Acordei com o sol brilhando e a luz batendo na minha cara.

"Droga, esqueci de fechar a persiana"

Mais um dia de luta e ressaca.

Me levantei, fui tomar um banho gelado pra curar a ressaca mais rápido, depois de escovar os dentes e arrumar o cabelo, eu saí correndo pra chamar um táxi.

New York é uma droga nessa época do ano, e em qualquer época.

Depois de me estressar só pra conseguir um carro, cheguei na empresa, as portas automáticas se abriram pra mim e a luz do saguão de entrada nunca me pareceu tão clara.

- Bom dia indi.

- Bom dia senhorita Swan. - dei um sorriso não muito animado pra recepcionista.

Quando entrei no elevador só rezava para que as minhas preces fossem atendidas e não fosse perturbada até chegar no ateliê, mas óbvio que o universo olhava pra minha cara e dava risada.

Assim que as portas se abriram e eu cheguei no meu andar, encontro meu supervisor, que caminha alegremente na minha direção.

- Bom dia senhorita Swan. - ele me cumprimenta com um sorriso.

- Bom dia senhor Walsh, como vai?

- Muito bem, só gostaria de lembrá-la que hoje termina o prazo da escolha de qual das duas franquias que vamos pegar esse semestre.

- Sim senhor Walsh, vou me encarregar disso agora. - eu sorri e fui correndo pra minha sala.

Paz é uma coisa que você tem que merecer.

- Que coisa feia Bells, bebendo no trabalho.

Dei a risada mais sarcástica que consegui reproduzir, e olhei pro meu companheiro de departamento, Josh Caccini, meu melhor amigo e álibi pra diversas situações que preferia esquecer.

- Bom dia Joshua

- Buongiorno mia Bella, sua cara está horrível. - ele disse assim que tirei os óculos escuros e me sentei na cadeira.

- Eu sei, me sinto uma adolescente idiota, por beber no meio da semana.

- Adolescente óbvio que não, agora idiota já não posso negar. - Ele falou sorrindo de lado e passando a mão pelos cabelos pretos.

- E como foi a noite de ontem ? - Óbvio que ele sabia o que estava por vir.

- Um caos.

- Com você sempre é, levou seu alvo pra casa?

- Óbvio que não. - podia sentir o olhar sarcástico que emanava daqueles olhos verdes. - Não estava com paciência, e ele era muito... - mexi a mão como se estivesse acariciando o ar - Grudento?

Josh soltou uma gargalhada e continuou rindo até ouvirmos batidas na porta.

- Entre.

Lea do departamento de design abriu a porta e caminhou até mim timidamente, a presença de Josh deixa muitos assim.

- Sim Lea?

- Bom dia Bella, noite difícil?

- Você não faz ideia. - ela sorriu e me estendeu um copo de café.

- Obrigada Lea. - Ela se aproximou da minha mesa, deixando dois envelopes pardos e uma pequena pilha de papéis.

- Esses contratos precisam ser revisados, e as duas empresas que querem nossos serviços pra esse semestre, precisa escolher uma até o fim deste dia.

- Obrigada Lea, pode sair. - Ela sorriu e saiu rápido.

Josh se inclinou sobre a mesa e me lançou um olhar de puro tédio.

- Em qual você vai votar? Franquia de Condomínios ou Rede de hospitais?

- Primeiro não é uma rede de hospitais, eles só tem três espalhados pelo país, querem que a gente reforme e construa mais um.

- Tanto faz Bella, independente da sua escolha, vai precisar apresentar pro Walsh.

- Hospitais óbvio.

- Altruísta como sempre.

- Vai se foder Joshua. - ele me lançou um sorriso diabólico antes de se levantar e ir pra própria mesa, é uma sorte tão grande dividir a sala com ele.

"muita coisa pra fazer e pensar hoje"

Pra minha graça já era hora do almoço, o dia não estava tão corrido quanto costuma ser na BA - Descco

pra ser sincera eu estava adorando isso, no início do ano nunca é tão movimentado, até a gente pegar um trabalho grande e passar um mês todo mechendo com contrato do projeto escolhido e vendo os detalhes adicionais do que nos foi instruído pelo cliente, geralmente Walsh reúne os arquitetos e pede nossa opinião na hora de escolher o grande projeto do semestre, ele quer ouvir nossa opinião, sendo um escritório grande, acho isso pertinente.

Segui caminhando pelo refeitório, a procura dos meus colegas, e toda vez que eu fazia isso me sentia no e fino médio, definitivamente não era uma boa sensação.

Quando cheguei perto do banco de concreto gelado, no fundo do refeitório, a primeira coisa que escutei foram os gritos de Verô e os argumentos idiotas de Josh, ambos meus melhores amigos, inseparáveis, somos um trio de irmãos, fofoqueiros e sem vergonha na cara.

- Querida, não haja como se eu não soubesse, eu sei exatamente o que você está fazendo. - Verônica revirou os olhos, acenou pra mim e o ignorou completamente - está inventando desculpas pra não ir.

- Ainda está fugindo desse encontro? - eu perguntei me intrometendo, já adivinhando do que eles estavam faltando.

- Não estou fugindo, Verônica de Lima Sanches nunca foge. - ela disse isso jogando seus cabelos pretos pra trás.

- Então porque você deu o bolo nessa garota duas vezes? - Josh disse balançando o café pra misturar o creme.

- Quem é você pra me julgar Caccini? Tá tendo um caso a quase um mês e ainda não chamou o cara pra sair.

Não me segurei e soltei uma risada, o que foi uma péssima atitude já que os dois me olharam com fúria, a morte vem mais cedo pra mim hoje.

- Ora ora, parece que a senhorita Isabella Swan tem algo a acrescentar, conte por favor como foi sua noite de pecados - a voz de verônica transbordava sarcasmo - Ah, e por favor não deixe os detalhes sórdidos de fora.

- Para a sua informação querida, não que seja da sua conta, mas eu bebi, e fui ela casa.

- Isso sim é mentira, e o carinha que você deu uns pegas?

- 27 anos, muito emocionado.

Os dois soltaram uma gargalhada ridícula atraindo alguns olhares.

- Dois anos mais novo Bella, não entendo essa sua tara com idade.

- É uma coisa que conta pra mim.

- Acho que não é a idade, sim a experiência não é querida? - o olhar que verônica me lançou era carregado de segundas intenções, eu sabia exatamente o que ela queria dizer com isso.

- O que conta é a experiência mesmo, confesso.

- Bella você não presta.

- Eu faço por merecer. -Revirei os olhos e puxei os dois pra que fossemos finalmente almoçar, depois de uma sessão de discussões, chegamos em um restaurante onde finalmente aqueles dois fechariam a boca.

- Então, vocês já viram o dono do hospital? - perguntou Josh com o cardápio na mão.

- Não. - Respondi simplesmente

- Está perdendo tempo querida, ele é um gato!

- Nem me fale, pra idade dele tá ótimo.

Os dois começaram então um debate sobre quem era o homen mais bonito da empresa, eu achava engraçado e nessas situações prefiro observar de fora, o garçom chegou e me atendeu em pedir minha salada e rolinho primavera vegano, Vero me empurra pra dentro daquele debate supérfluo.

- Está tão quieta, o que foi?

Josh da uma risada cínica e responde que eu já tive macho de mais e não quero repetir a dose pelos próximos dias. Uma cobra mesmo.

- Macho de mais? Espere até ver a foto deles querida, eu não me relacionaria com nenhum, pode apostar mas não posso negar que aquele cara é lindo. Do tipo que pode te deixar deprimida e partir seu coração.*

Eu ri e disse: - Vem com a mamãe.

Ela sacou o celular e começou a fuçar até me mostrar uma foto, onde tinham uns quatro homens em pé, todos quase da mesma estatura deviam ser os tais sócios, um no meio se destacava com o cabelo em um tom quase ruivo. Tem algo nessa foto que me remete a algo mas não tem como eu saber já que nem posso ver a tal foto.

- Ok, o que é pra eu estar vendo exatamente? - Verô faz uma cara de paisagem e olha o celular, a foto que ela queria me mostrar estava meio embaçada e não carregava direito.

- Merda, acabou minha internet, mas relaxa amiga assim que a gente acabar aqui eu te mostro.

Continuamos conversando como seres humanos civilizados até acabar nosso almoço, corremos pra voltar pra empresa a tempo de aproveitar um pouco mais nosso horário abençoado.

*Referência a Friends, diálogo entre Phoebe e Monica ep