Capítulo 9 – Dhoom! (Explosão)

Ele esfregou as mãos uma na outra, concentrado. Seis meses antes, ele era apenas um garoto perdido que nunca havia lutado na vida, mas agora estava ali, numa arena pobre, era verdade, disputando sua primeira luta e sendo observado pelo mestre Karim e pelos colegas, que duvidavam que Kakarotto pudesse derrubar qualquer um dos rapazes do time de Tao Pai Pai, um arquirrival do mestre deles, que tinha fama de deixar que seus alunos jogassem sujo.

Não era uma competição que se pudesse levar muito a sério: lutariam numa pequena arena de terra nos arredores de Vadala, um distrito suburbano e pobre de Mumbai, e Kakarotto duvidava que aquilo ali fosse exatamente uma arena legalizada. Mas ele, no vigor dos seus 17 anos, queria apenas provar que podia. Que podia lutar, vencer e ficar mais forte, e, assim, conquistar um lugar só seu.

Ele aprendia qualquer técnica de luta rápido, e era forte como nunca suspeitara, mas, mesmo assim, quando seu irmão chegara de viagem uns meses antes e descobrira que ele estava treinando os dois haviam tido uma discussão por causa das lutas. Raditz havia sido contra, achando que ninguém dava nada de graça e que aquele mestre devia ser um aproveitador de menores, e tentou convencer sua mãe a proibi-lo de frequentar as aulas, mas ele se postou corajosamente diante do irmão e disse:

- Olha, bhaee, eu era bom em dança, mas você conseguiu me convencer que nisso não estava o meu futuro, e eu acabei acatando... e eu não vou parar de estudar, embora tenha certeza que não vou chegar à faculdade como a Bulminha... mas eu encontrei algo que eu gosto e faço muito bem e você não vai me impedir de continuar.

E era aquilo que ele tinha em mente, olhando o ridículo troféu de plástico que estava sobre uma mesa antes de olhar para o lutador do outro lado da arena. Era um rapaz moreno de cabelos cacheados e cheios, visivelmente maior, tanto mais largo quanto mais alto que ele. Mas Kakarotto havia ganho massa muscular e crescido desde que entrara para a Academia Karim, respondera muito bem ao treinamento naqueles seis meses.

Do lado do mestre dele, os três alunos que também haviam acompanhado Karim olhavam para a arena, um deles com um pouco de inveja. Foi quando Yajirobe, o assistente do mestre que sempre acompanhava a pequena trupe disse:

- Esse Kakarotto ou é muito bom ou é muito sortudo, não, acha, Brolly?

- Sorte de iniciante – disse Brolly, aborrecido.

Broli era o número um da academia: ele era alto, forte, o mais forte da academia, mas o mestre sempre dizia a ele que seu ponto fraco era que ele tinha a cintura dura e pouca agilidade. E aquilo havia sido a chave para sua derrota para Chapa, que agora lutaria com Kakarotto, que havia vencido todos os seus combates anteriores com relativa facilidade. Os colegas haviam dito que aquela era uma final antecipada e Broly e Chapa eram os melhores ali naquele dia, mas aquela não era uma opinião unânime:

- Será que ele ganha do Chapa? – perguntou Yajirobe, coçando o queixo. Antes que Broly pudesse responder, o Mestre Karim disse, com um sorriso satisfeito:

- O estilo do Chapa é bom para derrubar garotos pesados e de cintura dura que nem o Broly, mas ele não tem chance nenhuma contra o nosso Kakarotto.

Brolly roeu-se de ciúme por dentro. Até aquele pirralho que nem pagava a academia aparecer ninguém era páreo para ele, embora o mestre sempre falasse da sua falta de agilidade e mobilidade como defeito. Era duro sentir o gosto amargo de saber que naquele dia tinha sido justamente a falta de agilidade que o fizera perder para o Chapa, que, naquele momento, encarava Kakarotto com a mesma expressão de felino concentrado que fizera antes de encará-lo.

"Chapa vai derrubar esse idiota e acabar com esse amor todo..." pensou Brolly, torcendo secretamente pelo fracasso do colega e da própria academia, para que aquele idiota fosse dispensado e ele não precisasse mais olhar para a irritante cara de Kakarotto.

O gongo soou na arena de terra, e Kakarotto avançou para Chapa. Os dois se chocaram, com golpes certeiros, um tentando agarrar e derrubar o outro fora do círculo de luta mais rápido. Chapa e Kakarotto eram ágeis, mas o primeiro era mais experiente e tinha um jeito poderoso de agarrar e derrubar adversários, e foi isso que ele tentou fazer com o rapaz, fazendo Broly dar um sorriso presunçoso.

Só que em vez de cair, Kakaroto virou no ar e caiu em pé, ainda dentro do círculo, com um sorriso largo e franco, como se estivesse se divertindo como nunca. Com uma risadinha ele disse:

- Você é bom, Chapa!

Logo, a expressão alegre foi substituída por uma carranca obstinada e ele avançou para Chapa, cobrindo-o com socos e chutes, e o outro, surpreendido, tinha uma grande dificuldade de se defender dos golpes rápidos e repetidos do garoto, que pensava naquele minuto apenas em provar a si mesmo, e, mais tarde ao irmão, que podia, sim, vencer uma luta, e, talvez, vencer na vida lutando.

Pouco depois, Broly viu, atônito, Chapa, que todos chamavam de rei, cair fora da arena, derrubado por um dos golpes de Kakarotto. O rapaz olhou então na direção do mestre, com uma expressão alegre e sincera e disse, como se não fosse óbvio:

- Ganhei!

Mestre Karim balançou a cabeça, e, então, Kakarotto foi na direção de Chapa, que permanecia caído e estendeu a ele a mão, dizendo:

- Foi uma bela luta, não foi?

O rapaz mais velho sorriu e pegou a mão que ele estendia, dizendo:

- Você é mesmo bom!

Kakarotto sorria, radiante, enquanto Broly permanecia carrancudo e aborrecido. De repente, ele ouviu a voz do mestre, soando atrás dele, baixa, porém firme:

- Pare de sentir inveja de Kakarotto, Broly! – ele completou – isso vai te fazer mais mal do que bem.

O rapaz deu mais uma olhada para a arena, onde os colegas carregavam Kakarotto, que ria, e pensou que ele precisava dar um jeito de superar o outro.

Mais tarde no trem que voltava para o centro de Mumbai onde ele deixara sua bicicleta Kakarotto contemplava o pequeno troféu plástico quando o mestre olhou para ele e disse:

- Você vai ser um grande lutador, garoto... o meu aluno Tenshinhan tinha razão.

- Mestre – ele disse – eu realmente não sei quem é esse cara. Como será que ele me viu e me indicou?

- Bem... ele e disse que o viu dançando e percebeu, pelos seus movimentos, o grande lutador que vivia dentro de você. Tenshinhan sempre foi um rapaz capaz de ver e perceber que escapam às outras pessoas. Ele viu o seu potencial.

- Puxa vida – ele coçou a cabeça – ele deve me ter visto dançando no Ganesha Charthuti – é engraçado porque eu tinha acabado de desistir da dança.

- Provavelmente porque não era mesmo o seu caminho... mas em breve acho que o nome Kakarotto vai ser conhecido em toda Índia como um lutador... quem sabe você não se torna um lutador olímpico?

Ele pensou por um momento. Seria aquilo verdade? Talvez por um pouco de esperança de que, daquela forma, pudesse encontrar novamente Chichi, se se tornasse suficientemente conhecido, ele disse:

- Posso pedir um favor ao senhor, mestre? Eu gostaria de usar outro nome para lutar.

- Hum... você não seria o primeiro. Muitas famílias não gostam de ver o seu nome envolvido em lutas, acham coisa de marginais...

- Pois é... quando estiver na arena, quando for para qualquer luta... eu prefiro ser chamado de...

- De...?

- Son Goku!

E assim, Kakarotto selou seu destino: no ringue de luta ele seria, para sempre, Son Goku.


Chichi estava se preparando como nunca para "Princesa Shanti feliz para sempre" e mesmo com a alimentação balanceada para manter o peso havia emagrecido 4 quilos graças à intensidade dos seus treinos de dança, preocupando todo seu staff. Foi exatamente por isso que seu pai conseguiu convencer Raaja a liberá-la por uma semana para comparecer ao casamento de Tenshinhan e Lunch em Agra.

Ela estava lá no dia da troca de alianças, sete dias antes do casamento, e ela havia usado seu fundo pessoal para trazer, além dos pais de Lunch, 5 moças e a irmã mais nova de Lunch dos Estados Unidos, e estivera entre elas, que estavam completamente perdidas durante o sanjeer, almoço de reunião das famílias e do varsha: a cerimônia de preparação e a pintura das mãos da noiva, ambos na véspera do casamento. Ela pagara a melhor artista de mehndi para pintar as mãos da amiga como presente.

Chichi também providenciou os pagamentos do sacerdote e seus ajudantes no rito de casamento, que normalmente era financiado pelos pais da noiva. O pai de Tenshin, mesmo tendo desconfiança dele casando com uma ocidental, pagou a festa, com o dinheiro que estava guardado para aquilo há uns bons anos, mas o próprio Tenshin ajudou o pai nos pagamentos de comidas e bebidas.

Chichi amava casamentos e como seu pai era muito bem relacionado, ela assistira a casamentos em pelo menos três religiões diferentes, mas sendo ela mesma hindu, era apaixonada pelo rito da sua religião. Lunch surgiu à direita, num lindo sári vermelho bordado em dourado usando as jóias que ganhara do noivo, e se juntou a Tenshin, que viera logo depois pela esquerda, usando um belo e enfeitado turbante, diante do sacerdote brâmane, depois de algumas canções e uma oração, cada um pôs no pescoço do outro um colar, e o sacerdote atou o sári dela à túnica dele com um nó forte, então, ele levantou-se primeiro, estendeu a mão a ela e, juntos, deram sete passos em volta do fogo sagrado. Era o Saptapadi, o ritual dos sete passos do casamento, que o tornava eterno.

Então, olhando para ela, Tenshin disse as palavras do juramento sagrado em hindi, e ela o seguiu, dizendo em inglês, para que sua família entendesse:

- Nós demos os sete passos, e você agora é minha para sempre. Sim, somos parceiros para a vida, e eu me tornei seu para sempre. De agora em diante, não existo sem você, nem você sem mim, e partilharemos nossa alegria de ser palavra e significado. Você é meu pensamento, eu sou suas palavras. Que façamos nossas manhãs doces como o mel, nossa casa doce como o mel, nossa terra doce como o mel, nosso céu doce como o mel. A natureza nos será doce, a vida nos será plena. Como a terra, os céus, o sol e as montanhas, nossa união está agora plenamente estabelecida.

Chichi suspirou, encantada, vendo os dois, presos um nos olhos do outro e imaginou como seria amar alguém daquela maneira. Poucos conseguiam, e ela sabia disso, por isso pensava que não se casaria tão jovem, por maior que fosse a pressão para isso. Um flash daquele único beijo que ganhara, quase um ano antes, veio à sua mente. Era engraçado como o rosto do rapaz não se desvanecera de sua mente e nem o seu nome: Goku. Um nome curto, inesquecível como aquele beijo.

Que ele provavelmente esquecera. Ela suspirou, melhor parar de sonhar e pensar apenas no seu futuro, porque ela demoraria a casar, mas teria de encenar aquele mesmo ritual no próximo filme, com uma dinâmica e votos diferentes, porque o filme seguiria o rito de Mumbai e não do Norte.

Quatro dias depois, ela já estava ensaiando as falas da princesa Shanti com seu parceiro, Yamcha Kapoor. Era um rapaz de beleza delicada e traços finos, como dizia seu pai, eles harmonizariam bem na tela. Ela só o conhecera em festas e eventos da indústria, e descobrira, nos primeiros dias de ensaio, que ele era um rapaz bom e respeitador.

Mas havia algo nele que não se encaixava muito bem, e era a sua mania de deixar bem claro SEMPRE que não estava sendo desrespeitoso e nem queria algum envolvimento com ela, ele chegava a parecer medroso. Pensou que talvez aquilo fosse pelo fato dela ser menor de idade, alguns atores eram inconvenientemente invasivos com atrizes jovens. Era bom saber que Rajaa e seu pai haviam escolhido a dedo seu parceiro. E a única coisa que ela queria era terminar logo aquele filme, sabiam os deuses o quanto!

Depois da leitura do texto, Yamcha se aproximou dela e perguntou:

- Então, Chichi, o que achou?

- Bem – ela disse – eu achei bom. Acho que o público vai gostar, afinal, eu e você temos em comum o fato de termos crescido diante deles...

Ele riu, com a mão espalmada no peito, e ela achou aquele riso um pouco falso. E ele completou:

- É verdade! Nós dois fomos atores mirins, quem diria que faríamos um par? O senhor Daimaoh é seu vilão, e o filho dele, o Piccolo Jr. acaba de ser contratado como meu dublê. Não é engraçado?

Chichi deu um sorriso formal e foi para casa, pensando que seria bom quando acabasse tudo aquilo, ela se tornasse maior de idade e pudesse decidir por fazer filmes diferentes. Quem sabia talvez masalas de ação, que normalmente eram protagonizados por homens, mas não custava sonhar.

Só que o imponderável, a sorte, o carma ou como quisessem chamar, enredou as cordas do seu destino e mudou tudo que ela conhecia como vida naquela mesma noite.

Yamcha sofreu um acidente que nunca foi muito bem esclarecido e na manhã seguinte, ela foi acordada pelo seu pai, em pânico, dizendo:

- Chichi, vamos ter de adiar ou mesmo cancelar as filmagens!

- O quê?

- O jovem Yamcha foi internado! O assistente dele me ligou! Um bandido desconhecido o atacou e desfigurou seu rosto!

- O quê? Prenderam o bandido?

- Não, não, fugiu, a polícia está atrás dele...

- Que coisa horrível e... estranha. Quem faria mal ao pobre do Yamcha? Ele está bem, fora de perigo?

Ela não teve como pensar muito naquilo. Como era de hábito, Raaja Vegeta já havia chegado ao apartamento, gritou o nome do seu pai na sala e ela se cobriu, receando que o produtor entrasse até mesmo no seu quarto. Mas Raaja ficou na sala, bufando de ódio e seu pai correu até ele. A subserviência do pai às vezes a irritava. Chichi pegou um roupão no armário e o seguiu.

- Eu revisei o contrato, para ver se havia algum problema, e já estou mandando nosso advogado anular tudo, vamos fazer um bom acordo. Ele sabe que não vai poder fazer o filme com a cara cortada e...

- Sim, sim... – dizia King, atônito. Chichi ouviu aquilo tudo indignada com a falta de empatia do produtor e disse:

- O senhor não acha que é muito errado enviar um advogado para alguém que está no hospital apenas para dizer que o contrato está quebrado? Ele foi atacado por um bandido, ou o senhor acha que ele tem alguma culpa?

- Garota... – Raaja Vegeta a encarou com uma expressão feroz – seu futuro está em jogo também, ou quer que a coisa se complique ao ponto de ficar impossível que esse filme saia? Se soubesse de coisas que nem desconfia, saberia porque tenho que correr para desfazer esse contrato...

Chichi ficou muda diante da fala incompreensível. Então seu pai disse:

- Filha, fique tranquila porque Raaja tem meios para resolver todo esse problema... por enquanto é realmente melhor que você fique quietinha e apenas espere porque tudo vai ser resolvido... não é que ele esteja... culpando o jovem Yamcha por nada, ele apenas quer proteger você, ok?

Ele foi empurrando Chichi de volta para o quarto e ela ainda pensou em protestar, mas percebeu que havia algo nas entrelinhas, algo estranho e misterioso que, se conhecia o pai e o produtor, ela não saberia do que se tratava por meio de nenhum deles.


Depois de três dias, Chichi resolveu visitar Yamcha no hospital. Falou com o pai e este, mesmo sendo contra, conseguiu um esquema de segurança que evitou que ela fosse exposta na sua visita, que ocorreu em dia e horário diferenciados. Ela chegou e foi direto ao quarto, onde Yamcha, deitado, olhava para o teto, o rosto envolvido em bandagens grossas.

- Oi Yamcha... – ela disse – como você está?

- Bem... um pouco chateado, mas não com você.

- Quanto ao filme...

- Chichi, você pode ficar tranquila. Eu entendo que meu problema me tirou do filme... um príncipe não pode ter o rosto desfigurado.

- Mas você não está...

- Estou. São duas cicatrizes bem grandes... e uma dela profunda. Vou dar sorte se conseguir algum papel de vilão daqui para frente – ele deu um suspiro profundo. – mas não se preocupe comigo... vai tudo ficar bem. O senhor Raaja disse que vai me ajudar.

Ela se aproximou da cama onde ele estava deitado e disse:

- Eu realmente sinto muito.

- Eu sei – ele sorriu e fez uma careta de dor – eu espero que seu filme faça sucesso... Ela agradeceu, pensando se haveria realmente um filme.

Não demorou muito, na verdade, para ela ter uma resposta. Cerca de 4 dias depois Raaja ligou para o pai dela e disse que havia encontrado um substituto, que eles fossem ao estúdio para assinar o novo contrato.

- Quem é, papai? – perguntou Chichi, ansiosa.

- Não sei – disse King, e estava sendo sincero. Raaja havia sido completamente misterioso acerca daquilo, até mesmo com ele.

Chegaram ao estúdio e foram direto ao escritório que Raaja ocupava, na administração central. Raaja esperava-os, sentado atrás de sua mesa, e indicou que sentassem. Então disse:

- Não é fácil substituir alguém como Yamcha Kapoor. Havia muita expectativa em relação à pareceria de vocês dois – ele disse, olhando para Chichi, que o encarava desconfiada. – não poderíamos usar alguém muito mais velho, afinal, você é menor de idade, o máximo seria alguém entre 18 a 20 anos, como Yamcha. Então, eu pensei bastante e resolvi fazer uma aposta alta. – ele tocou o comunicador e disse à secretária – chame-o na minha sala.

Chichi ficou olhando para a porta, em expectativa. Ela queria crer que o substituto de Yamcha seria alguém pelo menos tão simpático e receptivo quanto o rapaz. A porta se abriu e ela não reconheceu imediatamente o garoto que entrou, que estava longe de ser um rosto conhecido em Bollywood.

Ele veio andando com passos lentos e quase arrastados, e as mãos nos bolsos da calça, como se estivesse fazendo uma enorme concessão entrando naquele ambiente. Ele não era muito alto, Chichi calculou que, talvez, se usasse sapatos de salto ela pudesse ficar da mesma altura ou talvez até um pouco mais alta que ele. Seu rosto, que não era feio, era anguloso e terminava numa testa alta com um proeminente bico-de-viúva formado pelos cabelos pretos arrepiados.

Ele a encarou com uma expressão de desdém carrancudo e ela subitamente o reconheceu e disse, fechando a cara:

- Mas não mesmo! Esse é o intragável do...

- Meu filho – disse Raaja – ele não está totalmente pronto, na verdade... eu diria que ele está 60% preparado para a tarefa, porque eu pretendia lança-lo apenas no ano que vem... mas, com a publicidade certa, você e ele...

- Mas nem morta eu quero fazer par romântico com esse testudo nojento! – disse, asperamente, Chichi – eu e ele nunca nos gostamos! Não sou a minha mãe – ela olhou para Raaja e seus olhos brilhavam em fúria – eu não vou aturar seu filho como ela o aturou, mas não vou mesmo!

- Garota – disse o rapaz rispidamente e ela o encarou, ainda carrancuda – você acha que se eu tivesse escolha estaria nesse filme com você? Ele me deixou sem escolha – ele disse, apontando para o pai – e se eu o conheço, vai fazer a mesmíssima coisa contigo. Acredite, ninguém diz não para o miserável do meu pai.

Chichi encarou de volta o produtor, que sorriu maliciosamente, encarando-a diretamente.

- Ouça o que ele diz, menina... e nos poupará a todos de maiores aborrecimentos.

Ele tinha razão. Uma cláusula no contrato que seu pai assinara quando ela tinha apenas 9 anos e que valeria até os 21 anos, a maioridade civil indiana, dizia que Raaja tinha total poder de decisão sobre o elenco dos filmes da série "Princesa Shanti". Ela nunca havia pensado nesse detalhe, afinal, jamais tinha sido obrigada a trabalhar com alguém que detestasse.

Mas, como se diz, para tudo na vida há uma primeira vez, por mais doloroso que isso pudesse ser.

Notas:

1. ARE BAGUANDI, como dizia o povo na novela "Caminho das Índias"... como aconteceu coisa nesse capítulo, meu povo. Mas cabem explicações e vamos lá. Primeiro: Vadala fica na parte sudeste de Mumbai, um bairro que fica ca convergência de todos os meios de transporte da cidade, com integração entre o monorail, os trens e o metrô da cidade. Porém, mesmo cheio de conjuntos de classe média, também é um bairro com inúmeras favelas e prédios inacabados. Num deles foram gravadas algumas cenas de "Quem quer ser um milionário", além da cena do assassinato de um bandido. Vadala tem ainda a maior salina de Mumbai. Ambientei a luta nesse bairro porque segundo minha pesquisa, é um bairro com intensa "atividade clandestina", o que inclui, em alguns casos, lutas com apostas.

2. E esse vai ser o primeiro caminho do Kakarotto, agora Goku: as lutas de rua. Será que ele chegará ao circuito olímpico? Uma maneira sutil de manter a ideia de "terceira visão" do Tenshinhan, personagem que vocês sabem que eu amo, foi fazendo com que ele "percebesse" coisas que outros não percebiam. Veremos mais desse "dom" adiante.

3. O rito de casamento apresentado aqui é o mais usado nas regiões acima de Jaipur, como Agra e Utar Pradesh. Não sendo o hinduísmo uma religião de ritos unificados, o casamento tem diferenças regionais, por exemplo, no sul é comum que o noivo leve a noiva no colo até uma pedra depois do juramento dos sete passos e a ponha de pé no que chamam de "juramento pela boa casa", da mesma forma, variam ofertas de comida durante a cerimônia, em algumas regiões a noiva ou o noivo podem receber do outro uma colher de arroz ou iogurte com mel para comer, com diferentes significados. O único ponto central a todos os ritos é a sequência da troca de colares e guirlandas de flores, o nó nas vestes e as voltas ao redor do fogo. No rito de Mumbai, é durante os passos que o juramento é proferido, no de Jaipur depois, assim por diante. Vocês vão ver mais casamentos por aqui, mas não agora...

4. Mehndi é a pintura de hennah típica dos casamentos indianos, nas mãos e, às vezes, nos pés. Dura de cinco a sete dias e tem arte muito elaborada.

5. Então, uma reviravolta na vida de Chichi a coloca como par romântico do seu desafeto de infância! O que será que está por trás ao ataque a Yamcha? Será mera coincidência isso ter acabado beneficiando Vegeta? Não, gente, aqui não é Lost, não vamos só fazer perguntas e lançar mistérios... uma hora teremos a resposta para essa dúvida. Aguardem!

6. No próximo capítulo vamos ver se a Princesa Shanti vai ser feliz para sempre...

7. Dhoom, que dá nome a esse capítulo, é um filme de 2006 com Hrithik Roshan, Ayshwarya Ray, Abischek Bacchan e Uday Chopra que teve muitas cenas gravadas, sabe onde? NO RIO DE JANEIRO! Claro que chega a ser hilário porque a personagem por quem o Uday Chopra se apaixona é brasileira e mora à beira da praia num bangalô que parece tailandês com uma arara num poleiro. Sabe aquele filme do 007 de 1979 em que ele cai no Rio Amazonas e vai parar nas Cataratas do Iguaçu? É mais ou menos assim, a trama. O Hrithik Roshan é um mestre de disfarces (a maquiagem que transforma ele na rainha da Inglaterra é sensacional) que foge para o Rio e é seguido por sua discípula e fã, uma ladra interpretada pela Ayshwarya Ray que é capturada pelos policiais interpretados pelo Abischek e pelo Uday e obrigada a agir para que ele seja preso. Só que, claro, ela se apaixona por ele. Na vida real a Aysh se apaixonou pelo Abi e eles casaram logo depois.

8. Uma curiosidade! Tem uma cena nesse filme que contou com muitos dançarinos brasileiros, inclusive, um deles era professor de Street Dance da minha sobrinha. Foi gravado no centro do Rio de Janeiro, entre a Lapa e o Municipal, o clipe da música Dil Lagana.