Meu primeiro contato com o álcool foi logo após a morte da minha mãe. Os adultos estavam ocupados demais para dar atenção a uma criança esquisita e nem perceberam quando eu ia recolhendo seus copos e bebendo o resto que se encontrava neles.

Eu odeio álcool mas infelizmente é a forma "não espalhafatosa" e mais barata de esquecer meus problemas quando não consigo acesso às drogas.

Sim, eu uso drogas e tenho as minhas favoritas.

pacientemente

A bala, a famosa droga do amor ou ecstasy é uma droga psicoativa, conhecida quimicamente como 3,4-metilenodioximeta bla bla bla. Não interessa. A cocaína me proporcionou coragem e euforia que eu jamais imaginei ter, LSD eu achei uma merda. Após imaginar que o meu quarto estava me engolindo e simplesmente sair correndo pelada pelo jardim de madrugada.

O importante é o que elas me fazem sentir, diferente do álcool que me deprime e me nocauteia, as outras me dão toda a euforia e coragem que eu preciso pra vida, por um momento a eu não preciso me preocupar com a carga emocional que eu carrego nos meus ombros, posso tirar meus sapatos e sentir toda vibração que o mundo emana entrando por meus dedos, subindo por toda minha pele, passando no meu umbigo, entre meus seios, sinto minha garganta fechar sentindo toda aquela energia subindo e subindo e se espalhando por cada fio de cabelo ou pelo que se encontra em meu corpo… por umas horas.

Bom, até a realidade voltar e eu me sentir um pedaço saco vazio e ficar com a boca toda machucada por causa dos impulsos musculares e ...

Ah, você quer saber o que teve no hospital né? Desculpa, eu me perco nos pensamentos e acabo tentando explicar coisas que já sei.

Bom, eu passei alguns dias lá até me recuperar totalmente, o que foi legal até, conheci alguns funcionários e por mais estranho que parecesse eu me sinto bem em ambientes hospitalares. Então, o hospital foi legal até o dia que eu recebi alta e meu pai decidiu me enfiar em uma clínica de reabilitação durante todo o verão.

Pois é, bem vindo outono! Não me importo tanto com o verão, o clima seco e quente é horrível pra tentar andar com os casacos que eu uso mas sim continuando.

Hoje é o dia que retornei pra casa e acabou que meu pai implantou algumas novas regras:

Estou terminantemente proibida de sair sozinha ou passar muitas horas sem supervisão.

Obviamente é proibido qualquer tipo de droga ou álcool próximo a mim

Estou proibida de falar com minha irmã

Escola - Casa (Sorte, porque eu realmente achei que ele ia me obrigar a estudar em casa)

Não posso ir a festas, encontros, piqueniques ou qualquer confraternização que envolva mais de 2 pessoas.

Pra ser sincera nada disso faz diferença alguma, bom, quer dizer, eu tô contando isso as 03:37 de um sábado qualquer enquanto pedalo tranquilamente na minha bicicleta voltando da festa na casa daquela garota Yamanaka.

O que minha família não sabe é que eu fujo e casa desde os 13 anos e eu conheço aquele lugar como a palma da minha mão, como se eu pudesse olhar além deles, das paredes, eu consigo domar aquele local e usar ele a meu favor. Então, fugir dali não era a tarefa mais difícil do mundo.

Apesar de todo controle sobre mim agora, uma coisa que sempre respeitaram de certa forma, é não espionar, então todas as vezes eles sempre anunciam quando estão entrando ou saindo do meu quarto. Durante os últimos dias, fiz questão de ficar imóvel na cama por horas, sem fazer absolutamente nada, então quem entrasse a noite por um acaso acharia apenas que eu estava dormindo ou no meu mundinho obscuro.

As vezes eu penso que eu poderia redirecionar todo esse meu esforço pra algo realmente…

"Porra!" - uma hora eu estava olhando a pista outra eu estava capotando com a bicicleta em uma moita.

"Caralho, essa foi a queda mais feia que eu ja vi alguem tomar assim do nada, você ta bem?"

Um garoto se aproximava do meu corpo capotado e levantava a bicicleta.

"Você consegue levantar sozinha?"

Então, eu não conseguiria levantar sozinha por motivos de: eu estou muito drogada.

1 hora mais cedo.

"Ei, kabuto!"

O local tava um barulho absurdo, além do calor tinha vários adolescentes com muito hormônio guardado sendo liberado através do álcool e se esfregando em cada canto possível da casa.

"Ei, Hinata! Nossa, eu pensei que você tinha morrido" - o garoto se virou me encarando como se tivesse vendo um et

"Não, tava na reabilitação, falando nisso, tem algo aí que você possa me vender?"

"Hm… a ideia da reabilitação no caso... não é você ficar limpa?"

"Você não vai vender, né?"- levemente decepcionada

"Seu primo ficou um mês na minha cola enchendo o saco, prefiro não ter mais gente envolvida nisso, desculpa garota.."

Merda, que inferno.

"Eu pago o dobro"

"Desculpa baixinha, você deveria aproveitar o tempo que ficou lá e tentar realmente ficar sóbria… você tem que admitir que não tem limites e além disso, eu não quero ser envolvido na morte da primogênita Hyuuga"

Sai da sala me esquivando de umas pessoas muito puta. Um traficante querendo me dizer o que fazer ou não. Mas que caralho! Eu precisava daquilo, eu não quero voltar a ser refém dos remédios. Eu precisava ficar alta mas como? Se kabuto ta aqui significa que não vou achar nenhum vendendo em um raio de 3km. Orochimaru era organizado em relação a seus vendedores...merda

Me esquivei de mais algumas pessoas e fui na cozinha tentar pegar algum álcool. Fazer o que né? Só tem tu. Peguei uma garrafa de vodka menos que a metade e fui bebendo no gargalo mesmo até a parte dos fundos da casa.

Uma das vantagens de ser taxada como tímida e introvertida na escola é que as pessoas não fazem mínima ideia da sua existência então isso te permite transitar entre elas sem ser notada. Dei mais uns goles até chegar no que parecia o quintal da casa, bebi até sentar em um dos bancos que tinha ali disponível. A minha direita tinha um garoto, um pouco estranho, puxando um saco plástico de dentro das calças.

"um saco em um saco, irônico.. ei você."

O menino largou o saco rapidamente e virou pra mim o mais rápido.

"200 pelo saco"

"o-o que?"

"te dou 200 se você me der o que tem ai. O cara de cabelo cinza e óculos redondo vai te vender o mesmo por menos e sobra um dinheiro pra você fazer o que quiser. Vai vender ou não?"

Então. Ele me vendeu. Não acredito que dei 200 por um pouco de cocaína.

A raiva foi substituída pelo ecstasy da droga no meu corpo, usei a quantidade que tinha ali, que não era muita, joguei a garrafa em um carro qualquer que tava ali, foda-se e fui feliz pegar minha bicicleta.

A mistura não é tão legal, mas eu me sentia bem naquele momento, não importava se ia acabar daqui a umas horas, quem se importava? Eu me sentia viva. O vento frio tocava o meu rosto e fazia meu cabelo voar no ritmo dele.

Sentia ele entrar por minhas roupas e me abraçar da forma gelada que só ele podia me proporcionar. Abri meus braços e não importava meus problemas, o que meu pai ia achar, se ia descobrir que eu fugi, com o vazio que me consumia cada vez mais...

"Ei, eu to falando com você? Você vai continuar me ignorando?"

"Acha que se estivesse tudo bem eu estaria caída no chão?"

"Não sabia que era tão grossa assim Hinata"

Ok, a pessoa parecia me conhecer, mal sinal. Me levantei do meio do arbusto e tentei tirar umas folhas que ficaram presas no meu cabelo.

"Eu estava dirigindo tranquilamente já que você decidiu ignorar a buzina do meu carro . EU acho que pra andar de bicicleta com os braços abertos tem que ter o mínimo de controle."

Ah, foi isso que aconteceu. Peguei minha bicicleta de volta da mão dele e vi um carro aceso parado atrás do garoto.

"Um "De nada Sasuke" não ia fazer sua boca cair."

Eu mudei o foco para o rosto do garoto na minha frente, ele parecia ser bonito, o cabelo era estranho mas o rosto era agradável

"Vai ficar me encarando ou vai por a bicicleta no carro? vou te dar uma carona, tem muitos arbustos no caminho até sua casa e se você for cair em cada um deles vai se matar e eu não quero conviver com essa culpa"

Eu realmente não prestei muita atenção no que ele disse porque eu estava concentrada em parecer sobria. O garoto colocou minha bicicleta na parte de cima do carro e ficou me encanrando.

"Vai entrar ou quer que eu te carregue?"

Eu disparei e entrei no carro o mais rápido possível, merda, encarei minha perna que se encontrava toda arranhada por causa dos galhos, merda, meu pai ia perceber…

"O que você tava fazendo pedalando uma hora dessa sozinha? É perigoso sair por ai sozinha sabe?"

Merda, ainda ia durar algumas horas, eu não ia conseguir dormir, precisava de uma desculpas parar justificar os machucados e o pior… como ela pode se esquecer?

"Ei, você ta me ouvindo?"

Hinata ignorou todo discurso que o menino dizia desde que se tocou que tinha caido de bicicleta e ela precisava urgente resolver seus problemas antes de chegar em casa

"Ei, você me vende sua urina?"

Sasuke freou o carro bruscamente e virou pra menina.

"O que?"

Hinata tinha esquecido da 6ª regra implementada por seu pai: Toda manhã ele fazia teste de drogas com a urina dela.

Merda!