Capítulo 25: Sobre a eficiência (ou não) de um golpe especial do KOF
Hijikata, Shinpachi e Gintoki se esconderam no primeiro lugar que viram e que, no fim das contas, era o pior possível para três pessoas se esconderem. Estavam espremidos num vão entre um dos tanques onde estava um dos Yatos artificiais e a parede. Apesar disso, os três puderam ver um grupo de três cientistas, dos quais dois eram amantos e um era humano. Eles se posicionaram defronte ao tanque onde estava armazenado o corpo do clone de Kagura e, assim que entraram mais dois cientistas com seus jalecos brancos igualmente impecáveis conduzindo mais três indivíduos, os cinco bateram continência aos três recém-chegados.
― Senhores – um dos cientistas disse. – Nosso Projeto K1 está prestes a chegar ao patamar previsto. É questão de tempo para que o primeiro pelotão de Yatos artificiais esteja pronto, graças às células da matriz.
Os três recém-chegados eram amantos esguios e elegantes. Vestiam fardas pretas com detalhes em cinza, e casacos longos da mesma cor. Possuíam pele verde-claro e cabelos lisos brancos, além de orelhas pontudas. O primeiro era aproximadamente da mesma altura de Kondo, com os cabelos mais longos e presos em um rabo-de-cavalo baixo. O segundo tinha um porte físico mais ou menos próximo ao de Gintoki e Hijikata, e seus cabelos eram soltos e iam até os ombros. O terceiro era mais baixo, mais ou menos da altura de Shinpachi e seus cabelos eram cortados no estilo moicano.
"Sério que esse cara baixinho parece o Zamasu?", o Yorozuya se perguntou mentalmente ao se lembrar do mangá de Dragon Ball. "Definitivamente, a autora desta fanfic tá meio sem criatividade pra descrever amantos..."
Voltando ao trio, eles ouviam dos cientistas responsáveis pelo projeto sobre as estatísticas referentes à implementação de melhorias em relação aos ataques bem-sucedidos ao Distrito Kabuki no geral e ao Shinsengumi. Durante a conversa, os três intrusos continuavam espremidos onde estavam enquanto tentavam respirar da forma mais discreta possível e buscavam apurar os ouvidos para ouvir o teor daquele papo.
―... E então – o mais baixo dos indivíduos de pele esverdeada tomou a palavra. – Isso quer dizer que o próximo passo já pode ser dado?
― Sim, senhor. – um dos cientistas respondeu. – O cerco ao Distrito Kabuki pode ser feito na hora que desejarem.
― Isso é ótimo. Meus irmãos e eu finalizaremos o plano para riscar aquele antro de arruaceiros do mapa de Edo.
Ante a última fala, Shinpachi gritou um "QUÊ?!", para em seguida ter sua boca imediatamente tapada por Gintoki.
― Quem está aí? – outro cientista perguntou.
A resposta foi um miado de Gintoki, que imitava um gato na esperança de que eles caíssem naquela imitação. Esperava que sua breve experiência por ter sido transformado em gato de rua fosse realmente útil agora. Num golpe de sorte, surgira de sabe-se lá onde um gato de verdade, com pelos alaranjados.
― Ah, é você, Dabura?
"Não tinha um nome pior pra se dar a um gato?!", Gintoki gritava em pensamento enquanto via o cientista pegando o gatinho e o afagando. Ele, Shinpachi e Hijikata simplesmente não se mexeram e praticamente prenderam a respiração para evitar serem descobertos como quase foram naquela hora. Quando a conversa acabou, todos saíram e o trio finalmente pôde suspirar aliviado, mas no fim das contas saíram desconjuntados do canto onde estavam.
― Eu não consigo entender como acreditaram no Yorozuya imitando um gato... – Hijikata resmungou.
― Pelo menos colou – o albino argumentou. – Eles acreditaram e não fomos descobertos!
Shinpachi foi o primeiro a ficar novamente diante do tanque onde estava o clone de Kagura. Observou-o atentamente, enquanto o mesmo funcionava com seu zumbido ininterrupto. Seus olhos castanhos também fitaram o cabeamento que o ligava até o computador central.
― Gin-san, Hijikata-san, vocês não acham que a gente deveria pensar em como resolver esse problema?
― Podemos manter a ideia original do Hijikata-kun. – o albino dirigiu seu olhar para o Vice-Comandante do Shinsengumi. – Cortar os cabos e destruir o tanque e o clone.
― É a solução mais viável... – o moreno concordou enquanto levava a mão à bainha de sua katana. – A menos que algum de nós seja um hacker muito bom para interromper de outro modo essa fábrica de amantos.
"Quem muito sangra, uma hora acaba morrendo."
Ginmaru lhe dera o que pensar. Realmente, lhe dera muito o que pensar aquele garoto. Tão jovem, mas o que seu filho lhe dissera fora tão profundo... De certa forma, ele lembrava a si mesmo, obrigado a amadurecer cedo diante das perdas que sofrera na infância e na adolescência. E também lhe fazia refletir sobre o que vivera nos últimos dezoito anos, desde aquele acontecimento.
Fora comparado a Takasugi e sabia que era uma comparação certa. Os dois se pareciam realmente, no que se tratava de remoer fatos passados. Seus olhos rubros encaravam o líquido transparente que refletia seu rosto pensativo, que não ocultava de todo o que se passava em sua mente.
― Cuidado pra não sair fumaça da sua cabeça, Sakata-san. – era Catherine, que encarava com certa estranheza o seu vizinho de cima. – Está pensando demais.
Gintoki deu um muxoxo e rebateu:
― E daí que estou pensando? Pelo menos uso meu cérebro, ao contrário do seu, que deve ser novinho em folha.
Antes que se iniciasse uma discussão entre os dois a quem Otose no passado acolhera como "filhos", Ginmaru adentrou o bar. Desde o momento que voltaram para casa, pai e filho trocaram pouquíssimas palavras, apenas o essencial do essencial. Cada um estivera imerso em seus próprios pensamentos após aquele encontro.
― Espero que não tenha ficado com raiva de mim. – o jovem também pediu uma dose do saquê mais barato do bar.
― Eu deveria ter ficado com raiva, mas não consegui. – o Yorozuya riu enquanto tomava um gole. – Tô tentando entender até agora onde você arranjou tanta maturidade. Não é meio estranho um garoto que mal saiu das fraldas ter mais maturidade do que o pai?
― Eu até fico meio desconfortável com isso. – Ginmaru respondeu enquanto bebericava. – Queria ser menos sério... Ou pelo menos levar as coisas um pouco menos a sério. Será que consigo fazer igual a você?
― Tem certeza de que quer ser como eu?
― Eu sou seu filho, então você ainda é minha referência.
O Sakata mais velho encarou o rapaz, cujo rosto se assemelhava mais e mais com o seu, reproduzindo quase que fielmente seus traços, finalizando com os olhos rubros e os cabelos prateados, embora com um corte ligeiramente diferente. Aos poucos estava se habituando a conviver com um Ginmaru saindo da adolescência com seus dezoito anos e tentava não se culpar pelos dez anos de ausência, nos quais não pudera ver o filho crescer. O que o ajudava a se readaptar era o fato de que o jovem estava feliz pelo seu retorno e não havia qualquer ressentimento por conta do período em que estivera desaparecido.
Mesmo assim, queria ter visto o filho crescer... Mas já que não fora possível, era aceitar o fato de que não era o único em casa que se barbeava e que tomava uma ou outra dose de saquê. Aliás, era divertido ter uma companhia no bar.
― Espero ser uma referência melhor do que o Quatro-Olhos e o Gorila. Ter um filho tsukkomi eu até aguento, mas não quero que você se torne um stalker. Stalkers são insuportáveis.
Pai e filho terminaram de tomar suas respectivas doses ao mesmo tempo. E, no mesmo instante, viram um forasteiro entrar. Era um homem com uma aparência bem comum, do tipo que passaria batido em qualquer lugar, mais ou menos como Yamazaki. Entretanto, não era o espião do Shinsengumi, mas um homem de cabelos curtos e pretos, vestindo um yukata cinza-claro e com um envelope na mão.
Sem dizer qualquer palavra, deixou o tal envelope diante de Gintoki no balcão e saiu da mesma forma que entrou, chamando pouquíssima atenção.
― Isso que é entrar mudo e sair calado... – o Yorozuya disse enquanto examinava o que recebera. – Eu, hein?
Ele abriu o pequeno envelope, do qual tirou um bilhete e o leu atentamente.
"Gintoki,
Se quiser conversar comigo a respeito das nossas pendências, me encontre nas ruínas da Shoka Sonjuku amanhã.
Takasugi"
― E eu pensava que o Zura era o único antiquado... – Gintoki passou a mão pela permanente natural prateada. – Não era mais fácil ele ter mandado uma mensagem pro seu ZupZup?
― Ele deve ter se esquecido de pedir o meu número. – Ginmaru respondeu enquanto olhava para o bilhete. – Mas e aí, vai às tais ruínas?
O trio fardado de preto desembainhou as katanas que traziam consigo, focando seus olhares naquele tanque. Iriam de fato seguir a sugestão dada por Hijikata, de cortar o cabeamento e destruir o clone. Shinpachi deu um passo adiante, ficara encarregado de cortar os cabos predominantemente pretos e de espessuras variadas. Ele segurou firmemente o cabo da katana, erguendo-a acima da cabeça e, num vigoroso e rápido movimento descendente, fez com que a lâmina afiada cortasse todos os cabos sem dificuldade.
Tão logo o jovem Shimura cortara o cabeamento, Gintoki e Hijikata avançaram para destruir o tanque, entretanto, após vários golpes dos dois homens com suas respectivas katanas, constataram que não havia qualquer arranhão.
― Tá guardando a força pra quê? – o albino questionou. – A gente deveria ter quebrado esse troço!
― Quem tá se poupando aqui é você, seu preguiçoso! – Toushirou rebateu. – Eu quase quebrei a Muramasha pra ver que não causou nem arranhão!
― Talvez se apenas um de nós tentasse acertar um único lugar... Essa coisa quebraria!
― Gin-san – Shinpachi questionou. – Acha que sua ideia pode dar certo?
― E por que não, Pattsuan? – o Yorozuya mantinha seus olhos fixos no tanque do clone de Kagura. – Bom... Não custa nada tentar.
Gintoki empunhou novamente a espada, já pensando no que faria para destruir aquela coisa. Sim, já tinha em mente o que pretendia fazer. Avançou para atacar o tanque, acertando uma saraivada de golpes com a katana em velocidade e força assustadoras.
― A "Surra Gintoki"! – Shinpachi exclamou.
― E um ataque especial da participação no "The King of Fighters Allstar" vai funcionar no nosso mundo?
― Pode ser que funcione, Hijikata-san. Qualquer coisa, você tenta fazer o seu especial.
Enquanto Toushirou fazia um muxoxo de desprezo, Gintoki finalizava seu ataque com um movimento de perfuração, que gerou uma forte lufada de vento... E partiu a lâmina da espada ao meio no processo, fazendo voar para longe a metade quebrada, que atingiu o computador central e começou um curto-circuito.
― Eita... – ele murmurou constrangido enquanto segurava a metade que sobrara da katana e encarava o tanque sem qualquer arranhão depois daquela sequência avassaladora. – Parece que deu ruim...
Nesse momento, um alarme começou a soar bem alto, enquanto luzes vermelhas piscavam ininterruptamente. A porta do grande laboratório se abriu abruptamente enquanto homens do Mimawarigumi entravam no local e cercavam Gintoki, Shinpachi e Hijikata, apontando para os três as katanas desembainhadas.
― Não parece que deu ruim... Deu péssimo! – o Vice-Comandante do Shinsengumi corrigiu seu rival. – Me lembre de nunca mais confiar em você para me resgatar! É melhor fazer seppuku do que ser resgatado por um idiota!
