Quando deu por si estava desorientada, a floresta escura e densa em vegetação. Então ouviu uivos ao longe. As memórias correram na sua mente. Ela sabia que não tinha chance, tinha de encontrar um trilho ou pelo menos ter um cavalo para fugir rapidamente. Ela ia morrer naquela floresta, longe de todos, nunca recordada por ninguém. Mas que opções ela tinha? Voltar para o Diabo? O mal? Ela começou a chorar novamente e encostou-se numa árvore. Ela tinha perdido tudo e permitiu-se cuidar da primeira pessoa que apareceu, mas ela sempre teve azar no amor. O Daniel era possessivo e o Lucifer… bem… ele era o Satanás…

Ela respirou fundo para se acalmar. Ela já estava perdida, ela tinha uma matilha por perto e um palácio com o diabo lá dentro. Ela não tinha muitas saídas, a morte seria certa se ela não tentasse lutar. Ela voltou a caminhar no chão muito irregular.

Um uivo foi ouvido mais perto. Chloe! Ela também ouviu mais longe, era o Lucifer ela reconheceu. Não… ela não ia voltar com ele, ela não podia voltar.

Ela encontrou o cavalo. "Hey rapaz!" Ela aproximou-se do seu cavalo que ela pensava já ter sido devorado pelos lobos há muito tempo. "Vais ser a minha saída." Ela sorriu brevemente antes de o montar e começar a galopar. Ela não podia deixar de pensar na sua sorte. Mas logo isso acabou quando um grupo de lobos estava na sua frente e então estava cercada. Um arrepio percorreu a sua coluna, ela sabia como seria… não tinha escapatória. Quando os lobos avançaram o cavalo deixou-a cair. Ela gemeu de dor, a perna dela tinha suportado a queda e agora a dor já se tinha instalado na parte superior do quadril. Não… não… não…

O cavalo estava tão agitado que ela temeu que ele a pisasse. Muito antes de se tornar uma ameaça para ela o cavalo acabou por se escapulir. Os lobos já salivavam e ela tinha a certeza que para além do tamanho e pêlo negro, os olhos também brilhavam num tom avermelhado.

Um dos lobos estava focado nela. Ela começou a tremer. O lobo saltou sobre ela nesse momento, ela desviou o olhar da besta. Não podia ver o seu fim, mas nunca chegou. Foi rápido, ela viu o lobo bater na árvore para a qual ela olhou. Quando voltou a erguer o olhar o Lucifer estava na sua frente. "Estás bem? Podes andar?" Ele perguntou.

"Não." A voz dela tremeu. Ainda lhe custava olhá-lo diretamente.

Muito antes que ele se aproximasse, os lobos circulavam o que tinha sido arremessado agora duplamente raivoso. "Sacos de pulgas idiotas." Ele disse olhando para os lobos que agora se dirigiam a ele. "Ela não é vossa." Ele diz.

Ela olhou entre eles, como se ele se estivesse a comunicar com o lobo que avançou.

"Como se atrevem a me desafiar." Ele diz furioso. Ela tremeu, ele era imponente perante o desafio. "Por cima do meu cadáver imortal."

"O que se passa?" Ela perguntou a medo tentando ficar de pé agora que o foco não era ela.

"Bem… os lobos na verdade são Hellhounds, cães do inferno. O meu Pai colocou-os aqui, mais um pequeno detalhe para tentar impedir-me de quebrar a maldição."

"Que maldição?"

"Um bando de Hellhounds aqui e tu queres saber da maldição?"

Toda a situação era tensa. Ela olhou para os lobos. "Podes falar com eles?"

"Eles querem-te." O Lucifer foi dominante nessa parte. Ele colocou-se na frente dela protegendo-a de qualquer ataque. "Não te preocupes querida eu não vou deixar." Ele sorriu por cima do ombro, mas na verdade era assustador.

O lobo/Hellhound aproveitou essa oportunidade para atacar à traição mordendo-lhe o braço. O gemido de dor dele era assustador e mais uma vez o lobo voou, mas voltou quase tão rápido como foi jogado. A luta podia se dizer épica se a vida dela não tivesse em jogo, mas no final um estalo doentio e um Hellhound imóvel no chão anunciou o fim de tudo. O animal estava morto, o Lucifer visivelmente desgrenhado pela luta. O resto da matilha rendeu-se em submissão, não querendo desafiar o líder, Senhor do Inferno. "Ela é minha!" E tudo ficou negro para ela.


Ela sentou-se de repente assustada e desorientada. Quando olhou à volta reconheceu o quarto, era o mesmo que ela ocupava como hospede no palácio de Lucifer. Ela olhou para a janela, a lua e o céu estavam estrelados essa noite. Já é noite.

Ela levantou-se, o que ela ia fazer não sabia, mas a cada segundo sentia-se mais confusa.

A maçaneta do quarto rodou e ela encolheu-se. Fingir que estava a dormir estava fora de questão, ela não tinha tempo. Ela correu para um canto olhando para a porta abrir. Era Ella. "Por favor não…" Ela diz em pânico.

"Descansa, eu não vou fazer nada contigo." Ela diz trazendo um carrinho de servir. "Pensei que terias fome." Ela diz apresentando os pratos.

Chloe aproximou-se cautelosamente, mas manteve uma distância. "Vocês são demónios?"

"Sim, mas Chloe nós numa faríamos nada para te prejudicar."

Chloe deu um passo mais perto. "Eu estou tão confusa… eu acho que desmaiei." Ela levou a mão à cabeça.

Ella olhou para ela com estranheza. "Estás doente?"

"Não, eu acho que estou bem. A minha perna não dói."

"Ótimo, seria um desastre… se não conseguimos cuidar do Lucifer imagino um humano." Ella diz.

"O Lucifer?" Ela perguntou menos ansiosa… se fosse para estar morta ela sabe que já estaria. Ele protegeu-a, mas porquê?

"Ele está ferido. E ele nunca está ferido. Imagina… o Diabo ferido… ele é imortal." Ella começou a tagarelar. "Ele disse que está bem, mas eu nunca o vi assim. Ele parecia fraco quando chegou aqui contigo ao colo e inconsciente. Ele fechou-se no quarto dele, mas nós sabemos que não é um bom sinal. Na última vez que o vi assim…" Ella parou.

"Na última vez?" Chloe quis sabes.

"Bem… ele era um arcanjo perfeito assim como viste no retrato, mas então o seu próprio pai praticamente queimou-o vivo e condenou-o a viver assim. A pele nunca cicatrizou ao ponto de voltar a ter a sua beleza de volta. Foi horrível Chloe." Ella explica.

Deus… tudo é real, inferno, paraíso, Deus… ela foca, não havia nada a fazer sem ser tentar viver a sua vida da melhor forma. Talvez não pecar e nem ser amiga do Diabo… mas para isso era tarde de mais, mesmo como esse conhecimento ela não podia deixar de sentir. Ela ainda se importava com ele, mesmo que apenas um pouco. "Que horror… isso é a maldição? Ele falou em maldição."

"Bem a maldição envolve uma clausula. É a sua única esperança em voltar a ser o que ele foi um dia."

"Mas ele é o Diabo… ele… não devia estar no inferno?"

"Sim, algumas coisas não ficaram claras… no final do seu tempo o Lucifer pode ser exilado no inferno ou ser completamente eliminado de toda a existência."

"Eliminado?"

"Sim, sem Céu ou Inferno. Ele deixará de existir. Ele acredita que será assim." Ella diz.

Isso era muito para processar. E ela ainda nem sabia o que poderia dar essa esperança de voltar a ser um anjo. Ela preferia deixar passar esse detalhe… talvez ele tivesse de fazer um sacrifício com humanos e sangue, coisas macabras que ela não queria ouvir.

"Então ele está ferido agora?"

"Sim, acho que sim." Ella diz.

"Ella… se eu quiser posso voltar para casa?" Ela perguntou.

Ella concordou. "Os Hellhounds estão sobre o comando do Lucifer. Nenhum deles te fará mal. Podes sair agora se é isso que queres."

Chloe estava num dilema. Deveria sair? Deveria ficar? Deveria ir falar como o Lucifer ou ficar no quarto? Mas o seu lado mais humano dizia que não o podia deixar. Ele ajudou-a, ele estava ferido por ela e ela não lhe deveria dar o ombro frio. Ele salvou-lhe a vida e ela ficar-lhe-ia grata eternamente mesmo que ele fosse o Diabo. Mesmo que ele quisesse a sua alma em troca.

"Vou deixar-te comer e descansar." Ella diz.

"Espera!" Ella olhou para ela intrigada. "Ele vai ficar com a minha alma em troca por me salvar a vida?"

"Que disparate." Ella diz. "O Lucifer costumava fazer um acordo que podia cobrar mais tarde, mas ele não faz nada disso há muitos, muitos anos. Ele costumava punir más pessoas às vezes, mas nunca ficou com alma nenhuma. Ele não pode matar, é uma regra. E não se deve mexer com o equilíbrio, ele nunca trouxe ninguém à vida também."

"Então o Diabo é só isso? Uma figura? Que na verdade não pode matar, mas já puniu o mal?"

"Realmente vocês humanos gostam muito de contar histórias sobre ele, mas nunca conheci ninguém mais honesto e bondoso do que ele." Ella diz pensativa, como se os anos passassem à frente dos seus olhos.

A loira não sabia o que pensar, honesto e bondoso não eram adjetivos que as pessoas usavam para descrever o Diabo. Mas pensando melhor, ele foi exatamente isso com ela. Ela podia acrescentar gentil à lista, brincalhão em certos momentos e obsceno em outros. Ele tinha uma personalidade forte e ela gostava disso. Ela tentou se concentrar novamente. "Obrigado Ella, de verdade." Chloe diz.


Obrigado pelo comentário Guest. Eu sei que a história é previsível, mas estou a tentar fazer uma versão um pouco mais enquadrada no universo de Lucifer. Fico feliz por estar a fazer um bom trabalho com isso. :)