Me chamo Hinata, tenho 17 anos e aos 8 fui diagnosticada com transtorno de ansiedade social e bipolaridade. No início foi difícil para todos, todos subtende-se meu pai, mas ele acabou transferindo toda carga, raiva e responsabilidade emocional sobre o ocorrido para as medicações e psicólogos que me acompanhavam. Guardem essa informação que mais tarde volto a falar sobre ela.
Então, acho que eu to no meio de uma crise.
Uma das técnicas que minha médica me ensinou, seria narrar o que estava acontecendo durante uma crise, para que assim, eu pudesse organizar os acontecimentos e pudesse retomar o controle sobre a situação. E é o que e tento fazer nesse momento, porém, acredito que não vai funcionar nem um pouco essa merda, já que me encontro no chão do meu quarto convulsionando, às 15:26 de uma tarde de quinta-feira de um belíssimo dia quente do verão, me afogando durante meu próprio vômito, enquanto minha irmã caçula grita por ajuda desesperada, me vendo ter minha primeiríssima overdose. Foda. Não vai ter medicação ou psicólogo que consiga tirar o ódio do meu pai direcionado a mim se eu sobreviver a essa merda.
9 anos atrás
Seria meio bizarro uma criança contando o que vou dizer, mas acredito que essas lembranças são só a minha mente relembrando pedaços da minha vida enquanto caminho para morte, então tecnicamente eu continuo narrando.
Bom, essa sou eu aos 8 anos, um dia antes de meu pai desistir tentar me corrigir através de tarefas físicas e mil professores e me renegar e considerar somente minha irmã como sua filha e querer me entupir com máximo de medicações possíveis.
Eu me encontro desmaiada, após a professora pedir que eu pendurasse minha atividade junto com a dos outros coleguinhas, que já tinham feito inclusive e eu ter uma crise severa de ansiedade e meu corpo não ter a mínima ideia e me nocautear.
Acordo mais uma vez na enfermaria, eu vou parar lá pelo menos umas 9x na semana, a diferença é que dessa vez a enfermeira parecia muito brava discutindo com o meu tutor, provavelmente meu pai se recusou a comparecer na escola pra tentar resolver meus problemas inúteis de desmaio.
"Vocês precisam levar essa garota ao psicólogo! Gente, isso não é normal. Essa menina entra mais vezes nessa enfermaria do que os profissionais dessa área…" ok, doeu, eu achei que eu era querida aqui e logo eu fui ignorando tudo que ela falava. Não precisava de mais alguém com raiva de mim. Continuei encarando o teto até que ele acabou virando o rosto do meu tutor que me ajudou a levantar e pegou minhas coisas para irmos para casa.
No outro dia, lembro de estar em uma sala bizarramente colorida com um teto branco e ter sido questionada por horas, dias, e lembro da médica do sorriso mais branco que eu já vi me encarar e dizer "Isso aqui vai te ajudar, tudo isso logo passará e você estará curada" ela decidiu que devo tomar algumas pílulas coloridas e encontrar com ela uma vez por semana, pelo resto da minha vida…
Eu não acredito que todos naquela sala, acharam completamente normal entupir uma criança com medicações que inibem todo e qualquer sentimento possível. Nossa, era uma completa merda. Tudo bem que eu não era o ser mais sociável do mundo, mas, nossa! eu me sentia um pedaço de folha que só fazia as coisas no automático. Tudo bem também que melhorou absurdamente meus desmaios por crise de ansiedade e que finalmente eu parei de ter tanto roxo pelo corpo devido às quedas e finalmente me permitiu 2 anos depois conhecer meus amigos atuais.
Ta, teve suas vantagens, principalmente quando diminuíram a quantidade e eu "aprendi a lidar melhor com eles" (Se eu realmente tivesse aprendido acho que eu não ia escalonar a situação e não estaria agora morrendo). Não sei porque comecei falando disso com tanta raiva...é não faço ideia. Enfim, os medicamentos me permitiram socializar, em parte, depois e eu acabei conhecendo meus amigos atuais: Konan, Temari, Amaterasu (que são 1 anos mais velhas) e Tenten da minha turma que me ajudou absurdamente a tirar a imagens aterrorizante que as outras crianças tinha de mim.
Eu nunca vou esquecer o dia que ama, nos seus 11 anos, veio correndo até mim no final da aula com o sorriso mais lindo que alguém me direcionou e me disse: "Hina, nós nunca - ela apontava para as meninas- vamos ''beeep'', acredite em mim, você "beeep"! Nós te "beep"."
…
Pera, ela não disse isso.
POV-off
Todas suas lembranças foram engolidas por uma escuridão absurda, sua garganta queimava, seu corpo doía, seus pulmões pareciam que tinham sido arrancados com toda força do mundo e seus olhos, por mais pesados que estavam, juntou forças suficiente para conseguir abrir e Hinata encarou um teto branco.
"Se eu fosse você, pouparia toda energia para sair logo disso aqui." - Disse Hiashi enquanto se levantava e saia da sala do hospital.
POV-on
Hinata juntou o máximo de ar que permitia no momento em seus pulmões e respirou fundo.
"merda."
Ela tinha exagerado dessa vez.
