[Jasper]

Acabou mais um dia de aula. Cruzando a porta do meu quarto, me jogo sobre a cama sem ao menos esperar, soltando um longo suspiro ao sentir o colchão macio e as cobertas quentes. O dia havia sido muito cansativo. Apenas hoje havia tido duas provas, uma delas surpresa; embora seja muito bom em química e física – poucos, muito poucos sabem disso – eu me senti perdido com cada pergunta.

Encarei o teto cinza e sem graça do quarto, sempre quieto. Nada melhor que chegar em casa, depois de um péssimo dia, para se deitar sobre a própria cama. Me ajeitei sobre o colchão, e com extrema preguiça peguei meu telefone na mochila. Havia nada para fazer. Hoje estava de folga do Bugigangas, embora isso… não me agradasse muito. Sinto saudades de falar com Charlotte, com Henry e com… Ray.

– Que será que ele está fazendo agora?– Me pergunto, me pegando pensando em meu próprio chefe. Ainda me lembro de quando ele me empregou na Bugigangas. Era um dia muito quente… ele estava apenas com uma regata branca e molhada, usando um shorts muito folgado…

Sinto o meu rosto esquentar. Entre minhas pernas meu pênis dava sinal de vida, se erijecendo aos poucos por baixo da calça jeans. Já era quase normal isso acontecer. Há cerca de uns meses, eu comecei a ver Ray de outra maneira. As vezes, apenas queria estar ao seu lado. Me sentia tão seguro perto dele; as vezes, desejava algo mais que apenas olhar para ele. Isso acabou me mudando de uma maneira quê não sei dizer se é boa. Comecei a ter um grande desejo por ele. Era uma grande luxúria. Passava horas do meu dia sofrendo, pensando naquele homem… enquanto desejava me entregar para ele de uma vez por todas. Passava horas dos meus dias de folga apenas em meu quarto, tocando meu sexo até chegar ao ápice, sempre com aquela imagem: seu membro mole por dentro das roupas, balançando a cada movimento… meu 'eu' interior me chama de fraco, enquanto escuto a voz grave de Ray Manchester dizer ao meu ouvido o quanto me deseja. Imaginando sua língua dançando em perfeita sincronia, enquanto seus dedos me tocam de maneira suja.

Estou enlouquecendo. Aos poucos vejo minha sanidade se esvair como a areia de uma ampulheta, na qual, o lado debaixo está quebrado, impossibilitando que volte ao seu lugar. E isso está se tornando forte. Não sei dizer o que é. Esse sentimento é estranho: o desejo, a paixão! Ver ele, é o suficiente para me destruir.

Lembro quê Henry pode estar com ele a essa hora. Ele me 'cobre' na Bugigangas em dias de folga. Talvez devesse passar até lá… ou talvez ir até a Caverna Man, só para uma visitinha.

Ajeitei o moletom, a calça jeans também. Uma coisa que gosto, é cores pastel. E o moletom rosa que uso, reflete esse gosto. Ainda é algo muito novo. Me lembro quando vi esse moletom numa loja. Pedi para mamãe para que me deixasse comprar, mas acabamos discutindo. Ela dizia que isso, cores pastel, eram algo de garotos 'diferentes' – mas eu já sabia o quê queria dizer suas palavras. Depois de suplicar e fazer de tudo – de tudo mesmo, não duvidem – eu consegui fazer com que ela me desse o moletom. E aos poucos, meu guarda-roupa foi mudando. Os tons escuros que uso para ir a escola ainda estão lá. Mas quando estou fora daquele ambiente… eu sou eu mesmo!

Desci as escadas correndo, saindo de casa aos tropeços para encontrar minha bicicleta. Capacete na cabeça, pé no pedal. Sai de casa sobre os olhares da vizinha, uma mulher extremamente nojenta! Desgosta de tudo e todos, mas não consegue esquecer a vida alheia. Não esqueço o dia em que ela foi em casa. Falou para mamãe e papai que eu estava estranho. E que talvez devessem pegar firme comigo, caso contrário, poderia crescer como esses garotos que gostam de garotos. Bom, nisso ela estava certa. Eu sou um garoto, e eu gosto de garotos! Papai não curte muito essa minha nova vibe de cores pastel. Não gosta de escutar a vizinha falando mal de mim, mas ele me ama. E ele nunca me odiaria se eu fosse 'diferente'.

Depois de pedalar muito e quase me acidentar num jardim eu cheguei ao Bugigangas. A loja estava vazia, por exceção de um garoto louro, de olhos marrons e de aparência cansada.

– Henry.

– Jasper.– Cumprimentou ele em resposta. Nos cumprimentamos, sabe, batendo mãos, e logo começamos a conversar. As pessoas dizem que sou um pouco estranho. Falo sobre assuntos variados, mas dizem que sou aleatório.

– … enfim, estou estressado. Acho que tirei zero naquela prova. Tenho quase certeza de que fui mal.

– Eu também.– Murmurei sentando ao seu lado no balcão. De repente ele me encarou. Com certa raiva, como se tivesse dito algo errado. Por um tempo ficamos nos encarando, a tensão era grande.

– O que foi? Tem algo em mim, ou…?

– Você está de gozação?– Falou de repente.– Se você foi mal, eu fui péssimo! Toda vez que diz que foi mal em química ou física, você tira nota alta! Qual é?

– É, mas… eu não estudei direito para essa prova.

– E por que?– Perguntou Henry. A resposta estava lá embaixo. Perdi uma semana inteira, estudando outra coisa. Há coisas que não posso contar para ninguém. Nem mesmo a Henry.

Por um instante, pensei em contar para ele a verdade. Mas graças ao elevador atrás da gente, fui poupado desse trabalho. Charlotte surgira com uma aparência abatida.

– Ah, oi Jasper. Henry, o Ray está te chamando.– Falou ela com autoridade. O louro se foi. E alí, fiquei sozinho com Charlotte.

Por um instante ficamos nos encarando. Ninguém dizia nada. De repente, ela se levantou. Rumando em direção ao elevador, onde abriu suas portas.

– Vai ficar aí, ou não quer espiar os garotos? Acho que o Schwoz fez algo novo.

– E desde quando as invenções dele dão certo?

– Só venha.– Falou a garota de forma autoritária. Entramos no elevador, a cada segundo descendo lentamente até a Caverna Man. Aos poucos sentia meu âmago ser tomado por uma sensação estranha. Uma mistura de luxúria, e temor. Faz um tempo que tenho evitado descer a Caverna Man…

As portas do elevador se abriram. E ele estava alí. Virado de costas, conversando com Henry e Schwoz. Me permiti olhar para sua bunda. Era grande, e de aspecto arredondado.

Aos poucos minha pélvis ganhava vida, sendo escondida pelo moletom.

– Finalmente vocês desceram… Jasper, o quê houve?

– Está corado. Está se sentindo bem?– Perguntou Charlotte. Sacudi a cabeça, afastando àqueles pensamentos sujos… e respondi pronto:

– Sim. Eu estou.

Mas eu não estava. Meu interior queimava em luxúria. Tudo que queria, era pular em Ray. Não entendia, mas algo nele estava me tocando com intensidade!

Corri até o banheiro da Caverna, aos poucos deixando os outros preocupados para trás. Bati a porta com certa violência, trancando-a imediatamente ao entrar. Abaixei as calças, e lá estava. Meu membro. Rígido e pulsante, estava sensível. Maldito seja esses pensamentos sujos.

– Jasper o quê houve?