tinham colocado tudo em pratos limpos e isso já era meio caminho andado. Já tava escurecendo quando eles resolveram ir para casa. Neji ainda não estava pronto para desistir de TenTen, quando ele parou de frente para a casa dela, ele não pensou, só agiu.

Dizer que não esperava uma atitude daqueles do homem a sua frente, seria mentira, mas ela imaginou que ele demoraria um pouco mais, quando ela teve seu corpo prensado ao muro e os lábios cobertos pelo dele, ela fora pega de surpresa, mas quando ela resolveu corresponder ao beijo, já não estava agindo pelo impulso do ato, ela ansiava por aquele beijo há muito tempo.

Capítulo X: Happy Together

O beijo de Neji era diferente do que ela imaginava, era intenso e forte, assim como a personalidade dele, era exigente o modo como a boca dele buscava a dela e como o corpo dele a prensava contra o muro.

Talvez ele tenha esperado tempo demais para tomar iniciativa, talvez estivesse com medo de se afastar ela fugir, mas ele não conseguia para de beijá-la, era viciante e lhe entorpecia os sentidos, sabia que a forma como estava roçando o corpo ao dela e jeito que seus lábios desciam pelo pescoço e voltava rapidamente aos lábios carnudos, era quase indecente e que teriam problemas se o pai dela chegasse, mas ele simplesmente não conseguia se controlar, queria cada vez mais.

TenTen com muito cuidado afastou-se dele com certa dificuldade, precisava se controlar. Neji a encarava encantado com a face corada e os lábios inchados e o modo como a respiração dela estava irregular. Ele a abraçou com força, era agradável sentir o coração dela pulsando de encontro ao dele, ainda abraçados ele perguntou

— Você acha que um dia vai conseguir me dar uma chance? — TenTen deitou a cabeça sobre o ombro dele, enquanto os dedos fazia carinho em uma mexa de cabelo dele que estava solta — Eu sei que ainda é cedo, mas você acha que um dia…

— Eu tenho certeza — ela respondeu contra a pele do pescoço dele — Eu só quero ir com calma.

— Tudo bem.

Fitaram-se por alguns minutos antes dele beijá-la outra vez, dessa vez com calma e suavidade, sem a pressa ou desespero inicial do beijo trocado anteriormente, quando finalmente se separaram ele deixou que ela entrasse, e atravessou a rua em direção a própria casa.

Para variar ela teve que aguentar os comentários maldosos da mãe que tinha visto a cena toda, mas não podia reclamar no final das contas, naquela noite ela dormiu um pouco mais leve e um pouco mais feliz.

Neji estava radiante, tanto que assustou os familiares, Hinata sorriu imaginando o motivo de toda aquela felicidade, parecia que tudo finalmente entraria nos eixos e que as coisas finalmente seguiriam o curso natural.

2 meses depois

Ninguém tinha dito que seria fácil, mas Neji realmente não esperava que fosse ser tão difícil, já tinha dois meses que ele tinha beijado TenTen pela primeira vez e ela ainda não tinha aceitado namorar com ele, quase todo final de semana ele pedia e ela sempre respondia que queria ir com calma, e aquilo já estava deixando-o irritado.

Voltar para escola só serviu para piorar a situação toda, TenTen além de não querer namorar, também não permitia que fosse além dos beijos no portão da casa dela, e ele já não sabia mais o que fazer, não que ele não conseguisse ficar sem sexo, ele conseguiria tranquilamente, mas ele não conseguia entender o motivo da constante recusa dela, e isso quase sempre terminava com ele sendo ignorado pelo restante do dia letivo.

Com a fisioterapia ela vinha recuperando cada vez mais os movimento da perna, mas os médicos diziam que não teria como fazer uma cirurgia de reconstrução da rótula, mas ele ainda tinha esperanças de voltar a caminhar normalmente e aí talvez TenTen parece de rejeitar um contato mais íntimo.

TenTen estava no banheiro lavando o rosto, ela realmente já estava ficando frustrada com a insistência do Hyuuga em transar com ela, já tinha virado rotina até, ele tentava transar e ela recusava, aí no dia seguinte ele a pedia em namoro. Dava a impressão que tudo que ele queria era o corpo dela.

Ela já tinha explicado tantas vezes que não estava pronta ainda, que queria ter certeza do que sentia e ele era incapaz de respeitar a escolha dela, isso quando não usava o argumento que ela transou com Hidan no primeiro encontro. Já estava cansada de explicar para ele, que a conexão que ela teve com o ex, fora imediata e que ela sentiu-se segura em transar com ele.

Todas aquelas discussões por bobagem fazia com que ela se questionasse se estava realmente no caminho certo. Se ao menos ele tentasse compreender o lado dela. Ela suspirou antes de sair do banheiro e ir para aula, para variar ele estava emburrado no canto dele.

Na hora da saída eles caminharam lado a lado, mas não disseram nada um para o outro. Ao chegar na porta da casa dela, ele nem ao menos tentou dar um beijo de despedida, elas suspirou tentando evitar as lágrimas que começaram a formar, foi ingênua em acreditar que Neji a trataria diferente das outras garotas com quem ele já tinha ficado, estava cada vez mais claro que ela seria apenas mais uma na vida dele.

Por outro lado ele não sabia o que fazer, queria beijá-la e abraçá-la em seus braços, mas já estava cansado de ter seus carinhos desprezados, e ao mesmo tempo sabia que era um erro deixar que ela fosse para casa sem conversarem, soltando um longo suspiro ele colocou a mão sobre a dela impedindo que o portão fosse aberto.

Neji a abraçou pela cintura, fazendo com que as costas dela ficasse colada ao seu peito, evolvendo-a com os braços de modo possessivo ele sussurrou no ouvido dela.

— Desculpa — ele depositou um beijo no ombro esquerdo dela — Estou sendo idiota, não é?

— Muito — respondeu virando-se para ele — Eu não entendo o porque de você querer tanto apressar as coisas entre nós.

— Eu gosto de você, é natural que eu queira te ter por completo — comentou desviando o olhar para não deixar transparecer toda a insegurança que sentia — Você nunca aceita meu pedido de namoro…

— É que parece que você me pede em namoro apenas para que eu aceite transar com você.

De todas as reações que TenTen esperava que ele tivesse, certamente começar a gargalhar não era uma delas, e aquilo a deixou bem irritada, Neji estava rindo dos seus sentimentos? Soltando-se dele, ela virou novamente para entrar em casa, mas ele a segurou pelo braço.

— Espera, espera… — ele fez uma pausa para recuperar o fôlego — Eu não estou rindo de você, o riso é de alívio — TenTen o encarou ainda aborrecida — Pensei que sua recusa fosse devido a minha perna.

— Não vejo como sua perna seria um motivo para eu não namorá-lo — Neji a encarou com a face serena antes de abraçá-la novamente — Você realmente achou que eu estava te rejeitando por causa da sua perna?

— Fiquei inseguro, do mesmo modo que você também ficou. — Neji beijou o topo da cabeça dela — Acho que vai levar um tempo para perdemos as inseguranças.

Foram mais alguns meses para que Neji e TenTen conseguissem acertar os ponteiros da relação e entrar no mesmo ritmo, criar confiança era algo difícil e eles estava construindo a relação deles aos poucos, foi somente no início das férias de verão que eles finalmente começaram a namorar, não foi um pedido grandioso e romântico, ele perguntou se eles poderiam finalmente dar um título ao que tinham e ela concordou.

Neji ainda ansiava ardentemente por TenTen e por tê-la em seus braços, mas não queria continuar forçando a barra, sabia que na hora certa aconteceria, depois do diálogo no portão da casa dela, tudo ficou mais fácil entre eles. Aquele ano ele não viajou com o tio, no fundo tinha medo de ficar longe da morena e acabar perdendo-a de alguma forma, os dois quase morreram no último semestre e ele ainda não tinha superado totalmente.

TenTen tinha concordado em passar a noite na casa de Neji maratonando o senhor do anéis, não seria a primeira vez que dormiria com ele desde que começaram a ficar, mas era a primeira vez que ela sentia confiança o suficiente para não evitar o curso natural das coisas. Para surpresa da morena, o Hyuuga não tentou nada com ela além de alguns beijos e os dois dormiram na metade do segundo filme.

Durante a madrugada ele despertou e ficou observando o modo calmo com ela dormia sobre o peito dele, nunca imaginou que poderia sentir-se tão feliz ao lado de alguém, mas ali estava ele, o homem mais feliz do mundo ao lado da mulher mais bonita do mundo, Neji chegou a conclusão de que era um homem de muita sorte.

TenTen despertou com os beijos de Neji sobre sua face e ombros, ela sorriu ainda de olhos fechados, puxando-o para um beijo longo e demorado. Ela entregou-se ao beijo sem pressa ou medo, Neji sabia que em algum momento ela iria afastá-lo e que ele teria que cuidar da ereção sozinho, mas não conseguia parar de beijá-la, ele enfiou as mãos por baixo da camiseta que ela usava levantando-a até a altura dos seios.

Dessa vez ela não fugiria do que desejava, passando as mãos pelas costas dele ela deu um jeito de livrá-lo da camiseta que ele usava e ergue os braços para facilitar a remoção da roupa que usava. Ambos se olharam no meio da penumbra, iluminado apenas pela luz do televisor, ele apenas de cueca e ela usando apenas uma calcinha, seria difícil para ele se controlar.

— TenTen — os lábios dele desceram pelo pescoço dele, enquanto uma das mãos tomava o seio esquerdo — Eu quero você, por favor não me rejeita dessa vez.

— Neji — fora mais um suspiro do que uma palavra de fato — Eu quero você.

Ele não precisou ouvir duas vezes a resposta dela, finalmente estava acontecendo, finalmente seriam um só.

Capítulo XI: Adoração

Os lábios finos percorriam a pele do pescoço moreno, deixando um rastro de arrepios e fazendo com que todo o sangue dela pulsasse na região entre as pernas dela, TenTen arqueou às costas ao sentir os lábios dele sobre um dos seios, ela queria tocá-lo, mas ele mantinha as mãos dela presa a cama, o modo como a língua dele serpenteava em movimentos circulares sobre seus mamilos a deixava ofegante.

Neji não era um amante paciente, mas a mulher deitada em sua cama era especial, era o objeto de sua adoração e ele queria provar cada parte do corpo dela, queria vê-la consumindo-se dentro do próprio prazer, queria ouvi-la gritar seu nome e implorar por mais.

Com os olhos fechados e segurando a respiração levemente ela sentiu os lábios dele beijando toda a região da sua barriga e indo para o seu quadril e tudo que ela queria, era poder empurrar a cabeça dele para a região quente e pulsante que implorava por atenção, o Hyuuga era quase sádico, já que ele demorou tanto naquela região que ela até podia sentir a respiração dele o que fazia com que ficasse cada vez mais molhada e pronta para ele, mas para sua completa agonia o moreno preferiu beijar-lhe a parte interna das coxas.

Era adorável o modo como ela jogou a cabeça para trás e afundou a face no travesseiro, tão necessitada dele, do contato dele, do prazer que ele proporcionaria, que ele quase cedeu ao desejo de fundir seu corpo ao dela, mas seria paciente, tinha esperado demais por aquele momento.

Ela nunca imaginou que tivesse tamanha sensibilidade nos pés, mas lá estava ela se contorcendo de prazer enquanto ele depositava beijos por seu pés, quando ele se afastou ela achou que ele finalmente fosse penetrá-la, mas ele só removeu a calcinha que ela ainda usava.

— Fica de bruços — ela não questionaria ou negaria qualquer pedido que ele fizesse naquele momento — Você é tão perfeita.

— Nejii — ela quase levantou da cama ao sentir os lábios dele na região da nunca ao mesmo tempo que sentia a ereção por sobre o tecido da cueca, roçando entre suas nádegas — Mais…

Ela não pode ver o sorriso dele, mas ele estava concentrado no corpo dela, Neji seguiu lambendo e beijando as costas dela, achava divertido o modo como ela arrepiava, gemia e quase chorava implorando por, quem diria que ela seria tão sensível naquela parte do corpo, com uma expressão quase travessa ele se atreveu a separar as pernas grossas e torneadas, era uma vela visão sem dúvidas.

TenTen achou que seria consumida por todo aquele mar de sensações, a boca dele em suas costas, a ereção, agora sem o tecido da cueca, roçando na sua intimidade, fazendo com que ela rebolasse em busca de mais contato, por um momento achou que ele a penetraria naquela posição, mas ele apenas estava brincando com ela.

Tinha certeza que poderia continuar daquela forma até ambos gozarem, era inebriante a sensação de ter a pele dela em contato com a dele, mas ele precisa sentir o gosto dela, precisava está dentro dela de um modo que nunca esteve com outra mulher.

Ela gritou e agarrou o lençol fortemente ao sentir a língua dele estimulando-a, era estranho que ele o fizesse naquela posição, era mais estranho ainda que ela não se sentisse incomodada em ficar de quatro pra ele, tudo que ela conseguia fazer era gemer o nome dele e pedir por mais, e ele não negou os pedidos tão desesperados, nunca imaginou que ela pudesse ser tão sexy ao ter um orgasmo, a face corada, a pele arrepiada o modo como o corpo dela ficava mole, ele quase gozou só com aquela imagem.

Mal ela tinha se recuperado da primeira onde de prazer e teve os lábios tomados pelos dele, dessa vez estava com as mãos livre e pode puxá-lo pra perto de si, fazer com que ele deitasse na cama e ela finalmente pode tocar livremente o corpo com o qual ela teve seus primeiros sonhos eróticos.

A forma como ela cravou as unhas nas costas dele indicava que ele tinha feito um trabalho excelente, sabia que TenTen tinha pouca experiência, mas ficou bastante surpreso quando ela o tomou seu membro entre os lábios, sabia que ela estava afoita e desesperada por mais contato.

— TenTen, para se não eu — o modo que ela olhou dentro dos olhos dele enquanto continuava a sugar o fez perder o controle totalmente — TenTen!

E ele veio na boca dela, com toda a excitação que vinha represando nos últimos meses, era fascinante assistir o modo como ela engoliu todo o líquido. Sentia-se poderosa em saber que era responsável pelo prazer e descontrole dele, diferente do que ela imaginou ele não teve nojo de beijá-la e ele também não tinha perdido a ereção.

Não teria nunca como negar o fato de que encontrava-se sedento por ela, nenhuma mulher antes o deixara tão excitado, tão extasiado, seu corpo clamava pela dela, era uma necessidade quase vital. Quando voltaram a beijar-se foi mágico e intenso, ele a deitou suavemente sobre o colchão, queria observar cada detalhe da face dela, enquanto afundava-se lentamente no interior dela.

TenTen sentiu vontade de chorar tamanha a emoção que sentia, sonhou durante tantos anos com aquele momento, e finalmente estava acontecendo. Os olhos dele fixos nos dela, o sorriso em ambas as faces, o modo como os dedos dele se entrelaçaram aos dela, era maravilhoso.

Neji queria ter demorado mais, mas ainda não tinha se adaptado com falta de mobilidade da perna, levaria um tempo para que ele se adaptasse a nova condição física, todo aquele momento era surreal, por anos eles foram amigos e ele foi incapaz de vê-la como uma mulher e em menos de um ano ela se tornara o amor da sua vida.

Ambos estavam deitados lado a lado na cama dele, era estranho depois de tanto tempo ficarem juntos daquele forma, gerou um certo constrangimento em ambos, o medo de terem confundido momentos de fragilidade e carência com outro tipo de sentimento, ao mesmo tempo sentiam-se completos de uma forma que nunca pensaram ser possível.

— TenTen — ele a chamou mesmo sabendo que ela estava acordada e o encarando — Você tá bem? Se arrependeu ou algo do tipo?

— Tirando o sono, eu estou bem — ela respondeu bocejando — E você, arrependido ou descobriu que eu sou o amor da sua vida?

— Me perdoa por ter demorado?

— Só se você ficar comigo pelo resto das nossas vidas.

Eles se beijaram novamente antes, ambos estavam felizes, sabiam que daquele ponto para frente, tudo seria diferente e que nem sempre as coisas seriam fáceis, mas estavam determinados a não deixar que o relacionamento que vinham construindo fosse destruído sem luta.

A manhã seguinte não foi apenas o começo de um novo dia para Neji, foi o começo de uma nova vida, estava ao lado da mulher que amava, apesar de tudo de ruim que tinha lhe acontecido, estava vivo, tinha saúde, tinha família, amigos e era correspondido no amor, o que mais ele poderia querer?

Após sair da casa do namorado na manhã seguinte, TenTen foi até o cemitério, queria se despedir de Hidan e agradecer o tempo que estiveram juntos, ele sempre teria um lugar em seu coração e ela guardaria com carinho cada lembrança ao lado dele, mas agora ela precisava deixar o passado e abraçar o futuro que lhe esperava.

Os anos seguintes foram de felicidade, não uma felicidade plena, mas uma felicidade possível e confortável. Ninguém ficou surpreso que os dois conseguiram namorar a distância durante o período da faculdade, ela engenheira química e ele psiquiatra, os acontecimentos daquele verão tinha deixado marcas profundas nas memórias de ambos e influenciaria para sempre nas escolhas de seus futuros.

E todos esperavam que eles se casassem cedo, mas para a completa surpresa dos amigos e familiares, ambos concordavam que ainda era cedo, mesmo quando completou uma década namorando. Em algum momento no futuro eles dariam aquele passo, mas por hora, eles iriam com calma, um passo de cada vez e construindo com cautela o para sempre que eles almejavam.

Fim