"Weren't we beautiful once?
And weren't we the beautiful ones?
I promise we were, I promise we were" — All directions, Son Lux
Ele costumava a ter os batimentos mais enternecedores. E Senritsu não precisava de uma audição refinada para saber que o único som que agora ele emitia era o de um coração partido, porque a sua dor ressoava em si mesma, ainda que em frequências mais brandas. A dor de quem perde um ente querido – não pela primeira vez.
A dor do segundo luto era ainda mais arrasadora, e trazia consigo notas de desesperança.
Para Leorio, era a confirmação da impotência, diante de todo o esforço para salvar vidas. Quando ele havia se dedicado à medicina por acreditar que assim ele não perderia mais nenhum amigo – não para a doença – ele não havia antecipado que as enfermidades mais difíceis de se curar não estavam tão associadas ao corpo, mas sim à alma. E foi com Kurapika que ele teve que aprender essa terrível lição.
Secretamente, ela havia guardado uma grande admiração pela sua singela melodia. Uma admiração que evoluiu para um anseio tão persistente quanto a sua determinação em encontrar a Sonata das Trevas e destruí-la; um sentimento que deu um novo sentido para a vontade de recuperar a antiga forma de seu corpo. Mas agora que a havia finalmente resgatado, o desejo já não era o de outrora, assim como a melodia também já não era a mesma.
Olhando a própria imagem no espelho, ela também não conseguia achar a beleza que antes possuía; não em sua aparência original. Com esta, sua incrível sensibilidade já não mais existia. Se havia sido uma troca justa, ela não saberia dizer. Mas talvez fosse melhor assim, já que tudo o que seus ouvidos sensíveis poderiam ter escutado eram os ecos intermináveis da miséria.
Ou era o que ela pensava, incapaz de ouvir os apelos mais sutis e derradeiros.
