Capítulo 18 – Yeh mera dil pyaar ka deewana (Meu coração está louco de amor)
Quando Goku chegou em casa depois da sua corrida, Raditz o chamou no escritório do apartamento. O irmão havia mergulhado de tal forma nos negócios dele e de Bulma, que dominava agora completamente o jargão comercial e não parava de trabalhar nem mesmo nos fins de semana ou feriados, tanto que havia feito um segundo escritório em casa. Aproveitando que pudera deixar a estrada, matriculara-se numa faculdade de administração e finanças, que cursava à distância e tornara-se em pouco tempo, uma máquina de fazer negócios.
– Aqui... – ele mostrou as novas propostas de contratos que recebera, na condição de uma vitória na luta daquela noite – eu projeto, se tudo der realmente certo essa noite... um lucro de pelo menos 15 crore (aproximadamente 10 milhões de reais) nos próximos seis meses.
– Nossa... isso é dinheiro pra caramba – riu Goku, bobamente – mas... o que são esses contratos mesmo?
– Ah, o de sempre, material esportivo, alimentos, uma loja de departamentos... e tem a campanha do Valentine's Day de um site de venda de roupas. Isso é para você com a sua namorada.
– Campanha de Valentine's Day? Mas isso é só em fevereiro! E se eu terminar com ela antes?
– Bom, aí vai perder 1,5 crore... mas, olha, porque terminaria? Ela é bonita, não fica enchendo o seu saco para casar... faz a mesma coisa que você...
– É que... eu não a amo, bhaee.
– Bah, amor. Amor é bobagem, bhaee, coisa de filme. Na vida real é tudo diferente dos filmes, você deveria saber disso...
– É que... – ele considerou por um instante se deveria ou não falar com o irmão, então disse, de uma vez – pode parecer idiota, mas eu acho que... eu acho que realmente amo a Chichi.
– A atriz? Você dançou com ela UMA vez... e tinha 16 anos. Dá para acordar, Kakarotto?
– Você não entende... há dez meses, quando eu não era ninguém... um pouco antes de... de tudo... eu a encontrei mais uma vez. Eu tinha ido entregar aqueles doces no estúdio e ela estava lá no estúdio sozinha e nós... é magico quando estamos juntos, bhaee. Você não entende.
– Não entendo mesmo.
– Eu dancei com ela... eu a beijei de novo. Eu sei, sete anos se passaram, eu sei, mas... foi igual. Igual ao nosso primeiro encontro.
– E ainda assim ela está noiva de outro.
– Não é um noivado.
– Envolve um brilhante enorme que, pelo menos por enquanto, você ainda não pode comprar. Ela não largaria o sei lá o quê Khan por você, ele é rico e você, com nosso trabalho, muita sorte e a minha cabeça para investimentos também vai ficar rico, espero que em breve. E você não deve largar a Caulifla, não vai perder dinheiro por causa de uma paixãozinha idiota... vocês assinaram além daquele do Valentine's day mais dois contratos conjuntos de imagem que vão até junho, se quebrarem, causam um estrago danado nas nossas finanças.
– Você nunca se apaixonou, bhaee?
– Não. E nem pretendo. Depois dos 30, talvez, peço para maan achar uma esposa para mim... eu faço um contrato e me caso. Até lá, bom, garotas gostam de cabeludos. Eu não tenho do que me queixar.
– Olha... um dia você vai se apaixonar e vai me entender. E vai ver que nada é assim tão simples!
– Tá. Mas por enquanto... vou continuar tentando fazer você ganhar mais dinheiro, enquanto essa sua cabeça de vento deve pensar menos em amor e mais em como derrubar cada um daqueles caras que aparecer na sua frente!
Goku foi para seu quarto tomar um banho e relaxar. Ele deveria ir para o estádio da luta à tarde para se aquecer e preparar-se para a luta contra o implacável Hitto. Numa coisa, Raditz tinha razão: ele precisava se concentrar apenas na luta, e em vencer.
Lunch estava deitada sobre Tenshin, aproveitando a folga do Diwali para curtir o marido. A véspera tinha sido corrida com o grande evento de lançamento do filme, e, naquele momento, tudo que ela queria era relaxar e ser amada por ele, que naquele momento acariciava as costas nuas dela, depois de fazerem amor deliciosamente desde aquela manhã.
– Mere pyaree... – ela disse, languidamente – precisamos pensar no que comer...
– Podemos aproveitar o feriado e ir até a praça de Lakshmi. Lá há um festival e você pode se encher de pani puri...
– Pani puri? Hum... não sei... – ela pensou no cheiro da iguaria e seu estômago se embrulhou ligeiramente.
Nesse momento, seu telefone tocou. Tenshin revirou os olhos e disse:
– Não atenda... deve ser alguém para perturbar.,.
– É a Chichi – ela disse, pegando o aparelho e olhando o visor – eu preciso atender...
Ela atendeu e ele fez um muxoxo.
– Sim, Chichi, estou em casa... hum... que horas? Sério? Hum... sério? Ok... eu peço para Tenshin me levar aí... às 18h? Ok.
Ele tinha os olhos fechados e uma expressão aborrecida quando ela desligou.
– O que nossa pequena tirana queria?
– Bem... um evento de última hora... e ela sabe que é folga, então propôs me pagar uma boa diária...
– Nada vale nosso sossego do feriado, Maahi-ve...
– Nem trinta mil rúpias? ($30.000,00Rp = R$2098,00)
– CACETE! – ele disse, fazendo-a rir, porque Tenshin não era de falar aquele tipo de palavrão. – que evento tão importante é esse para ela pagar uma diária dez vezes maior?
– Uma luta da SFL... só preciso maquiá-la, ela mesma retoca.
– Interessante... sabe que luta é essa?
– Exatamente... o sujeito dos doces. Son Goku... Deewaar. Ele ficou popular bem rápido!
– Ela bem que poderia ter uns ingressos para nós – disse ele, num suspiro – há muito tempo não vejo uma boa luta.
– Bah – ela disse, levantando-se – podemos ver pela TV, né? Vou tomar uma chuveirada, podemos almoçar, depois você me leva lá...
– Chuveirada? Sozinha? De jeito nenhum! – ele levantou-se e seguiu a esposa, que ria, para o chuveiro.
Horas depois, ela finalizava a maquiagem de Chichi, que usava um lindo sári rosa e lilás com detalhes dourados. Ela estava deslumbrante com seu penteado cheio de tranças entrelaçadas num coque elaborado. Uma mangatikka de ouro com uma safira enorme finalizava o visual, combinando com o colar e os brincos de ouro e safiras, que ela colocou dizendo:
– Eram da minha mãe essas joias, são verdadeiras...
– Lindos! – disse Lunch. Ela completou, hesitante – a luta é daquele rapaz, não é? O Son Goku.
Chichi enrijeceu na cadeira de maquiagem. Tinha tempo que não trocava esse tipo de confidência com Lunch. Ela olhou-se no espelho, terminando de pôr o brinco e disse:
– Sim... mas é um evento maior. Vegeta conseguiu ingressos porque ele e Tarble estão escrevendo um roteiro de um filme para o próximo ano, eles firmaram um convênio para fazer pelo menos um filme sobre luta e...
– Chichi... me perdoe por ter escondido de você...
– Já disse que não há o que perdoar, Lunch. – ela disse, soando melancólica. – Talvez não fosse para ser.
Lunch pegou o fixador de maquiagem e disse:
– Feche os olhos, por favor... – ela começou a espalhar o spray de longe, cobrindo com uma fina camada o rosto de Chichi e então disse – Quando eu me apaixonei por Tenshin ele me disse que ninguém foge do carma... e acho que isso vale para você também, Chichi... se tiver de ser... não vai haver nada que impeça.
Quando ela terminou, Chichi abriu os olhos e disse:
– Ele tem uma namorada... e eu tenho Shallot... é tão difícil.
– Talvez a dificuldade esteja só na cabeça de vocês – sorriu Lunch. – Eu apenas torço para que o melhor aconteça.
Ela saiu e Chichi olhou-se no espelho pensando: "Que o melhor aconteça..."
O evento de luta em Mumbai era o maior que a SFL já tinha promovido. Na imensa arena do National Sports Club of India, em Sardar Vallabhbha, foi montado todo o circo do octógono de lutas. O evento seria transmitido em broadcasting por toda Índia e por pay per view a vários países, com foco especial em Dubai, que tinha forte presença indiana.
Era a noite de todas as disputas de títulos. Seriam cinco lutas na mesma noite, sendo que a dos pesos pesados e a dos pesos médios tinham recordes de apostas. Broly disputaria o título com um peso-pesado de Calcutá chamado Toppo e Goku disputaria com Hitto, de Chennai o título dos Médios. Era terrível para Broly, mas a popularidade de Goku superara a dele, o público havia sido chamado a votar a ordem das lutas e Goku era, disparado, o lutador mais popular, então, a luta dos médios terminaria a noite. Caso Goku vencesse, receberia 3 crore (pouco mais que 2 milhões de reais), dinheiro que ele jamais imaginara um dia ganhar por uma luta quando disputava nas periferias, e ele já levara os seus dois mestres, Karim e Kame, como treinadores no seu staff pessoal.
Fora ele e Broly, Caulifla e Kale disputariam cinturões, eram 4 do time Mumbai com chances de serem campeões, o que fazia o time deles o mais forte. Goku chegara cedo e estava aquecido e focado quando as lutas preliminares começaram. Havia uma TV no vestiário, mas ele não estava prestando tanta atenção à luta da namorada, que foi a segunda, depois da disputa vencida por Kale, a primeira do time a ter seu cinturão.
Ele se movimentava, olhando eventualmente para a tela da TV, quando num intervalo entre a primeira e a segunda luta, quando a emissora filmava o público, Chichi foi flagrada em close e ele parou, pasmo. La estava ela, linda e perfeita num sári rosa, entre o seu namorado, noivo, o que quer que fosse, e o ator Vegeta. Por um instante Goku parou, olhando para a tela e sorriu. Ela tinha vindo para vê-lo. Ele agora sabia.
E aquilo deu a ele uma certeza: ele jamais poderia perder.
O tempo voou, e ele estava tenso quando começou a luta de Broly com Toppo. Toppo era maciço, tinha um bigode denso e uma cara mal-encarada, além de braços que pareciam toras. Não parecia que seria uma luta fácil, e não foi para nenhum dos dois. Toppo tinha as mesmas características de Broly: uma imensa massa corporal e pouca agilidade, assim, os dois tentaram o tempo todo levar a luta para o chão, para uma imobilização onde um deles pudesse impor-se pela força. Eles eram fortes e foram necessários todos os cinco assaltos da luta para que um deles realmente conseguisse vencer.
Toppo quase conseguiu derrubar Broly, mas, repentinamente, foi agarrado pelo o rapaz que, em um rápido movimento, subjugou-o, imobilizando-o irremediavelmente até o fim da contagem. O estádio explodiu gritando o nome de Broly, que ergueu os braços num triunfo furioso, recebendo o cinturão aos urros, parecendo um grande macaco selvagem. De repente, ele bateu no peito e gritou "Hannuman!" – o nome do Deus-Macaco hindu. Era óbvio que Broly invejara a popularidade de Goku e agora queria um apelido tão emblemático quanto "Deewaar", então, a multidão gritou em uníssono "Hannuman!" e ele conseguiu o seu intento.
Goku assistiu a tudo em silêncio, pensando apenas que precisava, sim, ter uma luta mais forte e mais impressionante que aquela se quisesse se manter no topo da liga. E mais uma vez a vontade de lutar com Broly surgiu lá dentro dele. Como se aquele fosse o verdadeiro desafio, algo para pensar em um momento adiante. Ele se preparou para entrar no octógono para sua luta decisiva, sabendo ainda que, em algum lugar naquela plateia, Chichi esperava vê-lo como vencedor. Quando Broly passou por ele, no corredor do vestiário, ele ignorou a face pouco amistosa do rival que disse:
– Supere isso, Kakarotto... vamos ver se você realmente é "Deewaar" ou se não vai passar de uma muretinha e cair no chão. Eu agora sou um Deus, não importa que tenham escolhido sua luta para ser a última... eu sou maior e melhor.
Goku apenas sorriu e disse:
– Parabéns pela luta, Broly!
O apresentador, seguindo o costume de qualquer luta, anunciou primeiro o visitante, Hitto, "the hit", a sensação de Chennai. Um rapaz mais alto que Goku entrou no octógono, sério e compenetrado, a sua cabeça raspada compondo uma figura impressionante, junto com o corpo forte e os ombros largos. Os olhos dele eram claros, a pele, mais escura que a de Goku. Aplausos soaram para ele, e ele os recebeu sério, mostrando total concentração, como se esperaria de qualquer lutador realmente profissional.
Então, o combatente mais esperado da noite foi anunciado. De Mumbai, Marahastra, ele, Deewaar, o intransponível muro de Mumbai, Son Goku. O estádio começou a gritar seu nome em uníssono e logo depois, quando ele entrou de fato no octógono, ouvia-se apenas uma palavra: "Deewaar, Deewaar!"
Goku fechou os olhos um instante antes de soar o gongo. Ele podia ouvir todas as vozes e pensou, que em meio aquele coro, em algum lugar, todos aqueles que ele gostava chamavam seu nome. Ele quase podia ouvir Bulma, seu irmão Raditz e sua mãe chamando-o. E, em algum lugar por ali, a voz dela, Chichi, torcendo por ele. O gongo soou e ele abriu os olhos, decidido e feroz, ao encarar o semblante sério e frio de Hitto, que o mirava de volta, decidido.
Os dois partiram ao mesmo tempo, agarrando-se pelos braços, disputando cada milímetro de vantagem que pudesse levar o outro à derrota, soltavam-se, golpeavam-se, agarravam-se, moviam-se juntos, numa quase dança coordenada. Dois dos cinco assaltos se passaram sem que nenhum dos dois abrisse significativa vantagem. Tinham trocado socos também, e um deles acertou a lateral do rosto de Goku, deixando um rastro de dor e um inchaço que certamente deixaria uma equimose. O gongo soou e, sentindo a dor naquele ponto motivando-o a partir com tudo para cima dele no terceiro assalto.
Hitto era o homem mais forte com que ele lutara, ele podia sentir isso, e era sua primeira disputa realmente difícil. Mas ele sabia, desde o início, que o topo do mundo não era para quem não tivesse força, foco ou determinação. Num instante de vacilo, Hitto o agarrou e tentou levá-lo ao chão, as mãos poderosas como garras segurando seus braços, o peso todo contra ele. Ele sentiu imediatamente o jorro de adrenalina em sua corrente sanguínea mandando que reagisse para não perder.
"NÃO!" soou em sua mente quando ele viu o chão se aproximando, mas, no último segundo, ele desvencilhou-se do agarramento de aço do outro e deu um pulo, colocando uma distância de um corpo entre eles, vendo a surpresa do outro, que acreditara estar com a luta ganha. Foi quando ele avançou e, feroz, golpeou Hitto no centro do peito, fazendo com que este desse um passo em falso e abrisse a guarda.
Aproveitando a oportunidade, Goku o agarrou e levou ao chão, sem chance nenhuma de reação para o lutador de Chennai, a quem restou apenas um olhar resignado e uma batida no chão, acusando a derrota. Goku, ao se erguer, antes mesmo de levantar os braços estendeu a mão para o adversário para ajudá-lo a levantar-se do chão e disse, quando se viram novamente frente a frente:
– Foi a minha melhor luta. Você é um grande adversário!
O outro sorriu, de repente, e disse:
– Namastê. Espero vê-lo novamente numa revanche!
Goku não teve tempo de responder, porque teve os braços erguidos por seu staff, que invadira o octógono para a celebração do título e do cinturão. Ele finalmente era um campeão de verdade! Erguendo o cinturão com as duas mãos ele sorriu, em triunfo enquanto ouvia a multidão gritava "Goku! Deewaar!" era a consagração. Ele sorriu e a viu, de repente, logo numa das primeiras fileiras. Linda, num sári lilás e cor de rosa. Ela não gritava, apenas sorria para ele, que olhou para ela e sorriu de volta.
O Raz dance era a boate mais badalada de Mumbai, perto do píer de Chowpatti, um templo de música de todos os tipos que costumava funcionar até o sol raiar. Uma Limusine foi disponibilizada para Goku e seus convidados, mas ele antes fez o motorista levar sua mãe, que não gostava nadinha de boates, para casa. Ele mesmo pensava em ir por pouco tempo até lá, porque tinham sido muitas emoções, porque estava cansado, porque queria dormir e não aguentava mais Caulifla tentando falar da sua luta sem parar, vangloriando-se da sua vitória sobre Cocote. Goku ia calado, olhando para o irmão e a irmã, que riam das caras que ele fazia diante do monólogo incessante da namorada. De repente ele perguntou:
– O Yamcha não vem, Bulma?
– Ele embarca amanhã cedo para Londres... tem cenas do filme novo por lá, com ele e o Piccolo.
Piccolo era o dublê e melhor amigo de Yamcha, os dois sempre filmavam juntos e Goku disse:
– Que pena. Mas você pode se divertir, não?
– Ah, certamente. Vou dançar um bocado. O Vegeta disse que vai, você vai gostar dele, é divertido.
– Tá – disse Raditz – esse tal de Vegeta é solteiro, espero que ele seja respeitoso contigo e não tente nenhuma gracinha.
– Como você é bobo, bhaee. – disse Bulma – ele é meu melhor amigo, a fama dele de mulherengo é injusta.
– Tá bom... – disse Raditz, fazendo Goku sorrir. Caulifla o agarrou e ele disse, sem jeito
– Me solta um pouco, Caulifla... depois, depois...
Raditz não disse nada, mas emburrou. Achava que aquela rejeição não era boa para o irmão.
A música no Raz era alta, ensurdecedora, mas eles foram logo levados para o ambiente vip, longe dos frequentadores comuns, no segundo piso, com uma pista mais vazia, diante da cabine onde um DJ fazia a sua música, compenetrado nos mixes entre o trance ocidental, a música eletrônica e o pop dance típico dos filmes de Bollywood.
Eles receberam uma mesa exclusiva e descobriram que eram convidados vips da SFL, que pagaria os drinques.
– A melhor coisa de ter um irmão famoso é ganhar coisas de graça – brincou Raditz, fazendo Goku rir. Ele sentou-se num canto da mesa e Caulifla espalhou-se sobre ele, que disse:
– Desgruda um pouco...
– Você é muito chato, velhote – ela o chamava assim, porque dizia que ele era mal-humorado como um velho. Goku fechou os olhos um instante e ouviu Bulma gritando para se fazer ouvir:
– Quero dançar, bhaee! Por que não vamos para a pista?
– Procure seu amigo lá... o tal Vegeta. Treine para dançar com ele num filme... – disse Goku, olhando a lista de drinks atrás de algo sem álcool.
– Ele só faz par com a sua princesa Shanti... – zombou Bulma, fazendo Caulifla fechar a cara, emburrada. Pediram os drinks e, de repente, Bulma saiu, indo atrás de Vegeta, que ela viu chegando ladeado por duas garotas e pelo irmão. Goku não sabia por que, mas sentia-se vazio ali. A tagarelice de Caulifla enchia seus ouvidos e ele ficava imaginando por que ainda a aturava. Calculava mentalmente para ver se o dinheiro que os contratos que tinha com ela valiam a pena... Raditz tinha muitos planos, entre eles o de tornar a doceria da mãe uma franquia. Eram tantos investimentos que eles poderiam fazer...
– Vamos dançar – ele disse, de repente, querendo finalmente fazer algo que não enchesse sua cabeça de ideias ruins. Mirou Bulma na pista de dança e foi até ela, juntando-se à coreografia que ela executava, sorrindo, ao lado de outras garotas e observada por um Vegeta que não dançava exatamente junto com ela, mas apenas próximo.
Goku ria mais para a irmã do que para a namorada, que tentava, em vão, dançar acompanhando os dois. Vendo que não entraria na mesma sintonia que eles, ela deixou a pista, emburrada, e foi pedir qualquer coisa no bar. Era terrível aquilo, mas Goku sentiu um grande alívio quando ela saiu de perto deles.
De repente, a música mudou para um hit antigo e conhecido, uma música do filme Don: "Yeh mera dil" (Meu coração) e foi quando Goku enxergou Chichi, que dançava no lado oposto da pista, ladeada pelo noivo, que movia-se sem muito jeito, enquanto ela, ao observar Goku, começava a mover-se de forma sensual, encarando o rapaz, que não conseguia desviar o olhar.
Meu coração está louco de amor, louco, louco de amor
E esse amor é como uma chama queimando no meu coração
Estou disposto a deixar essa chama me envolver
Você não pode escapar de sua intensidade também
Meu coração está louco de amor, louco, louco de amor
Foi involuntário. Os olhos dele não se desviavam da figura esguia dela, e os dois, atraídos magicamente, andaram um na direção do outro e acabaram encontrando-se no meio da pista de dança.
Meu coração sempre consegue o que deseja
E se é minha vida que a tua deseja, posso morrer por ti
Te presenteio minha vida em troca da sua
Meu coração está louco de amor, louco, louco de amor
E esse amor é como uma chama queimando no meu coração
A cada momento que passa, uma tempestade assola meu coração
Aquele a quem eu tanto desejo está chegando mais perto
As mãos dele e dela se encontraram, e ele a girou em volta dele, encararam-se inúmeras vezes, enquanto o refrão era repetido:
Meu coração está louco de amor, louco, louco de amor
E esse amor é como uma chama queimando no meu coração
Não existia mais nada, a não ser a música e os dois, dançando tão próximos, tão iguais... ele queria que aquela música não terminasse jamais, tudo que ele queria era dito pela letra:
Você nunca esquecerá o dia em que nossos corações colidiram
Meu coração está louco de amor, louco, louco de amor
E esse amor é como uma chama queimando no meu coração
Estou disposto a deixar essa chama me envolver
você não pode escapar de sua intensidade também
Porque meu coração está completamente louco de amor...
Ele sorriu para ela quando a música estava quase acabando, mas, então, sentiu a mão de Caulifla puxando-o pelo peito, o olhar abertamente hostil encarando Chichi. Quase ao mesmo tempo, Shallot surgiu ao lado de Chichi e puxou-a, sumindo com ela na direção oposta. Goku voltou de repente à realidade quando viu a face emburrada da namorada e virou as costas para Chichi, voltando à sua mesa para bebericar seu coquetel sem álcool.
Raditz o olhou, de onde estava, em pé, num canto da boate, conversando com uma garota bonita e apenas balançou a cabeça em reprovação. Ele sorriu, sem jeito, ignorando as reclamações da namorada, que dizia:
– Como aquela vagabunda... ghirnit kutiya! (vadia nojenta) Ela estava FLERTANDO contigo! E aquele idiota do noivo... ele não segura a própria mulher não?
– Foi só uma dança, Caulifla – ele disse, olhando para ela, aborrecido – só uma dança.
– Não foi só uma dança, Son Goku... eu vi que não foi só uma dança... ah, não foi só uma dança mesmo!
Ele riu e balançou a cabeça. De repente disse:
– Se está tão incomodada... pode ir embora.
Os dois se encararam um instante. Ela calou-se, com raiva. Goku encostou-se na cadeira fechando os olhos. Havia momentos em que tudo que queria era sumir, ou voltar a ser um simples entregador de doces, sem aqueles compromissos chatos. Ele olhou para a pista. Chichi tinha desaparecido.
Naquele momento, Chichi estava dentro do carro de Shallot, que a arrastara para irem embora, furioso depois da cena na pista de dança. Ela ia calada e ele então, finalmente perguntou:
– O que você pensa que eu sou? Um idiota? Quer me fazer de tolo, me envergonhar?
– Foi apenas uma dança.
– Não foi apenas uma dança! Ele te comia com os olhos! E justamente aquele sujeito, slumdog maldito! É um sujo, sempre será um sujo. Não importa o quanto ganhe dinheiro, gente como ele nasce e morre suja, sabemos disso.
– Não sei de nada. Só sei que em festas com aqueles asquerosos príncipes de Dubai eles tentam botar a mão em mim e de forma absurdamente inapropriada e você finge que não vê, que não percebe – ela disse, cheia de raiva – quando eu quero apenas dançar você resolve se importar?
Ele deu uma risada amarga e disse:
– Ora, que belo momento para se tornar rebelde, Maahive... justamente agora, que estamos tão comprometidos...
Ela olhou para ele. Sabia o que ele queria dizer.
– Os seus odiados príncipes de Dubai salvaram o seu fundo pessoal de falência, lembra? Você burramente colocou energia e dinheiro demais naquele filme estúpido que nos deu um prejuízo de 40 crore (R$27.000.000,00)... e enquanto não estiver tudo pago, querida, acho bom tratá-los muito bem... e não pensar em me fazer de idiota. Eu não pus um anel de compromisso no seu dedo para ser feito de tolo diante de toda sociedade de Mumbai...
Ela engoliu em seco. Estava nas mãos dele, e sabia disso.
Notas:
1. Prestem atenção ao jeito frio e calculista do Raditz que ele será importante adiante...
2. Goku finalmente se tornou um campeão depois de uma luta difícil com Hit, mas Broly segue sendo o grande rival, embora eles estejam em categorias diferentes. O que podemos esperar dessa disputa de egos?
3. Finalmente está tudo bem outra vez entre Chichi e Lunch. Em breve ela vai precisar contar com essa amizade.
4. Para vocês que sentem falta de Vegeta e Bulma... o próximo capítulo é só deles.
5. Não tem jeito: Shallot e Caulifla estão sobrando... mas Chici e Goku estão financeiramente amarrados a esses parceiros. Como o amor dos dois vai driblar esses obstáculos?
6. A música "Ye mehra dil" é do filme Don, de 1978 e tem uma versão mais recente, da refilmagem, de 2006. A primeira foi dublada por Helen, uma atriz/dançarina que hoje está com mais de oitenta anos (é uma senhorinha muito fofa) que se notabilizou pelos papeis sensuais nos anos 60/70 e participou de mais de 100 filmes indianos. Quando participou de "Don" ela tinha 40 anos.
7. A segunda versão da música, que é a que realmente mencionamos, foi dublada por Kareena Kapoor, onde ela faz o papel de uma espiã que tenta enganar/seduzir Don, vivido por Sharuk Khan.
