Capítulo 14 – Mere Sarawastee (minha musa)
A pooja para Saraswaati começou pouco depois do horário marcado, mas Chichi não conseguia prestar muita atenção no discurso de Vegeta – claro, o astro principal do filme sempre discursava, raramente a mulher – porque sua mente repetia para si mesma a pergunta sobre quem havia barrado o teste de Goku, anos antes. Ela tentava recordar-se de como as coisas haviam acontecido, afinal, já tinham se passado quase sete anos. De repente, ela viu Oolong ao lado de Raaja Vegeta e lembrou-se que tinha sido ele que havia entregue o cartão para Goku.
Seu devaneio foi interrompido porque Vegeta citou seu nome e ela teve que, protocolarmente, levantar a mão, ir até o microfone e proferir o mantra à Deusa Saraswati, porque esse era o papel da estrela. Com a voz mais melodiosa que pode encontrar, ela disse:
– Om Aim Sarasuatie-Namarrá! Om Aim Sarasuatie-Namarrá! Om Aim Sarasuatie-Namarrá!
Vegeta então, enquanto ela repetia as palavras, segurou alto, sobre a cabeça, o pequeno coco da oferenda e desceu-o, batendo com força contra o sétimo degrau da escada do estúdio. O coco se quebrou e Chichi levantou os braços em triunfo enquanto a pequena multidão de técnicos, artistas, músicos, convidados, além da imprensa, repetia em uníssono o mantra que queria dizer "entre nós, Saraswati verdadeiramente manifestada".
As portas do estúdio se abriram e, como de costume, Vegeta deu o braço a Chichi e disse para ela, baixo:
– Eu sempre acho que o raio do coco não vai quebrar e eu vou ficar com cara de idiota.
Ela riu e disse:
– Você é forte o suficiente para quebrar um coco... mas não é você quem diz que isso tudo é crendice, bobagem, superstição do nosso povo ignorante, iluminista europeu?
– Não dá para se fugir do que se é... não quero acreditar mas às vezes acredito. Deve estar no DNA dos indianos ser um pouco supersticioso...
– Eu assisti a muitas Poojas a Saraswati e só em uma o coco não quebrou.
– É mesmo? Qual?
– Maahi ve, Maahi ve. O filme que minha mãe estava fazendo quando morreu...
Eles se separaram dentro do estúdio e ela, em vez de procurar Shallot, àquela hora entretido com os investidores de Dubai, foi direto até Oolong:
– Oolong...
– Ah, senhorita Chichi, está deslumbrante hoje eu...
– Pare de me bajular. Quero te fazer umas perguntas.
O homem olhou para os lados, meio apavorado. Achou que tinha feito alguma besteira quando ela disse, incisiva:
– Há uns anos eu conheci um rapaz e disse a meu pai que ele dançava muito bem. Lembra disso?
– Rapaz? Rapaz? – ele disse, procurando uma saída – não estou muito bem lembrado e...
– Mas eu me lembro. Eu disse que ele merecia fazer um teste. Meu pai ou o senhor Raaja deram a você a tarefa de receber a ligação dele, lembra-se?
Ele baixou a cabeça. Era terrível contrariar Chichi, mas ainda mais terrível fazer algo que deixasse Raaja contrariado e ele lembrava-se muito bem do rapaz, o insistente rapaz que ligara por um mês inteiro antes de desistir. Ele deu um suspiro resignado e disse:
– Sim, eu me lembro... ele ligou bastante, por um mês inteiro. E então, desistiu, creio.
– Quem foi que mandou você dispensá-lo?
– Eu sei que se não responder essa pergunta perco o emprego... mas se responder, também serei demitido.
– Só me diga quem foi. Eu não permitirei sua demissão.
– A senhora não tem esse poder...
– Já sei, foi o velho Rajaa. Claro, isso é a cara dele – ela disse e saiu, furiosa, querendo tirar satisfações com o velho, mas foi capturada por Shallot, que a segurou para a apresentar a meia dúzia de príncipes árabes de Dubai, cada um mais desagradável que o outro, que a olhavam com um ar cobiçoso diante da conivência patética de Shallot, que costumava ser muito conivente com investidores.
Quando um deles, o príncipe Janemba, fez um comentário mais desagradável sobre o quanto achava as mulheres indianas permissivas, mas que no cinema isso era tolerável, insinuando que elas eram agradáveis para se ver e tocar mas pouco "respeitáveis" Chichi simplesmente disse:
– Que eu saiba nenhum dos senhores pode me tocar. E vêem até onde todos podem ver e nada além disso. Não me admira que escondam suas mulheres debaixo de tantos véus, são inseguros demais para mostrá-las...
Ela saiu, irritada, deixando Shallot bajulando os árabes e apagando o incêndio, e achou o pai de Vegeta num canto, rodeado de atrizes aspirantes. Aquilo a enojava profundamente. Ela o abordou, sorridente, e disse:
– Svaamee (mestre) Raaja... preciso conversar um instante com o senhor em particular...
Ele dispensou as meninas e logo começou:
– O que foi? Mais uma das suas intermináveis queixas sobre meu filho? Já disse que o contrato...
– Eu não quero me queixar do seu filhote de babuíno, seu macaco velho e trapaceiro...
– Veja lá como fala, sua pequena atrevida! Eu conheci sua mãe, mas posso destruir sua...
– Pode mas não vai. Sou uma mina de ouro para esse estúdio, infelizmente quando eu e seu filho aparecemos na tela as pessoas amam... tanto que ele fracassa cada vez que tenta aparecer sem mim.
Ele grunhiu, mau humorado.
– O que você quer dessa vez? Um trailer maior? Um novo personal trainer?
– Quero só te dizer, seu velho miserável, que você não vai me controlar como controlou minha mãe e meu pai. Eu sei agora que barrou o rapaz que eu recomendei que fizesse um teste há seis anos e meio...
– Bah, achei que era algo sério... um teste há quase sete anos? Nem sei do que está falando!
– É algo sério quando você manda e desmanda na minha vida como se eu fosse sua propriedade. Não sou! – ela disse e completou – e eu vou escolher o próximo roteiro, não Vegeta. Se ele quiser, que aceite o que eu escolher!
Ela virou-se, irritada, e saiu. Aquela festa havia simplesmente terminado para ela.
Vegeta, que estava por perto e ouviu parte da discussão, se aproximou e disse:
– O que a pequena naja queria?
– Nada, fazer a cena de sempre. É exatamente como a mãe...
– Por isso o senhor me acorrenta a ela? – ele disse, mas quase em tom de piada – deixe que ela escolha o próximo roteiro, velho, ela é melhor nisso que eu.
– Bah. Você é um fraco, guri. Tem orgulho, mas é fraco. Deveria estar mandando nessas produções. Deveria se casar com ela e mostrar quem manda! Mas não tem sangue nas veias e nem bom gosto para mulheres!
– Não, eu não quero ser tudo que você não conseguiu ser, velho – ele debochou – ela seria uma boa filha para você, não eu – ele disse, e completou – soube que Sanjay Dutt está fazendo uma liga de MMA?
– Aquela luta estúpida que americanos gostam? Não tem classe nenhuma.
– Não tem classe, mas dá dinheiro. Se eu fosse você, velho, começava a negociar um filme com eles o quanto antes... isso vai estourar, eles vão fazer um reality show. Esse negócio vai fazer sucesso, o pay per view das lutas de fora faz sucesso, imagine se tivermos aqui!
– Vou pensar no seu caso, guri. – disse Raaja, afastando-se um pouco do filho. Mas sentindo-se intimamente satisfeito. Pela primeira vez na vida, Raaja Jr. tinha uma ideia própria e boa para um filme. Talvez fosse um começo...
Dias depois, Goku chegava em Nova Déli.
A capital da Índia era uma cidade diferente de Mumbai. Goku chegou ao Aeroporto Internacional Indira Gandhi depois de um voo de pouco mais de três horas, um tanto fascinado com a experiência de andar pela primeira vez de avião. A verdade é que sentira um pouco de medo, mas ficara fascinado porque nunca havia ido tão longe de casa. Ficava ouvindo o irmão falando das cidades, Calcutá, Agra, Jaipur, Nova Déli, Shimla... o lugar mais distante de casa que ele havia ido havia sido Goa, em duas viagens de muitas horas reclamando no banco de trás do velho ford do pai, ainda na sua primeira infância.
O aeroporto era fora da cidade, e um motorista o esperava, num grande SUV Mahindra preto com vidros escuros. O homem começou a falar:
– Meu nome é Beets, você é o...?
– Goku, Son Goku – ele disse, sorridente.
– O Centro de treinamento não é exatamente no centro de Déli, mas você vai adorar, é o último dos lutadores a chegar. Vão ser doze na primeira fase, mas depois, no período competitivo, vão ser apenas seis... então, não sei se deve se acostumar muito por aqui...
– Ah, eu vou sim. Tenho certeza que vou ficar entre os seis – disse Goku, empolgado.
– Todos dizem isso... mas é preciso foco, disciplina e, talvez, um pouco de sorte.
– Sorte? – riu Goku.
– Sim, sorte! – disse Beets, completando – imagine que eu já vi um lutador tropeçar e cair em plena luta.
Goku riu, mas pensou que, de certa forma, ele tinha alguma razão.
Depois de quase meia hora, chegaram a uma mansão numa área que Goku concluiu que era nobre, porque tinha outras mansões semelhantes. Havia um grande furgão de uma emissora de TV na porta da casa, e Goku concluiu que era por causa do tal reality show. Teria acontecido alguma mudança? Disseram que só gravariam depois de seis meses.
Quando ele entrou, descobriu que havia toda uma equipe de TV ali, com produtores, diretores... e um astro.
– Mr. Satan! – ele disse, reconhecendo um lutador de Wrestling aposentado que estava junto da equipe, e que reagiu com um sorriso jovial:
– Ah! Chegou o último! O Time Mumbai-Déli está completíssimo! Você é...?
– Son Goku, de Mumbai.
– Então, são três de Mumbai. Vá lá, se junte aos outros...
– A gente não ia começar esse negócio de gravação só daqui a seis meses? – ele disse, sentindo-se nervoso e intimidado pela visão de câmeras, assistentes e refletores.
– Ah, sim! Houve uma mudança de planos, o assistente vai dizer a você.
O mesmo Beets, que o havia trazido até ali, mostrou a ele uma revisão do contrato, que previa a gravação imediata e um aumento na bolsa de 30%, que poderia aumentar ainda mais se ele passasse pela fase seguinte.
– Peraí... eu vou ganhar mais?
– Sim. No total 104.000 Rúpias! (obs: R$6500,00)
– Onde mesmo eu assino?
Ele então foi levado para a sala da mansão, onde todas as casas onde ele tinha morado na vida caberiam tranquilamente. Era uma sala enorme, com 4 ambientes e uma escadaria que levava aos quartos, que ficavam na parte de cima da mansão. Goku olhou para os demais lutadores, que estavam espalhados ao longo da sala, onde havia uma mesa enorme com muitas guloseimas. Beets, vendo-o tímido, segurando sua novíssima sacola de viagem, que ganhara dos patrocinadores, disse:
– Vai lá e se serve, rapaz, tá aí e é para comer.
Goku sorriu e largou a sua sacola de viagem junto a uma pilha de outras e atacou o buffet. De repente, ele reconheceu uma pessoa:
– Ei, você não é o Broly?
Ele não via o rapaz desde a sua primeira vitória no circuito de luta de rua em Vadala. Ele havia abandonado a academia do mestre Karin logo depois da luta que perdera para Chapa, com raiva porque perdera o posto de "melhor aluno" e nunca mais Goku soubera dele, que havia aumentado muito sua massa muscular e tinha cicatrizes e descolorira os cabelos, que agora tinham um tom amarelado. Broly o encarou num misto de supresa e raiva, perguntando:
– O que você está fazendo aqui, Kakarotto?
– Bom, eu tava num torneio de Wrestling e fui selecionado... e eu agora uso meu nome de lutador, Son Goku – ele disse, com uma simpatia tranquila que não diminuiu a animosidade de Broly.
– Você é um bostinha de Mumbai, nunca deveria estar aqui... eu depois que saí daquela academia ridícula consegui uma vaga no circuito de Wrestling e fui para a Universidade com bolsa de lutador. E você? Continuou naquele circuito de briga de rua. Um bosta.
Goku coçou a cabeça, sem jeito, e disse:
– Bom... eu não tinha realmente notas para ir para a Universidade, minha média sempre foi o mínimo pra passar, sabe? Mas eu estava invicto no circuito amador de Wrestling, estavam me prometendo uma vaga na equipe olímpica, mas o senhor Sanjay Dutt me achou primeiro – ele sorriu – e eu acho que podemos deixar as bobagens de lado... – ele tentou estender a mão, mas Broly virou as costas para ele, dizendo:
– Nem pensar, seu imundo.
Goku ficou sem jeito, ainda mais quando percebeu que havia uma câmera ligada filmando os lutadores, e que o operador a havia direcionado para ele e filmado Broly destratando-o. Então deu de ombros e voltou a comer.
Havia pratos para todos os gostos: uma cesta enorme de chapatis, naan e outros pães, e acompanhamentos para eles, samosas vegetarianas e de carne de frango, cabra e peixe; frango na manteiga e ao curry, uma grande bandeja com thali e outras iguarias vegetarianas, chutneys, uma travessa de palak paneer e um homem fritando e preparando pani puri na hora. Para beber, havia o melhor chay que ele bebera na vida, lassi de manga e de leite de coco com gengibre e café gelado, além de refrigerantes. Ele comia sossegado uma porção enorme de pani puri quando ouviu uma voz chamando-o:
– Eu o conheço, meu rapaz...
Ele se virou e teve uma surpresa.
– Professor Kame? O senhor, aqui em Déli?
– Você é um dos filhos de Bardock e Gine, não é?
– Sim, sim! Eu sou o Kakarotto... mas agora me chamo Goku, nome de lutador... o que o senhor faz aqui?
– Bem, se lembra que eu era professor? Eu lecionava também artes marciais, lembra? Dei aula para o senhor Dutt quando ele precisou para um filme... e ele lembrou-se do meu método. Mas eu não vou ser o único...
– Isso é muito incrível! – disse Goku, apertando a mão do velho senhor e equilibrando o prato com pani puri com a outra mão.
De repente, o famoso Mr Satan entrou na sala, agora de roupa trocada, usando sua típica vestimenta de artes marciais e disse:
– Lutadores, perfilem-se, por favor, ali ao longo daquela parede. As moças juntas no canto esquerdo...
Goku, ao se dirigir a parede indicada reconheceu ainda entre os participantes o velho conhecido das lutas de rua, Chapa. Acenou para o rapaz, que devolveu sorrindo e então ele percebeu que, além de 12 rapazes, havia 4 moças. Não lembrava de mencionarem garotas na SFL. Mr. Satan então começou a falar:
– Boa tarde, jovens! Vocês estão agora oficialmente na pré-seleção da Super Fight League... Os rapazes precisam saber que serão 3 categorias e vocês todos foram escolhidos por terem potencial, embora não sejam todos lutadores de MMA por formação, terão aulas de artes marciais, introdução às técnicas mais comuns e serão filmados por 24 horas para o nosso reality show ao qual já assinaram o termo de compromisso. Isso foi possível porque negociamos mais patrocinadores. Ao final dos primeiros seis meses, seis de vocês serão dispensados, ficando apenas 6, dois em cada categoria... As moças estão todas automaticamente selecionadas, mas estão aqui para começar a adequação à competição, mas não ficarão aqui nessa casa, mas num alojamento anexo.
– Estamos sendo tratadas como café com leite – disse uma garota esguia e não muito alta, com seios relativamente fartos apertados num top e cabelos arrepiados e pretos.
– Na verdade, senhorita Caulifa, não conseguimos moças suficientes para dar conta de formar uma liga com mais lutadoras.
– Eu posso lutar com qualquer um desses palhaços aí! – disse ela, de forma arrogante e Mr. Satan respondeu com a maior paciência:
– Não, nessa liga não haverá lutas mistas... mas se quiser continuar tentando ser selecionada via Canadá para o MMA feminino do UFC, como estava quando seu agente nos contatou, podemos promover o seu desligamento.
Ela fechou a cara e calou-se, e Mr. Satan prosseguiu:
– As categorias femininas são leve-ligeiro e meio-médio. As participantes do time Mumbai/Deli na categoria meio-médio são as senhoritas Caulifla, do Canadá, filha de indianos, contratada depois de vencer um torneio estudantil e a Senhorita Lazúli, Francesa radicada na Índia.
Uma moça louríssima levantou a mão e disse:
– Meus pais são professores na Universidade de Déli.
– Na categoria leve-ligeiro temos a senhorita Kale, de Agra, prima da senhorita Caulifla e a senhorita Chirai, de Jaipur.
As duas garotas acenaram. Kale era mais alta e mais magra, Chirai, baixinha e tinha cabelos descoloridos e um corpo curvilíneo.
– E vocês, rapazes, estão divididos em três categorias: leve-ligeiro, meio-médio e pesado. Na categoria leve temos os senhores Kuririn, da região de Himanchal Pradesh; o senhor Rikun, da região de Punjab, o senhor Gamisara, de Mumbai e o senhor Kyrabe, aqui de Nova Déli.
Os rapazes deram um passo a frente e Mr. Satan disse:
– Daqui a seis meses, apenas 2 de vocês permanecerão no time. Mas não tentem se sabotar ou serão sumariamente eliminados. O jogo limpo aqui é essencial.
– Agora, o grupo dos meio-médios: O senhor Son Goku, de Mumbai, – Goku, sem jeito, deu um passo a frente – o senhor Lápis, irmão da senhorita Lazuli, francês radicado em Déli, o senhor Tagoma, de Shimla e o senhor Chapa, também de Mumbai. As recomendações de não sabotagem servem para os senhores também.
– Finalmente – concluiu Mr. Satan – temos o grupo dos peso-pesado. De Mumbai, o senhor Broly, campeão da liga universitária; da região do Rajastão, de Jodpur, o senhor Nam; de Goa, o senhor Botamo e, finalmente, da província do Gujarate, o senhor Magueta, de Ahemendabad. Espero que tenham entendido que as recomendações dos demais valem para todos vocês.
Seguiu-se uma longa explicação sobre como seria o reality, que começaria a ser transmitido dentro de três semanas, sendo a primeira parte da temporada para eleger os seis primeiros lutadores daquele time. Em seguida, haveria a segunda parte, onde eles começariam o treino como um time, que enfrentaria ao final alguém dos outros times. O ano seguinte seria decisivo, porque eles seriam profissionalizados e seriam os primeiros lutadores dos eventos nacionais da SFL.
Goku ficou concentrado e pensou: "No final, é só lutar. Não vou perder!"
Eles foram levados para seus quartos, dividiriam dois a dois. Goku foi colocado com o rapaz da região do Himalaia indiano, Kuririn. Quando entraram no quarto, ele ficou chocado. Havia um computador para cada um, uma cama larga e confortável para cada e um armário, além de mesas de cabeceira individuais. Goku olhou para o rapaz, que tinha a cara fechada e era baixinho e careca e disse:
– Oi, eu sou o Goku!
O rapaz olhou para ele com cara de poucos amigos e disse:
– Eu ouvi o seu nome.
– Então... como você chegou aqui? – ele disse, sem levar em conta o jeito fechado dele. O rapaz explicou que tinha treinado entre os monges e havia ganho um campeonato local de Wrestling em Shimla e tinha sido procurado por agentes que o convenceram a lutar dizendo que, se enriquecesse, poderia ajudar o monastério. Kuririn era budista e gostava de meditar, mas também tinha um fraco por garotas, o que Goku percebeu quando ele perguntou o que ele achara das garotas lutadoras.
Goku pegou uma série de porta-retratos na sua mala e disse:
– São bonitas, elas, verdade. Mas nenhuma é tão linda quanto a minha Saraswatee...
– Quem?
– Minha musa – disse ele, colocando o retrato de Chichi na mesa de cabeceira ao lado dos de cada membro de sua família.
– Essa não é a atriz da Princesa Shanti? – perguntou Kuririn, olhando o retrato, diante do sorriso bobo de Goku – ela é só uma atriz... não sabe que você existe, certo?
– Bem – disse Goku, feliz – ela realmente é uma atriz, mas não é só uma atriz. É a atriz mais incrível do mundo... e ela me deu essa foto. Autografou para mim. Eu já a vi duas vezes – ele sorriu – então eu acho que ela sabe quem eu sou.
Kuririn olhou para ele como se o achasse louco. E tudo isso foi filmado pelas câmeras remotas do quarto.
Quando o reality show foi anunciado, duas semanas depois, as filmagens de Saraswatee estavam em pleno vapor. Chichi sentiu o rosto queimar quando viu Goku na vinheta do comercial da TV de Mumbai. Era assim então que ele se sentia, quando a via no cinema? Ela passou a deixar a TV do trailer ligada, para ver as vinhetas do programa, que passavam todos os dias à tarde enquanto a atração não começava a passar. Na tarde do décimo terceiro dia de filmagem ela estava demorando a aparecer na filmagem e Shallot foi procura-la no trailer e a encontrou assistindo TV junto com Lunch, que finalizava, sem pressa nenhuma, seu penteado.
– Não acha que está demorando não? Era para termos começado há uma hora quase, mere sonnya...
– Eu quis refazer o penteado – ela mentiu – não estávamos gostando do anterior.
– TV no trailer? Nunca assistiu TV no trailer! – ele disse, intrigado – por quê...?
– Ah, deixei ligado porque queria me distrair...
Nesse momento, por sorte, azar ou conspiração cármica, a vinheta do reality da SFL, que costumava durar dois minutos, começou e anunciou Son Goku e Kuririn. A primeira conversa dos dois apareceu em flashes, e, finalmente a última fala dele ecoou no trailer, com a imagem da câmera do quarto dos dois mostrando Goku colocando o retrato de Chichi sobre sua mesinha de cabeceira dizendo: "Ela realmente é uma atriz, mas não é só uma atriz. É a atriz mais incrível do mundo... e ela me deu essa foto. Autografou para mim. Eu já a vi duas vezes ... então eu acho que ela sabe quem eu sou"
Shallot ficou lívido diante daquilo. Ele não reconheceu o entregador de doces imediatamente, e perguntou, desafiador:
– Chichi, quem é esse cara? É alguém que você conheceu pelas minhas costas?
Ela levantou-se, irritada, e disse:
– Você é um tolo, Shallot. Esse rapaz é apenas aquele que esteve aqui entregando doces. Um fã. Vai querer ter ciúmes de cada fã que eu tive?
– Ah... aquele slumdog pobretão... – ele riu – por um momento achei que fosse alguém relevante... Vamos, Saraswatee... hora de sua cena maravilhosa de dança...
Os dois desceram juntos e Lunch, que lembrava de toda história e estivera servindo de confidente de Chichi desde que ela relatara o segundo encontro disse para si mesma:
– É alguém bem mais relevante do que você imagina, Shallot...
Notas:
1. A abertura de um filme, com orações e quebra de um coco, numa Pooja (oração) à Deusa Saraswatee já não é tão comum ou obrigatória em Bollywood, mas eu quis manter como curiosidade, usando como base o que é mostrado no filme de 2008 "Om Shanti Om".
2. Toda estrutura da SFL mostrada aqui é fictícia, embora tenha havido duas ou três temporadas de um reality show da liga, não sei exatamente como foi feito, então, isso tudo é invenção minha.
3. Raaja nem lembrava de Goku e queria mesmo juntar Vegeta a Chichi. Mas esqueceu de combinar essa parte com eles. A partir daqui, Chichi começa a se libertar das amarras do produtor e dar seus próprios voos. Isso vai ser bom... mas não será fácil e pode trazer contratempos.
4. Já Vegeta começa a se adaptar a ser um astro, pensar com sua própria cabeça e andar com suas próprias pernas. Sim, ele vai ter mudanças em breve e isso vai ser ajudado pela entrada em cena de um novo personagem, em breve... e por isso sua relação com Chichi vai melhorar bastante: é impossível não trabalhar junto com alguém tão parecido e não acabar amigo.
5. Shallot subestima Goku, não imagina nada da história que ele tem com Chichi e, pior, usa a namorada como chamariz para investimentos. Prestem atenção nisso.
6. Por falar em atenção: prestem atenção nas lutadoras femininas da SFL... uma delas vai se envolver com Goku. E isso vai dar treta.
