Capítulo 9 - Estudos e a visita a Hogsmeade

Meus amigos e eu acordamos cedo, estávamos na sala comunal conversando. Quer dizer, quando eles paravam de me atormentar acerca do meu sentimento pela Emmeline.

Eu não conseguia parar de pensar nela. Na tarde de estudo que tivemos. Foi tão divertido.

- Aluado?

- Fala Pontas.

- Como foi à tarde ontem? – James me perguntou com uma cara bem maliciosa. – Sabe... Quando vocês foram "estudar"... Completamente sozinhos?

- Também estou muito curioso para saber como a Emmeline é quando nenhuma das amigas está por perto.

- Deu algum outro passo em relação a ela ontem? – até o Rabicho estava mais curioso com isso do que em relação ao que teríamos para o café da manhã.

- Não me levem a mal, mas aqui não é o melhor lugar para conversarmos sobre ela. Se alguém ouvir isso, tudo que planejei vai por água abaixo. - disse passando as mãos pelo cabelo em nervosismo. – Mas já que perguntaram. Não Rabicho. Ainda não é o momento. Embora tenhamos combinado de estudar mais vezes juntos. Foi divertido. Ela é engraçada. Rimos bastante enquanto fazíamos as tarefas. Descobri até que ela sente cócegas.

- Cócegas? – Sirius me perguntou com uma cara desconfiada.

- Ah... Teve uma hora que ela cruzou os braços e fez bico por eu ter dito que teria que pensar na proposta dela de estudarmos juntos – eu ri. – Aí cheguei perto e experimentei fazer cócegas nela para ver se ela desfazia aquele bico, mesmo que estivesse linda com ele.

- Tocando na Emmeline... Quem diria que avançaria tanto. – Sirius disse entre risos.

- Pois é. Eu progredi, mas e vocês dois?

- O que temos nós a ver com isso? Pensa em dividir a Emme conosco?

- Não seja idiota, Almofadinhas. Eu jamais a dividiria com alguém. Descobri um lado bem possessivo em mim quando se trata dela. – disse um pouco exaltado, o que rendeu outra crise de risos entre eles. – Ok. Podem parar. Eu me referia a Lilian e Marlene.

- O que tem essas duas?

- Ora James. Está na cara que você ama a Lilian. E você a Marlene, Sirius. Por que não começam admitindo isso para si mesmo.

- Eu já admiti, Aluado. Mas a ruivinha não leva nada do que eu digo a sério!

- E a culpa disso é de quem?

- Eu sei. Sou um idiota. Mas tenho culpa se ela fica linda quando está irritada?

- James, se quiser algo sério com ela, você vai ter que fazer por merecer. – falei num mais sério e baixo – Essas cinco são bem diferentes daquelas com quem já saímos. A Lilian e a Marlene não confiam no que vocês dizem, justamente pelo sucesso que vocês fazem entre as outras garotas.

- Aluado, nós somos os Marotos. Somos irresistíveis por natureza. – alfinetou Sirius.

- E modestos também, eu sei. Só que essas garotas não querem alguém que esteja com elas e com outras simultaneamente. Elas são completamente diferentes das malucas que vivem nos perseguindo.

- Aluado... Conselheiro amoroso. Como as coisas mudam. Até alguns dias atrás você se recusava a ter um envolvimento que durasse mais que um dia com uma garota e agora já sabe até aconselhar.

- Pontas quer parar de tirar sarro. - tentei soar sério, mas acabei rindo com eles.

- Está bem. – James falou se rendendo. – Eu tenho me esforçado. Parei de provoca-la e de convida-la para sair. A única coisa que fiz foi pedir uma chance para ela me conhecer melhor. Tenho tentado realmente me controlar. Mas mesmo assim ela sempre se coloca na defensiva.

- Isso é porque ela está desconfiada. Você não pode simplesmente esperar que ela acredite em uma mudança repentina. Ela vai notar. Mas você vai precisar de paciência. E, além disso, parar de ficar dando mole para as outras garotas. O mesmo vale para a Marlene, Sirius.

- Eu sei disso, cara. Acho que James e eu temos um forte gosto por garotas geniosas.

- Acho que é melhor pararmos de falar delas, porque elas estão descendo.

Paramos de falar ao vermos três garotas descerem as escadas do dormitório feminino. Emmeline e Marlene aparentemente não haviam acordado ainda. Eu sorri ao me lembrar de que Ártemis estava com ela. Minha coruja se apegou completamente a ela.

As três nos cumprimentaram e foram se sentar. Provavelmente esperariam as outras para irem tomar café juntas.

Passaram-se vários minutos até que uma nova movimentação na escadaria chamou a atenção de todos. As duas desciam discutindo. Isso era algo extremamente raro. Seria normal se fossem Marlene brigando com a monitora chefe, mas Emmeline envolvida era algo muito estranho. Por isso todos nós e mais alguns grifinórios que passavam por ali pararam para assistir a briga. Encaramos boquiabertos uma Emmeline completamente irritada dar a fim a discussão e sair dali sem olhar para mais ninguém. Mas não estava nos planos de Marlene encerrar aquela conversa já que ela saiu em disparada atrás dela. Preocupados com o que viria a seguir nós e as garotas nos apressamos atrás das duas.

Parecia que o dia da minha amada loirinha ainda iria piorar. Prewett. Eu sabia que ele não prestava. Eu pressenti que algo ruim viria daí. Estava morrendo de medo de ver no rosto de Emmeline tristeza pelo que acabara de flagrar. Mas ela se manteve firme e finalmente para meu completo alívio terminou com ele.

Estava com uma vontade imensa de azara-lo. De acabar com a raça desse sujeitinho. Mas Emmeline vinha em primeiro lugar. Precisava ver o estado em que ela se encontrava antes de partir para cima dele. Lilian foi a primeira a se pronunciar ao chegarmos ao salão principal e quando ela voltou os olhos para nossa direção para alívio de todos ali, parecia estar bem. Seu rosto corara ao ser perguntada sobre o assunto da briga que ela e Marlene tiveram.

Assunto pessoal. Será que tem a ver comigo? Com as cartas?

- Emme, ainda vai a Hogsmeade? – eu esperava seriamente que sim. Durante a tarde em que ficamos estudando ela disse que pretendia ir se tivéssemos terminado de repor todas as matérias. Ainda faltavam algumas, mas combinamos de estudar juntos novamente hoje.

- Vou sim Remus. Por que a pergunta?

- Porque meus amigos me abandonaram, já que tem detenções para cumprir. Se não for atrapalhar eu poderia ir com vocês.

- Então somos dois. As meninas não querem ir. – ela olhou para as amigas fingindo estar irritada. Logo em seguida se vira para mim e diz a frase que deixou meu mundo fora dos eixos por alguns segundos. Se você não achar ruim, podemos ir juntos.

James precisou me dar um chute por debaixo da mesa para que eu saísse do estado de torpor em que me encontrava.

- Tem certeza que não vou te incomodar? Você já viu como eu sou lá na biblioteca. – tentei ignorar as risadas dos nossos amigos. Acho que ela fez o favor de ignorar o duplo sentido do que eu disse.

- Claro que não vai incomodar Remus. – ela disse sorrindo. – Vi como você é sim. E não me arrependo.

Meus amigos não se seguraram e riram com vontade. Até as amigas dela estavam rindo. Emmeline olhou para mim com um ar divertido.

- Eu só queria ver a reação deles. – eu ri.

- Obrigado por se preocupar com o que eles podem pensar de mim. – falei fazendo uma falsa cara de preocupado.

- Na verdade eles já estavam pensando. Eu só confirmei. – ela fez cara de inocente. – E além do mais, quem deveria estar preocupada aqui sou eu, certo? Já que eu estou envolvida nesses tipos de pensamentos.

- Emmeline, nunca pensei que você diria algo com tanto duplo sentido assim. – Sirius disse tentando segurar uma nova onda de gargalhadas.

- Para você ver Sirius, como as aparências enganam. Agora será que poderiam fazer o favor de parar de rir, estão chamando muita atenção para cá.

- É melhor mesmo. – falei olhando diretamente para ela. – Já estou me sentindo completamente exposto. – Emmeline me deu uma olhada que tive que me controlar para não agarra-la.

- Não está tão exposto assim, Remus. – ela disse segurando o riso, entrando na brincadeira. – Está completamente vestido.

- Eu não poderia aparecer no salão completamente nu.

- Bem, se fosse uma espécie de fetiche acho que não teria problema algum. – ela ria enquanto eu ficava completamente embasbacado. – E eu não falei que precisava ficar nu, Remus.

- Não? – eu disse em uníssono com todos ali.

- Não. De cueca era suficiente. – mais uma nova onda de gargalhadas. Incluindo nós dois.

- Ganhou essa. – disse me rendendo. - Então. Continuamos hoje lá na biblioteca?

- Ai Merlin, o nível vai baixar muito lá na biblioteca. – Selene falou rindo.

- Não. Não quis dizer com isso.

- Tudo bem, Remus. Continuamos com o que havíamos começado ontem. A que horas?

- Cara, eu gostaria realmente de ver vocês dois estudando. – James disse nos encarando surpreso. – Vocês ficaram com essas gracinhas ontem?

- Não. Ontem estávamos mais comportados. – ela respondeu. – Agora é melhor pararmos com isso antes que a coisa piore pro meu lado. – ela falou rindo.

- Nunca imaginei vocês dois se comportando assim em plena manhã.

- Quer dizer que imaginou a gente durante a noite Sirius?

- É melhor pararmos mesmo com isso. Até eu já fui incluído nessa loucura. – Sirius olhou para todos com ares de inocência. Depois daquela confusão toda. Um pouco de risadas fez bem para todo mundo.

James me olhou surpreso. Acho que a espontaneidade da minha querida loirinha o pegou realmente de surpresa. Aproveitei que elas se distraíram arrumando um prato de café da manhã e sussurrei.

- Eu disse que elas eram diferentes. Ontem foi realmente divertido.

- Só não imaginei que ela era tão espontânea assim.

- Eu sei. Fiquei surpreso com isso também.

- Remus, se deu bem. Vai estar sozinho com ela em Hogsmeade.

- Parem de pensar bobagens.

- Não estamos pensando. Sério. – eu os encarei com a sobrancelha arqueada. – Ok. Estamos pensando sim. E a culpa é toda de vocês. – eu ri.

######

Após um café da manhã fora do comum nos dirigimos para a aula de poções. As meninas ainda estavam tendo sérios problemas para controlar as risadas. Sei que geralmente não faço esse tipo de piadinha, entretanto, a situação pedia isso. Não aguentava o olhar de preocupação que elas e os garotos me dirigiram. Eu estava sim chateada pelo que presenciei. É horrível para qualquer pessoa. Só que o problema era estar chateada comigo mesma por ter caído tão facilmente na lábia dele. Deveria ter seguido meus instintos.

Lily me encarava curiosamente. Eu sabia que ela queria conversar. Só que nessa aula não dava para aderirmos aos nossos bilhetinhos além do mais a aula era prática. Tenho certeza que ela queria perguntar sobre o garoto das cartas e acredito que sobre o Remus também. Mas teria que esperar até o término das aulas. Afinal, as outras com certeza estavam querendo saber algumas coisas e ia acabar gerando alguma confusão.

A aula transcorreu sem qualquer tipo de incidente. Na verdade, todas as aulas foram entediantes. Confesso que senti falta de conversar com as meninas por bilhetes.

Assim que o último sinal tocou saímos apressadamente da sala. Percebemos os olhares que os garotos estavam nos lançando. Acho que ainda estavam preocupados. Decidi não pensar sobre isso. Não me faria bem algum.

- Emme? – Marlene ainda estava arredia pela briga de hoje cedo.

- Lene. – disse parando – Pare de falar comigo desse jeito. Eu não vou brigar com você. Certo? – ela se jogou em mim. Por muito pouco não caímos. – Vou entender isso como um sim.

- Desculpe mesmo por hoje cedo.

- Vamos esquecer isso, ok?

- Mas você está mesmo bem? Depois de tudo... – eu olhei para ela. E percebi que todas estavam apreensivas.

- Meninas, estou bem. De verdade. – elas não acreditaram – Não me olhem desse jeito. Não nego que fiquei chateada. Contudo, fiquei mais decepcionada comigo. Eu deveria ter confiado nos meus instintos. Eu não sinto nada por ele. Nadinha mesmo. Ele até facilitou as coisas para mim.

- Eu ainda estou com vontade de azara-lo. – olhei incrédula para Alice. – Acho que todas estamos, certo?

- Podemos nos intrometer? – James perguntou. – Não queríamos ouvir a conversa de vocês. Mas estávamos preocupados com a Emme. – fiquei constrangida com isso. - Concordamos com a Alice. Ele vai pagar pelo que te fez.

- Não quero que façam nada.

- Sinto muito, Emme. – olhei para Sirius. – Mas ninguém mexe com nossas amigas e sai impune. Nesse quesito não estamos pedindo sua autorização.

- Não quero que arranjem problemas por minha causa. Poderiam ser menos teimosos?

- E vocês não são teimosas? – James arqueou uma sobrancelha – Não estamos preocupados com isso. Você é nossa amiga. Defendemos nossos amigos.

- Sim. Mas eu já disse que não há necessidade.

- Nós ouvimos e faremos o favor de ignorar essa parte. – Sirius falou no lugar de James.

- Remus, você poderia controlar esses dois?

- Não posso Emme. Eu concordo com eles. – eu o encarei sem acreditar no que ouvia. Eu achei que ele fosse o mais racional entre eles. – Não me olhe assim. Importamo-nos com você. Ele precisa entender que ninguém machuca nossas amigas e sai ileso disso. – eu continuava encarando-os embasbacada. Até James me abraçar.

- Só estamos preocupados Emme. Você é importante para nós.

- Não vou conseguir mesmo impedir vocês?

- Não. – os quatro responderam juntos. Eu suspirei. – Estamos entendidos então? – James perguntou me afastando centímetros dele.

- Tenho escolha?

- Na verdade, não. – ele riu. – Fico feliz que esteja bem. Mas nós (ele frisou bem esse 'nós') ainda estamos com raiva. Ele vai sair vivo, não precisa fazer essa cara.

- Vocês não tem jeito mesmo. – sorri. – É melhor irmos almoçar. Vocês não querem ir a Hogsmeade amanhã, quer dizer as meninas não querem e vocês tem alguma detenção para cumprir. Mas eu e o Remus ainda queremos ir. E só vamos se terminarmos de repor as matérias dele. Então quanto antes terminarmos, melhor. Certo, Remus?

- Certo. – ele riu. - Está tentando mudar de assunto?

- Estou. Nem tente voltar para ele.

- Não tentaria. Já vi você brava hoje.

- Ah não. Vocês me viram irritada. – eles me olhavam sem entender. – Brava sou pior que a Lily.

- Ela é mesmo pior que a Lily. – Selene disse séria.

- É melhor não pagarmos para ver. – James disse me soltando. Eu ri.

- Com medo? – perguntei arqueando uma sobrancelha.

- Um pouco. – ele me responde – Já vi um lado brincalhão seu hoje que não conhecia. Acho melhor não abusar da sorte.

- Vamos almoçar então. Como a Emme disse. Tenho que terminar minhas tarefas se quiser ir a Hogsmeade.

- Podemos ajudar vocês dois. Nossa detenção é só amanhã mesmo. – James disse ao que Sirius sorriu.

- Na verdade. Eu prefiro a ajuda só da Emmeline. – Remus disse cortando a oferta e fazendo o grupo todo voltar a caminhar. – Muita gente lá iria dar confusão. E não conseguiríamos terminar a tempo, já que tenho certeza ficaríamos rindo o tempo todo.

- Como se vocês dois não tivessem estudado entre risos. Nós vimos como é, esqueceu? No café da manhã?

- Hoje de manhã foi uma exceção. – Remus me olhou. – Foi só para fazê-la esquecer-se um pouco do que havia acontecido. E tenho certeza que ela só queria que deixássemos de nos preocupar. – virei meu rosto para ele, admirada. Ele percebeu minha intenção. – Quando estávamos na biblioteca ontem nos divertimos sim. Mas foi mais comportado e controlado.

Chegamos ao salão e nos dirigimos para a mesa da Grifinória. No entanto, não deixei de notar os olhares de ódio que todos lançaram para a mesa da Corvinal. Eu nem desviei meu olhar para aquele lado. Só queria terminar de almoçar e ir estudar com o Remus. Almocei em silêncio embora sentisse o peso de vários olhares sobre mim. Eles continuavam dando importância demais para o que havia acontecido.

- Emmeline? – levantei meu olhar para Remus que escondeu seu olhar preocupado. Ao que agradeci mentalmente. – Terminou de almoçar?

- Terminei sim.

- Podemos ir ou precisa ficar alguns minutos com suas amigas? – ele me perguntou parecendo estar constrangido. Ainda que não conseguisse entender o por quê. – Afinal nós interrompemos vocês agora a pouco.

- Acho que elas aguentam até mais tarde. Não era nada de importante.

- É Remus não se preocupe. – Lily disse piscando.

- Ok. Vamos então?

- Claro.

A biblioteca aquela hora estava completamente vazia. Caminhamos para uma mesa mais ao fundo, separamos pergaminhos, pena e tinta e fomos percorrer as estantes para encontrar os livros adequados para as tarefas.

Remus precisaria fazer uma redação sobre as maldições imperdoáveis para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Então selecionei dois livros que havia usado para fazer a mesma. O abri e fui separando alguns trechos que serviriam para ele montar sua redação sem que parecesse uma cópia da minha, enquanto ele ainda fazia a de poções. Olhei para ele. Ele está bastante concentrado. Engraçado. Nunca reparei o quão fofo ele fica quando está concentrado em algo. Emmeline, no que você está pensando? Ele é seu amigo. Pare de viajar antes que ele perceba.

Ele me encarou, eu sorri.

- Como está indo com essa tarefa aí?

- Terminei.

- Hum... Separei alguns trechos que podem te ajudar na tarefa sobre as maldições. E alguns para a tarefa de transfiguração.

- Obrigado mesmo por toda a ajuda Emmeline.

- Imagina Remus. Falta pouco para terminarmos. Achei que levaríamos mais tempo. – eu dei uma risadinha. – Deve ser porque não é de História da Magia.

- Isso com certeza. Aquela tarefa foi tenebrosa. Reparou que precisamos pegar vários livros para compor aquela redação. Levamos horas só para encontrar os livros certos. E mais algumas para compormos cada redação, sem que saíssem muito parecidas.

- Nem me lembre dessa parte. Gastamos a tarde toda ontem estudando só História da Magia. Mas até que não foi ruim.

- Não mesmo. – ele respondeu sorrindo. – Mais essas duas e termino. Vai falando que não estamos demorando, mas se olhar pela janela vai ver que já está escuro.

- É verdade. Nem havia percebido. As horas voam quando estamos concentrados em algo.

- Você quer dizer, em Poções, Feitiços, Transfiguração, Herbologia...

- Bem por aí mesmo. – eu ri.

- Eles poderiam ter passado menos tarefas.

- Como se eles fossem pegar leve conosco. Vai sonhando com isso.

- Eu prefiro sonhar com outras coisas. - ele respondeu ao que eu arqueei as sobrancelhas. – Deixa para lá.

Passaram-se mais alguns minutos e finalmente terminamos. Organizamos nossas coisas e fomos recolocar os livros em seus devidos lugares. Logo estávamos indo para a sala comunal deixar nossas mochilas e uns tantos livros por lá. Já havia passado da hora do jantar. Fomos juntos para a cozinha, os elfos nos receberam bem animados. Comi muito bolo de chocolate sem deixar de notar o olhar divertido do Remus.

- Você gosta mesmo de chocolate hein.

- Completamente viciada.

- Tem chocolate na sua bochecha. – disse se aproximando e limpando o lugar para mim.

- Obrigada. – disse, enquanto tentava disfarçar o quanto esse simples gesto havia me afetado. Saímos discretamente da cozinha e fomos mais discretos ainda até a torre da Grifinória se o Filch nos encontrasse todo esforço para ir a Hogsmeade teria sido em vão.

- Até amanhã, Emmeline.

- Até amanhã, Remus. – respondi antes de dar um beijo na bochecha dele e acenar enquanto subia as escadas do dormitório feminino.

Assim que subi as escadas deparei com as meninas sentadas em suas camas me esperando para acredito um interrogatório. Elas ficaram em silêncio enquanto eu pegava um pijama, escova de dente, toalha e me dirigia ao banheiro. Com meu ritual noturno completo elas estariam aptas a me dissecar.

Saí de lá um pouco desconfortável por constatar que elas continuavam em completo silêncio. Ok, isso definitivamente não é bom.

- Como foi lá? – Alice foi a primeira a se pronunciar. E eu achando que quem iria falar primeiro ia ser a Lily sendo seguida pela Lene.

- Foi normal. Ontem só conseguimos repor História da Magia. Deu um pouco de trabalho encontrar os livros que ajudariam a fazer a redação. Então hoje tinha todas as outras para explicar-lhe para que ele pudesse fazer as tarefas.

- Então foi por isso que demoraram tanto. – Lily afirmou um pouco pensativa.

- Sim. Estávamos tão concentrados que não vimos a hora passar. Perdemos o jantar e tivemos que ir a cozinha para comermos alguma coisa.

- Sabia que vocês dois ficam bem juntos? – Marlene falou me deixando completamente vermelha.

- É verdade. O Remus é tão fofo. – Selene completou.

- Sei disso. Quer dizer, a parte do fofo. – falei completamente sem graça.

- Emme e o garoto das cartas? Não escreveu mais. – Lily perguntou.

- Não. Eu avisei que iria estudar ontem com o Remus e hoje não falei com ele também. Dia cheio sabe. Pode ser que ele estivesse ocupado também.

- Sente falta?

- Acho que sim. É agradável conversar com ele. Era só isso que queriam saber?

- Só isso. Pode ir dormir. Porque amanhã tem visita a Hogsmeade. – eu sorri em resposta ao tom de pilhéria da Alice.

######

Ontem definitivamente foi maravilhoso. Passei o dia inteiro praticamente com Emmeline e ainda recebi um beijo de boa noite dela. Eu ainda conseguia sentir a maciez dos lábios dela na minha pele. Eu deveria estar com uma cara muito abobalhada porque os outros marotos não paravam de rir.

Eram oito horas ainda, mas resolvi levantar mesmo assim. Como havia esfriado bastante separei algumas peças de roupa para não passar frio e caso lógico precisasse ceder alguma para ela. E fui tomar banho.

Combinei de encontrá-la na entrada do castelo às nove e meia. Acho que nunca fiquei tão ansioso na vida. Desci as escadarias sendo seguido de perto por meus amigos que não deixavam de tirar sarro de mim.

- Aluado! Você tem que relaxar cara. – falou James pela enésima vez.

- Quero ver você relaxar se um dia conseguir que a Lily saia com você. – retruquei.

- Estaria nervoso sim. Mas vocês ainda estão no estágio da amizade. – James colocou uma mão no meu ombro – Então vê se relaxa e aproveita bem o dia com a nossa amiga.

- Poderia parar de frisar isso. Sei que ela é apenas minha amiga. – rebati. – Por enquanto.

- Gosto da sua determinação meu caro Aluado.

- Tem certeza que é só disso que você gosta Sirius? – perguntei arqueando minha sobrancelha.

- Aluado. O único veado que temos aqui é o James.

- É cervo, Almofadinhas. C-E-R-V-O.

- Além disso, tenho ralado muito para conseguir uma chance com a Marlene. E posso dizer que o Veado aqui está se esforçando muito para atrair a ruivinha.

- É cervo!

- Não precisa dar chilique. Está parecendo uma menina. – eu ria. Os dois só pararam com as provocações quando viram minha cara de embasbacado. Emmeline estava descendo as escadas junto das outras garotas. Linda. Sempre linda.

- Aluado, fecha a boca.

- Ahm... Certo. – tentei parecer normal enquanto ela caminhava até mim.

- Bom dia!

- Bom dia, Emme. – respondemos em coro. - Meninas.

- Bom dia! – elas responderam. – Divirtam-se lá! E Emme compre uns doces para nós. – Selene falou por todas ali. Elas acenaram e foram em direção ao salão.

- Aproveitem por nós. Porque nós vamos curtir uma detenção. – James falou. Nós rimos e nos despedimos deles.

- Então, aonde vamos primeiro? – perguntei.

- Se não for incomodo para você. Eu tenho que comprar algumas coisas.

- Tudo bem por mim.

A neve cobria os campos e a escola com uma espessa camada branca e fofa. O céu encontrava-se nublado e soprava um vento frio, mas todos os alunos estavam muito entusiasmados com a visita ao vilarejo, principalmente os alunos do terceiro ano que iriam pela primeira vez.

Pouco a pouco nos juntamos à horda de estudantes que ia lotando o vilarejo e que dava um pouco mais de vida ao local, sempre tão vazio na maior parte dos dias.

Paramos na loja de Penas e Escribas para comprar penas e pergaminhos novos, e paramos na botica para comprar alguns ingredientes para as aulas de poções. Depois de tudo pago, peguei as sacolas que ela carregava. Ignorando qualquer comentário de "não precisa".

- Eu sei que não precisa. Mas eu quero carregar.

- Não gosto de incomodar, Remus. Você não está aqui para ficar carregando minhas coisas. Está aqui para se divertir. Entendeu?

- Sim senhora. – eu ri da cara dela. Ela me bateu. – Ai, isso doeu.

- Quem mandou você rir da minha cara.

- Mas você falou que era para eu me divertir. – rebati. – Sua cara estava engraçada. Não sabia que era mandona.

- Eu... Não sou... ahm... Deixa pra lá. – ela corou e riu. – Bobo.

- Além do mais. É melhor eu carregar. Você vai precisar das duas mãos para pegar seus doces e de suas amigas. – falei sabendo que ela ficaria envergonhada.

- Sei. – ela falou incrédula, mas lá estavam as bochechas coradas.

Ri com vontade enquanto voltamos às ruas novamente. Nosso próximo destino era a Dedosdemel. A loja de doces estava abarrotada de gente, esperamos alguns instantes para que pudéssemos andar livremente pela loja sem trombar com alguém. Com a loja um pouco mais vazia entramos e nos pusemos a andar entre as prateleiras de doces. Os olhos dela estavam brilhando. Completamente viciada em doces. Não posso esquecer isso.

Compramos muitos doces, entre eles estavam os feijõezinhos de todos os sabores, sapos de chocolate, caramelos cor de mel (um vicio da Selene), tabletes de nugá e ratinhos de sorvete (favoritos da Marlene e da Alice), varinhas de alcaçuz, penas de algodão doce (pelo que ela falou Lilian adora esses), tortinha de limão e creme, muitos bombons e barras de chocolate (ela realmente adora chocolate). Escolhi alguns desses também.

- Emmeline, acho melhor pagarmos e comermos em algum outro lugar. – apontei para a entrada – Isso aqui vai encher novamente. - ela olhou na direção que eu apontava e assentiu. Assim que nossos pedidos foram entregues, saímos da loja imediatamente.

Não pude deixar de rir. Lá estava ela com as mãos cheias de sacolas. Ela pediu para a atendente separar os doces que ela havia escolhido em cinco sacolas. O dela era a que mais continha chocolate.

Enquanto caminhávamos, tentei pegar uma das tortinhas de limão que havia comprado, mas não consegui alcança-las com tantas sacolas. Emmeline riu.

- Vem Remus. – ela disse já me puxando pelo braço em direção a um banco que ficava do lado de fora de uma das lojas. – Pronto. Agora você vai conseguir comer.

Coloquei as inúmeras sacolas do meu lado e avancei para as tortinhas (estava parecendo o Peter com fome). Comi com entusiasmo. Depois de algum tempo notei que minha querida loirinha estava com um olhar de divertimento e claramente segurando a risada.

- O que foi? – perguntei sem entender o que estava acontecendo. Ela explodiu em risadas. Eu simplesmente adorava.

- Você está com o rosto todo sujo de creme. – ela disse mordendo o lábio inferior numa tentativa de parar de rir.

Ergui uma das sobrancelhas, então quer dizer que ela está se divertindo as minhas custas? Bem, já que é assim. Retirei o creme sobre a tortinha que estava em minha mão e passei no rosto dela deixando-a completamente pasma. Nariz, queixo e bochecha esquerda cheios de creme.

- Assim está melhor – disse mostrando um sorriso inocente – Agora estamos empatados. Pode parar de rir.

- Seu atrevido! – Emmeline exclamou se acabando em risadas.

Logo uma guerra de tortinhas havia começado. Ela tentava me sujar o máximo que conseguia. Todos que passavam nos olhavam de maneira estupefata, principalmente as garotas. Deveria ser estranho ver um dos Marotos se divertindo tanto assim com uma garota. Já que nossa fama nesse quesito não era bem essa. Fiz questão de ignorar. A única pessoa que prendia minha atenção era certa loirinha repleta de creme.

A guerra só acabou quando vi aquele maldito corvinal se aproximar. Emmeline se apoiou no meu braço tentando parar de rir. Ele olhava para nós com desdém. Andou em nossa direção.

- Cai fora Prewett.

- A rua não é sua Lupin. – ele desviou os olhos para Emmeline que segurava meu braço com força, tentando me impedir de partir para briga. - Que desperdício de tortas. – ele disse parecendo enojado.

- Sai daqui. – falei entre dentes.

Ele deu uma risada desdenhosa me deixando completamente irritado. Olhou novamente de mim para Emmeline e deu um passo para frente se aproximando dela, que me conteve prevendo o que eu faria. Ele abriu um sorriso debochado e sugestivo. Aquele idiota passou o dedo no rosto dela removendo o creme e levando-o a boca.

- Está gostosa hoje Vance. – falou no tom mais falsamente sedutor que conseguiu empregar naquela voz horrenda dele – Extremamente gostosa.

Emmeline virou o rosto para mim, aquele cara conseguiu estragar a alegria dela. Trinquei os dentes e grunhi ameaçadoramente assim que vi lágrimas se formarem nos olhos dela.

- Sempre soube que você era um doce Vance. Sempre quis experimentar. – ele dizia debochadamente e em seguida riu.

Soltei-me delicadamente do aperto de Emmeline, usei um feitiço para nos limpar. Guardei a varinha no bolso e por fim dei um soco na cara daquele imbecil de onde agora saia sangue devido ao nariz que acabei de quebrar. Ele revidou o que só fez o meu sangue ferver ainda mais. Avancei com tudo. Ouvi alguns gritos histéricos, mas não dei importância. Tudo que me importava era fazê-lo pagar pelo que fez a Emmeline. Cada soco que dava me sentia um pouco mais aliviado. Mas era só ver o olhar entristecido dela que minha raiva voltava.

- Nunca mais chegue perto dela! - disse segurando-o pelo colarinho. – Qualquer aproximação e terá mais que um nariz quebrado.

- O que está havendo aqui? – a voz severa da professora McGonagall calou a todos. – Podem ir se dispersando. Não há nada para verem aqui. – olhei para trás e vi os alunos saindo apressadamente além de notar também a presença do professor Flitwick diretor da Corvinal. – Quero explicações. O que há com vocês? Sr. Lupin muito me surpreende ver o senhor nesse tipo de situação.

Eu olhei para Emmeline que parecia paralisada. Eu ainda estava com raiva.

- Sinto muito professora. Mas não me arrependo do que fiz. – disse firmemente soltando-o. – Ele faltou com respeito à Emmeline.

- Não coloque a culpa em mim – bufei ao ouvi-lo falar. Queria ter quebrado bem mais do que apenas o nariz desse cara. – Não tenho culpa se ela não se dá ao respeito.

- Sr. Prewett não sei com quais espécies de trasgos o senhor anda se relacionando. A senhorita Vance é uma de nossas alunas mais respeitáveis. Então limite-se a manter distância dela. Ou eu mesma irei intervir.

- 70 pontos serão descontados da casa Corvinal pela sua incrível falta de respeito Sr. Prewett. – professor Flitwick falou se aproximando. – Sua visita a Hogsmeade está suspensa por tempo indeterminado e terá detenção comigo por um mês e não pense que irei facilitar porque é da casa Corvinal. – disse em um tom bem exaltado, acho que deixou inclusive a professora McGonagall surpresa. - Sr. Lupin parabéns por defender a honra de sua amiga, mas espero não ter que presenciar mais nenhum tipo de briga por hoje. Acho que por hora faria bem em distraí-la, mas cuide desses cortes primeiro. Se me dão licença, irei pedir para Hagrid garantir que ele volte ao castelo e fique por lá.

- Srta. Vance. Espero que fique bem e aproveite o resto do dia. – a professora disse suavemente abraçando-a. – Cuide bem dela hoje, Sr. Lupin.

- Sempre, professora. – respondi. Ela sorriu e nos deixou sozinhos. – Emme?

- Remus... eu... – aquela voz embargada dela estava me matando. Ela levantou o rosto. Lágrimas corriam livremente pela face dela.

- Vai ficar tudo bem agora. – falei tentando tranquilizar a nós dois. Ela assentiu. Estava com medo de me aproximar. Ela parecia tão frágil agora.

- Desculpe.

- Pelo que Emme?

- Por estragar sua visita a Hogsmeade – ela dizia num fio de voz.

- Não estragou. A visita ainda não terminou. – eu disse e ela se aproximou me abraçando. – De qualquer forma a culpa não é sua.

- Obrigada.

- Não precisa agradecer. – mantive meus braços ao redor dela até que se acalmasse e parasse de chorar. – Está melhor?

- Sim. Obrigada. – ela deu fraco sorriso. Mas era melhor do que vê-la chorar.

- O que quer fazer agora?

- Está ficando mais frio. Podíamos caminhar um pouco e ir para o Três Vassouras?

- Claro que sim. – peguei nossas sacolas e fomos olhando as vitrines.

Resolvemos entrar na Zonko`s um pouco de risadas faria bem para nós dois. Acabamos ficando muito pouco tempo por lá. Estava uma confusão. Alguns garotos do terceiro ano usaram alguns dos artigos lá dentro mesmo o que acabou gerando uma algazarra entre funcionários e estudantes. Emmeline já estava novamente com um sorriso no rosto, isso para mim era mais que suficiente.

Saímos dali direto para o Três Vassouras tomar uma cerveja amanteigada. A temperatura lá fora continuava a cair. Recomeçara a nevar. Emmeline parecia adorar esse tempo. Caminhamos até a única mesa que estava vazia. As pessoas não paravam de nos encarar. Deve ser inveja.

Madame Rosmerta veio nos atender pedi cerveja amanteigada para dois. Bebemos e conversamos por um bom tempo.

- Remus, importa-se de andar um pouco? Sei que está frio e continua a nevar. Só que gosto tanto do tempo desse jeito, queria aproveitar um pouco.

- Acho que vou virar um pinguim. – ela riu.

- Achei que fosse mais resistente Sr. Lupin.

- Acha que não aguento?

- Não é isso que estava me dizendo?

- Absolutamente. Vamos? – perguntei me levantando já com as sacolas no braço esquerdo, estendendo a mão direita para ela.

- Nossa, que cavalheiro. – ela disse rindo.

- Srta. Vance, caso ainda não tenha notado fui muito bem educado. – respondi fingindo decepção.

- Desculpe Sr. Lupin, não quis ofendê-lo.

- Dessa vez passa. – disse abrindo a porta para ela. – Para onde gostaria de ir senhorita?

- Aceito sugestões, senhor.

- Não quer ir a algum lugar em especial? Prefere apenas caminhar para onde vossos pés a levarem?

- Apenas caminhar já é o suficiente. – ela disse sufocando uma risada. – Deixe-os serem nossos guias.

- Como desejar. – respondi oferecendo o braço ao que ela aceitou de pronto. – Antes de qualquer coisa permita-me dizer que o dia ao seu lado senhorita foi extremamente agradável.

- Devo dizer-lhe o mesmo senhor. Sua companhia me é muito agradável. – desviei meu olhar do caminho branco a nossa frente para que eles pudessem repousar sobre ela que exibia o sorriso mais estonteante que já tive o prazer de ver sendo dirigido para mim. – Obrigada de verdade por me acompanhar hoje, Remus.

- Não precisa agradecer Emmeline. Não foi esforço algum. Muito pelo contrário. – sorri. – Você é muito divertida, sabia disso?

- Acredito ter ouvido isso ontem. – rimos juntos. Estávamos já bem afastados do vilarejo. Na verdade, já dava para avista-la. A Casa dos Gritos. Ela acompanhou meu olhar.

- A Casa dos Gritos. – falou bem baixinho.

- Ela te assusta?

- Não Remus. Não tenho medo desse lugar.

- Mesmo? A maioria tem.

- A maioria que não é da Grifinória né? – eu ri disso.

- Pode até ser. Mas as meninas geralmente não se aproximam desse lugar.

- Isso não tem como contestar. – ela respondeu ao pararmos bem próximo a cerca. – Este lugar me traz um sentimento diferente.

- Diferente? Medo, não?

- Nada de medo. Pareço medrosa para você? – ela perguntou arqueando uma sobrancelha e mordendo o lábio inferior. Você não tem ideia do quão sexy fica quando faz isso.

- Nem um pouco. – ela sorriu e voltou a olhar para a casa.

- Na verdade eu sinto um pouco de tristeza ao olhar para ela. Tão afastada de tudo. Isolada. - ela parecia pensativa, eu a encarava surpreso – Seja lá quem necessitasse ficar nesse lugar tinha motivos muito fortes para querer se isolar. Mesmo assim não deixa de ser triste. Estar sozinho não é uma coisa agradável.

- É isso que sente então?

- Sim. Espero que a pessoa que tenha ficado ou que ainda fique nesse lugar, mesmo que por pouco tempo, tenha encontrado motivos para não querer se isolar do resto mundo. Tenha aprendido a gostar de viver.

Ele aprendeu Emmeline. Com certeza aprendeu.

- Sua forma de enxergar as coisas é incrível. – ela me olhou encabulada. Um vento frio soprou fazendo-a estremecer. Prontamente retirei meu casaco e ajudei-a a vesti-lo.

- Remus, agora você vai congelar.

- Sou resistente como um pinguim, lembra? – ela riu.

O céu começava a escurecer. Era hora de voltarmos para o vilarejo e mais tarde para a escola. Paramos novamente no Três Vassouras para nos aquecermos um pouco e para comermos algo com mais consistência do que bolinhos e chocolates. Embora ela tenha comido alguns bombons depois. Quando anoiteceu todos já estavam prontos para regressar a Hogwarts.

Caminhamos de braços dados durante todo o caminho e até chegarmos a sala comunal. Ela retirou o casaco que havia lhe emprestado (e que havia ficado melhor nela sem sombra de dúvida).

- Hoje foi muito divertido, Remus. Bem, quase o tempo todo, se alguém não tivesse aparecido para...

- Não vamos falar daquilo, ok. – disse interrompendo-a e segurando o rosto dela para me certificar de que estava tudo bem. Ela apenas sorria. – Também me diverti muito Srta. Vance. – pisquei soltando-a.

- Boa noite, Remus.

- Boa noite, Emmeline. – a abracei e beijei sua testa. Permaneci ali até ela desaparecer pelas escadas.


N/a: Pessoal perdoem pelo tempo de hiatus. Muita coisa aconteceu nesse tempo. (A maioria bem ruins mesmo). Para compensar aí está mais um capítulo. Espero que gostem e comentem. (se é que alguém ainda acompanha)
Vão me fazer muito feliz!
Obrigada àqueles que começaram a ler a fic e pediram que voltasse a atualiza-la. Isso é sempre um incentivo para quem escreve.

Como senti falta disso aqui!
Beijinhos.