Capítulo 23 – Sholay (Brasas)
Goku estava sentado apenas de cuecas na cama de exame do médico que atendia a SFL e suas pernas remexiam-se incansavelmente porque ele estava nervoso: tinha simplesmente horror a ir a médicos, sempre achando que seria furado, cortado ou levaria alguma injeção. Mas não podia escapar daquele exame, porque a cada mês tinha uma consulta obrigatória para saber se os treinos e suplementos de alguma forma estavam afetando a sua saúde.
Normalmente as consultas eram rápidas e tranquilas, mas daquela vez o doutor Beerus conferia o seu histórico anotado em fichas mensais pela terceira ou quarta vez. Sem dizer nada, o médico, um senhor de uma certa idade que lembrava um gato velho, levantou-se e pegou um instrumento na gaveta, fazendo com que Goku se encolhesse e dissesse:
– Que negócio é esse aí na sua mão, Doutor? Vai me machucar com essa coisa?
O homem olhou para ele com um olhar impaciente e disse:
– Não dê ataque, Goku. Isso é apenas um plicômetro. É para medir a sua gordura corporal.
– Mas o senhor nunca mais me beliscou com isso, só naquele primeiro exame que fizemos. – disse Goku, conforme o homem pegava a pele de sua cintura e beliscava com o aparelho com cara de poucos amigos.
– Porque não precisava. Mas você ganhou peso dois meses seguidos desde a sua luta e eu estou investigando o porquê e vendo que tipo de ganho de peso foi.
– Quer dizer que eu tô gordo? – perguntou Goku enquanto o homem seguia com o exame, anotando cada coisa que descobria.
– Quer dizer que se você não calar a boca vai levar um pescoção – disse o médico, nem um pouco intimidado por estar diante de um lutador da SFL. Goku ficou quieto até o fim do exame, quando o médico disse:
– Vista a roupa e sente-se ali – disse o médico apontando uma cadeira diante dele. Goku obedeceu prontamente, ainda sentindo um certo nervosismo.
O médico coçou a cabeça e disse:
– Seus exames estão ótimos.
– Ainda bem. O senhor não sabe o sacrifício que é pra mim ser picado uma vez a cada três meses para...
– Cale a boca, Goku! – disse o médico, impaciente, fazendo Goku se calar – um homem desse tamanho com medo de agulhas, francamente! Mas seu ganho de peso está me preocupando. Você ganhou 12 quilos nos últimos três meses. Sabe o que isso significa?
– Que eu engordei?
O homem o olhou como se encarasse uma criatura estúpida e disse, depois de bufar levemente:
– Seria a conclusão óbvia se minhas medições não dissessem que você perdeu gordura corporal em vez de ganhar. Você ficou mais forte, muito mais, teve um imenso ganho de massa muscular.
– Ah, então é isso? – Goku pareceu relaxar na cadeira – então é bom, eu sempre quis ficar mais forte! – ele deu um sorriso bobo e o médico o olhou zangado, dizendo:
– Não, não é bom porque você é um lutador da categoria dos pesos médios da SFL e isso significa que você precisa pesar menos de 100kg e você está com 97! Quando começou na categoria pesava 85 quilos, Goku!
– O que eu posso fazer? Se eu ficar muito forte é só mudar de categoria. – ele deu de ombros e o médico o encarou apoplético e começou, quase gritando:
– Mudar de categoria? Você disse mudar de categoria, seu imbecil? Acha que é assim tão simples? O SFL não é como o UFC, com muitas categorias! Se passar para os pesados, vai lutar com sujeitos como o Broly, que pesa 119 k! O mais leve deles pesa 110 kg, qualquer um deles iria achatá-lo, seu idiota! E se chegar na pesagem acima do peso pode simplesmente ser desclassificado!
Goku fez uma cara intrigada e meio triste, não sabia exatamente o que dizer ao médico, que prosseguiu:
– Sua primeira defesa de cinturão é em um mês! Você vai precisar manter o peso até lá para garantir que não fique muito próximo ao limite da categoria. Vou encaminhar você ao nutricionista, que vai prescrever uma dieta que garanta que você não ganhe mais peso sem perder tanta massa muscular.
– Dieta? – Goku disse, terrificado. A coisa que ele mais amava na vida era comer, a palavra dieta soava a ele como a pior das torturas – eu não posso, sei lá, correr o dobro do que eu corro? O senhor não pode me colocar para passar fome!
– Não vou fazer isso – disse o homem, com um sorriso simpático e Goku suspirou aliviado antes que ele completasse, sadicamente: – quem vai é a nutricionista!
Goku gemeu de tristeza. Aquilo seria um inferno.
A nutricionista elaborou um cardápio que fazia Goku sentir fome o tempo todo. Para completar, seu treino estava mais pesado, o que fazia com que ele tivesse ainda mais fome e seu humor ficasse absurdamente ruim. Além disso, teria que começar as "aulas" de Vegeta sobre como se comportar como um lutador de MMA, os movimentos de luta e tudo mais. E isso fora dos horários de treino.
Goku agora dirigia belo carrão, um belíssimo Ford Endeavour, mas seu humor desapareceu quando entrou no estacionamento da "I Think Fitness", a academia onde ele treinava, num dos pontos mais nobres de Mumbai, e viu a vistosa Ferrari preta de Vegeta. "Sujeito exibido", ele pensou e estacionou seu carro bem longe do carrão.
Vegeta o esperava, parecendo absurdamente um garoto rico, completamente vestido com um uniforme de luta e Goku teve vontade de rir dele, porque estava usando um short velho e uma camiseta, era o que ele sempre usava para treinar. Nenhum lutador profissional treinava "fantasiado" de lutador profissional.
– Você malha? – ele perguntou para Vegeta, sem mesmo dizer bom dia, quando viu o rapaz parado no meio do salão de treino de luta que havia sido alugado para a SFL por três horas.
– Você está atrasado – disse Vegeta, de cara fechada. A antipatia entre eles era mútua. – sim, eu malho.
– Tinha um engarrafamento em Church Gate. Vamos dar uma malhada para aquecer e depois o treino mesmo. – ele deu as costas de forma antipática para Vegeta e foi para a sala de musculação. A partir dali os dois fizeram uma pequena competição pessoal para ver quem pegava mais peso, fazia mais repetições, isso tudo sem trocar uma palavra. No fim, Goku estava até impressionado por que Vegeta realmente malhava pesado, mas quando terminaram ele disse:
– MMA se luta sem camisa. Você tem algum pudor em relação a isso?
– Não – ele disse e tirou a camiseta de treino – eu fiz parte de um time de Wrestling na escola onde estudei na Suíça e...
Ele não teve tempo de terminar porque Goku avançou e o lançou no chão, imobilizando-o.
– Ei, você está maluco? – perguntou Vegeta, irritado – achei que fosse me explicar como se luta.
– Estou explicando – disse Goku largando-o e se levantando – isso é um mata-leão. Tenta fazer igual. Aula prática.
Vegeta avançou mas logo foi sobrepujado. Goku parecia estar se divertindo e tirando suas frustrações dos últimos dias. Quando viu os modos e o jeito de Vegeta, imaginou que ele estava sempre perto de Chichi. Ficou pensando se ele não era apaixonado por sua garota. Queria humilhar aquele riquinho metido, mas depois de algum tempo Vegeta disse:
– Ok, Kakarotto. Sua irmã sempre me disse que você era um sujeito legal, mas estou vendo que é na verdade um babaca.
Goku parou, piscando repetidas vezes antes de dizer:
– Eu estou tentando treinar contigo!
– Você está é me fazendo de sparing. Não foi para isso que foi escolhido. Eu preciso parecer um lutador e olha, tenho certeza que se eu tivesse o seu treino eu seria tão bom quanto você ou até melhor. Qual é o seu problema?
Ele ficou quieto. Lógico que seu problema era o fato de que estava treinando com um sujeito que acreditava ser apaixonado por Chichi. Vegeta suspirou resignado e perguntou:
– É por causa da peçonhenta?
– De quem?
Vegeta riu e respondeu à própria pergunta e à de Goku:
– Sua amada Chichi. Não precisa ter ciúmes de mim, nunca tive interesse nenhum nela, acredite. Mas se é tão gamado nela, porque ainda namora aquela guria da SFL?
– Isso não é da sua conta.
– Realmente, tenho mais o que fazer. – disse Vegeta, virando as costas para ele. Goku sentiu-se um idiota e respondeu:
– Meu irmão é meu empresário... e eu assinei alguns contratos publicitários com ela como casal. Faltam alguns meses para acabar. Mas não sou apenas eu. Chichi segue usando aquele anel de compromisso com aquele produtor almofadinha e...
– Vocês dois são inacreditáveis. – Interrompeu Vegeta, com um riso sarcástico – chega a ser engraçado.
– Por quê? – disse Goku, na defensiva.
– Prefiro que você discuta isso com ela e se torne alguém com quem eu realmente aprenda alguma coisa em vez de se comportar como um idiota ciumento – ele disse, procurando seu celular na bolsa de academia – Ele achou o contato de Goku e mandou uma mensagem pelo whatsapp. – Mandei o contato dela para você. Discutam a relação e resolvam isso. Vou dizer a ela que é você mesmo, não se preocupe – disse ele, enviando uma mensagem rapidamente para Chichi que dizia: "Dei a Kakarotto seu contato."
Goku não podia acreditar. Ficou olhando para Vegeta antes de perguntar:
– Você realmente não é apaixonado por ela?
– Nunca fui. Disse Vegeta. Mas pergunte isso para ela, é melhor que ela fale sobre isso contigo. Agora, vamos treinar direito.
O treino, a partir dali, melhorou muito. Goku devia admitir que Vegeta poderia ter sido um lutador tão bom quanto ele. Depois ensinou movimentos, posturas e combinaram que dias da semana treinariam juntos até o fim das filmagens de "Shakti". No fim, Goku disse:
– Tenho que admitir que você é um cara melhor do que eu imaginava – disse Goku. – Agora tenho um compromisso chato. Preciso encontrar minha "namorada".
– Uma sessão de fotos? – perguntou Vegeta. Goku enrubesceu. Odiava admitir que tinha um dia marcado para satisfazer as necessidades sexuais de Caulifla. No fim acabou contando e finalizou dizendo:
– Ela me chantageia para isso.
Vegeta franziu a testa e disse:
– Por que você cede à chantagem?
– Bem... eu não posso fazer nada, os contratos.
Vegeta olhou para ele o achando um enorme imbecil e disse:
– Você não precisa fazer isso. Diga a ela que não vai fazer. O que ela pode fazer? Reclamar? Se ela romper o contrato perde tanto quanto você! Diga a ela que não vai mais fazer isso, a não ser que queira continuar transando com a garota.
De repente, Goku sentiu-se tremendamente idiota. Vegeta tinha realmente razão. Ele não precisava daquilo! Olhou para Vegeta e disse:
– Você tem razão. Estou sendo um idiota. – então, completou – não, não quero mais transar com ela. E nem vou – ele sorriu e disse – mas já deu de treino por hoje. Memorize os golpes, cara!
Ele virou-se e ia saindo quando pensou em mais uma coisa e se voltou dizendo:
– Falta apenas mais uma coisa, Vegeta.
– O quê? – perguntou o outro, surpreso.
– Você aprender a agir como alguém que um dia foi pobre. Se o seu lutador é mesmo um cara que veio de baixo, perca um pouco dessa sua postura de príncipe e desempine um pouco esse nariz. – ele colocou sua camiseta velha e saiu, com a bolsa de academia no ombro deixando o outro pensando apenas em como pareceria algo que absolutamente jamais tinha sido.
Na porta do apartamento de Caulifla, Goku a encarava, sério depois de dizer que não iria mais seguir cumprindo a sua humilhante "obrigação sexual"
– Você o quê?
– Não quero mais manter essa parte do nosso acordo – disse Goku, firme. Caulifla o encarou, irritada, e disse:
– Então vai quebrar o acordo entre nós dois?
– Não. Só não vou mais fazer sexo contigo. Não sou um garoto de programa, Caulifla.
– Então prefere que eu faça um escândalo e acabe tudo?
Ele deu de ombros e disse:
– Vá em frente. Pode ser que isso renda um a boa grana em tabloides e te ajude na carreira. Mas você vai perder tanto dinheiro quanto eu.
Ela o encarou furiosa e bateu a porta na cara dele, que saiu dali sentindo-se mais leve do que em meses. Tinha de agradecer a Vegeta.
Bem mais tarde, Goku estava em casa e olhava, nervoso, para o contato de Chichi no seu celular. Será que ela atenderia se ele ligasse? E se ela o achasse idiota e invasivo? Ele desejava aquele telefone desde os 16 anos e agora não sabia o que fazer. Abriu o whatsapp e ficou olhando. Talvez fosse melhor escrever uma mensagem, dizer um oi. Esperava que ela acreditasse que era ele. E se aquele telefone não fosse dela? E se Vegeta estivesse brincando com ele? E se tivesse dado qualquer outro telefone?
Ele pensou por um instante antes de digitar rapidamente no whattsapp:
"Oi... sou eu, o Goku!"
Ele não sabia muito bem o que esperava, mas certamente a resposta quase imediata o pegou de surpresa:
"Goku... o Vegeta me disse que tinha te dado o meu número e eu não acreditei!"
"Você não gostou?"
"Não! Eu gostei! Gostei muito!"
"Tenho tanta coisa para te dizer, Chichi!"
Eles conversaram um pouco, ainda timidamente quando Goku perguntou se podia fazer uma chamada de vídeo. Chichi pensou um instante e então disse que podia, com o coração batendo aceleradamente nem mesmo ela saberia dizer porquê. Menos de dez segundos depois, o whatsapp perguntava se ela aceitava a chamada e ela atendeu. O rosto de Goku, ansioso, apareceu na sua tela e quando ele a viu, sorriu para ela e ela sorriu de volta.
– Goku... – ela sorriu e disse – nem acredito que estamos conversando assim!
– Nem eu – ele disse, timidamente – aconteceu tanta coisa, Chichi... mas eu acho que vou agradecer a Vegeta para sempre.
– E eu – ela disse e então começou – Goku, naquela vez, a do teste, o senhor Raaja Vegeta foi quem mandou não repassarem as suas ligações e dizerem a você que eu não queria e...
– Eu sabia que não tinha sido você... por causa disso, quase perdi as esperanças, mas apareceu um cara e...
– Era o Tenshinhan, ele é segurança nosso, da produtora... ele e a Lunch, que é minha amiga, sabiam de tudo. Ele quis te ajudar e...
– Devia agradecer a ele! De um jeito ou de outro ele me aproximou de você. – Goku sorriu – é pena que você é comprometida. – ele acrescentou, de forma melancólica e Chichi se apressou em dizer:
– Goku, tem algo que eu preciso te dizer.
Ela respirou fundo e contou toda a história de como estava presa a Shallot pela dívida com os investidores de Dubai, e terminou explicando que ele tinha viajado para Dubai, onde passaria mais de um mês resolvendo negócios da família dele em outras áreas e que ela estava aliviada porque não aguentava mais sustentar aquela farsa. Foi a deixa para Goku contar toda história dos contratos com Caulifla, e os dois, ao final, se olhavam pelo pequeno monitor, cientes, de repente, de que pela primeira vez estavam, de fato, conversando.
Os dois riram. Por um momento já não existiam os obstáculos. Eles agora podiam conversar. Chichi pensou que daria um jeito de se livrar de Shallot quando ele voltasse, nem que para isso ela precisasse pegar um empréstimo. Só sabia que não queria jamais voltar a se deitar ou ter mais nenhum envolvimento com ele.
Por horas os dois conversaram. Raditz viu o irmão falando no celular com alguém e estranhou, não era o feitio dele fazer chamadas de voz, muito menos de vídeo. Bulma também viu, e, pela conversa, percebeu quem conversava com ele. Logo enviou uma mensagem para Vegeta: "Isso é coisa sua, meu irmão e a Chichi conversando?"
"Sou assim tão óbvio?" respondeu Vegeta pouco depois. Desde as pré-filmagens, eles trocavam algumas mensagens, e naquele dia conversaram um bocado e o assunto foi o treino dele com o irmão, e ela riu com as reclamações dele e no fim disse: "Vegeta, você é o melhor! Agora preciso dormir. Estou empolgada, em três dias começam nossas filmagens para valer!"
Na sua casa, Vegeta se despediu dela pelo whatsapp e ficou olhando a última mensagem pensando: "Se eu sou o melhor, Bulma... largue aquele verme e fique comigo." Pensou até em mandar uma mensagem dizendo isso a ela... mas mais uma vez o seu orgulho falou mais alto e ele guardou o celular irritado. Esperava que durante as filmagens eles pudessem se aproximar e talvez, acabarem juntos.
Bulma antes de dormir passou no quarto do irmão. Ele tinha acabado de desligar a chamada de vídeo e tinha um olhar bobo e sonhador no rosto. Bulma perguntou:
– Como foi a conversa? Vocês ficaram mais de duas horas conversando.
Ele a encarou sorrindo e disse:
– Bulma... quando eu e Chichi ficarmos realmente juntos ninguém vai conseguir nos separar.
Bulma sorriu e foi para o seu quarto. Pensou, por algum motivo, em ligar para Yamcha, mas acabou desistindo. A relação dos dois não era muito apaixonada, e era sempre ela que o procurava. Yamcha tinha dito que se casariam tão logo o filme Shakti fosse lançado, e três a quatro vezes por semana ele a pegava em casa e saíam, sempre para lugares caros e badalados, conversavam, riam, às vezes dançavam.
Mas ela não participava ainda da vida particular de Yamcha, que sendo um hindu de família muito tradicional, não a levara ainda para conhecer sua família em Navi Mumbai, um município rico e planejado ao lado de Mumbai. Ele prometera a ela que não seria um noivado longo, sem a necessidade de um Nikkah, uma cerimônia de firmar um valor de dote, ou um um Mahr recepção da família da noive ao noivo. Tudo seria restrito a um Chunni, a recepção na casa do noivo para a troca de anéis. Mas ela achava estranho ainda não conhecer a mãe dele, se já o havia apresentado para toda sua família.
Por isso, Bulma tinha dúvidas. Não sabia se queria para si essa história de morar com a sogra após o casamento, uma mulher que ela só conheceria no noivado, e, acima de tudo, estranhava a falta de iniciativa de Yamcha. Ela o tentara, o provocara mais de uma vez... afinal, ser virgem aos 22 anos podia ser muito bom do ponto de vista tradicionalista, mas ela tinha muito medo de se deparar com uma decepção na lua de mel e tinha desejos que o quase noivo parecia ignorar quando juntava as mãos dela de maneira respeitosa e quase devota e dizia: "Eu acho que precisamos esperar, Bulma!"
E agora havia Vegeta. Charmoso, inteligente, mesmo que ela tivesse feito vários trabalhos de faculdade por ele... ela sempre achara que ele não sentia nada por ela, mas ela, desde a noite na boate, sentia-se atraída por ele. Era uma estupidez, ela pensava: "Vegeta era um daqueles caras solteiros de Bollywood que iam ficar assim por anos, sempre rodeados de misses e modelos. Aquele quase beijo foi uma tentativa apenas de me seduzir, como ele faz com todas as outras..."
Em alguns dias, começariam a gravar juntos como um casal e Yamcha não demonstrara ciúme algum de Vegeta, pelo contrário, dissera a ela que era algo absolutamente normal ela ter novos parceiros em outros filmes. E por algum motivo, aquilo a frustrava. Para se distrair, pegou o velho caderno onde havia anotações do seu pai, aquelas anotações codificadas e muito estranhas, e começou tentar decifrar, como sempre, sem sucesso. Ela sabia que havia alguma coisa oculta naquelas anotações. Não sabia o que era, mas sempre voltava a elas. Sempre as relia.
Se ela descobrisse como decodificar as anotações, talvez descobrisse um pouco mais sobre seus pais. Só não imaginava ainda o que iria descobrir.
Goku e Chichi passaram um mês falando-se à distância todos os dias, e era surreal: era como se estivessem em países diferentes, mesmo morando a pouco mais de 4 quilômetros um do outro, porque não podiam se ver, nem podiam pensar em se encontrar, porque eram duas celebridades e sempre havia alguém espreitando.
Seu amor os aquecia lentamente naquele fim de outono anormalmente frio em Mumbai. Era como estar diante do calor quente e perene de brasas. Não era ainda o fogo que eles sabiam que iria toma-los no dia em que finalmente ficassem juntos. Era uma espera doce e dolorosa para ficarem juntos, mas nenhum dos dois ligava. Estariam juntos assim que pudessem.
Mas à noite, quando todos os compromissos cessavam, eles conversavam por horas, apaixonados, fazendo planos, imaginando como seria quando pudessem não mais se esconder. A única promessa que ela fez a ele foi que iria à luta dele contra Dispo, a disputa de cinturão, na primeira semana de dezembro.
Goku passou pela pesagem bem, e descobriu que mesmo com a dieta, havia ganho um quilo, chegando aos 98 quilos. Era quase covardia lutar contra dispo, que, quase no limite inferior dos médios, pesava 87 quilos.
Chegou a noite da luta, e ele estava tranquilo, calmo. Chichi estaria lá para vê-lo, com o pai. Shallot felizmente ainda estava em Dubai e avisara que esticaria a sua estadia por mais 5 semanas, para resolver investimentos dele, questões importantes, mas que não importavam em nada para Chichi, pelo contrário, deixavam-na feliz por demorar a vê-lo.
Do vestiário, ele viu a novata Heles vencer uma peso-médio de Nova Déli e Caulifla derrotar uma garota de Gujarate. Os dois haviam chegado juntos, mas ele não pretendia deixar o lugar com ela. Estava simplesmente farto de toda encenação. Só queria saber se Chichi estava lá.
Sua luta não seria a última: Broly tinha como desafiante um lutador do sul da Telangana, um rapaz menor e aparentemente menos forte que o brutamontes, chamado Jiren. Os agentes de Broly haviam promovido demais aquele confronto que fecharia o evento daquela noite, e a luta prometia ser bem mais emocionante que a dele, e ele não ligou para as provocações do peso-pesado. Só queria saber de resolver seu desafio, vencer seu adversário.
E foi exatamente o que fez, até bem rápido. O doutor Beerus tinha razão em uma coisa: mesmo com Dispo sendo ágil e rápido, a força física e seu peso acabaram sendo decisivos e ele, em poucos minutos, finalizou o outro lutador. Foi uma luta breve e fácil.
Mas uma coisa o perturbou. Chichi não estava lá. Chichi, que prometera a ele que assistiria à luta, não havia comparecido. E aquilo era muito estranho, ou muito preocupante. Ele voltou ao vestiário, entristecido e sem nenhuma alegria pela vitória, mesmo quando Raditz veio com todo seu time de apoio, todos celebrando. Ele queria ficar um pouco sozinho quando um rosto conhecido surgiu atrás de Raditz, apresentando uma credencial da SFL e passando pela segurança: Vegeta. Ele vinha sério, com um ar preocupado e aquilo alertou Goku imediatamente.
Ele deu passagem para o ator para a sua sala vip e o outro disse, pegando o telefone:
– Há algo que você precisa saber. – ele fez a ligação e disse, quando o outro lado atendeu – estou com ele aqui.
Ele passou o telefone a Goku, que disse, apreensivo:
– Chi? Por que não veio? Aconteceu alguma coisa?
– Goku... – a voz dela foi entrecortada por um soluço e ela prosseguiu – eu... estou no hospital Saifee... estávamos nos arrumando para a luta quando... ele caiu, chamei o socorro, que veio rápido mas...
– Seu pai?
– Sim – ela tornou a soluçar – ele chegou vivo aqui... mas acabou de ter um segundo infarto.
– Oh, não... Chi, eu...
– Meu pai, Goku. Ele está morto.
Goku fechou os olhos, sem pensar em mais nada e apenas disse:
– Eu estou indo para aí agora.
Notas:
1. Sim, o pai de Chichi, aquele que a criou, não o pai biológico, acabou morrendo, e no próximo capítulo saberemos que quando contou a verdade sobre Chichi ele já intuía que esse momento estava chegando.
2. Como fica a vida de Chichi sozinha? No próximo capítulo ela terá de passar pela difícil fase do luto indiano. E como Goku poderá ajuda-la?
3. Bulma cada vez mais em dúvida sobre seu compromisso com Yamcha. Porque Vegeta não aproveita esse momento, senhores? Nem eu sei.
4. O doutor Beerus ser grosso é mal humorado é bem indiano. Médicos são muito respeitados na Índia, mas os mais velhos não são conhecidos por sua educação.
5. Agora Goku e Chichi podem realmente se conhecer, é verdade, e é questão de tempo para terminarem seus compromissos. Mas não pensem que será assim tão fácil...
6. Goku e Vegeta começaram com um certo ranço. Mas acabam se entendendo, como os divertidos "bandidos do bem" Veeru e Jai, interpretados pelos astros Dharmendra e Amithab Bacchan no filme de 1975 "Sholay", considerado o top 1 na lista de maiores clássicos de Bollywood de todos os tempos. Eu não poderia deixar esse filme de fora por dois motivos: o primeiro é óbvio, por ser um filme tão importante, o segundo é porque os dois personagens, extremamente carismáticos, tem algo de Goku e Vegeta numa amizade/rivalidade muito cativante. E o bandido tem alguma coisa de Freeza.
