N/I: Oi, de novo! Estou muito feliz que a Giovanna adorou o seu presente! Sério muito feliz mesmo, eu tentei colocar um toque dela e um toque meu que sempre vem com uma pitada de magia! Tô aqui pra mandar a playlist que achei no youtube sem querer e me inspirou a escrever, embora nem todas as músicas que ouvi enquanto escrevia estão nela, tem um cover lindo de Lover, You Should've Come Over com Natalie Maines, adorei mais do que a versão com o Jeff (no entanto, sou parcial para cantoras femininas), mas a versão dele também tá na playlist além de outras músicas interpretadas por ele: https (dois pontos) (barra dupla) www (ponto) youtube (ponto) com (barra) watch?v=UKJ3n6mwWno&list=RDUKJ3n6mwWno&index=1&ab_channel=Honkbadonk
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Capítulo 2
15 de outubro de 2017
Aquele tinha sido seu primeiro encontro, mas com certeza não foi o último. Edward estava há dois anos em Dartmouth e nunca tinha visto a garota da biblioteca... Bella, mas depois que se encontraram passou a vê-la em toda a parte. Se cumprimentavam brevemente nesses encontros vagos e fugazes. Ela estava sempre cercada por amigos, conversando e rindo. Mesmo querendo se aproximar e falar novamente hesitava; não queria atrapalhar ou parecer um esquisito.
Ele nunca tinha sido uma pessoa sociável, preferindo ficar em seu canto. Mesmo entre os de sua espécie, Edward geralmente não iniciava o contato. Seu poder também garantia que quem sabia dele permanecesse afastado querendo proteger seus pensamentos. Por isso, a ideia de se intrometer entre os vários grupos de amigos que a garota da biblioteca se encontrava o deixava nervoso para dizer o mínimo.
Não entendia muito bem esse impulso de querer falar com ela. Bella era apenas uma garota comum, como tantas outras que havia conhecido. Mas, de alguma forma, ela captou sua atenção. Em uma situação normal, ele teria sido educado, mas se retirado. Não teria incentivado a conversa ou mesmo apreciado a interrupção em sua própria leitura.
Talvez estivesse intrigado com o fato de não poder ler seus pensamentos como fazia com a maioria, mas Bella não tinha sido a única pessoa do mundo que ele não podia ler a mente. Ainda assim, se sentia atraído para saber o que ela pensava. A conversa, se é que se poderia chamar assim, foi a mais divertida que tivera em anos. Tinha estado entediado e entorpecido por tanto tempo que não tinha compreendido por alguns segundos o som da própria risada. Em uma conversa simples, Bella tinha evocado mais emoção nele do que tinha sentido em não sabia quanto tempo. E ele queria repetir a dose.
Só conseguiu encontrá-la novamente e ter uma chance de falar com ela quando estava em um barzinho perto do campus, de todos os lugares. Não era sua cena normal, mas quis relaxar um pouco e beber algo enquanto lia. Estava com o exemplar de Romeu e Julieta que Bella tinha abandonado na biblioteca. Aliás, andava com aquele livro há dias na mochila, seria uma boa desculpa para abordá-la e fazia muito tempo que havia lido o livro, talvez pudessem começar uma nova discussão sobre ele.
Quando ela apareceu em sua mesa pronta para anotar o seu pedido ficou tão surpreso em finalmente encontrá-la sozinha, que engasgou com as palavras ensaiadas por dias em sua mente e ficou mudo.
— Oi, Edward, não é?! — perguntou com a cabeça inclinada em dúvida, finalmente tirando os olhos do seu caderno de pedidos e olhando para o novo cliente.
— Sim, isso... — Agora que ela estava perto dele não sabia como iniciar aquela conversa. Ele era péssimo nesse tipo de coisa.
— Ok. O que vai querer? — Sua voz era todo negócios, mas o sorriso ainda era cálido.
— Você... quer dizer não você, você, quero dizer falar com você... — Onde estava o buraco mais próximo para os poços do Tártaro quando ele precisava de um. Apontou o livro em derrota. — Você esqueceu seu livro.
— Ah! — disse lentamente.
Seu olhar era divertido e cheio de simpatia ao mesmo tempo, Edward quis se encolher. Qual era o problema dele? Bella era só uma garota, uma garota muito legal e bonita, mas ainda assim uma garota, ele não tinha necessariamente problemas em falar com uma garota fosse ou não humana.
Talvez sua mente silenciosa lhe garantisse alguma medida de cautela em sua abordagem, afinal ele não sabia o que esperar dela e isso era um terreno novo e excitante. Provavelmente era isso. Fazia muito tempo que não precisava iniciar uma interação, estava enferrujado. O silêncio se estendeu por alguns segundos a mais que o necessário e Bella pareceu ter pena dele.
— Na verdade eu não esqueci, abandonei ele mesmo, pode ficar se quiser — disse com um sorriso irônico grudado nos lábios.
— Ah... — começou sem saber como continuar.
— Vai querer pedir alguma coisa? — perguntou olhando ao redor.
— Sim, sim, uma cerveja e... eu não sou bom nessas coisas... — Fez um gesto com a mão em uma fraca tentativa de tentar se explicar.
— De falar com as pessoas? — sugeriu com bom humor.
Riu sem jeito da situação patética que se encontrava.
— Algo assim. — O sorriso em seus lábios claramente autodepreciativo. — Mas, queria falar com você, terminar nossa conversa que foi interrompida...
— Pelo meu encontro. Ok, você tá com sorte porque meu turno acaba em... — Virou a cabeça em direção ao balcão para o relógio logo atrás. — quinze minutos. Se não tiver problema em esperar pela sua cerveja, eu trago ela por último.
— Claro, claro, espero sem problemas.
Quinze minutos depois, Bella trouxe uma bandeja com duas cervejas e um cheeseburger muito gorduroso com um pratinho de batatas fritas. Deixou tudo na mesa, levou a bandeja de volta ao balcão e tirou o avental dando ao bartender.
— Prontinho. Eu nunca te perguntei se você concordava ou não comigo, só despejei um monte de opinião em cima de você. Então, também acha Romeu e Julieta a maior história de amor de todos os tempos? Prometo não te criticar... muito duramente. — terminou dando um sorrisinho irônico.
Edward espelhou seu gesto sentido um pouco da tensão em seu corpo derreter com o sorriso dela.
— Sim e não.
Ela interrompeu a grande bocada que ia dar no cheeseburger em suas mãos, apertando os olhos.
— Explique-se.
— Acho que é a maior história de todos os tempos, sim, mas talvez não a maior história de amor. Quer dizer com trechos como esse... — Edward abriu o livro em deferência a Bella, mas esse trecho em particular ele lembrava com clareza. — "Quem é aquela dama, que dá a mão ao cavalheiro agora? Ah, ela ensina as luzes a brilhar! Parece pender da face da noite como um brinco precioso da orelha de um etíope! Ela é bela demais pra ser amada e pura demais pra esse mundo! Como uma pomba branca entre corvos, ela surge em meio às amigas. Ao final da dança, tentarei tocar sua mão, pra assim purificar a minha. Meu coração amou até agora? Não, juram meus olhos. Até esta noite eu não conhecia a verdadeira beleza."
Havia tanta paixão e intensidade em sua voz que Edward teria se surpreendido se ele não estivesse tão focado na garota a sua frente e em provar seu ponto. Conforme as palavras dançavam em seus lábios, ele afastava o olhar das páginas do livro e se dirigia à garota sentada à sua frente. Os cabelos loiros ondulados e curtos, a maquiagem escura nos olhos deixando-os azuis faiscantes como estrelas em um céu escuro, uma das mãos segurando o queixo enquanto acompanhava suas palavras com profunda atenção. Quando ele terminou, Bella suspirou fundo, como se o ar tivesse sido roubado de seus pulmões e só nesse momento lembrava que era uma necessidade física indispensável.
— Nossa... — A palavra foi mais um suspiro que qualquer coisa. Parecendo voltar um pouco a si disse: — Alguém aqui está escondendo um talento para atuação digno de Oscar, tem certeza que está estudando medicina?
Riu estranhamente satisfeito com as bochechas coradas e a forma ofegante que as palavras da garota saíram.
— Tenho certeza — disse com um sorriso.
— Acho que se tivesse ouvido um audiobook narrando Romeu e Julieta por você, minha frustração com a história seria bem menor.
— Então, acho que fiz o meu ponto — comentou com sarcasmo.
— Nunca questionei a qualidade literária de Romeu e Julieta — disse petulante voltando ao seu cheeseburguer. — Meu único questionamento era a quantidade ridícula de pessoas acharem que é uma linda história de amor, mas entendo o que você quer dizer, a poesia em cada linha é apaixonante. — concedeu por fim.
— É difícil não achar algo assim, tudo é tão intenso. Eu sinceramente acredito que duas pessoas podem se amar intensamente em uma questão de dias. O amor é imprevisível assim.
— Minha suspensão da realidade tem que ser um pouco alta nisso. Acredito em atração instantânea e até paixão, mas amor... acho que duas pessoas precisam se conhecer um pouquinho antes de trocarem juras de amor eterno para o outro.
— Então você não é uma romântica.
— Hm, não muito, mas não sou avessa ao romance. Gosto de uma boa comédia romântica pra passar o tempo, mas prefiro filmes de ação ou um drama familiar.
— E livros?
— Não sou de ler muito, sinceramente. — Ao olhar um tanto chocado de Edward a garota riu. — Eu só li o livro por causa do filme, queria saber se eles tinham exagerado com toda a fatalidade que tinha no filme.
— E acabou indignada em uma biblioteca quase vazia.
— Sim! Mas meu problema não é o romance, é o que eles fazem quando pensam que o outro morreu. Acho uma mensagem tão perigosa essa ideia "romântica"... — Fez as aspas para pontuar sua ironia — de que outra pessoa tem a chave para sua felicidade, que sem uma pessoa específica no mundo você não é capaz de sobreviver. Pra mim isso não é amor, isso não é saudável.
Edward a observou com cuidado, ela era muito veemente em suas palavras, muito séria e isso fez ele considerar as coisas sobre seu ponto de vista. Dizer que não poderia viver sem alguém era romântico, em um campo puramente hipotético, mas quando se colocava isso em um campo real, não parecia muito saudável ou certo como ela pontuou.
— Você tem um ótimo ponto. E para seu governo eu não acho Romeu e Julieta a maior história de amor, acho que ela foi uma das maiores histórias de todos os tempos e a mais memorável, uma boa advertência sobre como nosso ódio e preconceito pode realmente destruir vidas.
— E não se esqueça, uma grande advertência como a falta de comunicação pode ser mortal! Mas eu gosto da forma como você pensa, Edward Cullen — comentou antes de dar outra grande mordida em seu cheeseburguer.
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21 de janeiro de 2018
Depois daquele dia no bar em que eles conversaram até o lugar fechar, Bella pegou o celular dele e colocou seu contato. Eles trocavam mensagens todos os dias e se encontravam sempre que tinham um período livre. Edward nunca teve esse tipo de amizade, em que esperava cada mensagem trocada com uma ansiedade ímpar. Ou que o fazia rir nos momentos mais inesperados. Era leve e divertido. Eles conversavam sobre as coisas mais absurdas e assuntos sérios, assistiam filmes às vezes no quarto de dormitório dela ou então no seu apartamento perto do campus. Ele lia livros para ela, era a única maneira de fazer Bella "ler" alguma coisa.
Bella sempre o convidava para sair com seus amigos, mas ele sempre recusava. Ele nunca teve muito interesse nas pessoas, elas sempre eram tão superficiais e falsas, fossem humanos ou vampiros. Embora ele nunca tenha abordado suas questões menos que humanas para Bella, ele deixara claro seu desinteresse geral pelas pessoas, o que a fazia rir e chama-lo de idiota pomposo. Não se importava muito com a forma como ela o chamava, afinal o dizia carregada de uma desaprovação exasperada e igualmente bem humorada.
Ele conseguiu escapar de seus esforços de conseguir mais amigos para ele até que ela prometeu que aceitaria seu convite à Ópera (algo que Edward vinha tentando convidá-la desde o momento que descobriu que ela não gostava de música clássica) se ele saísse com seus amigos em uma noite de karaokê. Acordo feito, ele a levou à Ópera primeiro. Bella era uma trapaceira e sempre conseguia se safar de tudo de alguma forma. Ela o fez ver os dois filmes Duro de matar "O melhor filme de natal de todos os tempos!" e fugiu de ler O Morro dos Ventos Uivantes e O Grande Gatsby.
Teriam que viajar de New Hampshire para New York na sexta para assistirem a La Traviata no The Metropolitan Opera no sábado à noite. Se quisesse poderia ter feito alguma coisa mais extravagante como alugar um helicóptero, mas a própria noção de fazer algo assim e parece mais ainda o idiota pomposo que Bella o acusava o dissuadiu desse plano. Mas assim era melhor, eles puderam curtir um dia na cidade que nunca dorme. Passeando no Central Park, comendo em Chinatown e passando em frente à Broadway.
— Nós temos que voltar aqui e assistir Cats! — exclamou entusiasmada.
— Você não tá falando sério, né?!
— É claro que estou. Não quero morrer sem nunca ter visto Cats na Broadway. — disse agitando seus braços de modo exagerado indicando um teatro da Broadway que anunciava Frozen.
Apenas riu do seu entusiasmo, sabendo que mesmo abominando a ideia de assistir Cats em qualquer momento da sua vida, sabia que Bella tornaria essa experiência de outra forma torturante, memorável da melhor maneira.
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Edward nunca tinha visto Bella tão arrumada como naquele momento. Ela era o tipo de pessoa que ou saia de cara lavada ou colocava algum contorno bem pesado nos olhos dando muita profundidade aos olhos azuis. E quando o assunto eram roupas sempre usava o que era mais confortável. O visual completo sempre lhe dava um ar agressivo que escondia a suavidade e o bom humor que ela reservava aqueles que estavam dispostos a conversar com ela e saber o que tinha para dizer. Mas essa noite ela estava linda e como sempre inesperada. Os cabelos arrumados, usando um vestido que nunca imaginou que ela usaria, os lábios vermelhos captando sua atenção a cada poucos minutos.
— Então, como estou? — disse dando uma volta em si mesma.
— Surpreendente. — Se não fosse um vampiro a falta de ar teria explicado sua falta de eloquência.
— Achei que ouviria pelo menos um 'bonita' — comentou em um falso tom de decepção.
— Cla... claro que você está linda — balbuciou atrapalhado, olhos presos novamente nos lábios vermelho sangue.
— Assim é melhor. — A satisfação em seu tom só foi ofuscada pelo riso que havia preso em sua voz. — Agora pare de babar se não vamos nos atrasar.
Agarrou seu braço o arrastando para fora do apartamento.
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Ver Bella assistir La Traviata foi uma experiência melhor que assistir o espetáculo em si. Seu ceticismo inicial, sua curiosidade, seu interesse. As reações dela diante de cada canção e interpretação poderosa, era apaixonante para dizer o mínimo. Foi como assistir a peça novamente, mas agora pelos olhos dela. Ele mal conseguia desviar do seu semblante cada vez mais extasiado.
Sem poder ler sua mente sempre recorreu a estudar suas expressões com o máximo de atenção. Ele gostava de não poder ler sua mente, era refrescante e tornava sua companhia ainda mais cativante, porque em certo sentido o fazia se sentir normal, quase humano. Isso, no entanto, não diminuía sua curiosidade em saber o que ia em sua mente, era bom e frustrante ao mesmo tempo. Ela sempre conseguia o surpreender, mesmo que ele se esforçasse por ler sua linguagem corporal e suas expressões, ela parecia inescrutável a maior parte do tempo. Porém, naquele momento, Bella era um livro aberto, toda emoção evidente em seu rosto.
Em algum momento na apresentação ele tirou um lenço que adornava seu smoking e deu para ela antes que uma lágrima caísse de seus olhos. No intervalo da peça, eles permaneceram sentados e em silêncio na cabine vazia. Sem dizer nada a Bella havia comprado os outros ingressos da cabine para que tivessem a maior privacidade possível.
Em algum momento ela sacou o celular. Curioso como geralmente era em tudo o que envolvesse ela deu uma olhada discreta para a sua busca e viu que ela pesquisava a peça que assistiam. Sorriu, voltando sua atenção para longe dela. Quando a peça acabou, depois de Bella enxugar os olhos, saíram da cabine, foi ela que se pronunciou pela primeira vez desde o início da peça.
— Isso foi um golpe muito baixo da sua parte Edward Cullen.
— O que? Eu? — indagou com falsa confusão.
— Sim, exatamente você e não se faça de desentendido! Me fazendo sentir como a Vivian em Uma linda mulher assistindo a mesma ópera! — A indignação era claramente falsa visto o sorriso em seus lábios vermelhos.
Edward ficou alguns segundos a mais distraído pelos seus lábios, quando finalmente registrou o comentário dela.
— Hm? — Apesar da falta de eloquência sua confusão agora era genuína e isso fez Bella parar sua caminhada fazendo com que ele parasse também.
Ela o encarou por mais alguns segundos estudando suas feições. As expressões que cruzaram o rosto dela foram bem claras, curiosidade, desconfiança e finalmente incredulidade.
— Edward Cullen, você nunca viu Uma linda mulher? — perguntou pausadamente para ter certeza que ele ouvisse, como se ele pudesse perder qualquer palavra que ela dissesse.
— Hm? Acho que não, talvez... Eu realmente não lembro — respondeu com sinceridade.
— AI MEU DEUS! Precisamos remediar isso imediatamente!
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Meia hora depois os dois estavam no sofá do apartamento, que Carmen e Eleazar emprestaram para a estada deles em New York, usando roupas bem mais confortáveis assistindo Uma linda mulher. No fim, Bella chorou mais uma vez. E Edward teve que admitir que o filme era muito bom e que realmente ele tinha dado uma de Richard Gere ao levar Bella para assistir La Traviata. Em sua defesa, ele não se lembrava de ver o filme e ela aceitou seu argumento.
Depois disso assistiram outro filme protagonizado pelos mesmos atores, não foi nem de longe tão bom quanto o primeiro, mas a sensação de uma Bella adormecida em seus braços compensou qualquer coisa.
N/A: Esqueci de avisar que essa fic é uma shortfic, vai ter uns 8 capítulos mais ou menos e estarei finalizando ela com certeza. Esse capítulo já é maior e vai continuar mais ou menos assim! Me digam o que estão achando, gostaram desse passeio a Ópera ou de verem um momento Uma linda Mulher? Se gostaram comentem, recomendem, favoritem, acompanhem, sim estou imitando youtuber me processem, hahaha. Até mais!
Edit: Eu mandei sem querer o capítulo não betado, sorry.
