***UM AMOR DE NATAL***

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Título: Um Amor de Natal

Autora: Sophie Queen

Shipper: Bella e Edward

Personagens: Humanos

Gênero: Romance/Humor

Classificação: M - maiores de idade

Sinopse: Sofrendo com o fim de um relacionamento de longa data, Bella decide trocar de casa no Natal. Enquanto pensava que tiraria um tempo para ela sem qualquer homem perto, um charmoso homem local a tira dos eixos.

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Disclaimer: infelizmente Twilight não me pertence, muito menos o filme O Amor Não Tira Férias, mas usar essas duas coisas juntas sim, então, respeitem!

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Machado de Assis, um dia escreveu que "cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar", de fato existem vários tipos e formas de amor. Alguns são idealizados, alguns egoístas, outros respeitosos, outros ainda eternos. É natural ao homem, assim como o ar, buscar o amor. Fraternal, romântico, incondicional, apaixonado, conciliador, eterno, e até mesmo o não correspondido.

Para os gregos antigos, por exemplo, o amor existia em três formas: ágape, philia e Eros.

O primeiro é aquele amor que personifica o divino, o incondicional, o sacrifício. O amor ágape é o amor afetivo, aquele que é isento de conotações sexuais, segundas intenções, malícia ou interesses pessoais.

O segundo, é a derivação do amor fraternal, do amor amigo, o amor da amizade, aquele amor que não monopoliza, não escraviza e não cria dependentes, é manifestação do amar o outro da forma como ele é.

O terceiro e último, é talvez o amor que todos mais buscam — nem que seja por uma noite ou de forma mitigada —, o amor erótico. O amor Eros é o amor sexual, carnal, aquele que é repleto de paixões inebriantes e a mais pura atração física, é aquele amor movido pelos instintos de união e reprodução. É o amor mais perigoso, pois causa dependência, obsessão, necessidade. A dor causado pelo amor Eros é sempre inigualável.

Na ordem perfeita do mundo, ou pelo menos para os gregos antigos, o amor ideal era a união dos três — o amor afetivo, o amor amigo e o amor erótico —, essa é a busca de todos, alguns encontram e o perdem. Alguns insistem, mesmo quando não há mais amor, outros sofrem em silêncio, outros buscam desesperadamente a cada dia em alguém diferente, e outros ainda, se fazem de cego.

Shakespeare escreveu que o "amor é cego", e mesmo tantos anos depois de fato sua sentença é ainda tão certeira. Na necessidade de ter o amor, ignoramos o óbvio, sofremos calados, abdicamos da verdadeira felicidade por uma fração de alegria dada por aquilo que achamos que pode ser amor.

Ah o amor… nos faz de tolos, mas é na sua tolice contínua que sempre buscamos aquilo que nos prometeram, que os gregos teorizaram na antiguidade, o amor que une todos os anseios da nossa alma, mesmo quando não imaginamos ser possível.

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Era uma quarta-feira comum em Los Angeles, o ar frio que precedia o inverno não muito rigoroso da costa oeste era só uma brisa, nada que demandasse cobertores pesados, casacos de lã, toucas, luvas ou cachecóis. O sol brilhava no céu azul, com uma intensidade quase criminosa. As poucas nuvens eram esparsas e rasas. Os pássaros cantavam, e as árvores dançavam na brisa suave.

Na casa onde a roteirista, produtora e cineasta Isabella Swan vivia com o namorado de longa data James Hunter, o silêncio parecia reinar. Tudo estava na mais tranquila paz, até que o barulho da vassoura elétrica de jardim quebrou a quietude, acordando James que dormia profundamente no sofá da sala de televisão. Na noite anterior, onde ele chegou quase às quatro da madrugada, depois de uma noite gravando seu novo filme; ele e Bella, como preferia ser chamada, tiveram aquela que poderia ser a briga mais épica que já tiveram, que podia muito bem significar o fim de quase seis anos de relacionamento.

James piscou atordoado com o lugar em que estava dormindo, mas assim que conseguiu ficar vigilante a briga com Bella veio fresca em sua mente. Em cinco anos e onze meses de relacionamento com ela, eles já tiveram inúmeras brigas, no começo eram bobas e fáceis de resolver, mas conforme o sucesso do "Bellaland" — como os funcionários da produtora de Bella chamavam — crescia ela ficou mais e mais distante.

A cada temporada ela criava um novo show, que era sempre tão bem recebido pelo público e crítica, logo essa capacidade de criar história foi migrada ao cinema, e mais uma vez o sucesso alcançou. A prova de seu sucesso na última década eram seus inúmeros prêmios Emmy, Globo de Ouro e até mesmo um Oscar. Tudo o que Bella colocava suas mãos capazes virava ouro.

E foi assim, no meio da produção do seu segundo filme que ela conheceu o diretor James Hunter. Seus cabelos dourados, seus olhos azul acinzentados, seu corpo atlético — a atração foi instantânea, e o relacionamento dos dois foi explosivo. Era o tipo casal de Hollywood que todos queriam trabalhar, ela escrevendo filmes incríveis, ele os dirigindo.

No começo do relacionamento, assim como qualquer outro, tudo eram flores, mas a cada novo sucesso eles se distanciavam. Dormiam poucas noites juntos. Bella se trancava em seu escritório criando com sua mente cheia de ideias, James se envolvia em projeto atrás de projeto, sempre limitando o tempo em casa.

Logo o relacionamento deles era mais uma conveniência do que realmente um relacionamento. Os dois sabiam que não nasceram para ficarem juntos para sempre, mas a ilusão do amor eterno sempre rondou a cabeça, pelo menos a de Bella.

— Bella! — James gritou subindo a escada que ia para o quarto que normalmente dividia com a namorada. — Bella. — disse, parando na porta do quarto antes de abri-la.

Assim que James abriu a porta e começou a passar pela soleira da mesma, um par de tênis veio em sua direção.

— Me permita dizer, de novo, que não transei com ela. — disse com a voz cansada.

Bella deu uma risada de desdenho.

— Claro — disse com um bufo. —, a atriz novata que nem a principal do seu filme tem que ficar no seu trailer praticamente nua decorando as falas, até às três da manhã!

— Bella estávamos gravando uma externa! — ele interviu.

— Só você e ela? Sem nenhuma equipe? — questionou curiosa.

— Os outros tinham acabado de ir embora, ela estava só se vestindo para ir também! — o loiro justificou.

Bella riu sem humor.

— Ok. Então, jure, pela minha vida que você não transou com ela. — pediu atrevida.

— Por favor! — ele exclamou cansado.

Bella suspirou.

— Vamos lá, estou esperando. — exigiu.

— Bella… eu não vou… eu não vou dizer… — ele começou, mas foi interrompido quando ela jogou o outro par de tênis nele.

— Uma atriz iniciante, James? — perguntou retoricamente. — Eu sabia que foi bom não termos nos casado. Por isso que falei para você não vender a sua casa. Porque, no fundo eu sabia que você era assim. — ela disse juntando algumas roupas dele que estavam espalhadas pelo quarto.

James suspirou cansado.

— Em primeiro lugar, se acalme, por favor. — pediu sereno. — Porque eu não transei com ela. Em segundo lugar, nós temos problemas há mais de um ano. Sei que você não quer falar disso, mas é verdade.

Bella bufou, colocando suas mãos na cintura, claramente indignada.

— Eu sei muito bem dos nossos problemas no último ano. — ela rebateu, aproximando dele com as diversas roupas nos braços. — Se trabalho um pouco mais, você reclama sem parar, mas, se for você, "diretor", é em nome do seu cinema. Da sua carreira.

— "Se" você trabalha demais? Bella , você está produzindo 6 seriados e está escrevendo 2 filmes, sem contar os outros 3 que você produziu esse ano, você tem um escritório com funcionários em casa Bella, sem contar que você dorme com seu celular. — acusou.

Bella fez uma careta, acenando com a cabeça. Ela sabia o quanto se dedicava a sua carreira, não precisava do lembrete de James.

— Isso, claro, sem falar do sexo — ele acusou, recebendo um bufo indignado da mulher. —, porque eu nem lembro quando foi a última vez que tivemos um tempo para ele.

Bella balançou sua cabeça em negação.

— Qual é? Ninguém tem tempo para sexo! — ela contestou.

James riu sem humor.

— Essa não é a verdade. — desdenhou.

Bella franziu o cenho.

— Viu? — bufou, jogando as roupas em seus braços. — Você definitivamente transou com ela! É sério James, você tem que ir embora. — disse com um bufo, empurrando ele e saindo do quarto.

James rolou seus olhos, mas a seguiu. No corredor, próximo a escada ela virou para encará-lo mais uma vez.

— Sabe o que eu realmente acho? — perguntou, descendo a escada com ele atrás. — Eu acho que você nunca me amou realmente James. Que tal?

Ele bufou indignado.

— Por favor!

— Você ama a ideia de eu e você juntos, mas não me ama, não de verdade.

James que descia a escada atrás dela, suspirou cansado.

— Fiz o meu melhor, mas tem alguém que presta para você? — acusou.

Bufando Bella abriu a porta da entrada, tirando as chaves do carro de James do chaveiro onde estavam as da casa e jogando na mão dele.

— Eu mandarei suas coisas. — falou, esticando o dedo, exigindo que ele saísse de sua casa.

Ele suspirou, mas caminhou pela soleira, parando no meio, onde virou para ela e falou:

— Sabe que você sempre faz isso, não é? Você estraga todos os relacionamentos que você tem. É isso o que você faz.

Bella arregalou seus olhos castanhos e com uma força surpreendente para ela bateu a porta de entrada na cara do seu ex-namorado. Com um bufo ela começou a subir os degraus que levava para o segundo andar.

— Você não quer vida em casal. — James acusou por trás da porta. — Você resiste a isso!

— Chega! — ela gritou, tampando os ouvidos para não ouvi-lo.

— É difícil detectar que você faz isso, porque ninguém é tão sagaz como você! — ele gritou, jogando suas coisas no chão. — É difícil perceber, mas sempre fica evidente, e isso acontece. — falou descendo a escada de três degraus da entrada.

— O quê acontece? — ela questionou, aparecendo na sacada do quarto, que ficava em cima da porta de entrada.

— As coisas acabam. — respondeu com simplicidade. — Como você sabe que acabariam. Você sabe o que sinto por você, não tem ninguém igual a você, mas você não quer ser o que eu preciso.

Bella riu desacreditada.

— Bem, não o que eu "preciso". Você sabe o que eu quis dizer. — disse ele ligeiramente constrangido com o jardineiro que passava pelo pátio.

— Eu nunca trairia você, sob nenhuma condição. — ela disse.

— Nem eu! — ele exclamou. — Olhe para mim, estou suando feito um porco. E lhe para você, a única mulher na Terra que termina com o namorado sem derramar uma lágrima? Isso quer dizer algo, não? — pontuou indignado.

Bella bufou.

— Por que te incomoda tanto eu não conseguir chorar? — ela perguntou irritada.

James suspirou cansado balançando a cabeça e cruzando seus braços. Bella gemeu, massageando o peito.

— Merda! Espasmo no esôfago. E dos grandes. — disse entrecortada, massageando o peito. — Tudo bem, vai passar. — disse, sacudindo a mão ao olhar preocupado do loiro.

— Eu sei, estou pensando em mim. — ele disse.

— James, olha, acabou. — ela sentenciou com um suspiro. — Temos que ser honestos um com o outro. Apenas me diga: você transou com ela? — perguntou sem nenhum tom de acusação.

James que tornou a cruzar seus braços suspirou.

— É só dizer. Que diferença faz isso agora? Só pare de me torturar. — implorou.

Ele balançou a cabeça e suspirou.

— Acabe com meu sofrimento. — ela pediu com olhos pidões. — O quê estamos fazendo?

— ela riu sem humor diante do silêncio dele.

— Tudo bem. — ele respondeu cansado. — Sim, eu transei com ela. Está feliz? Tenho transado com ela. Ela se apaixonou por mim, ela é jovem. Olhe, quero que saiba que não me orgulho disso. — Bella, sacudiu a cabeça desacreditada e entrou em casa.

James vendo a cena gritou:

— Bella! — sem obter resposta dela, ele andou alguns passos com a mão na cintura de maneira cansada. Inesperadamente a porta de entrada abriu e uma Bella, andando pesado saiu por esta.

— Você perguntou se estou feliz? — inquiriu com os olhos fechados em fenda.

— Não foi o que quis dizer. Você me enlouquece e acabo dizendo besteira. — ele disse ressentido.

— Sabe James, no mundo do amor, não que eu seja especialista, traição não é aceitável.

— Pense o que quiser, eu sei que você se acha muito boa, mas a culpa não é só minha. — ele se defendeu.

— Certo. — Bella desdenhou, ainda atordoada com a cara de pau dele.

— Quando essa raiva passar, acho que você vai perceber isso. — completou cansado.

— É… talvez. Quando eu parar de imaginar vocês dois juntos, vou entender seu ponto de vista. — respondeu ironicamente, virando as costas para ele, mas voltando a encará-lo para dar um soco em seu rosto.

— Você deve estar de brinc… — ele começou, mas um novo ataque dela o derrubou. Caminhando pesado de volta para a casa, sentindo sua mão latejar de dor.

Bella nunca foi muito de violência, mas James a tirou tanto do sério que ela não sabia agir de outra forma que não fosse por meio da violência. Porém, o golpe foi tão intenso que ela sentia sua mão e dedos doerem, parecia que ela havia prendido seus dedos numa porta.

Alguém coçou a garganta as suas costas. Imediatamente ela virou para encontrar Angela, uma de suas funcionárias na produtora e amiga de longa data.

— Cheguei numa hora ruim? — ela perguntou timidamente.

— Não. Não. Eu só estou surtando. — Bella respondeu.

Angela que já viu a chefe e melhor amiga nós bons e nos péssimos momentos. Deu de ombros. Bella surtar era algo comum.

— Oh, tudo bem então. — sorriu divertida, vendo Bella andar como uma barata tonta.

— Estou bem. Como isso aconteceu? — ela perguntou retoricamente, com os dedos enterrados em seu cabelo castanho. Angela sacudiu a cabeça sem entender. — Quer saber? Eu estou bem. — disse a morena.

Bella suspirou. Angela arqueou uma sobrancelha surpresa.

— Oi. E aí? — Bella perguntou a amiga com um sorriso.

A mulher sacudiu a cabeça atordoada, mas sorriu, acostumada com as mudanças de humor da outra.

— Ben quer ver você. — ela disse com um sorriso.

Em silêncio as duas mulheres seguiram para a sala que Bella fazia como escritório estendido da sua produtora em casa.

Ben Cheney que era namorado de Angela, era um cara legal. Competentíssimo em seu trabalho, enquanto que a morena de olhos puxados e óculos era uma espécie de assistente de Bella, ele que também tinha origem oriental e usava óculos, era aquele que montava junto com a emissora o piloto de seus shows ou a ajudava na elaboração do material de divulgação de seus filmes.

Dessa vez, ele queria mostrar a Bella o piloto do novo seriado que ela havia idealizado: New Moon.

— Incrível! Tem cara de sucesso! — Bella exclamou animada após o fim do episódio piloto.

Ben sorriu convencido.

— Por isso você é tão boa, Bella. Esse show vai ser melhor de todos! Vejo muitos Emmys e Globos de Ouro na sua estante no futuro. — ele disse animado com a felicidade da chefe.

— Eu só crio a história e descrevo o que quero, você que faz a mágica junto com a emissora. — disse. — Só coloque mais cenas da Charlotte, principalmente dela refletindo sobre como foi reencontrar Peter, isso que vai deixar a trama mais emocionante. — ponderou. — E ah… peça para a edição colocar ela descobrindo a carta da avó sobre a herança nesse final, para deixar o gancho mais dramático para o próximo. — pediu.

— Perfeito Bella. Eu também concordo com essa ênfase a Charlotte e principalmente do público já saber sobre o que vai reuni-la a Peter. — Ben concordou.

— Então… terminamos. — Bella suspirou massageando o peito. Aquele foi seu último trabalho do ano, a apresentação do piloto de sua série nova para a mid season, a partir de maio.

— Ótimo! — concordou Ben com um sorriso a Angela, que também sorria animada.

— Ei — Bella interrompeu a comemoração do casal. —, vamos tirar umas semanas de folga.

Os dois riram como se ela tivesse contado uma piada.

— Claro, Bella. Férias. — desdenhou Ben.

— Não estou brincando. — defendeu-se a produtora.

— Bella… — bufou Angela uma risada. — Você sempre diz que essa é a época mais agitada do ano. Cheia de projetos, temporada de premiações…

— Eu preciso sair da cidade. — suspirou Bella. — Preciso de paz e silêncio, ou do que se precisa quando se quer sumir. — deu de ombros. — Na verdade quero comer carboidratos sem querer me matar. Quero ler um livro, não uma revista. Um livro de verdade. Leio as críticas e compro os livros, mas nunca os leio.

Ela suspirou, massageando seu peito. Parecia que o espasmo no esôfago estava prestes a recomeçar.

— Vocês leram o artigo do New York Times no domingo? — perguntou retoricamente. — O estresse causa, nas mulheres envelhecimento precoce. Pois, ele faz com que o DNA encolha até às células não conseguirem mais se multiplicar. — ela riu sem humor. — A mulher fica acabada. Só as mulheres, os homens não.

— Desculpa…? — pediu Ben confuso mexendo na sua xícara de café.

— Antes diziam que as solteironas tinham mais chance de morrer em um ataque terrorista do que se casar. Horrível. Mas agora, a nossa geração não está se casando, e, de quebra já nos acostumamos com os terroristas. Esse estresse todo vai para o rosto, nos deixando acabadas, enquanto James continua lindo e pegando uma atriz de 22 anos. — bufou indignada. — Oh meu Deus! — gemeu. — Entendem o que eu digo? Preciso de férias. — disse rindo atordoada.

Ben e Angela trocaram um olhar confuso. Em nove anos trabalhando com Bella nunca a viram tão insanamente atordoada como a viam naquele exato momento, porém concordaram que ela precisava de férias, por mais que achassem impossível ela fazer algo do tipo.

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Com um único objetivo em mente, Bella foi para seu escritório, onde puxou seu iPad e começou sua busca por suas férias perfeitas. Com um sorriso vitorioso no rosto digitou na caixa de busca do navegador:

"Onde passar as férias".

— Sozinha. — completo para consigo mesma. — Totalmente sozinha. — suspirou pesado, escondendo seu rosto com as mãos, numa tentativa infrutífera de chorar, coisa que saiu algo extremamente forçado e sem sentido, quase como um ganso engasgado ou um ataque de riso proibido.

Ela bufou.

— Por favor, só uma. Uma lágrima! — implorou ao universo sem sentido. Mas suas tentativas eram sempre tão fracassadas como a primeira.

Com um suspiro resignado, Bella entendeu que o universo não queria que ela derramasse uma lágrima sequer.

— Certo. Continuando. — murmurou, voltando sua atenção ao tablet. E com uma intensidade desnecessária ela começou a buscar as opções de férias.

A primeira chamada de "férias sem preocupação", interessou a produtora que viu o destino e fico animada. Bora Bora, era um lugar lindo, mas quando começou a considerar o que fazer no local, e vendo que teria que fazê-lo sozinha, Bella rapidamente desistiu dessa opção.

O segundo, entitulado de "aluguel de temporada" a interessou. E com um sorriso ela clicou na opção, afinal era perfeito aquilo, escolher um lugar onde não haveria qualquer preocupação

O site fornecia uma gama de perguntas para decidir qual lugar seria adequado a cada pessoa, a primeira questão era "para onde você quer ir na suas próximas férias?". Bella considerou a pergunta.

Ela sabia que ela queria um país que falava inglês, porque se tivesse que falar outro idioma só aumentaria seu estresse. Suas opções eram Canadá, Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e Inglaterra. Bella nem teve que pensar muito na escolha, foi logo clicando sobre a bandeira da Grã-Bretanha.

A próxima janela do site pedia para escolher uma cidade, mas sem muito conhecimento clicou numa que achou engraçadinha: Costwolds.

O anúncio era animador: "celeiro transformado em casa moderna na bela Costwolds", por isso ela clicou em ver as fotos, sendo surpreendida por uma casa velha que parecia como as milhares de casa que um dia ela já viu em San Fernando Valley.

Indignada com o lugar, ela escolheu outra cidade: Surrey. Parecia inspirador, principalmente pelo anúncio.

"Chalé inglês de conto de fadas no meio de um campo tranquilo. Se aconchegue a uma lareira de pedra, bebendo chocolate quente. Um encantador oásis de tranquilidade em uma vila inglesa, a 40 minutos da emocionante Londres."

A foto do chalé o fazia realmente parecer um lugar de contos de fadas. Ao ver aquelas fotos, Bella tinha certeza que gostaria de ir para aquele lugar nas suas férias. Ali seria o lugar perfeito para o merecido descanso da loucura de Los Angeles e da sua vida pós-James.

Com a perspectiva de mudança e de um bom descanso ela mandou uma mensagem sobre o acolhedor chalé em Surrey.

Bella S.: estou interessada em alugar sua casa.

Bella S.: ela está disponível para o Natal?

Bella S.: porque se estiver, você seria uma verdadeira salva-vidas.

Bella S.: é tarde para perguntar, mas se interessar, entre em contato.

Bella que ainda admirava as fotos do encantador chalé, não esperava uma resposta do proprietário tão rápido, mas quando essa veio minutos após sua mensagem, ela ficou animada.

Rosalie C.: estou interessada, mas só se for para troca de casas.

Rosalie C.: trocamos de casa, carro, tudo. Nunca fiz, mas meus amigos já.

Rosalie C.: onde você mora?

Bella S.: LA.

Rosalie C.: nunca estive aí, mas sempre quis ir. Me chamo Rosalie, a propósito, sou bem normal. Muito organizada, saudável, não-fumante. Solteira.

Bella S.: eu me chamo Bella.

Rosalie C.: oi.

Bella S.: oi.

Bella S.: devo dizer que sua casa parece bem bucólica. Exatamente o que eu preciso.

Rosalie C.: sério? Legal. E como é a sua?

Bella S.: é legal, mas é um pouco maior que a sua.

Rosalie C.: isso não é difícil.

Bella S.: posso perguntar uma coisa?

Rosalie C.: claro.

Bella S.: a sua cidade tem homens?

Rosalie C.: nenhum.

Bella S.: quando posso ir?

Rosalie C.: amanhã é muito cedo?

Bella S.: amanhã é perfeito!

Rosalie C.: certo. Vamos fazer isso por duas semanas, começando amanhã.

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Bella que viajava constantemente de avião, já tinha uma rotina própria para os voos. Por isso depois de se acomodar na sua confortável cadeira na primeira classe, a morena tomou alguns remédios para dormir e vestiu sua venda para bloquear a claridade. Com um suspiro Bella se acomodou para dormir todo o trajeto até Londres, porém sua cabeça não desligava, e a voz do narrador do seu mais novo seriado entoou:

"Bella Swan orgulha-se em apresentar 'sua vida'. Ela tinha tudo. O trabalho, a casa, o namorado. Na próxima temporada, descubra o que a Bella não tem."

Atordoada com sua própria imaginação, Bella bufou indignada e incomodada, cruzando seus braços sobre seus olhos para bloquear qualquer imagem ou cenário que sua imaginação teimosa pudesse conjurar.

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O frio de Londres em dezembro era congelante. Do tipo que dói a alma e faz você só querer ficar em casa com um chocolate quente ou talvez um vinho. O que era mais que perfeito para Bella. Aquilo era tudo o que ela queria. Paz, tranquilidade, um tempo para si mesma.

A bordo de um táxi que a levaria até Castlehill Cottage, a morena que havia dormido tão mal no voo, deitou no banco de trás para um cochilo.

— Madame? — a voz suave do motorista a chamou. — Madame? Madame? — insistiu mais alto o homem. Assustada e toda amarrotada e com sua venda no rosto, ela se ergueu, meio desorientada, no banco.

— Sim? — falou retirando a venda.

— Chegamos. — sentenciou o motorista.

— Certo. — ela concordou ainda desorientada, esfregando seu rosto e encarando a paisagem, que dava para um cemitério coberto de neve. — Não pode ser aqui. — murmurou desiludida.

— Não, é no final dessa rua. — interveio o motorista. — Mas não vou conseguir manobrar lá do outro lado. Pode ir andando? — ele perguntou com a elegância e grosseria britânica ao mesmo tempo.

— Não! — exclamou indignada a produtora.

Porém, nada podia ser feito. Se era a sua intenção chegar em Castlehill ela deveria ir andando.

Carregando duas malas gigantescas pela rua tomada pela neve fofa, Bella sentiu um calor anormal pelo esforço a tomar, enquanto seus pés em suas botas de salto médio afundarem e escorregarem no gelo ligeiramente congelado.

Bella andou. Andou e andou, mas parecia nunca chegar ao chalé. Quando viu um casal caminhando pela estrada com seu cachorro, ela teve que perguntar a eles se estava no caminho correto.

— Oi, desculpa, vocês sabem me dizer onde fica o chalé Castlehill? — perguntou com um sorriso suave.

— Vá até a ponte e continue andando. — explicou a local.

E sem qualquer alternativa Bella continuou andando, até que depois de 20 minutos de caminhada finalmente chegou em seu destino. A pequena casa era exatamente como na fotografia: pequena, aconchegante, bucólica

Ligada no 220 V, como só ela podia. Bella assim que entrou na casa, começou a desfazer suas malas. Tirando o que usaria dela e dispondo suas coisas no diminuto armário de Rosalie. Acostumada com a grandiosidade e o luxo de sua casa em LA, o chalé era extremamente humilde — confortável, com certeza, mas extremamente simples para os padrões rebuscados e sofisticados de Bella.

Com suas coisas guardadas e as malas vazias embaixo da cama, a morena sabia que agora ela precisava fazer algumas compras. Se ela fosse ficar no chalé, longe da civilização somente lendo livros, ela precisaria de muitos snacks e principalmente bebidas.

Como combinado, Rosalie havia deixado a chave de seu carro — um mini-Cooper vermelho — no hall de entrada, aguardando Bella. Contudo, havia um pequeno problema com a direção na Inglaterra: a tal mão inglesa.

Acostumar a conduzir o carro, sentando-se sempre a esquerda, dirigir sentando à direita era estranho. O mesmo pode-se dizer em conduzir o automóvel no lado contrário. Bella estava tendo pequenos ataques com aquela situação. Ela recitava um mantra, quase como se fosse uma oração:

"Eu consigo. Consigo dirigir do lado errado da rua e do carro. É só me concentrar."

Porém, toda vez que surgia um carro vindo no sentido contrário a produtora começava a gritar e a se desesperar, achando que a qualquer momento bateria o carro. Definitivamente, para ela, conduzir um carro seja do lado contrário do mesmo ou da rua, era um desafio que consumia uma grande dose de adrenalina.

Quando finalmente chegou ao centro da pequena vila, depois de ver a morte várias vezes — toda mão inglesa era muito esquisita para a produtora —, e quase atropelar algumas pessoas, ao estacionar o carro de Rosalie ela suspirou aliviada.

— Deus! Eu preciso de uma bebida. — disse consiga mesma.

No mercado ela comprou todos os tipos de coisas que normalmente não comia. Biscoitos, salgadinhos, doces, coisas industrializadas, tudo aí estava cortado da sua dieta a anos. Enquanto passava pelos corredores da loja, ela abriu um garrafa de vinho e a foi bebendo direto do bico.

Nunca o álcool foi tão bem vindo no corpo de Bella.

No pagamento, a caixa ficou surpresa com a quantidade de coisas incomuns que a morena comprava.

— Alguém vai dar uma festa está noite! — ela riu divertida.

Bella riu e piscou lentamente para a mulher — claramente alcoolizada.

— Pode ter certeza. — gargalhou.

O retorno ao pequeno Chalé Castlehill foi mais tranquilo que a ida — mesmo dirigindo do lado errado do carro e da estrada, parecia que o vinha que tomara na loja fez o efeito necessário: a deixado mais calma.

O frio começou a se intensificar conforme a noite caia, e por mais que o chalé fosse confortável, o fato dele ser todo de pedra o deixava extremamente gelado, e nada — nem o termostato, nem a lareira — pareciam aquecer o lugar. Bella praticamente tremia com todas as roupas quentes que estava e debaixo dos cobertores.

Quando passou a chamada de um da filmes que escreveu e que iria estrear no dia de Natal, a mulher se empolgou. Com um sorriso no rosto ela acompanhou o trailer.

— E é por isso eles me pagam tão bem... — disse orgulhosa ao pequeno yorkshire de Rosalie, chamado de Shakespeare. O cachorrinho deu um latido baixo e baixou a cabeça.

Acostumada com uma vida agitada, ficar "relaxando" em um chalé bucólico, nunca foi muito a vida de Bella. Depois de um tempo deitada, bebendo seu vinho, a mulher desceu para a pequena sala para explorar o que sua anfitriã tinha. Bella admirou os livros de Rosalie. Brincou com seu longo cabelo castanho. Colocou música alta onde cantou a plenos pulmões e dançou. Depois deitou e começou a ler um livro.

O tédio a consumia.

Bella até mesmo começou uma competição de quem pisca primeiro com Shakespeare, o yorkshire. Rapidamente ela notou que as tais férias era uma idealização infantil, e com um suspiro, retornou ao quarto para arrumar sua bagagem para retornar a Los Angeles.

Depois de organizar todas as suas coisas e reservar um voo para casa no dia seguinte, Bella tentou dormir.

Dormir não era algo que Bella Swan fazia com facilidade. Não. Muita vezes ela achava banal adormecer e sempre sentia sua insônia como bem vinda. Não naquela dia. Com sua olhos castanhos abertos, ela considerava que idiotice havia feito ido a Inglaterra sem qualquer planejamento. Estava ao concentrada em lamentar sua decisão, que quando alguém começou a bater desesperadamente na porta de Castlehill as duas da madrugada ela se assustou.

Desconfiada ela desceu para o primeiro andar, onde a batida na porta era incessante e o latido de Shakespeare parecia incomodado. Ao pé da escada, ela inquiriu:

— Quem é?

Uma voz masculina profunda e imensa respondeu:

— Sou eu! Rápido. Estou congelando.

— Quem é você? — ela replicou confusa.

Bella escutou o homem bufar atrás de sua porta.

— Rose, abra a porta, ou vou mijar no seu portão. — disse quem quer que fosse impaciente. Bella que ficou atordoada com a sentença do homem, corre para abrir a porta.

Assim que a abriu, o homem que estava de costas virou. E que homem!

Bella notou rapidamente que ele era lindo, na falta de uma explicação melhor. Seus cabelos bagunçados de um tom de bronze, os olhos verdes intensos, a pele branca ligeiramente avermelhada pelo frio. Assim que ele a encarou, ela sentiu suas bochechas enrubescendo.

— Oi. — ele disse profundamente. — Você não é Rosalie. Se for, eu estou mais bêbado do que achava. — ele riu. — Desculpe a grosseria, mas não esperava por você.

Bella riu bem humorada e claramente afetada pelo homem.

— Eu também não estava esperando você. — disse com um sorriso que flertava com o homem.

Ele sorriu meio enviesado.

— Então posso… humm… er… — ele começou, olhando em direção ao lavabo que ficava próximo a entrada.

Bella que entendeu rapidamente o que ele queria dizer, abriu mais a porta para que ele entrasse.

— Sim, claro. Você tem que… — disse, se abraçando no casaco para se aquecer. O homem misterioso entrou no chalé, tremendo de frio, porém antes de continuar sua caminhada ao banheiro virou para a morena. — Eu sou Edward, irmão de Rosalie. — falou esticando a mão para apertar a da mulher.

— Ah! Irmão. — disse ela com um sorriso. — Me chamo Bella Swan, sou hóspede aqui. — explico.

— "Bellaswan"? É uma palavra só? — divertiu o homem. Bella ri afetada.

— Não. — disse com uma risada. — Não é. Não. — assim que ele entrou no pequeno lavabo ela gemeu internamente:

"Irmão? Nossa!" — imediatamente ela correu para o pequeno espelho para dar uma olhada em seus cabelos e no seu rosto, completamente atraída pelo irmão de Rosalie, Edward.

— Então, Rosalie, onde ela está? — ele perguntou do banheiro, a sobressaltado fazendo que ajeitasse sua roupa com rapidez, tirando a calça que estava por dentro das meias de lã que usava.

— Não contou para você? — perguntou surpresa.

— Talvez tenha contado. — disse saindo do lavabo e esbarrando na mesinha ao lado, quase derrubando um abajur vintage, ele o pegou com agilidade, enquanto ela ainda tentava ajeitar sua aparência. — Como já dito, eu estou… eu estava… — ele disse apontando para a porta.

— Ela está em Los Angeles. — Bella respondeu suavemente.

Edward sacudiu a cabeça atordoado.

— Isso não é possível. Ela nunca vai a lugar algum. — suspirou.

Bella riu divertida e completamente afetada com a beleza do homem.

— Eu e ela temos isso em comum. — suspirou. — Ela anunciou o chalé em um site de troca de casa, e eu achei. Ficamos de casa por duas semanas para o fim de ano. Ela está em LA, na minha casa, e eu estou aqui. — ele se debruçou para próximo dela, claramente embriagado, mas muito atento ao que a morena falava.

— As pessoas fazem isso? — perguntou surpreso.

— Aparentemente. — ela respondeu dando de ombros. — Quero dizer, sim. Aqui estou eu de pijama. — riu nervosa.

— Ela me ligou ontem à noite, não liguei de volta. Agora me sinto péssimo. — suspirou desacreditado.

Bella encarou o estranho e belo homem, irmão de Rosalie — uma mulher que ela não conhecia.

— Posso me sentar? — ele questionou meio cambaleante. — Estou quase caindo.

— Claro, sim, sente-se. — ela ofereceu sacudindo a cabeça, pois ela estava completamente inebriada por aquele homem.

Bella observou ele ir meio cambaleando ao sofá, onde ao se sentar parecia que ele fosse cair a qualquer momento. Ela ficou atordoada com o estado de embriaguez dele.

— Você está bem? — perguntou andando pela sala, preocupada com o bem estar do irmão de Rosalie.

— Sim, estou bem. — ele respondeu com um suspiro. Ele riu divertido. — Desculpa pela invasão.

Bella tentou dizer que não era um problema, mas ele a cortou em seu discurso explicativo.

— Apesar de não parecer, sou o irmão mais velho e meio-respeitável de Rosalie. — os dois riram da sua colocação. — Mas nas raras, ou recentemente não tão raras, ocasiões em que vou para o pub local e fico muito bêbado, minha irmãzinha me deixa ficar aqui para eu não dirigir. — Bella assentiu com a colocação. — Explicação patética, eu sei, mas infelizmente virou rotina.

Ele suspirou pesadamente, visivelmente ainda atordoado seja com a mulher estranha a sua frente, seja com sua costumeira embriaguez.

— Está gostando daqui? — perguntou genuinamente curioso. — Quero dizer, até eu arruinar a sua noite.

Bella sorriu nervosa.

— Bem, não está muito bom. — disse com sinceridade. — Vou embora amanhã, no avião do meio-dia. — explicou.

— Oh! — surpreendeu Edward. — Quando você chegou aqui?

— Humm… há seis horas. — disse com uma risada tímida

— Uau! Causamos uma belíssima impressão! — divertir-se o homem.

Ela riu com ele.

— Não é nada disso, não estou no meu estado normal. — explicou desdenhosa. — Vim por um capricho idiota. Única fiz algo tão impulsivo! Não é meu estilo. — sorriu envergonhada, ante ao olhar curioso dele. — Quer beber alguma coisa? Um voo d'água? Chá? Vinho, talvez? — ofereceu.

Ele se curvou para a frente e apontou para o armário

— Acho que tem uma garrafa de conhaque. Quer um copo? — ele ofereceu.

— Claro. — ela concordo, se movendo para pegar as taças e a bebida.

— Ótimo.

Edward continuou sentado no sofá, observando a mulher se mexer na casa de sua irmã com facilidade. Ela era diferente de todas as outras mulheres que ele já conhecera antes na sua vida.

— Desculpe, me deu um branco, esqueci seu nome. — ele disse apologético.

Ela sorriu torto.

— Bella.

— Então, Bella, não é casada, é? — perguntou meio tímido, meio curioso.

Bella que estava na cozinha, virou para encará-lo com um sorriso em seu rosto.

— Por quê? Pareço não ser casada? — inquiriu suavemente.

Edward achando que a havia ofendido, rapidamente respondeu:

— Não! Não. Foi apenas um jeito ruim de perguntar se é casada. — disse com rapidez, se chutando mentalmente por sua inaptidão.

Ela riu.

— Não. Nem um pouco. — respondeu, servindo as bebidas. — Seja lá o que isso signifique. — ela tornou a rir. — Mas, não, eu não sou casada.

Edward sorriu com a resposta dela, assentindo com a cabeça.

— Nem eu. — murmurou. Bella que retornava a sala com o conhaque, entregou uma taça a ele, mas manteve-se em pé. — Saúde. — desejou tintilando suas taças.

— Saúde. — sorriu timidamente, bebendo um gole da bebida.

Eles sorriram um para o outro, em um claro momento de desconforto.

— Seria muito ruim se eu ficasse? — ele questionou depois de um tempo. — Vou embora antes que você acorde. Prometo que nunca mais você irá me ver.

Bella balançou sua cabeça em negação.

— Oh! Está bem. É claro. — concordou timidamente.

— Obrigado.

Ela colocou sua taça sobre uma mesinha de apoio.

— Deixa eu lhe pegar alguns cobertores. — virando de costas para ele, ainda atordoada com esse homem que surpreendeu de maneiras que ela não conseguia enumerar em sua cabeça.

— No armário, em cima dos jogos de tabuleiro. — ele disse com um sorriso.

Bella concordou com um aceno de cabeça.

— Então… por que você não está em seu estado normal no momento? — ele perguntou, levantando-se do sofá para tirar seu casaco.

— Hum… bem… acabei de terminar um relacionamento. — ela explicou, retirando os cobertores do armário. — Ontem. — ela riu, e ele assentiu, como se tivesse entendido a questão. — Acho que não queria ficar sozinha nas festas. Pensei que, se viajasse, não me sentiria só, mas desde que cheguei aqui nunca me senti tão sozinha em toda minha vida. — ela bufou uma risada. — Grande surpresa!

Ela aproximou-se de onde ele estava retirando seus casacos e sorriu.

— Você deve estar feliz de ter vindo. — brincou depreciativa entregando a ele os cobertores e um travesseiro.

— Sim, eu estou.

Bella o encarou atordoada. Esse homem estava flertando com ela? Fazia tanto tempo que ninguém fazia isso que ela estava na dúvida se ele era só simpático, se ele era simpático por causa da embriaguez ou se ele estava só bêbado arrumando um jeito de ficar livre dela.

— Sim, bem… — ela sorriu envergonhada. — Desculpe e boa noite. — desejou.

— Bons sonhos. — ele retribuiu, curvando-se e depositando um beijo em seus lábios.

Bella arregalou seus olhos surpresa. Um momento de constrangimento caiu sobre os dois.

— Você acha que poderia… — Bella riu fingindo despreocupação. — Poderia fazer isso de novo? — pediu séria.

Edward a encarou confuso por alguns segundos, arregalando seus intensos olhos verdes, buscando algo no rosto da mulher, mas quando viu só expectativa, tornou a se curvar capturando os lábios dela em um novo beijo.

Quando se separaram, Bella parecia perder o equilíbrio, mas o seu olhar confuso o deixou alarmado.

— Foi ruim? — perguntou meio vulnerável.

Ela fechou seus olhos em fenda e virou-se lentamente, sem tirar os seus olhos dos dele.

— Esquisito. — respondeu sentando-se no sofá reflexiva. Ele sentou ao lado dela, tão confuso quanto. — Beijar um total estranho. — ela explicou.

— É mesmo? — replicou divertido. — Faço isso o tempo todo. — os dois riram.

Bella ainda incomodada pelo que sentiu — ou não sentiu, virou-se para ficar de frente ao homem.

— Me deixa tentar isso. — falou, já se curvando para beijá-lo. Dessa vez o beijo durou um pouco mais, mas quando se separaram Edward percebeu que os olhos dela estavam abertos, curioso ele a encarou completamente confuso. — Talvez se eu fechasse meus olhos. — ela disse timidamente, ele assentiu fervorosamente.

Suavemente ele colocou suas mãos grandes ao lado de seu rosto, fazendo um afago em seus cabelos. Ela soltou um gemido surpresa, mas deixou-me levar por aquele momento. Em seguida ele suavemente beijou seus olhos, causando um leve tremular nela, para depois seus lábios se juntarem em um beijo urgente.

Suas bocas se enroscaram em um beijo fervoroso. Seus lábios sugavam e bicavam um ao outro. Suas línguas, ansiosas para participar do momento, se envolviam como uma só, brigando por uma dominância desnecessária.

— Considerando que estou tendo uma crise pessoal — ela disse, interrompendo o beijo. —, que me encontro na casa de uma estranha, em uma cidade de que nem me lembro o nome, e que você apareceu de repente, é lindo de morrer, está bêbado e provavelmente não vai se lembrar de mim, estou achando que deveríamos transar.

Edward arqueou suas sobrancelhas surpreso com o quão direto a mulher a sua frente estava sendo.

— Se você quiser. — ela pontuou rapidamente.

— É uma pegadinha? — perguntou divertido, com um sorriso enviesado.

Bella riu timidamente.

— Estou falando sério. Não que tenha importância, mas nunca feliz nada desse tipo antes. O lance de saber que nunca mais vou ver você é excitante.

Edward sorriu convencido e lisonjeado ao mesmo tempo.

— Férias tem que ser assim. Fazer coisas inesperadas. — ela disse sensualmente, puxando levemente a gravata dele. — E você, definitivamente, é inesperado.

— Estava ótimo até você me transformar em um brinquedo. — ele provocou. Ela riu afetada.

— E você é engraçado, o que é um bônus.

— É? — ele disse descrente. — Nunca me veja sóbrio. — tornou a provocar.

— Combinado. — disse ofegante, voltando a capturar seus lábios em um beijo urgente e profundo.

Edward deixou se envolver aos beijos daquela mulher bela e incrível a sua frente. Já que iam fazer sexo, agora ele estava ansioso para isso. Porém, mais uma vez ela o parou.

— Tenho que avisá-lo de uma coisa. — Bella disse séria. — Não sou muito boa nisto.

Edward franziu o cenho.

— O quê seria "isto"? — perguntou confuso.

— Sexo. — ela murmurou.

Edward riu desacreditado.

— Não pode ser verdade.

— O cara que morava comigo disse isso algumas vezes. — ela o cortou. — E uma garota não esquece um comentário desses. Nem mesmo eu.

Ele ficou a encarando atordoado. Que cara idiota que iria dizer que essa mulher incrível não era boa no sexo? Pelos beijos que haviam partilhado, Edward tinha certeza de uma coisa: Bella era uma mulher extremamente apaixonada, e fazer sexo com ela seria… inesquecível.

Observando como ele a encarava, Bella que estava ofegante, tornou a se curvar para frente, capturando os lábios dele em um beijo urgente. Suas bocas travaram uma batalha de desejo e vontade incandescente. Mas Bella, que dificilmente conseguia ficar queira, interrompeu o mesmo, mais uma vez.

— Como posso ser tão ruim? — perguntou retoricamente. Edward bufou uma risada. — Sexo é bem básico. Acabei com o clima de tanto falar? — ela perguntou, rindo nervosa.

— Estranhamente, nem um pouco. — ele disse balançando a cabeça em negação, para enfatizar seu ponto. — O quê acha das preliminares? — perguntou.

— Acho que são superestimadas. Bastante superestimadas. — disse suavemente.

Edward sorriu enviesado.

— Você está virando uma das garotas mais interessantes que já conheci.

Ela sorriu sensualmente e levantou-se do sofá toda sexy, pegando o seu copo e a garrafa de conhaque sem tirar os olhos dele. Edward que estava encantado, conseguiu ficar praticamente sem fôlego por essa mulher.

— Olhe para você. — disse surpreso. — Já é muito melhor do que pensa.

Bella piscou lentamente, e ele sem pensar duas vezes a seguiu para o andar de cima.

.

Bella acordou muito antes dele. Na verdade ela estava tão envergonhada, que se vestiu o mais silenciosamente que pôde para não acordá-lo. O medo de ter sido um fracasso a inebriava.

Ela estava na cozinha, se esforçando para fazer a cafeteira, que não queria cooperar funcionar, quando ele desceu a surpreendendo.

Aquele minuto de vergonha e constrangimento caiu sobre os dois. Na luz do sol, sem a nuvem da embriaguez causada pelo álcool, o que haviam feito na noite passado era inesperado e principalmente atordoante.

— Bom dia. — ele disse educadamente.

— Bom dia. — ela respondeu, sentindo suas bochechas enrubescerem.

— Perdi minha lente de contato ontem a noite, de alguma forma. — falou, mexendo no bolso de seu casaco, até encontrar a caixa de seus óculos, dos quais retirou e colocou os óculos de armação preta. — Bem melhor agora. — disse aliviado.

— Sim. — Bella sorriu afetada.

Ele encarou ela na sua árdua tarefa de fazer a cafeteira funcionar.

— Posso ajudar nisso? — pediu, aproximando dela.

— Eu deveria saber fazer isso. — ela disse com um risada nervosa, abrindo caminho para ele. Ele mexeu um pouco e percebeu que a cafeteira não estava conectada na tomada e mostrou a ela.

— A-ha! — provocou divertido.

Bella sorriu timidamente.

— Aaahhh! Aqui tem que ligar na tomada. — dias cheia de constrangimento.

Ele colocou a máquina para funcionar, e virou para encará-la. Os dois ficaram em um silêncio constrangedor. Movendo-se incomodados com todo aquele cenário.

— Bella, eu realmente… — ele começou confuso.

— Não precisa se preocupar com nada. — ela interveio rapidamente. — Tudo bem? — tentou ser sensata.

Ele fechou seus olhos em fenda.

— Tudo bem. — disse lentamente.

— Foi ótimo conhecer você e tudo mais.

Edward arqueou a sobrancelha surpreso.

— Oh! Claro. Definitivamente. — sorriu. — E que fique registrado que seu ex-namorado, na minha opinião, está totalmente enganado sobre você.

Bella colocou as mãos no rosto, constrangida.

— Você estava bêbado. — ela rebateu divertida.

— Nem tanto. — contestou.

— Sei… — ela divertir-se no mesmo instante que um telefone celular começou a tocar.

— Oh! É o meu. — ele disse, esticando para pegar. Mas ela foi primeiro, e mesmo sem querer ela viu que o nome registrado era de uma tal Jane.

— Jane. Desculpe, não quis olhar.

— Depois eu ligo de volta. — ele disse com um aceno de descaso com a mão.

Bella suspirou constrangida, buscando nos armários xícaras de café. Edward admirou o telefone preocupado, enquanto a mulher murmurava sobre as xícaras de café. Vendo o incômodo dela, ele pegou duas xícaras no armário atrás dele.

— Aqui. — disse com um sorriso.

— Obrigada. Não quer uma? — ela ofereceu confusa.

— É melhor eu ir. — ele responde com as mãos nos bolsos.

O silêncio constrangedor recaiu sobre os dois.

— É, eu também tenho que ir daqui a pouco. — ela disse, desviando o olhar.

— Então… ouça — ele começou, vestindo seu casaco. —, sei que você está indo embora e não quer se envolver, mas as coisas na minha vida estão meio complicadas. E mesmo que você ficasse, você não gostaria…

— Você não precisa fazer isso. — ela cortou o discurso dele. — Minha vida também está bem complicada. E, quero dizer, nós mal nos conhecemos.

Edward sorriu torto.

— Eu não diria exatamente não se conhecer, mas só queria certificá-la de que é melhor assim. — ele sacudiu a cabeça aturdido.

— Tudo bem. — ela respondeu tranquila.

Ele ficou sem palavras com a franqueza da mulher.

— Ok. Só queria ter certeza de que você está bem — disse recolhendo suas coisas, e já se encaminhando para a entrada. —, porque de alguma forma acabo magoando as mulheres só sendo eu mesmo…

— Não vou me apaixonar por você, prometo. — ela interrompeu suavemente.

Ele sorriu forçado.

— Tudo bem, bem colocado, obrigado.

— Não… é que eu me conheço. Nem sei se me apaixono do jeito que as pessoas se apaixonam. — ela replicou apologética. — Como me saí? — perguntou num suspiro.

— Você merece o prêmio de garota mais interessante do mundo. — ele disse com um sorriso.

— Vou tentar levar isso como um elogio. — ela falou lentamente.

— E deve. Com toda certeza. — Edward disse sério, a admirando.

Bella sorriu timidamente.

— Bem. Certo… — ele disse andando pela casa para pegar seu casaco de neve, que estava sobre o sofá onde ele deixou. — Honestidade brutal! Que refrescante. — Bella deu uma risadinha, ainda admirando ele. — Bem, você não vai saber mais de mim, nem mesmo se quisesse, mas é óbvio que não quer, porque tenho o clássico problema masculino de não dar continuidade. Nunca me lembro de ligar de volta depois de uma saída.

Ela sorriu, abaixando a cabeça. Ele suspirou.

— E, como não saímos, então acho que nem precisaria.

— Exatamente! — apontou Bella.

Ele a observou e com passos largos voltou a entrar na cozinha.

— Mas, e se eu quisesse ligar? — perguntou.

Bella suspirou confusa e sem uma resposta clara.

— Desculpa, isso não parece ser a coisa certa a ser dita. — ele lamentou. — Se o seu vôo for cancelado ou se por acaso mudar de ideia, estarei com meus amigos no pub está noite. — ela sorriu com o convite, incomodada com a intensidade de seu olhar. — Se não, então… bem, você é adorável.

Bella sorriu genuinamente feliz com o elogio.

— Você também. — ela disse suavemente. Com um último suspiro e uma olhada a morena, ele deixou a casa da irmã.

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Bella que alguns minutos depois da saída de Edward, seguiu para o aeroporto de Heathrow, em Londres, estava na fila de embarque do seu vôo para Los Angeles quando refletiu sobre o que estava fazendo. Com um suspiro ela virou para o guarda que verificava sua bagagem. Imediatamente a voz do narrador de seu seriado entoou na sua cabeça:

"Bella Swan não estava em busca do amor. Mas isso não significa que o amor não a encontrou."

— Tudo certo, pode ir. — disse o guarda, retirando Bella do seu devaneio.

— Oh! Obrigada. — ela balbuciou atordoada. Porém invés de seguir para o embarque, ela pegou suas bagagens e saiu deste, procurando um táxi para retornar a Surrey e o que talvez podia ser finalmente o amor.

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A noite, quando entrava no pub White Horas, para jantar com seus amigos de longa data, Jacob e Leah Black, Edward buscou com os olhos algum sinal de Bella, mas em um primeiro momento não a viu em qualquer lugar. Quando finalmente Leah o chamou, obrigando a se sentar na mesa onde estavam, ele começou a tirar o casaco, quando a viu — com um suéter branco e bebendo uma taça de vinho. Ela sorriu e acenou quando finalmente o viu.

Mesmo não querendo Edward sentiu um sorriso gigantesco crescer em seu rosto. Ela, Bella, era uma mulher única.

.

A manhã seguinte amanheceu clara e fria. Bella que sentia sua cabeça latejar, cambaleou escada a baixo do chalé de Rosalie, vestindo seus pijamas de inverno.

— Oh… oh meu Deus! — ela gemeu com as mãos na cabeça. — Não bebo tanto assim desde… o que estou dizendo? Eu nunca bebi tanto assim!

Edward que estava na cozinha preparando o café e lendo jornal, sorriu.

— Acho que ninguém nunca bebeu.

— A última coisa que me lembro é de ter vindo aqui ontem à noite… — começou dizendo, andando pela casa quando viu o sutiã branco de renda que usava na noite passada sobre a poltrona. Sua boca abriu chocada com a ousadia, tentando esconder a peça de lingerie em algum lugar.

Edward sorriu enviesado.

— Eu juro, eu não tive nada a ver com isso.

— Oh! Eu sei, mas você estava aqui. — ela disse envergonhada.

— Estava. — concordou divertido.

— Meu Deus! — ela gemeu. — Então acho que nós… — ela apontou para o andar de cima constrangida e envergonhada. — Fizemos?

Edward balançou a cabeça em negação.

— Não fizemos? — ela se surpreendeu.

— Não. Não fizemos. — respondeu com um sorriso.

— Graças a Deus! — ela exclamou com um suspiro. Ele arqueou a sobrancelha surpreso. — Quero dizer, não "graças a Deus", mas é só graças a Deus, porque eu não estava me lembrando. — disse ligeiramente atordoada. — Por que nós não? Relembre para mim…

Ele sorriu.

— Pode dizer que sou antiquado, mas não transo com uma mulher que está inconsciente. — disse, em seguida tomando um gole do seu café.

— Inconsciente? Meu Deus! Deve ter sido realmente atraente. — menosprezou ela. — Por que você ficou? — perguntou desacreditada.

— Porque você me pediu. — ele disse com simplicidade.

— Eu pedi, não foi? — ela gemeu, relembrando. Ele assentiu. — Cheguei a implorar em dado momento?

Ele riu divertido.

— Desde o momento em que te conheci, tem sido uma aventura.

Bella gemeu atordoada, enterrando seus dedos nos cabelos.

— Sim, e peço mil desculpas por isso. — implorou. — Não tem como me defender, além de que devo estar temporariamente louca.

O telefone dele, que estava ao lado dela, tocou a distraindo. Imediatamente ela pegou, admirando o nome que apareceu desta vez: Alice.

— Alice. Desculpe, não quis olhar. De novo. — disse lhe entregando o aparelho.

— Acho melhor eu atender. — disse retirando da casa e indo para o quintal, para ter um pouco de privacidade ao telefone.

Bella gemeu completamente confusa, ouvindo ele falar rindo com quer que fosse essa Alice. Com uma caneca em mãos, ela o observou pela janela conversando com a tal Alice, rindo divertido.

A morena suspirou.

— Jane, Alice… Bella. Um cara ocupado. — murmurou para consigo mesma, ainda o observando, quando ele virou o olhar e a encarou. Bella sentou-se mal por estar bisbilhotando e voltou para o seu lugar na mesa. Poucos minutos depois ele entrou na casa.

— Acho que deveríamos sair. — disse ele com as mãos nos bolsos e um sorriso.

— O quê você quer dizer?

— Acho que você deveria se trocar. Daríamos uma volta, almoçamos e nos conheceríamos melhor. — ofereceu.

Bella fechou seus olhos em fenda.

— Sério? Por que?

— Não vejo motivo para não fazermos isso. E você? — replicou com seu sorriso enviesado.

De fato eles foram explorar a bucólica Surrey. No SUV dele, Bella sentia-se ligeiramente envergonhada, principalmente com as trocas de olhares cheias de mordidelas nos lábios e piscadas dele. O desejo que sentiam um pelo outro era palpável.

Enquanto decidiam o que pediriam para o almoço, Bella retomou a conversa sobre profissões que estavam tendo no carro.

— Então, você é editor de livros. — disse com um sorriso.

— Sim, eu sou. — concordou Edward.

— Que tipo de editor?

— Dos bem maus. — respondeu divertido.

— Não. Eu quis dizer, faz muitas observações ou…

— Autor bom, menos observações. — ele respondeu, sem que ela elaborasse.

— O quê estudou?

— Literatura. — respondeu confuso.

— Você sempre quis fazer isso?

— Ok. Minhas mãos já estão suando, isto parece uma entrevista de emprego. Sabe como é sair com alguém? — provocou ele com uma risada.

Ela sorriu constrangida.

— Desculpe, estou interrogando-o.

— Está. — concordou.

— É que faz muito tempo que não saio com um desconhecido. — ela justificou.

Edward sorriu.

— Bem, como já transamos e dormimos juntos duas vezes, vamos afirmar que não somos desconhecidos. — ele disse suavemente. Bella sentiu suas bochechas corarem. — Por que ficou vermelha?

Ela riu nervosa

— Não percebi que tinha ficado. Você me deixa nervosa. — ela passou as mãos por seus cabelos, sob o olhar atento dele. — Tentarei ser eu mesma. Vai ser difícil, mas vou tentar. — ela disse.

Edward fechou os olhos em fenda.

— Qual era a pergunta mesmo? — perguntou retoricamente, ela ia começar a dizer quando ele interviu: — Se eu sempre quis ser editor?

— Sim. — ela concordou.

— Sim. Sempre. Minha família é da área. Minha irmã como você sabe é redatora do Daily Telegraph. Meu pai escreve romances de ficção históricos. Minha mãe é uma editora importante na Bloomsbury. — ele explicou. — Certo. Acho que meu tempo acabou. Sua vez.

— Sério? — ela disse constrangida.

— Respire fundo. — ela inspirou profundamente, fazendo-o rir. — Está pronta?

Ela assentiu e começou:

— Como disse, tenho uma produtora que faz filmes e seriados. — relembrou o que haviam conversado na noite passada.

— Eu não sabia que era a dona. — ele surpreendeu. Bella sorriu amarelo.

— Talvez porque não falei. — explicou. — Agora que sei que sua mãe trabalha, pensei que talvez você não se sentisse intimidado com isso.

— Não, não. — ele se divertiu. — Ainda me sinto um pouco intimidado.

— "Um pouco" já é um grande avanço. — ela respondeu sorrindo. Ele a encarou confuso, sem entender direito o que ela queria dizer com aquilo.

— Ok. E quanto a sua família? — perguntou.

Bella suspirou.

— Tudo bem, vou falar rápido. — disse rindo nervosa. — Meus pais se separaram quando eu tinha 15 anos. Sou filha única e fui pega de surpresa, éramos muito apegados. Nos chamávamos de "Os três Mosqueteiros". — ela sorriu, e ele sorriu pequeno. — Certa noite, eles sentaram comigo e me contaram que iam se separar. Achei que estavam brincando. Mas vi, pelo canto do olho, uma mala no corredor. E minha mãe saiu de casa naquela noite. — ela claramente tentava conter uma mágoa grande, mas Edward conseguia ver nas pequenas rachaduras que Bella ainda sentia a dor daquele golpe como se tivesse acontecido ontem.

"Acho que chorei até dormir… Bem, por muito tempo. E… Até que percebi que era melhor eu ser forte. Consegui superar e não chorei nunca mais. E também não pensei nunca mais naquela mala. Essa é minha historinha trágica. Vamos pedir a comida." — falou, mudando de assunto com rapidez.

Edward que não estava com preços de ordenar a comida, ficou surpreso com uma informação que ela deu.

— Você não chora desde os quinze anos?

— Sei que parece horrível. — ela riu constrangida. — Eu tento. Juro que tento, mas acredite… Podemos falar mais de você, por favor? — ela pediu com uma risada.

— Sim, claro. — ele concordou. — Ok. Eu choro o tempo todo.

— Não! Qual é? — Bella provocou com uma risada.

— É, choro, sim. Mais do que qualquer mulher. — ela riu divertida.

— Não precisa ser bonzinho.

— É verdade! — disse sério.

— Mesmo? — perguntou desacreditada.

— Um bom livro, um filme legal, um cartão de aniversário. — listou. — Fico em prantos. Sou um bebê chorão! — ela gargalhou. — Sou mesmo! — ele protestou.

O almoço entre os dois passou confortável. Eles conversavam e riam sobre tudo. Em alguns momentos até mesmo experimentaram o que estava no prato do outro. O clima estava leve e divertido.

Suas trocas de olhares eram cheias de desejo e um olhar que poderia ser descrito como apaixonado. E depois, quando passeavam pelos jardins do sofisticado restaurante, Bella e Edward brincavam como se fossem dois adolescentes. Trocando beijos e carícias atrás das árvores, rindo e se divertindo. Sempre conversando de maneira leve e agradável.

Naquele dia eles realmente se conheceram. E quando o dia se encerrava no horizonte, e Edward levava Bella de volta a Castlehill, ela elogiou o momento que passaram juntos.

— Foi uma tarde maravilhosa.

— Foi maravilhosa mesmo. — ele concordou.

— Não precisa me levar até lá dentro, está muito frio. — ela interveio, enquanto ele tirava o cinto de segurança para acompanhá-la.

— Pode falar se quiser que eu não entre. — ele replicou, ligeiramente ofendido.

— Não! Não é isso. — ela disse. — Estou cansada, vou dormir um pouco. — se justificou.

Ele acenou com a cabeça.

— Não tem nada a ver! — ela protestou.

— Vou fingir que acredito.

— Edward, eu vou embora em 9 dias. Isso complica as coisas. — ela disse suavemente. — E não sei se posso lidar com complicações agora. — ela suspirou.

Edward assentiu ressentido.

— Tudo bem. — concordou reticente.

Ela curvou sobre o console do carro e o beijou apaixonadamente.

— E isso não complica mais as coisas? — perguntou divertido. Ela sorriu.

— Transar complica tudo. Mesmo quando você não transa, o fato de não transar complica as coisas. — respondeu.

— É por isso que há quem diga que é melhor transar. — ele contestou.

Bella riu, balançando a cabeça em negação.

— Bem, vou trabalhar pela manhã. E prometo, não virei aqui bêbado tão cedo…

— A gente se vê… daremos um jeito. — ela disse suavemente.

— Ótimo. — Edward concordou com um sorriso. Ela disse o mesmo que ele, com o mesmo sorriso, e deixou o carro, tremendo de frio, arrancando uma risada dele que admirava ela entrar no chalé de sua irmã.

.

Bella que passou o dia todo inquieta, querendo ver Edward. No meio do banho noturno na pequena banheira, ela repassou o que haviam conversado.

"Não sei se consigo lidar com as complicações?" — entoou em alto e bom som. — Deus! Eu sou uma imbecil!

Imediatamente a voz do narrador do seu seriado começou: "Bella Swan..."

— Cala a boca! — gritou para consigo mesma.

"Ela afastou todos os caras, todas as vezes. A questão não é se ela vai mudar, mas de ela quer mudar." — a voz entoou na sua cabeça, a deixando irritadíssima. Num estado de fúria ela saiu da banheira e decidiu mudar o seu próprio destino

Dirigindo o mini-Cooper vermelho de Rosalie, ela procurou onde ficava a casa de Edward — algo que em um vilarejo como Surrey, foi até difícil demais —, mas felizmente ela encontrou Lion House.

Com uma respiração profunda, ela pegou a sacola da mercearia com alguns queijos, frutas secas, biscoitos e vinho, e caminhou decidida pelo caminho que levava a entrada da casa. Ajeitando seu casaco e seu cabelo, ela tocou a campanhia.

Uma música natalina tocava ao fundo, quando um Edward, muito doméstico, abriu a porta.

— Surpresa! — disse com um sorriso Bella.

Edward arregalou os olhos.

— É mesmo. — suspirou, encostando a porta. — Oi.

— Oi. — ela sorriu brilhantemente. — Estava em casa sem fazer nada, pensando em você e percebi que um pouco de complicação não machuca ninguém. E aí pensei que isso talvez nem seja complicado.

Edward sorriu, balançando a cabeça em negação. Ele claramente estava incomodado com alguma coisa, mas Bella no seu discurso de desculpas sequer notou, por isso ela continuou:

— E quis me desculpar, de verdade, por não ter te convidado para entrar. Não sei por que fiz aquilo, mas, seja o que for, eu achei que eu deveria… — o barulho de xícara dentro da casa, distraiu Edward da sua atenção a ela, o que a fez interromper seu discurso. — Ai, meu Deus… você não está sozinho, está? — sussurrou.

Ele balançou a cabeça em negação, com uma cara completamente apologética.

— Não, na verdade, não. Sinto muito. — respondeu com sinceridade.

— Não! Sem problemas. — ela se desculpou. — Eu deveria ter… nossa! É sério, não se preocupe. Estou sendo idiota.

Edward a encarou confuso, quando sentiu a porta ser puxada e uma garotinha de cabelos da cor do dele surgir. Bella que ainda se desculpava, parou seu discurso e sentiu sua boca se abrir em surpresa.

— Quem é, papai? — a menina perguntou a Edward. Ele rapidamente voltou seu rosto para o rosto de Bella.

"Papai"?

— É, eu só papai. — respondeu, claramente desconfortável. — Bella, esta é a minha filha, Jane. Jane, esta é minha amiga, Amanda. — apresentou suavemente.

— Oi! — disse Bella com um sorriso.

— Tudo bem? — disse a menina educadamente.

Bella encarou Edward atordoado, e ele pediu desculpas com os olhos.

— Tudo ótimo, obrigada. E com você? — disse agradavelmente.

— Muito bem, obrigada. — disse a menina. — Quer entrar? — ofereceu.

— Oh! Não, eu… — começou Bella. Mas a chegada de uma segunda garotinha a distraiu.

— Oi. — disse a recém chegada. Edward que olhou para baixo onde a segunda menina estava, se curvou.

— Venha aqui. — disse a pegando no colo.

— Papai, quem é? — a menina perguntou.

Edward olhou da menina para Bella

— Esta é Bella. Bella, esta é a minha caçula, Alice. — apresentou suavemente.

Bella assentiu com a cabeça em compreensão com um sorriso. Até que finalmente se tocou de uma coincidência daquele dia mais cedo.

— Jane e Alice. — disse suavemente.

— Pai! Pai! — exclamou Jane, atraindo a atenção dele.

— Desculpe. Claro, entre. — convidou Edward, após a lembrança de Jane, sobre as boas maneiras.

— Entre. — chamou Alice animada.

Bella tentou negar o convite, mas diante dos olhares das garotinhas, ela murmurou um "ok" e entrou na casa, apertando um pouco seu casaco. Enquanto passava pela soleira, ela encarou Edward que parecia meio aflito, mas disfarçou tomando uma respiração profunda.

Bella que ao entrar na casa, procurou em todos os cômodos a visto alguma outra pessoa, não encontrou nada, mas ouviu Alice dizer:

— Papai, podemos tomar chocolate quente? Com marshmallows? — perguntou.

— Sim. — concordou Edward atordoado, ele colocou Alice no chão e enquanto virava para fechar a porta suspirou pesado.

Bella que ainda procurava o sinal de alguma mulher, surpreendeu-se em ver as duas garotinhas na sua frente com grandes sorrisos a admirando. Ela sorriu timidamente, enquanto abria os botões do seu casaco.

— Pai, pegue o casaco dela. — lembrou Jane.

— Oh! Claro! — disse atordoado Edward. — Posso? — ofereceu parando atrás de Bella.

— Sim, obrigada. — respondeu a morena, colocando a sacola da mercearia no chão, virando para Edward, para terminar de abrir os botões e tirar o casaco. — Você é casado? Responda rápido. — perguntou entre os dentes a ele.

— Não. — respondeu sinceramente balançando a cabeça. Bella vestiu seu melhor sorriso e virou-se para as meninas enquanto abria o casaco, revelando um belo e ajustado vestido azul profundo.

— Uau! — exclamou Alice surpresa.

— E sei, me arrumei demais. — ela devolveu com um sorriso nervoso.

— Você parece como a minha Barbie. — Alice elogiou.

Bella ficou constrangida com o elogio e encarou Edward, que com um sorriso enviesado revirava os olhos.

— Oh! Obrigada. — Bella agradeceu.

— Isso é para a gente? — questionou a pequena Alice, caminhando até a sacola da mercearia.

— Sim. — disse Bella, pegando a sacola. — Menos o vinho.

Edward que observava o interlúdio da mulher com suas filhas com as mãos nos bolsos, suspirou pesado, quando Bella entrego as duas a sacola. Ela o encarou incomodada.

— Sinto muito por não ter contado antes. — ele disse, aproximando-se dela. Bella balançou a cabeça ainda atordoada.

— Você é D-I-V-O-R-C-I-A-D-O? — soletrou.

Ele suspirou.

— V-I-Ú-V-O. Há 2 anos.

Bella abriu sua boca surpresa, totalmente chocada com aquela pequena informação. Um sincero pêsames estava na ponta de sua língua, enquanto seus olhos encaram das meninas a Edward.

— Bella, por acaso, você gosta de chocolate quente? — Edward ofereceu, quebrando o clima pesado.

Ela que ainda estava atordoada com a informação sobre a morte da mãe das meninas, as encarou, e o mais suavemente possível, respondeu:

— Na verdade, eu adoro, sim. — sorriu.

Logo estavam todos na cozinha. Bella sentada em uma ponta, as meninas, no que claramente eram seus lugares designados — Alice em uma ponta, e Jane ao lado de uma cadeira vazia —, e Edward no fogão preparando as bebidas.

— Aqui, Alice. — disse colocando uma caneca amarela na frente da caçula.

— Obrigada. — agradeceu.

— Tem que assoprar, porque está quente. — ele a lembrou gentilmente. — Você também Jane.

— Ela tem mais marshmallows. — protestou Jane.

— Não. Ela também tem cinco, como você. — explicou Edward, que colocava um caneca em frente a Bella. — Você também tem cinco. — murmurou suavemente.

— Obrigada. — ela agradeceu pegando a caneca e tomando um gole.

Inesperadamente as duas garotinhas deram risadinhas, olhando para Bella.

— O quê? — ela perguntou com falsa surpresa. — Tem alguma coisa na minha boca? — as meninas riram divertidas, assim como Edward, que olhava com carinho para as filhas.

— Sim. Aqui. — disse Jane, indicando o bigodinho que Bella tinha sobre os lábios. A morena gemeu um falso protesto e pegou o guardanapo que estava sobre sua perna e limpou a boca.

Alice saiu da sua cadeira e foi até onde estava, com sua caneca. Ele se surpreendeu com a filha.

— Olá! — disse surpreso.

— Olá. — respondeu a menina, tentando sentar em seu colo. — Quero colo. Assopra o meu? — pediu ao pai.

Bella sorriu encantada com a cena.

Alice que segurava sua caneca em suas pequeninas mãos, ergueu para que Edward assoprar, mas de alguma forma desequilibrou derrubando um pouco de chocolate quente na sua calça cáqui.

— Uau! Obrigada, acertou em cheio! — ele repreendeu a menina divertido. Fazendo com que as duas meninas gargalhar e Bella desse uma risadinha.

— Papai, faça o Senhor Cabeça de Guardanapo. — pediu Alice, toda animada.

Edward olhou constrangido para Bella.

— Não. Não. — negou balançando a cabeça.

— Por favor! — implorou.

— Não vou fazer…

— Faça, por favor! — pediu Jane. Logo as duas garotinhas entravam um coro de "por favor". Bella riu encantada com a cena.

— Por favoooooor. — implorou Alice, com sua carinha de cachorrinho pidão.

— Tudo bem, vou fazer rapidinho. — ele disse vencido pela insistência das filhas. Alice deu um beijinho na bochecha do pai. — Obrigado.

— De nada. Agora faça. — exigiu a caçula.

— Certo. — disse com um suspiro, acomodando Alice melhor em seu colo e virando-se para a morena. — Bella, me empresta o seu guardanapo?

Bella que se surpreendeu com o pedido, entregou o guardanapo a Edward, que agradeceu.

— Me dê os óculos quando eu precisar. — ele disse a Alice que já segurava seus óculos.

— Bella, você vai adorar isto. É muito engraçado. Vai cair da cadeira de tão engraçado! — explicou Jane.

Edward colocou o guardanapo em seu rosto, com o óculos e disse:

— Olá. — Bella gargalhou, acompanhada das meninas. — Olá, eu sou o Senhor Cabeça de Guardanapo. Olá crianças. Quem é essa estranha? — o personagem perguntou.

— Bella. — respondeu Alice entre risadinhas.

— Por que ela tem um sotaque engraçado? — tornou a perguntar o Senhor Cabeça de Guardanapo.

— Bella. — repetiu Alice lentamente.

— Sim. Mas da onde ela é? — inquiriu o personagem. Fazendo todos rirem.

— Agora fume! — pediu Jane, passando uma colher ao homem. Que pegou entre os dedos e levou a boca coberta com o guardanapo.

— Continue. — exigiu Alice, enquanto ele fingia fumar, fazendo as três rirem. Inesperadamente ele fingiu uma tosse, retirando o guardanapo.

— Fumar faz muito mal, vocês sabem disso. — advertiu as filhas, mas mesmo assim recebeu palmas das três.

— Bella, sabia que temos uma cabaninha? — disse Jane sorrindo. — Quer ver?

— Não, não. — disse Edward, visivelmente incomodado com o pedido das filhas a mulher com a qual ele estava interessado. — Bella não vai sair engatinhando para dentro da cabaninha. — advertiu.

Ela o encarou apologética.

— Não gosta de cabaninhas? — perguntou Alice horrorizada. Edward que ainda tinha a filha em seu colo, encarou Bella com um sorriso repleto de desculpas.

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Em poucos segundos estavam entrando no quarto que as duas meninas dividiam. Imediatamente Bella viu uma cabana feita de lençóis extremamente confortável. Ela sorriu saudosa.

— Uau! — ela exclamou. — Isso é muito legal. — disse com um sorriso.

— Entre aqui. — pediu Alice, correndo para dentro da cabaninha. Jane a seguiu, o que foi imitado por Bella e Edward.

Na entrada da cabana, Alice já estava deitada em um canto. Jane, pegou um travesseiro em suas pequenas mãos.

— Deite. — demandou a caçula.

— Aqui, Bella. Pode usar o meu travesseiro. — ofereceu Jane, entregando o travesseiro a morena.

— Obrigada. — agradeceu a mulher, colocando ao lado de Alice.

— Pode deitar. — disse a menina mais nova.

— Pare de ser mandona! — ralhou Edward a filha.

— Deite aqui. Por favor. Perto de mim. — disse a menina que estava encantada com a bela mulher em sua casa.

Logo os quatro se acomodar na cabana. Com Jane ao lado de Edward, Bella ao seu lado e na outra extremidade Alice. Todos olharam para o "teto" da cabaninha. Inesperadamente Alice soltou um arroto, fazendo todos rirem.

— Ah! Que educação! — ralhou Edward com um sorriso. Bella riu.

— Desculpe. — pediu a menina envergonhada.

Bella que admirava o "teto" da cabaninha cheio de estrelas feitas de papel colorido penduradas, elogiou:

— É uma cabaninha maravilhosa.

Edward olhou para a morena e assentiu:

— É excepcional, né? — divertiu-se.

— É aconchegante. — completou Jane.

— Quem cortou todas essas estrelas lindas? — ela perguntou suavemente, ainda encantada com a decoração.

— Nós. — respondeu Jane, como se fosse óbvio.

— Os três Mosqueteiros! — exclamou Alice. Bella arregalou seus olhos atordoada. Edward que lembrava da história que ela havia lhe contado mais cedo pegou suavemente a mão dela e apertou, virando seu rosto para encarar o dela apologético. Ela sorriu perdida em lembranças.

— Bella? — Alice a tirou do encanto de Edward.

— Sim?

— Você é muito cheirosa. — disse inocentemente. Bella riu.

— É mesmo?

— Sim, eu adoro perfume, mas ele não me deixa usar. — explicou. Bella tornou a rir.

— Porque o seu cheiro já é gostoso. — ele respondeu. — E o seu também. — completou, olhando para a produtora.

Ela sentiu suas bochechas enrubescerem.

— Obrigada. — agradeceu, virando o rosto para Alice. — Mas eu sou mais velha, então posso usar. — explicou a pequena.

— Exatamente. — interveio Edward.

— Gosto da sua sombra. — elogiou Alice, passando seus dedinhos sobre seus olhos, para Bella entender do que ela estava falando.

— Obrigada. — agradeceu mais uma vez a mulher com um sorriso.

— E do seu batom.

— Obrigada, é novo. — respondeu sorrindo.

— Qual é o nome?

— Acho que se chama "Beijo de Cereja". — Alice pressionou o dedinho sobre os lábios da morena e colocou sobre os seus.

— Agora estou com beijo de cereja. — disse infantilmente, arrancando um risinho dela.

— Beijo de cereja. — sussurro Jane ao lado de Edward reflexiva. Os dois trocaram um olhar com um sorriso enviesado, enquanto Bella e Alice estavam envoltas em sua própria bolha.

— Fica lindo em você. — elogiou Bella.

— Bella? — chamou Jane, virando-se e levantando sua cabeça para encarar a mulher, que virou o rosto para dar atenção a mais velha. — Se quiser dormir aqui, tudo bem. Podemos juntar as nossas camas. — explicou como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo.

Edward virou o rosto para Bella com um sorriso surpreso e pateta em seu rosto. Diante do pedido da filha ele murmurou um "desculpe" a produtora e cineasta.

— É muito legal você me convidar, mas vou deixar para uma outra vez. — ela respondeu suavemente. — Tudo bem? — perguntou, como se aquilo realmente fosse uma promessa.

— Sim. — concordou Jane, com um sorriso, voltando para sua posição anterior.

— Boa menina. — elogiou Edward orgulhoso pela filha.

— Aqui nunca vem gente grande que seja menina. — disse Alice.

— Eu sei! — concordou Jane.

— Eu adorei. — suspirou Alice.

— Eu também. — tornou a concordar Jane.

Os quatro continuaram encarando o "teto" repleto de estrelas da cabaninha. Edward pegou a mãozinha da filha mais velha, em um gesto de conforto.

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Bella encarava os livros da biblioteca de Edward, enquanto ele colocava as meninas para dormir. Ela admirava os inúmeros títulos que nunca leu e a que um dia já leu, quando ele apareceu no cômodo.

— Não imagino alguém fazer mais sucesso que você com minhas filhas. — ele disse impressionado.

Ela riu, negando com a cabeça pelo absurdo que ele falava.

— Elas são maravilhosas, Edward.

— Jane assumiu o papel de minha protetora. Ela é incrível, mas detesto quando ela fica preocupada comigo. E Alice! — Bella riu, com a lembrança da caçula. — Vai ser muito exigente. Mas admito que adoro isso nela. — disse ele rindo.

— Por que não me contou sobre elas? — Bella perguntou séria.

Edward suspirou e baixou a cabeça, deixando o silêncio perdurar por um minuto inteiro.

— Não costumo falar delas para as mulheres. — explicou.

— É muito confuso, foi você quem quis que nos conhecêssemos melhor. — ela acusou, andando de um lado para o outro, enfim sentando-se no sofá do escritório.

— Quando coloca desse jeito, soa péssimo. — gemeu Edward, que balançou sua cabeça atordoado, cruzando seus braços e andando pelo cômodo. — Minha única defesa é que, enquanto não conheço alguém muito bem, é mais fácil ser um cara solteiro e normal. Por que é bem complicado ser quem eu sou. — explicou encostando na estante.

"Sou pai em tempo integral, um pai que trabalha, sou mãe e pai. Leio livros de educação infantil e culinária antes de dormir. Nos fins de semana, compro tutus. Estou aprendendo a costurar." — ele riu. — "Sou o Cabeça de Guardanapo, estou sempre sobrecarregado, e separar as coisas me ajuda, até eu conseguir achar uma solução."

Bella o encarava com atenção. Não havia qualquer tipo de acusação em seu olhar.

— Neste fim de semana, elas ficaram com os avós. Quando elas saem, viro uma pessoa que não está suja de chocolate quente. — ele balançou a cabeça em negação. — Não tenho ideia de como namorar sendo pai. E, além disso, tenho medo de que uma outra pessoa afete a minha relação com as meninas e de como lidamos com isso no dia a dia. — disse com uma sinceridade crua.

Bella baixou sua cabeça e balançou a cabeça em concordância. Ela sorriu visivelmente atordoada.

— É. — suspirou. — Já que eu ia embora em uma semana, acho que entendo por que não me contou. — ela sorriu tranquilizadora. — Tudo bem.

— Achei que seria difícil apresentá-las a alguém que talvez nunca mais veja.

Ela sorriu entristecida.

— Certo. — suspirou, levantando-se do sofá. — Porque sou alguém com quem transou uma vez e dormiu junto duas. — falou, andando pelo escritório.

Edward fechou os olhos em fenda.

— Pensei que era você que me via desde jeito.

— Nossa! — ela riu, suspirando resignada. — Isto está muito mais do que complicado.

— Eu sou um editor de livros de Londres. Você uma linda produtora e cineasta em Los Angeles. — ele suspirou. — Nossas vidas são muito diferentes. Tenho uma vaca no quintal. — ela riu.

— Você tem uma vaca? — perguntou sorrindo.

— Sim. — suspirou em concordância. — Costuro e tenho uma vaca. — afirmou com seu sorriso enviesado. — Não é difícil se identificar com isso? — provocou com uma risada.

— Muito difícil. — concordou Bella sorrindo.

— Exatamente. — ele respondeu ressabiado depois de um tempo.

Bella apenas o encarou apologética, o que foi feito o mesmo por ele.

.

Bella caminhava pela noite fria de Surrey acompanhada de Shakespeare, o yorkshire, quando decidiu ligar para Rosalie, em sua casa em Los Angeles, para saber como estavam as coisas por lá.

— Alô. — a voz da loira disse pelo telefone.

— Oi, Rosalie. É Bella. — disse animada a morena.

— Como vai? Tudo bem? — inquiriu com seu forte sotaque britânico.

— Tudo ótimo, e com você?

— Estou adorando. Pode aguardar? Estou com meu irmão na outra linha.

— Edward? — surpreendeu Bella.

— Ele disse que te conheceu. — Rosalie respondeu.

— Sim, nos conhecemos. Como ele está? — Bella perguntou curiosa.

— Bem, eu acho. — respondeu desinteressada. — Você pode aguardar um minuto?

— Claro. — Bella aguardou enquanto a loura conversava com o irmão na outra chamada.

— Meu irmão perguntou de você. — disse Rosalie depois de um tempo.

— Oh! Diga que estou bem e que estou passeando com Shakespeare na vila. O que ele anda fazendo? — perguntou claramente afetada.

— Não sei bem. — respondeu a loira reticente. — Devo perguntar a ele?

— Claro. — Bella disse com um sorriso.

— Certo. Espere um pouco. — a britânica disse suavemente.

A loira apertou o botão para voltar a ligação com o irmão.

— Eu não acredito que você transou com a mulher que está na minha casa! — ralhou.

Porém para a surpresa das duas mulheres, quem ouviu Rosalie foi Bella. Que abriu a boca surpresa.

— Ele contou para você? — a morena gritou atordoada. Rosalie gritou surpresa.

— Meu Deus!

— Meu Deus! — choramingou Bella.

— Meu Deus! — tornou a dizer Rosalie. — Pensei que era Edward. — explicou. — Pode aguardar? Só um minuto. — pediu, tornando a mudar a chamada. Mas novamente a ligação caiu na dela com Bella.

"Não acredito que transou com Bella." — a loira gritou ferina. — "Ela perguntou se tinha homens na cidade, e eu garanto que não." — exclamou. — "Aí você a conhece e já foi para cama com ela?"

— Ainda sou eu. — disse suavemente Bella, depois do discurso da loira que estava em sua casa.

— Droga! A ligação dele deve ter caído. — ela suspirou apologética. — Bella, eu sinto muito. Posso te ligar depois? — pediu.

— Claro. — a morena concordou sorrindo timidamente.

— Ok. Tchau.

Bella apertou o celular em seu peito, suspirando atordoada com o que havia passado.

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Com um prato de fettuccine ao molho Alfredo, Bella se acomodou em frente a TV, na véspera de Natal, para ver filmes antigos. Sozinha.

Não aguentando aquela sua miséria ela caminhou pelos campos de Surrey, reflexiva, se esforçando para chorar — algo que ela queria muito, mas não conseguia.

Na véspera da sua partida, quando ela terminava de organizar suas coisas, o barulho de alguém batendo na porta da entrada a surpreendeu. Atordoada, ela desceu para ver quem podia ser. Assim que abriu a esta, deu de cara com Edward, e instantaneamente um sorriso cresceu em seu rosto.

— Oi! — ela exclamou surpresa, mas antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa, ele a puxou para um beijo urgente. Suas mãos grandes segurava sua cabeça, enquanto seus lábios e língua explorava sua boca sem qualquer pudor. Era apaixonado, urgente e sôfrego.

Quando se afastaram minimamente para respirar, Bella pulou em seus braços, apertando em um abraço forte, com seus lábios batendo um contra o outro mais uma vez. Sem qualquer outra cerimônia, ela puxou para dentro da casa — para fugir do frio —, mas também para deixarem o desejo consumir seus corpos naquela paixão enlouquecedora.

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Depois de algumas horas se amando, os dois estavam com a respiração arfante, jogados na cama, olhando sem de fato ver o teto do quarto.

— Você é totalmente maravilhosa! — Edward exclamou com o sotaque carregado. Por fim ele deu um suspiro lamentoso, pois o fato dela ser tão incrível para ele, e morar tão longe era um problema enorme.

— É... — ela concordou. —, isso é uma droga.

Surpreso com o tom dela, ele rapidamente virou seu corpo, sentando-se na cama para encara-lá. Uma luz de esperança brilhou em seu futuro.

— Você deve ter que vir sempre a Londres a trabalho, certo?! — ele perguntou esperançoso.

— Londres?! — repetiu ela, virando para o encarar também, com uma risada irônica. — Nunca.

— Nova York?! — ele insistiu esperançoso, se acomodando meio deitado na cama, para ficar mais próximo a ela.

Ela gemeu, enquanto refletia.

— Não, mas já fica mais fácil. — respondeu hesitante. — Você vai para lá?!

Ele balançou a cabeça em negação.

— Raramente. — ambos suspiraram pesadamente. — Relações à longa distância podem dar certo. — justificou.

Bella riu ironicamente.

— Não consigo fazer dar certo nem morando na mesma casa. — disse com um tom de autodesprezo.

— Então isso pode ser uma excelente solução para você! — ele respondeu otimista, ela riu em um misto de concordância e descrença que ele seguiu.

Ela suspirou pesadamente.

— Oh! Meu Deus! — exclamou, levantando-se e sentando na cama para ficar frente a frente a Edward, que jogou-se na cama para observá-la melhor. — Tudo bem. Digamos que cada um de nós viaje para cá e para lá o máximo possível.

— Sim, é viável. Definitivamente. — ele concordou animado. Bella ignorou sua animação e continuou:

— Digamos que, em seis meses, surja um impasse. Do tipo, que não posso mais largar o trabalho, e as meninas não podem ficar sem você. Então, sentimos a tensão. Sabemos que não está dando certo e começamos a brigar, porque não sabemos o que fazer, e, depois de um longo telefonema, com lágrimas da sua parte — ele concordou com um sorriso, de como aquilo era óbvio. —, simplesmente dizemos adeus. E terminamos. E nunca mais iremos esbarrar um no outro. E o que restará?! Duas pessoas totalmente transtornadas e feridas. — terminou com um suspiro pesado.

Edward absorveu o discurso dela por alguns segundos, de fato ela tinha um ponto racional, por isso que meio derrotado ele suspirou pesado. Bella fechou seus olhos e pensou em outra solução.

— Ou… — ela começou.

— Obrigado! — ele exclamou aliviado, levantando-se da cama, em uma posição sentada para capturar os lábios dela em um beijo apaixonado. Entretanto, ela não devolveu o beijo, somente o encarou com os olhos tristes.

— Ou talvez devêssemos perceber que tivemos uma relação perfeita aqui. — ele sorriu em concordância. — E que nunca seria melhor que isto. Talvez procuremos uma solução porque está gostoso e o fato de eu partir em oito horas talvez torne tudo mais emocionante do que na realidade é. — ela suspirou pesadamente. — Talvez.

Edward a encarou por um minuto inteiro, absorvendo as palavras que ela lhe disse.

— Você é a garota mais deprimente que já conheci. — disse com um sorriso divertido. Bella fez uma careta de derrota.

— Eu sei. — gemeu, deitando-se na cama, enquanto ele a observava com atenção.

— Tenho outro cenário para você. — ele disse depois de um tempo.

— Ótimo. — ela disse esperançosa, soltando um suspiro pesado.

— Estou apaixonado por você. — ele disse com veemência. Bella que ainda estava distraída com seu próprio cenário dramático, voltou seus profundos olhos castanhos para ele, num misto de atordoada e surpresa.

Conforme a frase era absorvida por si, ela sentou-se mais ereta na cama e o encarou com temor.

— Me perdoe pela declaração brusca. — ele disse com sinceridade. — Mas, por mais problemático que seja este fato, eu estou apaixonado. Por você. — ela o encarou com uma emoção latente em seus olhos ausentes de lágrimas. — Não é porque está partindo nem porque está gostoso, e está, ou estava, antes que começasse a falar assim. Não consigo entender a matemática disso. Só sei que eu te amo. — ele suspirou pesadamente.

"Não paro de falar isso. E nunca achei que me sentiria assim de novo. E isso é fenomenal. Mas percebo que venho junto com um pacote." — ele riu sem humor. — "Três pelo preço de um. Esse pacote, à luz do dia, não é tão maravilhoso, mas finalmente sei o que quero, disso é um milagre. E o que eu quero é você!

Um silêncio emocionado rondou os dois depois da declaração de Edward. Bella, que ainda estava atordoada com a declaração dele, o encarava sem piscar. Nunca em toda sua vida ela ouviu algo tão lindo e apaixonado, uma declaração tão verdadeira e sincera como aquela.

Tentando controlar o misto de emoções que a tomava, ela murmurou insegura.

— Não estava esperando o "eu te amo". — assim que disse a frase, ela viu Edward, que estava tão seguro de si, murchar como um balão, e imediatamente ela se sentiu mal por isso. — Não me olhe assim. Estou tentando achar a coisa certa para dizer.

Edward soltou um suspiro meio resignado, meio irritado.

— Acho que, se a resposta óbvia não lhe ocorre imediatamente, então… — ele hesitou. — Então deveríamos falar sobre outra coisa. — concluiu, tornando a se deitar na cama, como se declarar, como havia se declarado a ela foi o maior erro da sua vida. — Sobre como sou completamente ridículo. — Bella sentindo o pesar dele, deitou sobre seu peitoral, encarando seus olhos verdes com atenção. — Lembro que prometeu não se apaixonar por mim.

— Shiu! — pediu Bella, colocando seu dedo indicador sobre os lábios dele

— Tenho que prestar mais atenção.

— Nunca conheci um cara que falasse tanto quanto eu. — ela provocou, ele sorriu enviesado para ela. — Mas será que agora podia ficar quieto?! Por favor?! — ela sussurrou, antes de capturar os lábios dele, naquele beijo urgente e profundo, que transmitia uma série de palavras e sentimentos que ela não conseguia dizer em voz alta, mas que naquele momento, ele também compreendia tão bem.

Depois de mais uma rodada apaixonada de sexo, enquanto Edward dormia ao seu lado, Bella admirava sem realmente ver, a lenha queimando na fogueira. Sua cabeça estava um turbilhão. A declaração dele era ao mesmo tempo tão reconfortante, quanto assustadora. Ela jamais imaginou que essa viagem a Inglaterra faria encontrar alguém como ele, alguém que era tudo o que ela sempre quis, mas nunca soube o que realmente queria.

Infelizmente a manhã chegou cedo demais, e o táxi que levaria ela ao aeroporto em Londres, chegou pontualmente às seis e meia, como suas malas já estavam todas prontas, ela deixou que o motorista as colocasse no carro, enquanto verificava se não havia deixado nada para trás.

Conforme Edward a acompanhava até o portão do chalé de Rosalie, Bella resolveu falar algo a ele, principalmente algo para aquele derradeiro momento de despedida.

— Não vamos criar mais problemas do que já temos.

— Não vamos, não. — ele concordou, enterrando as mãos nos bolsos de sua calça, e encarando aqueles profundos olhos castanhos, talvez pela última vez em um longo tempo.

—Podemos nos falar ou mandar e-mails.

— Não há regras. — ele a contrapôs.

— Nenhuma. — concordou. Ela sorriu para ele. — Vou beijar você pela milionésima vez e dizer: "Até logo."

Ele concordou com um assente de cabeça, enquanto ela o abraçava e o beijava mais uma vez com paixão, saudade e luxúria.

— Até logo. — ela murmurou, se gastando dos braços dele com um sorriso apologético, que era idêntico ao dele.

— Se cuide. — ele pediu com a voz engrolada de emoção. Ela concordou com um sorriso.

Eles se encararam por mais alguns segundos, deixando que a emoção daquela despedida os contaminasse, quando o tempo se estendeu demais, ela se afastou dos braços dele, e caminhou em direção ao carro. Assim que abriu a porta, e estava prestes a entrar, ela lançou mais um olhar não apenas para o pequeno chalé que lhe deu uma paz interior que ela tanto procurava, mas também ao homem, que havia entrado tão inesperadamente em sua vida, mas que lhe deu um novo significado do que era viver, se apaixonar e amar.

Com um último adeus, ela entrou no carro e o motorista sem demora começou conduzir pelas ruas curvas do povoado de Surrey. Bella que admirava a paisagem, se perdeu em pensamentos das últimas semanas, de como Edward fora alguém tão necessário em sua vida naquele momento.

— Aproveitou o feriado, senhorita? — perguntou o motorista, a despertando do seu devaneio.

— Sim. Foi ótimo. — ela concordou com um suspiro. — Talvez o melhor de todos.

Refletindo sobre tudo, Bella começou a sentir um calor incômodo, e por isso desenrolou o cachecol que estava em torno do seu pescoço, deixando que o ar gelado batesse em seu peito. Ansiosa que só ela, pegou a passagem para verificar as informações de seu voo — que ela já sabia de cor —, mas não era aquilo que ela queria.

Suspirando pesadamente, ela jogou a cabeça para trás no banco do carro e começou a relembrar dos momentos incríveis que teve ao lado de Edward nas últimas semanas. Cada respiração profunda que ela dava, era uma nova lembrança, uma nova saudade que brotava. Foi então que Bella percebeu que depois de anos, ela finalmente estava chorando.

Ela havia, enfim, derramado uma gorda lágrima dos seus olhos castanhos, e era tudo por causa de Edward. Conforme ela percebeu que lágrimas lhe dominavam,um sorriso de êxtase tomou seus lábios, conforme ela via as lágrimas nas pontas de seus dedos. Inesperadamente ela deu um grito exultante, por finalmente encontrar a emoção, o choro, as lágrimas que por tantos anos havia procurando.

— Dê a volta! — pediu ao motorista, que a encarou confuso. — Volte para lá, por favor!

— Esqueceu alguma coisa?! — ele perguntou.

— Sim! — Bella exclamou exultante. — Sim! Sim! — continuava exclamando entre risos.

Com agilidade o motorista fez o contorno e retornava para o chalé.

— Não pode ir mais rápido?! — pediu ansiosa para o motorista.

— Essa estradinha é complicada. — explicou o homem.

— Tudo bem, apenas pare! — ela pediu ao motorista, que parou o carro, e que ela desceu rapidamente e se pôs a correr.

— Madame?! — o motorista gritou atordoado. — Madame! — mas Bella que corria na neve com suas botas de salto, não se importou em olhar para trás, ela correu a toda velocidade para onde ela sabia que Edward estava.

Conforme percorria a distância, precisou parar algumas vezes para recuperar o fôlego, mas ela estava determinada em voltar aos braços dele, e mesmo que seu estoque de oxigênio fosse escasso, mas quando ela estivesse de volta nos braços dele, ela poderia respirar com muito mais facilidade.

No portão do chalé, ela hesitou por um breve segundo, mas sabendo a recompensa que estaria a alguns passos ela correu até ela.

— Edward! — gritou, entrando rapidamente na casa de Rosalie, que ficou nas duas últimas semanas. — Edward?! — gritou, andando pela casa à procura do homem, que finalmente apareceu no escritório da irmã chorando copiosamente.

Quando se encararam ela suspirou e sorriu, principalmente pois o fato era incontestável que ele estava chorando da forma como ele disse que choraria assim que a deixasse.

— Sabe, estava pensando… — ela começou ofegante. — Por que ir embora antes do Ano-Novo?! Não faz o menor sentido. — Edward soltou um suspiro, que nem ele sabia que estava segurando, e limpou as lágrimas dos seus olhos, enquanto ela continuou: — Quer dizer, você não me fez um convite, mas disse que me amava, então acho que estamos juntos agora. Se me aceitar, é claro.

Ele sorriu, soltando um suspiro.

— Vou passar com as meninas. — justificou.

Ela sorriu para ele.

— É perfeito. — e quando ele soltou um suspiro de felicidade, ela caminhou até ele o abraçando com força. Seus braços a apertaram como se fossem incapazes de deixá-la; Bella por sua vez, deixou-se perder no calor e no conforto que Edward estava lhe dando.

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Aquele sem sombra de dúvidas foi o melhor Ano-Novo que Bella já passou em toda sua vida. Na casa de Edward, na companhia de suas duas lindas filhas — Jane e Alice—, sua irmã Rosalie, que voltará de LA, com o ex-sócio de James, Emmett a reboque.

Enquanto Emmett distaria as meninas, com Rosalie, Edward a puxou para seus braços, e ensaiou alguns passos de um jazz, distribuindo pequenos beijos nos ombros de Bella, logo todos entraram na brincadeira de dançar e compartilhar risadas e um brinde de Ano-Novo.

Sem sombra de dúvidas o próximo ano seria muito melhor do que o que se encerrou, pelo menos para Bella, Edward e os outros que compartilharam esse inesperado amor de Natal.

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N/A: E aí gente! Tudo bom?! Essa é aquela fic que estava no meu drive há tempos, porque eu nunca conseguia terminar, e era algo que queria postar para o Natal, mas eis que chegou o dia! Esse filme "The Holiday" em inglês, ou "O Amor não Tira Férias", em português, é um dos meus filmes de comédia romântica natalina preferidos, e um tempo atrás assistindo pensei comigo: "daria uma boa fic", e foi isso que fiz. Literalmente transcrevi todo o filme, tendo algumas licenças poéticas ali e acolá, colocando nossos personagens queridos, eu espero que vocês tenham gostado. Se sim ou não, não deixe de deixar aquela review linda, autora que é autora vive para saber qual é a opinião de vocês!

Obrigada por mais esse ano ao meu lado, acompanhando minhas fanfics sem noção, vocês são incríveis! Quero desejar a todos um Feliz Natal, e que 2021 seja bem melhor que 2020. Obrigada por tudo!

Amo vocês!

Beijos, Carol.