Capítulo 7 – Kal ho naa ho (Pode não haver amanhã)

– Quem será a garota de cabelo azul? – perguntou Lunch a Tenshin, que olhou na direção da barraca, vendo que o rapaz que eles observavam discutia o tempo todo com ela – será uma namorada?

Ele apenas observava. Sacudiu a cabeça em negação e disse:

– Não. Olhe para a mulher mais velha. Olhe como fala com eles.

Lunch os observou, mas não entendeu muito. A mulher começou a altercar em hindi com o rapaz e a garota, e ela, por estar longe e não dominar tanto o idioma ela não conseguia sequer imaginar o que a mulher dizia. Tenshinhan deu um sorriso e esclareceu:

– Eu vejo uma típica mãe indiana brigando com os dois filhos. Ela deve ser irmã dele... se fosse namorada, a mãe estaria brigando com ele e mandando que ela brigasse com a moça... é assim que funciona. – Tenshin ria, olhando para a cena da mulher pegando os dois pelas bochechas e falando com cada um – minha mãe fazia isso.

Pouco depois, o rapaz e a moça passaram por eles, ainda discutindo em hindi. Lunch não entendeu bem, mas Tenshin prestou atenção na conversa dos dois, a garota dizia:

– Não adianta você agora desistir, bhaee. Já ensaiou, eu já ajeitei a sua roupa, a minha roupa... se quer desistir da apresentação individual...

– Não vou desistir. Quero dar o dinheiro para maan guardar para um cargo tuc-tuc...

– Então pare de reclamar...

Os dois passaram perto deles, mas o rapaz não olhou para eles e nem os reconheceu. Lunch percebeu que ele parecia amuado, uma parte daquele brilho que ele percebera quando o vira perto de Chichi havia desaparecido. Ela então disse a Tenshin:

– Ele parece chateado.

Tenshin olhou para ela e disse:

– Imagine quantas vezes ele ligou e recebeu um não de Oolong? Dá para entender o quanto ele está desapontado. É um garoto de 16 anos, não esqueça... vem aqui comigo. Vamos descobrir alguma coisa.

Ele se aproximou da barraca, onde Gine atendia a todos sozinha. Ela viu os dois e disse:

– Boa noite... – ela emendou num inglês carregado – a moça deseja provar um besan ladoo, o delicioso doce do Lord Ganesha? Ou vai pagar um halwa ou um pista roll para sua namorada, meu jovem?

Tenshin sorriu para ela e debruçou-se no balcão, dizendo:

– Ela não é minha namorada... estamos nos conhecendo, é o que ela diz... apenas trocamos uma pulseiras aqui – ele sorriu, mostrando a pulseira em seu pulso e apontando com a cabeça para ela.

– Ah... – ela olhou para a jovem e viu as pulseiras em seu pulso e disse – se ele pôs pulseiras de Radha e Sita no seu pulso, jovem... a intenção é boa.

Lunch e Tenshin ficaram ruborizados ao mesmo tempo e Gine disse:

– Um doce é a melhor coisa para se dividir com um amor...

– Só por causa disso vou querer uma caixa desse maravilhoso besan ladoo, senhora... – disse Tenshin e ela abriu um sorriso – e nem irei barganhar.

Ela pôs os doces, que ele logo pagou, numa caixinha quadrada onde cabiam 8 bolinhas e disse:

– Vieram para o festival? A moça é de fora?

– Eu sou americana – Lunch tentou dizer em um hindi bem ruim, e Gine respondeu:

– Pode falar comigo em inglês... eu estudei inglês porque antes de me casar trabalhei com americanos... mas seu hindi está bom. Mora aqui há muito tempo?

– Três anos – disse Lunch – desde que tinha 21. Eu trabalho para um estúdio de cinema.

– Ah, Bollywood? Deveria conhecer meus filhos, eles acabaram de sair daqui! Os dois são dançarinos maravilhosos... mas meu pequeno Kakarotto anda meio desapontado... acho que é porque está ficando mais velho, sabe? Ele veio com uma história de que conheceu uma atriz... aquela que interpreta a princesa Shanti... primeiro parecia empolgado... depois foi ficando meio tristinho... deve ter sido a bronca que meu mais velho deu nele... meu Raditz é um menino muito responsável, anda por toda Índia trabalhando para transportadora, mas diz que ainda vai comprar seu próprio caminhão, e eu acredito nele! A última vez que me ligou ele estava em Agra, cidade do Taj Mahal... eu estive lá uma vez, ainda muito jovem, com meu Bardock, meu marido...

– Eu sou de lá – sorriu Tenshin – nasci em Agra. Não é uma cidade tão bela...

– Mas tem o Taj Mahal. Não há nada mais bonito que um palácio feito por amor, não acha? Por isso quando casamos eu e meu Bardock fomos para lá... era um homem muito bom, meu marido. Não voltamos mais lá, mas viajamos algumas vezes para Goa depois que os meninos nasceram...

Nenhum deles precisou perguntar se ela era viúva, porque isso soaria extremamente deselegante, uma vez que Gine usava roupas descoloridas, típicas de viúvas. Lunch disse, então:

– A senhora é muito simpática! Seu marido devia ser um homem muito feliz. Eu adoraria ir a Goa, dizem que tem praias muito lindas...

– Ei, rapaz – Gine disse, piscando para Tenshin – case-se com ela e a leve a Goa. Ou a leve quando tiverem filhos, crianças amam as praias de lá...

– A senhora tem três filhos? – perguntou Tenshin, tentando descobrir mais sobre o rapaz.

– Sim, meu mais velho Raditz, Kakarotto e Bulma... Bulma foi uma menina sem pais, adotei-a. Por isso ela é tão diferente, minha safira da coroa de Krishna! Amo como se fosse minha! Fiquem aí, vejam meus meninos dançando... daqui a pouco deve começar...

Tenshin e Lunch se afastaram da barraca e ela disse:

– Engraçado... não foi esse o nome que ele disse para Chichi... Kakarotto. Mas é ele, tenho certeza...

– Pode ser – disse Tenshin – que ele não goste do próprio nome... acontece. Se ele queria ser ator...

– Tem razão. Mas é estranho... Já que compramos os doces, por que você está segurando a caixa em vez de me dar um?

Ele deu um sorriso para ela e disse:

– Porque antes quero fazer algo que você sempre me pediu... – ele pegou-a pela mão e arrastou-a até uma barraca, que tinha mesas. Puxou a cadeira para ela e disse ao homem que atendia – Pani puri!

Ela abriu um sorriso, Amava as bolinhas crocantes fritas com recheio picante, Ele pediu a versão menos picante e ela protestou, então quando as bolinhas fritas chegaram, com o molho líquido ele disse:

– Boa sorte. Espero que não queime a língua...

Lunch pôs a fritura no molho e então na boca. Lágrimas vieram automaticamente aos seus olhos, era quente e ardido como o inferno, mas ela mastigou e sorriu para ele, dizendo:

– Eu cresci no Texas, querido! O que não me assusta é pimenta...

Ele riu, sacudindo a cabeça e preparando ele mesmo uma das pequenas esferas para si, antes de dizer:

– No Norte chamamos isso de golgappa. E nossa pimenta é bem mais forte que essa inofensiva masala doce de Maharashtra... – ele jogou a bolotinha na boca e mastigou. Os dois ficaram encarando-se até que ele perguntou – e como uma caipira do Texas veio parar em Mumbai?

– Ah – ela riu e enrubesceu ligeiramente – nunca ninguém havia perguntado isso para mim, e eu estou há quase quatro anos aqui! – ela riu – bem, eu nasci no Texas e quando estava no ensino médio comecei a me interessar em fazer cabelos e maquiagem... fiz alguns cursos em San Antonio, onde eu morava... mas eu achava que deveria ir para Dalas ou algo assim. Quando eu tinha 19 anos, anunciaram um reality show sobre maquiagem, nada como aqueles de efeitos especiais, apenas cabelo e maquiagem... e eu me inscrevi e fui chamada... fiz um teste de vídeo na emissora local e não acreditei quando fui selecionada. Uau, Los Angeles! Pensei. Um reality show é uma droga, as pessoas se fingem de melhores amigas mas sabotam umas às outras e eu fiquei conhecida por ter "personalidade forte".

– Eu aposto – disse ele, olhando para ela – que além de tudo você era a mais bonita de todas as participantes...

– Não sei... Mas foi difícil, sabe? Quase fui eliminada três vezes – ela riu, depois de por um pani puri na boca e dar uma pausa – mas fui avançando, a despeito de tudo, e, no fim, venci! Eu pensei: "Caramba! Cem mil dólares de prêmio e eu estou em Hollywood? Vou ficar por aqui!" Arrumei até um agente... um ano e seis meses depois eu estava a ponto de voltar para o Texas. Meu dinheiro estava no fim e eu não tinha me tornado uma grande maquiadora de Hollywood, fazia um ou outro trabalho freelancer, tinha um bico num salão, que pôs o meu nome na porta para atrair, ficava o dia inteiro penteando senhorinhas gordas e fazendo cabelo e maquiagem em noivas mexicanas... foi quando eu tive sorte. O Reality Show estava reprisando e Chichi estava em Nova York filmando "Princesa Shanty vai para a América"... quando acabava o dia de filmagem ela ligava a TV no hotel e acompanhava as reprises diárias e estava torcendo por mim.

– Eu levei um susto quando Oolong apareceu no salão onde eu trabalhava, dizendo que se eu quisesse um contrato com um bom salário deveria embarcar para Nova York com ele... fiquei com medo daquele indiano gordinho com cara de porco, mas decidi me arriscar, era aquilo ou voltar com o rabo entre as pernas para o Texas... e quando eu entrei na suíte de Chichi e vi aquela garotinha de 13 anos quase ri. Mas ela me explicou quem era, disse que estava crescendo e precisando de uma maquiadora exclusiva, todas as grandes atrizes de Bollywood têm uma, e disse que tinha acompanhado o programa e torcido por mim... e eu acabei topando, ela era doce e encantadora, não uma adolescente chata e mimada como se esperaria de uma estrela infantil, mas uma autêntica profissional, apesar da pouca idade, muito madura e tudo mais. – ela sorriu – Eu aceitei e aqui estou. Como vocês dizem? A coisa do destino me trouxe!

– Carma – ele sorriu – algo que os Deuses prepararam para você, pelo jeito.

Eles se encararam e Lunch sorriu, antes de dizer:

– Sim... talvez meu carma tenha me trazido aqui para comer pani puri com você...

– Ou o meu carma tenha feito isso... – ele disse, envolvendo-a com um olhar sério.

De repente, uma zoeira infernal anunciou o início do concurso de danças, quebrando o clima entre eles. Eles terminaram seu pani puri e pediram um lassi para quebrar o ardor, então se aproximaram do palco, onde um apresentador meio perdido de óculos e bigode, com uma aparência engraçada, anunciava os concorrentes. Primeiro viria a dança individual masculina, depois a feminina e, enfim, os casais. As crianças haviam se apresentado pela manhã e à tarde os iniciantes. Aquele era o momento dos veteranos.

Assistir a alguns números foi quase uma tortura, mas Lunch, que nunca tinha estado numa festa de rua, surpreendeu-se porque o público participava, vaiando, xingando ou aplaudindo e estimulando, dependendo do talento do competidor. Kakarotto, o garoto que encantara Chichi, foi o último a se apresentar no individual masculino, provavelmente porque os organizadores sabiam que ele era o melhor deles.

Lunch olhou espantada para Tenshin ao ver o garoto dançar, e entendeu então porque Chichi se encantara por ele. Ao contrário da maioria, que parecia visivelmente um bando de amadores, errando passos e sem muito domínio dos movimentos, ele claramente sabia o que fazer com seu corpo. Seus movimentos eram fluidos como os de um bailarino experiente e ela disse, olhando para Tenshin:

– Eu agora entendo porque Chichi ficou tão encantada. Ele dança bem, é bonito... e eu consigo imaginá-lo dançando com ela, ao vê-lo no palco.

Tenshin não disse nada, porque outra coisa o ocorria. Aquele garoto tinha movimentos de artista marcial, e ele tinha certeza que, se fosse o caso, seria um grande lutador. Ele havia treinado muito e duro por muitos anos, e imaginou que aquele menino tinha potencial para se tornar o lutador olímpico ou profissional que ele não havia sido porque necessitara estudar para a faculdade. O garoto trabalhava, mas ele percebia claramente que seria melhor que ele com muito menos treino. Então disse:

– É uma pena que aquele velho escroque não queira dar a ele uma oportunidade...

Os dois viram todas as apresentações, quando Kakarotto dançou com a menina de cabelos azuis, uma música do filme "Kuch kuch hota hai" que falava de amigos, um rapaz e uma garota, a audiência enlouqueceu. Bulma era exótica e bonita, e parecia ser provocante também. Lunch comentou:

– Ela também é muito boa... num estilo diferente de Chichi.

– Não é uma princesa de Bollywood, lembre-se disso. É uma menina criada no subúrbio de Mumbai e isso sempre vai adicionar uma pimenta à personalidade dela, mas francamente ela sequer parece indiana.

– A mãe disse que ela é adotada, lembra?

Os dois ficaram olhando e, de repente, Tenshinhan disse:

– O que você vai dizer a Chichi?

– Não sei... talvez que não o vimos, ou que ele disse que não poderia ligar. Qualquer coisa que a poupe de saber que aquele nojento do Lorde Raaja está barrando as ligações de propósito.

Ele a encarou, de repente, e disse:

– Vamos embora... não adianta muito ficarmos aqui.

– Mas...

Ele pegou a mão dela e a puxou para saírem da multidão. Logo estavam andando em direção à saída do festival e ele disse:

– Eu tive uma ideia... e pode parecer meio louco, mas acho que posso ajudar o garoto.

– Do que está falando?

Ele não havia deixado de segurar a mão dela e, quando se virou, os dois ficaram próximos, de frente um para o outro e ele disse:

– Aquele garoto nunca vai se aproximar de Chichi porque o velho Raaja não vai deixar. Você deve dizer a Chichi que não o viu. Eu te ajudo na mentira, se quiser. Mas eu vi aquela mãe viúva e seus filhos... e, bem, acho que eu posso ajuda-los, mas do meu jeito.

Ela franziu a testa e ele disse:

– Eu fui treinado em artes marciais desde que vim morar com meus tios em Mumbai, para tentar passar para a faculdade daqui. Vou dar um jeito de conseguir uma bolsa para ele junto ao mestre que me treinou desde os 17 anos. Pode ser que a luta abra para ele as portas da universidade, como abriu para mim, ou, quem sabe, até mesmo para uma carreira de atleta... é o que eu posso fazer.

– Mas como você vai saber o endereço dele, o telefone?

O rapaz mostrou a caixa de doces que tinha um logotipo com o nome "Viúva Gine" e um telefone e endereço. O rosto dela se iluminou e ela disse, sorrindo:

– Quem diria que o segurança careca e mal-encarado tinha todo esse coração? E não comemos os doces... você vai leva-los para casa, seu guloso?

– Eu pretendia comê-los junto com você... – ele disse.

– Pode ser na minha casa?

Ele sorriu para ela e balançou a cabeça.


Quando pararam na porta do prédio, Tenshin olhou para ela assim que desligou o carro e disse:

– Então... estamos saindo? – ele a encarava com seus olhos pretos muito vivos. Tinha sido uma experiência diferente de qualquer outra que ela tivera, mas ela tinha ainda receios quando disse:

– Não sei... você é tão fechado e...

Ele a puxou e beijou-a com vontade, de uma forma arrebatadora e que ela não podia imaginar e quando se separaram e seus olhos encontraram-se ela disse:

– Sim... estamos saindo, Tenshin. Mas... eu não sei como são as mulheres indianas, sabe? Mas... eu tenho 24 anos e...

– Eu não espero que você seja virgem – ele disse, sério, olhando para ela – se é o que te preocupa. E eu não vou deixar de levar você a sério por isso. Apesar de tudo que os filmes mostram, nem todo indiano é um purista conservador...

– Então eu acho que podemos nos entender.

Ele apenas riu.

Lunch morava num bairro razoavelmente chique, e, o preço disso, era que seu apartamento era minúsculo. Quando ela fechou a porta, ele a abraçou por trás e beijou seu pescoço suavemente. Ela foi agradavelmente surpreendida pela forma carinhosa como ele fez isso. Ela virou-se e sorriu, e ele a puxou e beijou-a de verdade, segurando-a pela cintura, tirando seu fôlego. Quando se encararam ela riu:

– Eu não imaginaria nunca que você era assim... ardente.

– Eu te disse que o pani puri de Utar Pradesh era mais ardido que o de Maharastra, não disse?

Ela riu e puxou-o, subitamente tímida, agora que finalmente o tinha dentro do apartamento dela e disse:

– Vem conhecer minha casa... embora não haja muito para conhecer... – ela brincou mostrando a pequena sala conjugada à cozinha americana, que era separada da sala por um balcão – aqui eu como, ali vejo TV... ali – ela apontou a minúscula área, visível da cozinha – eu lavo minha roupa... e ali – apontou a única porta no fim do curto corredor – é o meu quarto, com o banheiro ao lado. É pequeno...

– O meu não é muito maior – ele riu – ainda com a mão na cintura dela, ele pôs a caixa dos doces no balcão e disse – já comeu besan ladoo?

As bolinhas estavam caprichosamente arrumadas na caixinha, algumas enfeitadas por passas, outras por lâminas de castanhas ou amêndoas e ela negou com a cabeça. Ele pegou uma das bolinhas entre os dedos e olhando para o rosto dela, colocou-a em sua boca, enquanto dizia:

– É o doce favorito do Deus Ganesha... nossos deuses são muito humanos – ele murmurou, vendo-a se surpreender com o sabor amanteigado e doce enquanto mastigava – eles comem, bebem... fazem tudo que nós, mortais, fazemos.

Ela o encarou, maliciosa e disse, quando engoliu o doce e pegou um, que levou aos lábios dele, como ele fizera com ela:

– Eles transam? – ela mordeu o lábio inferior, como se tivesse falado demais e ele riu, antes de comer o doce, dizendo:

– Bastante...

Ele a puxou e os dois se beijaram com vontade, o sabor do beijo misturando doçura, vontade e calor. Ele a pegou no colo e levou pelo corredor até o pequeno quarto, onde entrou sem cerimônia, deitando-a na cama, prendendo-a sob seu corpo sem parar de beijá-la, surpreendendo-a com a sensualidade e a ardência com que a beijava. De repente ele parou e acariciou o rosto dela, olhando dentro dos seus olhos verdes e depois percorrendo com olhar o rosto e dizendo:

– Como você é tão linda... parece um presente dos deuses.

Ela acariciou o rosto dele. Nunca tinha sido tratada daquela forma, ele a fazia sentir-se especial e preciosa. Então disse:

– Isso vai mudar tudo entre nós, não vai?

Ele apenas assentiu com a cabeça e perguntou:

– Tem medo do que vai mudar?

Ela o puxou em resposta e o beijou. Ele a ajudou a livrar-se do sári, volta por volta, então da anágua de tecido fino e do choli. Ela o ajudou a desabotoar sua linda túnica punjab e logo, havia um monte enorme de tecidos ao lado da cama, as roupas dos dois, enquanto ele, sentado atrás dela, soltava seus cabelos e beijava seu pescoço. Ele a abraçou por trás, acariciando seus seios e Lunch gemeu. As mãos dele eram quentes e fortes, e ele a puxou para o seu colo para beijá-la mais.

Deitaram-se de lado, um de frente para o outro, ainda de roupas íntimas e ele a encarou uma vez mais, antes de perguntar:

– Se hoje fosse o nosso casamento... e eu o seu marido... estaria feliz ou desapontada, até aqui?

– Por que a pergunta? – ela olhou com estranhamento para ele, que respondeu, de forma direta:

– Porque eu quero me casar com você.

– Mas Tenshin...

– Sim, eu sei... eu sei que de onde você vem as pessoas demoram e tem medo e cautela antes de casar... mas aqui sabemos que o agora é importante... porque na Índia temos monções, secas, um dia estamos aqui, no outro não mais... não sei que tempo terei se eu não viver tudo contigo. Se não me quiser, se não me quiser mais, só por uma noite, eu entendo e volto a ser contigo quem eu era até o outro dia... mas quero que você saiba que eu te quero pelo resto da minha vida.

Talvez por nunca ter ouvido ninguém derramando sentimentos por ela dessa forma, talvez porque ela mesma estava se encantando por ele, ela o puxou para cima de si e disse:

– Mostre-me então o quanto me quer, Tenshin...

Ele terminou de tirar suas roupas e, com ela nua em seus braços, começou uma sessão de toques sutis e beijos por todo seu corpo, que despertaram-na para sensações que ela mal conhecia, beijos na nuca, toques nas costas, nos seios... ele a amava com uma sutileza que ela não sabia ser possível, e, quando ele finalmente tocou-lhe delicadamente a vulva, tratando-a como uma joia preciosa, ela já estava entregue.

Tocando-a com os dedos ágeis enquanto beijava sua boca delicadamente, Tenshin a fazia gemer em delírio, e quando seus dedos longos deslizaram para dentro dela, ela cravou as unhas nas costas dele, que sussurrou no ouvido dela:

– Entende agora, o quanto a quero?

E ele a fez gozar apenas com seu toque, movendo os dedos de forma hábil dentro dela, fazendo-a revirar os olhos e pedir:

– Ah, Tenshin... por favor... quero você... aí...

Ele a beijou e, então, levou as mãos dela até ele jogando a cabeça para trás quando ela o tocou. Lunch tocou-o com habilidade e o acariciou suavemente antes de perguntar:

– Posso colocar a proteção em você?

Ele apenas assentiu com a cabeça e ela pegou uma camisinha que estava desde sabia-se quando na mesa de cabeceira, e logo ela estava se encaixando nele, e eles estavam fazendo amor sentados, e ela pensou que aquilo era perfeito, conforme ele a segurava pela cintura e ajudava a mover-se.

Era excitante, prazeroso, mas ele subitamente a virou e deitou por sobre ela, preenchendo-a de forma ainda mais perfeita, e ela sentiu, num crescente, o seu orgasmo se aproximando e se agarrou a ele, gemendo seu nome, pedindo por mais. Ele a seguiu com um grunhido surdo, esticando o corpo forte sobre o dela quando o orgasmo veio para ele, abraçando-a logo depois conforme respirava forte e sentia seu coração voltar ao ritmo normal.

Logo estava com a testa colada na dela, e ele sentiu que precisava dizer novamente aquilo que, como bom indiano, tivera vontade de dizer mesmo antes de envolver-se com ela:

– Case comigo! – os olhos dele estavam grudados nos dela, que acabara de perceber que estava, de fato, perdida de paixão por ele... porque talvez, conforme o que ele acreditava, o carma, qualquer força divina a havia feito atravessar o oceano para terminar ali, naquela cama, naquela noite, junto daquele homem.

– Sim, Tenshin – ela sussurrou, junto aos lábios dele – eu me caso contigo!

Ele riu e beijou-a e a abraçou com força. E, pelo resto da noite, eles juntos fizeram amor e traçaram planos.

Notas:

1. Utar Pradesh e Marahastra são dois estados da Federação Indiana.

2. Marahastra, onde fica Mumbai, é na Costa Oeste, banhado pelo Mar da Arábia, a maior PIB e o segundo mais populoso estado da Índia, que, ainda assim, tem um baixo IDH comparado à media mundial e com marcante desigualdade tanto entre as cidades quanto entre as populações dentro das mesmas cidades. Mumbai é um exemplo disso, com regiões com imóveis com o maior valor por metro quadrado da Ásia, como as praias de Chowpatti e Juhu e favelas extensas como Dharavi, onde foi filmado "Quem quer ser um milionário".

3. Já Utar Pradesh é o estado mais populoso da Índia, e a região mais densamente povoada do mundo. Com maioria absoluta (quase 70%) hinduísta, o estado é também o maior em território, concentrando a maior parte das indústrias da Índia e sendo forte também na agricultura e no turismo, graças ao Taj Mahal, o destino turístico mais visitado da Índia. Entrou para a história indiana ao eleger os primeiros parlamentares dalits (sem casta), o primeiro governador e também foi berço da primeira presidente do país sem casta. Paradoxalmente, é um dos estados onde o radicalismo hindu é mais forte, com histórico de manifestações contrárias a outras religiões, embora os radicais sejam ultra minoritários no hinduísmo.

4. Literalmente, besan ladoo significa "bolinha de grão de bico" é o doce de Ganesha, que às vezes é retratado com um prato desse doce numa das mãos. É feito com farinha de grão de bico, ghee, açúcar e aromatizado com cardamomo, ele costuma ser enfeitado com lascas de amendâs, nozes ou frutas secas. Além de ser oferecido a Ganesha em seus altares, é consumido largamente nas suas festas.

5. Agora, falando na história... era lógico que aquilo que substituiria o sonho de ser um ator famoso para Goku seria a luta, né, gente? Vamos ver se Tenhsin vai ter sucesso em convencer o seu mestre a dar uma bolsa para ele. Um pequeno spoiler: o mestre no caso não é nem o Tao Pai Pai e muito menos o Mestre Tsuru... mas também não é o mestre Kame, que já conhecia o Goku antes. Sabem de quem se trata?

6. Indianos amam se casar, Tenshin não é diferente, sim, eles vão casar e ser felizes, chega de maltratar meu OTP (One True Pair). Esqueçam o que eu fiz com eles em West Sayan, embora aqui o background TAMBÉM tenha um pouco de questão interracial, não vai envolver sofrimento.

7. Estão com saudades da Chichi? No próximo capítulo teremos notícias dela e também do Vegeta.

8. O título do capítulo faz referencia ao filme "Kal ho naa ho" e a músiva de mesmo nome, do ano de 2003. O filme retrata o triângulo amoroso entre três indianos imigrantes nos EUA: a jovem Naina, seu pretendente Rohit e o carismático e bem sucedido Aman, que tenta fazer com que a mal humorada Naina aceite a corte de Rohit, mas ela acaba se apaixonando por ele, que não pode se casar com ela, mesmo correspondendo seu amor em segredo, por causa de um seríssmo impedimento. O filme é um drama, mas tem momentos extremamente leves e engraçados, como a versão da música Pretty Woman, que eu reproduzo abaixo, e um clipe que eu comentei no capítulo 2, Maahi-ve. Também tem a música título, lindíssima, na voz do cantor Sonu Nigan dublada pelo ator Sharukh Khan, que interpreta Aman. Preity Zinta encarna Naina e Saif Ali Khan dá vida a Rohit, sendo que esses dois atores realmente explodiram para o estrelato após esse filme.