Capítulo 28 – Deewar versus Hanuman

– Eu dou a vocês dois cinco minutos – disse Raaja Vegeta, olhando para Goku e Chichi – conversem entre si sobre o que vão fazer. Mas quando saírem dessa sala, até que estejam ambos desimpedidos, não serão mais do que colegas de filme. E precisam terminar a gravação. Há mais de 40 pessoas esperando naquele estúdio.

Ele bateu a porta e os dois se encararam, então riram e Goku a puxou para um abraço. Ela fechou os olhos junto ao peito dele e disse:

– Eu não acredito que estou finalmente livre, Goku...

– Ah, Chi... não queria que abrisse mão de nada. Sua herança e...

– Eu não me importo – ela se afastou e o olhou nos olhos – tudo que eu queria era me livrar dele, me afastar daquele homem que... ah, Goku. Eu me arrependo tanto de ter continuado com ele por todo esse tempo... devia ter terminado quando ele tentou forçar um compromisso. Sabia que não o amava!

– Não é como se eu não tivesse arrependimentos, se lembra? Se eu não tivesse assinado todos aqueles contratos idiotas, agora estaríamos livres... – ele deu um suspiro – os deuses sabem quanto me custa sorrir ao lado dela em cada foto, fingir... eu odeio mentir, Chichi... – ele a olhou e disse – se eu perder... se eu perder a luta contra Broly e tudo isso que eu sou acabar... eu ainda vou ter teu amor? Eu...

Ela tocou seus lábios com os dois dedos e disse:

Moodha (tolo)! Eu não me apaixonei por Son Goku, o lutador, mas pelo entregador de doces de Andheri East!

– Que teve vergonha de dizer a você o próprio nome! – Ah, Chichi... tudo que passei deve ter sido um capricho do carma para me trazer até você.

– E você agora está arriscando tudo isso apenas porque não queria me expor. Mesmo que você volte a entregar doces numa bicicleta, mesmo que volte para Andheri East, Goku... eu vou continuar te querendo e te amando.

Ele beijou-a. Um beijo quente, cheio de desejo. Mais que todos que já haviam trocado. Ele a puxou para junto de si, um abraço de corpo inteiro. As três batidas de Raaja na porta, no entanto, fizeram os dois se afastarem, rindo.

– Já resolveram? Tiveram cinco minutos! – gritou Raaja, atrás da porta.

– Quase! – gritou Chichi e então sussurrou, beijando Goku de leve – Mere yoddha (meu guerreiro). Você não vai perder. Vai vencer, é o seu destino.

Ele sorriu junto aos lábios dela e disse:

– Vou treinar tanto que nada vai me segurar, Chichi... Nada!

Os dois riram juntos e saíram, lado a lado mas sem se tocar, rumo ao estúdio para concluir a gravação, escoltado pelo cioso Raaja que disse:

– Nada de mãos dadas em público! Chichi tem um nome a zelar!

Goku não disse nada, mas achou que, na verdade, aquela era uma desculpa dele para demonstrar um ciúme de pai


A caminho do escritório de Raj Kundra, chefe da SFL, para acertarem a luta entre ele e Broly, Raditz ia dando as orientações que achava necessárias ao irmão, que escutava, entediado, olhando pela janela:

– Eles vão estabelecer a data. Você precisa de tempo. Vamos tentar negociar para que seja o mais longe...

– Não vai ser. Eles querem grana. Não querem que meu cinturão dos médios fique vago tanto tempo. O próximo evento, em fevereiro, já está completo, tem defesa do cinturão feminino e...

– Caulifla vai lutar? Se ela lutar e vencer vai ter revisão do contrato de vocês...

– Não, é a Kale. Ela defendeu o cinturão agora, demora mais um pouco para defender novamente... não tem muitas na categoria dela. Mas a garota que treina a Chichi quer desafiá-la. Adoraria que ela perdesse e o contrato ficasse desinteressante para os patrocinadores...

– O contrato de vocês termina em Julho. O senhor Raj Kundra me disse que pensam num grandioso evento em Dubai na época do Eid. Várias defesas de cinturão.

– Provavelmente a primeira defesa do Jiren. Não tem muitos pesos-pesados qualificados para lutar com ele. Ele está invicto. Broly quer a revanche, pode ser que isso seja negociado para antes da minha luta com ele... mas aí fica complicado, porque se ele vencer torna a ser o campeão e eu não posso entrar no set de lutadores já desafiando o campeão.

– Isso nem parece MMA, mas xadrez – resmungou Raditz – a parte que eu entendo é a do dinheiro. Não vou deixar você entrar no octógono contra aquele brutamontes por menos de 5 Crore (quase 4 milhões de reais).

– Isso é mais dinheiro do que eu consigo imaginar, irmão! Acha que consegue?

– Não sei, mas é o que eu vou tentar.

A antessala escritório de Raj Kundra tinha fotos dos times de cricket que ele administrava, de jogadores que empresariava e um painel com a galeria de ouro da SFL, recentemente colocado onde a foto de Goku ainda estava destacado como campeão dos meio-médios e Jiren já estava como campeão dos peso-pesados. Quando Goku e Raditz chegaram, Broly e seu pai e empresário, Paragus, já estavam lá, ambos de cara amarrada e óculos escuros, esperando que o empresário os chamasse. Quando Goku chegou, a recepcionista sorriu e disse:

– O senhor Raj Kundra os aguarda!

– Ei, e nós? – disse Paragus, visivelmente irritado – chegamos primeiro e...

– Os senhores serão recebidos em conjunto, na sala de reuniões – disse a recepcionista, ainda sorridente. – me acompanhem.

A mulher abriu uma porta lateral e passaram por um corredor até uma sala de reuniões com uma longa mesa modelo navio e uma vista envidraçada para o centro financeiro de Mumbai, o bairro de Dadar. Radiz e Goku sentaram-se de um lado, próximos à cabeceira da mesa e Paragus e Broly fizeram o mesmo no lado oposto. A recepcionista ofereceu água e chayy, mas nenhum deles aceitou e ficaram se encarando irritados enquanto esperavam.

Raj Kundra entrou seguido por uma secretária e pediu desculpas pela ausência de Sanjay Dutt, que estava fora do país cuidando de outros eventos. Ele sentou-se na cabeceira e a secretária sentou-se um pouco distante e abriu um laptop, onde anotaria tudo sobre a reunião.

– Bem, senhores – ele disse, animado – então, precisamos fazer vários acordos... o primeiro deles diz respeito a você, Broly...

O rapaz, até então mudo, tirou os óculos escuros e olhou para o empresário antes de dizer:

– Como assim?

– Bem... você segue no cartel. Mas não soube aceitar a derrota para Jiren por pontos acusou a liga de desonestidade, isso foi pouco lisonjeiro da sua parte e quase, por muito pouco, não esgotou nossa paciência. Aquilo ficou bem feio para você e...

– Eu estou segurando a língua dele agora – interveio Paragus – tenho controlado tudo que ele diz e...

– Senhor Paragus, quando for solicitado fale, não antes. Sei que não tem sido muitos os convites para entrevistas por causa do comportamento errático do nosso Broly. Mas a questão é que logo após a luta ele pediu revanche. E estávamos considerando a ideia, mas então veio a entrevista do nosso Goku aqui e logo depois você disse que aceitava o desafio publicamente.

– Claro – disse Broly, encarando Goku com raiva – o cretino do Kakarotto me desafiou e...

– O mesmo que disse para seu pai vale para você, Broly, espere que eu conclua... – tornou a dizer Raj Kundra – e isso nos cria um dilema. Você, por enquanto, é o único lutador do rol dos pesos pesados apto a desafiar o Jiren, que está invicto, porque tem apenas uma derrota e os outros já tiveram mais que uma. Mas as regras da liga dizem que Goku, ao mudar de categoria leva suas vitórias, que já são muitas, considerando o período de qualificação, o título e a defesa, e nenhuma derrota. Ele defenderia o título agora, no próximo evento, mas com a renúncia, o cinturão está vago. Ao te desafiar, ele o fez almejando entrar na categoria de peso pesado, e, na nova categoria, ele criou um movimento extremamente positivo na liga e que beneficiou você, inclusive.

Os dois, Goku e Broly, se encararam, sérios. Eram rivais naturais desde que Broly deixara o dojô de mestre Karim por conta dos ciúmes que tivera de Goku e agora era a oportunidade de se encararem numa luta pela primeira vez.

– E qual o problema de lutar com esse idiota fracote – disse Broly, fazendo Goku dar um risinho irônico.

– O problema, Broly, é que para aceitar o desafio, pelo menos por enquanto, vai ter que esquecer a ideia de revanche.

– O quê? – Broly bateu na mesa, irritado e Paragus tentou controla-lo enquanto Goku e Raditz olhavam para o impassível Raj Kundra enquanto o rapaz gritava uma série de impropérios. – aquela luta não foi justa! Eu tenho direito a uma revanche! Eu quero uma revanche e...

– Então – disse Raj Kundra, calmamente – não pode lutar com Goku. Terá de escolher. Porque se você perder a revanche, a luta com Goku perde o sentido, uma vez que você virá de duas derrotas e será considerado um adversário fragilizado. E se vencer, torna a ser campeão e Goku, vindo de outra categoria, precisa lutar com qualquer peso pesado antes de pensar em desafiar o campeão.

– Eu não quero esperar – disse Goku calmamente – quero lutar com ele. E depois que vencê-lo, vou desafiar Jiren. Posso, não posso?

– Se vencer, sim. Se Broly insistir na revanche com Jiren, no entanto, vamos te colocar para lutar com outro. E não terá o mesmo impacto, você sabe. O que todos querem ver é a disputa de Deewar com Hanuman (O deus-macaco, apelido que Broly adquirira por causa de suas comemorações que o faziam lembrar um macaco).

Goku olhou para Broly e disse, de forma calma e simpática:

– Então, Broly... a decisão é sua. Eu creio que nossa luta pode render mais que a revanche... quem perder vai precisar do dinheiro porque provavelmente vai estar acabado. Espero que seja você.

– Eu não vou perder para você, Kakarotto. Eu espero essa luta desde que você chegou no dojô do mestre Karim com esse jeito sonso, bancando o inocente. Pois eu fiquei muito mais forte e vou te esmagar e depois vou mostrar para aquele cretino do Jiren quem manda. Posso esperar a revanche, mas não vou esperar para te mandar pro hospital...

– Muito bem – disse Raj Kundra, animado. Agora então, aos negócios. A luta de vocês será no Holi, o que dá a cada um quase dois meses para se prepararem...e sobre as luvas de cada um...

Nesse momento, Raditz, até então calado, entrou no circuito e mostrou que, quando se tratava de dinheiro, ele podia ser um lutador bem mais feroz que o irmão.


– CINCO crore pela vitória! – repetiu Goku mais uma vez, fazendo Raditz rir, enquanto voltavam para casa. – Bhaee... agora a gente está oficialmente rico, não está? Sei lá, mas não me parece que a gente consiga gastar todo esse dinheiro assim, tão facilmente...

– Não se iluda. Dinheiro vai como vem, se não se tem disciplina. Agora é com você. Treine pesado, se prepare porque não vai ser nada fácil pegar aquele sujeito de jeito...

– Mas quem disse que eu vou "pegar ele de jeito"? Eu vim do Wrestling, que é uma luta de agarrar e derrubar. Mas não tem como "agarrar e derrubar" um sujeito do tamanho do Broly. Ele vai tentar me bater muito e o soco dele não é nada leve...

– Então o que você vai fazer, bhaee?

– Tentar apanhar o mínimo e bater o máximo. Como ele é bem menos ágil que eu... acho que existe um caminho.


Londres

Uma mulher de ascendência indiana que morava sozinha estava diante do computador em sua casa fazendo algo que a fazia se sentir menos sozinha: assistindo programas da TV indiana. Bonyu era uma policial corpulenta, de ossos largos e corpo forte que se aproximava dos 35 anos solteira, com uma pinta de durona e um segredo interessante: amava de paixão os filmes de Bollywood, mesmo nunca tendo realmente pisado na Índia dos seus pais.

Ela havia acabado de fazer o download de alguns dos programas de Karan Johar daquela temporada e, ao ver que havia um com Chichi Cutelo e Vegeta Jr., um dos casais que ela mais gostava, decidiu ver aquele programa primeiro. Era também uma forma de manter seu hindi em dia. Ela era do M16 a polícia secreta inglesa, e era uma das intérpretes para o idioma indiano, embora às vezes tivesse que explicar para os seus superiores que não dominava Tamil, Telugu e Urdu, idiomas que muitas vezes eram tomados por policiais desavisados como sendo "idioma indiano". Odiava ser chamada à toa.

Ela ficou olhando o elenco do novo filme, um pouco desapontada porque Chichi e Vegeta não seriam um casal e então, a moça que faria par com ele, que parecia tudo menos indiana, chamou a sua atenção. Não era comum mulheres na Índia com olhos e cabelos azuis como aqueles. Por que mesmo isso estava chamando tanto a sua atenção?

Bulma. Esse nome também não era comum na Índia e, por algum motivo, acendera nela um alerta. Onde ela já ouvira esse nome? Ela assistiu todo o programa, e quando a atriz falou que havia sido adotada, aquilo decididamente a fez ficar atenta. Havia alguma coisa importante que ela precisava lembrar. Anotou o nome Bulma num bloquinho, para não esquecer, e continuou vendo entrevistas, depois viu um filme e então, foi dormir.

No dia seguinte, quando tomava café da manhã, viu o nome "Bulma" no bloquinho de anotações e lembrou-se de moça. Arrumou-se para ir ao trabalho e, já dentro do metrô, lembrou-se de onde conhecia aquele nome. Chegou à sede do M16 e foi direto ao gabinete de um policial que cuidava de casos antigos e há muito arquivados.

– Jaco... como era o nome da filha daquela família que desapareceu há 20 anos numa viagem de pesquisa a "algum lugar incerto na Ásia" mesmo?

Ele olhou para ela, com estranhamento e então disse:

– Os Briefs? Eu bem que já teria esquecido deles se a filha mais velha não vivesse me ligando para saber se tem alguma informação...

– Isso. Não era Bulma o nome da menina?

– Tenho que ver no arquivo. Mas porque o interesse?

Bonyu mostrou a ele o celular com informações que ela havia pesquisado sobre a jovem atriz Bulma Sayajin, uma garota que havia sido adotada por uma família de Mumbai anos antes. Jaco olhou desinteressado e disse:

– E você acha que essa Bulma aí é a filha dos Briefs só porque ela foi adotada? Bonyu... a última pista deles foi em Kuala Lumpur, é bem longe de Mumbai. E isso foi há 20 anos.

– Essa menina não parece Indiana, Jaco! Você devia avisar a irmã dela, ela tem recursos para ajudar nessa investigação, mandar um agente, sei lá!

– Está querendo ir a Mumbai passear à custa do bureau, Bonyu? – caçoou Jaco. – ou à custa da milionária Briefs?

– Não é nada disso, Jaco! Imagina se a gente soluciona esse caso!

– Não vou dar esperanças para essa jovem sem ter certeza de que se trata mesmo de uma pista quente... mas podemos entrar em contato com o Bureau de Inteligência indiano, afinal esse é um caso que envolveu a Interpol e a colaboração entre polícias é essencial.

– Você faria isso?

– Eu não. Você vai fazer. Aqui, o e-mail do chefe do CBI (Central Bureau of Inteligence) em Mumbai. Escreva para ele e tente descobrir algo sobre a história dessa moça. Aí veremos o que fazer.

– Ótimo! – Bonyu sorriu, satisfeita. Ela tinha um pressentimento que se tratava, de fato, de uma pista quente


Descanso foi a palavra cortada do dicionário de Goku a partir do dia em que acertaram a luta até o Holi daquele ano, que caiu no dia 23 de março. O ganho de peso, até então visto com preocupação, começou a ser desejado e almejado, e ele adorou poder comer como um leão nos intervalos dos treinos e quando a balança marcou 108 quilos, uma semana antes da sua luta ele ficou feliz, mas seus treinadores, um pouco preocupados:

– Goku... Broly pesava 123 quilos na pesagem antes da luta com Jiren. É muito mais pesado que você e vai usar isso, tenha certeza. Se tentar agarra-lo e acabar preso, não vai ter como conseguir se safar... – disse o mestre Kame, que o supervisionara durante o treinamento.

– Não vou usar o estilo Wrestling, porque isso é o que ele espera. – disse Goku – eu Quero derrubar Broly com chutes e socos.

– Não é uma má ideia se conseguir ser mais veloz que ele – completou Karim – me lembro que quando foi meu aluno a velocidade e a falta de mobilidade eram os pontos fracos do Broly...

– Ainda são – disse Goku, animado.

Ele havia visto os vídeos de todas as lutas de Broly e observara seu estilo, ou melhor, a sua falta de estilo. Broly era bruto e pesado, e sua estratégia era basicamente jogar-se sobre o adversário ou cair de pancada. Os socos dele eram verdadeiras patadas, e Goku pretendia fugir deles e acerta-lo ao máximo com socos precisos e cirúrgicos. Goku desconfiava ainda que Broly tentava resolver ao máximo as lutas no primeiro assalto porque se cansava fácil. Mas os 3 assaltos de uma luta de MMA sem disputa de cinturão não davam a ele muito espaço para tentar vencer por pontos. Precisava dominar o gigante e derrubá-lo.

Os chutes e socos dele ganharam força e precisão, e ele se concentrou em melhorar a sua esquiva e velocidade de tal forma que logo parecia um lutador completamente diferente do Son Goku que vencera Hitto e Chapa. A coisa mais aborrecida para ele foi ter de ir a três sessões de fotos, sendo duas com Caulifla, uma para o dia dos namorados e outra, mais próxima do dia da luta, para o Holi, que era uma época considerada quente para vendas.

– E aí, velhote – disse Caulifla, quando Goku estava com as mãos na cintura dela – animado para levar uma surra do Broly?

– Não tanto quanto estou animado para o fim desse contrato que me prende a você...

– Eu vou à sua luta, compromisso contratual, né?

– Mas vai torcer para o Broly, eu sei.

– Nem tanto porque se você perder nosso contrato pode ser renegociado para baixo...

O fotógrafo mandou os dois abraçarem-se e Goku fez uma cara aborrecida. Caulifla riu e disse:

– Eu soube que você detonou o noivado daquela atrizinha de quinta... como ela deve estar chateada porque você não ficou com ela, hein? Daqui a pouco ela arruma outro e você vai ficar chupando o dedo...

– Por que você não arruma outro e larga do meu pé? Tirar essas fotos é sempre a pior parte do meu dia, quando temos uma sessão.

Ela riu e disse:

– Talvez eu arrume outro, quem sabe? Se você pôde ir a Varanasi consolar a sua pobre amiguinha eu posso também fazer alguma graça por aí.

– Eu não me importo – ele disse e nesse momento o fotógrafo disse que estavam dispensados e ele a largou e se afastou. Caulifla ficou bufando. O que mais a irritava era que nada do que ela fizesse ou dissesse realmente o aborrecia.


Na véspera da luta, antes de dormir, Goku falou com Chichi por chamada de vídeo. Ela havia finalmente concluído as filmagens de "Anarkali" e agora estava presa apenas aos compromissos mais simples, como eventualmente gravar voz para cenas externas que não tivessem tido boa captação de áudio. Estavam os dois deitados em suas camas e ele disse:

– Daria tudo para passar essa noite contigo, sabia? Me inspiraria a vencer...

– Mas eu estarei lá amanhã... a grande vantagem de estar num convênio com a SFL é que posso ir sem que ninguém possa dizer besteiras sobre nós... mas não vejo a hora de realmente estar do seu lado. Poder torcer e te beijar quando tudo acabar.

Ele sorriu para ela e disse, antes de desligar:

– Não está tão longe esse dia.


O Holi, feriado de dois dias, era marcado pelas brincadeiras com pós coloridos e água nas ruas, um feriado alegre e colorido com todos desejando "Happy Holi" e "Holi hai", no feriado que celebrava o amor, a pureza de sentimentos e a alegria representando pelo amor de Radha e Krishna. Algumas pessoas passavam um pouco do ponto no consumo do bhang, uma mistura de leite com sementes de cânhamo que causava uma certa euforia.

Mas, concentrado, Goku só estava focado na luta daquela noite. Como não adiantava mais treinar, passou o dia relaxando. Dois dias antes, na pesagem, Broly dissera bobagens para provoca-lo e ele sequer ligara. Estava pronto para vencer a luta. A noite logo chegou e na arena esportiva do National Sports Club of India, novamente, foi montado um octógono para algumas lutas preliminares dos iniciantes da liga que serviam apenas como aperitivo para a grande luta de 3 assaltos entre Son Goku, o Deewar, e Broly, o Hannuman. Banners com os rostos zangados dos dois em tamanho gigante mostravam qual era a grande luta da noite.

Goku, sozinho no vestiário, olhava a TV enquanto se exercitava. Sua família foi focalizada pelas câmeras e ele sorriu quando Viu Gine, Raditz e Bulma, essa ao lado do namorado, que tinha um ar de tédio. Quando os seus treinadores vieram chama-lo, então, Chichi apareceu brevemente no telão, sentada entre Vegeta e Tarble, e seu coração acelerou. Ela estava lá e veria sua vitória.

Ele e Broly não paravam de se encarar no instante antes da luta, pulando e se aquecendo enquanto o locutor anunciava os dois, no habitual estilo sensacionalista do MMA. Quando se aproximaram e bateram os punhos, Broly disse, baixo:

– Vou te derrotar... e aí vou chamar aquela atriz que você gosta tanto para sair.

Goku olhou para Broly e sorriu, antes de dizer:

– Nem uma coisa e nem outra.

O gongo soou e Broly avançou. Numa luta normal, Goku se limitaria a tentar fechar a guarda e tentar leva-lo ao chão logo, mas, sabendo o que devia fazer, ele se esquivou do primeiro soco já armando um chute que acertou Broly na lateral dos rins, o que surpreendeu o outro, que tentou outro soco que passou perto de Goku, mas não o acertou. Goku então armou dois diretos e acertou um, errando o segundo por pouco. Broly fechou a guarda, surpreso com a mudança de estilo, e então se tornou mais cauteloso, tentando estudar Goku.

Ele tentou chutar Goku que se esquivou e tentou um soco no rosto, que acabou pegando no ombro de Broly, desequilibrando-o um pouco. Broly tentou acertar Goku no rosto, mas acabou errando e então, mudou de tática, fingindo que o atingiria no rosto e então batendo no corpo.

A luta tornou-se cautelosa e logo o gongo soou sem que nenhum dos dois tivesse infringido dano significativo ao adversário. O segundo assalto trouxe um Broly mais irritado ao perceber a tática de esquiva de Goku. Ele subitamente encurtou a distância e passou a tentar agarrar Goku, o que se revelou um engano: Goku se esquivou do seu gancho e, pela primeira vez acertou um bom soco no rosto de Broly, que cambaleou aturdido. Goku então, cometeu o erro de baixar um pouco a guarda, e, mesmo tonto, Broly finalmente acertou um soco tão forte que Goku sentiu o peso do punho de aço do outro.

Um instante antes de Broly armar outro soco, ele deu um passo para trás e esquivou-se, então, como que por mágica, viu exatamente o que deveria fazer: sua mão avançou quase automaticamente para frente e atingiu Broly bem no meio do rosto. Broly devolveu o soco e tirou um pouco de sangue de Goku ao acertá-lo na sobrancelha. Goku sentia os dois golpes que o haviam atingido, mas, num ágil salto, acabou atingindo Broly com um chute em cheio na linha da cintura. O gongo soou bem quando o grandalhão, curvado pela dor, se apresentava como alvo fácil para uma finalização.

Goku foi para o córner aborrecido, porque seu supercílio sangrava e a cabeça doía. Ele não queria levar para os pontos: precisava finalizar a luta no último assalto. O gongo soou novamente e ele avançou. Broly já não estava tão seguro nos seus movimentos, mas esquivar-se tanto dele cobrara de Goku um preço também: ele já começava a sentir o fôlego um pouco mais curto e os movimentos mais lentos.

Então, aconteceu: Broly o acertou em cheio. Um soco terrível e doloroso que o fez dar três passos inseguros para trás. Ele pensou que cairia e então ouviu a voz de Broly gritando:

– Você vai perder, Kakarotto! E eu vou ficar com a garota!

Aquilo, por algum motivo, o acendeu. Broly estava tão certo de que ele cairia que abriu os braços e baixou a guarda. Mesmo com a cabeça doendo como se fosse explodir por causa do soco que levara, Goku firmou os pés e avançou, acertando uma sequência de três socos em Broly com tanta força que foi a vez do outro ir recuando em direção às grades do octógono. Ele ainda tentou reagir, mas o espaço já havia sido aberto e, implacável, Goku acertou mais dois socos e um terceiro, que o tirou finalmente de órbita.

Apesar da dor de cabeça infernal e da tontura que sentia, Goku lançou um último golpe e, finalmente, viu Broly cair. Mesmo mais alto, mais forte e mais pesado, o poderoso Deus-macaco não conseguiu passar pelo homem que todos comparavam a um muro e desabou no chão do octógono. A vitória era de Goku, que ergueu os braços, aliviado, quando o juiz encerrou a luta ao ver que Broly não tinha condição de seguir.

A multidão gritava "Goku! Deewar" e foi a primeira vez que se deu conta do barulho ensurdecedor na arena desde o início da luta e ele ergueu os braços, sentindo que a dor de cabeça piorava. Broly foi posto de pé precariamente e Goku, declarado vencedor, sorriu e aquilo foi como se uma faca estivesse sendo enfiada entre seus olhos. O seu staff queria erguê-lo, mas ele se sentia confuso, tonto. Sabia que havia algo errado.

Tudo estava pronto para a entrevista após a luta, ele estava sendo levado para a sala de imprensa, quando de repente olhou para Raditz, que o acompanhava, e disse:

– Não me sinto bem. Minha cabeça dói muito...

Então, sem aviso, Goku caiu sem sentidos. O golpe que ele sentira, dado por Broly, finalmente cobrava o preço e o derrubava, para sorte dele, depois do fim da luta.


Notas:

1. Raaja Vegeta começa a proteger Chichi, sua reputação e carreira de forma feroz e isso será importante no futuro.

2. Finalmente começamos a desvendar o passado de Bulma? Vamos ver se a detetive Bonyu tem sucesso em descobrir a conexão entre Bulma e sua irmã – sim, ela existe exatamente como no Anime e seu nome é Tights.

3. Chichi está livre, mas Goku ainda está preso a Caulifla. Será que o fim desse relacionamento fake vai ser fácil ou ela vai vender caro a liberdade de Goku?

4. Uma luta de MMA pode ter 3 ou 5 assaltos de 5 minutos, sendo que 5 assaltos acontecem apenas em lutas de disputa de cinturão. Por ser o MMA uma luta muito violenta, não há contagem e um nocaute pode ser declarado mesmo que o lutador se levante.

5. E Goku desmaiou. Será que ele corre perigo?