Capítulo 16 - Chup Chup Ke (Silenciosamente)
Goku, que mais cedo em sua vida sonhara que era um ator de Bollywood famoso, que a vida inteira pensara em sucesso como algo que tornava a pessoa o centro de todas as atenções, na verdade, não estava nem um pouco preparado para se tornar famoso. E a fama aconteceu mais rápido do que ele imaginara.
A primeira vez que se animou a sair com outros aspirantes a lutador, numa noite de sábado, assustou-se com o assédio das pessoas, mesmo que eles estivessem numa exclusiva e bem frequentada boate de Nova Déli. As mulheres queriam passar a mão em seu peitoral, os homens o olhavam enciumado e ele não entendia porque não faziam o mesmo com o seu amigo Kuririn.
- Você também está no show! – ele disse, desesperado, quando entraram no espaço reservado, numa espécie de mezanino da boate.
- Ei, elas também me assediam!
- Nenhuma tentou rasgar a sua roupa.
- Acostume-se – disse Chapa, que estava com os dois, assim como Botamo, o mais engraçado dos peso-pesados, Kyabe e Lápis – você e Lápis atualmente tem o maior fã clube entre as mulheres, não olha a internet?
- Não entendi. O que tem na internet?
- Falam tudo sobre a gente, mas as mulheres estão absolutamente loucas por vocês dois. Não que eu seja desprezado – ele deu um sorriso cafajeste – mas elas comentam muito mais sobre vocês dois. São os caras mais bonitos, tem fanpages com milhões de curtidas no Facebook, seu tonto, nunca percebeu isso? Elas piram nos olhos claros do Lápis.
- Falando nisso, cadê o Lápis? – perguntou Goku. Botamo abriu a porta do reservado e viu Lápis se desvencilhando de duas fãs, e logo o puxou para dentro.
- Vocês me deixaram parra trás! – disse o rapaz, que falava hindi com um sotaque francês hilário.
- Então a gente vai ficar a noite toda preso aqui? – perguntou Goku – ele olhava a pista lá embaixo, havia tempo que não dançava.
- Bom, a gente pode tomar umas para pegar coragem – disse Chapa – vou pedir um daqueles drinks coloridos...
- Não devemos beber demais – disse Kuririn, sensato – não fica bem.
- É só um brinde! – Disse o grande e meio gordo Botamo.
- Eu não bebo! – disse Kyabe.
- Parece criança – disse Chapa. – ok, o que querem?
Eles beberam e Goku experimentou um estranho e doce drink azul apenas porque o nome era Shanti, gostou e pediu outros. Logo estava um pouco tonto.
- Quero dançar! – ele disse, de repente, cheio de coragem alcóolica.
- Sério isso? – perguntou Kuririn – É meio ridículo um lutador dançando.
- Eu não acho – disse Kyabe, que também tinha sido vencido e acabara experimentando um drink.
- E tem que filmar! – gritou Chapa, alegremente, sacando a câmera portátil que eles eram obrigados a carregar. Ele já filmara o brinde deles, a entrada na boate, com direito ao assédio a Goku e Lápis e disse, completando – vamos então ver... quem quer dançar e quem quer filmar?
- Eu só danço – riu bobamente Goku – minhas filmagens ficam... péssimas.
- Burro, não sabe mexer no equipamento! – zombou Botamo.
- Ei! Eu garanto que sei mexer no meu equipamento muito bem! – disse Goku, e os outros riram muito. Chapa já estava filmando tudo e disse:
- Isso vai ficar engraçado.
Menos de um minuto depois, estavam todos na pista de dança, menos Kuririn, que sacara ele mesmo a câmera dele e filmava de cima a performance dos colegas na pista. Goku realmente gostou quando começou a tocar a música Aaj Ki Raat (Esta noite):
Essa noite, há uma atmosfera
Um copo de vinho, uma intoxicação
Meu corpo e alma derreteram
As cores estão espalhadas por toda parte
Mas ainda há inquietação
Por que meu coração bate mais rápido
Por que meu coração me diz que
Os loucos ainda não sabem
O que vai acontecer hoje à noite
Quem vai ganhar?
Quem vai perder?
Quem sabe o que vai acontecer daqui a pouco?
Não apenas os colegas, mas todo mundo na boate surpreendeu-se quando ele começou a se mover no ritmo da música e executando a coreografia perfeitamente. Ele sequer se deu conta de quando os colegas, intimidados, se afastaram e ele foi ladeado por duas garotas, que começaram a dançar, eventualmente tirando uma casquinha e esfregando-se nele, que riu. A música continuou:
Quem sempre foi meu novamente se tornará meu
A decisão será tomada sobre quem ama quem
A decisão é que eu vencerei
Os loucos ainda não sabem
O que vai acontecer hoje à noite
Quem vai ganhar?
Quem vai perder?
O que vai acontecer hoje à noite?
Era a primeira vez, desde que ele desistira de dançar, que dançava em público, mas não se deu conta de quanto as pessoas estavam admiradas com sua aptidão para a coisa. Uma garota de repente se insinuou para ele e ele viu, estranhando, que era a mesma que o abordara na piscina. Caulifla. Ela era bonita. Ele sorriu para ela. Chapa deu um close nos dois. Ele a pegou pela cintura e os dois dançaram o resto da música juntos.
Venha, deixe-me dizer isso secretamente
A noite mudará de cor em um momento
Então eu vou levá-lo comigo secretamente
Onde você vai, olha eu estou aqui
Os loucos ainda não sabem
O que vai acontecer hoje à noite
Quem vai ganhar?
Quem vai perder?
O que vai acontecer hoje à noite?
Quando acabou a música, Caulifla tentou agarrar Goku, que se desvencilhou e disse:
- Ai, não gruda! Não gosto de dançar assim colado!
A garota ficou furiosa e saiu pisando nas tamancas da pista de dança. Goku dançou mais algumas músicas, mas, logo, sentiu-se incomodado com o tanto que as mulheres o abordavam, tentando agarrá-lo, e disse aos demais que iria voltar para casa, queria apenas dormir.
Quando entrou na SUV preta, que esperava do lado de fora, Caulifla o seguiu. O motorista acionou a câmera da cabine sem que eles percebessem, como era ordenado a fazer sempre que levava mais de um dos aspirantes em treinamento. Ela o abordou:
- Por que vai embora agora? Tá legal lá dentro!
- Por que você vai embora agora, se quer ficar?
- Eu vi você vindo embora e resolvi te seguir. Tem problema?
- Não – ele deu de ombros – tudo bem.
- Ainda apaixonado pela atriz? Ela vai casar com outro.
Ele ia dizer que tinha lido que era só um compromisso, mas decidiu não dar satisfação para ela, disse apenas:
- Não sou apaixonado por ninguém, só penso em lutar. Depois pode ser, mas agora tenho um objetivo. Ficar entre os seis... não penso em mais nada, só na luta decisiva. Nem era para ter vindo aqui, mas os caras insistiram...
- Pois é, falta só um mês, né?
- Sim. Você não tem essa preocupação, não precisa, tá no time, ganhando ou não.
- Eu sei, mas quero ser a primeira do ranking. A melhor das melhores.
- Todos querem.
- Eu quero mais que qualquer uma. E aí, vou ficar com o cara mais forte de todos.
- Se ele te quiser, né? Você nem sabe ainda quem é o cara mais forte!
- Mas eu já sei o cara que eu quero.
Ela riu, maliciosa, mas Goku não captou exatamente o que ela queria dizer com aquilo.
Antes mesmo das cenas de dança apaerecerem no reality show, elas haviam viralizado, porque muita gente havia filmado Goku dançando na boate. A internet tinha umas 20 versões diferentes da dança de Son Goku e Caulifla, e as pessoas começaram imediatamente a "shipar" o casal. Ribrianne ligou várias vezes querendo falar com Goku, que deu graças aos deuses porque isso era proibido por contrato. Mas uma pessoa não gostou nadinha daquela história.
Chichi viu cada um dos vídeos de Goku dançando com a aspirante a lutadora nos intervalos da gravação do seu segundo filme naquele ano, "Nakalee deting" (Namoro de mentira) uma comédia romântica que ela escolhera o roteiro e ajudara a produzir junto com Shallot. Mas ver os vídeos arruinou o seu humor de tal forma que chegou a prejudicar a sua atuação.
- O que deu em você, peçonhenta? – Vegeta perguntou, quando ela errou o texto pela vigésima vez numa cena romântica.
- Não é da sua conta. Não me irrite.
- Tem alguma coisa bem errada com você esses dias. E isso está prejudicando o filme, se você não notou.
- Eu estou bem, Vegeta! – ela disse, entredentes.
- Quando não me chama por um apelido ridículo é porque não está bem mesmo...
Ela parou e olhou para o rapaz. Pela primeira vez reconhecia que havia uma preocupação legítima nele. Ela o encarou e disse:
- Desculpe. Vou tentar me concentrar.
Quando acabaram as filmagens naquele dia e Shallot ligou dizendo que deveria viajar para Dubai e ficar um mês e meio fora cuidando dos negócios da sua família e de investimentos no principado árabe, como fazia todos os anos, ela finalmente pareceu menos tensa. Aquilo não escapou do olhar atento de Vegeta, que disse, enquanto ambos esperavam seus seguranças e carros:
- Por que ainda está com Shallot se não gosta dele?
- Hã? – ela disse, olhando para Vegeta com espanto. – Quem te disse que...
- Eu nunca vi uma mulher ficar mais feliz longe do namorado do que perto. Você não o ama.
- Isso não é da sua conta, eu não me meto nos seus namoros. Você devia parar de me perturbar.
- Não posso. Eu preciso sempre da sua ajuda, e vou precisar outra vez...
- Do que está falando?
- Da gente passar a produzir nossos filmes. Eu e você. Como sócios. Assim que esse contrato ridículo com meu pai acabar. Não precisamos nem atuar juntos, eu sei que não aguenta mais me aturar nos filmes...
- Faltam dois anos para o contrato acabar, ainda.
- Sim, e ele vai ficar supremamente puto se a gente não renovar com ele. Já imaginou?
Chichi riu pela primeira vez naquele dia. Ele prosseguiu:
- Eu pensei em chamar o Shallot. Mas ele certamente vai contar tudo para o velho.
- Eu venho me capitalizando para ter a minha própria produtora... eu e Shallot era o plano inicial, mas...
- Mas você está percebendo que seu compromisso não vai virar casamento... por que não termina?
- Bem... você sabe que eu investi nos últimos filmes, eu tinha meu fundo pessoal, mas Shallot me convenceu há um ano mais ou menos que ganharíamos mais se juntássemos nossos fundos... e eu fiz essa burrada. Agora preciso de um fundo de caixa para pagar a parte dele se quiser terminar os dois compromissos... ou ele pode executar as dívidas e acabar com todo meu capital pessoal. Isso me deixaria presa a seu pai por mais alguns anos, creio...
- Agora entendi porque ainda está com ele.
- Vegeta... se você gostasse de alguém... alguém muito improvável. Alguém que você na verdade só viu duas vezes na vida. Você apostaria que isso poderia dar certo?
Ele ficou olhando para ela intrigado e de repente disse:
- O entregador de doces.
Não era uma pergunta, uma questão. Ele afirmou, simplesmente e os olhos de Chichi arregalaram-se, e foi a resposta perfeita. Ela queria perguntar como ele sabia, como ele tinha percebido, mas ele fez um gesto apaziguador e disse:
- Desculpe! Eu não sou paranormal nem adivinho... mas eu conheço a irmã dele. Ela me disse que você deu uma foto e dançou com ele há uns anos... e ele agora está na SFL, não está? Eu percebi como você segue esse reality. Certamente não é por causa das lutas...
- Ok – ela disse, cruzando os braços – o que mais você sabe da minha vida?
Ele deu um suspiro e disse:
- Escute, temos mais três filmes por contrato, não temos?
- Sim, temos.
- Eu usei meu fundo pessoal que meu pai finalmente liberou para mim para comprar os direitos da marca SFL para o cinema. Eu e Tarble estamos escrevendo dois roteiros de filmes sobre luta, um sobre um lutador e outro sobre uma lutadora, e eu mostrei para o Sanjay Dutt quando negociamos o patrocínio e ele ficou maluco com as sinopses... Mesmo antes do contrato acabar, nós podemos produzir juntos essas duas ideias e fazer muito dinheiro. Já sondei, o velho não vai se opor a entrar com a gente e produzir esses dois filmes, mas a gente vai controlar tudo, vamos provar para ele que somos adultos. Aí depois a gente não renova nada com eles e cria nossa própria produtora. Você se livra do Shallot e eu do meu pai.
- Você está dizendo que eu e você podemos ser sócios numa produtora, sem meu pai, sem Shallot, sem aquela coisa horrível de ficar se rebaixando para investidores de Dubai?
- Podemos agir silenciosamente e começar a capitalizar um fundo para isso. Quanto a investidores de Dubai, eu também tenho muitos contatos. E eu jamais te usaria como vitrine, eu já sou famoso suficiente. Podia fazer isso com Tarble, ou mesmo como o Shallot. Mas acho que a pessoa mais paciente e capaz de tomar decisões sobre roteiros ainda é você. Quero que leia o que Tarble está escrevendo!
- Eu...
- Apenas pense, Chichi... e tome isso aqui.
Ele entregou a ela um envelope, que ela olhou intrigada.
- Meu convite de formatura – ele disse, já se aproximando do SUV que Tenshin dirigia para leva-lo para a faculdade. – Mas não sou doido como você de tentar um mestrado.
Ele, quando entrou no carro baixou o vidro e disse, pela última vez:
- Lembre-se: silenciosamente! – fez um gesto indicando que ela ficasse calada e fechou o vidro do carro, ordenando a Tenshin que fosse logo embora.
Chichi riu. Até que Vegeta podia ser divertido, às vezes.
Vegeta ia um pouco chateado para a faculdade. Eram suas últimas aulas, a única disciplina que ele ainda estava cursando depois de entregar seu projeto final e sua monografia. Ele sabia que as desculpas para encontrar Bulma estavam acabando. Depois das provas daquela disciplina, na semana seguinte, ele defenderia seu projeto final, pegaria os resultados e em um mês, estaria formado em Design Gráfico. E nunca mais veria a moça de cabelos azuis, que ainda tinha um semestre pelo menos pela frente e talvez seguisse carreira acadêmica.
Ela não dava uma brecha para que ele pudesse saber se tinha chance. E ele não ia ficar andando atrás de mulher nenhuma, era orgulhoso demais para isso.
O que ele não imaginava era que a viralização dos vídeos do irmão dela dançando fosse dar a ele uma ideia ótima. Ele chegou atrasado, como sempre, para a aula de gestão comercial de projetos, uma matéria do sexto período que ele acabara deixando para trás, e o professor fez uma piadinha rotineira sobre como era terrível ter celebridades estudando ali.
Depois da aula, ele foi procurar Bulma no laboratório de informática, onde ela passava a maior parte do tempo. Ela estava lá, mas não estava sozinha. Havia um grupo ruidoso de meninas cercando-a, e ele riu. Era parte do novo status dela de irmã de um lutador famoso. As meninas e ela estavam vendo um vídeo no celular de uma delas e nem deram pela chegada de Vegeta, que disse:
- Oi Bulma! – ele disse, e ela de repente olhou para ele parecendo em pânico, um instante antes das amigas dela olharem na direção dele e correrem todas para ele, falando ao mesmo tempo.
- Vegeta, você tem que ver isso! – disse Malinka, uma magricela de óculos.
- A Bulma nunca contou isso pra gente! Ela deve ter escondido de você também – disse outra, que ele nunca lembrava o nome.
- Você sabia que ela dança assim? Podia leva-la para um filme! – Disse Pooja, uma gordinha intrometida.
- Chega, garotas! – gritou Bulma – parem com isso, deixem o Vegeta em paz.
- Mas ele precisa ver! – disse Malinka – Vegeta, um vídeo dela dançando com o irmão viralizou! Você precisa ver!
- Ele não vai ver NADA! – gritou Bulma, tirando o petrificado Vegeta do meio das garotas e arrastando pelo corredor – essas loucas. Agora vão me encher o saco para o resto da vida...
Ele parou de se deixar arrastar quando saíram da sala e perguntou:
- Posso saber do que se trata tudo isso?
- Não é nada. Deixa isso pra lá.
- Que história é essa de vídeo viral?
- Não é da sua conta. Uma bobagem que algum idiota botou na internet. Um vídeo de quando eu tinha 16 anos! Morri de vergonha.
- Vergonha por quê?
- Não é da sua conta. É passado, ficou para trás.
- Se está na internet eu vou ver de qualquer forma...
Ela o encarou, reconhecendo a derrota e disse:
- Por favor não ria! – ela pegou seu celular e colocou no YouTube, num vídeo visivelmente antigo, pela resolução, que mostrava ela e o irmão adolescentes dançando uma música do filme "Kuch Kuch Hota Hai". Para ele era meio óbvio que tinha sido num festival ou algo assim pela pobreza e precariedade do palco, mas logo ele passou a prestar atenção nela.
Para sua surpresa, Bulma dançava bem, muito bem, aliás. Ela não faria feio num filme – ele pensou – num coro ou até mesmo como solista. Olhou para ela, que tinha os olhos baixos e o rosto vermelho e perguntou:
- Por que está com vergonha?
- Ora... porque é ridículo, hoje eu percebo isso.
- Não achei nada ridículo. Você dança muito bem. Conheço você há três anos e nunca me disse isso, ora essa.
- Nunca contei porquê... porque você ia achar que eu queria te usar para me tornar atriz. Já era abuso demais eu ficar pegando carona no teu carrão.
Ele sacudiu a cabeça e disse:
- Sabe de uma coisa? Você vai fazer um teste. Vou arrumar para você.
- O quê?
- Um teste. Para um papel pequeno, não se empolgue! Você sabe atuar?
- Bom... eu atuava de brincadeira, às vezes, fiz cenas com meu irmão em alguns festivais, mas... isso é certo?
- Por que não seria? Mas olha, não garanto nada, é um TESTE, ok?
Bulma ficou paralisada. Nunca imaginara que, depois de tanto tempo, apareceria uma oportunidade daquelas. Vegeta, quando entraram no carro, disse apenas:
- Eu te ligo e venho te buscar com o Tenshin no dia que você for fazer o teste. Conhece os estúdios Sadala?
- Não! Mas estou louca para conhecer!
- E vai!
- Ah, Vegeta... você é o melhor amigo do mundo!
Ela o abraçou e ele pensou: "Amigo. Hunf." Mas logo sorriu, afinal, aquilo podia deixar Bulma um pouco mais próxima a ele. Queria ter sabido do talento dela há mais tempo.
Demorou 15 dias para conseguir convencer seu pai a arrumar um teste para Bulma nos estúdios Sadala. Na pressa, ele não se deu conta que era para um pequeno papel no filme "Badaboom 4", o de uma moça que atendia o herói Badass Raj numa cafeteria e depois participava de uma dança bem animada com o personagem, interpretado por Yamcha Kapoor.
Bulma quase estragou tudo ficando catatônica diante de Yamcha, que sorriu e foi gentil com ela, acendendo um alerta instantâneo na mente de Vegeta. Justamente dela ele iria se aproximar? Yamcha costumava até ter uma fama de distante e difícil, e poucas mulheres haviam sido vistas com ele, em momentos esporádicos da sua carreira e seu único namoro sério havia sido com Suno Arora.
Depois de relaxar um pouco, Bulma acabou indo tão bem no teste que foi aprovada imediatamente. Como ela não tinha agente ainda, Vegeta sugeriu que ela fosse apresentada a Oolong, mas Pual, agente de Yamcha, se ofereceu para redigir um contrato e perguntou se ela não estava a fim de fazer fotos para uma revista. De repente Vegeta se tocou que ela era irmã do lutador que estava fazendo um enorme sucesso no reality da SFL, e percebeu finalmente que ela não era interessante apenas porque era talentosa, mas porque estava ligada a um "assunto quente". Logo, ela desaparecia na direção do escritório de Pual no estúdio e sobrava para ele apenas a sensação de que havia feito algo do qual mais tarde ele provavelmente se arrependeria.
Mas já era tarde demais para voltar atrás.
Bulma ligou para o irmão contando todas as novidades e Goku achou uma graça infinita na empolgação da irmã com seu pequeno papel no filme, sua aparição numa revista de moda e outras pequenas coisas que haviam acontecido a partir daquele vídeo viral idiota dos dois dançando no Ganesha Charturi.
Mas ele já estava concentrado nos momentos decisivos da definição do time Mumbai/Déli. A definição aconteceria num combate entre ele e outro do time, sorteado na mesma hora da luta, que seria transmitida ao vivo. As lutas dos times Orissa/Telangana, Tamil/Chennai e Bengali/Kolkatta já haviam acontecido nas semanas anteriores, agora era a vez do time que havia se tornado o mais popular do país: Mumbai/Déli. Seria um evento com seis lutas numa única noite, com ingressos vendidos a preço de ouro num estádio esportivo de Nova Déli.
O evento não seria em Mumbai porque a cidade tinha sido escolhida para sediar o evento nacional, que aconteceria em seis meses. Depois da definição de todos os times, os eventos nacionais de desafio seriam mensais, e havia milhares de jovens agora interessados em tentar um lugar na SFL, que começaria a crescer conforme sinalizava o interesse naqueles eventos de luta.
Goku estava concentrado para a luta. Não queria perder de jeito algum. Gostava de todos os colegas de time, embora não fosse muito próximo a Tagoma, mas não tinha dúvida nenhuma que lutaria com todas as forças contra qualquer um que fosse escolhido para lutar com ele. E quando entrou na limusine com os outros três, a caminho do evento, disse apenas:
- Caras... só queria dizer que esses seis meses foram muito legais.
- Pois é – sorriu Tagoma – mas isso não vai me impedir de amassar a tua cara, Son Goku.
- E nem eu a sua.
O estádio, a multidão... era a maior emoção da vida de todos eles. Mr Satan anunciou o início dos combates da noite, e logo as garotas foram lutar, mesmo que as lutas delas fossem sem eliminação. Kale e Caulifla foram as vencedoras, alcançando o lugar de líderes de time, e quando passou por ele, voltando ao vestiário, Caulifla disse:
- Vai lá e ganha, Son Goku.
Ele sentiu algo estranho com aquilo. A garota vinha flertando com ele há tempos. Pela primeira vez ele sentiu que podia se envolver com ela, afinal, Chichi estava a centenas de quilômetros e não demonstrara interesse nenhum por ele.
Ele mal viu as lutas anteriores. Os organizadores ordenaram as lutas de forma mista, e a dele seria a penúltima. A última seria entre Broly e Magueta, porque era tradicional que o último combate fosse entre os pesos pesados. Mas antes, ele teria de confrontar seu amigo Chapa. Lápis havia vencido Tagoma com uma certa facilidade, e Kuririn e Kyabe haviam vencido Gamisara e Rikun. Goku observava a luta de Nam e Botamo, torcendo secretamente pelo parrudo Botamo, ainda que percebendo que sua técnica era inferior, mas sua vontade era de aço.
Finalmente, Botamo foi recompensado quando conseguiu, com um movimento bem calculado, executar a finalização perfeita que eliminou Nam. Goku respirou fundo. A próxima luta era a dele.
Os flashes, o octógono, tudo se misturou numa grande massa colorida e ele fechou os olhos e procurou lá dentro dele o que ele precisava para vencer aquela luta... ele respirou, inspirou, e, silenciosamente, abriu os olhos para encarar Chapa, que agora era um grande amigo, mas que ele precisaria derrotar.
Ele viu nos olhos de Chapa o medo. Ambos se lembravam da sua primeira luta, no circuito de rua de Vadala, quase sete anos antes. Son Goku avançou, Chapa tentou agarrá-lo para o derrubar, mas ele desviou-se e golpeou o outro na linha de cintura. Os dois ficaram tentando um atingir o outro a ponto de finalizar, mas ambos tinham agilidade.
Mas Goku era mais forte e sabia disso, então, num movimento preciso que parecia vir de alguma forma de instinto superior, ele agarrou Chapa e levou ao chão, mantendo-o irremediavelmente imobilizado até que Chapa desistiu e bateu repetidamente no braço dele, quando o Juiz o declarou vencedor.
- Sinto muito, Chapa – ele disse, ao abraçar o amigo.
- Eu que dei azar – murmurou Chapa – nenhum de nós três ganharia de você – ele sorriu, sem jeito e Goku foi arrastado para fora do octógono para ser declarado líder dos meio-médios do time Mumbai/Deli, por sua pontuação maior que a de Lápis.
De repente, quando ele tinha os braços erguidos, sentiu alguém agarrando seu pescoço e viu Caulifla pendurada nele, e ela disse no seu ouvido:
- Essa noite eles vão desligar todas as câmeras, sabia?
- O que tem isso?
Ela apenas riu.
Em Mumbai, Chichi só não desligou a televisão irritada assim que viu Goku saindo com a lutadora pendurada a tiracolo porque estava assistindo o evento junto com Shallot. Não que tivesse direito a sentir ciúmes... mas certamente sentia.
Mais tarde, depois da vitória de Broly, todos os vitoriosos voltaram ao complexo e foi anunciado que, a partir daquela noite cada um tinha seu próprio quarto. A segunda parte da temporada começaria a ser transmitida na semana seguinte e a expectativa era de uma audiência ainda maior, portanto, os contratos sofreriam alterações e eles receberiam mais dinheiro.
Goku viu que suas coisas haviam sido transferidas para uma outra suíte, e deitou-se satisfeito na cama espaçosa, olhando para o teto e recordando os gritos da multidão celebrando a sua vitória. De repente, alguém bateu à porta. Ele levantou-se e viu Caulifla parada do lado de fora.
- O que você quer?
Ela deu um passo adiante e o agarrou pelo pescoço, beijando-o com vontade. Entendendo de repente porque ela falara das câmeras desligadas, ele fechou a porta.
Enquanto isso, em Mumbai, Chichi tentava desesperadamente esquecer que um dia tinha fantasiado com um romance com Son Goku, enquanto era beijada mais uma vez por Shallot.
Notas:
1. É preciso compreender a importância de um conteúdo viralizado nacionalmente na Índia. Um país com 1bilhão e 300 mil pessoas, 18 idiomas oficiais e muitos subdialetos, mas com ídolos nacionais na música, no esporte e no cinema, a Índia tem algumas das celebridades mais valiosas do mundo que, no entanto, não são conhecidas fora do seu país de origem. Tornar-se celebridade nacional na Índia não é fácil, mas quando isso acontece, a rentabilidade é instantânea, mas isso é algo que Goku só vai realmente perceber no próximo capítulo, que começa com ele tendo que lidar com esses ganhos financeiros repentinos. Quem irá socorrê-lo?
2. Chichi está, por hora, presa a Shallot por força de acordos financeiros... se o próximo filme for bem, ela pode terminar o namoro. E se não for? O que será que irá acontecer?
3. Vegeta finalmente fez algo para trazer Bulma para seu meio, mas sem querer a jogou nos braços de Yamcha. Pior: ela é apaixonada desde a adolescência pelo rival. Prevejo Vegebuls fazendo bonequinho de vodu para mim...
4. Não que eu tenha agradado as GoChis, juntando o Goku justamente com a Caulifla... será que esse romance (se é que podemos chamar de romance) vai durar?
5. Chup Chup Ke é o filme de Bollywood mais engraçado que eu já assisti. É a história de Jeetu, vivido por Shahid Kapoor, um vigarista que forja a própria morte mas é encontrado por pescadores e finge ser surdo-mudo. Mas, por uma série de circunstâncias, ele se envolve com Shruti, uma moça que é muda, mas não surda e acontecem mil confusões até o final feliz dos dois.
6. Aaj Ki Raat é uma música do filme Don (2005) que também toca em um momento muito importante do filme Slumdog Millionaire, de 2008.
