***O CALENDÁRIO***

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Título: O Calendário

Autora: Sophie Queen

Shipper: Bella e Edward

Personagens: Humanos

Gênero: Romance

Classificação: M - Maiores de idade

Sinopse:

Bella e Edward, assim como todo o planeta tiveram que adiar os planos muito bem traçados por causa da pandemia. Mas ao notar o desânimo da noiva, Edward se propõe a animá-la através de um Calendário do Advento.

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DISCLAIMER: Infelizmente não sou a Stephenie Meyer e não possuo TWILIGHT, entretanto, ideias malucas surgem diariamente na minha cabeça me obrigando a criar fanfics mais malucas ainda, mesmo quando não tenho tempo hábil.

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IDEIA

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Se tem um ano em que todos os planos foram frustrados, esse ano foi 2020.

O ano que prometia ser o início de uma década cheia de avanços. O ano do futuro. Mas a realidade é que nada disso aconteceu. Esse ano de 2020 foi o ano da pandemia. O ano do coronavírus. O ano da COVID-19.

A população que só ouvira relatos sobre o caos instaurado pela gripe espanhola em 1918, teve que sentir na própria pele o que era o medo pelo desconhecido, não saber se você foi ou não contaminado por um inimigo invisível, onde sair de casa não era uma opção, onde máscara virou acessório de moda, onde os grandes centros urbanos ficaram vazios e onde a cada dia o número de pessoas que perdiam a vida e familiares aumentava desumanamente.

No ano em que o distanciamento social foi imposto, que o home office e o homeschooling se tornaram regra, e que até mesmo abraços ou reuniões entre amigos e familiares tiveram que ser evitadas, pessoas tiveram que lidar com o medo, a insegurança, a frustração, mas principalmente a solidão.

Bella, uma professora de literatura de um importante colégio de Annapolis, Maryland, além de todas essas preocupações tinha que lidar com mais uma: a ausência do seu noivo, Edward, um médico da marinha dos Estados Unidos, e que teve sua licença revogada e convocado às pressas para auxiliar o Medical Corps, no combate a COVID-19.

Assim, os planos de um ano sabático para o tenente da marinha e sua noiva, que consistia: em um casamento grandioso na cidade natal de ambos, no estado do Washington e uma viagem de lua de mel pela Europa por dois meses, tiveram que ser adiado sabe-se lá para quando.

Mas para Bella, não era o adiamento do casamento e da lua de mel, ou o exaustivo home office ou ainda a contínua ausência de Edward, que vinha a cada vinte dias para Annapolis, que a deixava triste. Não, para Bella o pior de tudo era não poder se encontrar com a família nas datas comemorativas, e principalmente não poder ter o calor de seus abraços, dos risos e do momento de aproximação que só as festas poderiam dar, sendo obrigada a se contentar com a frieza das videochamadas.

Foi muito difícil para Bella se adaptar a tudo isso, e quando parecia que os EUA estava começando a superar a crise da COVID-19 — pelo menos Edward, ficava mais tempo com ela —, a temida segunda onda se iniciou e mais uma vez seu noivo teve que subir a bordo do USNS Mercy para ajudar nos crescentes casos, e mais uma vez ela se viu sozinha às vésperas das festas de final de ano.

E foi no meio desse novo caos, que Edward, que viera passar o Ação de Graças com a noiva em Annapolis, percebeu o quanto ela estava tristonha e desanimada por estar longe dos pais, irmãos, sobrinhos e amigos de ambos. O médico da marinha sentia a tristeza e o desânimo da noiva em cada sorriso forçado, ou em cada facetime que fazia com os familiares e amigos, ou ainda nos olhares perdidos que essa dava para tudo.

Mas o ponto crítico, pelo menos para ele, foi que Bella estava se recusando terminantemente a enfeitar a casa para o Natal, que sempre fora o seu feriado preferido.

— Não tem necessidade de montar árvore alguma ou colocar decoração alguma, Edward. — ela se justificou cansada. — Ninguém vai vir passar o Natal conosco, será só você e eu, e você só retorna na véspera de Natal, então vai ser só eu que ficarei observando essa decoração.

— Mas é Natal, Bella! Seu feriado favorito! — ele interpôs. Mas quando ela o encarou com uma sobrancelha levantada e as mãos na cintura, rapidamente Edward percebeu que qualquer argumento que poderia utilizar não serviria de nada. Ela estava irredutível.

— Vou colocar nossas meias na lareira, ok?! — replicou cansada, mas já se afastando para terminar de organizar as coisas do noivo, para mais 25 dias no navio hospital.

Edward a seguiu preocupado até o quarto deles.

— Você quer ir para Forks?! Você pode ir passar o Natal com nossos pais e amigos. — disse suavemente, apoiando seu ombro no batente da porta.

— E deixar você sozinho no Natal?! — ela replicou. — Não, obrigada. Sem contar que com esse clima eu odeio dirigir e atravessar o país de carro não é uma opção. Viajar de avião menos ainda. Eu ficarei aqui! Tenho um monte de coisas da escola e do doutorado para fazer, vou adiantar.

Edward continuou a observar a noiva dobrando suas roupas com cuidado, e mesmo que ela tentasse disfarçar, ele pode ver com clareza as lágrimas de tristeza e saudade inundando seus profundos olhos castanhos. Aflito com o pesar dela, Edward se retirou para a sala, onde tentou pensar com todo o afinco que podia em algo para animar Bella, inclusive pedira sugestões a sua intrometida irmã, Alice e a cunhada de Bella, Rosalie, mas nenhuma das duas conseguiram pensar nada tangível para alegrar Bella.

— Edward, querido. — chamou Bella, aparecendo na sala, um longo tempo depois. — Você poderia ir ao mercado para mim?! Queria fazer algo especial nesse Thanksgiving, ou o mais especial que pudesse. — completou com um rolar de olhos.

Disfarçando sua concentração em pensar algo para a noiva, Edward deu-lhe seu sorriso torto preferido e disse:

— Claro, linda. O que você precisa que eu traga?! — perguntou, já se levantando do sofá e indo até onde ela estava, terminando de acrescentar mais algumas coisas em uma longa lista de compras.

Munido com a lista de compras, Edward conduziu seu Volvo prata até o Walmart, em que comumente o casal faziam suas compras. Foi andando entre os corredores da imensa loja, ainda preocupado com Bella, buscando alguma inspiração para animar a noiva que ele viu uma sessão que o fez parar e refletir:

Calendários do Advento para o Natal.

Claro, ele sabia o que era uma calendário de advento, sua mãe, Esme, sempre fazia um para ele, Alice e o pai, durante o mês de dezembro. Os calendários do advento consistia na pessoa abrir um pacote no dia indicado, descobrindo assim um presente diferente a cada dia, fazendo com que a ansiedade para o presente a ser recebido na manhã de Natal fosse ainda maior.

Depois que ele veio para a Academia Naval, em Annapolis, sua mãe limitou o calendário do advento para uma semana que antecede o Natal, até mesmo Bella, havia participado dessa tradição nos últimos anos, e ela sempre ficava animada e ansiosa para saber o que estaria guardado na caixinha do dia seguinte.

Com um sorriso enviesado nos lábios, Edward admirou todos os calendários que estavam a venda na loja: brinquedos, maquiagens, chocolates, livros, enfeites para árvore de Natal, várias prendas pequenas que coubessem nas caixas, mas não havia nada ali que o fazia pensar em Bella, então dominado por um misto de espírito natalino e um quê de sua mãe, Edward decidiu que ele faria seu próprio calendário do advento para Bella, para animá-la.

Animado pela ideia, ele concluiu as compras que Bella pediu com agilidade e voltou para casa, onde ele se trancou no escritório com a desculpa de que precisava fazer um relatório que havia esquecido para seu comandante, enquanto pensava, pesquisava e pedia ajuda a sua mãe, Alice e a Rosalie, sobre que "surpresas" ele poderia colocar para a noiva nos 24 dias que constaria no seu Calendário do Advento.

Por mais que Bella, tenha ficado incomodada com as horas que Edward passou no escritório ou então indo a Academia Naval para uma bateria de exames anuais, ela não desconfiava da surpresa que o noivo estava fazendo para ela.

E que surpresa!

Ele não havia incluído apenas, pequenos presentes a ela, mas também cartas que ele não tinha dúvidas traria grandes sorrisos e lágrimas de felicidade na noiva. Tudo na tentativa de trazer um pouco do calor do Natal de volta aos seus olhos.

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Na manhã de segunda-feira, dia 30 de novembro, quando Edward e Bella tiveram uma despedida emocionada — da parte dela, principalmente, que ainda temia pela vida do noivo no combate ao coronavírus —, ele sussurrou em seu ouvido:

— Fica atenta a porta, o tenente James Hunter virá trazer uma encomenda.

Bella rapidamente se afastou do noivo e o encarou confusa.

— Que encomenda?! — perguntou desconfiada. — Eu não quero uma árvore de Natal, Edward! — advertiu com teimosia.

O médico sorriu enviesado.

— Não é isso, sua rabugenta. — disse divertido, dando um suave peteleco em seu nariz. — Quando chegar você vai entender. Nos vemos dia 24. Te amo. — completou, dando um suave beijo em seus lábios, e já se caminhando para a porta, onde o transporte que o levaria de volta a Nova Iorque, para o USNS Mercy estava ancorado.

— Te amo! — gritou Bella, quando ele fechou a porta, e deu um adeus a ela.

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Dizer que a ansiedade não consumiu Bella pelas horas que se seguiram, era um eufemismo enorme. Nem mesmo o artigo que estava terminando sobre a influência feminina na literatura européia do século XIX ou as vídeoaulas com seus alunos, conseguiu apaziguar sua curiosidade a respeito da misteriosa encomenda que o tenente James Hunter, deixaria em nome de Edward.

Com a rigidez militar que só um membro da Marinha dos Estados Unidos poderia ter, pontualmente às oito e meia da noite, a batida forte na porta fez com que Bella se assustasse e corresse para atender.

Como todas as outras vezes que ela já viu o tenente Hunter, ele estava com um brilho divertido nos olhos, que com certeza a máscara escondia o sorriso faceiro de canto de lábios, segurando um pacote retangular de proporções estranhas: muito grande e não muito largo.

— Boa noite, Bella. — ele disse suavemente. — Desculpa o horário, mas Edward pediu especificamente que trouxesse esta encomenda agora.

— Obrigada James. — ela respondeu suavemente. — Pode deixar aqui. — pediu, já localizando o desinfectante que ficava na entrada da casa para limpar o embrulho.

Depois de colocar o imenso pacote no lugar indicado pela mulher, o médico, companheiro de Edward no Medical Corps da Marinha dos Estados Unidos, desejou uma boa noite e boas festas a mulher, antes de sair.

Munida do seu desinfectante em aerosol, Bella, o espirrou por toda a superfície do pacote vermelho com um laço verde que o tenente havia colocado em seu hall de entrada, e com uma força exacerbada, principalmente pelo tamanho do pacote, ela o levou para a sala, onde abriria sabe-se lá o que o noivo estava preparando para ela.

Assim que desfez o embrulho, Bella percebeu que Edward havia lhe dado uma espécie de árvore de Natal — para o seu desgosto —, mas feita com caixas de diversos tamanhos, cada uma embrulhada com papel diferente e contendo um número diferente. Rapidamente ela percebeu que aquilo não era uma árvore de Natal, mas sim um calendário do advento personalizado em formato de árvore.

Com um sorriso imenso nos lábios, ela tirou com cuidado a "árvore" da embalagem, e quando estava pronta para abrir cada um dos pacotes, seu celular apitou uma mensagem. Ela sabia de quem era, por isso pegou com agilidade o aparelho. Era uma mensagem de vídeo de Edward, usando seu já uniforme da marinha.

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Acredito que você acabou de abrir a encomenda que pedi para James deixar em casa, e te conhecendo, como conheço, já estava pronta para abrir todos os pacotes, mas não faça! Cada dia é especial e deve ser seguido em ordem, afinal é, como você deve ter percebido, um calendário do advento personalizado.

Nos últimos dias, penei para criar algo que te animasse, sei que esse ano foi uma merda, linda, e que nossos planos foram por água abaixo, mas isso não é motivo para você ficar triste e passar a odiar o Natal, que você tanto ama.

Então abra cada pacote no dia específico, lembre-se que eu vou saber se você não fizer, e aproveite cada surpresa que reservei para você, começando amanhã, dia primeiro de dezembro.

E não se esqueça: Eu te amo!

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Com um sorriso sincero no rosto, o primeiro em muito tempo, Bella colocou a pesada "árvore" sobre a mesa lateral, e enviou uma foto ao lado do presente e um agradecimento ao noivo.

Ansiosa, como nunca esteve durante toda a quarentena, antes das dez já estava deitada, esperando vir o dia seguinte, e todas as surpresas que esse dia poderia lhe trazer.

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N/A: Vocês devem ter aprendido há muito tempo, que nesse fandom criatividade é o que não falta. E é pensando nisso, que criei essa fanfic, que será uma espécie de "drabble" natalina. Diariamente — até dia 25/12 — irei postar um curto capítulo sobre as surpresas que o Edward fez para a Bella nesse calendário do advento. Espero que vocês curtam essas surpresas… Não esqueçam de comentar, afinal são as reviews e o apoio de vocês que me faz continuar escrevendo, escrevendo e escrevendo essas loucuras!

Amo vocês e desde já: Feliz Natal!

Beijos, Carol.