N/A: Olá! Talvez alguns de vcs ainda sem lembrem de mim ou dessa fic que eu comecei em 2011 e sofri um bocado com bloqueios criativos. Bom, resolvi retomar a história e, para isso, estou reescrevendo desde o começo (afinal, meu estilo de escrita deu uma leve evoluída de 2011 para 2020). Ler a obra original ajudou um bocado também (quando eu comecei a fic, só tinha visto o filme americano). Sem mais, vamos à fic.
oOoOo
1. Nova vida
A pequena estação da cidade não costumava receber muitos viajantes, foi o que aquele jovem italiano reparou ao desembarcar do trem. Era uma cidade pequena e, para o rapaz que havia crescido em Nápoles, parecia bem entediante. Não que fosse uma escolha dele se mudar para uma cidade pequena no interior da Suécia, mas seus pais haviam morrido e ele fora mandado para viver com um primo. Um primo que ele mal conhecia, mas que era seu único parente vivo que conseguiram encontrar. O rapaz olhou em volta, procurando por alguém, mas…
Como posso procurar por alguém que nunca vi na vida?
Felizmente, ele não precisou pensar em como faria para encontrar o primo, pois ouviu alguém chamando seu nome.
‒ Ângelo?
O italiano se virou para ver quem o chamara e viu um homem acompanhado de um garoto que parecia ser da sua idade. Pelo visto, aqueles eram seus parentes distantes. Foi até eles, carregando sua mala.
‒ Sou eu. E vocês são…?
O homem o cumprimentou e pegou sua bagagem.
‒ Eu sou Shion, primo de sua mãe. Deixe-me ajudá-lo com isso.
Ângelo aceitou a ajuda, estava cansado de carregar aquela mala pesada. Shion continuou:
‒ Este é meu irmão, Mu. Acho que vocês têm a mesma idade.
Mu sorriu, cumprimentando o primo, que sorriu de volta. Os três seguiram até a saída da estação, onde pegaram um taxi até um pequeno condomínio. Quatro prédios baixos, de dois ou três andares, em volta de uma pracinha com um playground simples, com dois balanços e um gira-gira. Algumas árvores, secas por conta da estação, cercavam o local. Tudo, assim como o resto da cidade, estava coberto de neve.
‒ Aqui neva o ano inteiro? – Perguntou Ângelo, meio desanimado.
‒ Não. – Disse Mu. – Não temos neve no verão. – E riu. – Parece que vai ter que se acostumar com o frio.
‒ Parece que vou passar um bom tempo dentro de casa. – O italiano disse, mais desanimado ainda.
Sentia falta do calor da Itália, da cidade grande, com muitas pessoas na rua. Ali não parecia o tipo de lugar em que ele teria alguma diversão.
O taxi parou na entrada do condomínio e Shion pagou a corrida antes de descer e pegar a mala de Ângelo, que desceu logo depois de Mu.
‒ Moramos no segundo andar do prédio 2. – Mu apontou para uma das janelas. ‒ Venha, vamos lhe mostrar a casa.
Ele seguiu os outros dois até a entrada do prédio, mas antes de entrarem, alguém chamou por Shion. Dois homens idênticos se aproximaram e um deles cumprimentou o mais velho.
‒ Olá, Shion.
‒ Olá Saga. Kanon. – O outro, mais atrás, respondeu com um aceno de cabeça. ‒ Acabei de buscar meu primo na estação, vai morar comigo a partir de agora.
Kanon riu.
‒ Arranjou mais um pra cuidar, é?
O outro gêmeo, sério, cumprimentou o italiano.
‒ Não se importe com meu irmão. Eu sou Saga, moro no prédio da frente, o 4. Como já disse para Shion e Mu, pode me procurar caso necessite.
‒ Obrigado.
Enquanto isso, Kanon se virou para Shion.
‒ Viu o que saiu no jornal de hoje? Aconteceu de novo, dessa vez aqui perto.
‒ E não há nenhuma pista?
‒ Assim como das outras vezes, nenhum rastro.
Shion percebeu que Mu e Ângelo escutavam com interesse e mandou-os para o apartamento.
‒ Mu, mostre ao seu primo onde ele vai dormir. Eu vou subir daqui a pouco.
Mu saiu a contragosto, junto com o primo. Subiram até o segundo andar do prédio 2, que tinha três andares, e entraram no apartamento 22b.
‒ Não sei por que o Shion não me deixa participar do assunto. É como se eu não tivesse 17 anos.
‒ Você tem 17?
‒ Sim, por quê?
‒ Achei que fosse menos. Eu também tenho 17. Acho que vamos estudar juntos.
O jovem loiro ficou aborrecido por aparentar uma idade menor, mas se animou ao pensar que teria um companheiro de sala. Mostrou o apartamento, que não era muito grande, para Ângelo. Tinha três quartos pequenos, um banheiro, cozinha e sala. Mu mostrou um dos quartos, o último do corredor.
‒ Esse é o seu quarto, Ângelo.
Ele entrou e observou em volta. Era um quarto simples, com uma cama de solteiro, um armário embutido e uma escrivaninha embaixo da janela, que possuía uma pequena sacada com uma jardineira. Em temperaturas mais amenas, era um bom lugar para plantar algumas flores.
‒ É aconchegante. – O jovem italiano comentou, fazendo o primo dar um leve sorriso. – É sério, não preciso de muita coisa.
‒ Que bom. Fiquei preocupado de termos um apartamento muito pequeno, mas fico feliz que você tenha gostado. Bom, o quarto do lado é o meu e o Shion dorme do outro lado do corredor. Se precisar de qualquer coisa, dá um grito.
‒ Ok.
Os dois riram e Mu começou a sair do quarto, quando o italiano o chamou de volta.
‒ Aqui... Você por acaso sabe do que aqueles gêmeos estavam falando com o seu irmão antes dele mandar a gente subir?
‒ Ah, sim... – O semblante dele ficou mais sério. – Desde o mês passado tem acontecido casos de assassinatos sem solução. A cada duas ou três semanas a polícia encontra um corpo em um local relativamente isolado.
‒ Um mês de assassinatos e nenhum suspeito?
‒ É isso aí. Mesmas características em todos os crimes, parece o trabalho de um serial killer, mas não há nenhuma relação entre as vítimas, nenhum padrão. O único "padrão" que perceberam foi que as pessoas mortas estavam sempre sozinhas.
Parece que esse lugar não é tão tedioso como eu pensei.
Shion chegou logo depois com a mala de Ângelo e Mu o ajudou a organizar as coisas no quarto. Mais tarde, Shion os chamou para jantar e os três conversaram sobre o dia seguinte, sobre a escola que o italiano ia passar a frequentar. Ele iria para a mesma escola de Mu, o que já seria uma boa ajuda na questão de adaptação, mas reparou que o garoto não parecia gostar de falar da escola. Deixou isso quieto, conversaria mais com Mu no dia seguinte, até porque Shion mandou os dois garotos para a cama.
‒ Vai ter um longo dia amanhã, Ângelo. Acho melhor você ir descansar.
‒ Ok. Boa noite.
Mu disse o mesmo antes de irem cada um para seu quarto. Ângelo arrumou a cama e foi fechar as cortinas quando viu alguém sentado em um dos balanços. Uma menina vestindo um casaco cinza, parecia olhar para o chão e balançava levemente. Os longos e ondulados cabelos loiros reluziam, mesmo de noite. O garoto reparou que ela estava descalça, mesmo pisando na neve. Ela olhou na direção da janela e ele logo se abaixou. Não queria ser visto espiando. Quando olhou novamente, ela não estava mais lá.
Droga.
Ele fechou as cortinas e apagou a luz antes de se deitar. Até dormir, ficou pensando naquela menina, se perguntando se a veria de novo e por que ela estava sem sapatos.
No dia seguinte, acordou cedo, pois Shion ia acompanhá-lo até a escola para fazer sua matrícula. A escola não ficava longe e Mu costumava ir à pé, mas já que o irmão mais velho ia até lá, ele aproveitou a carona. Ângelo notou que o primo estava um pouco nervoso, mas achou melhor perguntar depois, quando estivessem sozinhos, e não disse nada.
Na escola, depois de resolvidas as questões de transferência e documentos, Ângelo foi levado até sua sala, que era a mesma de Mu. A professora, Hilda, apresentou-o para a classe.
‒ Este é Ângelo Vettra, o novo colega de vocês. Ele chegou da Itália há pouco tempo, então sejam gentis para que ele se acostume. – Ela se virou para ele, sorrindo. – Se quiser dizer alguma coisa, pode dizer.
‒ Não, obrigado.
‒ Certo, pode se sentar ali, ao lado do Mu. Assim você se sente mais à vontade.
Ele se sentou no lugar indicado por ela e, quando teve uma chance, logo comentou com Mu.
‒ Essa professora é bem simpática, não?
‒ Sim, é uma das que mais gosto. – Ele respondeu. – Sem contar que literatura é minha matéria favorita e… Ai!
Alguém acertara uma bolinha de papel bem na cabeça de Mu. Os dois olharam para trás e viram quatro garotos que riam disfarçadamente no fundo da sala. Um deles, que tinha os cabelos tingidos de rosa, cochichou alguma coisa para o ruivo ao seu lado e eles voltaram a rir.
‒ Quem são aqueles ali? – O italiano perguntou.
‒ Ninguém. Só uns garotos que enchem o saco de vez em quando.
Ângelo não foi com a cara deles. Olhou para trás mais uma vez e viu que o garoto de cabelos rosa ainda o encarava. Voltou a olhar para a frente, agora com toda a certeza de que não tinha ido com a cara deles.
No final da aula, os dois primos estavam indo pegar suas coisas nos escaninhos quando tiveram o caminho barrado pelos quatro garotos do fundão. O de cabelo rosa, que parecia ser o líder deles, se aproximou.
‒ Quem é esse, Muzinho? Seu novo namorado?
Os outros começaram a rir. Ângelo viu que Mu parecia encolhido contra a parede, evitando olhar para os garotos. De repente, o garoto que provocara Mu foi empurrado contra a parede com a mão de Ângelo em seu pescoço. Os outros olharam assustados, mas quando fizeram menção de se aproximar, o líder fez sinal para que não chegassem perto.
‒ Fez bem, engraçadinho. – Disse Ângelo, ameaçador. – É melhor não chegarem perto do meu primo de novo, ou vão descobrir por que na Itália eu era conhecido como DeathMask.
Ele soltou o garoto, que saiu correndo junto com os outros. Depois, se virou para Mu.
‒ Não é de hoje que eles te intimidam, não é?
Mu afirmou, triste.
‒ É assim desde que eu tinha 15 anos. Io, o de cabelo rosa, nunca foi com a minha cara e eu nunca soube o motivo. Os outros, Alberich, Isaak e Shido, fazem o que ele manda.
‒ Mas você não contou isso para o seu irmão?
‒ Já, mas não adiantou muito. Atualmente ele nem sabe que isso ainda acontece.
Ângelo suspirou, desanimado.
‒ Certo. Mas quero ver eles se meterem comigo agora. Já sinto falta de uma boa briga, como fazia de vez em quando em Nápoles.
‒ E que apelido é aquele que voce comentou?
‒ DeathMask? Ah, era como me chamavam na região. As pessoas diziam que eu tinha cara de bom garoto até me verem metido em alguma briga.
Mu olhou assustado, o que fez o outro rir. Pegaram suas coisas e foram para casa.
Quando estavam entrando no condomínio, Ângelo olhou para os balanços e se lembrou da noite anterior.
‒ Ei, Mu.
‒ Sim?
‒ Por acaso tem alguma garota loira que mora aqui?
‒ Garota loira?
‒ É. Ela tem cabelos compridos e ondulados. Eu a vi ontem à noite, aqui nos balanços.
Mu pensou um pouco antes de responder.
‒ Tem sim, mas só a vi da janela, como você. Acho que ela é filha de um espanhol que vive no apartamento ao lado do nosso. Eu o vejo de vez em quando, mas nunca me encontrei pessoalmente com a garota.
Ângelo olhou para a janela que ficava ao lado da do seu quarto e reparou que os vidros tinham vários pedaços de papelão colados, como se bloqueassem a entrada de luz.
Então ela é real. Misteriosa, mas isso a deixa mais atraente. Acho que vou dar uma volta por aqui depois do jantar.
Pensando isso, Ângelo seguiu Mu para o apartamento.
